campanhaperspectiva

Assine o Feed

Feed RSS/XML deste blog
O que é RSS?



ISTO É: BRASIL FEZ ACORDO "SECRETO" COM IRÃ

29/06/2009

ISTO É: BRASIL FEZ ACORDO "SECRETO" COM IRÃ

Deu na IstoÉ, em reportagem de Claudio Dantas Sequeira, trecho abaixo:

"O acordo secreto do Brasil com o Irã - Itamaraty ajuda Ahmadinejad a burlar as sanções impostas pelos Estados Unidos e pelo Conselho de Segurança da ONU - No dia 2 de abril, em Londres, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apertava a mão de Barack Obama, prometia US$ 10 bilhões ao FMI e ouvia que ele "é o cara", sob os holofotes da mídia internacional, a diplomacia brasileira negociava em Brasília uma forma de ajudar o governo de Mahmoud Ahmadinejad a burlar as sanções americanas contra o regime iraniano. As linhas mestras de um acordo entre Brasil e Irã, que seria assinado durante a visita de Ahmadinejad em maio que acabou adiada, foram delineadas uma semana antes num encontro a portas fechadas no Itamaraty, no dia 25 de março. ISTOÉ obteve a ata da reunião em que o chanceler Celso Amorim e seu colega iraniano Manoucherch Mottaki, acompanhados de assessores, protagonizaram uma cena capaz de abalar as relações entre o Brasil e os Estados Unidos. À revelia das sanções dos EUA e das advertências do Conselho de Segurança da ONU, contrário às transações com instituições financeiras iranianas, Amorim e Mottaki firmaram os termos de uma ampla cooperação entre os sistemas bancários brasileiro e iraniano. O que deixou o ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia de cabelos em pé: "Não se pode ignorar uma recomendação do Conselho de Segurança da ONU. Essa negociação com o Irã é como uma pescaria em águas turvas."

O Itamaraty, no entanto, não está nem aí. E em sua ênfase atual nas boas relações com o mundo árabe abriu negociações com o Export Development Bank of Iran (EDBI), que entrou para a "black list" (lista negra) do Departamento do Tesouro americano no final de 2008, ao lado de suas subsidiárias, a corretora EDBI Stock Brokerage Company, a empresa de câmbio EDBI Exchange Company, sediadas em Teerã, e o Banco Internacional de Desarollo, com sede em Caracas, na Venezuela. Além de congelar os ativos dessas empresas em território dos EUA, as sanções proíbem cidadãos americanos de negociar com elas. Não se aplicam, portanto, aos brasileiros. Mas, na opinião de diplomatas e especialistas ouvidos por ISTOÉ, ao furar a barreira o Brasil põe em xeque a política externa dos Estados Unidos.

Amorim tem defendido abertamente a equidistância e o pragmatismo nas relações internacionais. Mas o fato de o Itamaraty ter mantido silêncio sobre as negociações com o Irã não corresponde ao histórico da diplomacia brasileira, que normalmente trombeteia qualquer acordo ou negócio com outros países.

"Esse gesto vai levantar agora muitas suspeitas. Por que o Brasil está fazendo isso?", questiona o analista iraniano Meir Javedanfar, autor de um livro sobre o governo Ahmadinejad e especialista no programa nuclear de seu país. Javedanfar prevê mais tensões na relação do governo Lula com Israel, que protestou contra a visita de Ahmadinejad, e também atritos com o Departamento de Estado americano. Para o exchanceler Lampreia, a diplomacia brasileira se arrisca desnecessariamente. "Agora, que se tornou público, o acordo certamente vai incomodar", diz ele. E vai mesmo, especialmente quando autoridades econômicas e diplomáticas americanas conhecerem o conteúdo das medidas negociadas entre o Itamaraty e o EBDI. O acordo prevê mecanismos financeiros para facilitar a exportação e a importação de bens e serviços, incluindo operações de reexportação para terceiros países (o que permite ao Irã escapar do embargo por uma triangulação comercial), a criação de joint ventures, a abertura de bancos iranianos no Brasil e a assinatura de um acordo entre os bancos centrais para troca de informações sobre o sistema financeiro.

