Arquivos para: Junho 2009
30/06/2009
NANI: SIN PERDER LA TERNURA JAMÁS!

Peguei de lá.
transubstanciado por gravata às 30.06.09 - 16:34:11 | Alguém?
30/06/2009
CAMPANHA "ATITUDE CONTRA A AIDS"
Recebi email referente a uma campanha do Ministério da Saúde, cujo nome está no título da postagem, e me comprometi a divulgá-la. O texto vai a seguir, acompanhado de alguns dados extremamente sérios:
O principal objetivo desta campanha e de sua divulgação na internet é alertar a população sobre um aumento considerável no número de relações sexuais eventuais, e uma queda no número de pessoas que usam preservativos, o que deixa as pessoas mais expostas às DSTs, principalmente à Aids.
Também é importante alertar para o perigo mesmo em relações estáveis, devido ao baixo número de pessoas que utilizam preservativo ao manterem relações com outras pessoas que não seus parceiros.
- Estima-se que 630 mil pessoas vivem com HIV no país. Destas, 255 mil têm o vírus e não sabem porque nunca fizeram o teste.
- A pesquisa de Atitudes e Práticas da População Brasileira mostra que há um aumento de números de parceiros nas relações casuais em relação aos últimos quatro anos.
- A mesma pesquisa mostra que há uma queda no uso do preservativo nestas relações.
- Somente 51% dos homens e 35,6% das mulheres usou camisinha em TODAS as relações sexuais nos últimos doze meses com parceiros CASUAIS
- Entre a população na faixa etária de 50 a 54 anos, somente 32 dos brasileiros utilizaram camisinha em todas as relações com parceiros casuais no último ano.
Obviamente, minha participação é voluntária, gratuita e suprapartidária. Recomendo a todos que divulguem a campanha. A imagem de divulgação é o símbolo já clássico do lacinho vermelho. Participem! Maiores informações por aqui.
E, claro, não deixem de seguir as recomendações... ;)
transubstanciado por gravata às 30.06.09 - 14:59:59 | 1 comentário
29/06/2009
PEDRO DÓRIA: O GOLPE EM HONDURAS
Tenho acompanhado o assunto de poucas fontes 100% confiáveis, mas do pouco que vi parece óbvio que houve golpe. Não é uma questão que me pareça tão discutível. Sim, houve golpe (ou "contragolpe", como querem chamar os apoiadores do quanto havido por lá). Mas, independentemente da nomenclatura, não foi algo democrático.
Recomendo a análise de Pedro Dória.
Faço um adendo: Pedro fala de Honduras, atestando o Golpe, e também falou do Irã, defendendo o povo. Isso é algo saudável nos dias de hoje. Muita gente se omitiu diante das perseguições, assassinatos e todos aqueles atos violentos promovidos pelo governo iraniano. Um silêncio vergonhoso por parte da tal blogosfera brasileira engajada.
Mas agora, quando se trata de um golpe (sim, foi golpe) promovido contra um companheiro bolivariano, as trombetas vermelhinhas não param de alardear a ameaça à democracia.
Isso é feio. Mais feio do que risível.
Democracia é democracia em qualquer lugar. A vida humana é vida humana em qualquer lugar. Seja em Honduras ou no Irã. Ou no Haiti. É sobre isso que venho falando há algum tempo. Por isso, recomendo mais do que nunca a leitura do blog de Pedro Dória.
transubstanciado por gravata às 29.06.09 - 22:45:37 | 31 comentários
29/06/2009
ISTO É: BRASIL FEZ ACORDO "SECRETO" COM IRÃ
Deu na IstoÉ, em reportagem de Claudio Dantas Sequeira, trecho abaixo:
"O acordo secreto do Brasil com o Irã - Itamaraty ajuda Ahmadinejad a burlar as sanções impostas pelos Estados Unidos e pelo Conselho de Segurança da ONU - No dia 2 de abril, em Londres, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apertava a mão de Barack Obama, prometia US$ 10 bilhões ao FMI e ouvia que ele "é o cara", sob os holofotes da mídia internacional, a diplomacia brasileira negociava em Brasília uma forma de ajudar o governo de Mahmoud Ahmadinejad a burlar as sanções americanas contra o regime iraniano. As linhas mestras de um acordo entre Brasil e Irã, que seria assinado durante a visita de Ahmadinejad em maio que acabou adiada, foram delineadas uma semana antes num encontro a portas fechadas no Itamaraty, no dia 25 de março. ISTOÉ obteve a ata da reunião em que o chanceler Celso Amorim e seu colega iraniano Manoucherch Mottaki, acompanhados de assessores, protagonizaram uma cena capaz de abalar as relações entre o Brasil e os Estados Unidos. À revelia das sanções dos EUA e das advertências do Conselho de Segurança da ONU, contrário às transações com instituições financeiras iranianas, Amorim e Mottaki firmaram os termos de uma ampla cooperação entre os sistemas bancários brasileiro e iraniano. O que deixou o ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia de cabelos em pé: "Não se pode ignorar uma recomendação do Conselho de Segurança da ONU. Essa negociação com o Irã é como uma pescaria em águas turvas."
O Itamaraty, no entanto, não está nem aí. E em sua ênfase atual nas boas relações com o mundo árabe abriu negociações com o Export Development Bank of Iran (EDBI), que entrou para a "black list" (lista negra) do Departamento do Tesouro americano no final de 2008, ao lado de suas subsidiárias, a corretora EDBI Stock Brokerage Company, a empresa de câmbio EDBI Exchange Company, sediadas em Teerã, e o Banco Internacional de Desarollo, com sede em Caracas, na Venezuela. Além de congelar os ativos dessas empresas em território dos EUA, as sanções proíbem cidadãos americanos de negociar com elas. Não se aplicam, portanto, aos brasileiros. Mas, na opinião de diplomatas e especialistas ouvidos por ISTOÉ, ao furar a barreira o Brasil põe em xeque a política externa dos Estados Unidos.
Amorim tem defendido abertamente a equidistância e o pragmatismo nas relações internacionais. Mas o fato de o Itamaraty ter mantido silêncio sobre as negociações com o Irã não corresponde ao histórico da diplomacia brasileira, que normalmente trombeteia qualquer acordo ou negócio com outros países.
"Esse gesto vai levantar agora muitas suspeitas. Por que o Brasil está fazendo isso?", questiona o analista iraniano Meir Javedanfar, autor de um livro sobre o governo Ahmadinejad e especialista no programa nuclear de seu país. Javedanfar prevê mais tensões na relação do governo Lula com Israel, que protestou contra a visita de Ahmadinejad, e também atritos com o Departamento de Estado americano. Para o exchanceler Lampreia, a diplomacia brasileira se arrisca desnecessariamente. "Agora, que se tornou público, o acordo certamente vai incomodar", diz ele. E vai mesmo, especialmente quando autoridades econômicas e diplomáticas americanas conhecerem o conteúdo das medidas negociadas entre o Itamaraty e o EBDI. O acordo prevê mecanismos financeiros para facilitar a exportação e a importação de bens e serviços, incluindo operações de reexportação para terceiros países (o que permite ao Irã escapar do embargo por uma triangulação comercial), a criação de joint ventures, a abertura de bancos iranianos no Brasil e a assinatura de um acordo entre os bancos centrais para troca de informações sobre o sistema financeiro.
No documento bilateral, as autoridades também falam da "necessidade de buscar meios para superar os principais obstáculos" que impedem os negócios entre os dois países. Na prática, significa ajudar Teerã a obter crédito e garantias bancárias para investimento, que escassearam nos bancos europeus e americanos com a imposição das sanções. Aos olhos dos serviços de inteligência, por exemplo, as iniciativas de cooperação não passam de artimanhas para ajudar o Irã a contornar as sanções e avançar no seu programa nuclear." (grifos nossos)
A reportagem traz ainda a imagem abaixo, corroborando o quanto alegado:

Pois é. Notícia péssima para os dias de hoje, não? Sim, eu sei, o Irã é uma nação soberana e, desse modo, o Brasil tem todo o direito de estabelecer negociações diplomáticas e/ou comerciais.
Mas alguém estava sabendo dessa? E por que, ao contrário do que sempre faz, o Itamaraty não alardeou a empreitada ou mesmo a expectativa de negócio?
E os termos são esses? Sim, eu sei, parece alarmista falar em "programa nuclear". Se tal acusação pesa contra o Brasil, eu mesmom dou risada. Mas falamos aqui do Irã, que sempre manifestou interesse quanto a isso.
Não precisamos desse tipo de problema. E justamente agora, quando aquele país vive um dos mais desagradáveis episódios de sua história.
***
Bem observado por DavidButter, no Twitter: o Irã não é um país "árabe". Pra quem não sabe, é "ariano" (esse é inclusive seu nome!). Quando se fala em boas relações com o mundo árabe, talvez seja no sentido de "mundo muçulmano"; como quando se coloca o Marrocos como país de "cultura oriental", embora esteja obviamente em posição geográfica ocidental (e a Alemanha, por exemplo, fique do lado de lá do Meridiano de Greenwich). Ainda assim, claro, um acordo com o Irã, ariano/islmâmico, não deixa de ser um sinal positivo para os países árabes.
transubstanciado por gravata às 29.06.09 - 13:32:57 | 9 comentários
28/06/2009
SELEÇÃO E AS DIVINDADES DO FUTEBOL
Sou cético, menos com futebol. Não acredito em deus, mas meus maiores questionamentos sobre ser agnóstico ou ateu ocorrem durante pelejas do bom e velho esporte bretão. Porque, vocês sabem, com futebol não se brinca. Tudo ali é sério demais e inequivocamente passa por santos, deuses, vibrações, cristais, pirâmides, orixás, forças elementares e uma porção de ziqueziras e saravás.
Daí minha preocupação diante da vitória de hoje.
Claro que comemorei. Gritei no primeiro, exagerei no segundo e quase perdi a voz quando Lúcio enfiou a cabeça e fez a bola explodir no gol norte-americano. Uma maravilha. Não há elegância alguma na torcida futebolística. Eis aí outra peculiaridade do ludopédio.
Tudo ia bem até que o locutor começou a enaltecer o técnico. Sim, Dunga. Nada contra: foi xingado, quase ofendido. Vá lá, receba os elogios. Mas do "parabéns" a coisa passou para "eis o fim de uma era". E então frases como "ele é o cara" e "agora é Dunga" vinham como se não significassem nada.
Mas significam.
Os deuses do futebol ouvem esse tipo de coisa muito atentamente. Como ouviram - podem apostar - a música "Voa, Canarinho, Voa", em 1982. Ou vocês ainda põem a culpa em Paolo Rossi ou naquela atrasada de bola do Cerezo? Em 1986, por exemplo, o lema era "70 neles", evocando uma seleção sagrada, comparando-a ao time com Müller, o goleiro Carlos e um Zico que já não era exatamente o Pelé do estádio Guadalajara. Deu no que deu.
Enfim, não se brinca com as entidades divinas do futebol, mas mesmo assim os narradores insistiam em passar dos elogios à grandiloqüência absolutamente desnecessária, já alçando Dunga à condição de um Kasparov da tática futebolística. Isso, é claro, diz menos sobre os méritos do técnico e mais sobre a culpa dos cronistas que o detonaram até agora.
Sou contra a execração dos treinadores e não acho que o torcedor tenha esse direito, pra começo de conversa. Mas também não apóio a tecelagem de loas em escala industrial. Felipão, quem não se lembra?, chegou ao Japão totalmente desacreditado, levando algumas broncas por não convocar Romário. Zagallo chegou à França praticamente com a taça na mão, chamado de mestre e a coisa toda. Vocês conhecem o final das duas histórias.
Enfim, é isso.
E como religião não é ciência exata, não me peçam para explicar o que houve em 1994. Há teólogos da bola que ainda estudam o caso. Os poucos que arriscam alguma conclusão alegam o seguinte: o técnico também chegou desacreditado e ganhou. Ponto. Mas a parte curiosa é o fato de que, mesmo vitorioso, continuou sem respeito algum como treinador - e ainda teve a chance de voltar para ter esse "desrespeito" reiterado.
Por isso, vamos aplaudir o trabalho do Dunga e pronto. Não passemos disso. Se começarem a fazer musiquinha, aquela coisa toda, tratemos de nos prepara ao pior. Não acredito em deus, mas com futebol não gosto de brincar. A coisa é séria.
transubstanciado por gravata às 28.06.09 - 20:17:14 | 10 comentários
27/06/2009
MICHAEL JACKSON: UM OUTRO OLHAR
A idéia de que vaso ruim não quebra não é equivocada, mas uma leitura mais atenta notará outra coisa: após quebrar, todos os vasos são imediatamente considerados ótimos. Foi o que houve com Michael Jackson.
