DANTAS E MENSALÃO: MINISTÉRIO PÚBLICO OFICIALIZA DENÚNCIA

06/07/2009

DANTAS E MENSALÃO: MINISTÉRIO PÚBLICO OFICIALIZA DENÚNCIA

(da série: "coisas que você não lerá na petistosfera")

Antes de qualquer coisa, tendo em vista tudo que já publiquei aqui desde as primeiras notícias da Satiagraha, sou obrigado a levantar a plaquinha:

Vamos adiante. Justiça seja feita, quem primeiro vinculou Daniel Dantas ao Mensalão foi Diogo Mainardi, em coluna de 07/09/2005:

"O resumo da ópera - Estou tentando encaixar os fatos. Pelo que li até agora, parece-me que houve o seguinte: Daniel Dantas foi achacado pelo PT. O achaque começou em 2002. Em maio daquele ano, João Paulo Cunha pediu uma CPI para investigar a privatização da Telebrás. Diante da ameaça de sofrer uma perseguição num futuro governo Lula, por causa de sua ligação com o governo FHC, Dantas encarregou seu operador Marcos Valério de buscar um canal de negociação com o PT. Em meados de 2002, Marcos Valério se aproximou de Delúbio Soares, que exigiu propina para financiar a campanha eleitoral e domesticar o partido. Quando Lula foi eleito, o deputado Júlio Delgado recolheu 189 assinaturas para instalar uma CPI sobre a privatização da Telebrás. João Paulo Cunha afundou-a imediatamente, obedecendo à orientação de José Dirceu. De acordo com a agenda da secretária Fernanda Karina Somaggio, poucos dias depois, em julho de 2003, Marcos Valério e Delúbio Soares se reuniram com Carlos Rodenburg, sócio de Dantas no Opportunity. Delúbio Soares cobrou ainda mais dinheiro de Dantas, porque o Palácio do Planalto queria financiar a compra de parlamentares de outros partidos, com o chamado "mensalão". Tudo correu direitinho até julho de 2004, quando Dantas foi acusado de contratar a empresa de espionagem Kroll para investigar seus adversários. Um dos alvos de Dantas era Luiz Gushiken, que mantinha uma disputa com José Dirceu pelo controle do PT. Gushiken retaliou por meio de seus subordinados nos fundos de pensão estatais, que fizeram um acordo secreto com o Citibank para afastar Dantas do comando da Brasil Telecom. Pelo acordo, sacramentado em janeiro de 2005, os fundos de pensão comprariam a participação do Citibank na Brasil Telecom por 1 bilhão de reais, o dobro do valor de mercado. A operação foi negociada pela Angra Partners, gestora dos fundos de pensão e formada por ex-funcionários do próprio Citibank. O que se comenta no mercado é que o superfaturamento da Brasil Telecom incluiria uma cota destinada ao PT, que permitiria desviar dinheiro dos fundos de pensão e substituir Dantas como maior financiador do caixa dois do partido. Em fevereiro de 2005, o Citibank cumpriu sua parte do acordo e destituiu Dantas da gestão do fundo CVC, com o qual ele controlava a Brasil Telecom. Exatamente no mesmo período, segundo Roberto Jefferson, começaram a minguar os recursos do "mensalão". A explicação é simples: Dantas, passado para trás pelo governo, interrompeu o pagamento de propina aos parlamentares. O resultado foram a perda de controle do Congresso e a eleição de Severino Cavalcanti. Em defesa de Dantas, Roberto Jefferson procurou Lula e ameaçou denunciar o esquema de corrupção do governo. José Dirceu colocou a Abin em seu encalço, para intimidá-lo. Começou também a procurar outras fontes de financiamento para o PT. A mais promissora previa a reestatização da Brasil Telecom e da Telemar, com o dinheiro dos fundos de pensão, operação bilionária que renderia uma boa comissão ao PT. José Dirceu já tinha sobre a mesa um projeto de lei que permitiria a fusão das duas empresas. Quando explodiu o caso de corrupção nos Correios, Roberto Jefferson, em vez de tentar uma composição, partiu para o ataque e melou o jogo do governo, revelando o esquema de que havia sido beneficiário." (grifos nossos)

E mais uma coluna sobre o assunto, logo na semana seguinte (14/09/2005):

