FERNANDO DE BARROS E SILVA: USP E PONDERAÇÃO

15/06/2009

FERNANDO DE BARROS E SILVA: USP E PONDERAÇÃO

Em coluna de hoje na Folha, Fernando de Barros e Silva tenta ao menos COMEÇAR o debate de uma forma honesta, a exemplo do que já fizera Marcelo Tas. Segue íntegra:

"USP, polícia e demagogia - São Paulo - "Não se deve caluniar abstratamente a polícia". É conhecida a resposta do filósofo Theodor Adorno à reprovação que lhe fazia, dos EUA, Herbert Marcuse pelo fato de ter recorrido à força policial para barrar estudantes que tinham invadido o Instituto de Pesquisa Social, em Frankfurt, no início de 1969. A polícia, escreve Adorno numa das célebres cartas ao amigo, "tratou os estudantes de maneira incomparavelmente mais tolerante do que estes a mim". A USP não é a Escola de Frankfurt, 2009 não é 1969 e Suely Vilela não é... bem, a reitora já disse ser adepta dos livros de autoajuda. Alguém dirá, além disso, que há razões nada abstratas para criticar a ação da polícia no campus, o despreparo para lidar com situações deste tipo entre elas. Sim, ninguém pode de boa-fé desejar a universidade ocupada. Sim, a reitora é uma figura lamentável, e sua gestão, ruinosa. Mas quando os "progressistas" da USP vão ter coragem intelectual para criticar também o comportamento autoritário de uma minoria de funcionários grevistas que intimidam colegas e querem impor ao conjunto da universidade o que há de pior e mais privado no espírito corporativo? Quando dirão que luta social e vandalização de patrimônio público não são nem devem ser sinônimos? Quando chamarão pelo nome o "fascismo de esquerda" de grupelhos pautados por estupidez teórica e desprezo sistemático pelos direitos dos outros? Coube ao professor Dalmo Dallari, um veterano das causas democráticas, a intervenção mais lúcida, honesta e destemida a respeito do imbróglio uspiano. Em entrevista à Folha, na sexta, ele diz coisas como: a polícia que cumpre uma ordem judicial para proteger o bem público não é a polícia da ditadura; a pauta dos grevistas é desconexa e seus métodos são intoleráveis; a reitora é fraca, mas sua destituição agora desmoralizaria a instituição. Eis, para os que não querem ficar presos a clichês mal digeridos da cultura meia-oito, um bom ponto de partida para o debate". (grifos nossos)

transubstanciado por gravata às 15.06.09 - 12:16:36 | 8 comentários

Comentários, Pingbacks:

Comentário de: daniel http://www.danielaraujo.net

O que eu não entendo dessas "argumentações ponderadas" é que no fundo elas estão defendendo que o – no caso aqui desse texto da FSP – "fascismo de esquerda" merece apanhar da PM, ou seja, consideram que uma parcela da população, seja pelo motivo que for, merece apanhar, quando o correto seria, numa teórica democracia, que ninguém devesse merecer apanhar da PM.

Parece que há uma cegueira impedindo vocês de verem que ser contra a ação da PM na USP não é ser favorável ao movimento cujos manifestantes foram vítimas da PM.

"Desprezo sistemático pelo direito dos outros" serve muito bem para definir o que a PM fez na USP, e a maneira como o atual governo do Estado lida com manifestações.

(Gravz: Não é "apanhar da PM", Daniel. É cumprir uma ordem judicial. Não houve o cumprimento. A polícia PRECISA fazer valer o mandado. O sindicato não cumpre. Eis o foco de tensão - ou melhor, de DESOBEDIÊNCIA. Que, na verdade, é um crime. Não há ingerência do poder executivo e ninguém defende a pancadaria. Mas quando um grupo SE RECUSA A CUMPRIR UMA ORDEM JUDICIAL, o que resta? Imagine o seguinte: há uma ordem JUDICIAL de prisão, mas determinada pessoa começa a correr. A polícia corre atrás e a prende ou deixa de correr para evitar machucá-la? É esse o dilema)

#Permalink 15/06/2009 @ 12:06:02


Comentário de: Robson http://www.ligeirices.blogspot.com

desobediência civil não é crime.

(Gravz: Talvez você tenha falado isso por brincadeira, ok. Ou por desinformação. Mas vamos lá... Não se trata de desobediência civil, naquele sentido bonitinho e adolescente. Nesse caso, é deobediência a uma ORDEM JUDICIAL. E quando não se resolve obedecê-la há, sim, um crime. Aliás, algumas "desobediências civis" são crinosas, por óbvio)

#Permalink 15/06/2009 @ 14:06:44


Comentário de: Norrin Kurama

A PM deveria então ter pedido "por favorzinho"?

Não existe dilema nenhum ai, GM. A PM infelizmente às vezes precisa agir com violência. Às vezes com força letal. Em qualquer lugar do mundo. Nem sempre ela faz isso na hora certa, mas isso é outra discussão. Negar que às vezes se precisa usar a violência é viver fora da realidade.

#Permalink 15/06/2009 @ 15:06:55


Comentário de: Daniel

O curioso é que em quase todos os artigos publicados sobre esse tema parece haver apenas um ponto pacífico: a reitora é incompetente.

Hj saiu a novidade que promete esquentar mais ainda essa história. O ex-funcionário/sindicalista, Claudionor Brandão, obteve uma liminar que lhe garante a reintegração aos quadros da USP.

#Permalink 15/06/2009 @ 17:06:42



A ação da polícia foi bastante contida. Aquele videos dos estudantes intimidando os policiais é emblemático. Se alguém invadisse o Sintusp e houvesse uma ordem judicial pra desocupá-lo queria ver esse povo pedindo calma pros PMs. Defendem o que lhes convém, e só.

#Permalink 15/06/2009 @ 21:06:46


Comentário de: Karen

A título de desabafo:
Essa greve e todo esse auê na mídia me irrita profundamente... é um completo retrocesso e eu fico extremamente envergonhada que esse tipo de coisa esteja acontecendo na USP, idealistas estacionados nos anos 70 impondo suas visõezinhas em nome de toda a comunidade USP... ARGH!

#Permalink 16/06/2009 @ 01:06:50


Comentário de: Gustavo - spike

Quem critica a PM nunca acompanhou uma ação de reintegração de posse. Eu acompanhei muitas por força do meu trabalho, e é exatametne isso que rola.
Na periferia de SP isso acontece a todo tempo, só que a "comunidade acadêmica" só se manifesta quando é diretamente atingida dentro do seu condomínio fechado. A USP é o condomínio fechado mais antigo da burguesia paulistana.

#Permalink 16/06/2009 @ 11:06:28


Comentário de: Vítor Bonini

Interessante este conceito de justiça de de respeito a opinião alhiar pregada pela militancia grevista . Afinal , onde estavam estes conceitos quando uma minoria de não mais de 100 uspianos em relação a um universo de mais de 95 mil, decidiu isoladamente pela greve geral ? Ou onde forma para estes mesmos conceitos quando se inicou a montagem de barricadas com mesas e cadeiras obstruindo a locomoçaõ e as aulas de quem não optou por participar ? Onde hibernava este conceito quando há dois anos atras , os atos de vandalismo da militancia na reitoria , geraram um prejuizo de mais de R$ 364.000,00 ? Prejuizo alias pago com o tal do "dinherudupovu" que eles afirmam serem os unicos a defender ?.

#Permalink 16/06/2009 @ 12:06:21


Deixe um comentário:
Os comentários são moderados. Tenha calma

Seu endereço de email não será exibido nesse site.
Sua URL será exibida.