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Arquivos para: Setembro 2009

30/09/2009

STALINISTA: UM HITLERISTA COM O DIREITO A SENTAR-SE À MESA (AO MENOS NO BRASIL)

É tudo muito simples, óbvio e objetivo: um hitlerista, declarado como tal, imediatamente vai preso por conta das teses obrigatoriamente atreladas ao ícone que dá origem ao sufixo "ista". Ninguém é "hitlerista" sem endossar Adolf Hitler e, dessa forma, não é possível que o seja sem glorificar o genocídio dos judeus, a loucura da eugenia, a ditadura e toda forma de supressão democrática etc.

Isso também no Brasil. Não há qualquer debate, seminário, palestra, evento, artigo ou até programa de rádio ou TV com mínima possibilidade de respaldo e seriedade do qual participe um "hitlerista".

Tal fato merece aplauso e faz todo o sentido.

A "liberdade de expressão" pode e deve ser ampla, mas sua circunscrição jamais atinge aqueles que têm como finalidade eliminá-la do universo do direito. Para ilustrar: é como "votar num ditador" ou "eleger um monarca absolutista".

Esses são alguns dos casos em que a liberdade se torna relativa, exatamente para que ela própria seja mantida. Quem pretende acabar com os direitos e garantias de uma sociedade democrática não tem a prerrogativa de exercer esses mesmos "direitos e garantias". Simples assim.

Falemos, pois, do stalinista.

Inapelável e inequivocamente, ele endossa Joseph Stalin, senão seria "qualqueroutracoisaista". Mas, no Brasil, ao contrário do hitlerista, o fanático seguidor do ditador soviético é tratado como uma espécie de seguidor meramente metodológico, teórico e administrativo. Quase como um gestor público com pendores para a sociologia.

Enquanto — por questão lógica, clara e óbvia — ninguém permite a um demente que defenda Hitler sem tirar de suas costas o peso dos genocídios e demais crimes, qualquer maluco defende o stalinismo sem precisar responder pelos milhões de crimes e mortes do facínora da extinta URSS.

Num debate, simpósio ou plenária, é absolutamente "normal" haver na bancada, entre um trotskista e um leninista, também um stalinista, acenando para as pessoas como se estivesse na condição de defensor de teoria meramente acadêmica. E ainda ganha aplausos em razão da "pluralidade" — os trotskistas já perdoaram aquele incidente com a picareta.

Stalin, para começo de conversa, não era contra o nazismo. Viu-se na obrigação de guerrear com a Alemanha quando Hitler traiu o "Pacto Ribbentrop-Molotov" (de não-agressão), assinado em 1939. Ribbentrop e Molotov eram os ministros do exterior, respectivamente, da Alemanha e URSS. Mas aí os nazistas resolvem pisar na bola em 1941 e, SOMENTE APÓS ISSO, Stalin vai pras cabeças.

Mas stalinismo e hitlerismo, em termos "administrativos", nunca foram muito diferentes. Em termos de vítima, é verdade, Hitler perde, pois Stalin matou cerca de 20 milhões com sua ditadura.

Antes mesmo da Segunda Guerra Mundial, Stalin foi responsável pelo episódio denominado Holodomor, a "fome genocídio", que assolou a Ucrânia e parte do Cazaquistão. As vítimas chegaram a quase 3 milhões de pessoas. O método consistia basicamente em cortar o abastecimento de comida desses países. Uma crueldade talvez sem precedentes na história do mundo. Enfim, é preciso (como de fato ocorre) livros e livros para relatar tudo que foi feito de abominável pelo ditador em comento.

Mas, por incrível que pareça, muita gente ainda aceita que alguém se considere stalinista, sente-se à mesa e debata "de igual para igual".

Não, meus caros, isso não é ser de esquerda, nem progressista, nem nada do tipo. Isso é ser criminoso, isso é compactuar com genocídio, e não difere em nada daquele que compactua com Hitler. Só mesmo no Brasil — ou em lugares atrasados e idiotas — para darem assento e respaldo para esse tipo de gente.

E ainda há quem ria dos defensores do criacionismo, de quem seja contrário ao aborto ou algo assim. Discordo de todos eles e muitas vezes discuto de quase brigar, mas sempre no campo das ideias. De todo modo, não conheço nenhum desses que respalde genocídio.

Revisão: Hellen Guareschi

transubstanciado por gravata às 30.09.09 - 15:46:33 | 33 comentários

30/09/2009

"CASO RESENHA EM 6": TEXTO E COMENTÁRIOS

Diante de tudo que foi dito, talvez o ponto mais importante a essa altura seja a distinção entre o teor do post e os comentários publicados. Digo isso com experiência tríplice: réu, "parte interessada" e advogado. Já arquei com um processo desse gênero, já fui mencionado em outro e, bom, passei algum tempo estudando esse tipo de coisa.

Inicialmente, cumpre esclarecer: o conteúdo do post é inócuo e não fere coisa alguma. Os autores podem e devem ficar mais do que tranqüilos. Talvez haja algum problema nos comentários e aí, em especial nos dias de hoje, não há responsabilidade por parte dos donos do blog. Senão vejamos.

Sugeriram, no Twitter, que seria possível rastrear o comentarista intitulado como "administrador" do estabelecimento. E é verdade. Assim como é possível rastrear qualquer outro, pois todos ali são responsáveis pelo que escrevem e, nos dias de hoje, em especial por parte do Google, há tecnologia para tanto.

Em 2004, quando estourou o tal "Caso Imprensa Marrom", as tecnologias eram outras e o caso tramitou de outra forma. Sentamos na graxa por conta de um comentário de terceiro em post antigo, TAMBÉM DE TERCEIRO (era blog coletivo) e não havia nem como SABER da existência do tal 'comment'.

Hoje, não.

Um bom advogado, por exemplo, seguramente pedirá Antecipação da Tutela e, no pedido, falará dos comentários. O que o juiz faz? Defere e DETERMINA a quebra do sigilo dos comentaristas. Isso mesmo. OS COMENTARISTAS TÊM SEU SIGILO QUEBRADO. E não apenas o dono do blog.

Desse modo, por óbvio, cada qual é responsável individualmente por aquilo que escreveu - em especial se o jurista usou a orientação da Súmula 221 (STJ). Assim, é possível identificar se os tais "administradores" do tal boteco são de fato o que dizem ser, e também identificar a miríade de anônimos que disseram tudo aquilo que está publicado.