"Resumo da ópera 2 - Eu sou o arqueólogo do "mensalão". O Indiana Jones do PT. O Heinrich Schliemann do Palácio do Planalto. Tenho dedicado todo o meu tempo à extenuante tarefa de escavar a necrópole petista, em busca de sarcófagos que me permitam reconstruir a história daquele povo iletrado e primitivo, felizmente extinto. Na coluna da semana passada, afirmei que o dinheiro do mensalão foi extorquido de Daniel Dantas, dono do banco Opportunity. Na última terça-feira, por intermédio de sua assessora, Roberto Jefferson confirmou minha teoria. Até 2002, Marcos Valério era um operador local de Dantas, encarregado do abastecimento do bando mineiro de Pimenta da Veiga, ministro das Comunicações de Fernando Henrique Cardoso. Quando Lula foi eleito, Marcos Valério se aproximou de Delúbio Soares e passou a canalizar toda a propina que Dantas era obrigado a pagar ao governo federal, representado pelo bando de José Dirceu. Se Marcos Valério era o operador de Dantas, não adianta procurar em suas contas o dinheiro da Novadata, ou da GDK, ou da Leão&Leão, ou de Santo André, ou das empresas de lixo, ou dos bicheiros, ou das empreiteiras, ou da Gtech, ou dos sindicatos, ou dos fundos de pensão, ou das Farc, ou da Líbia. A roubalheira petista é infinitamente maior do que aquilo que apareceu até agora. Recomendo procurar o cofre em outro lugar. Recomendo também, aos arqueólogos diletantes como eu, a releitura de tudo o que a imprensa publicou nos últimos dois anos e meio. Os altos e baixos de Lula correspondem perfeitamente aos altos e baixos de Dantas. A história do governo Lula é um mero reflexo da disputa comercial entre as operadoras de telefone. Como o policial que achaca o traficante, garantindo-lhe proteção para tocar seus negócios, no começo de 2003 o Palácio do Planalto achacou Dantas, exigindo dele o dinheiro do mensalão. Formaram-se duas facções. Numa delas, ficaram Dantas, Dirceu, Delúbio, Delfim, João Paulo, Ciro, Mentor, Kakay e todos os mensaleiros do PP, do PL, do PTB. Na outra facção, ficaram Gushiken, Telemar, Previ, Fundef, Banco do Brasil, Trevisan e um punhado de parlamentares arregimentados aqui e ali. A repartição do território deixou todo mundo feliz. Por um ano e meio, Lula aprovou o que bem entendeu no Parlamento, ao mesmo tempo em que as operadoras de telefone tentaram formar um cartel para manipular o reajuste de tarifas. A trégua só foi rompida depois do caso Kroll, em meados de 2004. A Anatel, comandada por Gushiken, lançou os fundos de pensão à conquista da Brasil Telecom. Dirceu não deu proteção a Dantas, fugindo do campo de batalha. Quando Dantas parou de pagar o mensalão, o governo acabou. Lula? Lula imaginou que poderia ficar indefinidamente com um pé de cada lado. Não deu certo. Tendo de optar, optou pelos amigos da Telemar, que garantiram o futuro de dois de seus filhos, comprando a empresa do primeiro e financiando a estada em Paris da segunda. Essa é a história do governo Lula. Fim." (grifos nossos)

No dia 14/06/2006, voltou ao tema:

"A última sobre Dantas - Daniel Dantas já enjoou. Eu sei. Esta é minha última coluna sobre ele. Não quero virar um Mino Carta. Volto ao assunto apenas porque preciso me livrar de todo o material que acumulei nos últimos meses e que agora, com o acordo entre Daniel Dantas e Lula, perdeu a validade. Nada do que eu disser terá efeito prático. Dane-se. O que me interessa é esclarecer alguns pontos que ainda permanecem no ar. Meu primeiro contato com Daniel Dantas e seus homens ocorreu em setembro do ano passado, depois que publiquei duas colunas acusando-o de ter financiado o mensalão. De lá para cá, foram muitos outros encontros, que me permitiram reconstruir suas idas e vindas com o governo. O que Daniel Dantas e seus homens me contaram confidencialmente foi o seguinte:

• Em meados de 2002, Naji Nahas informou a Daniel Dantas que o presidente da Telemar, Carlos Jereissati, tinha assinado um acordo com o PT, em troca de dinheiro para a campanha eleitoral. Pelo acordo, o governo tomaria a Brasil Telecom de Daniel Dantas e a entregaria à Telemar.

• Daniel Dantas reagiu da única maneira que conhece, oferecendo ele também dinheiro para a campanha de Lula. Em 30 de setembro de 2002, depois de tratar com Delúbio Soares e Antonio Palocci, um de seus homens entregou-lhes 2 milhões de dólares, num hotel em São Paulo.

