CIRO GOMES COMPLICA O MEIO DE CAMPO
08/10/2009
CIRO GOMES COMPLICA O MEIO DE CAMPO
A transferência do domicílio eleitoral para São Paulo, por parte de Ciro Gomes, foi ideia do PT — e isso começou a ser cogitado quando ele ainda estava bem atrás de Dilma Rousseff nas pesquisas de opinião. A ideia, à época, era enfraquecer José Serra regionalmente enquanto a principal candidatura governista o enfrentaria no plano nacional.
Mas, hoje, o quadro é outro.
Nas pesquisas, quando trocam Serra por Aécio, Ciro está (muito) à frente de Dilma. Mas muito. Por que cargas d'água ele concorreria numa eleição perdida, em São Paulo, contra Geraldo Alckmin, se pode concorrer numa eleição nacional na qual tem chances reais de ganhar? Uma coisa é ser "soldado do partido", outra — bem diferente — é trocar a derrota certeira por uma expectativa de vitória ou mesmo grande probabilidade de ir para o segundo turno como... ALIADO DO GOVERNO.
Sim. Porque Ciro Gomes é ALIADO DO GOVERNO. Ou é o quê? Durante quatro anos, foi MINISTRO, e neste segundo mandato é aliadíssimo a Lula e ao Governo Federal. Pode não ser — como até agora ainda não é — o candidato preferencial, mas é ainda um aliado (embora já tenham começado alguns ataques, aqui e alhures).
O candidato do PSB concorreu à Presidência da República em 1998 e 2002, tem mais experiência administrativa que Dilma Rousseff e, em termos de ligação com o Governo Lula, está praticamente no mesmo nível que a candidata petista — com exceção do "apoio de Lula", algo que pode ser revertido em poucos instantes. Ou não?
É, não pode. Mas simplesmente porque há arrogância e insistência na mesma tecla. Seria inédito, para não dizer ridículo, convencer o candidato mais competitivo a sair do pleito nacional para abrir caminho àquela que está ATRÁS DE SI NAS PESQUISAS. Mais curioso ainda é se ele topar (para perder de Geraldo Alckmin em São Paulo, desferindo ataques "regionais" justamente onde tais virulências são tecnicamente inócuas).
O grande problema é que o PT "criou um monstro". Com os números de hoje, é mais provável que Ciro Gomes, ao invés de Dilma, vá para o segundo turno. Já imaginaram? Claro que o PT o apoiaria, mas até que ponto iria esse apoio? Em Fortaleza, p.ex., Ciro atacou Luizianne onde pôde e onde não pôde (chamou a cidade de "puteiro", não foi?). Imaginem, portanto, PMDB, PTB e os demais partidos diante de tal cenário.
Não é à toa que os petistas querem, o quanto antes, a ida de Ciro para a disputa paulista. Ou cearense. Ou qualquer outra. Mas que saia rapidamente do pleito nacional. Enquanto estava atrás nas pesquisas, tudo bem, sua presença era relativamente útil para o papel de "bad cop" (como explicou Elio Gaspari em sua coluna). Mas, com os números atuais (que, sim, podem mudar), a coisa toda tem outra figura.
E a prova disso está nos defensores do projeto "Ciro em SP". Podem ver: todos — TODOS — são petistas. Sem exceção, praticamente. Não contentes em lançar uma candidatura que não evoluiu e ganhou rejeição quase recorde, ainda por cima criaram jacaré debaixo da cama. Complicado, né?
Taí: há dois meses, a suposta candidatura única governista nadava de braçada, tripudiando da (também suposta) briga entre as candidaturas oposicionistas. Agora, como se vê, é preciso lidar com esse cenário para lá de delicado.
Honestamente, não sei qual a saída. Pode ser que convençam Ciro Gomes a concorrer em SP, limitando seu discurso à circunscrição de um único estado, levando-o à derrota iminente. Mas e "seus" votos? Vão para quem? A matemática eleitoral é comprovadamente burra. Não existe migração ideológica, partidária ou "voto carimbado" e, com Marina Silva na corrida, a coisa fica ainda mais complexa.
Vejam só o tamanho do enrosco.
Revisão: Hellen Guareschi
transubstanciado por gravata às 08.10.09 - 16:27:14 | 20 comentários
Comentários, Pingbacks:
(Gravz: Vocês quem? Eu não estou fazendo nada. E, no cenário nacional, ele está NA FRENTE da Dilma. Por que diabos ele abandonaria a corrida? Qual a lógica disso?)
(Gravz: Ciro nasceu no interior de SP...)
(Gravz: Se continuar assim, esse quadro, creio que sim. A classe média, porém, vai de Dilma)
(Gravz: o time que tá ganhando, hoje, é o Serra. Depois, Ciro)
E não só apóio como aposto que o Efeito Ciro em SP vai ser ainda mais forte que o Efeito Lula nas eleições passadas. Ou seja, enquanto o cara está à distância, no palco montado da TV, dá para enganar. Mas aparecendo ao vivo é um tiro pela culatra, como foi o Lula com seus palavrões em Natal e SP (terra que, por conhecê-lo melhor, lhe dá as suas piores votações). Deixa o Ciro vir com seus rompantes de coroné da caatinga. Vai aumentar a votação do Serra em uns 10% no estado.
E, petistas, por que o medo do Ciro? O Brasil não é um rebanho amestrado que vai votar em quem o Lula mandar?
(Gravz: Sério)
Tá tentando o humor de novo, gravata?
(Gravz: Ele comentou isso no blog do próprio Nassif. Naquela ocasião, o Nassif comentou o comentário. Tenho isso salvo, aqui, poxa.)
Ainda bem que você não esquentou a cabeça com isso. Outros no seu lugar se sentiriam pressionados por forças poderosas, banqueiros, impérios midiáticos, essa turma. E sua mulher teria um ataque nervoso, a empregada ficaria com medo de levar o cachorro para passear, uma ameaça só.
Eu também, gilberto, voto em quem ele mandar. Um presidende iscilente, como diz o Jorge Istrela (que nome, que nome...)
Calma, beth.
Eu sei.
Foi só chiste.
Relaxa, pelo que eu vi até agora ele não pode te processar por nada.
Agora, se ele quiser te mandar flores e bombons o problema é de vcs dois.
(Gravz: Há meses, quando o blogueiro divulgou endereço, telefones particulares etc. Houve blogueiros que os publicaram e, inclusive, precisei pedir encarecidamente para tirarem do ar)
Sua análise é cirúrgica. Mas adiciono uma questão: Lula prefere Dilma, mas entre Serra e Ciro, talvez queira o primeiro. É aí que mora uma das explicações para que ele queira Ciro fora do pleito nacional.
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