O Google tem tecnologia para isso e o juiz pode e deve deferir tal pedido. Em caso de deferimento (provável e teoricamente necessário), cabe à parte beneficiada pela decisão ir atrás disso. Caso desista, seja fazendo qualquer tipo de acordou ou medida congênere, segundo a qual o Google não seja obrigado a trazer aos autos os IPs dos comentaristas, trata-se de renúncia ao direito (desistência) e, por conseguinte, preclusão quanto a futuros requerimentos.

Nesse caso, fica impossível, futuramente, imputar responsabilidade pelos comentários ao autor do post, haja vista que: a) foi feito o pedido; e b) ele foi deferido. É preciso, pois, prestar muita atenção nisso, evitando-se assim entraves nas etapas seguintes. O Google não é responsável pelos comentários da mesma forma que o autor do blog também não o é - na hipótese de haver pedido de quebra de IPs dos comentaristas seguido de deferimento por parte do juiz.

Aos autores do blog, portanto, cabe a atenção para acompanhar eventuais ações judiciais entre o bar e o Google, para acompanhar esse pormenor.

Enfim
A dica é preciosa para as duas partes. O problema é que os mais de QUINHENTOS comentaristas passam a ser réus em pontencial. E o que era um exagero passa a ser uma exorbitância teratológica. Há justiça, é claro, pois os verdadeiros ofensores seriam punidos, mas surge aí uma verdadeira caça às bruxas.

A parte engraçada fica por conta da "Notificação Extrajudicial", o instituto que sempre foi motivo de chistes por parte da classe jurídica. Entende-se quando se trata de alguma medida preparatória necessária ou algo do tipo, mas essas notificações, convenhamos, são de lascar.

(acabei isso aqui e a revisora já tinha ido dormir, foi tudo na raça!)

transubstanciado por gravata às 30.09.09 - 00:42:51 | 8 comentários

28/09/2009

BRASIL E HONDURAS: DILMA MENTIU MAIS UMA VEZ

Independentemente de saber qual lado tem razão, cabe uma pergunta: PRA QUE FALAR MENTIRA? Sério, por que isso? Já é tudo muito delicado, a coisa é extremamente séria, não faz o menor sentido inventar lorota. Ainda mais com o Zelaya desmentindo tudo logo em seguida.

Para maiores detalhes, vejam:

Mais uma pra coleção.

transubstanciado por gravata às 28.09.09 - 22:06:23 | 37 comentários

28/09/2009

O BRASILEIRO, INFELIZMENTE, É CONSERVADOR

Não sou conservador, acho que sou liberal ao extremo. Sou partidário da liberação total das drogas (todas elas), sou veementemente contra a adoção da pena de morte, sou contra o serviço militar obrigatório, sou contrário a toda e qualquer forma de ensino religioso nas escolas (bem como exibição de símbolos congêneres em edificações da administração pública, qualquer que seja a esfera ou poder), sou favorável à descriminação do aborto, a todos os direitos aos homossexuais e assim por diante.

Essas são opiniões minhas. Mas, por não acreditar no sistema socialista e em outras coisas, como o fuzilamento de adversários e a supressão de eleições livres (nem simpatizar com governos que adotam tal "metodologia gerencial"), sou considerado "de direita" – isso por brasileiros que supõem entender de discussão política, é claro.

Porque somos aquele povo analfabeto que ri da suposta ignorância do americano médio, enquanto o americano médio é geralmente alfabetizado e comete o pecado imperdoável de não achar o Brasil no mapa (e nós, tentem aí!, não encontramos qualquer país da África, Ásia, América Central etc.).

Sigamos.

O brasileiro é conservador. Isso é confirmado e reafirmado sempre, nas urnas, em praticamente todos os pleitos eleitorais. Num mais recente, em 2005, o povo decidiu acerca do desarmamento ou, mais especificamente, sobre a compra de armas e munições. Quase 80% dos brasileiros votaram em favor das armas. Sob todo e qualquer ponto de vista, é uma escolha conservadora.

Vale dizer que não se fala aqui em "direita" e "esquerda", como gostam de dividir os menos abençoados no que tange ao intelecto. Cuba, que seria "de esquerda", tinha campos de concentração nos quais mantinha homossexuais. No Brasil, mesmo atualmente, há líderes de extremíssima esquerda que são veementemente contra o aborto. Trata-se, portanto, da divisão mais profunda: conservador x liberal.

E os brasileiros são, em sua maioria, conservadores.

Outro tema que serviria para medir o conservadorismo do povo brasileiro é a pena de morte. Em 2008, o instituto Datafolha constatou apoio à eventual medida por parte de 47% (os contrários somavam 46). Obviamente, trata-se de algo hipotético, pois o Direito à Vida é cláusula pétrea constitucional, uma garantia que só poderia ser modificada convocando-se nova Assembleia Originária.

Além disso, é preciso que se veja com algum cuidado o suposto "empate" da pesquisa. Afinal, para quem não se lembra, antes do referendo sobre a compra de armas todas – todas! – as pesquisas apontavam vitória esmagadora por parte do desarmamento. E deu no que deu. Aqui é especulação: talvez uns meses de campanha apelativa, citando aqueles casos manjados, trouxessem a figura do "brasileiro conservador" para meter outro "80 a 20" (digo isso porque, quando há casos de comoção, a distância entre "sim" e "não" para a pena de morte dispara – e isso é constatação do próprio Datafolha, em levantamento de 2007, quando o "sim" batia em 55%, graças ao "caso João Hélio").

Por fim, a religiosidade. Claro que nem todo católico "ama o próximo e o perdoa incondicionalmente" e nem todo evangélico conhece a Bíblia de cor e salteado. Também não duvido que a maioria se declara isso ou aquilo apenas por conta do batismo ou porque há certo receio persecutório quanto à declaração de ateísmo, agnosticismo ou falta de religiosidade.

Mas qual seria o percentual desse povo?

Contando comigo, os não religiosos compõem cerca de 7% do povo brasileiro (segundo Datafolha de 2007). De cada dez pessoas do país, portanto, MENOS DE UMA não tem religião (isso declaradamente, repito). Não é uma maré das mais favoráveis.

Ah, sim: nem todo religioso é conservador. Mesmo a mais radical das crenças possui em suas fileiras os moderados, os liberais e assim por diante. Sei disso. Mas pergunte a eles – caso sigam corretamente as escrituras, dogmas e a doutrina como um todo – o que pensam das questões centrais postas lá no início: drogas, aborto, direitos aos gays etc.

E o apoio a determinada política assistencialista não faz do povo "esquerdista" ou "direitista" – valendo salientar que, na história moderna, o grande criador do assistencialismo foi Mussolini, uma figura não exatamente progressista. No Brasil, quem copiou a fascista "Carta di Lavoro" (em português: CLT) foi Getúlio Vargas, que na época era um democrata dos bons, daqueles que mandavam judeus para Adolf Hitler.