• Quando Lula foi eleito, o presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb, assumiu o comando da trama lulista para tomar a Brasil Telecom. Daniel Dantas me mostrou uma carta de Casseb à diretoria do Citigroup. Na carta, Casseb afirmava que Lula odiava Daniel Dantas e que faria de tudo para tirá-lo da Brasil Telecom.

• Daniel Dantas teve acesso também a um documento que relata o encontro entre a diretoria internacional do Citigroup e Lula. O principal assunto do encontro era a retirada de Daniel Dantas da Brasil Telecom. Lula alega que nunca soube da bandalheira que ocorria à sua volta, mas o fato é que ele interferiu pessoalmente numa disputa comercial, pressionando um banco estrangeiro a favorecer um grupo privado que o financiava em detrimento de outro.

Daniel Dantas perguntou ao empreiteiro Sérgio Andrade, da Andrade Gutierrez, qual era o papel de Lula no esquema do mensalão. Sérgio Andrade, que é amigo de Lula, respondeu que o presidente não apenas sabia de tudo, como comandava o esquema.

O resto da história já foi contado aqui e em outras matérias de VEJA, do achaque de 50 milhões de dólares praticado por Delúbio Soares à ajuda prestada por Daniel Dantas para acobertar o superfaturamento da empresa do filho de Lula. O único ponto que resta em aberto é a Kroll. Daniel Dantas conta que contratou a empresa para investigar um suposto desvio de dinheiro do presidente da Telecom Italia, Roberto Colaninno, na compra da CRT. Quando o caso de espionagem veio à tona, Daniel Dantas temeu ser preso. Um agente da Kroll foi contratado então para descobrir os dados bancários de Lula e de seus ministros no exterior. A lista que ele apresentou é aquela que está em poder do procurador-geral da República. Daniel Dantas tratou de desmerecer publicamente o trabalho do agente da Kroll, considerando seus achados inverossímeis. Em particular, ele e seus homens são muito menos céticos. Eles acreditam no agente da Kroll. Eu também."

E então retomou o assunto no podcast (08/07/2008), quando Daniel Dantas foi preso pela Satiagraha, reiterando o conteúdo das três colunas:

"Daniel Dantas e Naji Nahas presos - Hoje, terça-feira, bem cedinho, olhei pela janela e vi uma câmara da TV Globo apontada para o prédio vizinho, onde mora Verônica Dantas. Pensei:

- Oba! Daniel Dantas vai ser preso!

Pouco depois, li que Naji Nahas havia sido preso junto com ele. Pensei:

- Oba, oba, oba!

Em setembro de 2005, publiquei meus dois primeiros artigos sobre Daniel Dantas, intitulados "Resumo da Ópera" e "Resumo da Ópera 2". Eu dizia: "Até 2002, Marcos Valério era um operador local de Dantas, encarregado do abastecimento do bando mineiro do PSDB. Quando Lula foi eleito, Marcos Valério se aproximou de Delúbio Soares e passou a canalizar toda a propina que Dantas era obrigado a pagar ao governo federal, representado pelo bando de José Dirceu".

Depois desse segundo artigo, fui procurado por Daniel Dantas. Ao todo, encontrei-o quatro vezes, em seu escritório, entre setembro de 2005 e maio de 2006. Desde o primeiro encontro, impressionei-me com sua vergonhosa falta de coragem. Por esse motivo, duvido que ele diga o nome dos políticos que pagou, apesar de estar na cadeia. Pressionado, ele sempre recorre à barganha mais rasteira, distribuindo ameaças. No artigo "A última sobre Dantas", citei alguns dos fatos que podem atemorizar Lula e o PT. Recomendo sua releitura, em particular o trecho sobre o encontro de Lula com a diretoria do Citibank. Naji Nahas, o parceiro de Dantas, é protagonista de um episódio que, até hoje, ninguém se interessou em apurar. Em fevereiro de 2006, em "Para entender o caso Nahas", denunciei seu envolvimento numa negociata da Telecom Italia. Dois anos depois, em fevereiro de 2008, na coluna "Fantasioso? Sórdido?", finalmente consegui reconstruir o caso, a partir de um documento do diretor-financeiro da própria Telecom Italia. Servindo-se de um doleiro e de um contrato com Nahas, a empresa reuniu 1,3 milhão de dólares em dinheiro vivo. O dinheiro, segundo testemunhas de um inquérito italiano, foi usado para corromper políticos em Brasília, entre abril e maio de 2003, no comecinho do mensalão.

