RELATO DE UMA JORNALISTA PRESENTE NA USP - E UM VÍDEO ESCLARECEDOR
10/06/2009
RELATO DE UMA JORNALISTA PRESENTE NA USP - E UM VÍDEO ESCLARECEDOR
Recebi, há pouco, email de uma jornalista que estava ontem na USP (ela também é blogueira e, por razões pessoais e profissionais, pediu sigilo - mais do que ninguém, eu a entendo; e a atendo). Leiam:
"Meu caro,
Acabei de ler seu post - e me deu vontade de desabafar, por isso to te escrevendo.
O debate sobre autonomia não está em questão, porque foi a reitora quem chamou a polícia. E a polícia não invadiu nem ocupou o campus, como eles colocam - ela ficou de prontidão na porta do prédio que estava bloqueado - e não estou aqui nem defendendo essa presença
Há alguns anos eu cubro educação - e há alguns anos todo mês de maio, quando rola as negociações do dissídio salarial, tem paralisações, fechamento do portão e alguma confusão envolvendo os sindicatos e a FFLCH - que é a única que realmente adere a essas paralisações - o que aí abre margem pra outras leituras do porquê da falta de envolvimento de todas as outras unidades com essas reivindicações.Na invasão de 2007 fui para lá todos os dias, até que o último dia, quando os alunos jogaram água nos jornalistas. Ontem, também estava ali e vi tudo começar.
A questão é que há um anacronismo gigantesco em uma parte desses alunos, que chega a ingenuidade. Tem tanta coisa errada na usp e tantos motivos que valeriam a pena protestar - como a forma de escolha do reitor, por exemplo. E eles ignoram tudo isso. É triste de ver, e é impossível debater, até porque qualquer questionamento é visto como crítica - e logo você é da burguesia comprada pelo governo.
Enfim, isso dá um livro.Ah, só pra complementar. Uma cena patética que aconteceu ontem:
Lá pelas 16h30, quando o protesto na rua alvarenga, ali no portão da usp, estava acabando, os caras do carro de som, que conduziam a manifestação, decidiram colocar em votação duas possibilidades: voltar para reitoria (vontade dos funcionários que queriam pegar o ônibus para voltar para suas cidades, muitos eram da unicamp e da unesp) ou fazer uma passeata pela Vital Brasil, a rua ali do lado (defendida pelo representante do DCE que estava no carro de som e por alguns alunos).
Os caras votaram quatro vezes. Em todas, deu uma grande maioria querendo voltar pra reitoria. Era visível. Tinha dez por cento das pessoas querendo a passeata. Mas, a cada votação, o cara do carro de som dizia: "Gente, não tá dando contraste, não tá dando pra ver direito". Depois de quatro dessas, o cara me solta: "Ó, vou tentar um outro método porque desse jeito tá difícil ver a vontade da maioria".
Nessa hora, os funcionários ficaram putos - e alguns alunos também. Vaiaram o cara, e saíram andando em direção à reitoria, xingando. Quem ficou, se sentiu traído pelo movimento. E também perdido, e mais revoltado ainda.
Foi o estopim pra cercarem os policiais e a polícia vir da maneira como vem sempre, pra cima de todo mundo" (grifos nossos)
Taí.
Vídeo: Pacifistas x PM
Nas imagens abaixo, vemos estudantes munidos de flores e cantando músicas de paz junto a policiais. Reparem:
Como os policiais saem dessa? Teletransporte? Duplo mortal carpado? Pedem licença educadamente? Enfim, nem tudo é como contam aqui e ali... E se um deles OUSA levantar a mão, pronto!, começa a gritaria. Dizem que houve abuso, violência etc. Não, não levantaram nada. Ouviram calados, como vocês estão vendo.
A multidão grita, grita, provoca, sei lá se faz mais alguma coisa, e os quatro policiais permanecem quietos. É a "tática do zagueiro argentino", que chuta a canela do atacante durante o jogo inteiro, mas se passa por um mísero jogo de corpo cai no chão e começa a gritar pedindo cartão vermelho, roxo, negro etc.
