LEMBRA DOS 30% DE ELEITORADO FIXO DO PT?
14/09/2009
LEMBRA DOS 30% DE ELEITORADO FIXO DO PT?
Houve um tempo, há alguns anos, em que o eleitorado se dividia mais ou menos da seguinte forma: 30% votava no PT (qualquer que fosse o candidato), 30% votava contra o PT (qualquer que fosse o adversário) e os outros 40% pendiam pra lá ou pra cá, a depender do contexto.
Isso é passado.
Alguns analistas se embatucam para justificar as razões pelas quais Dilma Rousseff se firma nem mesmo no "piso histórico" do Partido dos Trabalhadores, ou seja, os tais 30%. Não teria como - ao menos, não agora. Porque esse "piso" simplesmente não existe mais. E a explicação é relativamente simples.
Antigamente, em especial nas campanhas para cargos majoritários, o PT era praticamente a única opção "de esquerda" - e falo aqui de um tempo em que se justificava usar a expressão "esquerda" (porque, entre outras coisas, havia Muro de Berlim).
Hoje, todos com algum senso de realidade reconhecem a economia de mercado, variando sua opinião quanto ao tamanho e/ou participação do governo acerca disso. O próprio PT, salvo aquelas exceções meio caricatas e escatológicas, também não rosna nem baba. Aliás, bem ao contrário.
Tanto que as primeiras rupturas radicais NÃO TIRARAM O "PISO HISTÓRICO" DO PARTIDO. Essas coisas de PSTU e afins, portanto, nem triscaram o eleitorado petista. Sigamos.
Aos Fatos
Desde 2003, tendo assumido o Governo Federal, o PT não tem mais como manter o discurso que o consagrou por anos e anos, qual seja, aquele de oposição ferrenha e "contra tudo isso que está aí". Simplesmente porque, desde então, é ele "quem está aí".
E, antes mesmo dos mais graves escândalos, por ocasião da Reforma da Previdência, houve o primeiro racha, formando-se assim o PSOL. Ao contrário do PSTU, o partido de Heloísa Helena conquista caríssimos pontos percentuais nas mais diversas eleições, abalando o tal "piso histórico". O que acontece? Simples: o eleitorado progressista rompeu com o PT.
A coisa piora. Houve Mensalão, aloprados, a coisa toda. Figuras históricas se bandeiam para outras legendas, como Cristovam Buarque, Gabeira, Marina Silva... Não adianta simplesmente chamá-los, todos, de "traíras" ou algo do gênero.
Em 2006, quem concorreu foi Lula, a figura histórica mais importante do PT. Agora, em 2010, temos Dilma Rousseff, que se filiou em 1999 para não perder um cargo público no Rio Grande do Sul (até então, era filiada ao PDT). Ela nunca concorreu a nada, nunca geriu qualquer administração nem jamais exerceu mandato parlamentar (como suplente, que seja).
A situação, por ora, é a seguinte: Ciro pelo PSB, Marina Silva pelo PV e Heloísa Helena pelo PSOL. Além, é claro, de José Serra pelo PSDB. Façam a conta que quiserem, mas não existe muita possibilidade do tal "piso histórico" se fazer presente na atual conjuntura.
E quando se fala em segundo turno, a porca torce o rabo. Porque o voto é muito pouco ideológico e sua transferência é bem menos matemática do que presumem os "analistas-sob-encomenda". Servem como prova as DUAS eleições de Lula: dois triunfos espetaculares da forma sobre o conteúdo (em 2002, p.ex., foi preciso GARANTIR a manutenção da política neoliberal então criticada; promessa devidamente cumprida, com direito a tucano no Banco Central).
O método mais razoável para calcular a migração de votos no segundo turno é utilizar os índices de rejeição (notem que, em qualquer pesquisa, esses dados coincidem). Maior rejeição significa menos votos agregados. Em suma: para conquistar votos na segunda etapa, é preciso diminuir esse índice.
Se tantos por cento não votam no "candidato x" DE JEITO NENHUM, não adianta dizer que os votos de "y e z" migrarão porque são "de esquerda", isso é bobagem.
Resuminho da operereta: não existe mais o "piso histórico" e não há matemática de segundo turno baseada em cor de bandeira.
A Pesquisa Não Divulgada
O IBOPE teria uma pesquisa, não divulgada oficialmente, cujos índices foram passados por Ancelmo Góis (O Globo) e Diogo Mainardi (Veja). Os números seguem o viés indicado pelo levantamento do instituto Sensus, mas - obviamente - incluindo Ciro no mesmo cenário de Dilma Rousseff.
Confirmados esses dados, faz sentido a "previsão" de Carlos Montenegro, presidente do instituto. Recentemente, ele foi atacado por dizer que a maré não estava pra peixe quanto à candidatura governista. Pelo visto, não está (mas, claro, é cedo).
(sem revisão, na raça etc.)
transubstanciado por gravata às 14.09.09 - 19:59:53 | 23 comentários
Comentários, Pingbacks:
(Gravz: Tinha, sempre teve)
Nesse fim de semana fiz uma pesquisa informal sobre eleição ( trad: beber cerveja em buteco copo sujo e colesterol de tira-gosto ). Questionei o voto e o povo só respondeu para prefeito. O povo pensa em 2012 e nem fala em 2010. È a segunda pesquisa que faço e ninguém sabe quem é a Lina Vieira ( nem o Mução eles conhecem ).