Aceitar uma benesse pública não faz com que o povo seja contra a pena de morte. Concordar com um serviço gratuito não transforma as pessoas em criaturas desfavoráveis à compra de armas. Enfim: distribuir regalias não é um remédio em favor do progressismo, mas talvez algo que acentue ainda mais o conservadorismo no sentido lato – e isso faz passar vergonha quem lê como "esquerdista" um eventual apoiador de determinado projeto assistencial, sem realmente perscrutar o que pensa essa pessoa.

Enfim, tudo isso é importante para que tenhamos alguma compreensão acerca da composição do nosso povo, e isso vem a calhar nos chamados "anos eleitorais". Nesses períodos, sobretudo quando publicam pesquisas de opinião, leio "análises" estarrecedoras, dessas que empurram eleitores para lá e para cá, segundo ideologias que simplesmente INEXISTEM para o povão.

Não, meus caros, não existe isso de "há tantos votos nos setores progressistas" ou "tantos votos nos setores conservadores". Esse tipo de leitura não pode ser chamada apenas de imbecil, porque a imbecilidade seria um elogio.

O brasileiro vota na pessoa, não no partido. Não vota em ideologia nem em "esquerda" ou "direita". Esse tipo de discussão é restrita a tão pouca gente que chega a dar pena quando alguém realmente leva a sério a ponto de projetar tal amplitude ao eleitorado. É tudo muito menor – ou talvez maior – do que isso.

Mas antes e acima de tudo, sem dúvida alguma, é preciso ter alguma noção de quem seja o povo brasileiro. E ele, sob qualquer ponto de vista, é sim conservador. Não tenho lá muito orgulho disso, mas negar tal fato não é o melhor caminho para começar uma análise.

P.S.: Nunca me esqueço de um conhecido, que estava numa pizzaria com amigos em comum, logo após a eleição de Lula em 2002. Ele dizia, comemorando quase às lágrimas: "o povo resolveu mudar o modelo econômico". Achei estranho por dois motivos: o povo, ora bolas!, não vota em "modelos econômicos" e, além disso, Lula não propôs modificação alguma – tanto que manteve tudo como estava. Até pôs um tucano no Banco Central, que está até hoje. E o pior vem agora! Encontrei o mesmíssimo sujeito dias depois do referendo do desarmamento. O que ele diz? Que o povo não tem muita noção desse tipo de coisa. Sério! As mesmas pessoas que têm um altíssimo nível de sofisticação acadêmica, a ponto de escolher entre plataformas econômicas (quando ele ganha), são também ignorantes e não sabem o que é um revólver. O "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa" pode ser usado a qualquer hora.

Revisão: Hellen Guareschi

transubstanciado por gravata às 28.09.09 - 14:50:08 | 22 comentários

26/09/2009

DOWNLOADS LIBERADOS E DIREITOS AUTORAIS NÃO SÃO EXCLUDENTES

Sou a favor da liberação dos downloads de música e, ao mesmo tempo, um ferrenho defensor dos direitos autorais das composições. Essas duas coisas – ou princípios – não são excludentes e, além disso, ambas são direitos que competem aos seus titulares, quais sejam, os compositores/bandas/artistas etc. Em suma: eles decidem se liberam ou não uma coisa ou outra.

Mas vamos por partes.

Para seduzir e conquistar o consumidor (ou baixador?) de música, alguns defensores da "relativização do direito autoral" usam argumentos equivocados acerca da propriedade intelectual. Isso é um engodo. A livre circulação da música NÃO TEM RIGOROSAMENTE NADA A VER com o direito sobre a obra. Nada. Nada vezes nada a ver com isso.

Sob a ótica estritamente econômica, é mais do que sabido que os artistas, hoje, ganham com shows. Mas quem são os "artistas"? Aqueles que tocam, reproduzem as músicas e se apresentam para as grandes plateias. Eles, NEM SEMPRE, são os autores das músicas que emplacam como grandes sucessos.

Quando há uma relativização – ou até anulação – dos direitos autorais, o compositor simplesmente desaparece da estrutura econômica. Ele vai ganhar como num show? A única forma de o compositor ganhar é estabelecendo que ele é dono da música. Logo: HÁ A PROPRIEDADE INTELECTUAL. Ponto.

"Ah, mas então como fica o download liberado?" Na hipótese de o proprietário intelectual ANUIR (e isso é fundamental, sempre), ele ganharia com as execuções PÚBLICAS, e não com as vendas. Simples assim. Até porque, como se sabe, matematicamente já não é essa segunda opção que o remunera da melhor forma.

Há ainda o lado criativo. Uma vertente imbecil (e estou sendo generoso com o adjetivo), transmutando para a música o mesmo raciocínio aplicado ao software. Isso é um equívoco sem tamanho, uma estultice gigante. Desde que o mundo artístico é mundo artístico, as músicas são um óbvio "código aberto", para ser apreendido e replicado das mais variadas formas.

Uns influenciam os outros, e gênios nascem de tempos em tempos. A criação musical não obedece ao mesmo critério de evolução tecnológica ao qual estão submetidos os softwares. Não se aplica à música o raciocínio binário de "conhecimento compartilhado", com se uma partitura fosse um "código fechado".

Até mesmo porque, um copiando o outro em mais de sete compassos não haveria mais criação, mas uma sucessão de plágios que TOLHERIA a criatividade musical humana. Um verdadeiro desastre que, ao invés de compartilhar conhecimento, trataria de atrofiar a criatividade dos gênios que pretendem sempre buscar um novo caminho de sonoridades, letras, ritmos e poesia.

É ingênuo e idiota, portanto, suprimir as garantias de direito autoral do compositor de música simplesmente porque se trata de um bem "intangível". As marcas também são bens dessa natureza, bem como um sem-número de criações. Esse raciocínio pedestre e materialista (no sentido mais torpe da palavra) é efetivamente do século retrasado: como se só pudéssemos ser donos daquilo que possa ser "visto e tocado".

Muitas pessoas, além disso, têm como vocação única a composição. Esses teóricos, de forma autoritária, recomendam que tratem de fazer outra coisa para que sejam remuneradas (como recomendam aos programadores: nesse caso, p.ex., sugerem que abram mão de ganhar dinheiro programando para, vá lá, apurar uns caraminguás consertando PCs ou oferecendo manutenção de softwares).

E os compositores? O que fariam na hipótese de não poder ganhar qualquer coisa com a garantia de que são "donos" do que compuseram? Manutenção de poesia? Conserto de melodias? Ou montam uma barraca de coco na praia? Simplesmente risível. Se a vocação da pessoa é compor, ela que componha. E se há possibilidade de ganhar dinheiro com isso, ela que ganhe.