Só falta dizerem que se trata de uma montagem.
transubstanciado por gravata às 10.06.09 - 21:02:30 | 38 comentários
Comentários, Pingbacks:
Outra pérola é a de dizer que a Reitora foi indicada pelo Serra, quando na verdade foi indicada pelo Alkmin. Cabe lembrar que na época da eleição dessa sra. muito se falou de pressões dentro do PSDB para indicar o segundo da lista e que essa sra. teve o apoio do sindicato dos docentes e dos representantes do alunos no Conselho Universitário. Um desses alunos chegou a me dizer que optaram pelo candidato mais fraco e sujeito a ceder sob pressão das "vozes das ruas"...
Mas ainda acho que o pior de todo é ouvir nos carros de som e nas rodinhas de manifestantes esses papos cabeça dos que alcançaram a consciência do social antes mesmo de terem consciência de si mesmo. Um verdadeiro show de todas as frases de efeito desde as das Teses sobre Feuerbach até os anos 60. As únicas novidades são a troca de alguns adjetivos por neoliberal, tucano...
Abs!
Ó Sintusp é um câncer cutista dentro da USP.
Passou da hora de ser removido.
Eles querem a reintegração do funcionario demitido e usam a greve para atacar o governador, seguindo instruções dos seus partidecos. As questões salariais ja foram negociadas, mas eles ficam criando empecilhos para provocar mais tumulto, na esperança que aconteça alguma desgraça.
A proposito: A maioria das faculdades funcionam normalmente. Apenas o predio de historia e geografia foi depredado pelos alunos do centro academico. O predio de sociologia foi ocupado e pixado, mas eles tiveram o bom senso de não depredar o patrimonio publico.
(Gravz: Entendo que você não queira se identificar, pode rolar perseguição etc. Mas sem identificação acabam pensando que eu invento tudo isso)
Passei 10 anos na USP e durante cada minuto odiei o tal movimento estudantil. O que a reporter relata no email é totalmente plausível, acredito em tudo e ainda acho que eles seriam capazes de serem ainda mais canalhas.
Mas me pergunto: isso justifica mandar a tropa de choque pra cima deles???? Ok, a PM era obrigada a cumprir a ordem judicial, mas ptecisava ser atraves do Choque???? O Serra, comandante da PM, não poderia, sem atravessar a autonomia da USP nem o judiciário, ter dito "rapazes, não detonem os prédios que vcs deveriam resguardar nem batam nas pessoas, pois isso queima nosso filme e valida um movimento estudantil corrupto e incompetente que não mereceria atenção".
Mandar o choque lá não adiantou nada: o tal patrimônio público, que levaria chutes dos manifestantes, levou bombas; quem não conseguia ir trabalhar por causa do piquete continuou sem conseguir porque o prédio tava sendo bombardeado; essa ridícula parcela do movimento estudantil ganhou muito maus apoio e cartaz do que jamais conseguiria sozinha.
Tudo isso, claro, sem citar o detalhe de que deveria ser inadmissível a polícia espancando manifestantes numa democracia.
Vc não tem vergonha de apoiar isso? Deveria.
(Gravz: Não estou "apoiando" nada, Daniel. Nem "desapoiando". Estou trazendo versões variadas, o que quase nenhum blog faz. Não sou a favor da violência, mas também não sou besta de achar que ela existe apenas de um lado. E a polícia, quando age de forma coercitiva, muitas vezes é porque precisa conter a violência que há de outro lado. Quando a PM contém a violência num estádio de futebol ela é aplaudida. Quando a contém numa universidade ela é contestada? Por que isso? Justamente a esquerda faz essa diferenciação elitista? Não entendo)
(Gravz: Daniel, não disse que VOCÊ aplaudiu. Disse que é aplaudida. E sempre é. Lembro, por exemplo, de quando a torcida corintiana tentou invadir o Pacaembu e poucos - e heróicos - soldados da Tropa de Choque os contiveram. Até que, claro, alguns invadiram mas também foram contidos. A ação foi aplaudida, foi um sucesso diante da grande ameaça. Não falei "o Daniel aplaudiu". Diante da CATÁSTROFE que poderia haver na USP, até mesmo essa violência havida poderia ser pior. E ISSO NÃO QUER DIZER QUE EU SEJA FAVORÁVEL. Mas isso significa, sim, que os estudantes são culpados por não atenderem à ordem judicial. Numa Democracia, há o direito à livre-manifestação. Mas ele existe ao mesmo tempo em que há a OBRIGAÇÃO ao cumprimento da ordem que passa a impedir tal manifesto mediante o devido processo. Essas etapas democráticas foram conquistadas a duras penas. Não se trata de uma ditadura. É esse o argumento. Não falo "contra você". Falo em favor dos fatos. Está claro assim? Não veja como algo ridículo, pois)
(Gravz: Será que o BOPE quer alguém assim?)
