USP: DALMO DALLARI APÓIA O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO
12/06/2009
USP: DALMO DALLARI APÓIA O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO
A duras penas, conseguiu-se no Brasil, entre outros, o direito à livre-manifestação. Como todas as demais garantias, ela não é absolutíssima, vez que se encontra passível de contestação judicial e, mediante devido processo legal, pode ser delimitada ou mesmo restrita. Foi o que houve, por exemplo, na USP.
Não se pode falar, portanto, em ato ditatorial, censura ou coisa do tipo. Na época da Ditadura, uma mísera passeata já seria reprimida por força policial sem qualquer consulta a um magistrado; ao contrário, os pisoteados é que corriam para os juízes tentando salvar suas peles.
Sigamos.
A Folha de São Paulo entrevista hoje o professor Dalmo Dallari. Ele é simpatizante do PT, as perguntas não são conduzidas como um jogo-de-comadres nem nada do tipo. E ele responde de forma objetiva e claríssima. Mesmo quando a repórter usa a terminologia menos acertada, como "chamar a polícia" (quando na verdade se trata do atendimento a uma ordem judicial). Leiam:
"Para o professor Dalmo Dallari, é um radicalismo fora de moda
FOLHA - O que deu errado na terça?
DALMO DALLARI - Há um conjunto de erros. Em primeiro lugar, a maneira como estão sendo postas as reivindicações. Há um excesso de temas -tem a reivindicação salarial, a questão do ensino a distância, a readmissão de um funcionário demitido. São coisas completamente diferentes e cuja decisão depende de órgãos diferentes.
É preciso reduzir essa pauta a um temário coerente. Além disso, não posso admitir a prática de violência física contra a universidade, um patrimônio público. Fiquei indignado quando vi as fotografias de funcionários e alunos arrebentando a universidade. Essas pessoas não gostam da USP.FOLHA - Elas dizem que é a reitora que não gosta.
DALLARI - Essas pessoas têm um radicalismo fora de moda.
Querem impor a adesão ao movimento por intermédio dos piquetes. É natural que quem reivindica procure obter adesão. Mas isso deve ser feito pelo convencimento. E não cerceando os direitos dos professores, funcionários e alunos que querem atividades normais. Não posso reivindicar o meu direito agredindo o dos outros.FOLHA - É chamando a polícia que se resolve isso?
DALLARI - É claro que a presença da polícia no campus não é desejável. Mas isso é muito diferente da polícia que invadiu o campus na ditadura militar. A polícia naquela época impedia o exercício do direito de expressão, de reunião, de reivindicação. Era uma polícia arbitrária e violenta por natureza. Mas agora o que aconteceu é que a PM compareceu para fazer cumprir uma determinação judicial, visando à proteção do patrimônio público. E acho que a reitora agiu corretamente quando solicitou essa proteção.FOLHA - Mas a polícia acabou jogando bomba em estudante contra a greve. Está certo isso?
DALLARI - A história está cheia de exemplos em que a polícia acaba se excedendo. Mas houve situações de um grupo de manifestantes cercando a polícia. É fácil de imaginar o temor dos policiais de serem agredidos, humilhados. Isso acabou precipitando ações violentas da polícia, também condenáveis.FOLHA - As entidades alegam que a reitora fugiu do diálogo...
DALLARI - Eu, se fosse reitor, também não compareceria a uma reunião com esse tipo de radicalismo, até com risco de agressões físicas.FOLHA - E agora, o que fazer?
DALLARI - É preciso definir uma pauta coerente de reivindicações. A reitora poderia designar uma comissão de membros do Conselho Universitário, com representantes de professores, estudantes e funcionários, que de maneira civilizada e coerente discutiria sem radicalismos.FOLHA - E quanto à PM no campus?
DALLARI - Do jeito que as coisas estão, acho que pura e simplesmente retirar a polícia é temerário. É preciso manter a polícia e abrir a negociação.FOLHA - As três entidades exigem a demissão da reitora...