No documento bilateral, as autoridades também falam da "necessidade de buscar meios para superar os principais obstáculos" que impedem os negócios entre os dois países. Na prática, significa ajudar Teerã a obter crédito e garantias bancárias para investimento, que escassearam nos bancos europeus e americanos com a imposição das sanções. Aos olhos dos serviços de inteligência, por exemplo, as iniciativas de cooperação não passam de artimanhas para ajudar o Irã a contornar as sanções e avançar no seu programa nuclear." (grifos nossos)

A reportagem traz ainda a imagem abaixo, corroborando o quanto alegado:

Pois é. Notícia péssima para os dias de hoje, não? Sim, eu sei, o Irã é uma nação soberana e, desse modo, o Brasil tem todo o direito de estabelecer negociações diplomáticas e/ou comerciais.

Mas alguém estava sabendo dessa? E por que, ao contrário do que sempre faz, o Itamaraty não alardeou a empreitada ou mesmo a expectativa de negócio?

E os termos são esses? Sim, eu sei, parece alarmista falar em "programa nuclear". Se tal acusação pesa contra o Brasil, eu mesmom dou risada. Mas falamos aqui do Irã, que sempre manifestou interesse quanto a isso.

Não precisamos desse tipo de problema. E justamente agora, quando aquele país vive um dos mais desagradáveis episódios de sua história.

***

Bem observado por DavidButter, no Twitter: o Irã não é um país "árabe". Pra quem não sabe, é "ariano" (esse é inclusive seu nome!). Quando se fala em boas relações com o mundo árabe, talvez seja no sentido de "mundo muçulmano"; como quando se coloca o Marrocos como país de "cultura oriental", embora esteja obviamente em posição geográfica ocidental (e a Alemanha, por exemplo, fique do lado de lá do Meridiano de Greenwich). Ainda assim, claro, um acordo com o Irã, ariano/islmâmico, não deixa de ser um sinal positivo para os países árabes.

transubstanciado por gravata às 29.06.09 - 13:32:57 | 10 comentários

Comentários, Pingbacks:

Comentário de: John Bastos

"Ainda assim, claro, um acordo com o Irã, ariano/islmâmico, não deixa de ser um sinal positivo para os países árabes."

What?!? Gravata, gosto bastante de voce, mas voce eh tao ignorante sobre o Oriente Medio quanto o Lula eh ignorante sobre tudo. O Iran eh inimigo mortal do mundo arabe de longa data (e tem uma alianca circunstancial com a Siria). Quem tem mais medo do Iran obter armas nucleares nao eh soh Israel, mas tambem os arabes.

(Gravz: Sim, pode até ser. Mas é isso mesmo, John. São as "alianças circunstanciais" que contam nessa hora. Não sei como ficará a relação Irã x Iraque, com eventual ascensão xiita e desocupação americana. E há também o patrocínio do Hizbollah. Quando se fala em Irã, não se pode falar em "longa data". O Xá caiu em 79. Antes disso, o Irã era parceiraço dos EUA e afins. Depois da Revolução Fundamentalista, o parceiraço passou a ser... O Iraque! Porra, até o Afeganistão foi nação-irmã! E, hoje, temos a Arábia Saudita como amiga-de-infância. Não sou mesmo um mestre em Oriente Médio, mas sei que ali, o que vale mesmo, são as alianças circunstanciais :))

#Permalink 29/06/2009 @ 15:06:22


Comentário de: Pablo Vilarnovo http://falaai.zip.net

Os iranianos são persa.

#Permalink 29/06/2009 @ 16:06:22


Comentário de: Rodrigo http://homemdoplano.blogspot.com

Conspiração com documento assinado. Agora só falta ata da reunião. É isso aí...