A forma com que associam o ocorrido a Serra, só demonstra o carater político destes baderneiros. Tenho medo do que ainda estar por vir em São Paulo.
Se formos buscar as raízes de tanta baderna e esculhambação em centros de ensino, e até mesmo no resto da sociedade, nas empresas, no serviço publico geral, veremos que tudo começou a muito tempo atras, quando um imenso poder monopolista político e financeiro foi dado aos sindicatos. Tão logo foram aparelhados por partidos de esquerda, se transformaram num braço de guerra, acionado principalmente nos periodos que antecedem eleições.
abraços.
Infelizmente, a USP tem um sistema de vida própria, tipo estufa, que reflete em todos os envolvidos do seu dia a dia de alguma forma.
O Sindicato dos funcionários eo DCE não evoluiram com a sociedade brasileira.
Quando eu digo evoluir, não digo pelegar, mas sim sintonizar sua agenda com uma estratêgia atual e eficaz.
O pessoal ainda age com visão revolucionária pré-abertura política.
Na minha passagem na usp, já vi desvio de dinheiro de tudo quanto é jeito, o incêndio na eca que continua sem se explicar à sociedade e outras coisas.
O que resta é uma polarização infantil entre certo e errado que não ajuda nada.
Não concordo com o conflito de nenhum dos lados, violência tb não, mas o sintusp e o movimento estudantil precisam crescer e parar com politiquinha.
(E antecipo: reacionário é teu passado)
Tampouco vi jogarem bomba nos policiais. Ou pedras.
[]s,
Roberto Takata
(Gravz: Roberto, o vídeo é um registro de pequenos instantes. Claro que dá pra se ver alguém com uma flor. E há, sim, ameaças. Não no que se diz expressamente, mas na ÓBVIA PRESENÇA FÍSICA MACIÇA IMPEDINDO A SAÍA DOS POLICIAIS)
Pior que você verá um estudante com flor. Ali, por volta de 38 segundos, tem um cara com o braço esticado para cima segurando uma. É ele quem está mantendo uma distância mínima da turba em relação aos PMs.
[]s,
Roberto Takata
(Gravz: Em todos os outros segundos, se você reparar bem, há vários estudantes impedindo a saída dos policiais)
http://neveraskedquestions.blogspot.com/2009/06/pm-na-usp-2009-2.html
----
[]s,
Roberto Takata
(Gravz: Mas não duvido que tenha um com flor. De repente, tem outro com um violino e mais um recitando um poema. No meu blog, pus um vídeo com vários gritando e impedindo a saída dos policiais. Pra seu conforto, o vídeo está logo acima)
(Gravz: Com a soninha? É, de fato é culpa dela, mesmo. Ou do Dr. Góri. E não é uma pessoa que passa e "grita" com a PM. São VÁRIAS PESSOAS CERCANDO A PM, na verdade, quatro soldados da PM. Que - repare - não fazem nada. Não apenas cercam, mas evitam que saiam do cerco. E isso num quadro de tensão máxima. Dizer que apenas falam "fora PM", convenhamos, é forçar a barra diante de evidência explícita)
Trata-se do mês que os funcionários discutem seus reajsutes de salário com a universidade.
Aí o Sintusp mais um grupo de estudantes militantes de PCdo B, PSOL, PSTU, PCO e outras aberrações, aproveitam para fazer luta partidária contra o governo. A meia dúzia de sempre.
Na greve de 2007 (aquela da ocupação da reitoria) houve até uma pauta mais ampla, sobre a questão da autonomia, etc. Mas tudo se esvaiu como vento assim que o reajuste salarial foi aprovado.
Na fefeleche torna-se impossível estudar nestes tempos: os estudantes "aparelhados" pelo sindicato e as agremiações partidárias-revolucionárias citadas fazem barricadas com mesas e cadeiras nas portas das salas, e colocam vigilantes que ameaçam e constrangem quem tenta exercer qualquer tipo de atividade acadêmica, sejam estudantes ou professores.
E claramente posso te dizer que é um movimento falido. Não tem representatividade alguma dentro do corpo estudantil, carrega bandeiras anacrônicas (no fundo é um bando de moleques que sonham em representar o papel do "revolucionário perseguido pela ditadura do capital") e é totalmente partidário.