O inquérito italiano cita igualmente os 25 milhões de euros que a Telecom Italia pagou a Naji Nahas. Tratei do tema em "Esperei Godot. E ele apareceu". Um dos diretores internacionais da Telecom Italia declarou à justiça milanesa que Naji Nahas recebeu o dinheiro em virtude de "suas ligações com os aparatos institucionais brasileiros, como o Ministro da Fazenda", Antonio Palocci. Esse depoimento foi disponibilizado na internet. Antes de publicá-lo, conferi sua autenticidade com seu próprio autor, o diretor internacional da Telecom Italia, Giuliano Tavaroli. Alguns pilantras me acusaram de ter recebido o documento de Daniel Dantas. Como assim? Daniel Dantas estaria tentando incriminar seu sócio Nahas? Foi por tudo isso que, ao acordar, olhei pela janela e pensei:

- Oba!

E pensei também:

- Naji Nahas está me processando. Será que ele vai poder comparecer ao tribunal?

E pensei, por último:

- Onde está Marcos Valério? E Delúbio Soares? E José Dirceu? E Roberto Teixeira, o compadre de Lula, contratado por Dantas? E Duda, contratado por Dantas? E Kakai, contratado por Dantas? E Delfim? E Della Seta? E Lula? A prisão de Daniel Dantas e de Naji Nahas é a chave para entender o que aconteceu no Brasil nos últimos 10 anos. Vou ficar olhando pela janela à espera de notícias." (grifos nossos)

Lembro de ter publicado aqui, quando houve a prisão, que tudo desembocaria no Mensalão. Alguns concordaram, mas muitos ridicularizaram o raciocínio, alegando que não era nada disso, os crimes eram outros etc.

Mesmo Bob Fernandes, em sua saga denominada "Os Intestinos do Brasil", garantia que a Satiagraha nada tinha a ver com o "Mensalão". Faltou apenas combinar com o Ministério Público. Vejamos o que o mesmíssimo Bob publica HOJE:

"MPF denuncia Dantas e o vincula ao "mensalão" - Os intestinos do Brasil. (Tomo II) - Entre os denunciados, os dirigentes do Opportunity (o banco ou algum dos múltiplos braços do Grupo) Daniel Dantas, sua irmã, Verônica Dantas e Dório Ferman, assim como Itamar Benigno Filho (ex- Brasil Telecom), Roberto Amaral (ex-Andrade Gutierrez), Maria Amália de Melo Coutrim, do jurídico do Opportunity e Humberto Braz.

Humberto Braz, ex-diretor da Brasil Telecom à época controlada pelo Opportunity. Entre várias imputações Braz foi acusado há um ano, e condenado por de Sanctis, como pivô no caso da tentativa de corrupção do delegado da PF Vitor Hugo Rodrigues Alves Ferreira durante a Satiagraha.

Em seu arrazoado, Rodrigo de Grandis afirma ainda que Daniel Dantas e seu grupo alimentaram o chamado "mensalão" através de pelo menos 6 contratos de publicidade da Brasil Telecom com as agências DNA Propaganda e SMP-B de Marcos Valério; este, aquele publicitário mineiro celebrizado durante o chamado "caso Mensalão". Sem vinculação com licitação formal alguma, Marcos Valério recebeu pelo menos 3 milhões trezentos e setenta e seis mil reais, descreve o Ministério Público Federal.

Especificamente Daniel Dantas é denunciado pelos crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta de instituição financeira, evasão de divisas e formação de quadrilha e organização criminosa.

Segundo o texto do Procurador encaminhado à Justiça Federal, Daniel, a irmã, Verônica, e o presidente do Banco Opportunity ( o Banco apenas uma peça, importante, na engrenagem do Grupo) constituíram "um verdadeiro grupo criminoso empresarial, cuja característica mais marcante fora transpor métodos empresariais para a perpetração de crimes, notadamente delitos contra o sistema financeiro, de corrupção ativa e de lavagem de recursos ilícitos".

Além da denúncia enviada à 6ª Vara Federal, Rodrigo De Grandis mandou também observações à parte. Nelas, reforça que o texto agora encaminhado não encerra as investigações da Satiagraha e, pelo contrário, o Procurador solicita a abertura de outros três novos inquéritos.

