IRÃ, UNIBAN E AS CONTRADIÇÕES DE SEMPRE
09/11/2009
IRÃ, UNIBAN E AS CONTRADIÇÕES DE SEMPRE
Há militantes legítimos e oportunistas, qualquer que seja a causa. Os primeiros, como sói, são seus defensores independentemente de circunscrição geográfica, bandeiras, cores, nomes e, claro, partidos políticos. Uma causa é uma causa, fim de papo. O segundo caso, comum no Brasil, é lamentável e ridículo, mas também um pouco engraçado.
Vejam, por exemplo, o recente e supercomentado caso da UNIBAN. A ex-aluna (a universidade a expulsou) foi pra aula com um vestido curto e quase foi linchada por centenas de colegas. Imediatamente, várias teses surgiram em defesa da moça e, claro, os militantes oportunistas aproveitaram para assinalar o tento partidário travestido de golaço ideológico.
Mas estão impedidos.
Lembro-me do Lingerieday, efeméride brincalhona na qual mulheres e homens colocariam fotos em trajes "de baixo" (ui) no Twitter. Uns foram contra porque tal coisa "objetificaria" as fêmeas e, de mais a mais, ali houve a "convocação do patriarcado" (é mole?). Um grande "condenador", por exemplo, organizava concurso de beleza no Orkut, cujo critério de desempate consistia no envio de fotos com as candidatas... TRAJANDO ROUPAS ÍNTIMAS!
Mas não pensem que essa gente fica aborrecida com detalhes menores, como "lógica" ou "fatos". Passam por cima de tudo e vão com a cara e a coragem também dar seus pitacos sobre o tal caso da UNIBAN. A saída? Simples: ela se veste assim porque quer.
Mas eis que surge Mahmoud Ahmadinejad. Ele, sim, está muito mais adiantado na pequena área, definitivamente impossibilitando qualquer condição de jogo. Vejam lá o bandeira sinalizando e apontando para o presidente do Irã! Pois é, não deu.
Ele, para quem não sabe, é o queridinho da rapaziada marota que condenou o Lingerieday (ok, aí faz sentido). Mas, vale dizer, esse pessoal esperto e bronzeado mostrou seu valor condenando a UNIBAN. Aí complica, não é? Porque no Irã, NOS DIAS DE HOJE, as mulheres são CIDADÃS DE SEGUNDA CLASSE.
Esqueçam bobagens como vestidos ou saias. A lei iraniana é uma verdadeira atrocidade contra as mulheres. Elas, por exemplo, não têm direito ao divórcio (como aos homens cabe essa prerrogativa, é no mínimo estranho o procedimento de separação...), nem ficam com os filhos maiores de sete anos. E, no caso de herança, ficam com a metade.
Obviamente, a legislação é fundamentada em preceitos religiosos. Os entusiastas de Ahmadinejad, em sua maioria, são ateus, alguns até mesmo defensores de campanhas para a divulgação do ateísmo ou coisa do tipo. Só eu vejo contradições aí? Já são quantas? Umas três, quatro?
Isso porque não falei dos gays, que são punidos com a morte naquele país, e por aqui são defendidos pela claque do presidente iraniano.
Mas qual motivo faria alguém passar tamanha vergonha de forma aparentemente voluntária? O compromisso maior, qual seja, o partidário.
Ahmadinejad é contra Israel e, por conseguinte (no raciocínio da manada), é inimigo dos EUA e, por conseguinte (idem), é "do bem". "O inimigo do amigo do meu inimigo é meu amigo.” Não importa se ele é o ditador de um regime que mata gays, espanca mulheres, nega o Holocausto e pretende eliminar Israel da face da Terra.
Para piorar – e piorou –, Lula convidou o simpatia para uma visita ao Brasil. Seria em maio, mas aquele processo eleitoral extremamente democrático em seu país, como sabemos, acabou atrasando os planos. Mas, como dizem: "agora, vai!". Ou melhor: ele vem.
Sabem os que atacaram as garotas que puseram fotos de lingerie no avatar do Twitter e ao mesmo tempo defenderam a menina que usou um vestido curtíssimo na faculdade (nem falo do concurso do Orkut, de tão constrangedor)? Não falarão nada ou talvez até mesmo defenderão Ahmadinejad.
Porque a causa é o de menos, fica sempre em segundo plano. Não são militantes legítimos, são oportunistas tacanhos que colocam sempre, sempre, o partido e seus amigos em primeiro lugar.
A grande prova é a pobre blogueira cubana Yoani Sanchez, que foi recentemente detida e espancada. Nossos arautos da "Liberdade na Web" sempre se calam sobre isso. SEMPRE. Mas por quê? Porque apoiam Cuba. São como aquela feminista que apoia Polanski. São como um hipotético movimento gay pró-Ahmadinejad.
Esses casos doentios de obediência cega ao partido geram bizarrices teratológicas. Militantes pela liberdade na web que se negam a defender a blogueira cubana porque DEFENDEM A DITADURA CASTRISTA?
E se Yoani blogasse de Honduras?