Dentro de suas estruturas só tem gente do PSOL, PCO, PC do B, PT etc. E parte desse pessoal, visando subir dentro do partido, pratica o jogo sujo.
(Gravz: Gisele, não me culpe. Traga o SEU relato, traga a SUA opinião. Por que não faz isso? Porque transforma a opinião que trouxe, e MAIS O VÍEO - na verdade, desse você não falou nada, né? - em peças de maquinário sofista? Não estou aqui para fazer o 'blog do imperativo categórico'. Apresente seus argumentos, traga seu relato. Você estava lá, você viu o que houve, você conhece o histórico do sindicato, sabe quem são as pessoas ou o que querem? Sabe o que se deve fazer quando, no Estado Democrático de Direito, há uma ordem judicial? Vamos conduzir a discussão nesses termos, é bem melhor do que rebaixar tudo)
O problema é que o governador Serra que é o chefe da dona Suely e da PM não sabe ou faz de conta que não sabe disso!
PM invadir uma universidade é o pretexto que faltava para a minoria convencer a maioria de que tem razão, mesmo não tendo !
O pessoal deve estar comemorando a falta de capacidade de lidar com essas dificuldades demonstrada pela dona Suely e o governador Serra, lembram da PM brigando com a Policia Civil ?
Um movimento de de meia-duzia de gatos pingados barulhentos e arruaceiros por inépcia de Serra e da dona Suely pode vir a alcançar cada vez mais gente dentro da USP é uma das manchetes internas da FOLHA de hoje!
Nunca se ouviu falar em tropa de choque na unesp ou unicamp, porque esses lugares tem reitores capazes de exercer as suas funções e resolver problemas pequenos e grandes sem truculência, mesmo engolindo sapos e desaforos da minoria de alunos grevistas como eu mesmo já presenciei.
E respondendo a pergunta do Gravataí membro do PPS quando diz: " Como os policiais saem dessa? Teletransporte? Duplo mortal carpado? Pedem licença educadamente?"
Policial sr. Gravatai do PPS não pode é ENTRAR NESSA simplesmente porque esse não é trabalho para policia e sim para governador, secret. da educação e reitores.
Se os reitores da UNESP e Unicamp conseguem resolver porque Serra e a dona Suely não podem ?
Só resta saber se o chefe dos policias - Serra e sua subordinada dona Suely - vão ser competentes o suficiente e deixar os Policiais DE FORA DESTA !
(Gravz: Paulo, seus comentários são divertidos, confesso)
(Gravz: Desculpa, Paulo, mas pode publicar o que quiser, de sua lavra, e me xingar à vontade. Mas não tem como 'terceirizar' os comentos atualmente. Desculpa mesmo. Abs)
Pô, eu entendo... Nada faz mais sentido.
Pesos? medidas? Dois de cada, por favor.
(Gravz: Não sabia disso. Mas também não posso obrigar ninguém a revelar identidade, concorda?)
Aqueles policiais levariam meses pagando por uma camera daquela. Mas poderiam a qualquer momento tomar um tiro em serviço, para proteger a vida de um daqueles elementos que nas imagens do video, aparecerem os expulsando como se fossem bichos.
http://tirasnacionais.blogspot.com/2009/06/negociacao-pra-que-cacetada-tiro-bomba.html
Percebo nitidamente que enquanto eles se legitimar como representantes dos alunos, eles procuram expulsar de suas discussões qualquer aluno que seja contrario a suas posições, além do que, nas greves, acabam servindo apenas como massa de manobra para o Sistusp conseguir seu tão sonhado aumento salarial.
A única coisa que me deixa feliz, nessa greve foi que os alunos da ECA e da FAU finalmente resolveram mostrar que seus CAs carecem de representatividade, e resolveram se manifestar contra seus órgãos de "representação"
Vai, conta pra nós, vc deve ter um alfaiate para fazer suas calças sob medida.
Tem que ter um s... arrastando no chão e paciência, muita paciência, para aguentar e, mais, responder aos comentários até já esperados da turma que defende o indefensável. Muitas vezes nem tangenciam o texto do post.
São muitos, mas não poderia ser diferente, um só não conseguiria ser tão estúpido sozinho, há que contar com a cooperação de outros. O mais divertido é quando eles vem defender o PT a cada escândalo dizendo que PSDB, DEM(PFL) faziam também assim e assado. Esquecem de qual era o discurso do partido. O PT é um ótimo partido.....na oposição.