DALLARI - Isso é um absurdo. Seria desmoralizante para a própria USP. A reitora foi legalmente escolhida. Está no exercício das suas funções. Nunca foi alvo de acusações de corrupção. É preciso respeitá-la." (grifos nossos)
Creio que essa entrevista será reproduzida em muitos sites, mas omitida de outros tantos. Para o bem do debate sobre o caso, é fundamental que se traga a opinião de Dalmo Dallari. Não é justo que ele só "preste" para quando seu parecer seja conveniente à "causa".
A cada minuto fica mais claro: é uma "causa" essencialmente partidária.
Haiti: Dois Pesos e Duas Medidas
O comentarista Roberto Takata, ao tratar das imputações de culpa, lembrou um fato importante: o exército brasileiro promoveu verdadeiro MASSACRE no Haiti (vejam aqui, tem vídeo e tudo).
As vidas de centenas de haitianos são menos importantes que a a circunscrição territorial uspiana? Não, não são. Mas não atendem ao interesse partidário de quem pretende imputar a culpa ao chefe do executivo estadual quando a polícia atende a uma ordem judicial; mas ignora o fato de que o exército está no Haiti sob ordem exclusiva e direta do Presidente da República (e o que acontece por lá está sob sua responsabilidade objetiva).
Mas o Haiti não é aqui.
transubstanciado por gravata às 12.06.09 - 12:18:18 | 25 comentários
Comentários, Pingbacks:
Além disso,a cada greve que passa há um maior distanciamento e questionamento dentro das próprias humanidades (tida como engajadas) do dito movimento estudantil, que faz barulho.
Triste ter que concordar com o inimigo.(você
(Gravz: Não sou dessas de "inimigo", mas entendo seu ponto. Essa bobagem de se partidarizar a greve também aproximou Dallari de gente que seguramente está em 'trincheiras opostas' nos mais variados tópicos. No fundo, não se trata da minha opinião, da dele, da sua etc. São os fatos, são as leis, é a realidade. Houve um começo de agito em cima da tragédia, pra capitalizar politicamente, mas deu chabu. Também fizeram isso com a desgraça da TAM - nesse caso, contra o Lula. E naquela época também condenei)
Muito boa essa chamada para o caso do Haiti. Por aqui simplesmente esqueceram do assunto. Nem na tal 'imprensa suina' (como tanto fazem questão de chamá-la)
vemos algo a respeito. E pelo visto, há motivos de sobra para falar. Me lembrei do general brasileiro que se suicidou por lá. Até hoje não sabemos o porquê. Abafaram o assunto muito bem.
(Gravz: Talvez você tenha passado metade de sua vida como estudante profissional, e tenha-se esquecido de ao menos interpretar um texto; tanto mais, vá lá, conhecer a lei. Serra não tem NADA a ver com a presença da PM. Tal fato decorre da ordem judicial que, por sua vez, deriva do Devido Processo Legal. São conquistas do Estado Democrático de Direito. Seus chavões são bonitinhos para a cabeça de um menino de 17 anos, mas inúteis numa discussão séria. Leia e releia a entrevista de Dallari. Se não conseguir, peça a alguém que saiba para que a explique a você. Se ainda assim não conseguir, não ponha culpa em todos nós por conta de maior capacitação exegética. Isso, claro, supondo que seu caso seja de falta de capacidade, não de pura má-fé)
Há um abismo moral gigantesco entre um petista como o Dalmo Dallari e a manada que patrulha deversos blogs.
Ele deixou a questão partidária de lado e se concentrou apenas no que interessa, ou seja, se a ação da PM foi lícita ou não. E foi.
Este, sim, põe a razão acima de interesses partidários menores.
(Gravz: Ele é professor, tem uma carreira e tanto. Não pode ignorar isso)
Sempre achei a presença no Haiti o maior absurdo vindo do governo Lula. Foi necessário que o José Serra fizesse a maior cagada da vida política dele para vocês, ilustres opositores do governo Lula, se lembrassem disso - e tentassem criar um paralelo inexistente.Na época das eleições, federal e municipal, ficava aí todo mundo com a tediosa cantilena do mensalão e sequer se lembrava dessa atrocidade do Haiti.