Longe de mim aplaudir sua morte, mas também mantenho distância dessa salva de palmas absolutamente acrítica quanto à sua obra. Na eqüidistância (epa!), vejo o que sempre acontece quando falecem figuras polêmicas, justamente aquelas cujas trajetórias misturam obras maravilhosas e episódios pra lá de lamentáveis.
A virtude fagocita o vício.
Jornais fazem isso porque é um negócio: o enaltecimento de cadáveres é algo que "vende bem". E as pessoas, bom, são os urubus de sempre. Mas há que se fazer uma leitura menos superficial para compreender o fenômeno. O jogo-de-empurra é por demais rastaqüera.
Qual, afinal de contas, é esse encantamento acerca da morte? Ou, mais além, que motivo faz com que o povo atenue, perdoe ou anistie as pessoas após seu 'passamento'? Por que a canonização imediata, a transformação de homens em mitos, de mortais execráveis em heróis infalíveis?
Arrisco: medo e projeção.
Temos um medo danado de morrer e, bom, sabemos que mais adiante, cedo ou tarde, seremos nós ali naquele caixão, numa parada cardíaca ou num acidente da carro; na bala perdida ou na tragédia de avião.
Além disso, também cometemos os nossos pecados e não queremos jamais ser lembrados por eles. Porque, seja por mérito ou por arrogância, também acreditamos ter nossas conquistas; e queremos que nossos familiares (limitando-nos ao nosso universo) nos lembrem por elas.
Não acho que seja algo errado. Mas também penso nas famílias das crianças - vítimas ou não? - daquelas acusações de pedofilia. Há quem brade em favor da supremacia da arte, da música, da genialidade. Ok, é uma visão. Mas até que ponto aquelas crianças, sendo verdade o que alegavam, concordariam com isso? E há histórias tristíssimas do próprio Michael, de quando menino, sobre a mesma temática.
Mas, a essa altura, tudo isso pouco importa. Foi-se o homem - e que descanse em paz -, ficou a obra, o legado artístico. E, no espetáculo de despedida, que envolve muito mais um realismo comercial do que uma legítima comoção humana, não sobra tempo para pormenores que prejudiquem as vendas.
A reconstrução do mito (travestida de ressurreição) se sobressai.
transubstanciado por gravata às 27.06.09 - 15:12:07 | 31 comentários
26/06/2009
SARNEY, VÍTIMA DA MÍDIA (!?)
Cedo ou tarde, ele usaria essa desculpa. Venceu quem apostou na primeira opção: foi "cedo". Em reportagem da Folha Online (Adriano Falcão), Sarney dispara: é "campanha midiática". E ponto final.
Breve trecho:
"Sarney diz que há "campanha midiática" contra sua permanência no comando do Senado - Em nota divulgada nesta quinta-feira, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirmou que existe uma "campanha midiática" contra sua permanência no comando da Casa. Sarney afirma que seu neto José Adriano Sarney tem qualificação profissional para intermediar empréstimos consignados entre instituições bancárias e servidores do Senado. "As explicações do meu neto, pessoa extremamente qualificada com mestrado na Sorbonne e doutorado em Havard, são suficientes para mostrar a verdadeira face de uma campanha midiática para atingir-me na qual não excluo a minha posição política, nunca ocultada, de apoio ao presidente Lula e seu governo", disse." (grifos nossos)
O que dizer da "tática"? Nada! Por incrível que pareça, essa cantilena encontra diversos adeptos. E tudo por conta deste sistema: a) ignorar a veracidade dos fatos; b) ter raiva de veículos e/ou articulistas; e c) precisar defendê-lo por razões político-partidárias.
Cabe explicar os tópicos do tal "sistema", um a um, para demonstrar seu sucesso 'no todo'. Vejam:
a) ignorar a veracidade dos fatos
Notem que os 'neosarneyzistas' em momento algum discutem se os fatos são verdadeiros. Isso porque as provas cabais desmontariam uma discussão séria e os poriam em situação vexatória. A idéia, portanto, é atacar "a mídia", esse ente abstrato que, num só tempo, é tudo e nada. É um inimigo invisível e intangível, que a todos controla etc. etc. etc. Basta uma análise simplória para derrubar a bobagem: a mídia não cria fato algum, apenas divulga (e, com relação a Sarney, é assim com qualquer governo - até quando ele próprio era Presidente!). Apelar à mídia, agora, atropelando a análise da veracidade dos fatos é ridículo. Mas, incrivelmente, funciona com a turma mais "engajada";b) ter raiva de veículos e/ou articulistas
É aí que se conquista mais gente! A "raiva" de determinadas publicações ou articulistas. Isso faz com que a notícia perca força. Sim, eu sei, é bizarro. Mas talvez por sermos latinos, vá lá, temos o hábito de "matar o mensageiro". Aquela coisa de "ah, foi fulano que disse? Então não acredito" ou "saiu em tal revista? Nem vou ler". E pronto. Ao culpar "a mídia", Sarney faz embaixadinha pra essa galera. E funciona.c) precisar defendê-lo por razões político-partidárias
No fim de sua declaração, Sarney não deixa barato e tasca na veia: "uma campanha midiática para atingir-me na qual não excluo a minha posição política, nunca ocultada, de apoio ao presidente Lula e seu governo". É, antes de tudo, uma declaração covarde. Pretende atrair para si a militância petista que, sabe-se lá por quê, engole a isca. Não, ninguém ataca Sarney porque ele "apóia" Lula. Atacam porque TODO SANTO DIA APARECE UMA COISA NOVA. E, se alguém diz que eram coisas antigas, resta uma única pergunta: por que cargas d'água vocês não noticiaram antes? Eu, por exemplo, não sabia dessa parentada toda contratada em tudo que é cargo.
No mais, e por razões que estão acima do bem e do mal da obviedade, é de escandaloso ridículo José Sarney posando de vítima. Mas há quem o apóie ou se recuse a atacá-lo.
***
De certa forma, fico relativamente feliz ao ver que, hoje, muitos destes são os me xingam. Saber que os eventuais 'amigos' do Sarney são nossos inimigos, acreditem, é uma coisa razoavelmente boa: indica que estamos no caminho certo.
Há o "diga-me com quem andas", mas não devemos nos esquecer daqueles com quem não andamos; afinal, eles também dão boa pista acerca de quem somos.
transubstanciado por gravata às 26.06.09 - 02:28:37 | 12 comentários
23/06/2009
ENTENDAM DE UMA VEZ O "CASO LUIS NASSIF"
Finalmente, tenho aqui o "processo" pelo qual o blogueiro Luís Nassif chegou aos meus dados pessoais. E, claro, vão os pontos principais:
1 - Não Houve "Condenação"
Não, não houve. As duas partes, Nassif x Google, fizeram um ACORDO. Isso mesmo: um "acordo". Não houve condenação no tal processo; o que torna estranho dizer que o juiz tenha "encontrado elementos" etc. Vejam por aqui.2 - Do Advogado
Sem prejuízo de sua qualidade de jurista, e não faço aqui acusação alguma, o advogado de Nassif, que então estava processando o Google, está agora no exterior, pago pelo... Google! Repito: não faço acusação alguma, foi o que o próprio advogado falou na entrevista concedida a Nassif.3 - Não Houve Crime nem "Falha Ética"
Durante toda a tal "entrevista" (não há "entrevista", em termos jornalísticos, pois trata-se de um papo entre parte e advogado), Nassif transfere a questão da jurídica para o campo do apedrejamento, chegando ao ponto de pedir um 'parecer' sobre a 'comunidade da blogosfera' (?) - e ainda leva um puxão de orelhas sobre o 'uso de pseudônimos'. O motivo: NÃO HOUVE CRIME ALGUM.
Mas o Que Aconteceu?
Elaborei este texto depois de uma grande pesquisa em cima de tudo que fiz, também vasculhei processos, fui atrás de fatos. Não imaginava, sinceramente, que Nassif voltaria à carga depois de tudo que encontrei. Mas ele parece incansável. Então vamos lá!
Em 2008, uma turma abriu um blog SOBRE O BNDES. O objetivo era falar do banco, de negócios estranhos etc. Lá pelas tantas, falamos do processo envolvendo Luís Nassif.
Em seu blog, ele falava de "reescalonamento da dívida", mas nunca deixou claro que houve um acordo judicial em processo de execução (Proc 583.00.2005.200321-5, Fórum Central de São Paulo). No blog, o que fizemos foi provar que a história era outra: ao contrário dos procedimentos normais, o BNDES INTERROMPEU A EXECUÇÃO e realizou um acordo.
Como se sabe, o BNDES é um banco do Governo Federal.
Quando se inicia uma execução judicial, não se fala mais em "partição da dívida", pois o total é apenas um. Mas, mesmo assim, no acordo o total foi dividido em duas partes: se a primeira for paga até determinado ano, o devedor fica isento do pagamento da segunda (que corresponde a tantos milhões de reais). Para piorar, NÃO HÁ QUALQUER GARANTIA REAL (bens imóveis, móveis etc).
E Luís Nassif recorreu ao judiciário para retirar o blog do ar.
Na ocasião do "Fora, Sarney!", toda a blogosfera se mobilizou para defender a pobre blogueira que foi alvo de uma ação similar. Quando houve esse incidente do BNDES, porém, muitos defensores da tal blogueira mudaram de lado e passaram a defender o direito de se esconder esse caso estranho do banco público. Estranho, não?
O uso do pseudônimo, como já ocorreu em outros blogs (p.ex.: "Tô Cansadinho", contra o "Cansei" - que saiu até na Folha de São Paulo) era mais do que necessário: tratava-se de uma briga de dois ou três, todos vítimas dos ataques de Nassif, e agora comprando briga com um enorme e poderoso banco público.
O Google, num ACORDO JUDICIAL, retirou rapidamente o blog do ar. Nassif, que na entrevista ameaça dizer "o criminoso", mas rapidamente substitui por "o indivíduo" (pois sabe muito bem que não houve crime algum e não pretende ser processado), também tem pleno conhecimento de que não houve qualquer ilícito praticado.
É curioso, inclusive, que tanto ele quanto o advogado falam em "convicção do juiz", mas não dizem qual o crime praticado. Porque não houve. Aliás, eu o desafio a negar o que foi dito.
Nassif, você nega a todos os seus leitores que:
a) Houve um acordo judicial com o BNDES, segundo o qual você pode pagar apenas uma parte do valor da execução e, tendo pago esse subcrédito, está isento do pagamento de uma outra parte, correspondente a milhões de reais?
b) Nesse acordo judicial, não há QUALQUER garantia real (bens imóveis ou móveis)?
c) Esse processo estava mencionado no tal 'blog com mentiras', exatamente expondo esses pormenores?
Era o que tinha para dizer sobre o caso. Se vocês acham que isso é "golpe sujo" ou algo assim, paciência. É a pura verdade. Isso foi logo depois dele, Nassif, dizer que fui "cooptado" só porque apontei uma falha em seu "dossiê".
Os processos judiciais, no Brasil, têm natureza pública - em especial aqueles envolvendo bancos estatais. O tal blog contra o BNDES era um dever cívico e tenho muito orgulho de ter participado.
Agora, se for o caso, resolvemos as coisas nos tribunais. Tenho aqui cópia dos processos (a execução promovida pelo BNDES e o acordo entre Nassif e Google).
Sinceramente, estou tranqüilo. Não acho que a "comunidade blogueira" vá discordar dessa história, porque ela é a verdadeira. E confesso que levei um certo tempo para montar esse quebra-cabeças, porque de "comentário anônimo no blog", passando por "site anônimo no Google Pages", indo finalmente para "blog com pseudônimo no blogspot contra o BNDES", há distâncias bem razoáveis - e no primeiro post explicativo eu já havia falado a respeito disso.
Inclusive, já pedi trocentas vezes, aqui mesmo no Imprensa Marrom, uma CPI sobre o banco; e esse mesmo caso do processo já foi objeto de conversas informais com integrantes do Ministério Público Federal.
Enfim, é isso. Essa é a verdade. E é o que eu diria (e direi, se ele ainda topar) no tal debate aberto. O convite permanece.
Sobre Blogs Anônimos
Na entrevista, ele tenta conduzir as coisas me condenando publicamente por usar pseudônimos, dizendo que isso é "condenável" pela blogosfera. Bobagem: Nassif não é contra!
Em seu blog, por exemplo, ele é um entusiasta do tal "Cloaca News", um blog que publica notícias e acusações gravíssimas, sempre no anonimato. Nassif não apenas repercute coisas do "Cloaca" em sua página principal, como o tal blog anônimo tem até perfil em sua "Rede".
Vejam os prints abaixo (tenho os arquivos HTML) devidamente gravados, caso ele corra apagar:


O Cloaca News é um blog anônimo. Todos que me xingam por ter feito um blog com pseudônimo, para denunciar as práticas do BNDES - podem reparar - ou dão link ou mesmo aplaudem o tal "Cloaca". É a vida, não é mesmo?