No mais, entre outras coisas, essas garantias permitem aos compositores que se mantenham trabalhando e produzindo com "segurança jurídica", como quaisquer outros profissionais, sem o risco de que seu trabalho jamais seja remunerado pelo fato de que o produto não seja "tangível".

Por isso, reitero: a supressão dos direitos autorais é uma bobagem. Um autor, claro, pode muito bem abrir mão disso (até onde sei, é um direito renunciável). Mas não atende a exatamente nada, não corresponde a demanda alguma.

O que os consumidores querem? Downloads liberados. Que liberem, portanto! Isso – e aí concordo! – não traria grandes prejuízos às bandas (e muitas fazem aquelas propagandas mais para proteger gravadoras do que para falar por si próprias). Mas é preciso DESATRELAR download de direito autoral.

Uma coisa não tem NADA a ver com a outra. Mas, para seduzir (enganar?) a rapaziada ávida por música gratuita, os espertalhões da renúncia do direito autoral usam esse tipo de subterfúgio para ganhar adeptos.

E sabem o pior de tudo? Mesmo renunciando aos direitos autorais, ainda assim não há garantia alguma quanto aos downloads irrestritos. Porque esse tipo de licença autoral significa que demais músicos poderiam reproduzir a peça, utilizando seu todo ou partes significativas, mas não há garantias expressas de distribuição gratuita.

É perfeitamente possível – como já vemos há anos! – músicas e discos inteiros serem distribuídos de forma gratuita sem que se renuncie ao direito sobre as canções. As pessoas ouvem, todos se divertem, difunde-se a cultura etc.

Quem pode dizer que isso causa prejuízo à cultura? Por que raios é preciso que AINDA POR CIMA O COMPOSITOR ABRA MÃO DE SEU DIREITO SOBRE A OBRA? É ruim para si próprio, é ruim para a evolução criativa da música, é ruim sob todos os aspectos.

Você quer poder baixar música e quer que isso seja um dia liberado de forma irrestrita? Bacana. Mas não confunda essa utopia com a bobagem que dizem por aí acerca da liberação de direitos autorais. Seja inteligente o bastante para não entrar nessa conversa fiada.

Revisão: Hellen Guareschi

transubstanciado por gravata às 26.09.09 - 16:57:05 | 5 comentários

23/09/2009

TRUCULÊNCIA INACEITÁVEL ou O ESGOTO SÃO OS OUTROS

Nos últimos dias, dois episódios absurdos precisam ser mencionados e, sem dúvida alguma, repudiados. O governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), chamou o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) de 'veado' e disse que o estupraria em praça pública. Abaixo, cópia da capa da Folha de São Paulo:

Ontem, no blog de Said Dib, assessor de imprensa do Senado, responsável também pelo blog "Amapá no Congresso" e apoiador do movimento "Fica, Sarney!", era possível ler a manchete abaixo (printscreen da página online):

Talvez seja uma prévia do que será o ano eleitoral, talvez sejam casos isolados. Mas é o tipo da coisa que não pode ser admitida em hipótese alguma. E nem venham com aquela de "ah, não gosto do fulano, ele bem que merece".

Não é por aí. Não existe debate nesses termos. Estupro em praça pública? Fuzilamento? Seja por homofobia ou apologia ao homicídio, nos dois exemplos há condutas não exatamente de acordo com nossa legislação.

Sobre ética, decoro e urbanidade, nem compensa falar. Passaram longe, muito longe. E o "esgoto" são os outros, né? Sartre é refresco.

transubstanciado por gravata às 23.09.09 - 15:16:53 | 8 comentários

21/09/2009

LULA DESMORALIZA O STF COM A INDICAÇÃO DE TOFFOLI

Não sou contra o atual sistema. Adianto: sou plenamente favorável à indicação de ministros do STF pelo Presidente da República e, se o povo elegeu e reelegeu Lula, compete a ele, sim, a prerrogativa de escolher os guardiões da Constituição — já que é essa a função precípua do Supremo Tribunal Federal.

Sigamos.

O problema, aqui, reside única e exclusivamente no nome do mais recente indicado: José Antonio Dias Toffoli. Não se trata de um jurista com o tal do "notório saber jurídico", uma das exigências para ocupar o cargo. Pode ser que tenha tal "saber", mas definitivamente não é "notório".

Como se dá tal "notoriedade"? Por títulos, por exemplo. E ele não os tem. Nenhum. Nada. Zero. Necas. Nem um mestradinho furreca para fazer de conta. Nada, mesmo. Nos círculos jurídicos, idem. Não há "notoriedade" alguma no "saber" de Toffoli.

Mas há quem conheça sua sabedoria. O PT.

Isso porque ele ingressou em 1995 como assessor do partido na Câmara dos Deputados, ficando no cargo até o ano 2000. Já foi subordinado, por exemplo, a José Dirceu — que tem processos tramitando no mesmo STF, vejam só. Também foi advogado de Lula, nas campanhas presidenciais de 1998, 2002 e 2006. E, em 2003, trabalhou na Casa Civil, então sob a batuta diretíssima de... JOSÉ DIRCEU!

Quem sabe do notório saber de Toffoli, mais do que ninguém, é o ex-ministro da Casa Civil, réu no processo do Mensalão, que curiosa e coincidentemente tramita no STF e que terá, dentre seus julgadores, o recém-indicado Toffoli, seu ex-subordinado na Casa-Civil e, indiretamente, na Câmara dos Deputados e também na campanha de 2002.

Valores x Partidarismo
A ideia por trás da indicação não é tão rasteira quanto supõem seus críticos, mas indicações como essa, de fato, dão combustível para toda sorte de xingamentos. É uma pena.

Quando um presidente de orientação liberal toma posse, supõe-se que nomeará ministros do STF com visões igualmente mais liberais, para que então julguem casos relacionados a aborto, igualdade de gêneros, liberdade etc. Ganhando um presidente mais conservador, idem. E assim por diante.

É uma forma de garantir o equilíbrio dos valores na Corte Constitucional, atrelando-a à alternância de poder. Talvez não seja uma forma 100% eficaz, mas é um meio de vinculá-la ao processo democrático.

O que faz Lula? Manda às favas os valores de uma democracia e busca garantir sossego aos problemas comezinhos de sua agremiação. As instituições que se lasquem, as grandes questões que se explodam. É a desmoralização total do STF.