Criticas à missão do haiti só vieram da própria esquerda – Galeano, Tariq Ali, o próprio link q vc citou, até o multi-odiado Emir Sader, o Forum Social Mundial, Carta Maior etc. Fora disso, era omissão ou apoio à Minustah. Fica até constrangedor vc apelar para isso agora, parece desespero. Até porque colocá-la junto com a entrevista do professor é uma jogadinha suja, fica parecendo que uma coisa tem a ver com a outra, quando não tem absolutamente nada a ver.
(Gravz: Não, daniel, não é essa a questão. A ação da PM se deve a uma ordem judicial. A entrevista de Dallari é claríssima. Ainda assim, muitos aproveitam para "partidarizá-la". Por isso, trouxe a lembrança de Roberto Takata para mostrar que já houve uma ação - E ESSA SIM ILEGAL - mas EM TEMPO ALGUM PUSERAM A CULPA NO LULA COMO FAZEM AGORA. Alguém chamou o Lula de "ditador"? Você leu o Emir Sader escrevendo isso? Morreram centenas de Haitianos. Mas isso não foi o bastante para Lula ser importunado em caráter pessoal, mas sim na base do "nosso exército" e blablabla. Quanto ao mais, surpreendo-me com isso de você chamar o escândalo do mensalão de "tediosa cantilena". Por que motivo ficou aborrecido com a denúncia? Ah, e não tem nada de jogadinha suja. A entrevista é para mostrar que ATÉ um jurista ligado ao PT prova que a presença da polícia é tecnicamente correta. E o massacre do Haiti é para mostrar que os blogueiros petistas não estão preocupados com vidas ou humanos, mas sim com capitalização política. E, desculpe, mas seu comentário reforça minha tese)
1. Dalmo Dallari é um soldado. Que tenha falado claramente contra é sinal que o PT vai aproveitar o que der, mas não vai segurar neste caixão (até porque os outros "partidos" não deixariam mesmo).
2. Serra não precisa mandar a polícia fazer nada quando existe uma ordem judicial. A ordem é automaticamente (PASSIVAMENTE) cumprida. Ele precisaria, isto sim, manda descumprir a ordem, ATIVAMENTE, para que pudesse ser trazido ao caso de alguma forma. O primarismo desta gente é surpreendente.
(Gravz: Mas quando o executivo manda 'descumprir', é aí que nasce a ditadura. Jajá começa a mandar cumprir sem haver ordem e se estabelecer a bagunça definitiva)
Então qual o problema de ligar essa presença ao Serra?
(Gravz: Você tá fazendo de sacanagem, né? Vamos lá... Quando dito "ATÉ um jurista ligado ao PT..." é porque a análise jurídica é técnica, ou seja, NÃO FAZ SENTIDO LIGAREM AO SERRA OU A JESUS CRISTO. Mas, claro, o pessoal estritamente partidário faz a ligação independentemente disso. O "problema" é exatamente esse. Se ATÉ um jurista ligado ao PT já provou que não há ligação partidária, o problema de se fazer a ligação é... QUE ELA NÃO HÁ!)
Nessa questão do Haiti, já vi o Emir Sader, o José Arbex, o Tariq Ali, vários blogueiros, escritores, intelectuais, um monte de gente da esquerda criticando pesadamente e apontando o dedo diretamente pro Lula. E foram os únicos. Hipocrisia forte vir dizer que blogueiros sei-lá-o-quê não dão valor prá vida humana quando você mesmo não deu a mínima pelota pro caso até ter que apelar nessa situação da USP. Um caso de corrupção parlamentar, pros blogueiros de oposição, é muito mais grave que o massacre do Haiti, já que nenhum de vocês tocou no assunto nem mesmo na época da eleição. Mas o Haiti não é aqui, né? Que IBOPE é gerado pela defesa da população de um país pobre e instável? A claque gosta de ouvir do mensalão, então é disso que vocês vão atrás. No mensalão, roubaram 50 milhões. Para os que se dizem oposição, certamente um valor bem mais alto que a vida dos haitianos.
Parabéns pela tentativa de malabarismo para inverter esses papéis.
