O BRASILEIRO, INFELIZMENTE, É CONSERVADOR
28/09/2009
O BRASILEIRO, INFELIZMENTE, É CONSERVADOR
Não sou conservador, acho que sou liberal ao extremo. Sou partidário da liberação total das drogas (todas elas), sou veementemente contra a adoção da pena de morte, sou contra o serviço militar obrigatório, sou contrário a toda e qualquer forma de ensino religioso nas escolas (bem como exibição de símbolos congêneres em edificações da administração pública, qualquer que seja a esfera ou poder), sou favorável à descriminação do aborto, a todos os direitos aos homossexuais e assim por diante.
Essas são opiniões minhas. Mas, por não acreditar no sistema socialista e em outras coisas, como o fuzilamento de adversários e a supressão de eleições livres (nem simpatizar com governos que adotam tal "metodologia gerencial"), sou considerado "de direita" – isso por brasileiros que supõem entender de discussão política, é claro.
Porque somos aquele povo analfabeto que ri da suposta ignorância do americano médio, enquanto o americano médio é geralmente alfabetizado e comete o pecado imperdoável de não achar o Brasil no mapa (e nós, tentem aí!, não encontramos qualquer país da África, Ásia, América Central etc.).
Sigamos.
O brasileiro é conservador. Isso é confirmado e reafirmado sempre, nas urnas, em praticamente todos os pleitos eleitorais. Num mais recente, em 2005, o povo decidiu acerca do desarmamento ou, mais especificamente, sobre a compra de armas e munições. Quase 80% dos brasileiros votaram em favor das armas. Sob todo e qualquer ponto de vista, é uma escolha conservadora.
Vale dizer que não se fala aqui em "direita" e "esquerda", como gostam de dividir os menos abençoados no que tange ao intelecto. Cuba, que seria "de esquerda", tinha campos de concentração nos quais mantinha homossexuais. No Brasil, mesmo atualmente, há líderes de extremíssima esquerda que são veementemente contra o aborto. Trata-se, portanto, da divisão mais profunda: conservador x liberal.
E os brasileiros são, em sua maioria, conservadores.
Outro tema que serviria para medir o conservadorismo do povo brasileiro é a pena de morte. Em 2008, o instituto Datafolha constatou apoio à eventual medida por parte de 47% (os contrários somavam 46). Obviamente, trata-se de algo hipotético, pois o Direito à Vida é cláusula pétrea constitucional, uma garantia que só poderia ser modificada convocando-se nova Assembleia Originária.
Além disso, é preciso que se veja com algum cuidado o suposto "empate" da pesquisa. Afinal, para quem não se lembra, antes do referendo sobre a compra de armas todas – todas! – as pesquisas apontavam vitória esmagadora por parte do desarmamento. E deu no que deu. Aqui é especulação: talvez uns meses de campanha apelativa, citando aqueles casos manjados, trouxessem a figura do "brasileiro conservador" para meter outro "80 a 20" (digo isso porque, quando há casos de comoção, a distância entre "sim" e "não" para a pena de morte dispara – e isso é constatação do próprio Datafolha, em levantamento de 2007, quando o "sim" batia em 55%, graças ao "caso João Hélio").
Por fim, a religiosidade. Claro que nem todo católico "ama o próximo e o perdoa incondicionalmente" e nem todo evangélico conhece a Bíblia de cor e salteado. Também não duvido que a maioria se declara isso ou aquilo apenas por conta do batismo ou porque há certo receio persecutório quanto à declaração de ateísmo, agnosticismo ou falta de religiosidade.
Mas qual seria o percentual desse povo?
Contando comigo, os não religiosos compõem cerca de 7% do povo brasileiro (segundo Datafolha de 2007). De cada dez pessoas do país, portanto, MENOS DE UMA não tem religião (isso declaradamente, repito). Não é uma maré das mais favoráveis.
Ah, sim: nem todo religioso é conservador. Mesmo a mais radical das crenças possui em suas fileiras os moderados, os liberais e assim por diante. Sei disso. Mas pergunte a eles – caso sigam corretamente as escrituras, dogmas e a doutrina como um todo – o que pensam das questões centrais postas lá no início: drogas, aborto, direitos aos gays etc.
E o apoio a determinada política assistencialista não faz do povo "esquerdista" ou "direitista" – valendo salientar que, na história moderna, o grande criador do assistencialismo foi Mussolini, uma figura não exatamente progressista. No Brasil, quem copiou a fascista "Carta di Lavoro" (em português: CLT) foi Getúlio Vargas, que na época era um democrata dos bons, daqueles que mandavam judeus para Adolf Hitler.