Indicando o ex-advogado do PT para a Corte Máxima do Brasil, Lula não age como um Presidente da República, mas sim como um síndico indicando a própria nora para o Conselho Fiscal do prédio. Mas é aquilo: quem nasceu pra lagartixa nunca chega a jacaré.

ps - E nem entrei na onda dessa condenação recente, lá no Amapá.

Revisão: Hellen Guareschi

transubstanciado por gravata às 21.09.09 - 16:40:07 | 23 comentários

20/09/2009

OSCAR NO BRASIL: A POLÍTICA VENCE A ARTE

O Ministério da Cultura decide qual filme brasileiro vai para Hollywood tentar a chance de um Oscar. Sim, é o Governo Federal, atualmente nas mãos do PT, quem decide isso. Política pura, portanto. Senão vejamos.

Adivinhem qual filme disputará em 2010? "Salve Geral", que trata dos ataques do PCC, em 2006, cuja trama serve para constranger o PSDB e sua gestão em SP. Basicamente, é isso. Ou alguém imagina o MinC indicando uma película intitulada "MENSALÃO"?

Ah! O filme não está em cartaz. Ninguém viu. Só a "comissão julgadora", em geral composta por quem... PEDE DINHEIRO PARA O MESMO MINISTÉRIO DA CULTURA POR MEIO DA LEI ROUANNET E OUTRAS BENESSES.

Resumindo: a decisão é política, nunca artística.

Um dos concorrentes, por exemplo, é "Besouro", filme que trata de personagem lendária da história da Capoeira (sem essas bobagens remelentas de quando fazem filme histórico). Vejam só:

Parece bacana, até porque não temos uma grande tradição nos filmes desse tipo e, para "Besouro", contrataram nada menos que o cara responsável pelas coreografias de lutas de Matrix, O Tigre e o Dragão e Kill Bill.

Mas o Governo Federal escolheu o filme que serve para atacar seu adversário político. Obviamente, nos EUA a conversa é outra, pois ali será submetido a uma comissão efetivamente artística: as películas serão votadas pelos julgadores da Academia.

Mas até lá faz-se o marketing necessário (e possível). Ainda mais em ano eleitoral, não é mesmo? Não acho, por óbvio, que o cineasta de "Salve Geral" tenha culpa no cartório. Ele registrou um momento sério e importante da vida de nosso país. O Governo é que se aproveitou do filme para fazer politicagem.

Mas, olha a zica!, não contavam com os ataques havidos agora na Bahia, cujo governo é petista. Postos policiais metralhados, vários ônibus incendiados. Mas, sobre isso, não houve blogagem coletiva e, aposto, não é nesta gestão que o MinC libera verba para um filminho.

Porque uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

transubstanciado por gravata às 20.09.09 - 16:15:55 | 27 comentários

14/09/2009

LEMBRA DOS 30% DE ELEITORADO FIXO DO PT?

Houve um tempo, há alguns anos, em que o eleitorado se dividia mais ou menos da seguinte forma: 30% votava no PT (qualquer que fosse o candidato), 30% votava contra o PT (qualquer que fosse o adversário) e os outros 40% pendiam pra lá ou pra cá, a depender do contexto.

Isso é passado.

Alguns analistas se embatucam para justificar as razões pelas quais Dilma Rousseff se firma nem mesmo no "piso histórico" do Partido dos Trabalhadores, ou seja, os tais 30%. Não teria como - ao menos, não agora. Porque esse "piso" simplesmente não existe mais. E a explicação é relativamente simples.

Antigamente, em especial nas campanhas para cargos majoritários, o PT era praticamente a única opção "de esquerda" - e falo aqui de um tempo em que se justificava usar a expressão "esquerda" (porque, entre outras coisas, havia Muro de Berlim).

Hoje, todos com algum senso de realidade reconhecem a economia de mercado, variando sua opinião quanto ao tamanho e/ou participação do governo acerca disso. O próprio PT, salvo aquelas exceções meio caricatas e escatológicas, também não rosna nem baba. Aliás, bem ao contrário.

Tanto que as primeiras rupturas radicais NÃO TIRARAM O "PISO HISTÓRICO" DO PARTIDO. Essas coisas de PSTU e afins, portanto, nem triscaram o eleitorado petista. Sigamos.

Aos Fatos
Desde 2003, tendo assumido o Governo Federal, o PT não tem mais como manter o discurso que o consagrou por anos e anos, qual seja, aquele de oposição ferrenha e "contra tudo isso que está aí". Simplesmente porque, desde então, é ele "quem está aí".

E, antes mesmo dos mais graves escândalos, por ocasião da Reforma da Previdência, houve o primeiro racha, formando-se assim o PSOL. Ao contrário do PSTU, o partido de Heloísa Helena conquista caríssimos pontos percentuais nas mais diversas eleições, abalando o tal "piso histórico". O que acontece? Simples: o eleitorado progressista rompeu com o PT.

A coisa piora. Houve Mensalão, aloprados, a coisa toda. Figuras históricas se bandeiam para outras legendas, como Cristovam Buarque, Gabeira, Marina Silva... Não adianta simplesmente chamá-los, todos, de "traíras" ou algo do gênero.

Em 2006, quem concorreu foi Lula, a figura histórica mais importante do PT. Agora, em 2010, temos Dilma Rousseff, que se filiou em 1999 para não perder um cargo público no Rio Grande do Sul (até então, era filiada ao PDT). Ela nunca concorreu a nada, nunca geriu qualquer administração nem jamais exerceu mandato parlamentar (como suplente, que seja).

A situação, por ora, é a seguinte: Ciro pelo PSB, Marina Silva pelo PV e Heloísa Helena pelo PSOL. Além, é claro, de José Serra pelo PSDB. Façam a conta que quiserem, mas não existe muita possibilidade do tal "piso histórico" se fazer presente na atual conjuntura.

E quando se fala em segundo turno, a porca torce o rabo. Porque o voto é muito pouco ideológico e sua transferência é bem menos matemática do que presumem os "analistas-sob-encomenda". Servem como prova as DUAS eleições de Lula: dois triunfos espetaculares da forma sobre o conteúdo (em 2002, p.ex., foi preciso GARANTIR a manutenção da política neoliberal então criticada; promessa devidamente cumprida, com direito a tucano no Banco Central).

O método mais razoável para calcular a migração de votos no segundo turno é utilizar os índices de rejeição (notem que, em qualquer pesquisa, esses dados coincidem). Maior rejeição significa menos votos agregados. Em suma: para conquistar votos na segunda etapa, é preciso diminuir esse índice.

Se tantos por cento não votam no "candidato x" DE JEITO NENHUM, não adianta dizer que os votos de "y e z" migrarão porque são "de esquerda", isso é bobagem.