Cara, isso tá te preocupando tanto que precisa vir em caixa alta
Essa ligação com o governador, se a ação da PM tivesse sido realmente justificável, seria um detalhe desimportante. A gritaria da "petistofera" não deveria incomodar tanto.
(Gravz: Publiquei seus dois, daniel, e publico quantos quiser, sempre numa boa e na maior democracia. Mas o que eu tinha pra falar, já falei)
ERES. Bom, os desafios são estes.(Gravz: Sempre imaginei que você fosse juiz, mesmo. Sabia! E questões excelentes. Sabe que Dallari não pode rasgar o diploma ao responder às perguntas da entrevista)
que bom que você vai continuar publicando meus textos
Sinceramente, acho que não vi ninguém questinando a legalidade da ação da PM. Mas uma coisa pode ser perfeitamente legal e, ao mesmo tempo, totalmente condenável sob todos os outros aspectos. O terceiro mandato, por exemplo, se aprovado, vai ser perfeitamente legal. E vai continuar sendo uma idéia de merda, cujo beneficiário terá aberto todas as brechas para se desgastar politicamente com ela.
A violência da PM na USP é a mesma coisa. Não vi ninguém dizendo que os responsáveis devam ser punidos por ter desrespeitado a lei. Mas alguém que aciona um mecanismo jurídico que, posto em ação, vai desembocar naquela violência contra os manifestantes, abriu todas as brechas para se desgastar politicamente. A cagada é política e moral, não legal. E politica e moralmente é que os responsáveis devem pagar. A posição da reitora já é praticamente insustentável. E, quanto ao Serra, até comentarista político do SBT já está dizendo que se ele quer ser um candidato viável à presidência então tem que rever essa truculência.
(Gravz: Não há OUTRO mecanismo jurídico. Você leuo comentário do Royal, que é juiz de direito? A reintegração de posse é a ÚNICA possibilidade para aquela circunstância. E, dada a magnitude da situação, só pode ser daquela forma. E houve o DESCUMPRIMENTO. Por que descumpriram? Eis a questão. E é isso que ninguém responde. A turma do oportunismo partidário, é claro, sai por aí capitalizando eleitoralmente. Chamam até o chefe do executivo de "ditador", pelo fato de não interferir numa decisão do judiciário. Numa ditadura - basta pensar - os ditadores fazem exatamente o inverso)
E os pobre que se fodam, quanta hipocrisita....
"Você leu o comentário do Royal, que é juiz de direito? A reintegração de posse é a ÚNICA possibilidade para aquela circunstância"
A "circustância" ao que o Royal faz referencia está diretamente ligada a capacidade ou incapacidade da reitora Suely para conduzir a situação.
Em post anterior já fiz menção a essa questão, conheço muito bem o funcionamento das 3 universidades publicas paulistas USP, UNICAMP e UNESP e não há até onde eu consigo lembrar um caso de reitor(a) ou diretor de campus que tenha tomado atitude semelhante como a de pedir a entrada do batalhão de choque.
Basta exercitar a lógica, se não é usual o procedimento e sim uma exceção é muito mais simples acreditar que o problema é da reitora e não dos grevistas.
Como já disse em post anterior, esses grevistas são anacrônicos ligados ao PSTU, PSOL e PCO partidos radicais e com discurso da epóca da extinta União Soviética.
As reivindicçãoes ainda que legitimas são confusas, tem pautas em demasia e um componente ideológico que não cabe mais, porém conforme também já citei em outro post esses grevistas estão aos poucos angariando a simpatia de setores da universidade que normalmente não caem na conversa desse pessoal.
Negociar não é fácil, mas se os
reitores de outras universidades que já enfretaram problemas semelhantes e o mesmo grupo ligado a LER e ao CONLUTAS conseguiram lidar com a divergência sem apelar para a PM, porque a reitora Suely não ?
Volto a dizer que o governador Serra tem junto com a reitora responsabilidade compartilhada pelo o que ocorreu.
Afinal, a reitora foi indicada em lista triplice por seus colegas, mas foi ESCOLHIDA pelo governador e ao contrário do que alguns dizem, a USP goza de autonomia administrativa, porém sob o aspecto politico a reitora Suely responde diretamente ao governador Serra já que ocupa um cargo de confiança.