Aceitar uma benesse pública não faz com que o povo seja contra a pena de morte. Concordar com um serviço gratuito não transforma as pessoas em criaturas desfavoráveis à compra de armas. Enfim: distribuir regalias não é um remédio em favor do progressismo, mas talvez algo que acentue ainda mais o conservadorismo no sentido lato – e isso faz passar vergonha quem lê como "esquerdista" um eventual apoiador de determinado projeto assistencial, sem realmente perscrutar o que pensa essa pessoa.
Enfim, tudo isso é importante para que tenhamos alguma compreensão acerca da composição do nosso povo, e isso vem a calhar nos chamados "anos eleitorais". Nesses períodos, sobretudo quando publicam pesquisas de opinião, leio "análises" estarrecedoras, dessas que empurram eleitores para lá e para cá, segundo ideologias que simplesmente INEXISTEM para o povão.
Não, meus caros, não existe isso de "há tantos votos nos setores progressistas" ou "tantos votos nos setores conservadores". Esse tipo de leitura não pode ser chamada apenas de imbecil, porque a imbecilidade seria um elogio.
O brasileiro vota na pessoa, não no partido. Não vota em ideologia nem em "esquerda" ou "direita". Esse tipo de discussão é restrita a tão pouca gente que chega a dar pena quando alguém realmente leva a sério a ponto de projetar tal amplitude ao eleitorado. É tudo muito menor – ou talvez maior – do que isso.
Mas antes e acima de tudo, sem dúvida alguma, é preciso ter alguma noção de quem seja o povo brasileiro. E ele, sob qualquer ponto de vista, é sim conservador. Não tenho lá muito orgulho disso, mas negar tal fato não é o melhor caminho para começar uma análise.
P.S.: Nunca me esqueço de um conhecido, que estava numa pizzaria com amigos em comum, logo após a eleição de Lula em 2002. Ele dizia, comemorando quase às lágrimas: "o povo resolveu mudar o modelo econômico". Achei estranho por dois motivos: o povo, ora bolas!, não vota em "modelos econômicos" e, além disso, Lula não propôs modificação alguma – tanto que manteve tudo como estava. Até pôs um tucano no Banco Central, que está até hoje. E o pior vem agora! Encontrei o mesmíssimo sujeito dias depois do referendo do desarmamento. O que ele diz? Que o povo não tem muita noção desse tipo de coisa. Sério! As mesmas pessoas que têm um altíssimo nível de sofisticação acadêmica, a ponto de escolher entre plataformas econômicas (quando ele ganha), são também ignorantes e não sabem o que é um revólver. O "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa" pode ser usado a qualquer hora.
Revisão: Hellen Guareschi
transubstanciado por gravata às 28.09.09 - 14:50:08 | 22 comentários
Comentários, Pingbacks:
Tem alguma razão especial?
(Gravz: Usei isso num texto, por gozação, e começamos a brincar com isso nos comentários. Acabou virando uma piada comum no blog, mesmo)
Discordo da maioria dos teus textos, mas este está bem redondo.
Abraço!
Esquerda/direita, conservadorismo/liberalismo são atalhos argumentativos: é mais fácil detectar a que lado do espectro seu interlocutor pertence do que analizar seus argumentos, premissas... um ato-reflexo em câmera-lenta.
[]'s
Leo
Quer dizer que o Brasil seria um país melhor se o seu povo fosse mais ateu? Quanta besteira! Algum regime matou mais pessoas e cometeu mais atrocidades que os regimes comunistas e ateus de Stalin e Mao?
Ninguém é necesseriamnte bom ou ruim (inteligente ou "burro", liberal ou conservador)por ser ateu ou seguir alguma religião. Existem ateus conservadores e cristãos liberais e vice-versa.
"Mas pergunte a eles – caso sigam corretamente as escrituras, dogmas e a doutrina como um todo – o que pensam das questões centrais postas lá no início: drogas, aborto, direitos aos gays etc."
Generalização infantil e raciocínio simplificado. O que é seguir corretamente? Apenas no cristianismo, vários filósofos e teólogos estudam a séculos os textos bíblicos e não chegaram a nenhum tipo de consenso quanto ao que seria este modo "correto" de segui-los. Tanto que existem várias visões diferentes do mundo no próprio cristianismo.
Este fundamentalismo ateu preconizado por Dawkins infelizmente está sendo defendido por algumas pessoas que não aceitam as diferenças e apenas enxergam defeitos na fé em Deus. Os fundamentalistas ateus são tão prejudiciais quanto os fundamentalistas de outras religiões no momento em que não enxergam uma coexistência pacífica entre todos, independente de credo, o que certamente poderá levar à intolerância generalizada.