Resuminho da operereta: não existe mais o "piso histórico" e não há matemática de segundo turno baseada em cor de bandeira.

A Pesquisa Não Divulgada
O IBOPE teria uma pesquisa, não divulgada oficialmente, cujos índices foram passados por Ancelmo Góis (O Globo) e Diogo Mainardi (Veja). Os números seguem o viés indicado pelo levantamento do instituto Sensus, mas - obviamente - incluindo Ciro no mesmo cenário de Dilma Rousseff.

Confirmados esses dados, faz sentido a "previsão" de Carlos Montenegro, presidente do instituto. Recentemente, ele foi atacado por dizer que a maré não estava pra peixe quanto à candidatura governista. Pelo visto, não está (mas, claro, é cedo).

(sem revisão, na raça etc.)

transubstanciado por gravata às 14.09.09 - 19:59:53 | 23 comentários

10/09/2009

MÉTODO CNT/SENSUS AJUDA DILMA A NÃO DESPENCAR AINDA MAIS

Obviamente, não vou pelo caminho do "datafraude" daquele sujeito do megafone. Claro que não. O artifício usado pela pesquisa encomendada pela CNT (Confederação Nacional dos Transportes) foi simplório até demais: um levantamento das intenções de voto para presidente da república... SEM CIRO GOMES E DILMA NO MESMO CENÁRIO!

Simples assim.

E, ainda com tal subterfúgio, Dilma Rousseff... CAIU! É isso mesmo. Caiu! Porque não deu para mandrakear com Marina Silva, e isso bastou para que a candidata do PT descesse um pouco a ladeira. Vejam os dados das duas pesquisas CNT/Sensus:

Serra oscila de 40,4% para 39,5% (menos de 1 ponto); Dilma cai de 23,5% para 19% (4,5 pontos); Marina surge com 4,8% (adivinha de quem pegou?); e... NÃO APARECE CIRO GOMES!

Até o aclamado mundo mineral de Mino Carta sabe que a CNT não é exatamente antipática ao Planalto. A ausência de Ciro no mesmo cenário de Dilma, depois dele próprio já confirmar com todas as letras que é, sim, candidato, serve única e exclusivamente para não trasformar essa queda num vexame ainda mais espantoso.

Ah, sim! Eles incluem Ciro. Mas... TIRAM DILMA. Nesse cenário, o candidato tem cerca de 8%. E Serra 40,5. Não é preciso buscar calculadoras científicas para imaginar o que acontece na hipótese dos dois nomes surgirem NA MESMA PERGUNTA.

Por que a CNT não pediu isso, se todos os institutos fazem dessa forma? Acho que não precisa ser gênio para responder.

E já tinha blogueiro sepultando candidatura, soltando rojão etc. Melhor o Planalto trocar de petista enquanto é tempo, talvez Palocci ou algum outro, ou embarcar de vez na canoa de Ciro Gomes.

Tá difícil, rapaziada. Você, petista, esqueça o fanatismo e pense com seus botões: tá ou não tá jogo duro? Podia ser outro, né? Para pelo menos já sair com aqueles 30% que o partido sempre tem, aquele "um tercinho" que já se tem garantido.

Mas nem isso? E com o Presidente da República mais popular da história da Criação do Universo? É uma situação deveras periclitante. Não adianta mandar algum estafeta digitador dizer que é melhor a oposição sair com Aécio ou o Prefeito de Catiripapo do Oeste.

Repensem aí. Tá complicado o meio-de-campo.

(Ah! E Dilma já tem 37,6% de rejeição... Não se pode dizer que é uma grande desconhecida. De cada 10 eleitores, quase 4 não votam nela de jeito nenhum. Subtraia brancos e nulos e veja o que isso significa)

transubstanciado por gravata às 10.09.09 - 01:42:54 | 19 comentários

08/09/2009

CRIME ORGANIZADO INCENDEIA SEIS ÔNIBUS EM SALVADOR: UMA BLOGAGEM INDIVIDUAL

A seguir, notícia publicada na Folha Online (com informações da Agência Estado). Comento depois:

"Seis ônibus foram incendiados até a madrugada de hoje em Salvador, na Bahia, segundo informações da Polícia Militar. O movimento estaria vinculado à transferência do traficante Cláudio Eduardo Campanha, de Salvador, para o presídio de segurança máxima de Campo Grande, no Estado do Mato Grosso do Sul.

Os ataques começaram na madrugada de domingo, quando cerca de 12 homens, em três carros, atiraram em direção aos postos militares do Uruguai, Ribeira, Estações Pirajá e Mussurunga, deixando três policiais feridos e três suspeitos mortos.

Segundo a PM, os suspeitos param os veículos, mandam os passageiros descerem e, após jogarem gasolina, ateiam fogo no coletivo. Até agora ninguém foi preso. Devido aos ataques aos postos militares, no domingo pessoas foram detidas para averiguação e liberadas após depoimento.

Ontem, quatro homens atacaram coletivos nos bairros de Alto de Coutos e Trobogi. Houve vandalismo também nos bairros de Alto do Cabrito e Fazenda Coutos 3, onde dois homens atearam fogo num ônibus, e outro em Nordeste de Amaralina, onde o veículo ficou parcialmente destruído. Na madrugada de hoje, outros quatro suspeitos incendiaram um ônibus no bairro Águas Claras. Por volta das 7h30, os bombeiros ainda permaneciam no local tentando controlar as chamas." (grifos nossos)

Análise
Morei quase um ano em Salvador; é uma cidade pequena, perto de São Paulo. Seis ônibus, portanto, são o bastante para dizer que se trata de um ataque de alta proporção. Mas NÃO SE PODE POLITIZAR NEM PARTIDARIZAR A SITUAÇÃO.

É aí que começa o erro.

E foi o que fizeram e ainda fazem quando simulam "estudos" sobre o quanto havido a respeito do PCC. Lembro de recente "blogagem coletiva" buscando rememorar o evento, mas cuja idéia era fazer politicagem paupérrima e rastaqüera (como sói).

Pois é. Vão fazer o quê? Falar mal do Governador da Bahia? Isso NUNCA aconteceu por lá, então a "culpa" é de Jacques Wagner? Não, não é. Ele não é culpado. E é preciso ser um completo irresponsável e/ou analfabeto funcional em segurança pública para atestar esse tipo de sandice.

As falhas na segurança pública brasileira são de proporções nacionais. Não há um único governo estadual culpado, nem mesmo é cabível dizer que a responsabilidade se concentra única e exclusivamente nas mãos do Governo Federal. Isso tudo é jogo-de-empurra, politicagem etc.