#Permalink 29/06/2009 @ 16:06:08


Comentário de: kadu

Pô Gravataí, pára de complicar com esse negócio, de muçulmano, ariano, arabiano ou sei lá o que mais. É tudo turco mesmo.

(Gravz: São persas, como assinalou o Pablo. Não é bem 'complicar', mas é importante saber, pô!)

#Permalink 29/06/2009 @ 16:06:42


Comentário de: Gabriel Sitônio

Não estou defendendo o Itamaraty, mas

(1) Saiu hoje, 29/06, que não houve fraude na eleição do Irã.

(2) Nas escolas iranianas os livros de história pintam os americanos como maus.

(3) Obama recentimente afirmou que os Estados Unidos influiram no governo iraniano na década de 50 ou 60 e que foi um erro americano.

(4) O Brasil nada tem haver com as as sanções dos Estados Unidos impostas aos cidadãos americanos.

(5)O Conselho de Segurança da ONU infelizmente depois que os países ricos deram um chute na bunda e invadiram o Iraque atrás de petróleo perdeu o pouco da sua credibilidade. E a ONU não impões sanções no Irã, apenas é uma recomendação.

(6) Esse jogo de cena usando o programa nuclear iraniano para vetar os acordos não faz sentido, isso seria um acordo comercial e bancário.

(7) Não vi nada de secreto, o que ocorreu foi uma reunião preliminar entre assessores, como todas que ocorrem antes dos chefes de governo setarem para assinar as papeladas e que não deve ter sido divulgado pelo adiamento da visita do presidente do Irã.

(8) Resumindo: a mídia está procurando cabelo em casca de ovo.

(Gravz: Opinião registrada, Gabriel. O único porém fica a cargo do lance nuclear. Sim, concordo, não tem nada a ver com ESTE acordo. Mas, com acesso a financiamentos internacionais, não acho que o Irã - que anuncia disposição de se firmar como potência nuclear - queira somente adquirir bens, serviços ou mesmo melhorar seu parque industrial. O Brasil ajuda numa triangulação que fomenta financeiramente o Irã. Uma vez com a grana na mão, o que aquele país fará são outros quinhentos. Mas 500 bem inquietantes, não? Ah, sim, não sou a favor de se tolher direitos e deixar na miséria só porque há uma "ameaça nuclear". Mas o início de uma democracia seria um passo e tanto no sentido de melhorias. E a "prova" de que não houve fraude eleitoral, convenhamos, é jogo bem duro, né?)

#Permalink 29/06/2009 @ 18:06:56


Comentário de: Gabriel Sitônio

Não entendo nada da democracia iraniana mais nas últimas três decadas houve dez eleições presidenciais sendo seis presidentes eleitos. Se isso não é um amadurecimento da democracia iraniana não sei o que é democracia.

E sobre as provas do processo eleitoral: antes ter como recontar os votos que no Brasil onde o voto é apenas eletrônico e impossível de se comprovar fraude.

Imagine você usando o cartão de crédito para fazer uma compra e a maquineta não emite recibo e depois chega na sua casa a fatura com uma compra que você não fez. Como você vai provar que não fez aquela compra? Cadê o recibo hehehehhe

Espero que nas próximas eleições as urnas eletrônicas emitam ao menos o comprovante do voto.

(Gravz: O que dizer de um país que tem a figura do presidente e uma outra chamada de "Líder Máximo" - e que vem a ser um religioso? O Irã é assim. Essa é a democracia iraniana)

#Permalink 29/06/2009 @ 19:06:01


Comentário de: alexandre andrade

brasil faz acordo secreto com irã e ainda por cima o lula diz que não houve fraude na eleição iraniana. o blog oficial da revista veja defende explicitamente o golpe militar em honduras. gravataí, onde iremos parar ?

