O NEOPENTECOSTALISMO DOS QUE REFUTAM AS RESPONSABILIDADES INDIVIDUAIS
29/08/2009
O NEOPENTECOSTALISMO DOS QUE REFUTAM AS RESPONSABILIDADES INDIVIDUAIS
Observação Importante: este texto não serve para fazer pouco de qualquer religião ou coisa parecida. É uma análise da similaridade entre o raciocínio neopentecostal e o dos que minimizam a responsabilidade do indivíduo.
Cena corriqueira: sujeito chega ao pastor neopentecostal e relata algumas peripécias. Bate na mulher, vive enchendo a cara, não procura emprego - ela é quem sustenta a casa -, às vezes sobram sopapos para os filhos e assim por diante. O sacerdote, em vez de culpá-lo pelos atos, sentencia: É OBRA DO CAPETA.
Simples assim.
Porque o indivíduo, na teoria neopentecostal, não é exatamente responsável pelos atos ruins. Isso tudo, segundo essa doutrina, resulta de possessão demoníaca. O trabalho religioso, portanto, consiste em afastar o demônio e devolver ao fiel uma vida de paz - mediante, obviamente, a paga de dez por cento de seus vencimentos (ou mais).
Vejamos, agora, como pensam aqueles que acreditam em "determinismo social" e outras lengalengas. O que fazem, substituindo o suposto livro sagrado por alguma tese ou estudo igualmente subjetivo/fictício, é dizer que o indivíduo não pode ser responsabilizado pelo que fez, então culpando "seu meio" (satanás, coisa-ruim, cramulhão) pelos atos praticados.
Champinha, por exemplo. Não houve, ali, um crime passional ou qualquer outra opção dessas empregadas para "justificar" ou "amenizar" as circunstâncias impostas pelo "meio". Foram duas vítimas: uma levou tiro na nuca, a outra foi para um cárcere privado, para depois ser degolada.
É tudo tão bizarro que, quando algum estrambótico defensor da "influência do meio" se vê ridicularizado, ele parte para a segunda opção: "ele era louco". Sim, é possível (sobretudo diante da barbárie). Mas para levantar essa tese é preciso: a) ser um especialista e haver um laudo competente; e b) NÃO TER LEVANTADO, ANTES, A TESE DA INFLUÊNCIA DO MEIO.
Há milhares de casos assim, infelizmente.
Mas o que os complica são, mesmo, os crimes bárbaros cometidos por ricos e/ou cidadãos de países ricos. Como aquele sujeito da Suíça Áustria que mantinha a própria filha no subsolo de sua casa, com a qual tinha uma espécie de "segunda família". Pode-se tentar dizer que seja um louco, sobretudo diante da barbárie do crime, mas será que não estaríamos aí facilitando as coisas, como no caso do "é coisa do diabo"?
E esses, agora, que mantiveram uma garota por DEZOITO ANOS em cativeiro? São também "loucos"? Ou tudo é culpa "do meio em que vivem"? Qual dos "demônios" vamos eleger?
Tudo isso serve para livrar a cara do indivíduo. Porque, no fim das contas, somos pessoas, fazemos escolhas, e temos, sim, responsabilidades pelos nossos atos. É preciso, portanto, que saibamos e PRECISEMOS pagar de alguma forma por aquilo que fazemos.
Essas teses bobas, que tratam o indivíduo como uma criatura praticamente acéfala, tirando-lhe qualquer responsabilidade, no fundo servem para tolher também sua liberdade. Basta checar - façam isso! - as bandeiras outras defendidas por quem profere tais "ideologias".
Pois é, meus caros, a vida não é exatamente algo simples. E aquela coisa de "o preço da liberdade é a eterna vigilância" é menos uma frase-feita policialesca e mais um alerta sobre nossa própria responsabilidade acerca do que fazemos.
A profundidade do pensamento dessa gente que não acredita na responsabilidade do indivíduo é a mesma dos pastores neopentecostais que os absolvem de forma imediata, culpando "satanás" por tudo que as pessoas fizeram em plena consciência dos atos.
E as teses que os subsidiam são exatamente como os "livros sagrados" que dão suporte aos pastores. Não diferem em nada. São iguais até mesmo no jeito de falar.
Isso não serve para mim. Eu faço minhas escolhas.
(sem revisão, podem descer a marreta)
transubstanciado por gravata às 29.08.09 - 14:53:46 | 24 comentários
Comentários, Pingbacks:
Concordo quase que plenamente.
(Gravz: Valeu! Arrumei lá)
Alias, isso me lembra o filme do Fagundes no papel de Deus que, as quantas horas (do filme) exclama: "tudo eu , tudo eu, pô a gente se estressa desse jeito..." Na mosca!
"Os animais são guiados por desejos instintivos. São seres que se entregam a qualquer que seja o impulso prevalecente em dado momento, impulso esse que clama categoricamente por sua satisfação. Os animais são simples marionetes de seu próprio apetite.
Já a superioridade do homem pode ser comprovada no fato de ele ter a capacidade de escolher entre alternativas. Ele regula seu comportamento deliberadamente. Ele pode controlar seus impulsos e desejos; ele tem o poder de suprimir aqueles desejos cuja satisfação o forçaria a renunciar à realização de outros objetivos mais importantes. Em resumo: o homem age; ele propositalmente concentra esforços para atingir os fins por ele escolhidos. É isso que temos em mente ao declararmos que o homem é um ser moral, responsável por sua conduta."
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=187
O sujeito que comentou aí em cima ilustra muito bem o que é uma teoria tosca e primitiva, ao citar Mises. Fala em "superioridade do homem", o que soa como um absurdo para qualquer biólogo de respeito. Como se os próprios animais também não fossem "equipados" com a capacidade de escolha, e como se suas escolhas não fossem dirigidas segundo determinações sociais.