Abraço.
A DOS POLICIAIS)"Isso é *muito* diferente de chutar canela. É bonito? Não. Mas não é violento.
Os estudantes mantêm uma distância.
Ainda estou aguardando o video da primeira pedra atirada.
[]s,
Roberto Takata
(Gravz: O "chute na canela" consiste exatamente nisso, Roberto. Não precisa ser um chute físico, mas sim essa série de agressões verbais com o impedimento de que os policiais saiam. Nesse caso, repare, nenhum policial agrediu aluno algum. Ficou nisso. Quanto à "primeira pedra atirada", os fatos são outros. Há uma determinação judicial e um grupo IMPEDE o cumprimento dessa ordem. É essa a análise. E não é exclusiva minha, mas também de Dalmo Dallari. Discuta com ele)
Bem, o vídeo faltou (mas deve ter sido registrado), o que aconteceram nos momentos seguintes, não?
Bom, escapando de generalizações e partidarismos.
Realmente, na USP, é histórica a radicalização dos movimentos grevistas, especialmente de funcionários, e muito cansativa, pois a tempos deixou de ter objetivos claros e negociáveis.
Faz muito tempo que a minoria barulhenta sempre tomou para si, a determinação da decisão de direito de greve e a pauta reivindicatória, por vezes, beirando o ridículo.
Muito até por parte da "omissão" e desarticulação, da dita maioria silenciosa, já que a mobilização dos "barulhentos" conta com o cansativo partidarismo.
A novidade é a radicalização da administração.
Que a polícia anda, e muito, despreparada, isso é fato.
Quantas e quantas vezes houveram pelotões que se comportavam de maneira exemplar, simplesmente permanecendo impávidos frente à compreensíveis provocações?
Ora, em estádio de futebol, eles são alvo de COPOS DE URINA, e NEM por isso eles descem o sarrafo indiscriminadamente, ou isso serve de "desculpa" como estopim.
Faltam líderes? Falta treinamento? Falta salário?
Não justifica, nem com os fatos relatados, nem muito menos, com o papel que eles deveriam ter desempenhado - e isto, eu sei, todos eles aprendem durante o treinamento.
Só a presença deles (e preparo fisico) já é intimidatória.
Só seus escudos e armamento já servem para neutralizar "provocações".
Isoladamente, este episódio não seria diretamente comprometedor para o Governador.
Porém, quando analisamos e lembramos do que aconteceu durante a greve da Policia Civil, Paraisopolis, é nesse ponto que é contundente a responsabilizabilidade do governador.
Sim, a alguns anos, houveram agressões injustificáveis (durante piquetes e greves) contra o Governador Mario Covas. É dessa época o argumento que não passariam de "petistas".
Mas a pessoa que ocupa o cargo eleito de governador, não governa para os seus eleitores, mas sim para todos os habitantes do seu estado, até mesmo para seus opositores.
E abrir espaço para negociação jamais diminuiria sua envergadura como líder, muito pelo contrário.
Infelizmente, o que não paramos de assistir é nosso governador (no qual, inclusive eu votei), aparecendo "em bons momentos", MAS se escondendo em episódios "difíceis", como este, ou até em tragédias onde seria ainda mais importante sua explicação como o do "buraco do metrô", o caso "Alston", ou mais importante ainda na minha opinião, na BRUTAL queda de qualidade do ensino público, básico e médio, do estado "mais desenvolvido da nação" - não estou o condenando, mas sua ausencia é preocupante e vexatória, e pior, é uma tendencia perigosamente crescente.
(Gravz: Votei no Lula e fico profundamente decepcionado com o MASSACRE DE CENTENAS DE HAITIANOS. Mas o que são vidas de pessoas do haiti perto do portão da USP, né? Bom, pra mim são importantes. E para você? Serra não tem NADA a ver com o cumprimento de uma ordem judicial. Lula tem TUDO a ver com o Exército Brasileiro. Leia a entrevista de Dalmo Dallari, simpatizante do PT, usado pelo partido sempre que possível. Abs)
(Gravz: E que justificativa você dá para a desobediência a uma ordem judicial, Raimundo?)
Sabe qdo sua mãe dizia pra não agredir ninguém, senão vc perdia a discussão? É simples assim.
