PORTAL EXAME: CIRO E O "CASO DE SOBRAL"
22/07/2009
PORTAL EXAME: CIRO E O "CASO DE SOBRAL"
Há um caso intrigante envolvendo Ciro Gomes, pros idos de 1982. Dizem que é história antiga, tal e coisa, mas finalmente surgem as tais provas. Vejam trecho do post do blog da Exame (por Mauricio Lima):
"As provas do crime - Questionado por jornalistas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu a entender que o PT paulista, carente de nomes com força eleitoral, deveria formar alianças para disputar o governo de Sâo Paulo. Ainda que não tenha sido exatamente este o objetivo do presidente, sua declaração abre espaço para a candidatura do deputado federal Ciro Gomes. Dono de um currículo invejável (foi governador e ministro), Ciro é protagonista de uma trajetória incomum na política. Ao contrário da maioria, ele começou sua militância na direita, como candidato a vereador pelo PDS de Sobral, e foi se aproximando, pouco a pouco, da esquerda. Depois de passagens pelo PMDB, PSDB e pelo PPS, hoje Ciro está no PSB, o partido socialista brasileiro. (...) Em sua carreira incomum, consta também um caso "pitoresco" e até hoje muito mal explicado -- Ciro nunca aceitou pedidos para esclarecer a história. Em sua primeira eleição, Ciro se envolveu em um processo de compra de votos. Em resumo, o político cearense tinha um acerto com um comerciante de Sobral, reduto político de sua família. O comerciante, de nome Atualpa Parente, dava materiais de construção a eleitores determinados por Ciro. Naquela ocasião, o pai de Ciro, sr. José Euclides, era prefeito da cidade. Infelizmente, Ciro não conseguiu se eleger e o comerciante ficou sem receber um tostão pelo material liberado. Indignado, o sr Atualpa foi à Justiça, deu um depoimento arrasador e mostrou os bilhetes com os pedidos de telhas, fios e outros equipamentos, assinados por Ciro Gomes. O atual deputado federal sequer negou o acerto, mas disse que não devia nada. A Justiça o condenou. A história não é nova. Foi publicada em agosto de 2002 pela revista VEJA, mas as provas nunca apareceram. (...) Abaixo, o trecho da reportagem da VEJA que ajuda a esclarecer o imbróglio.
"Na primeira eleição que disputou, para deputado estadual, em 1982, Ciro recorreu a um expediente muito conhecido no interior do Nordeste. Na eleição daquele ano, Ciro Gomes foi condenado pela 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Ceará por assinar bilhetes autorizando uma loja da cidade de Sobral, reduto político de sua família, a entregar material de construção a eleitores. Depois, para piorar, não pagou a conta e mandou o dono da loja cobrar na prefeitura, cujo titular era seu pai. No texto do acórdão dos juízes, está escrito que, "atendendo a solicitações do réu", o dono da loja entregava material de construção a "pessoas simples, pobres, eleitores, no período pré-eleitoral". No trecho mais contundente do acórdão, os juízes do tribunal afirmam que "é justo formar o juízo de que o réu agiu em nome próprio, eis que o fornecimento dos materiais foi autorizado por ele, em favor de eleitores, durante a campanha eleitoral". Dono de um depósito de material de construção, Atualpa Parente era um modesto fornecedor da prefeitura de Sobral. Pouco antes da campanha, Parente passou a receber bilhetes assinados por Ciro para que liberasse mercadorias a consumidores que o procuravam na loja. Ciro tinha acabado de se licenciar do cargo de procurador do município de Sobral para se candidatar a deputado. No depoimento que prestou, o comerciante disse que os bilhetes começaram a chegar pouco antes da eleição, em setembro, e terminaram dias antes do pleito. Como ele era fornecedor da prefeitura e Ciro tinha grande influência na administração do pai, Parente obedecia. No depoimento anexado ao processo, Parente diz que Ciro chegou a comparecer pessoalmente à loja cercado por eleitores. Mas, em geral, costumava mandar as autorizações por