Um outro exemplo é o blog "Quanto Tempo Dura", também anônimo, que faz linha de defesa para o Governo Federal, atacando a oposição (assim como o Cloaca News). Adivinhem quem usou material deste blog ONTEM MESMO em sua página principal?

Pois é. Depois "condena" os blogs com pseudônimo...
(só peço desculpas pelos erros ortográficos e gramaticais - e deve haver muitos -, pois escrevi sem qualquer revisão :) )
transubstanciado por gravata às 23.06.09 - 17:18:10 | 97 comentários
21/06/2009
DA RELIGIÃO PETISTA
Ser petista não é meramente uma opção política, mas uma circunstância religiosa. E digo que se trata de algo circunstancial porque, depois de certo tempo, o indivíduo já detém mais o controle de seus pensamentos, vontades e – sim – orações, rezas bravas e afins.
A menos que seja pago, aí é outra história. Mas sigamos.
Subjetiva e objetivamente, psicológica e sociologicamente, o petismo reúne todas as características de uma religião. Todas. Isso chega a ser engraçado, pois são mesmo TODAS. Material e objetivamente: hierarquia, dízimo/financiamento, sacerdócio/catequese, doutrina/dogmas etc.; imaterial e subjetivamente: salvador/messias, santos/avatares etc.
Para não incorrer no equívoco da analogia superabrangente (aquela coisa de fazer com que algo seja parecido com tudo), é importante focar no raciocínio dogmático, e o petismo tem algo muito parecido com a questão católica da "Infalibilidade Papal"; no caso do PT, trata-se da "Infalibilidade de Lula".
Ele nunca falha. Ponto final.
Com exceção, é claro, de pequenos, microscópicos e inofensivíssimos lapsos. Algo como um tropeço ou um pigarro do Sumo Pontífice. Mas, quanto aos atos maiores, não há erro: não se corrompe nem nunca se corrompeu. Nunca pisou no tomate. Nada, nada, nada. É infalível.
O método científico difere do dogmático na revisão dos erros: para a ciência, há um verdadeiro triunfo na percepção de equívocos e é exatamente isso que move as engrenagens. Nas religiões, ao contrário, tudo é imutável. No petismo, também. Não é por outro motivo que eles NEGAM ATÉ A MORTE TODO E QUALQUER ESCÂNDALO, ERRO, LAPSO, RATA e MANCADA.
Os olhos furiosos de um petista que nega o Mensalão são os mesmos de um cristão que brada em favor da existência de Adão e Eva. O religioso, contudo, pode apelar para o sagrado refúgio da liberdade constitucional de não ser esmagado pela lógica. Já o petista não tem esse mesmo benefício e aí está exatamente o STF cuidando dessa história. Mas ele continua com os mesmos olhinhos furiosos, jurando que nada disso existiu.
O Messias
Já comentei sobre o assunto aqui no blog, e é uma característica clássica do petismo (outra a aproximá-lo de uma religião). Praticamente todos os partidos do Brasil e do mundo alternam seus candidatos à presidência (ou primeiro ministro etc.). Sim, podem eventualmente ter um "líder mais emblemático" ou "figura mais carismática". Mas sempre alternam candidatos.
Menos o PT. De 1989 a 2002, Lula foi o candidato do partido. Durante todo esse período, não fez outra coisa: exerceu a carreira de candidato. Foram nada menos do que TREZE anos nessa tarefa. Diga isso para alguém do Partido Democrata ou Republicano, nos EUA, e eles dificilmente compreenderão. Treze longos anos sem ocupar uma secretaria, ministério, vereança, prefeitura, governo, nada vezes nada. Única e tão-somente como candidato, esperando de quatro em quatro anos a chance de concorrer.
Messianismo é isso. Tanto que, ao ganhar, não haveria carranca, nem trator, nem alavanca, e quero ver quem é que arranca ele ali de seu lugar – parafraseando Chico Buarque. Pois foi o que houve: a cada escândalo, alguém foi rifado poupando assim o Messias. Todos caíram, um a um, de Dirceu a Pallocci. Não foi por outra razão que se chegou ao nome da então ilustre desconhecida e petista neófita Dilma Rousseff (entrou no partido em 1999 para não perder um cargo no RS) como possível candidata à sucessão.
Os Fiéis e o Povo
Há uma coisa que irrita sobremaneira os fiéis do petismo: o fato de que estão dissociados do povo. Ok, eu sei, tudo os irrita, mas isso os deixa especialmente nervosos, porque a péssima notícia é precedida de um fato ótimo: Lula tem altíssima popularidade. Isso é bom? Sim, é. Mas o povo que o apoia é petista? Não, nem sabe o que é o PT, "esquerda", "direita" etc. E é aí que a rapaziada fica neurastênica.
Claro, para uso externo não dão o braço a torcer. Já ouvi - e sem que a pessoa ficasse vermelha – que a eleição do Messias representou uma "percepção do povo oprimido quanto à necessidade da mudança dos rumos da economia neoliberal empregada nos últimos anos". Na hora, imaginei aquele cidadão com a enxada num braço e os livros de economia avançada no outro, discutindo a caminho da roça com seus colegas.
Quando o "não" venceu naquela eleição sobre as armas, os mesmos que imputavam ao povo uma sabedoria de PhD em economia imediatamente trataram de dizer que as pessoas não estavam capacitadas para decidir quanto à venda de armamentos e munições. Achei estranho. Poucos anos atrás, eram livres-docentes em macroeconomia; agora, não sabem o que é um revólver.
O mesmo acontece com a política. Quando vota no PT, o povo é esclarecidíssimo e tem um grau de politização digno dos melhores "think tanks". Quanto vota contra, é parvo. Simples assim. Recentemente, Marcelo Tas deu uma opinião sobre a USP. Quem a reproduziu foi chamado de "Bart Simpson"(*) pela militância petista do Twitter, que estendeu a alcunha à maioria dos seguidores do apresentador.
Mas o que dizer de quem ignora o Mensalão ou acredita que Lula REALMENTE não sabia de nada? O que dizer de quem fala do PL Azeredo e ignora que há somente DEZ emendas de Mercadante num total de 23 artigos? E quem convenientemente "ignora" o massacre no Haiti pelo exército brasileiro ou a tortura contra os índios pela Polícia Federal? Seriam os "Kierkegaards"?
Não. São os fiéis dessa seita, o petismo.
E, por fim, como acontece com qualquer religião, a seita petista também tem um vício engraçado: julga-se a única portadora de determinada bandeira. Assim como a "Sagrada Fogueira da Barba do Altíssimo Senhor", criada ontem por algum sacripanta, pode alegar ser a VERDADEIRA representante do cristianismo, o PT diz que é a VERDADEIRA esquerda. E todos os demais ou são ultrarradicais ou entreguistas.
Amém.
(*) - Sim, sei da tentativa de chiste - como sempre revertida em humor involuntário tendo o próprio comediante como objeto da piada. Trata-se de brincadeira com o "Homer Simpson", daquela confusão com a Globo.
Revisão: Hellen Guareschi
transubstanciado por gravata às 21.06.09 - 20:50:32 | 29 comentários
20/06/2009
FSP: ÍNDIOS DENUNCIAM TORTURA PELA POLÍCIA FEDERAL
Exclusivo: vejam como sai uma notícia real (e bem triste), e como ela sairia num blog da petistosfera.
Primeiro, a reportagem (real, infelizmente real), de Lucas Ferraz, publicada na Folha de São Paulo. Trecho a seguir:
"Índios afirmam que foram torturados pela PF na Bahia - Exames de corpo de delito apontam que indígenas receberam choques elétricos - PF diz que usou instrumento de choque para imobilizar indígenas que resistiram à prisão; conflito ocorreu após índios ocuparem fazenda - Cinco índios da etnia tupinambá afirmam ter sido torturados pela Polícia Federal em uma fazenda no sul da Bahia. Em relato feito ao Ministério Público Federal, ao qual a Folha teve acesso, os indígenas disseram ter recebido choques elétricos nas costas e em órgãos genitais, além de tapas e chutes. Contaram ainda que foram pisoteados e ameaçados de morte pelos policiais. Eles participaram de um confronto com a PF, no último dia 2, em uma região que compreende parte dos municípios baianos de Ilhéus, Buerarema e Una, local da fazenda. Os ferimentos dos índios foram avaliados em um exame de corpo de delito realizado quatro dias depois do confronto pelo Departamento de Polícia Técnica da Polícia Civil do Distrito Federal, para onde os cinco foram levados para depor. A Folha também teve acesso ao documento, que confirma choques elétricos no pênis de um dos índios e na região lombar de dois deles. Segundo o laudo, as lesões "elétricas", exibidas em fotos, foram "provocadas por meio cruel". "As lesões em par descritas são, portanto, típicas desse tipo de instrumento, ou seja, são geralmente encontradas em casos desse tipo de trauma [provocado por choques elétricos]", diz o texto, assinado por dois peritos. A Polícia Federal afirma ter usado um instrumento de choque, chamado taser, para imobilizar os índios, que, segundo o órgão, estavam com facões e resistiram à prisão. Um inquérito foi aberto para apurar o caso e será acompanhado pela Procuradoria da República em Ilhéus."
É horrível. Sim, é gravíssimo. E, sim, a PF está subordinada ao Presidente da República. Mas como o fato seria relatado na petistosfera na hipótese de Lula não ser de um partido amigo? Vejamos:
POLÍCIA DE LULA TORTURA ÍNDIOS! DITADURA!
Absurdo o AI5 Tupinambá baixado pela força policial de Lula! É o ditador facínora do Planalto, mais uma vez, mandando tropas para debelar um foco legítimo de protestos.E agora usando choques elétricos na genitália dos pobres silvícolas!
Uma violência sem precedentes! Como medida preliminar de apoio, convoco todos a mudarem o avatar no Twitter, usando uma pena sobre as cabeças, nas fotos. Também acabo de elaborar uma Petição Online, que será enviada à Anistia Internacional. É um movimento totalmente apolítico e em favor dos direitos humanos, o título é: "FORA, PT DESGRAÇADO!".
Jajá publico uma carta aberta a Lula.
Em seguida, faremos um ato na frente da sede do PT - embora, vale salientar, o movimento não seja partidário! -, e vamos adiante em nossa luta em favor dos povos nativos.
Encerro o post, pois não consigo escrever mais diante das lágrimas que vertem de meus olhos bolcheviques. Direitos humanos, já! Chega de reacionarismo! Chega dessa direita que domina os povos e os submetem ao jugo da tortura! Abaixo o AI-5 Caiapó!
Não é assim? Mas, como foi a PF, e ela responde a Lula, nem querem saber de índio nenhum. Tanto é que a notícia da tortura saiu faz tempo e ninguém leu nada em qualquer blog petistosférico. Passou batido.
Nesses casos, a PF não é "do Lula". A vida segue adiante e os índios que se lasquem. Assim como o povo do Haiti, pois ali o exército também não é brasileiro e não está subordinado ao Presidente da República.
Haja relativismo na indignação ao defender os direitos humanos! De novo: primeiro o partido, depois a causa. Ninguém vai falar nada sobre os índios torturados. E, se falarem alguma coisa, não esperem uma condenação a Lula. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa - eis o axioma petistosférico.
transubstanciado por gravata às 20.06.09 - 14:49:58 | 13 comentários
19/06/2009
USP: GREVISTAS "DEMOCRÁTICOS" AGRIDEM ESTUDANTES
Deu no blog do Marcelo Tas, reproduzo aqui. Mas basta ver o blog abaixo.
E repito as palavras de Tas:
"Depois de ver esse video- gravado hoje em frente a ECA, Escola de Comunicações e Artes- que mostra como os "grevistas" da USP lidam com estudantes que discordam da opinião deles, não tenho dúvida: PM nesses vagabundos!"
transubstanciado por gravata às 19.06.09 - 22:46:52 | 19 comentários
19/06/2009
LULA: "NÃO TRATEM SARNEY COMO ALGUÉM COMUM"
Ah, o tempo passa...
transubstanciado por gravata às 19.06.09 - 15:06:17 | 9 comentários
18/06/2009
LULA DEFENDE SARNEY USANDO O "TRUQUE DA INSTITUIÇÃO"
É um artifício simples: para defender o aliado, fala-se em favor do Poder Legislativo, como se as denúncias contra o Clã Sarney fossem, na verdade, ameaças à democracia brasileira. Talvez dê certo para os semi-analfabetos, mas obviamente não cola dentre os que tenham alguma capacidade de raciocínio.