Um deles, para detalhar a participação de investigados e não denunciados neste momento. Entre eles o ex-cunhado de Dantas e integrante do Opportunity Carlos Rodenburg e o advogado e ex-deputado Luis Eduardo Greenhalgh.

O segundo inquérito seria para apurar crimes financeiros na aquisição do controle acionário da Brasil Telecom pela Oi e o terceiro para vasculhar evasão de divisas praticadas por brasileiros que tinham, ilegalmente, cotas do Opportunity Fund. Fundo este sediado nas Ilhas Cayman.

Por fim o Ministério Público Federal pede informações ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional da Secretaria Nacional de Justiça. Leia-se Ministério da Justiça. O que o MPF quer saber junto ao Departamento de Estado dos EUA é em que pé está o processo de descriptografar HDs encontrados no apartamento de Daniel Dantas durante a Satiagraha. Os HDs foram enviados à CIA pela Polícia Federal sob alegação de impossibilidade técnica de a PF realizar o trabalho no Brasil.

O Procurador determinou ainda o retorno à PF, para mais diligências complementares, do inquérito que envolve o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o investidor Naji Nahas. Para a seqüência das investigações, de maneira ampla, Rodrigo De Grandis arrola 20 testemunhas, entre elas o ex-ministro Roberto Mangabeira Unger, que foi o trustee do Opportunity nos Estados Unidos" (grifos nossos)

Notem que, recentemente, Roberto Mangabeira Unger pediu demissão da pasta que ocupava no Governo Federal de forma meio inexplicável. Ninguém entendeu, mas agora parece que faz algum sentido.

Bob Fernandes também fala da mídia, citando nominalmente os jornalistas Giba Um e Cláudio Humberto como mencionados também no inquérito pelo Ministério Público.

O contato de Dantas, segundo Bob Fernandes, referindo-se ao quanto apurado pelo MP, seria Roberto Amaral, ex-dirigente da construtora Andrade Gutierrez. Vale lembrar trecho daquela coluna de Diogo, de 2006:

"Daniel Dantas perguntou ao empreiteiro Sérgio Andrade, da Andrade Gutierrez, qual era o papel de Lula no esquema do mensalão. Sérgio Andrade, que é amigo de Lula, respondeu que o presidente não apenas sabia de tudo, como comandava o esquema."

Sérgio Andrade não é somente amigo de Lula, mas também principal doador de campanhas do PT. É também sócio da BrTOi, cuja fusão só foi possível mediante mudança de legislação por parte de Lula - antes disso, a empresa de Andrade fez aporte de milhões na empresa do Lulinha. Com a fusão, vale lembrar, Dantas ganhou um bilhão de reais.

Esses são intestinos mais delgados do Brasil.

transubstanciado por gravata às 06.07.09 - 15:35:27 | 23 comentários

Comentários, Pingbacks:

Comentário de: kadu

Pois é, eu achei muito estranha a tal saída do Manga do "governo mais corrupto da história" (palavras dele), mas agora faz sentido. Quanto ao DD, o Banqueiro do PT, parece que a tese petralhista de que ele estava hibernado nos últimos sete anos não se sustentou, que coisa.

Mas o mais divertido é ver os antigos adoradores do Protógenes quietinhos. E não duvido se amanhã eles começarem a dizer que o DD, o Banqueiro do PT, é perseguido pelo PIG.




#Permalink 06/07/2009 @ 16:07:53


Comentário de: Motumbovich

Tudo bem, Gravata. Mas eu quero saber se a denúncia do MPF foi feita nestes termos mesmo. Acho difícil, tendo lido algumas (poucas, é bem verdade, que era dose pra leão) páginas do inquérito to "ínclito". Mais fácil ser um amontoado de bobagens, uma peneira tão grossa e grosseira que escaparão todos.

#Permalink 06/07/2009 @ 20:07:04


Comentário de: alexandre andrade

isso tudo graças ao rodrigo de grandis, ao fausto de sanctis e ao protógenes ! que viraram várias capas da revista veja, foram perseguidos pela mídia e pelo gilmar mendes ! pois é, graças ao satiaghara estamos vendo os intestinos do brasil

#Permalink 06/07/2009 @ 20:07:18


Comentário de: Motumbovich

Viu só Gravata. O DM fala isso faz 4 anos e o alexandre faz questão de dar o mérito para os três (...). Vejamos quantas condenações eles conseguem.

