GRIPE SUÍNA: POUCA INFORMAÇÃO RELEVANTE E MUITO SENSACIONALISMO
09/05/2009
GRIPE SUÍNA: POUCA INFORMAÇÃO RELEVANTE E MUITO SENSACIONALISMO
Não entro muito naquele discurso do "tanta gente morrendo no Nordeste e quase ninguém morre dessa gripe"; muito embora considere relativamente válido o argumento. Isso porque, é claro, as pessoas tendem a se alarmar quando se trata de algo novo ou obscuro.
Mas, até mesmo por isso, seria interessante trazer à baila informações esclarecedoras, e não a parte sensacionalista: "tantos casos, tantas vítimas, blábláblá". O que esclareceria? Simples: "o risco de morte é de tantos por cento, a taxa de fatalidade é esta ou aquela, a propagação se dá nas condições tais etc.".
O que nos chega, porém, são dados inúteis, como as famosas estatísticas das transmissões de futebol, aquela coisa de "a seleção brasileira sempre leva vantagem nos jogos vespertinos realizados às terças-feiras, contra equipes do leste europeu". E, na falta de algo melhor pra dizer, aquele desfile do povo usando máscaras.
E, com a chegada do vírus ao Brasil, aumenta o alarmismo, e também começam algumas tentativas de exploração política daqui e dali - e nem tanto por culpa dos políticos, mas também pela imprensa que vai atrás das "autoridades". E há quem ponha culpa nas corporações capitalistas ou nas péssimas condições das aves (sim, a "suína" deriva da "aviária") do socialismo chinês. E tome mais discurso ideológico!
Para não embaraçar produtores, agora é Gripe A ou H1N1. Honestamente, nem sei o nome e, para jogar limpo com vocês, não corri para o Google.
Claro, não acho que tudo seja uma grande mentira, nem considero razoável ignorar toda e qualquer doença, saindo por aí como se nada houvesse. Mas há, sem dúvida, um exagero considerável por parte da mídia. Não que seja uma "mídia má" ou coisa que o valha. Mas ela exagera, sim.
E, se querem saber, o que mais me irrita são as piadas. Aquelas associações bobas com a torcida do palmeiras, ou com a Miriam Leitão, com a carne de porco em geral, a substituição de onomatopéias ("atchim" por "óinc")...
Já fomos melhores nessa coisa de fazer piada com tragédias. Bem melhores. Aposto que nosso humor diminuiu por culpa do capitalismo corporativo transnacional. Ou então é coisa da china pseudo-comunista. Certeza.
transubstanciado por gravata às 09.05.09 - 16:01:56 | 17 comentários
Comentários, Pingbacks:
(Gravz: E sorte do povos mexicano e estadunidense, com seus... quantos casos, mesmo?)
1 - Os kits para detectar o virus, chegaram dia 6/5. Por isso as confirmações só apareceram agora.
2 - O ministro se recusou a falar quantos kits chegaram!!! Deve ser muito pouco.
Atchim!
Gripe 'A', porque é um influenza do tipo 'A' e suina porque o h1n1 eh um virus influenza que ataca suinos(a muitos anos ou séculos)... Só isso.
Ignorancia aparte, mas nesses casos você esta redondamente errado e tentar remediar sai mais, mas muito mais barato que curar....Apesar que os especialistas (epidemiologistas) falam que não tem como evitar a chegada desse virus no pais. Chegando, tentar se proteger o maximo possivel é a melhor soluçao.
imagina 10% da população de São Paulo procurando facutativo medico, atendimento publico já é uma bosta, quero nem imaginar. Tomara que acelere a produção de uma vacina para esse virus.
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Na verdade não é possível dar um valor preciso para a letalidade da gripe A por uma série de fatores. Até às 7h30 (GMT) de hoje: 49 mortes em 4.379 casos confirmados.
[]s,
Roberto Takata
E ainda teve terrenoto no México, p/ "confirmar" a religiosidade virótica...
É o fim do mundo nosso de cada dia.
Ze Felix tem razão.
Pelo fato de estarem 'monitorando' as pessoas em casa (enquanto elas retransmitem o virus) pode-se deduzir que não querem 'gastar' kit com suspeitas que possam se tornar infundadas. Ou seja, há pouquíssimos kits. Acho que eles pensam que a gente não pensa.
Em quanto tempo? Expandindo geograficamente como?
E a "opinião pública" nesse caso está com efeito de manada em seu estado de burrice assustada.
E isso faz mais merda do que bem.
Acho que as pessoas estão esquecendo que esta doença surgiu há alguns dias e que tudo que diz respeito a ela é novo: diagnóstico, vacina, procedimentos para lidar com os doentes etc. Mesmo assim, eu vejo que o governo tem se mexido. O Brasil já tem estoque de Tamuflu, já tem como diagnosticar os doentes, vem comunicando as medidas preventivas. O que mais a bendita opinião pública espera, o fechamento das fronteiras?
Quanto à imprensa, vejo muita informação, mas de fato, nada muito útil. Por que não massificam os cuidados com a higiene para evitar a doença? Por que não explicam até cansar os sintomas da doença e o que fazer se você senti-los? Esta cobertura alarmista do assunto está virando um desserviço para o cidadão.
Você pode acompanhar a evolução dos casos e das mortes pelo sítio da OMS.
No meu blog de ciências fiz um gráfico da evolução de alguns parâmetros.
http://genereporter.blogspot.com
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Verá que nos primeiros dias de alerta a mortalidade relativa chegava a mais de 10% - e foi caindo à medida que novos casos foram reportados em uma velocidade maior do que os casos de morte.
[]s,
Roberto Takata
Quero aqui deixar que morrem mais pessoas vitimas da estirpe "normal" da gripe do que da gripe suina.
Mas alguém ( assim de repente só me lembro das industrias farmaceuticas ) está a lucrar com isto tudo.
Mandar as culpas para o governo também é porreiro e comum no Brasil e em Portugal.
Um abraço e excelente blog
Novamente parece que é a queda pelo drama que pauta mídia.
No começo, vem aquela sensação de que é uma nova espanhola, mas depois o alarde não é p/ tanto.
Só falta o pessoal salientar o "não é p/ tanto".
Trecho de uma revista de alta circulação
Com a pneumonia viral é diferente. O estrago causado pelo vírus A(H1N1) é fulminante e devastador. Não sobra tempo para as bactérias oportunistas tomarem o seu lugar. Sem a possibilidade de internação imediata em UTI, a pneumonia viral é mortal em 100% dos casos. Foi assim na Gripe Espanhola de 1918. É assim ainda hoje, 91 anos depois. Mas a internação em tempo hábil em uma UTI de pacientes com pneumonia viral não fornece de forma alguma um passaporte para a sobrevivência. Segundo o historiador americano John Barry, autor de A Grande Gripe – A história da pandemia mais mortal da história (The Great Influenza, 2004), o melhor arsenal médico do início do século XXI só consegue salvar 6 em cada 10 doentes. Aquele paciente com pneumonia viral tratado por Paulo Olzon teve sorte de conseguir um leito de UTI
continui sempre assim ..xero0o0o0o
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