(Gravz: Desculpe, mas onde você leu que seria um país "melhor"? Não escrevi nem jamais escreveria isso. Aliás, nunca houve país ateu. Mesmo governos que pregavam ateísmo sempre esbarraram em povos obviamente religiosos e/ou supersticiosos. E há, é claro, estados religiosíssimos e até teocráticos - e não direi aqui se são melhores ou piores. Mas, repito, não disse nem diria que seríamos "melhores" na hipótese de haver supremacia do ateísmo ou agnosticismo. E quando falei sobre "maré favorável" foi acerca dessa minoria, não sobre "ser melhor" para o país. Por fim, não há filósofo ou teólogo que contrarie o óbvio: as religiões traidionais, todas elas - e cristianismo incluído - não aceitam homossexualidade, drogas e afins. Não se trata de generalização infantil ou simplificação de raciocínio. É fato. Obviamente, há correntes supostamente cristãs contrariando tanta coisa do cristianismo que é lícito dizer que não são exatamente "cristãs". Religião é sempre - por óbvio - dogmática. Ao refutar um dogma, rompe-se com o básido do básico do básico. Simples assim)
Tenho duas perguntas: Você é a favor do Federalismo como o Americano, isto é, que os Estados possam legislar sobre diversos assuntos, como Direito Penal?
A sua visão de mundo é finalista, como a dos comunistas, que acreditam em constante progresso moral da humanidade, progresso este que levará inexoravelmente ao comunismo, ou acredita que, do ponto de vista moral, a humanidade vive em ciclos, ora mais puritano ou menos, ora mais tolerante ou menos etc?
No mais, quero somente comentar um ponto. O voto sobre o estatuto do desarmamento foi conservador no sentido de que o objetivo era referendar determinadas mudanças que restringiriam MAIS AINDA o direito de posse de armas e o povo disse NÃO. Mas a simples existência de um estatuto que restringe de tal maneira o direito de comprar e possuir armas já mostra que existe uma metafísica completamente liberal (no sentido moral do termo) por trás da nossa legislação. Posso apostar, inclusive, que se houvesse um plebiscito sobre maior liberalização do direito de armas, o povo votaria CONTRA.
Sendo assim, podemos afirmar que o brasileiro é conservador no sentido de "deixar as coisas como estão", mas não quer dizer que siga o arcabouço moral de gente como Burke. Para ser bem sincero, acho que o brasileiro é um povo sem sentido nenhum de nação e valores. Nossa união como nação é forçada e sua argamassa são futilidades como a seleção brasileira de futebol.
(Gravz: Sou a favor do federalismo, sim, mas infelizmente não fomos colonizados nem temos maturidade institucional para que isso funcione por aqui. Além disso, há uma má-distribuição de praticamente tudo. Mas como sua pergunta tem viés mais teórico e menos prático, a resposta é positiva. Ah! Não creio que o progresso moral da humanidade nos levará inexoravelmente ao comunismo. Até porque aposto muito no progresso intelectual das pessoas e, diante disso, é impossível que pessoas intelectualmente sãs compactuem com a supressão das próprias liberdades. Para dizer o mínimo. E o conservadorismo do brasileiro não é apenas quanto ao "deixa como está", mas também no sentido retrógrado, velho, aquela coisa realmente assustadora sobre os mais variados temas: sexo, drogas, rock e, claro, política)
Ele fez um levantamento abordando diversos temas, em especial ligados às questões de conservadorismo.
É bem legal. Ele também escreve no Valor Econômico (acho).
E parabéns pelo post.
Abs.
(Gravz: Nunca li. Meu amigão Persegonha vive falando que é ótimo, tal e coisa, mas nunca li. Você já é a terceira ou quarta pessoa que me recomenda a obra. Preciso mesmo lê-la. Obrigado)
Eu sempre me pergunto sobre o quanto o conservadorismo resiste a uma apresentação de opções maduras.
Eu acredito que há um tipo de conservadorismo primário, baseado na ausência de possibilidades e que quando estas se apresentam para a vida das pessoas ele fraqueza, podendo ruir em boa parte das vezes.
E há p secundário, que existe escolhendo as opções conservadoras tendo ciência que vc está evitando a liberalização de determiado elemento.
Novamente, excluo os termos esquerda e direita, pois ambos abração o conservadorismo.
Concordo contigo e com o Tomé: o brasileiro é conservador E conformista. E esse papo de falar de ideologia política do brasileiro não tem nada a ver mesmo, está aí o PMDB pra provar isso. O maior partido do país e sem ideologia nenhuma (considerando que "governismo" não é ideologia).