Há dados positivos alardeados por todas as esferas governamentais: a Polícia Federal é eficiente (e é verdade), muitas polícias estaduais também (e é verdade) e há municípios com efetivos civis metropolitanos igualmente competentes (também verdade). Mas o crime organizado, quando mostra sua força, parece cada vez mais imbatível.

Como resposta a isso, o que temos são menos estratégias e mais jogadas políticas e partidárias. Definitivamente, isso não resolve coisa alguma. Muito menos "blogagens coletivas" ou patacoadas congêneres.

Inegavelmente, o Brasil precisa de um esforço conjunto entre esferas de poder e, até mesmo, entre todos os poderes e, também, mudanças de legislação (mas sem o populismo de sempre, evocando mudanças de menoridades e afins).

É preciso que "segurança pública" deixe de ser uma pauta simbólica ou ideológica para figurar como um item realmente sério e efetivo nos debates e PRÁTICAS das administrações públicas.

Nessa hora, não há PT ou PSDB. E isso foi uma blogagem individual.

(tão individual que não fiz nem revisão :))

transubstanciado por gravata às 08.09.09 - 15:56:36 | 20 comentários

04/09/2009

REVISTA FÓRUM: 25 MIL EXEMPLARES VENDIDOS SEM LICITAÇÃO PRA MARTA SUPLICY; SOBRE ISSO, SILÊNCIO...

Já haviam indicado alguns comentos no blog da Revista Fórum, tratando de verbas estatais para publicações, mas honestamente não acreditava nisso. Hoje, porém, disseram que era uma matéria, mesmo. Então é bom esclarecer todos os fatos. Primeiro, vamos ao que determina a Lei de Licitações (8.666/93):

"Art. 25. É inexigível a licitação quando houver inviabilidade de competição, em especial:

I - para aquisição de materiais, equipamentos, ou gêneros que só possam ser fornecidos por produtor, empresa ou representante comercial exclusivo, vedada a preferência de marca, devendo a comprovação de exclusividade ser feita através de atestado fornecido pelo órgão de registro do comércio do local em que se realizaria a licitação ou a obra ou o serviço, pelo Sindicato, Federação ou Confederação Patronal, ou, ainda, pelas entidades equivalentes;"

É possível, sim, reclamar da concentração dos grandes veículos, mas não se pode dizer que há, hoje, editoras em condições de atender TODO o Estado de São Paulo, ou mesmo o Brasil.

Aliás, proponho a eles que visitem o Portal da Transparência e descubram quem são os maiores beneficiários. Na última vez que o fiz, p.ex., o Gabinete da Presidência comprava grandes remessas da revista "Brasileiros" (convém checar o Conselho Editorial).

Revista Fórum
Mas o melhor (ou pior) vem agora. Durante a Gestão de Marta Suplicy, além de fechar uma série de contratos com a Prefeitura de São Paulo, a empresa da Revista Fórum também teve a sorte de fornecer sua publicação carro-chefe para a Secretaria da Educação.

Não um ou dois, mas VINTE E CINCO MIL EXEMPLARES DA MESMÍSSIMA EDIÇÃO. Sem brincadeira. 25 mil cópias da exata mesma revista foram vendidas para a Secretaria.

Houve licitação? Não, não houve. E, se duvidam, vejam a imagem a seguir, cópia do Diário Oficial do Município:

Quando publiquei tal fato pela primeira vez, fez a seguinte acusação: eu me chamo Fernando Gouveia. Ele estava certo. Corria, na época, o ano de 2007 - e esse fato foi "descoberto" em 2001 (ano em que abri o blog). Mas, confesso, já era algo público desde 1976 (e, em 2004, saiu na Folha, entre outras coisas).

Enfim, a Revista Fórum "vendeu" VINTE E CINCO MIL EXEMPLARES de uma mesma edição para uma única secretaria da Marta Suplicy. E essa publicação, agora, resolve questionar o MESMO ARTIGO DA LEI DE LICITAÇÃO DA QUAL FOI BENEFICIÁRIA.

Mas o pior não é isso.

Não se trata de um erro que, para ser justificado, usa-se como tática a revelação de outro. Vale reiterar: QUAIS AS EDITORAS, HOJE, QUE TÊM CONDIÇÕES DE SUPRIR TODO O ESTADO DE SÃO PAULO COM CAPACIDADE TÉCNICA, MATERIAL ETC.?

E, além disso, O QUE JUSTIFICA A VENDA DE VINTE E CINCO MIL EXEMPLARES DE UMA MESMÍSSIMA EDIÇÃO? Caramba, já estávamos em 2004! Além de bibliotecas, já havia computadores, internet, meios digitais etc.

Além Disso
Por que essas mesmas pessoas, as mesmíssimas, nunca questionaram o absurdo favorecimento da revista Caros Amigos? E nada de Petrobras ou coisas do gênero, mas sim "Prefeitura de Cabrobró", entre outras, sempre com a estrelinha vermelha, isso desde 1998.

Sempre que eu tocava no assunto, caíam matando, dizendo que era uma forma de manter acesa a chama de um veículo "independente" (ou seja: para ser independente, ele precisaria ser "dependente").

Por óbvio, claro, nunca houve nem haveria de haver licitação. De novo: inexigibilidade, como sói nos casos de liberação de verbas para publicidade em veículos de comunicação.

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

transubstanciado por gravata às 04.09.09 - 23:14:16 | 5 comentários

03/09/2009

A PAPAGAIADA DE PAPALEO (PSDB/AP): SENADOR TUCANO CONTRATA MULHER DE AGACIEL MAIA PARA SEU GABINETE

Não se pode condenar ninguém de forma preliminar, sobretudo os parentes daqueles que aparentemente cometeram todos os delitos possíveis e imagináveis. Mas, pelas barbas do camarão!

O que um Senador da República tem na cabeça para contratar a esposa de Agaciel Maia, ex-Diretor Geral do Senado, que saiu da função (mas não foi demitido) sob praticamente todas as acusações que se possa supor compreensíveis dentro das probabilidades de seu cargo?