escrito. Na lista de materiais requisitados estavam fios, mangueiras, tampas, canos, vasos, telhas e tijolos. Depois da eleição, o comerciante sentiu-se ludibriado porque Ciro não assumiu a responsabilidade pelo pagamento, e na prefeitura ninguém quis arcar com as despesas. Parente tomou coragem e entrou com o processo. Reuniu três testemunhos e provas, mas perdeu em primeira instância. O comerciante recorreu da decisão e o processo ganhou nova direção graças aos bilhetes assinados pelo próprio Ciro. Os juízes do Tribunal de Justiça confirmaram a veracidade dos bilhetes apresentados e condenaram Ciro por 4 votos a 1. Muitos são difíceis de ler, porque estão escritos por gente com baixo nível de instrução. Mas alguns estão em bom estado de conservação e foram fundamentais para a comprovação da história de Parente. Numa análise dos bilhetes, é possível notar que as pessoas escreviam no papel o material de que precisavam e Ciro ratificava o pedido com um curto bilhete, com sua assinatura embaixo. Num deles, datado de 16 de setembro de 1982, existem duas caligrafias. Uma pessoa escreveu, num português incorreto, o pedido: 50 metros de fio, seis tomadas e outro item incompreensível. Ao lado, é possível observar também o valor da transação: 9.500 cruzeiros. Em valores de hoje, essa fatura equivaleria a exatos 171,20 reais. Embaixo da caligrafia da primeira pessoa, Ciro escreveu: "Sr. Atualpa, peço-lhe fornecer o material acima". Em seguida, datou a operação e assinou." (grifos nossos)
Pois é, não havia documentos, tal e coisa. Jajá aparece alguém dizendo "precisa apurar" (coisa que nunca pedem quando alguém faz denúncia em blogs que atacam outros partidos). Pois bem, acho que está 'apurado'. Os documentos podem ser baixados por aqui (tudo zipado). Abs.
transubstanciado por gravata às 22.07.09 - 11:31:19 | 9 comentários
Comentários, Pingbacks:
Será que não existe alguma maneira de se fazer um levantamento de quantos e quais porcessos deste tipo estejam mofando sem nenhuma razão legal , em gavetas empoeiradas do nosso judiciario ?
(Gravz: Realmente, seria o caso)
É, para quem não sabe o Ciro era da Arena e depois PDS.
Ciro é um bicho papão porque não tem trava na lingua e vai atuar como incendiário de Aécio e Lula ! Aliás, o incêndio já começou!
(Gravz: Pensei que esse post você deixaria em branco. Você não resiste, né? Mensalinho? Avemaria)
(Gravz: Sério, assim não dá. Tudo que sai contra alguém adversário do Serra foi "ele que montou". Tudo que sai contra o próprio Serra é "fruto de trabalho jornalístico". SERÁ QUE NÃO É TUDO FRUTO DE TRABALHO JORNALÍSTICO, POMBAS? Eita!)
O PIG é um ser que nasceu dessa esquizofrenia aguda.
A argumentação do Paulo é um exemplo nítido disso. Há alguns posts atrás cita que o Arthur Virgílio contratou seu professor de jiu-jitsu como assessor e critica quem o defende por ter feito isso. Ora, o Lula defende o Sarney, que é a figura central desta crise, envolvido em inúmeros escândalos que surgem diariamente, tendo inclusive diversos familiares seus recebendo salários em cargos no Senado.
Assim, em qualquer sistema lógico consistente que não envolve premissas baseadas em pessoas ou partidos mas sim baseadas apenas em ações e idéias, não há lógica em concordar com Lula ou defendê-lo por isso.
E tudo isso, veja bem: nem sequer expressei minha opinião sobre nenhum dos dois casos. Não disse que tenho afinidade com um lado nem outro. Apenas observando objetiva e racionalmente as sentenças envolvidas, chegamos a essa contradição do ponto de vista lógico. São falácias, nada mais.
ninguém é bobo aqui ! essa denúncia contra o ciro gomes só apareceu porque começou a ventilar o nome dele para governador de são paulo. senão, ficaria escondido para outra ocasião propícia ! repito : o uso político da ética é tão condenável quanto o desvio ético de determinados políticos !
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