(Gravz: Por isso eu pergunto, sempre pergunto: o que justifica a não obediência à ordem judicial?)
O comandante da operação na USP Cláudio Lobo declarou para a rede Globo, este video já esta na internet.
“Existe uma ordem pra prender alguns líderes que estão incitando esta greve. A juíza expediu uma ordem de reintegração de posse e liberdade de ir e vir. Eles não estão acatando.”
Como assim ordem de prisão?
A ordem de reintegração de posse tem natureza civil e, portanto, jamais ordenaria a prisão de quem quer que seja. A juíza cível, aliás, é incompetente para ordenar prisões, salvo no caso de pensão alimentícia.
Então havia duas ordens: uma da juíza (de reintegração de posse) e outra de prisão. O comandante não deixa claro quem deu a ordem de prisão e a repórter lamentavelmente perde a oportunidade de fazer a pergunta-chave: de quem foi a ordem de prisão, comandante?
Como até o momento ninguém noticiou a existência de uma ordem de prisão por parte de um juiz criminal e não há nada na lei que a justificaria, somos obrigados a concluir que esta ordem partiu dos superiores hierárquicos do comandante.
É claro que nenhum coronel da polícia militar em sã consciência daria uma ordem desta repercussão sem consultar antes o Secretário de Segurança, que por sua vez certamente consultaria o Governador do Estado.
É bom lembrar que uma eventual ordem de prisão dada por quem quer que seja na polícia ou no governo do estado para prender líderes de uma manifestação política é absolutamente ilegal, pois a Constitução da República garante em seu art.5º, LVII, que:
“ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei.”
Como não havia ordem judiciária, pois juiz cível não é competente para expedir mandado de prisão, e não se tratava de flagrante delito, pois a greve é direito garantido constitucionalmente, logo, é preciso investigar:
1. quem deu a tal ordem de prisão dos líderes da greve?
2. qual o fundamento jurídico da tal ordem de prisão?
3. a legalidade desta ordem de prisão.
Vamos aguardar as cenas do próximo capítulo e a atuação dos “jornalistas investigativos” e do Ministério Público do Estado de São Paulo na apuração dos fatos.
(Gravz: Esse texto é do Tulio Vianna, não? Precisa dar o crédito, Raimundo! Comentei no blog dele:
Qualquer “do povo” pode decretar prisão em flagrante delito. O juiz civil, no uso de suas atribuições,pode prender o depositário infiel– e não apenas o cônjuge que não paga pensão alimentícia.
Fora isso, o artigo 330 do Código Penal versa sobre o crime de “ Desobediência”. Há um artigo interessantíssimo:
http://www.conjur.com.br/2004-out-15/desobediencia_ordem_judicial_punida_prisao
Nele, o autor – advogado – explica claramente que o não cumprimento da ordem acarreta em prisão automática por flagrante delito.
O juiz da vara cível expede uma ordem; a parte não cumpre; a força policial tem poderes bastantes para prender, sim (crime de “desobediência” – o artigo é bem ilustrativo quanto a isso).
Cito trecho: “É natural que os juízes cíveis cujas ordens são sumariamente desobedecidas não conduzam os processos criminais dali decorrentes por serem absolutamente incompetentes em razão da matéria. Porém, é de rigor e amplamente legal a possibilidade de que esses mesmos juízes venham a decretar a prisão dos desobedientes quando em flagrante delito, pelo mencionado crime previsto no artigo 330 do Código Penal.”
A “ordem” que eles seguiam é a da Lei. A repórter talvez não tenha perguntado porque se trata de situação auto-explicativa.
Abs
Enfim, é isso)
Mas, só para lembrar do que estava em questão, é sobre o evento em São Paulo, na Cidade Universitária.
Bom, sobre a questão da ordem judicial: Quantas vezes voce já viu a ordem judicial chegar antes da PM, eventualmente dias até?
Sobre a "reação" da PM, então TODA partida de futebol terminaria em pancadaria, já que inevitavelmente, uma massa de torcedores vai se aproximar dos policiais, e essa presença "intimidatoria" OBRIGA os policiais a reagir com força.
Assim como também, SEMPRE vai ter bombas de efeito moral, pois já que foram provocados, eles só podem agir com FORÇA TOTAL.
Não vinculo o governador ao episódio diretamente.
Mas é inevitável observar o despreparo e desproporção da reação dos policiais. E quanto a isso, duvido que voce discorde.