CIBERATIVISMO FAJUTO: QUANDO O PARTIDO ESTÁ ACIMA DA CAUSA
27/05/2009
CIBERATIVISMO FAJUTO: QUANDO O PARTIDO ESTÁ ACIMA DA CAUSA
Ou: É Impossível Apoiar A Ditadura Cubana e Gostar de Liberdade na Internet
Ciberativista, grosso modo, é quem milita pelos direitos relativos à internet. As causas, em geral, são em defesa de garantias individuais contra abusos estatais totalitários e, não por acaso, os movimentos mais pujantes se encontram em países como China, Irã, Cuba e afins.
A bandeira, acima de tudo, é libertária. Sigamos.
No Brasil, como sempre, grupos partidários tentam a todo tempo corromper uma causa, invadindo-a com as siglas desta ou daquela legenda. E, de novo, como sempre, é mais esta do que aquela legenda que trata de coalhar o "movimento". Coisas da militância, não é mesmo? Uns precisam trabalhar, outros são pagos para fazer barulho.
Um exemplo patente é a chamada "Lei Azeredo". Da forma como está hoje, não é de fato uma lei do senador Azeredo. Isso porque conta com aproximadamente dez emendas do senador Mercadante (PT/SP). E falamos aqui de um PL de aproximadamente vinte e tantos dispositivos (incluindo o intróito).
Além disso, foi aprovado por UNANIMIDADE pelo Senado. Isso mesmo: todos os senadores votaram em favor do projeto de lei. PT, PMDB, PTB, PSDB, DEM etc. Todo mundo, sem exceção, aprovou. Governo, oposição, indecisos, desavisados, alto e baixo clero: todos aprovaram.
Por que, então, "Lei Azeredo"? Porque é preciso cravar uma pecha partidária, é preciso uma alcunha, é preciso, enfim, dar um viés eleitoral, para que alguém tenha o ônus. E, junto a isso, um debate que esvazie toda a tecnicidade da coisa. Tanto que no tal abaixo-assinado, e vocês podem ver isso agora, NÃO HÁ UM ÚNICO LINK PARA A ÍNTEGRA DO PL OU MESMO SUA REDAÇÃO ATUAL. Nada. É pura desinformação e desserviço.
Nesse meio-tempo, o Ministério da Justiça tratou de elaborar uma Minuta assustadora. Apressadamente, e de forma patética, os "ciberativistas do partido oficial" disseram que o texto emanava de "setores tucanos da PF " (???). Logo depois, para vergonha desses camaradas, o próprio Ministro da Justiça assumiu a redação, defendendo-a. E eles não tocam mais no assunto.
Mas também não ficam quietos. Em vez disso, participam desses colóquios bem ao gosto dos partidos totalitários: "sim" x "sim, senhor". Juntam duas ou três pessoas, todos concordando entre si, e dão a isso o nome de "debate".
E se alguém acredita num pingo de honestidade intelectual, basta lembrar o caso do "Twitter Brasil". O PL dos cibercrimes nem mesmo está vigente, e adivinhem quem tratou de usar todo tipo de instrumento legal para tirar um blog do ar (e mesmo o próprio Twitter)? Pois bem: o diretório cearense do PT.
Os ciberativistas legítimos talvez nem saibam disso, mas os "ciberpetistas" sabem muito bem, tanto que escreveram a respeito. Mas, quando o fizeram, PUSERAM A CULPA NO TRE (é mole?) – como se o tribunal pudesse evitar a citação do réu! E não disseram NADA do partido que lançou mão de um expediente abusivo.
É o mesmo que fazem agora: fingindo que não há inúmeras emendas do Mercadante; ignorando a aprovação unânime pelo Senado; silenciando sobre a minuta do Ministério da Justiça, como se ela não existisse.
Eles são assim. Primeiro o partido, depois a causa. Uma pena que os legítimos ciberativistas, que se preocupam de verdade com os direitos do cidadão na rede, ainda se deixem levar pela conversa de alguns espertalhões.
Deveriam abrir o olho. Até porque é impossível alguém apoiar a ditadura cubana e gostar da internet ao mesmo tempo. Pensem nisso.
Revisão: Hellen Guareschi
transubstanciado por gravata às 27.05.09 - 13:57:03 | 11 comentários
Comentários, Pingbacks:
Vamos colocar os pingos em alguns iiis.
Tenho 15 anos, não tenho admiração por nenhum partido político pois considero todos uma M@#$%$#@, mas, também não concordo com essa lei absurda que o Senador Azeredo, e muitos outros, defendem.
Quando você fala que todo o senado aprovou,é verdade, mas aprovou por igonorânica, porque a maioria dos senadores são analfabetos digitais. Ou você tem alguma dúvida a esse respeito?
Nós, ciberativistas, acreditamos que essa é uma causa que está muito acima de siglas partidárias e aceitamos o apoio de militantes e parlamentares do PT e de qualquer outro partido que esteja disposto a ajudar.
Gostaríamos, inclusive de poder contar com o seu apoio, porque, até o momento, você só partidarizou a discussão.
Aceitar o apoio de alguns políticos do PT não significa que estamos fazendo vista grossa aos absurdos cometidos por Mercadante, Tarso Genro e etc.
Portanto, quando você quiser fazer críticas, cite os nomes: Sergio Amadeu, Marcelo Branco, Deputado Paulo, e etc. porque eu não gosto de ser colocada no mesmo balaio de gatos dos petistas.