Abaixo, declarações de Lula em defesa de José Sarney, publicadas na Folha Online:
"Não li a reportagem do presidente Sarney, mas penso que ele tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum", disse. "Elas [denúncias] não têm fim e depois não acontece nada. (...) Essa história tem que ser mais bem explicada. Não sei a quem interessa enfraquecer o Poder Legislativo no Brasil. Mas penso o seguinte: quando tivemos o Congresso Nacional desmoralizado e fechado foi muito pior para o Brasil, portanto é importante pensar na preservação das instituições e separar o joio do trigo. Se tiver coisa errada, que se faça uma investigação correta. (...) Todos os senadores, a começar do presidente Sarney, têm responsabilidade de dirigir o destino do país, ou seja, do Congresso Nacional, vamos esperar que essas coisas se resolvam logo. (...) O que não se pode é todo dia você arrumar uma vírgula a mais, você vai desmoralizando todo mundo, cansando todo mundo, inclusive a imprensa corre o risco. Porque a imprensa também tem que ter a certeza de que ela não pode ser desacreditada porque, na hora em que a pessoa começar a pensar 'olha, eu não acredito no Senado, não acredito na Câmara, não acredito no Poder Executivo, no STF [Supremo Tribunal Federal], também não acredito na imprensa', o que vai surgir depois?" (grifos nossos)
Lula acredita na honestidade de Sarney? O senador maranhense eleito pelo Amapá tem boas balas na agulha? Não dá para saber. Mas, sem dúvida, tais declarações formam verdadeira coleção de estultices. A ver:
1) "Sarney tem história no Brasil" - Sim, ele tem. E é justamente esse
lembrelebre que não se deve levantar. Digamos que não seja a historinha mais bonita do mundo, não é? Apelar a esse histórico é o pior argumento para quem pretende evocar a "presunção da inocência";2) "Denúncias não têm fim (...) não acontece nada" - Verdade. Que tal, por exemplo, não abafar a CPI da Petrobras, a das ONGs, entre outras? Quando se diz que "não acontece nada" isso fala menos em favor da inocência do acusado do que contra a força das denúncias;
3) "Enfraquecer o Poder Legislativo" - Eis o truque. Há POUCOS INDIVÍDUOS pisando no tomate. Por acaso, são Senadores e, como tais, fazem parte do Legislativo. Sua punição representa obviamente um FORTALECIMENTO de tal Poder, e não o contrário. Mas, para fazer de conta que não defende esses indivíduos, Lula esconde a mandrakaria numa "defesa generalizada de todo o Poder da República". Truque manjado, golpezinho rastaqüera;
4) "Todo dia arrumar uma vírgula a mais" - A culpa não é de quem DESCOBRE, mas sim de quem apronta tanto, mas tanto, que a cada dia se descobre uma nova patifaria. Seria mais prático, de fato, que cada Senador confessasse suas bobagens todas de uma vez. Mas, não. Eles torcem para que ninguém descubra, até que elas vêm à tona, uma a uma, e a imprensa publica. Em Cuba não é assim. Nem no Irã;
5) "A imprensa não pode ser desacreditada" - Entenderam o porquê de ter colocado os dois países no tópico anterior?
Isso é Lula em estado bruto.
Mas não pensem que é uma bola fora. Ele não estava falando conosco, infelizmente. Essas declarações têm público certeiro. A grande "genialidade" no fato de se fazer base dentre os ignorantes, e louvar a ignorância dessa base, está no fato de que eles, em seguida, aceitarão qualquer bobagem vinda do salvador da pátria.
A turma mais qualificada, como sempre, achará alguns argumentos aqui e ali para dizer que não é bem assim, ou talvez seja assado, ou então é antes tudo muito pelo contrário, ou não falarão coisa alguma - e citarão FHC ou algum outro. É sempre assim, desde 2003. Vida que segue.
E o resto é história.
transubstanciado por gravata às 18.06.09 - 17:35:41 | 16 comentários
18/06/2009
USP: SEGUNDO PESQUISA, ALUNOS SÃO CONTRA A GREVE E FAVORÁVEIS À PRESENÇA DA PM NO CAMPUS
O usuário do Twitter eachusp fez uma pesquisa apenas com alunos da USP. E não tinha como fazer mutreta, pois exigia nome, 'número USP' e email (e os dados foram comparados). Vejamos o que deu:

É a opinião de quem está lá. Parece que há outros levantamentos, com resultados ainda mais impressionantes (nesse mesmo sentido, inclusive). Quem arrisca uma votação sobre a presença das forças de paz no Haiti?
transubstanciado por gravata às 18.06.09 - 17:07:20 | 8 comentários
16/06/2009
USP X MASSACRE NO HAITI: COMPARAÇÃO ASSUSTADORA
O movimento radical paredista, na USP, não é apoiado pelo PT. Mas, na Internet, a petistosfera se vale do cumprimento de uma ordem judicial para tentar ganhos eleitoreiros. É do jogo? Não, não. Não existe jogo que justifique essa má-fé.
Vamos falar do Haiti.
Em 2004, Jean-Bertrand Aristide foi democraticamente eleito presidente do Haiti. Em seguida, foi seqüestrado por fuzileiros navais dos EUA e levado à África Central. Depois disso, o país foi dominado por "forças de paz" da ONU.
O Brasil, sob Lula, foi quem liderou essas "forças" - provavelmente em busca de assento no tal Conselho de Segurança das Nações Unidas. Isso, e apenas isso, bastaria como um sinal de pouca afinidade para com a democracia. É o ex-sindicalista e ex-socialista então aliado a George W. Bush e suas práticas imperialistas.
Já imaginaram se fosse FHC? Pois é... Na Venezuela, chegaram e escrever libretos, e até hoje os vendem como "prova" de que tentaram dar um golpe por lá. No Haiti conseguiram, com seqüestro e tudo. Em seguida, Lula mandou o exército pra lá. Cadê o livro?
Aliás, alguém leu alguma reprimenda do tipo "Lula é um ditador", em algum blog desses que agora ficam indignados com a transposição do espaço físico da USP, ou com o cumprimento de uma ordem judicial? Claro que não. Porque não se pode falar mal do partido. É sempre isso: primeiro a legenda, depois a causa. E isso vale até para o direito à vida.
Sigamos, e entenderão.
A Wikipedia, em português, não traz qualquer baixa com exceção das militares (que sem dúvida merece nosso pesar). Mas vejamos também as civis. Vejam trechos do que está escrito num site bem ao gosto dos que defendem Lula e condenam peremptoriamente o cumprimento, no Brasil, de uma ordem judicial.
"Soldados brasileiros que voltaram do Haiti deram entrevista para o Jornal Folha de SP onde afirmaram que o nome “missão de paz” dava uma impressão errada do que estava acontecendo no Haiti. Um dos soldados identificado como “S”, explica: “Até parece que este nome é para tranqüilizar as pessoas no Brasil. Na verdade, não há dia em que as tropas da ONU não matem um haitiano em troca de tiros. Eu mesmo, com certeza, matei dois. Outros, eu não voltei para ver.” (Folha de SP, 29/01/2006). E o mais revoltante: desde 2005 as tropas da ONU têm chacinado haitianos em represália explícita por se manifestarem pela retirada das tropas e pelo retorno de Aristide – Titid, como o povo pobre o chama. Manifestações com dezenas de milhares de haitianos são reprimidas a bala pelas forças policiais e tropas da ONU. Quando as manifestações são muito grandes, no dia seguinte as tropas da ONU costumam fazer incursões em Cité Soleil – com 300 mil moradores é a maior favela na periferia da capital do país, Porto Príncipe – e atiram por horas sem parar contra as casas dos moradores, matando homens, mulheres e crianças. Só não matam idosos porque estes são raros no Haiti. A expectativa de vida é de 49 anos! Nessas incursões – chamadas de “punições coletivas” por alguns jornalistas presentes no Haiti – os soldados atiram de dentro de seus carros blindados, semelhantes aos “caveirões” usados pelo BOPE nas favelas do Rio, e também de helicópteros. Muitas pessoas, principalmente crianças, são atingidas na cama, enquanto dormem, por balas de calibre pesado que atravessam os telhados de suas habitações. Depois de contar e chorar seus mortos, o povo pobre de Cité Soleil volta às ruas protestando e é reprimido de novo! A situação de um povo desarmado enfrentando forças externas tão poderosas como essas, pode aniquilar física e psicologicamente toda uma geração. Os que buscam se organizar ou participar de movimentos de resistência são mortos ou presos sem motivo, ilegalmente. Depois de presos sofrem torturas e geralmente são “desaparecidos” pela Polícia Nacional. Já são incontáveis os presos políticos e ativistas desaparecidos." (grifos nossos)
O Exército Brasileiro está no Haiti por decisão exclusiva de Lula, não por força de ordem judicial; seu comandante-em-chefe é o Presidente da República e, por óbvio, é o direto responsável por tudo que acontece.
Quando alguém fala do que houve no Iraque, por exemplo, obviamente não condena o General ou Almirante tal. É George Bush, pois cabe ao Presidente, sentado na ponta da mesa da "Situation Room", decidir o que será feito. O mesmo vale para Lula. E ele decidiu não apenas pela liderança, como também pela MANUTENÇÃO das tropas no Haiti.
Quem, desses blogueiros da petistosfera, o chamaria de "ditador"? E se acham que o link passado é "radical" demais (ainda que traga trechos de reportagem da FSP), podem ficar também com esse. Ou então lembrar daquele jogo da seleção, com uma escolta absurda. Ou, sei lá, visitem o Haiti.
Legalidade x Massacre / Vida x Partidarismo
Dalmo de Abreu Dallari, ligado ao PT, jurista consagradíssimo, já assinalou o óbvio: a polícia não foi à USP sob ordem do executivo, mas sim em decorrência de uma ação judicial. Não houve nenhuma morte nem ferimento grave; em que pese a DESOBEDIÊNCIA À ORDEM JUDICIAL, que é crime, perpetrada pela minoria que se recusava a atender os termos da decisão do Poder Judiciário.
No Haiti, porém, não houve nada disso. Lula mandou as tropas porque quis, ninguém interveio, nenhum outro ente da república o obrigou a tomar essa decisão. E houve algumas centenas de mortos.
Nenhum blogueiro que hoje esbraveja por aí saiu gritando contra o Presidente da República. Nem o chamou de ditador. Nem pediu sua cabeça. Nem ameaçou denunciá-lo à Anistia Internacional. Nem nada. Silêncio total e absoluto.
Relativização do direito à vida? Preocupação seletiva? Indignação diferenciada? Caráter volátil? Não, nada disso. É o de sempre, mesmo.
Primeiro o partido, depois a causa. Ou aquilo lá: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Milhares de haitianos mortos sob a responsabilidade de Lula não são nada perto do portão da USP ultrapassado sob ordem judicial (quando se pode tentar culpar um adversário).
É muita cara-de-pau.
(de novo: sem revisão, com gripe lascada e escrevendo com notebook na cama)
transubstanciado por gravata às 16.06.09 - 21:59:36 | 19 comentários
16/06/2009
O SINDICALISTA, O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO E O IRÃ
Ontem, dentre tantos comentários em favor da anomia (epa!), veio uma luz em meio aos apelos para que ignorássemos o Estado Democrático de Direito. Ainda defendendo a inexistência das leis e dos ritos processuais, curiosamente falaram de uma decisão que restituiria Claudionor Brandão aos quadros da USP.
Respirei aliviado.
Não pela volta de Claudionor, mas sim pela fresta de luz democrática na cabeça do comentarista. Afinal, o dito cujo teria cedido. Finalmente - e antes tarde do que nunca! -, prevalece a lei! Enfim, eis a supremacia do Poder Judiciário.
Nesse caso, claro, ele não diz "o governador foi benevolente!" - seria ridículo. O Poder Executivo, numa ocasião como na outra, não tem ingerência alguma. Mas tudo bem. O importante é esse primeiro passo no sentido de compreender (e aceitar) as instituições democráticas.
Ok, ok. Convenientemente - é sempre assim! - seria para aplaudir decisão favorável a simpatizante de sua causa. Mas, vá lá, é um começo.
EIS QUE, vejam só, o Tribunal Regional do Trabalho revoga a tal decisão de primeira instância. E foi no mesmo dia. Nem deu tempo de soltar os rojões bolcheviques de apoio à democracia.