#Permalink 06/07/2009 @ 21:07:17


Comentário de: Giovanni

só posso dizer que é um caso de internação mesmo.
Edição 348 de junho de 2005 da Carta capital: "O orelhudo tá nessa
As conexões entre Daniel Dantas, Marcos Valério, integrantes do PT e o depoimento da secretária."
O mané do Mainardi só leu a CC e editou como mais lhe convinha.
Mas seguido por outro manezão pode chegar ao Nirvana do esclarecimento da imprensa brasileira.

#Permalink 06/07/2009 @ 22:07:52


Comentário de: Gabriel Sitônio

O cara pega Mainardi pra falar que ele ligou o Dantas ao Mensalão. O cara é vendido ao Dantas e o Ministério Público Federal logo logo vai chegar nessa corja.

Agora queres ver uma entrevista sobre Dantas, Mensalão, PT, Tucanos, Privatização e Cia.

Uma entrevista clara e transparente.

Se delecie aqui

http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/04/445723.shtml

É de um jornalista, esse sim, não vendido ao olhos verdes sensuais Daniel Dantas.

(Gravz: Diogo Mainardi passa anos batendo e xingando Daniel Dantas. Traga UMA ÚNICA PROVA OU EVIDÊNCIA dessa tese da "venda". Uma, apenas uma. A casa já está caindo pro outro lado. Abs)

#Permalink 06/07/2009 @ 22:07:39


Comentário de: Júlio

E o Ronaldo (...) no Bem amigos agora, denunciando sem querer o trafico de influencia do Lula? Falou "o lula nao ajuda o corinthians diretamente, com dinheiro. Mas pede ajuda pro clube pra umas empreiteiras".
Bizarro....
nao basta receber o time ne ehehe

(Gravz: Sério?)

#Permalink 06/07/2009 @ 23:07:29


Comentário de: Gabriel Sitônio

Eu só quero que você fale da entrevista que lhe pus como amarelo manga cor de secreção amarelada.

Mainardi não é tese de defesa, está mais para ré confesso. Se vc poder me fale sobre a entrevista.

Clara e transperente.

(Gravz: réu confesso? Que raio de argumento é esse? Pedi UMA ÚNICA EVIDÊNCIA e você foge com esse subargumento? Traga algo ou reconheça que não tem nada. Abs)

#Permalink 07/07/2009 @ 00:07:18


Comentário de: Ari com i

"Rodrigo de Grandis afirma ainda que Daniel Dantas e seu grupo alimentaram o chamado "mensalão" através de pelo menos 6 contratos de publicidade da Brasil Telecom com as agências DNA Propaganda e SMP-B de Marcos Valério"
Brasil Telecom... será aquela que precisou de um decreto para uma fusão?

#Permalink 07/07/2009 @ 00:07:25


Comentário de: Da C.I.A. http://www.angelodacia.blogspot.com

O pessoal tá misturando tudo...
De Grandis não escreveu as cagadas de Protógenes e De Sanctis, que vieram à tona em fases anteriores da Satiagraha.
Também não há ligação entre a acusação de Diogo Mainardi e a de Carta Capital: Diogo Mainardi afirmou categoricamente uqe o dinheiro do Mensalão era de Dantas, que foi "chantageado" pelo governo. Já a revista CC dizia das ligações de Dantas com Valério, mas superficialmente falava no que eles ainda chamam de "suposto Mensalão".

Por fim, não me venham misturar o Corinthians com Lula! Ôrra, se o hómi tem os ataques de grandeza de forçar o TodoPoderoso a dar uma esticada a Brasília, porque também não meteria o bedelho no cotidiano do clube? O ego do homem é imparável e nessa o Timão entra de vítima!

#Permalink 07/07/2009 @ 01:07:59


Comentário de: Marcio

o Júlio deve estar falando da entrevista que o ronaldo deu ontem pro galvão no Sportv. Ele disse o seguinte:

"Ajuda presidencial
“O presidente Lula é quem mais está ajudando o Corinthians nessa fase. Ele está dando alguns contatos de empreiteiras que podem nos ajudar. O presidente está muito interessado no projeto do Corinthians. Ele é fanático, um corintiano roxo”. "

ta no link
http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Times/Corinthians/0,,MUL1220865-9862,00-EMPOLGADO+RONALDO+JA+FALA+EM+DISPUTAR+LIBERTADORES+NO+CENTENARIO+DO+TIMAO.html


Bem suspeito mesmo na minha opiniao. Na verdade não acho nada legal um cara usar sua posição de presidente pra tirar proveito em projetos pessoais. Soa tão antietico como juiz dando carteirada e etc.