Revisão: Hellen Guareschi
transubstanciado por gravata às 09.11.09 - 16:58:06 | 12 comentários
Comentários, Pingbacks:
(Gravz: Pois é, eu não defendo o regime hondurenho, nem Cuba, nem o palerma do Irã. Mas, creia, HÁ MUITOS que admiram o ditadorzinho persa. Muitos. E pela lógica exposta no texto, "inimigo do amigo do inimigo blablabla". Também me espantei quando descobri isso)
Quando o vestido da Geise foi anunciado, procurei entender os mecanismos de controle e de gestão do seu comprimento, e ficava claro tratar-se de um avanço extraordinário, aproveitando mas avançando experiências embrionárias que acabaram não dando certo na época, mas que deixaram sementes.
Então, só para recordar: o Zelaya foi expulso irregularmente do país por quem executou a ordem legal de depô-lo. Não importa discutir os motivos disso, mas eles não anulam a legalidade do restante, assim como o policial agredir um detento não anula a condenação deste.
E além de não haver nada a objetar sobre a legalidade da deposição do Mel, o governo que assumiu sempre se colocou como interino e à espera das eleições de cinco meses depois. O país e suas instituições funcionaram normalmente neste período com exceção dos poucos dias em que vigorou o estado de sítio, medida prevista democraticamente em quase todos os países, para evitar a baderna que ameaçava se instalar quando o deposto começou a incentivá-la a partir da atitude "irresponsável e idiota" (palavras do embaixador americano) daqueles que o instalaram em certa embaixada.
Hoje, o erro de avaliação inicial sobre o "golpe" já foi consertado pelos principais países, a companha eleitoral segue a pleno vapor com toda a liberdade, a pedido do governo interino a eleição será acompanhada por observadores internacionais e o congresso deve decidir se restitui o Zelaya (mesmo sem poderes) ou não. Provavelmente não, porque a Suprema Corte se absteve de opinar sobre o tema ao ser consultada, mas o MP já advertiu os deputados sobre as sanções a que estarão sujeitos se o fizerem, uma vez que o Mel é réu de inúmeros crimes, tendo, por exemplo, desviado milhões do BC.
Enfim, mesmo como contraponto é uma grande injustiça comparar Honduras a uma ditadura, pois trata-se de um país onde há liberdade e as instituições funcionam com independência, ao contrário de Cuba e do Chile de Pinochet (não tenho culpa de não haver uma equivalência atual ao modelo cubano).
Só quem perdeu foram os que tentaram transformar o país em mais um satélite bolivariano e alguns amigos seus: desde que o Zelaya foi deposto caiu drasticamente a quantidade de "avionetas", pequenas aeronaves venezuelanas carregadas de cocaína colombiana (de quem será?), que usam Honduras para se aproximar do México.
Em 18 dias acontecerão as eleições, o resultado sairá no mesmo dia e o novo governo assumirá em janeiro. E os gênios que criaram uma nova categoria diplomática para receber o Zelaya terão que decidir o que fazer com ele. Não se espante se você cruzar com alguém de chapelão branco quando sair para passear em fevereiro.
(Gravz: Toda vez em que você não encontra resposta aos textos, a saída é dizer isso... Vamos lá, entro no seu jogo: Não, Fredson, não penso. Agora é sua vez. Responda ao texto, encontre uma mentira aí. Abs)
Sobre esse caso, o fato é que foi uma besteira, um monte de babacas (uncluindo as estudantes) hostilizando uma garota por conta da minissaia. Mais babaca ainda foi a decisão (já revogada) de expulsar a aluna.
Com certeza entre aqueles xiitas que participaram do 'linchamento' da menina da UNIBAN estao varios admiradores de Cuba. Se alguem tentar perguntar-lhes o porque da contradicao entre os casos Yoani e Uniban nao responderao porque, como vc bem disse, trata-se de doenca de obediencia cega. Veja o artigo da Marta Suplicy a respeito. Ela simplesmente ignorou o caso cubano. Sabe de uma coisa Fernando, tenho pena dessa gente que se auto-glorifica, a exemplo do lula.
A aproximação do nosso governo com o Ahmadinejad me intriga a muito tempo, e tenho certeza que, não só para mim, como também para você, e eu acho que também para o pessoal da direita, esse negócio não faz muito sentido, pois já está mais do que evidente o caráter democrático do governo Lula, o que não tem nadica de nada a ver com o sinistro governo do Irã. A tese de se posicionar como interlocutor entre o Irã e o mundo democrático me parece agradável e extremamente confortável, mas considero uma estratégia arriscada demais, muito altruísmo para qualquer governo.
(Gravz: Concordo com o Silvio. É preciso separara as coisas)
Prezado Caetano.
Acho que lemos livros diferentes.
Pense sobre:
Conhecer o seu inimigo;
Tomar por inteiro.
Faça a sugestão de não conhecer o seu inimigo às forças policiais que mantém infiltrados em áreas de tráfico.
A "arte da guerra" trata de estratégia.
Vencer perdendo menos (pessoas, bens materiais e poder).
Isolar o Irã é assumir o risco de criar uma Coréia do Norte no Oriente Médio.
Pense:
Os EUA perderam a guerra e milhares de soldados no Vietnã.
Os EUA acabaram com a "Cortina de Ferro", sem guerra explícita.
Respeitosamente,
Luiz Fernando Mendes de Santana
(Gravz: De mãos dadas com o Sarney, de fato, há várias. Mas, nessa da UNIBAN, não há prova alguma. E, infelizmente, Lula não estudou NEM MESMO na Uniban)