(Gravz: Não sei até que ponto há essa ignorância, Lud. Procure na rede, sei que você consegue, e encontrará defesas veementes e bem estruturadas, feitas pelo relator do Projeto. Quem é? Nada menos que o petista Aloísio Mercadante. E ele não é mesmo um analfabeto digital. Nome aos bois? Fico com um: Sérgio Amadeu. Não é um "boi". É uma pessoa. Mas ele não está sozinho, obviamente. E a "Lei Azeredo/Mercadante" não é 100% ruim. Eu adoraria um debate sobre esse diploma legal que consistisse numa discussão TÉCNICA e não em gritaria partidária. Abs)
Sobre o apelido que o PL ganhou, discordo sobre ser provocação partidária. Ele está circulando há mais de 2 anos, sendo o Senador Eduardo Azeredo o principal difusor e defensor do projeto. Ele pôs a cara na coisa, e a rede reverberou. Normal.
E só mais um coisa: eu poderia dizer que esse papo de "ciberpetista" é papo de "ciberdireitista", mas sinceramente, participar da política e articular com vozes consonantes é modo que a democracia funciona. Esse tipo de "crítica" é realmente inócua, ainda mais em se tratando de mobilização em redes abertas. Participa quem quer, quem se identifica.
Abraços.
(Gravz: Já pus oitocentas vezes, Dpadua. Veja aqui. Ou aqui, neste blog, mesmo. Quanto a discordar disso, ou supor aquilo, é um direito seu. Mas convém trazer subsídios para isso. Eu o fiz no texto.)
Tudo bem você criticar a presença de políticos petistas no coro contra o PL, é um direito seu. Mas tentar inverter a história da mobilização pra descaracterizar um movimento que emergiu na Internet não forma sentido algum. Boa sorte.
(Gravz: Não critico presença de políticos. Não mesmo. Eu acho bobagem apelidar a lei disso ou daquilo, quando o que temos hoje é um PL "misto", com emendas pluripartidárias. Quanto aos "defensores", tanto Azeredo quanto Mercadante o defendem igualmente. E não quero descaracterizar um movimento. Pergunto a você, numa boa e de forma honesta: você é contra quais artigos, e por quê? Abs)
(Gravz: Eu me acho inteligente, sem dúvida, e também arrogantezinhoMas, se me considera "espertalhão", dentro de qualquer significado pejorativo ou acusatório, traga por gentileza algum tipo de subsídio para a acusação. Não veto comentários no blog, você deve saber disso. Abs)
NAO A LEI PSDB AZEREDO.
(Gravz: O segredo é fazer como você, Ricardo, assinar sem ler a Lei. Ou, como você disse: "nem tava sabendo...". Esse é o retrato dos signatários)
Em defesa da liberdade e do progresso do conhecimento na Internet Brasileira. \o/
(Gravz: Além de você - informadíssimo sobre o conteúdo -, assinaram Rocky, Apollo [o doutrinador], He-Man e outras grandes figuras. Tudo bem que não vale nada, mas seria legal se houvesse um pessoal mais esclarecido sobre o PL. Pra não virar exatametne isso, a baguncinha de sempre. Mas no fim é isso, né? A eterna adolescência. É bonitinho por um lado, mas cafona no saldo geral)
Criticar sem ler não vale.
(Gravz: Criticar SEM LER? Escrevi milhares de artigos a respeito. De fato, neste texto, acabei me esquecendo. Mas aqui mesmo, no comentário, pus links para outros textos com referências - e links - para o texto integral da Lei, e comentando artigos etc. etc. etc. Sim, eu li. Você leu? Viu algo de ruim? Em caso positivo, comente conosco)
Acho um hábito salutar desconfiar de coisas que só existem no Brasil, normalmente chamadas de jabuticabas (não gosto da expressão porque adoro jabuticaba).
Por exemplo, a tal de Lei de Imprensa (http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,stf-derruba-lei-de-imprensa,363661,0.htm). Eu sou leigo e sei que estou me comunicando com um causídico, mas, por que cargas d’água é necessária uma Lei de Imprensa?
Os crimes de calúnia, difamação, etc, já estão tipificados na legislação ordinária, ou não?
Esse tipo de crime executado por meio de um veículo da “grande imprensa”, para mim, é apenas um agravante. Para que uma legislação específica?
O mesmo se dá com relação à lei Azeredo (mensalinho), Mercadante (dossiê
Vou admitir que possa existir algum “cibercrime” que não esteja previsto nos códigos Civil e Penal. Neste caso, basta acrescentar o novo crime à legislação existente. Para que uma legislação específica?
Respondo: querem uma nova legislação para cercear o direito de livre expressão do indivíduo.
Você pode achar que estou sendo paranóico, mas, você mesmo já sofreu com isso.
(Gravz: Pois é, caro Ari. Exatamente por isso, é preciso ler o PL. O que ele faz? ACRESCENTA ARTIGOS AO CÓIGO! Exatamente o que você sugere, meu caro...)
(Gravz: Opa, que susto! Porque li e reli a bagaça várias vezes, escrevo sempre transcrevendo os artigos. Quando me convidam pra discutir, é com alguém que não apenas não leu, mas se recusa a debater dessa forma, alegando que "na prática nao vale nada". Juro. É desleal. Valeu o esclarecimento!)
(Gravz: Segundo relatórios, todos os senadores votaram a favor. Logo...)
IGO! Exatamente o que você sugere, meu caro...)