#Permalink 07/07/2009 @ 07:07:54


Comentário de: django

Assisti o programa ontem, o Ronaldo fudeu o curintia e complicou o governo, kkkkkkk.
Ele falou que o governo não ajuda financeiramente, mas esta ajudando muito o curintia, indicando empreiteiras.
A galinhada estava doida pra ganhar um estadio, agora o gordo ferrou tudo....
kkkkkkkkkkkkkkkk

#Permalink 07/07/2009 @ 09:07:34


Comentário de: kadu

Estou dizendo que não falta muito. Logo, logo, eles estarão defendendo o banqueiro do PT dos ataques do PIG.

#Permalink 07/07/2009 @ 11:07:44


Comentário de: kadu

Sério.

(... O atacante Ronaldo revelou na noite desta segunda-feira que o presidente Lula tem participação fundamental na "nova fase do Corinthians": "Ele está dando alguns contatos de empreiteiras que podem nos ajudar", revelou ao SporTV. "O presidente está sabendo de tudo e indica as empresas que podem nos ajudar." ...)

Considerando que quem ajuda o Lulinha ganha modificação de lei, o que é que custa ajudar o Curíntia?


#Permalink 07/07/2009 @ 11:07:19


Comentário de: Adam Smith

Como fica agora o (...) com o seu "promotor com cara de novinho"??!?!

HGUHAUHAAHUA que delicia

(Gravz: Ainda não li, mas lerei)

#Permalink 07/07/2009 @ 16:07:09


Comentário de: A Carioca

Dá-lhe Gravata.


Ah, eu também havia estranhado a saída do "Manga".

#Permalink 07/07/2009 @ 17:07:16



Existem provas desses encontros e achaques?

(Gravz: É preciso consultar o inquérito, a denúncia apresentada etc. O principal é o dinheiro. Se foi pago, o resto são pormenores)

#Permalink 07/07/2009 @ 19:07:35


Comentário de: Paulo Santos Cunha

Já se sabia muito antes,do envolvimento de Dantas com mensalão. Mainardi é um sujeito sem credibilidade e motivo de riso entre seus pares. As duas denuncias do mensalão recebidas pelo excepcional ministro do STF Joaquim Barbosa, a do mensalão do PSDB do Azeredo - lista de furnas - e do PT e Delubio entre outros, já tem o dedo de Dantas que repassava a Valério recursos da Telemig Celular. Tá lá nos processos do mensalão ! Isso foi o motivo da briga de Dantas e PT com Gushiken esperneando com a proximidade de Dantas que depois virou inimigo numero 1 do PT.
Dantas sempre foi o preferido de FHC e do PSDB como um todo , basta lembrar que na privatização das teles, FHC foi "gramepado" falando com Andre Lara Resende então presidente do BNDEs, na conversa Lara Resende pedia a FHC para intervir na disputa entre Telemar e Opportunity, só que em favor de Dantas e contra Carlos Jereisati e Sergio Andrade donos da Telemar. Lara Resende pedia a FHC "uma bomba" para beneficiar Dantas, a FOLHA publicou a transcrição das gravações, caso unico em que um presidente da republica foi grampeado.Engraçado o Gilmar Mendes não reclamar desse grampo contra seu ex-patrão FHC.
Basta ver o quanto o PSDB ficou quieto na história da prisão e soltura de Dantas ano passado e o medo que os tucanos tem de falar em CPI das privatizações.
Dantas soube que o PT não estava pagando as dividas da campanha de 2002 e assim como já havia feito com Azeredo reforçou o caixa petista como uma forma de aproximação do poder em flagrante ilegalidade na ação dele e do PT já que são recursos de caixa-dois.
Quanto a Sergio Andrade, o Gravataí não se emenda. Sergio Andrade não é apenas uns dos principais acionistas da OI/Telemar, mas o principal acionista da Construtora Andrade Gutierrez uma das maiores empreiteiras do pais e da CCR a principal concessionária de rodovias do Brasil com 80% das concessões no Estado de São Paulo.
Andrade era amigo de Mario Covas
que não é porque morreu, mas era um politico digno e honrado, o que não se pode dizer do melhor amigo de Andrade atualmente na politica, o rei do engodo e maior farsa politica que o Brasil produziu recentemente o governador Aécio Neves que é mineiro como Andrade.
Sergio Andrade foi o principal financiador da campanha de Aécio e suas empresas são em conjunto as maiores doadoras para PT e PSDB.
Portanto a ilação do Gravataí referindo
-se apenas ao PT, merece reparo já que Andrade é muito mais proximo dos tucanos, mas doa para os dois partidos.