Acho esta discussão boba e sem sentido. Antes de fazermos uma discussão assim, devemos conceituar muito bem estes conceitos. Se fizéssemos isto, notaríamos que as posições apresentadas não se sustentariam. Os conceitos de direita e esquerda não existem. É preferível pensarmos na oposição Fascismo/Libertarismo. Ou você acha que as pessoas não sabem escolher, que uma coordenação descentralizada entre estas sempre dá errado e é necessário, portanto, se moldar a sociedade a partir do estado (posição fascista/comunista) ou você acredita na liberdade indivuidual, na capacidade de auto-organização das pessoas e na necessidade do controle social sobre o estado (restrito ao menor número possível de atividades, o estado também é formado por pessoas com interesses próprios - gera, inevitavelmente, concentração de poder na mão de quem está no estado - e o controle social sobre este é sempre imperfeito (libertário/liberal). Claro, existem milhões de espectros no meio e as intervenções estatais não necessitam ser sempre autoritárias (e é inegável que seja necessário a existência de um estado).
Dito isto, o que é conservador ou progressista? Eu sou contra o aborto por considerar isto assassinato. Eu sou conservador? Ao mesmo tempo, devido a esta posição, eu sou extremamente favorável a políticas públicas de suporte à infância (que deveriam ser bem maiores e melhores do que as que temos hoje), sabendo que isto implica dizer que devo pagar mais impostos para sustentar estas. Sou reacionário? Isto também me leva a achar absurdo o que o governo atual fez com a educação (concentração ainda maior dos gastos na educação superior em detrimento da educação básica e da pré-escola). Sou reacionário? Ou o reacionário é o sujeito que acha que criança tem mais é que se explodir (e ser assassinada) e que o governo tem mais é que gastar com quem vota (universitários). Sou reacionário?
Quanto às armas, por que votar a favor da liberdade do cidadão é ser reacionário? Era muito óbvio que este desarmamento fajuto serviria só para desarmar as vítimas. Por que os progressistas deveriam ser a favor disto? Vamos fazer um acordo. O governo tira do mercado as armas ilegais e depois descutimos a ampliação deste conceito de ilegalidade. Que tal? Ao falar isto, sou reacionário?
Temos que fundamentar melhor estas discussões.
Saudações.
PS: No mais, viva a liberdade individual. Se você quer consumir qualquer coisa (que não implique em dano a outrem sem consentimento), você deveria poder. Se você quer casar com outra pessoa, independente do sexo desta outra, tudo bem. E por aí vai. Isto tudo amplia os direitos da cidadania.
Conheço muitas pessoas que acreditam em algum tipo de divindade porém abominam religiões. Isso não quer dizer que são ateus.
Tomé: realmente tentei interpretar o que falou com "metafísica completamente liberal na legislação que restringe a compra de armas".
Para um liberal, essa legislação deveria ser abolida. Isso não tem absolutamente nada a ver com conservadorismo.
Para um liberal, o direito a vida representa um dos direito ditos "naturais", assim como liberdade e propriedade privada.
Armas de fogo são um meio de proteção à vida, um objeto inanimado que por sí só não possui nenhuma funcionalidade. Armas não mata. Humanos matam.
A formulação de leis para os liberais deve sempre levar em conta seus direitos naturais.
Por exemplo, quando alguém mata outra pessoa, está comentendo um crime contra seu direito natural de vida. O uso de uma arma de fogo no processo é irrelevante. Portanto a proibição da compra e uma arma por sí só não é garantia do seu direito natural, pior, inviabiliza de alguma forma o direito dessa pessoa de proteger sua própria vida.
(Gravz: Ruben, realmente houve campos de concentração no qual gays eram mantidos para trabalhos forçados, em Cuba. E quem os mantinha ali era o governo "revolucionário". Nas ditaduras comunistas, sempre e a todo tempo, os gays nunca tiveram lá muitos direitos.)
Usei o termo liberal na concepção americana do termo, em oposição aos conservadorismo. Acho que o Gravata teve a mesma intenção. Nos EUA, quem é contrário às armas são os liberais. Nos EUA, liberal é sinônimo de esquerdista.
Aliás, o David Horowitz (ex-comunista, atualmente conservador) disse uma coisa interessante e verdadeira há pouco tempo. Diz ele que os liberais americanos são apenas tolerantes em aspectos que dizem respeito a sexo e drogas. No restante, eles defendem regulamentações através do Estado em praticamente todos os aspectos da vida social.