(Gravz: Não estudei o caso de Honduras a fundo, mas pelo pouco que li - na BBC - vi sinais de golpe, sim. As fontes são poucas, todas ainda comprometidas com um ou outro lado. Difícil abraçar um deles por pura simpatia ideológica. Mas, do pouco que vi, pareceu golpe. Não simpatizo com Chávez, obviamente, mas não é por isso que vou defender um golpe ou algo do gênero só porque o presidente era seu 'chegado'. Mas a situação do Irã é beeeem outra, né? Aliás, interessantíssimo como tem tanta gente mobilizada para defender Honduras, mas que se manteve calada quanto à situação iraniana.)

#Permalink 29/06/2009 @ 20:06:46


Comentário de: ricardo amadeu

pelo menos todo mundo conhece a cara d presidente do Irã. Ele faz o que pensa, äs claras, sem se ocultar. Ele tem um blog que é feio por ele mesmo. A foto dele está lá.

(Gravz: É, mas pediu empréstimo :) Ah! O blog do Lula não será feito por ele. Aliás, esta semana promete... Mas pode continuar com as piadas, Ricardo. Você sempre veio aqui me xingar, e nunca tinha meio subsídio. Agora, ao menos, você tem uma piada para fazer, né? Use-a! E nunca tive dúvidas de que você defendesse o presidente do Irã :))

#Permalink 29/06/2009 @ 21:06:39


Comentário de: paulo araújo

Não foi um acordo secreto? Não me consta que o acordo tenha sido comunicado ao Congresso. Se isso não é acordo secreto, então o que é um acordo secreto?

"O governante que apela para a razão de Estado para validar atos e tratados opostos às leis comuns do país, age como o jogador desonesto ou mau perdedor: quando as regras do jogo não lhe são favoráveis, ele usa a trapaça do segredo e quebra todas a sequência da partida. Deste modo, ele arranca dos cidadãos a confiança, a fé pública [accountability], base mesma da instituição do Estado." (RR)

Nas "pragmáticas" palavras do chefe da Divisão de Programas de Promoção à Exportação do Itamaraty, Rodrigo de Azevedo:

"Nosso ponto de vista é comercial, não político. Além disso, há uma demanda dos empresários brasileiros para negociar com o Irã".

Aqui a justificativa "pragmática" em nome da Razão de Estado esconde o apoio a um Estado que apoia e fomenta o terrorismo, tem nítidas pretensões de expansão militarista nuclear e submete o seu o povo a uma ditadura sanguinária.

Se a razão do acordo é tão somente comercial, pragmática, por que então manter no segredo algo assim tão prosaico, corriqueiro? Mas o que tanto teme o governo brasileiro para esconder dos brasileiros o acordo agora revelado pela Isto É?

Por último, registro o mantra nauseante: PIIIIIG. Como sempre, a calunia dirigida à imprensa e aos profissionais da imprensa quando fazem o seu trabalho: "(8) RESUMINDO (grifo meu): a mídia está procurando cabelo em casca de ovo.". Nada de novo, portanto. Resumindo, somente coisa do PIG. Gênios.

O que se espera dos poderes da República em governo que respeita a democracia e o Estado de Direito é transparência, que é o contrario exato do segredo e da mentira. Mas, como dizem os áulicos, bobagem. Isso é coisa do PIG que só faz procurar pelo em casca de ovo.



#Permalink 29/06/2009 @ 21:06:16


Comentário de: Morena Flor

Taí mais um "ato secreto" na política nacional, hauehauheiaheiaueihaue xD

Sácumé, né, ato secreto tá na moda!xD



#Permalink 29/06/2009 @ 22:06:51


Este post tem 1 comentário aguardando aprovação...

Deixe um comentário:
Os comentários são moderados. Tenha calma

Seu endereço de email não será exibido nesse site.
Sua URL será exibida.


[ La Brute - Jogo Online em Flash Grátis ]