(Gravz: Inimigo número 1 do PT? Recebendo um bilhão com a fusão das teles, que recebeu mudança legislativa, grana do BNDES, financiamento do Banco do Brasil, aval da Anatal etc? Como faz pra ser inimigo número 1 do PT? E o que ganha o amigo número 1?)

#Permalink 07/07/2009 @ 22:07:23


Comentário de: Paulo Santos Cunha

apenas um adendo, o cartaz eu já sabia é desnecessario, porque o ex-procurador que denunciou o mensalão tucano e petista já sabia, o ministro Barbosa também já sabia e como no Brasil inquerito sigiloso é vazado todo mundo atento que lê jornal também já sabia que a Telemig Celular empresa que pertenceu a Dantas doou ao PT e PSDB atraves de Valerio.
Outro reparo, o PSDB também ficou quietinho na fusão TELEMAR/OI E BRASIL TELECOM, lembra ?

(Gravz: Que eu saiba, não ficou quietinho não. De todo modo, não sei a quantas anda o partido. Mas acho que não ficou quietinho. Como não sou de partido algum, EU não fiquei quietinho e denunciei o que achei imoral. E aí vem você e fala que sou deste ou daquele partido)

#Permalink 07/07/2009 @ 22:07:35


Comentário de: kadu

Só uma questão de ordem: embora o Azeredo também tenha pegado dinheriro do Valério ele não fez mensalão com ninguém.

E uma pergunta: considerando que o inimigo número 1 ganha 1 bi do Lula (êta homi bondoso), como é que eu faço para ser considerado o inimigo número 2 do PT?

#Permalink 08/07/2009 @ 11:07:49


Comentário de: Silvio

De fato, não foi Mainardi o primeiro a ligar o Dantas ao mensalão, mas CartaCapital, que a grande imprensa ignora completamente (afinal, Gravata, o que você vê nesse Diogo Mainardi?). Quando Carta diz "suposto Mensalão" está sendo específico à compra dos votos de deputados, prática que não foi mesmo comprovada. O esquema de desvio de dinheiro público, este sim se provou ter existido. Mas o relatório final da CPI dos correios descreve Mensalão, e a grande imprensa se fiou nessa definição, como sendo a prática do caixa dois eleitoral, o valerioduto, a migração partidária mediante pagamento, e também a compra de votos.

(Gravz: Carta Capital punha o tal "suposto" antes do Mensalão e fazia o possível para não complicar o PT. Mas, sim, acusava Dantas. Diogo foi quem resolveu a história pela primeira vez na imprensa. Mas, vá lá, que seja dividida a glória da primazia. O que não vale é tudo que é colunista, agora, dizer que já falou disso, porque daí é lorota)

#Permalink 09/07/2009 @ 17:07:15


Comentário de: Silvio

Consta em algum lugar e período temporal da web, que a ordem para a Satiagraha partiu do próprio Presidente Lula porque não gostou de saber que o Daniel Dantas assediou o seu filho Lulinha. A ordem foi dada para o ex-diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda, e isso aconteceu em 2004, antes do escândalo do Mensalão.

(Gravz: O Presidente emitindo ordem para que a polícia proceda a uma operação secreta? Tomara que não, pois estaríamos em uma Ditadura :D Sobretudo quando, ao fim e ao cabo, ela esbarra em seu gabinete e, misteriosamente, troca-se parte da equipe. E Dantas não "assediou" Lulinha. Ele efetivamente pagou viagens e diárias, bem como anunciou no programa lá da TV. Verifique isso. Aí trocaram seis por meia dúzia, né? Lulinha recebeu o aporte milionário de outro grupo empresarial)

#Permalink 09/07/2009 @ 17:07:12


Comentário de: Silvio

Sim, CartaCapital escreve "suposto mensalão", porque não há provas da compra de votos. Da compra de votos, ressalto. E nem houve julgamento ainda.

Sobre a ordem da Satiagraha, que teria partido da presidência, então o Josias de Souza cometeu uma barriga, no intuito de constranger o Planalto.

(Gravz: Não sei se foi erro do Josias de Souza ou erro do Planalto. Mas, de todo modo, é curioso esse uso seletivo do jornalista como fonte fidedigna ;))

#Permalink 12/07/2009 @ 09:07:54


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