O professor Dalmo Dallari é uma pessoa correta, digna e respeitável sempre defendeu a democracia e tem todo o direito de expressar seu pensamento como cidadão, professor aposentado da USP e advogado que lutou contra a ditadura defendendo perseguidos do regime militar.
Eu no entanto, discordo do professor que segundo sei, é próximo da reitora Suely apesar das diferenças que existem entre os dois no campo politico.
Sei que o professor Dallari tem uma militância de esquerda, não sei se é petista, mas se for pode explicar em parte a sua reação, já que os grupos grevistas são ligados a esquerda radical que faz mais oposição ao PT do que ao DEM, PPS e PSDB.
Então também não houve "invasão" da PM, né? A resposta para o conundrum: os manifestantes (um grupo deles) saiu da assembléia (acho que era na reitoria) e _foi_em_direção_à_polícia_, para enfrentamento.
obs: o filho dele dá aula na USP e ficou decepcionado com as atitudes dos "grevistas".
PELO AMOR DE DEUS não envie contos, poemas ou roteiros seus... o Gravata é capaz de publicar mesmo e nem a gente merece isso..
Espero que o sr.não seja uma delas !
Caro Gravataí, você que não leu meu comentário. Eu não questionei a legalidade da ação da PM, acho que vocês estão cobertos de razão quando expõem aí os meandros legais que embasam a ação da PM na USP. O que eu disse é que vocês levam a discussão para esse lado porque no aspecto legal não há o que contestar. Mas vocês fazem essa manobra justamente por saber que analisada sob qualquer outro aspecto que não o jurídico essa ação da PM na USP foi a cagada do século, e principalmente no aspecto político os responsáveis vão pagar um preço alto.
(Gravz: Mas não há outro viés. A polícia entrou lá por ordem judicial. E com tudo que se fala da violência, se for ver, não há ninguém 'gravemente ferido'. Trazem imagens assim e assado, mas diante do tamanho da ação, convenhamos, foi algo taticamente complicado. Qualquer outra análise, a não ser jurídica, é comprometida. Nos tempos da Ditadura, aí sim, não havia ordem judicial alguma, era na base da porrada. Hoje, não. Hoje há mecanismos democráticos. Para ambas as partes. A reitoria não convoca a polícia por seu livre arbítrio, é preciso mediação do Poder Judiciário. E o Sintusp, caso queira, pode recorrer. É assim que funciona. A essa altura, espero, você já deve ter visto o vídeo da minoria-das-minorias, falando sobre a destruição dos estados democráticos etc. Nâo são, portanto, pessoas muito afeitas ao respeito às leis e e às instituições. Vejam o que fazem quando o senhor de origem judaica tenta falar)
Ele tem sim responsabilidade sobre a atuação da polícia, cuja hierarquia de comando chega à figura do governador.
Mal comparando, é como responsabilizar o pai pelo fato do filho menor de idade ter dirigido embriagado e atropelado alguém. Obviamente essa responsabilidade não quer dizer que o pai teria dito ao filho: "Vá lá encha a cara e passe por cima das pessoas".
Não, claro que o Serra não disse: "Senta a pua nos arruaceiros". Assim como certamente Lula não disse: "Metam a bala nos favelados haitianos".
A responsabilidade é da linha: "veja seu filho, o que ele anda aprontando, você tem faltado com sua obrigação de pai de dar lhe boa orientação".
[]s,
Roberto Takata
"E com tudo que se fala da violência, se for ver, não há ninguém 'gravemente ferido'." - com tudo o que se fala de tortura em Guantánamo não houve tampouco ninguém gravemente ferido. O número de feridos graves é uma das medidas de violência física em um conflito, mas não a única.
[]s,
Roberto Takata
(Gravz: Guantánamo, USP. Você está certo, Takata. Quando falamos em Direitos Humanos, não há fronteiras, daí a comparação com diversos quadros. E, também por isso, acatei sua susgestão sobre o Haiti. É uma comparação que merece análise mais detida. Farei futuramente)