Vejam reportagem de hoje na Folha de São Paulo (de Talita Bedinelli). Íntegra abaixo:
"TRT revoga decisão favorável a sindicalista - A Justiça do Trabalho mandou ontem de manhã a USP readmitir o funcionário Claudionor Brandão, 52. No entanto, a decisão, de primeira instância, foi revogada à tarde pelo Tribunal Regional do Trabalho. A readmissão de Brandão é uma das principais reivindicações dos funcionários, que estão em greve desde 5 de maio. Brandão é diretor do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) e foi demitido em dezembro por justa causa acusado, diz ele, de "ter invadido uma biblioteca, ameaçado as pessoas e colocado em risco o acervo", durante greve de 2005. A punição acabou em demissão, pois ele já havia sido suspenso por outro processo administrativo, de 2006. O advogado de Brandão, Luis Carlos Moro, diz que a demissão foi irregular, já que ele é dirigente sindical e só poderia ser mandado embora após processo na Justiça do Trabalho, e não por meio de sindicância interna. A reitoria não comentou as alegações de Moro. A USP alega proibição legal para não divulgar os motivos da demissão. O mandado de reintegração fora concedido pela 26ª Vara da Justiça do Trabalho na semana passada, mas só foi cumprido ontem, quando uma oficial de Justiça notificou a reitoria. Horas depois, a USP obteve a decisão favorável do tribunal." (grifos nossos)
É uma guerra jurídica, repleta de batalhas e que tais. Funciona assim na democracia e é uma conquista do Estado Democrático de Direito. Pode ser que o sindicalista vença no final. Pode ser que perca. Mas, qualquer que seja o resultado, é assim que se faz.
Aqui, ao menos, temos instituições fortes e efetivamente democráticas. E há quem as ataque, mas ao mesmo tempo aplauda as do Irã - condenando as manifestações havidas por ali. É mole? Sim, isso existe.
Está na mais do que na hora de agradecer ao fato de vivermos numa democracia. Aos descontentes, sugiro pegar um avião para Teerã e, lá chegando, gritar em alto e bom som que são "socialistas". Vejam o que acontece em seguida.
(sem revisão alguma, escrevi no notebook, quarto de hotel e com uma gripe do cão! desculpa por isso)
transubstanciado por gravata às 16.06.09 - 15:05:50 | 5 comentários
15/06/2009
REUNIÃO DOS "PACIFISTAS" DA USP
Um pessoal preocupado em estudar e interessadíssimo em cumprir ordem judicial. Esses são os que representam "menos de 1% dos estudantes" que, quando desmascarados, apelam para aquela coisa de "somos a Universidade". Não, não são. A USP é muito mais do que isso. Muito mais.
transubstanciado por gravata às 15.06.09 - 12:52:22 | 15 comentários
15/06/2009
FERNANDO DE BARROS E SILVA: USP E PONDERAÇÃO
Em coluna de hoje na Folha, Fernando de Barros e Silva tenta ao menos COMEÇAR o debate de uma forma honesta, a exemplo do que já fizera Marcelo Tas. Segue íntegra:
"USP, polícia e demagogia - São Paulo - "Não se deve caluniar abstratamente a polícia". É conhecida a resposta do filósofo Theodor Adorno à reprovação que lhe fazia, dos EUA, Herbert Marcuse pelo fato de ter recorrido à força policial para barrar estudantes que tinham invadido o Instituto de Pesquisa Social, em Frankfurt, no início de 1969. A polícia, escreve Adorno numa das célebres cartas ao amigo, "tratou os estudantes de maneira incomparavelmente mais tolerante do que estes a mim". A USP não é a Escola de Frankfurt, 2009 não é 1969 e Suely Vilela não é... bem, a reitora já disse ser adepta dos livros de autoajuda. Alguém dirá, além disso, que há razões nada abstratas para criticar a ação da polícia no campus, o despreparo para lidar com situações deste tipo entre elas. Sim, ninguém pode de boa-fé desejar a universidade ocupada. Sim, a reitora é uma figura lamentável, e sua gestão, ruinosa. Mas quando os "progressistas" da USP vão ter coragem intelectual para criticar também o comportamento autoritário de uma minoria de funcionários grevistas que intimidam colegas e querem impor ao conjunto da universidade o que há de pior e mais privado no espírito corporativo? Quando dirão que luta social e vandalização de patrimônio público não são nem devem ser sinônimos? Quando chamarão pelo nome o "fascismo de esquerda" de grupelhos pautados por estupidez teórica e desprezo sistemático pelos direitos dos outros? Coube ao professor Dalmo Dallari, um veterano das causas democráticas, a intervenção mais lúcida, honesta e destemida a respeito do imbróglio uspiano. Em entrevista à Folha, na sexta, ele diz coisas como: a polícia que cumpre uma ordem judicial para proteger o bem público não é a polícia da ditadura; a pauta dos grevistas é desconexa e seus métodos são intoleráveis; a reitora é fraca, mas sua destituição agora desmoralizaria a instituição. Eis, para os que não querem ficar presos a clichês mal digeridos da cultura meia-oito, um bom ponto de partida para o debate". (grifos nossos)
transubstanciado por gravata às 15.06.09 - 12:16:36 | 8 comentários
13/06/2009
DEMOCRACIA PETISTA: DIVERGÊNCIA DE OPINIÃO É CASO DE TRATAMENTO PSICOTERÁPICO (OU SUBORNO)
Ousei divergir da opinião preponderante professada num blog de orientação petista - como muitos fazem por aqui na maior liberdade. O dono do blog é um professor de direito. Ele disse que ou eu receberia grana para defender aquela posição ou então eu preciso de tratamento psicoterápico. Os demais, todos que defendem posição contrária, são pessoas saudáveis que acreditam na causa.
Está aqui.
Aceito recomendações de psicoterapeutas ou, vá lá, a minha parte em dinheiro. Até agora, não vi grana nenhuma, o que - na lógica do professor - faz de mim um malucão. Grato pela atenção de vocês. Agora vou bater com o sorvete na testa.
transubstanciado por gravata às 13.06.09 - 13:43:01 | 39 comentários
12/06/2009
USP: DALMO DALLARI APÓIA O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO
A duras penas, conseguiu-se no Brasil, entre outros, o direito à livre-manifestação. Como todas as demais garantias, ela não é absolutíssima, vez que se encontra passível de contestação judicial e, mediante devido processo legal, pode ser delimitada ou mesmo restrita. Foi o que houve, por exemplo, na USP.
Não se pode falar, portanto, em ato ditatorial, censura ou coisa do tipo. Na época da Ditadura, uma mísera passeata já seria reprimida por força policial sem qualquer consulta a um magistrado; ao contrário, os pisoteados é que corriam para os juízes tentando salvar suas peles.
Sigamos.
A Folha de São Paulo entrevista hoje o professor Dalmo Dallari. Ele é simpatizante do PT, as perguntas não são conduzidas como um jogo-de-comadres nem nada do tipo. E ele responde de forma objetiva e claríssima. Mesmo quando a repórter usa a terminologia menos acertada, como "chamar a polícia" (quando na verdade se trata do atendimento a uma ordem judicial). Leiam:
"Para o professor Dalmo Dallari, é um radicalismo fora de moda
FOLHA - O que deu errado na terça?
DALMO DALLARI - Há um conjunto de erros. Em primeiro lugar, a maneira como estão sendo postas as reivindicações. Há um excesso de temas -tem a reivindicação salarial, a questão do ensino a distância, a readmissão de um funcionário demitido. São coisas completamente diferentes e cuja decisão depende de órgãos diferentes.
É preciso reduzir essa pauta a um temário coerente. Além disso, não posso admitir a prática de violência física contra a universidade, um patrimônio público. Fiquei indignado quando vi as fotografias de funcionários e alunos arrebentando a universidade. Essas pessoas não gostam da USP.FOLHA - Elas dizem que é a reitora que não gosta.
DALLARI - Essas pessoas têm um radicalismo fora de moda.
Querem impor a adesão ao movimento por intermédio dos piquetes. É natural que quem reivindica procure obter adesão. Mas isso deve ser feito pelo convencimento. E não cerceando os direitos dos professores, funcionários e alunos que querem atividades normais. Não posso reivindicar o meu direito agredindo o dos outros.FOLHA - É chamando a polícia que se resolve isso?
DALLARI - É claro que a presença da polícia no campus não é desejável. Mas isso é muito diferente da polícia que invadiu o campus na ditadura militar. A polícia naquela época impedia o exercício do direito de expressão, de reunião, de reivindicação. Era uma polícia arbitrária e violenta por natureza. Mas agora o que aconteceu é que a PM compareceu para fazer cumprir uma determinação judicial, visando à proteção do patrimônio público. E acho que a reitora agiu corretamente quando solicitou essa proteção.FOLHA - Mas a polícia acabou jogando bomba em estudante contra a greve. Está certo isso?
DALLARI - A história está cheia de exemplos em que a polícia acaba se excedendo. Mas houve situações de um grupo de manifestantes cercando a polícia. É fácil de imaginar o temor dos policiais de serem agredidos, humilhados. Isso acabou precipitando ações violentas da polícia, também condenáveis.FOLHA - As entidades alegam que a reitora fugiu do diálogo...
DALLARI - Eu, se fosse reitor, também não compareceria a uma reunião com esse tipo de radicalismo, até com risco de agressões físicas.FOLHA - E agora, o que fazer?
DALLARI - É preciso definir uma pauta coerente de reivindicações. A reitora poderia designar uma comissão de membros do Conselho Universitário, com representantes de professores, estudantes e funcionários, que de maneira civilizada e coerente discutiria sem radicalismos.FOLHA - E quanto à PM no campus?
DALLARI - Do jeito que as coisas estão, acho que pura e simplesmente retirar a polícia é temerário. É preciso manter a polícia e abrir a negociação.FOLHA - As três entidades exigem a demissão da reitora...
DALLARI - Isso é um absurdo. Seria desmoralizante para a própria USP. A reitora foi legalmente escolhida. Está no exercício das suas funções. Nunca foi alvo de acusações de corrupção. É preciso respeitá-la." (grifos nossos)
Creio que essa entrevista será reproduzida em muitos sites, mas omitida de outros tantos. Para o bem do debate sobre o caso, é fundamental que se traga a opinião de Dalmo Dallari. Não é justo que ele só "preste" para quando seu parecer seja conveniente à "causa".
A cada minuto fica mais claro: é uma "causa" essencialmente partidária.
Haiti: Dois Pesos e Duas Medidas
O comentarista Roberto Takata, ao tratar das imputações de culpa, lembrou um fato importante: o exército brasileiro promoveu verdadeiro MASSACRE no Haiti (vejam aqui, tem vídeo e tudo).
As vidas de centenas de haitianos são menos importantes que a a circunscrição territorial uspiana? Não, não são. Mas não atendem ao interesse partidário de quem pretende imputar a culpa ao chefe do executivo estadual quando a polícia atende a uma ordem judicial; mas ignora o fato de que o exército está no Haiti sob ordem exclusiva e direta do Presidente da República (e o que acontece por lá está sob sua responsabilidade objetiva).
Mas o Haiti não é aqui.
transubstanciado por gravata às 12.06.09 - 12:18:18 | 25 comentários
12/06/2009
BLOG DA PETROBRAS: IDÉIA BOA, EXECUÇÃO PÉSSIMA
Não faço parte da turma que, de cara, é contra o blog da Petrobras. Bobagem. Muitas empresas usam blogs como ferramenta de comunicação e, independentemente do "oportunismo", é uma ótima forma de transparência, sim.
Mas a execução da idéia, até agora, deixou a desejar.
E não falo aqui apenas dessa coisa de "publicar as perguntas". A empresa, a meu ver, não tem obrigação de guardar sigilo quanto às perguntas feitas pelos jornalistas - e essa história de publicar MEIA NOITE EM PONTO, convenhamos, não muda nada (os jornais chegam às seis, sete da manhã para os assinantes - e ficam disponíveis na web a partir das três, por aí...).
O grande erro, acredito, ficou por conta do confronto "blog x jornalistas" - repetindo aquilo que acontece nos blogs mais radicais (não falo dos ponderados, mas dos "da pesada"). Poderiam - exagerando - atacar os veículos. Mas, não! Usaram a tática mais suicida: foram pra cima dos "coleguinhas". Aí danou-se.
No revide, criaram um blog-espelho (por pura sacanagem), um blog-resposta (com coletânea de perguntas não respondidas, entre outras coisas) e, mais do que isso, ficou estabelecida uma animosidade absolutamente desnecessária com praticamente todos os jornalistas que apuram notícias referentes à empresa.
Muitos deles - e isso é fundamental - até então não tinham NADA contra a Petrobras. Convenhamos, não é o papel que se espera de uma assessoria de imprensa. Funciona como pregação aos convertidos, mas é um desastre em matéria de relações públicas.
Segunda Etapa
A equipe do blog voltou atrás, mas o fez de forma tímida, com esse negócio de publicar as perguntas "na primeira hora do dia em que será publicada a matéria". Ou eles mantêm a posição de que não há sigilo de perguntas, ou publicam tudo no dia seguinte da matéria publicada (para fazer algum sentido a mudança). Nem um, nem outro.
Para piorar, do outro lado há um movimento (mais partidário que jornalístico-corporativo, é fato), de atulhar o blog com perguntas e mais perguntas. É legítimo? Creio que sim. Uma vez que se entra na "web 2.0", é um preço que se deve arcar.