Trecho da reportagem da Folha Online (de Márcio Falcão e Gabriela Guerreiro), volto em seguida:

"Senador tucano contrata mulher de Agaciel para trabalhar em seu gabinete - O gabinete do senador Papaléo Paes (PSDB-AP) vai ganhar reforço nos próximos dias. A servidora Sânzia Maia, mulher do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia, foi requisitada pelo tucano para trabalhar com ele. O ex-diretor é apontado nas denúncias como o principal articulador das irregularidades administrativas descobertas na Casa. A contratação da mulher, apontada pelo tucano como um "gesto de humanidade", dá um fôlego à família Maia, já que o marido dela corre o risco de ser exonerado do serviço público. Papaléo confirmou à Folha Online a contratação, mas negou que tenha recebido pedido do próprio Agaciel ou do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que chegou a ser denunciado pelo PSDB ao Conselho de Ética por ter indicado e defendido a permanência do ex-diretor no cargo nos últimos 14 anos. Nesse período, foram editados, por exemplo, os 511 atos secretos, que nomearam parentes de parlamentares e aumentaram benefícios de forma sigilosa. O tucano, que é aliado regional de Sarney, afirmou que a contratação foi um "gesto de humanidade". Papaléo disse que não há fato algum que "desabone" o trabalho de Sânzia, que é concursada da Casa e, portanto, não teme nenhum desgaste. "Não tem politicagem alguma nessa história. Não recebi nenhum pedido. É um gesto de humanidade. Eu estava passando pelo corredor outro dia e um funcionário comentou comigo que ela [Sânzia] estava procurando um lugar em um dos gabinetes. Mandei me procurar. Eu me imagino no lugar dela. Penso que, se fosse minha família, alguém faria o mesmo. Não é justo que por um erro meu, minha esposa, meus filhos não consigam mais uma boa colocação", disse. Atualmente, a mulher de Agaciel está trabalhando na gráfica, berço político do ex-diretor. Recebe FC 7, no valor de R$ 3.302,42, segundo Papaléo, e não terá nenhum reajuste com a mudança de lotação. Sânzia permaneceu de 1999 até 2008 em uma situação considerada irregular na Casa. Foi nomeada pelo próprio marido para comandar a Secretaria de Estágios, mesmo com a Lei 8.112/90, que trata do Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União, proibindo que se mantenha sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau civil. Ela acabou exonerada da função em 2008 quando o STF (Supremo Tribunal Federal) proibiu o nepotismo nos três Poderes. O tucano saiu em defesa do trabalho da servidora. "Ela é servidora da Casa há mais de 20 anos, não tem nenhum processo administrativo nas costas, não vejo problema algum dela trabalhar aqui e espero que ela contribua muito com a nossa atividade na Casa", afirmou." (grifos nossos)

Notem: ela JÁ É FUNCIONÁRIA. Não está desempregada nem passando fome. A desculpa de "gesto humanitário" é ridícula, para dizer o mínimo. Há milhares de pessoas no Brasil precisando de ajudas desse gênero.

Por que a mulher de Agaciel?

E então surgem as coincidências: Papaleo é do Amapá, mesma unidade da Federação pela qual se elegeu Sarney - do qual, segundo consta, é aliado. Agaciel, como se sabe, também é aliado do ex-Presidente bigodudo.

Apontasse, ao menos, UMA ÚNICA QUALIFICAÇÃO TÉCNICA DA CONTRATADA. Bastaria uma, uminha. Qual nada! Partiu para o "coração mole", a pior e mais esfarrapada das desculpas.

Não, senador, não adianta sair pela tangente. Isso de "gesto humanitário" foi uma desculpa escabrosa, dando força, num só tempo, ao enfraquecimento dos discurso oposicionistas e na lengalenga governamental.

A papagaiada de Papaleo é um desserviço.

transubstanciado por gravata às 03.09.09 - 13:08:43 | 15 comentários

02/09/2009

EXCLUSIVO: MAIS CENSURA NO BLOG DO PLANALTO

Não, não é piada. O medo das críticas é tanto, mas tanto, que nem mesmo os "trackbacks" são acessíveis ao leitor. Vejam, por exemplo, este post. Lá no final, informam que há "tantas respostas em blogs". Pois agora tentem acessá-los. Não conseguiram! Censura da grossa, rapaziada!

Além de NÃO PERMITIR COMENTÁRIOS, eles ainda por cima NÃO DÃO ACESSO AOS DEMAIS BLOGS QUE FALAM A RESPEITO DAS POSTAGENS. Qual a desculpa, agora? Vão dizer que "não há equipe suficiente"? Mentira. Lorota. Cascata. Esse mesmíssimo mecanismo permite.

Mas está travado. Por quê? Censura. E por que a censura? Medo. Exatamente em razão das trabalhadas vergonhosas de um governo que apóia Sarney - como agora, dando a seus apaniguados o controle da estatal controladora da exploração do pré-sal.

Ou então podem liberar "trackbacks" e "pingbacks", mas censurando este ou aquele blog, fazendo de conta que apenas amiguinhos falam a respeito do Blog do Planalto.

Já era.

Não é um blog. É a versão online da "Semana do Presidente", aquela que aturávamos aos domingos, no SBT, com narração do Lombardi. É uma mistura de publicação de Internet com repartição pública.

E com censuras vergonhosas.

transubstanciado por gravata às 02.09.09 - 20:45:55 | 26 comentários

02/09/2009

SARNEY E DILMA: UMA MÃO SUJA A OUTRA

Deu no UOL, vindo da Agência Brasil (reportagem de Marcos Chagas). Trecho a seguir:

"Sarney diz que fará tudo para PMDB acompanhar Dilma na sucessão presidencial - No que depender da força política que exerce no PMDB, o presidente do Senado, José Sarney (AP), fará de tudo para que o partido consolide a aliança com o PT para a eleição da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, numa eventual candidatura à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010. Apesar disso, o peemedebista afirmou em entrevista que vai ao ar às 22h desta quarta-feira (2) no programa 3 a 1, da "TV Brasil", que sua aliança com Lula não interfere na forma como conduz o Senado Federal. Sarney acrescentou que parte da crise enfrentada no comando da Casa deve-se justamente ao apoio à continuidade das políticas implementadas nos oito anos de governo petista. "Se depender de mim [Dilma terá o apoio do partido] e eu estou pagando um pouco por isso, justamente porque eu defendo que a melhor solução para o PMDB é acompanhar o acordo que tem com o presidente Lula e acompanhá-lo na sucessão para dar prosseguimento ao que ele está fazendo." Durante a entrevista, Sarney evitou comentar sobre os potenciais candidatos presidenciais que já têm os nomes divulgados pela imprensa. Especificamente sobre Dilma Rousseff, no entanto, ele disse que a ministra representa "a continuidade do governo Lula" e, na medida em que as ações implementadas estão dando certo se faz necessário prosseguir..." (grifos nossos)

Há poucos dias, a base governista no Senado Federal, com apoio explícito de Dilma Rousseff, ajudou a enterrar TODOS os processos contra José Sarney. Eis a contraprestação do ínclito e ilibado Senador da República.

Uma mão lava (?) a outra.

transubstanciado por gravata às 02.09.09 - 13:37:16 | 9 comentários



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