Esse tipo de liberalismo seletivo me leva a crer em desonestidade intencional e proposital com o intuito de atacar e destruir o que consideram a base do conservadorismo, que são seus valores morais. Uma vez destruída essa base, defender-se-á a regulmentação de toda a sociedade e instala-se o totalitarismo do Grande Irmão.
Por isso que os liberais honestos devem tomar bastante cuidado e verificar com quem andam. Há os lobos em pele de cordeiro prontos para usar essa causa no momento apenas para destruir seu inimigo mais visível, e não por acreditar nesses valores. No momento seguinte, as vítimas serão os próprios liberais honestos.
(Gravz: Então você, lúcido que é, obviamente é contra a ditadura de Cuba? Estamos no mesmíssimo time!)
O que me incomoda nos "liberais de esquerda" ( eu sou uma liberal de direita, a propósito ) é que são tão veementes em condenar a pena de morte, mas julgam válido legalizar o aborto, ainda usam a desculpa que não são a favor do aborto, mas acham que é importante legalizá-lo , pois é uma prática corriqueira, mas é feita com mais riscos por não ser uma prática legal.
Ora bolas, quem é a favor da vida , tem que sê-lo integralmente, um feto é um ser humano, vivo em estágio de desenvolvimento diferente de um adulto, mas ainda assim um humano.
Concordo: a divisão do eleitorado é forçada - não há cultura suficiente pra que se possa ter uma visão de mundo com princípios tão claros a ponto deles definirem opiniões que formem um todo coerente. Nem sabem o que eles significam progressismo e conservadorismo. O pessoal quer comida, emprego etc e, se eles imaginarem que
determinado político pode prover isso, ele vota.
Eu parto do princípio de que todo indivíduo é único, insubstítuível e inteira e exclusivamente responsável pelos seus atos, e dono exclusivo também de seu corpo. Os frutos do seu trabalho implicam necessariamente a admissão da propriedade privada como condição para o respeito da sua individualidade e liberdade. A opressão, seja da maioria, ou de um ditador sozinho, continua opressão, portanto odiosa.
A partir daí:
- sou contra a proibição das drogas. De todas e de qualquer uma.
- contra o aborto. O feto é um indivíduo. O feto que eu fui desde a primeira célula jamais poderia ter se transformado em outra pessoa que não eu - nem no meu irmão, e era minha única chance de existir de fato. Qualquer interrupção anterior à fecundação é valida, quando o indivíduo ainda é possibilidade. Depois, não. O feto é um inocente, que não pode se defender, está temporariamente no ventre da mãe, mas não é propriedade contra a qual ela possa fazer o que quiser.
- contra pesquisas com embriões. Outras células, de cordão umbilical, unha, dente etc tudo bem.
- a favor de que cada escola defina seu currículo escolar, incluindo ou não o ensino religioso (cujo conhecimento reputo fundamental para a cultura superior, que não significa abraçar as teses religiosas).
- contra a pena de morte. É muito poder para o estado.
- contra o monopólio estatal das armas.
- contra o serviço militar e o voto obrigatórios.
- contra a lei cidade limpa. My home, my castle.
- contra a lei anti-fumo. Cada estabelecimento particular que defina suas regras de frequência. Ninguém é obrigado a entrar, e já é muito difícil agradar o consumidor com tantas opções disponíveis. Sou não fumante, mas arco com todas as consequências de aceitar ficar num ambiente onde se fuma. E não aceito transferir essa decisão pra ninguém - seja prefeito, governador, presidente, poder judiciário ou maioria democrática.
- políticos não produzem bem-estar ou riqueza, mas podem, e invariavelmente conseguem, atrapalhar a sua produção.
O mercado é a soma ou o "lugar" (vai lá, não me ocorre palavra melhor, ainda que essa seja ruim) das decisões voluntárias e não coercitivas dos indivíduos livres sobre seus corpos e propriedades, portanto essencialmente benéfico, ainda que longe do ideal justamente por ser a realidade e não uma ideia. Liberais brasileiros se concentram na questão econômica só por estreiteza mental.
E demais consequências desses princípios.
Acho que isso faz de mim um liberal. Se cabe também na categoria de conservador, sinceramente, não sei. E mais sinceramente ainda, não me importa um mindinho de formiga. Um pote de mocotó não se transforma em chocolate ainda que outros coloquem nele esse rótulo.
Eita!
"Até pôs um tucano no Banco Central, que está até hoje. "
Agora membro da Geleia Geral e por enquanto base do governo Lula, o "ilustrissimo" PMDB...rsrs
(Gravz: Quando pôs, era tucano)
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