Isso - CLARO!!! - se são perguntas procedentes e relacionadas com o funcionamento da empresa.
Por enquanto, não vejo um contorno satisfatório no que diz respeito ao erro tático inicial, e a estatal vai cortar um dobrado para responder todas as perguntas. As sem resposta, como sabemos, vão para os outros blogs e serão amplamente divulgadas.
Em vez de amenizar ou diluir, o blog amplificará a CPI. Não se trata de transparência: é um erro estratégico gigantesco, diante da CPI que se avizinha. Talvez digam que esse seja o objetivo. Alguém acreditará?
O grande ponto é pensar (e agir) mais como empresa-empresa, menos como estatal. Ou, caso seja inevitável, mais como estatal e menos como "governamental". Um esforço que precisa ser empreendido. Talvez ainda dê tempo.
transubstanciado por gravata às 12.06.09 - 02:33:11 | 8 comentários
10/06/2009
RELATO DE UMA JORNALISTA PRESENTE NA USP - E UM VÍDEO ESCLARECEDOR
Recebi, há pouco, email de uma jornalista que estava ontem na USP (ela também é blogueira e, por razões pessoais e profissionais, pediu sigilo - mais do que ninguém, eu a entendo; e a atendo). Leiam:
"Meu caro,
Acabei de ler seu post - e me deu vontade de desabafar, por isso to te escrevendo.
O debate sobre autonomia não está em questão, porque foi a reitora quem chamou a polícia. E a polícia não invadiu nem ocupou o campus, como eles colocam - ela ficou de prontidão na porta do prédio que estava bloqueado - e não estou aqui nem defendendo essa presença
Há alguns anos eu cubro educação - e há alguns anos todo mês de maio, quando rola as negociações do dissídio salarial, tem paralisações, fechamento do portão e alguma confusão envolvendo os sindicatos e a FFLCH - que é a única que realmente adere a essas paralisações - o que aí abre margem pra outras leituras do porquê da falta de envolvimento de todas as outras unidades com essas reivindicações.Na invasão de 2007 fui para lá todos os dias, até que o último dia, quando os alunos jogaram água nos jornalistas. Ontem, também estava ali e vi tudo começar.
A questão é que há um anacronismo gigantesco em uma parte desses alunos, que chega a ingenuidade. Tem tanta coisa errada na usp e tantos motivos que valeriam a pena protestar - como a forma de escolha do reitor, por exemplo. E eles ignoram tudo isso. É triste de ver, e é impossível debater, até porque qualquer questionamento é visto como crítica - e logo você é da burguesia comprada pelo governo.
Enfim, isso dá um livro.Ah, só pra complementar. Uma cena patética que aconteceu ontem:
Lá pelas 16h30, quando o protesto na rua alvarenga, ali no portão da usp, estava acabando, os caras do carro de som, que conduziam a manifestação, decidiram colocar em votação duas possibilidades: voltar para reitoria (vontade dos funcionários que queriam pegar o ônibus para voltar para suas cidades, muitos eram da unicamp e da unesp) ou fazer uma passeata pela Vital Brasil, a rua ali do lado (defendida pelo representante do DCE que estava no carro de som e por alguns alunos).
Os caras votaram quatro vezes. Em todas, deu uma grande maioria querendo voltar pra reitoria. Era visível. Tinha dez por cento das pessoas querendo a passeata. Mas, a cada votação, o cara do carro de som dizia: "Gente, não tá dando contraste, não tá dando pra ver direito". Depois de quatro dessas, o cara me solta: "Ó, vou tentar um outro método porque desse jeito tá difícil ver a vontade da maioria".
Nessa hora, os funcionários ficaram putos - e alguns alunos também. Vaiaram o cara, e saíram andando em direção à reitoria, xingando. Quem ficou, se sentiu traído pelo movimento. E também perdido, e mais revoltado ainda.
Foi o estopim pra cercarem os policiais e a polícia vir da maneira como vem sempre, pra cima de todo mundo" (grifos nossos)
Taí.
Vídeo: Pacifistas x PM
Nas imagens abaixo, vemos estudantes munidos de flores e cantando músicas de paz junto a policiais. Reparem:
Como os policiais saem dessa? Teletransporte? Duplo mortal carpado? Pedem licença educadamente? Enfim, nem tudo é como contam aqui e ali... E se um deles OUSA levantar a mão, pronto!, começa a gritaria. Dizem que houve abuso, violência etc. Não, não levantaram nada. Ouviram calados, como vocês estão vendo.
A multidão grita, grita, provoca, sei lá se faz mais alguma coisa, e os quatro policiais permanecem quietos. É a "tática do zagueiro argentino", que chuta a canela do atacante durante o jogo inteiro, mas se passa por um mísero jogo de corpo cai no chão e começa a gritar pedindo cartão vermelho, roxo, negro etc.
Só falta dizerem que se trata de uma montagem.
transubstanciado por gravata às 10.06.09 - 21:02:30 | 38 comentários
09/06/2009
QUESTÃO DE LÓGICA
Alguns blogueiros e comentaristas atribuem ao Governador de São Paulo a responsabilidade por uma ação da polícia, mesmo quando ela atua CUMPRINDO UMA ORDEM JUDICIAL, emanada (obviamente) pelo Poder Judiciário - sendo que, não a obedecendo, incorre em CRIME.
Vamos exercitar a lógica?
O que esses mesmos blogueiros e comentaristas teriam a dizer de Lula sobre o Mensalão? Ministros e parlamentares petistas pintaram e bordaram, está tudo comprovado e demonstrado - com direito a algumas confissões. E tem mais: o grande beneficiado foi o partido do Presidente da República. Nesse caso, ele teve alguma responsabilidade? (nem vou entrar no "sabia" ou "não sabia" porque são todos cegos quanto a isso)
Se não souberem responder, recorram a Aristóteles. Boa sorte.
transubstanciado por gravata às 09.06.09 - 20:05:08 | 22 comentários
09/06/2009
GREVE NA USP: BREVE OBSERVAÇÃO TÉCNICA
A politização de um povo é algo louvável. O partidarismo, ao contrário, é uma coisa distinta; e deplorável. De transgênicos a software, de liberdade sexual a aborto, muitas bandeiras científicas ou libertárias acabam ganhando chancelas partidárias que não lhes cabem.
É o caso, agora, dessa greve na USP.
A Polícia Militar, ao entrar na Universidade de São Paulo, não age por ordem do Poder Executivo. Na verdade, CUMPRE UMA ORDEM JUDICIAL. Como o próprio nome diz, trata-se de ordem expedida pelo Poder Judiciário.
E não há falar em "ditadura", pois isso emana de Devido Processo Legal, e todos os demais princípios constitucionais.
Cabe ao Executivo impedir que a PM atenda à Ordem Judicial? Não. Se o fizer, aí sim seria uma ditadura, aí sim atropelaria a Constituição, aí sim passaria por cima de todo estabelecimento democrático.
Isso vale para a Greve da USP. Assim como, de certa forma, também vale para o criminoso italiano que o Ministro da Justiça mandou soltar, mesmo tendo sido condenado pelo Poder Judiciário de seu país e - vejam a bizarrice! - condenado pelo nosso próprio Ministério (mas, com uma canetada, Tarso o salvou).
Não, o Poder Executivo não tem a prerrogativa de revogar uma ordem judicial. Isso vale para gestões do PSDB, PT, PV etc.
Vale esclarecer esse ponto para (tentar) evitar as discussões inócuas. Muito embora, infelizmente, várias delas partam de quem talvez conheça perfeitamente a divisão dos poderes (ou função, como preferem os constitucionalistas mais atuais).
Em tempo: Não, não sou a favor de violência policial. Não sou a favor de bomba de gás lacrimogêneo nem nada do tipo. Não é uma defesa do ATO, mas uma explicação sobre a EXPEDIÇÃO DA ORDEM e das LIMITAÇÕES acerca de sua revogação. Simples assim.
transubstanciado por gravata às 09.06.09 - 18:29:38 | 29 comentários
09/06/2009
PETROBRAS E O BLOG DA TRANSPARÊNCIA
Um leitor do Blog da Petrobras fez algumas perguntas e foi prontamente respondido:

Pediram que esperasse por minhas respostas. Prossigo no aguardo.
transubstanciado por gravata às 09.06.09 - 12:29:44 | 15 comentários
08/06/2009
LUIS NASSIF: O "ANONIMATO", O JOGO SUJO E UM CONVITE AO DEBATE
A essa altura, fui "bombardeado" por mensagens e mais mensagens no Twitter, amigos ligando pro meu celular entre outras coisas. Eu teria sido acusado disso e daquilo. Claro, fiquei assustado. Esse negócio de "quem não deve não teme", sejamos bem francos, é convesa pra boi dormir. Quando a décima pessoa te liga, meu chapa, qualquer um treme na base.
Fui ver.
Claro, era Luis Nassif. Em seu blog, eis o texto, ele me acusa de... Bom, ele não me acusa. Não há um legítimo objeto. Sou acusado de fazer parte "de um esquema", mas não há exatamente uma explicação do que seria esse esquema. Pelo que pude depreender, seria um "blog apócrifo", ou algo escrito por pseudônimo: como esses tantos que se vê, seja defendendo ou atacando governos e afins.
Sigamos.
Aproveitando a "deixa", o blogueiro fez as seguintes descobertas aterradoras: meu pai é meu pai e minha mãe é minha mãe. E, no mesmo expediente, fez printscreen de um comentário do meu outro blog (gênio!) e de uma folha de sulfite com dados pessoais e privados, passíveis de ação judicial. E, no mesmo post, diz que eu "joguei sujo".
Por favor, peço ENCARECIDAMENTE QUE SEJA DITO A TODOS QUAL FOI O MEU JOGO SUJO. Sério, é o mínimo que mereço. Se sou acusado de algo, ao menos diga QUAL A ACUSAÇÃO. Essa coisa de "esquema barra-pesada" e "xadrez magistral", tudo entremeado de trivial disso ou daquilo, convenhamos, não cola mais. O que exatamente eu fiz?
Fiz um blog? Qual blog? Vamos debater o conteúdo do blog? Eu topo. Eu aceito um debate aberto sobre esse tema, na hora em que o Sr. Luís Nassif quiser, envolvendo os tópicos que quiser, convidando quem ele bem entender também. Não é um "desafio" nem nada do tipo, mas uma forma limpa e transparente de esclarecer esse caso maluco.
Obviamente, não vou aqui colocar o endereço nem o telefone de seus familiares, nem farei a transcrição do processo de Execução Judicial promovido pelo BNDES contra o blogueiro (dados públicos). Não entro nesse jogo, mesmo tendo o blogueiro "aberto o precedente".
Mantenho a sugestão - ou o convite - ao debate. E adoraria saber qual é esse jogo sujo. Se quiser, pode levar advogado, juiz, delegado etc. Conversamos de forma civilizada com toda a platéia que quiser acompanhar. Tenho certeza de que é o melhor que possamos fazer.
Inadmissível é fazer uma "acusação sem acusação", com exposição de dados pessoais e privativos, tudo numa trama meio rocambolesca e maluca, e eu aqui sem saber quais termos usar para dar início a uma explicação.
É isso: convido Luís Nassif para um debate aberto. Aceita, Nassif?
ps - Ele fechou os comentários na postagem que fez sobre mim e, para manter a eqüidade, farei o mesmo neste post. Espero que entendam. E também espero que o debate aconteça. Fico realmente triste pelo fato desse ataque sem motivo ter vindo justo na semana em que desnudei o esquema da Petrobras com a ONG RITS.
Atualização: Nassif retirou do post a imagem com dados privativos/particulares. Menos mal. A acusação persiste: eu seria autor de um site "apócrifo" contra sua pessoa. Já fiz blog para tirar sarro do Movimento Cansei, já fiz blog pra tirar sarro de candidato político, já fiz blog pra protestar contra empresa pública e até pra promover banda de rock. Mas nunca criei "site apócrifo no Google Pages" para ofender pessoalmente Luís Nassif. E o que ele chama de "ataques", feitos por este blog, foram na verdade DEFESAS aos ataques que ELE fez a mim - como quando me chamou de "cooptado". É isso.
transubstanciado por gravata às 08.06.09 - 20:03:21 |
08/06/2009
A "LEI TARSO GENRO" É O VERDADEIRO AI-5 DIGITAL
Conheçam, na íntegra, o PL elaborado pelo Ministério da Justiça e que faz a chamada "Lei Azeredo/Mercadante" parecer brincadeira de criança.
Finalmente, consegui a íntegra da Minuta. O tema já foi abordado (ver aqui e aqui), mas estava difícil conseguir o conteúdo completo. Ei-lo. Este é o Projeto de Lei que o Governo Federal, por meio do Ministério da Justiça, pretende enviar ao Congresso.