Se não dá pra culpar exclusivamente os demônios externos por ações individuais, ainda que só usando exemplos isolados como você fez, também não dá pra colocar o mundo nas costas do indivíduo. A psicanálise já comprovou isso.
A estrutura da sociedade é fruto das ações coletivas e do ser coletivo, e este portanto determina sim o comportamento de seus membros.
Vi num telejornal há algum tempo que meninas estavam se reunindo em grupo para ameaçar e atacar as meninas que tiravam boas notas no colégio. Apareceu um psiquiatra na reportagem dizendo que é preciso "ensinar o carinho" para essas meninas, como se elas não soubessem o que significa o carinho. Em momento algum ele falou que elas eram responsáveis pelo ato, apenas disse que elas não sabiam o que era o "carinho", e por isso tinham feito aquilo.
Só não explicou porque elas eram carinhosas com as companheiras de turma.
Ok.
Só que na sua expiação contra o esquerdismo, não se deixe levar pelo ressintimento e não esqueça de ser inteligente e passar por fã do caveirão.
Você sabe bem que o meio influencia sim a escolhas de vida.
EX: soldado do tráfico.
Se minha vida é de subalterno em empregos ruins sem nehum repeito, pior, sem a menor chance de mobilidade social ou reconhecimento, se sou achincalhado por fazer o certo, o que me impede de abraçar o mal?
A consciência moral de orkut da classe média.
Desculpe-me, mas o seu pensamento precisa de mais texto e ir além de depoimento de ex-petista.
Indústria ganha fôlego e pode ter exagerado nas demissões
Sílvio Guedes Crespo
Em São Paulo
A indústria brasileira pode ter exagerado ao cortar mais de 580 mil postos de trabalho de novembro a março, prevendo um cenário que acabou não se concretizando. A produção aumentou todos os meses do primeiro semestre deste ano, mas as vagas fechadas no primeiro trimestre ainda não foram reocupadas."
http://economia.uol.com.br/ultnot/2009/08/30/ult4294u2879.jhtm
Parece que sua militância na época revelou-se equivocada ao defender a empresas...
O Cremesp fingir que não recebia denuncias das mulheres vitimas do médico: "É OBRA DO CAPETA!!!"
!!!!!!!!!!!!!!!
Belo texto Mr. Gravataí. É muito fácil fazer a merda e colocar a culpa no cão.
Até tem umas atitudes que parecem ser obra do capeta mesmo: O Mello soltando o Cacciola, o Serra explicando a gripe suína, o Virgílio falando em surra no presidente, a Vanusa cantando hino nacional patrocinada pelo Serra/Sabesp,2 governos FHC...etc, mas não acredito nisso.
(Gravz: Não dá uma de Paulo Santos Cunha, né? Enfiar PSDB e livrar o PT até nesse tipo de texto)
O psicanalista aí de cima quis complicar as coisas que produto do meio oque!!!!!vc só se mistura com quem quer.
Caro Gravata,
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Creio que Mises foi brilhante nesse aspecto, embora não tenha sido invenção dele. Porém, ele erra em um ponto. Não são TODOS os humanos que são capazes de tudo isso. Somente alguns. Outros, como os "comentaristas" de patacas, que não sabem ler e, doravante, misturam Mises, Adam Smith e ainda esquecem-se de tudo escrito depois deles sobre o assunto, levando o debate ao seu nível rasteiro e tacanho.
Pra começo de conversa, pros néscios que falaram em "falta de mobilidade social", saibam que existe Thomas Sowell, famoso e importante economista:
http://en.wikipedia.org/wiki/Thomas_Sowell
Ele é negro e era pobre, superando todas as adversidades que a vida o impôs. Então, não venham com retóricas sofistas redundantes. Mises, mais uma vez, estava quase certo. Só faltou a ele ter definido que os defensores do 'meio' só possuem comportamento instintivo animal, não sabem pensar por si mesmos como indivíduos e, por isso, não assumem suas próprias responsabilidades na vida, de forma muito infantil. Provavelmente, ainda não conseguiram deixar de andar de quatro. Espero que um dia eles aprendam a serem bípedes.
Clap! Clap! Clap! Clap! Clap!
Essa história de q o homem comete seus desatinos por ser "produto do meio" é uma furada, e só serve como "tábua de salvação" pr'aqueles irresponsáveis q não querem saber de assumir as consequências de seus atos.
E qto ao "psicólogo" q justificou as agressões daquele grupo de piranhinhas cretinas: Queria ver se fosse a filha dele a vítima dessas vagabundas "dimenó". Qdo a água bate na bunda, a coisa muda.
Responsabilidade pelos seus atos deveria ser matéria obrigatória na educação(doméstica e escolar) das crianças e adolescentes - enfim, de TODOS - desde cedinho, p/ q as pessoas pensem MUITO BEM antes de fazer qualquer bobagem - e qualquer outra coisa na vida. Limites, eis o q anda faltando na vida dessas crianças e adolescentes hj em dia. E o resultado não poderia ser mais funesto(mentira, pode ser ainda pior se as coisas continuarem como estão.)
(Gravz: O Brasil é laico. A Bíblia é fictícia)
"A estrutura da sociedade é fruto das ações coletivas e do ser coletivo, e este portanto determina sim o comportamento de seus membros."
O Correto:
A estrutura da sociedade é fruto das ações individuais e do ser individual, e este portanto determina o comportamento de seus membros.
Não existe "ações coletivas" e muito menos "ser coletivo" Existem somente indivíduos e ações individuais. Se você discorda me diga onde eu acho o "ser coletivo" pois eu nunca vi essa estrovenga na minha frente.