Se esse PIB continuar aumentando ( e acho que vai ), carimbar na careca do Serra que ele vai privatizar o pré-sal e o Lula aparecer no palanque pedindo votos pra Dilma, muda totalmente o cenário. Aposto uma cx de Erdinger.
abs
PS: no boteco tinha uma cerveja chamada A OUTRA - mas não tive coragem de provar.
(Gravz: Bob, essa conversa não cola. Ela já é, sim, conhecida pelo eleitorado)
Ainda acho que o PT vai de Suplicy (é o único petista viável que não está "queimado"), pois com a Dilma não dá.
Nas eleições de 2008, a justificativa para o fracasso foi que "é difícil associar a figura de candidatos a prefeito com o Lula". Ou ainda, que "problemas municipais não se misturam com problemas nacionais, então a popularidade do Lula não colou". Agora, no bar onde Bob Jegg vai, todo mundo pensa em 2012 antes de 2010. É como aquele time que entra no Brasileirão nem para ser campeão, nem rebaixado e, com sorte, pegar uma vaga na Sul-Americana: "este campeonato eu não quero, estou projetando o do ano que vem".
Que conversa para boi dormir.
O bar que ele vai deve ser parecido com este: http://meiointelectual.blogspot.com/
Um abraço!
Outro ponto relevante, acredito, para diminuir este piso histórico é a perda total da bandeira da ética (pelo menos para os eleitores menos teleguiados). É óbvio que é uma evidência anedótica, mas conhecia muita gente que só votava no PT porque este, pelo menos, "não roubava".
Saudações
Não que houvesse alguma supresa desta vez, ele só foi um pouquinho mais "profundo" na argumentação. Talvez tenha sido consequência do torresmo servido já estar bem rançoso. Bem, ele ainda é mais "tragável" que Paulo Santo Cunha Inc.(por onde eles andam?).
Além de Dilma não ser conhecida pelo eleitorado, principalmente o de baixa renda, ela não têm, também, o recall de uma disputa presidencial. Se o Ibope colocasse o Gerarrrdo como candidato, teria o mesmo percentual que Serra. É bom lembrar, também, para onde foi a rejeição tucana assim que se falou em privatização na campanha passada... Calma que muita água vai rolar e comemorar antecipadamente a vitória do seu candidato pode ser um grande mico. Calma...muita calma.
Essas três pérolas eu ouvi em meio a jogos de futebol. Deve ter mais, pois se o sujeito foi capaz de baixar a este ponto não deve ter parado por aí.
Então, manda tirar a TV da Globo. Ou então manda o Lula comprar o Galvão.
Para uma eleição que terá cunho plebiscitário, como a de 2002, não se pode apontar a Dilma como carta fora tão prematuramente.
Ainda mais com previsão de crescimento alto em 2010.
A eleição de 2008 não foi válida para o teste de transferência de votos. Tinha político da oposição falando bem e mostrando fotos ao lado do Lula.
Kadu, nunca fui fã da band, eles só enxergam o futebol de São Paulo. Acho que só o estado de SP assiste aquilo. Mas com essas considerações que você fez me despertou algum interesse.
Ronaldo, sério, o que esse povo come em boteco, não sei como que não morre mais gente.
Gilberto, com os juros de FHC, só se fosse o povão do Morumbi, jardins, ipanema...etc
(Gravz: Não é o que escrevem por aí, Silvio)
Eu também não gosto muito da Band mas assisto de vez em quando por causa dos comentarista Neto, que vê bem o jogo e participa mais da transmissão, ao contrário da Globo, onde o narrador fala sozinho quase todo o tempo.
E por falar em comentário, o seu sobre a pouca audiência da Band pode acabar diminuindo o jabá de alguém.
O Lula também inventou o crédito educativo e o financiamento habitacional (claro que o um milhão de casas ainda não saiu, mas também os próximo presidentes vão ter que seguir este excelente trabalho). Ah, e também tirou o mundo da crise.
Sílvio, me inclua fora dessa quando falar da "direita" que não quer a Doutora Dilma. Eu sou dilmentirista desde a primeira hora.
Eu sei do que tu falas pq nasci e me criei em uma cidade com menos de 100.000 habitantes até hoje (imagina algumas décadas atrás). O meu ponto é: por que o papo do boteco vai ser diferente agora, nas eleições de 2010, em relação ao que foi nas eleições presidenciais de 1994, 1998, 2002 e 2006? Os frequentadores do boteco não falam em candidatos a presidente hoje, como não falavam em nenhuma das eleições anteriores. Ou será que deixaram de falar só por que o Lula não pode mais ser candidato a presidente? Não tem sentido a tua conversa de bar.
Repito, papo para boi dormir.
Abraços!
Que militância fraca é essa...
Vou mandar uma carta p/ lula e sugerir uma bolsa p/ classe média.
Bolsa blasé em troca de perceber as pessoas a sua volta ganha um salário mínimo.
Um abraço a todos