A legítima militância em favor da liberdade na Internet, seguramente, é contra esse abuso. Mas será que os filiados ao PT vão bater de frente contra o governo Lula? Eu duvido.
Pra ser sincero, nunca confiei muito em quem defende a ditadura de Fidel castro e, ao mesmo tempo, diz defender a "liberdade na web". É como defender o Presidente do Irã e ser ativista pró-gay, venerar o regime autoritário da Arábia Saudita e ser feminista, ou mesmo ser entusiasta de Berlusconi e ministrar seminários de etiqueta.
Mas vamos ao que importa: a íntegra da "Lei Tarso Genro", o monstro ditatorial preparado pelo Governo Lula para tutelar a liberdade na Internet (meus comentários em negrito):
"Projeto de Lei nº.
Altera o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), para tipificar condutas praticadas contra dispositivos de comunicação ou sistemas informatizados e similares, e dá outras providências.
O CONGRESSO NACIONAL decreta:
Art. 1º Esta Lei altera o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), para tipificar condutas praticadas contra dispositivos de comunicação ou sistemas informatizados e similares, e dá outras providências.
Art. 2º O Título VIII da Parte Especial do Código Penal fica acrescido do Capítulo IV, assim redigido:
“Capítulo IV
DOS CRIMES CONTRA A SEGURANÇA DOS SISTEMAS INFORMATIZADOS
Acesso indevido a informações em sistemas informatizados
Art. 285-A. Acessar, indevidamente, informações protegidas por restrição de acesso, contidas em sistema informatizado:
Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.
Parágrafo único. Utilizar, alterar ou destruir as informações obtidas ou causar dano ao sistema informatizado.
Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.
Comento: DRM é o mecanismo de restrição de cópias em aparelhos e sistemas informatizados, e criminaliza a sua inutilização. O artigo 285-A é aquele contra o qual se esperneava tanto. O que fez o Ministério da Justiça? Reiterou: "acessar, indevidamente, informações protegidas por restrição de acesso". Sim, isso é crime. Vai fazer o quê? Acessar indevidamente vai passar a valer um brinde?
Sérgio Amadeu, em seu blog, mesmo se referindo À LEI DO TARSO GENRO, diz que a "comunidade de vigilância" seria "coordenada pela equipe do Senador Azeredo". Taí. A Redação é do Ministério da Justiça, é de Tarso Genro.Ação Penal
Art. 285-B. Nos crimes definidos neste Capítulo somente se procede mediante queixa, salvo se o crime é cometido contra a União, Estados, Distrito Federal, Municípios, empresas concessionárias de serviços públicos, agências reguladoras, fundações, autarquias, empresas públicas ou sociedade de economia mista e subsidiárias.”
Art. 3º O Capítulo IV do Título II da Parte Especial do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal) fica acrescido do art. 163-A, assim redigido:“Inserção ou difusão de código malicioso
Art. 163-A. Inserir ou difundir código malicioso em dispositivo de comunicação ou sistema informatizado.
Pena – reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.
Inserção ou difusão de código malicioso seguido de dano
Parágrafo único. Se do crime resulta destruição, inutilização, deterioração ou funcionamento defeituoso de dispositivo de comunicação, de rede de computadores ou de sistema informatizado:
Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.”Art. 4º Para os efeitos penais considera-se, dentre outros:
I – código malicioso: programa desenvolvido especificamente para executar ações danosas, que se propaga com ou sem a intervenção do usuário do dispositivo de comunicação ou sistema informatizado afetado;
II – provedor de acesso: qualquer pessoa jurídica, pública ou privada, que faculte aos usuários dos seus serviços a possibilidade de conexão à Internet mediante atribuição ou validação de endereço IP;
Comento: O inciso segundo do artigo quarto da LEI TARSO GENRO faz uma lambança das boas (que, claro, será arrumada por um bom juiz). Simplesmente poderá ser considerado "provedor de acesso" qualquer pessoa jurídica com um "ponto de internet" (escolas, cafés, aeroportos etc.).
III – provedor de conteúdo: qualquer pessoa jurídica, pública ou privada, que coloque informações à disposição de terceiros por meio da Internet.
Art. 5º O provedor de acesso é obrigado a:
I – manter em ambiente controlado e de segurança, pelo prazo de 3 (três) anos, para provimento de investigação pública formalizada, os dados de tráfego de seus usuários;II – registrar nome completo, gênero, filiação, data de nascimento e número de registro de pessoa física ou jurídica de seus usuários;
Comento: No inciso segundo, do artigo quinto, já temos um elemento novo. Trata-se da identificação de todo e qualquer usuário. Nome, gênero, filiação etc. Isso NÃO HÁ no PL aprovado pelo Senado. Qual dos dois é AI-5?III – possuir a capacidade de coletar, armazenar e disponibilizar dados informáticos para fins de investigação criminal ou instrução processual penal;
IV – preservar imediatamente, a partir de solicitação formal do Ministério Público ou da autoridade policial, dados informáticos para fins de investigação criminal ou instrução processual penal, incluídas as informações sobre os demais prestadores de serviço envolvidos nos processos de comunicação;Comento: O antigo Art. 22 (do PL aprovado pelo Senado), falava explicitamente em REQUISIÇÃO JUDICIAL. O inciso quarto, do artigo quinto, fala em solicitação formal do MP ou mesmo da AUTORIDADE POLICIAL.
Está aí: O VERDADEIRO AI-5. Não é preciso o Devido Processo Legal nem nada do gênero. Solicito, por gentileza, que os criminalistas expliquem esse absurdo.
Essa é a "salvação do PL"? Substitui-se a "ordem judicial em processo legal" pela requisição POLICIAL? Sim, meus amigos, é a DITADURA pura e simples.V – disponibilizar imediatamente ao Ministério Público ou à autoridade policial, mediante ordem judicial, os dados previstos nos incisos I a IV;
Comento: É o mesmo funcionamento de um grampo. Em vez de se guardar registro de TODOS os usuários, apenas do "log", agora registra-se TODOS OS SEUS PASSOS - mediante mera requisição policial!!!
Sim, é a "grampolândia". Não sei se há tecnologia para ler, ver ou escutar o que fazemos. Mas ISSO SIM É VIGILANTISMO na acepção da palavra. Da forma como estava, era um sistema similar ao que temos nos bancos e/ou registros fiscais.
Agora, a analogia é outra: abre-se precedente para o "grampo internético" com solicitação simples da polícia, somando-se a isso a figura do Provedor Delator (que, num primeiro momento, passa a COLHER E GRAVAR DADOS ESPECÍFICOS [!!!] mesmo sem ordem judicial - e, depois, mediante tal ordem, ele os libera).
VI – informar e conscientizar os usuários, de forma adequada e clara, quanto a medidas e procedimentos de segurança.
§1º Os dados referidos no inciso IV serão preservados pelo prazo de trinta dias, permitida sua prorrogação por iguais e sucessivos períodos, até o máximo de noventa dias ininterruptos, findos os quais serão destruídos.
§2º As medidas e procedimentos de segurança necessários à preservação do sigilo e da integridade dos dados referidos neste artigo serão definidos na forma do regulamento.
§ 3º O responsável citado no caput deste artigo, independentemente do ressarcimento por perdas e danos ao lesado, estará sujeito ao pagamento de multa variável de R$ 2.000,00 (dois mil reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais), aplicada em dobro em caso de reincidência, que será imposta pela autoridade judicial desatendida, considerando-se a natureza, a gravidade e o prejuízo resultante da infração.
§ 4º Os recursos financeiros resultantes do recolhimento das multas estabelecidas neste artigo serão destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública, de que trata a Lei nº 10.201, de 14 de fevereiro de 2001.
§ 5º O disposto nos incisos III, IV, V e VI do caput aplica-se aos provedores de conteúdo.
Comento: Outra "novidade" é punir os "provedores de conteúdo". Com isso, entram no balaio não apenas quem provê acesso à rede, mas também redes sociais e afins.
O que isso significa? Imaginem as redes sociais (Twitter, Orkut etc.) agora com as responsabilidades dos incisos terceiro e quarto do artigo quinto: "possuir a capacidade de coletar, armazenar e disponibilizar dados informáticos para fins de investigação criminal ou instrução processual penal;" e "preservar imediatamente, a partir de solicitação formal do Ministério Público ou da autoridade policial...".
AI-5 Digital. Ditabranda Lulista. Não havia nada disso no projeto anterior. E tudo fica mais assustador quando a LEI TARSO GENRO nos informa o que é, para seu efeito, um Provedor de Conteúdo: "qualquer pessoa jurídica, pública ou privada, que coloque informações à disposição de terceiros por meio da Internet".
Ah: blogs entram nessa.Art. 6º Eximem-se do disposto nos incisos I, II, III, IV e V do art. 5º quaisquer iniciativas que visem à inclusão digital sem finalidade lucrativa, oferecendo acesso gratuito à Internet, promovidas pelo poder público, empresas públicas, sociedades de economia mista, fundações públicas ou por associações civis sem fins lucrativos.
Art. 7º. Esta Lei entrará em vigor cento e vinte dias após a data de sua publicação."
Novilíngua e Partidarismo
Sérgio Amadeu, quando comenta a "Lei Tarso Genro", não a chama como deve ser chamada. Ao contrário, adota mecanismo onomástico-orwelliano e a denomina "Projeto de Salvação do Substitutivo do Azeredo".
Sabe aquela história de uma palavra significar seu exato oposto? A isso se soma a "técnica" (pueril, sem dúvida...) de usar o nome do adversário partidário até mesmo quando da desqualificação de um projeto dos próprios aliados (!!!).
A coisa chega a ponto tão teratológico que, em texto de março deste ano, ele diz que o Ministério da Justiça foi "pressionado por setores da Polícia Federal aliados ao Senador Eduardo Azeredo". E, já que falamos do mundo da fantasia, Amadeu certa vez disse que eu trabalhava para um "deputado" (caixa de comentários do Pedro Dória).
Voltemos ao plano da realidade.
Esse PL não apenas é do Governo Federal como, recentemente, foi apoiado PELO PRÓPRIO TARSO GENRO. Não há mais como Sérgio Amadeu atribuir a "setores tucanos" ou qualquer outra bobagem do gênero. O PL é do governo. O PL é do PT.
Qualquer leitura jurídica técnica, sem "advocacia de militância", demonstra claramente que o PL aprovado por unanimidade pelo Senado, como demonstra inclusive Aloíso Mercadante, é bem razoável.
Aliás, a chamada "Lei Azeredo", que tem cerca de 20 Artigos (incluindo intróito e vigência), conta com DEZ EMENDAS do Senador Mercadante (PT/SP). Sabiam disso? Mas a militância (mais partidária que libertária) raramente divulga esse fato. Não custa compartilhar o conhecimento, não é mesmo? Pois vejam aqui (cliquem em Tramitação e desçam até 09/07/2008) ou apenas dêem uma olhada na imagem abaixo:

Dureza, né?
E, de todo modo, a "Lei Tarso Genro", definitivamente, é o VERDADEIRO AI-5 DIGITAL. Mas duvido, duvido mesmo, que essas mesmas pessoas usem os mesmos termos para acusar o governo do PT.
Sabe por quê? Porque o partido está acima da causa.
Nessa hora, volto à reflexão: é temerário quando grandes baluartes da "liberdade da Internet" são, ao mesmo tempo, entusiastas da ditadura castrista (pra quem não entendeu o chiste: o governo cubano veta a liberdade na web).
Ah! Ia me esquecendo! Quando o bicho começa a pegar, surgem frases como "não é bom partidarizar o debate", no melhor estilo "Prêmio Nobel da Paz", entre outros panos-quentes-de-retórica. Bobagem. Há um partidarismo risível (vejam os nomes de leis, a imputação de legenda a policiais federais e a ocultação do projeto do ministro), mas que se esconde quando surge um revés. Assim é fácil, né?
ps. - Por irônico que pareça, estava difícil compartilhar o conhecimento da minuta da "Lei Tarso Genro". Por isso, sou grato a Hélio Rosa, que como sempre divulgou na primeira hora, tão-logo obteve o material. Seu trabalho de divulgação e debate na comunidade Wireless Brasil merece aplauso. É uma mediação sensata das mais diversas opiniões, com respeito a todos os lados.
transubstanciado por gravata às 08.06.09 - 18:18:08 | 7 comentários
07/06/2009
PERGUNTAS AO BLOG DA PETROBRAS
A Petrobras, em iniciativa pioneira, montou um blog para esclarecer diversas questões. Por enquanto, acho válido o meio empregado. Entrei em contato via Twitter e recebi resposta positiva.
Não encontrei qualquer endereço eletrônico para o qual enviar minhas perguntas e, assim, o que posso fazer é as expor neste blog. Peço a gentileza de que vocês, leitores, as encaminhem (remetendo o link desta postagem na caixa de comentários lá do blog).
E aguardemos para que os pontos sejam esclarecidos:
1 - RITS, ITI, Coletivo Digital: Telecentrinhos
A Petrobras participou dos "Telecentrinhos", em parceria com a RITS, Coletivo Digital e o ITI. Vejam por aqui. A operação envolvendo a OSCIP RITS e o então Coordenador de Governo Eletrônico da Prefeitura de SP (gestão Marta Suplicy), foi "importada" para o Governo Federal, vez que se tornou Presidente do ITI. Desse modo, também incluiu o "Coletivo Digital", composto por seus ex-subordinados na CGE.
Na Prefeitura, a RITS repassava TODA A MÃO-DE-OBRA para uma Cooperativa, valendo lembrar que a Lei das OSCIPs - que permite sua contratação sem licitação - NÃO INCLUI COOPERATIVAS COMO ENTIDADES PASSÍVEIS DO BENEFÍCIO DE ORGANIZAÇÕES SOCIAIS.
A RITS, quando da contratação por parte da Petrobras, TAMBÉM TERCEIRIZOU TODA A MÃO-DE-OBRA para a Cooperativa (vejam por aqui). Caso saia do ar, há o print abaixo:

Tendo em vista TODOS ESSES FATOS, as perguntas:
a) Qual o papel da RITS no contrato, já que TODA A MÃO-DE-OBRA era repassada para uma Cooperativa?
b) Qual o papel do ITI, já que tudo era executado pela Cooperativa, sob o intermédio da RITS?
c) Qual o papel do "Coletivo Digital", já que havia não apenas a Cooperativa (executando o trabalho), mas também a RITS (intermediando?) e além de tudo o ITI...?
d) Qual o montante financeiro que a Petrobras gastou com esse projeto? Quanto disso ficou com a Cooperativa? Quanto disso ficou com a RITS? Quanto disso ficou com o ITI? Quanto disso ficou com o Coletivo Digital?
e) No contrato havido durante a gestão da Marta em SP, houve dezenas de ações trabalhistas. Houve alguma decorrente desse projeto da Petrobras? Se sim, quantas? E, ainda em caso positivo, quais os resultados desses processos (ainda que parciais)?
2 - Blogs e Internet
Há uma série de acusações acerca do "aparelhamento estatal" da Internet, e há muita boataria a esse respeito. Desse modo, é importantíssimo deixar claro tudo aquilo que não passa de mentira e invenção, de mera leviandade e acusação infundada. A pergunta, nesse caso, é bem simples:
- A Petrobras, diretamente ou por meio de alguma subsidiária, financia (seja por patrocínio ou qualquer outra forma), algum blog ou empresa de blogueiro (não digo veículo [jornal, revista etc.] em que escreva ou portal ao qual esteja vinculado, mas sim EMPRESA DA QUAL SEJA SÓCIO E/OU TITULAR)? Em caso positivo, QUANTO A EMPRESA DE TAL BLOGUEIRO RECEBEU E/OU RECEBE? É isso, simplesmente isso o ponto dois (importante para checar a verdadeira independência dos formadores de opinião da web).
Agradeço pela atenção dispensada.
transubstanciado por gravata às 07.06.09 - 22:30:28 | 36 comentários
07/06/2009
HOAX: CAIR, TODOS CAEM. MAS, NÃO CORRIGIR? AÍ É DOSE!
Fui alertado ao ler um post do Idelber. Espalharam um "hoax" (boato; no Brasil, usa-se o termo quase que exclusivamente para as cascatas internéticas) sobre sanção a ser aplicada sobre download ilegal: nada menos que a pena de morte.
Era mentira, claro. Idelbas corrigiu. Praticamente todos corrigiram. Mas o Vírgula, portal vinculado ao UOL, não o fez. Manteve - e ainda mantém (tenho o print e a página salva aqui - vejam abaixo) a notícia como verdadeira.

Acho plausível que um grande portal tenha, entre tantos associados, também um canal de fofocas como parceiro. Mas é sempre arriscado quando sua marca - e credibilidade - aparece nesse tipo de enrosco.
O jornalismo mais sério, em tempo hábil, corrigiu a coisa: trata-se de uma gozação feita pelo site More Digitaler. Mas nem todos tiveram esse cuidado.
Por fim, fica a intrigante pergunta de uma enquete no mesmo Vírgula:

É mole?
g>. Bacana da parte do portal.
transubstanciado por gravata às 07.06.09 - 16:06:10 | 2 comentários
07/06/2009
FLAGRA: CAMPANHA DE BAIXÍSSIMO NÍVEL
O blog eAgora desmascara um desses blogzinhos de araque. Pega no pulo a papagaiada da falsa moderação de comentários. Vejam que graça a historinha do "não serão permitidos comentários com ofensas blablabla". É tudo balela, desculpa para não publicar comentários de quem discorda do partido oficial. Leiam lá (e cliquem no link da imagem). Imperdível.
Se quiser apenas ver um print da imagem, basta clicar aqui (reparem no 'disclaimer' do blog - com direito à gloriosa imagem com photoshop e tudo, e depois no comentário do leitor devidamente amparado no regulamento)
No mais, acompanhem o eAgora. Mesmo.
transubstanciado por gravata às 07.06.09 - 03:52:49 | 12 comentários
06/06/2009
GOVERNO MENTE E EXCLUI MAIS DE 8 MIL OBRAS PARA INFLAR RESULTADO DO PAC
O site Contas Abertas descobre a mutreta. Vejam a seguir trechos da reportagem:
"Casa Civil exclui mais de 8 mil obras para inflar resultado do PAC - A publicidade do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) apresenta R$ 646 bilhões no período de 2007-2010 a serem aplicados em obras espalhadas por todo o país, inclusive nas áreas de saneamento e habitação, responsáveis por, pelo menos, R$ 150 bilhões deste investimento. Apesar do programa contemplar 10.914 projetos e atividades, curiosamente, quando o governo realiza a prestação de contas, os números de saneamento e habitação são excluídos do balanço. Na contabilidade apresentada ontem pela Casa Civil, de um total de 2.446 ações monitoradas, 335 empreendimentos estão concluídos. Levantamento divulgado pelo Contas Abertas (CA) na última sexta-feira (29) apontou que apenas 3% dos empreendimentos de todos os eixos – infraestruturas logística, energética e social e urbana – estavam concluídos em dezembro do ano passado, após dois anos do programa. O levantamento incluiu todas as obras do PAC, inclusive as mais de 8 mil obras de saneamento e habitação, ao contrário da contabilidade oficial. As informações englobam investimentos previstos pela União, empresas estatais e iniciativa privada, no período entre 2007/2010 e pós 2010, e foram levantadas com base nos livretos estaduais produzidos pelo comitê gestor do PAC..." (grifos nossos)
O que dizer, não é? A mentira é tão mal feita que o próprio relatório da Casa-Civil desmente a propaganda recente. E, pra piorar, a história "boa" é a de que 16% das obras estão prontas. Ou seja: AINDA ASSIM É UMA PORCARIA. Mas ninguém acreditaria numa mentira muito inverossímil.
Piada por cima de piada, mentira por cima de mentira. Se não fosse o assistencialismo desenfreados, sejamos bem honestos, a coisa estava bem feia pro lado do Planalto.
transubstanciado por gravata às 06.06.09 - 00:01:44 | 10 comentários
01/06/2009
BBC BRASIL: BNDES É "SÓCIO" DO DESMATAMENTO NA AMAZÔNIA
Será que a BBC é do "PIG"? Leiam notícia divulgada neste instante (trechos abaixo):
"ONG acusa governo Lula de financiar desmatamento na Amazônia - Um relatório divulgado nesta segunda-feira pela ONG ambientalista Greenpeace acusa o governo brasileiro de financiar indiretamente a destruição da Amazônia por meio de recursos destinados à criação de gado em áreas desmatadas ilegalmente - De acordo com o relatório, o governo brasileiro é, na prática, "sócio" de grandes empresas do setor por conta dos empréstimos concedidos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Segundo a ONG, os grandes criadores de gado do Brasil, que respondem por 50% das exportações de carne do país, receberam cerca de R$ 5,2 bilhões do BNDES entre 2007 e 2009. "Os três produtores que receberam a maior parcela dos investimentos do governo brasileiro incluem um dos maiores exportadores mundiais de couro e o maior exportador mundial de carne (controlando ao menos 10% da produção global)", afirma o relatório. Para o Greenpeace, "a expansão desses grupos é, na prática, uma sociedade com o governo brasileiro". "Para aumentar a parcela do Brasil no comércio global, o governo está fornecendo capital para a expansão da infraestrutura da criação de gado na região amazônica", diz o relatório. - Licença ambiental - O BNDES disse à BBC Brasil que não recebeu oficialmente o estudo e que, portanto, não faria comentários sobre os casos específicos citados no relatório. A assessoria de imprensa do banco disse ainda que somente os projetos com licença ambiental têm acesso às suas linhas de financiamento. Nos casos com indício de irregularidade ambiental, o assunto é investigado e, se comprovada a irregularidade, a empresa pode ter sua linha de crédito suspensa, segundo o BNDES. Consultado também pela BBC Brasil, o Ministério do Meio Ambiente não havia se pronunciado até o início da tarde desta segunda-feira..." (grifos nossos)
A BBC perdeu tempo. Deveria ter consultado a bndessosfera, que responde mesmo sem consultar estudo algum. Se o banco é acusado, estão prontos a defendê-lo! Aliás, a depender da repercussão dessa notícia, logo mais publicam alguma notinha sobre a "escandalização do nada" (afinal, é só a destruição da Amazônia paga com verba pública entregue pelo BNDES, que bobagem!).
Sobra espaço para falar de livro didático (cinco erros em milhões de acertos...), mas alguém acha que vão comentar o desastre administrativo do PAC ou e$$e erro de financiamento na Amazônia, com verba do BNDES? Esperem sentados.
E ainda dizem que essa é a "Mídia livre"...
transubstanciado por gravata às 01.06.09 - 18:33:58 | 12 comentários
01/06/2009
FERNANDO DE BARROS E SILVA: O BOLSA-MÍDIA DE LULA
Excelente o artigo de Fernando de Barros e Silva, publicado hoje na Folha de São Paulo. Vai na íntegra:
"O Bolsa-Mídia de Lula - O jornalista Fernando Rodrigues deu uma grande contribuição ao conhecimento da máquina de propaganda do lulismo. A reportagem que publicou ontem na Folha mostra como, na atual gestão, o Planalto adotou uma política radical e sistemática de pulverização da verba publicitária destinada a promover o governo. Em 2003, a Presidência anunciava em 499 veículos; em 2009, foram 2.597 os contemplados -um aumento de 961%. Discriminada por tipo de mídia, essa explosão capilarizada da propaganda oficial irrigou primeiro as rádios (270 em 2003, 2.597 em 2008), depois os jornais (de 179 para 1.273) e a seguir o que é catalogado como "outras mídias", entre elas a internet, com 1.046 beneficiadas em 2008. O que isso quer dizer? A língua oficial chama de regionalização da publicidade estatal e a vende como sinal de "democratização". Na prática, significa que o governo promove um arrastão e vai comprando a mídia de segundo e terceiro escalões como nunca antes neste país. Exagero? Eis o que diz Ricardo Barros (PP-PR), vice-líder do governo e membro da Frente Parlamentar de Mídia Regional: "Cerca de 50% das rádios e dos jornais do interior pertencem ao comunicador. O dono faz o jornal ou o programa de rádio. Se recebe dinheiro, passa a ter mais simpatia e faz uma comunicação mais adequada ao governo. Há uma reciprocidade". Enquanto, na superfície, Lula trata de fazer a sua guerra retórica contra a "imprensa burguesa", que lhe dá azia, no subsolo do poder a engrenagem montada pelo ministro Franklin Martins se encarrega de alimentar a rede chapa-branca na base de verbas publicitárias. É o Bolsa-Mídia do governo Lula. Essa mídia de cabresto que se consolidou no segundo mandato ajuda a entender e a difundir a popularidade do presidente. E talvez explique, no novo mundo virtual, o governismo subalterno de certos blogs que o lulismo pariu por aí." (grifo nosso)
Já tinha falado disso por aqui inúmeras vezes. Sempre peço para que o leitor desconfie de blogs com "patrocínios oficiais", anúncios de estatais e assim por diante. Sobretudo e principalmente quando os blogueiros defendem sistematicamente o ente governamental que os patrocina, passando a atacar os adversários diretos dos partidos titulares das pastas patrocinadoras.
Isso não é jornalismo nem blogosfera nem nada do gênero, mas sim assessoria de imprensa. São os profetas do apocalipse da mídia, valendo-se de discursos ridículos e pregando para convertidos. Mas muito bem pagos.
