AINDA O IRÃ: VANNUCHI É CONTRA... ELE É "DE DIREITA"?
07/05/2009
AINDA O IRÃ: VANNUCHI É CONTRA... ELE É "DE DIREITA"?
Quando o Planalto CONVIDOU o Presidente do Irã para visitar o Brasil, todos que se punham contra eram chamados de "direitistas". Isso, claro, na visão tacanha e binária dos que, por seu turno, defendem sistematicamente toda e qualquer ação dos que estão no poder aqui no Brasil.
Alguns, supondo defender uma tese mais bem elaborada, alegavam oportunismo quanto à defesa dos direitos humanos, e lançavam mão de Bush, Israel e outros "abusadores", pedindo manifestações contrárias a esses países como um credenciamento para que se pudesse falar mal do Irã (eu, por exemplo, já meti o pau nos dois - e também em muitos outros; estou, pois, credenciadíssimo para xingar o governo iraniano).
E não nos deixam falar de Cuba...
Mas, vejam que coisa engraçada e o quanto o destino prega peças pra lá de irônicas nessas pessoas binárias. Sintam como é trágica a vida da rapaziada "zero-um-um-zero": hoje, sai no jornal (FSP) que Paulo Vannuchi diz o seguinte sobre a desistência do Irã:
"Foi um alívio" (...) "É gravíssimo que um chefe de Estado coloque o Holocausto em questão em 2009" (...) "É como expressar simpatia com Hitler." (...) "O presidente Lula prometeu que tocaria no assunto na semana passada, diante de mim e do presidente do Conselho de Direitos Humanos da ONU"
E agora? Vannuchi é notório defensor dos direitos humanos, fundador do PT e definitivamente alguém situado na esquerda. É também um intelectual extremamente articulado e não se pode, por exemplo, dizer que foi "influenciado" pela mídia má e/ou pelo "lobby sionista".
Porque a questão é simples demais: trata-se da defesa de garantias óbvias como o direito à vida, a igualdade entre homens e mulheres, a liberdade sexual, tolerância religiosa etc. Tudo isso não é apenas proibido no Irã, mas muitas vezes passível de pena de morte.
Simples assim. Mas quem é contra recebe todo tipo de apedrejamento partidário pelos que hoje defendem o governo. Bom saber que ao menos Vannuchi está fora dessa besteirada e não faz parte da "esquerda que gosta de uma ditadurazinha".
transubstanciado por gravata às 07.05.09 - 15:13:28 | 7 comentários
Comentários, Pingbacks:
(Gravz: Reitero o comentário feito no post abaixo, para o "Texas":
Calma, Texas! Não é assim, também! O trecho pinçado diz respeito ao fato de que o STF "se apega" - ou seja, ULTRAPROTEGE -, quando na verdade deveria considerar alguns outros aspectos de uma investigação. Quando se garante o direito à privacidade, por exemplo, às vezes chega-se a exageros que prejudicam uma investigação [e não há como negar, convenhamos]. É esse o contexto adequado, acredite
Enfim, é o que penso. Abs.)
Agora não, chega. Natural que os direitos individuais atrapalham as investigações. É isso mesmo. Como diz seu Mano Caetano, de perto ninguem é normal. Mas temos todos o direito segrado de não sê-lo. Enquanto eu não for normal dentro da lei, os procuradores que fiquem bem longe de mim. Não tem lero-lero nesta história, Gravata.
Seu amigo, entendo. Mas total e completamente equivocado.
"Força no egípcio -
O Brasil tinha dois pré-candidatos ao cargo de diretor-geral da Unesco: o senador Cristovam Buarque e o pesquisador Márcio França, atual diretor-geral adjunto da própria Unesco. Mas, o Itamaraty bateu o martelo e apoiará o nome do egípcio Farouk Hosni, nas eleições de outubro. Hosni é um candidato muito controvertido. Quando era ministro da Cultura do Egito, afirmou que estava disposto 'a queimar todos os livros em hebraico, caso os encontrasse nas bibliotecas de seu ministério'."
Será que o sr. Celso Amorim é o único a ser responsabilizado pela política externa indecente do Brasil? Lula, evidentemente, não sabe de nada... (embora a idéia de queimar livros lhe deva ser imensamente agradável).
"Apesar de admitir que a desistência iraniana foi "um alívio do ponto de vista dos direitos humanos", Vannuchi não era contra a visita de Ahmadinejad. Ele acha que seria uma boa oportunidade para o governo mostrar a sua posição. 'O Brasil não pode ficar omisso.'"
Confirmando a reportagem:
"Brazil's foreign ministry, in a statement, declared that: 'Ahmadinejad trivialized the meaning of tragic and historically established events like the Holocaust' and 'Such comments damage the climate for dialogue and the understanding necessary for international efforts to end discrimination'. Brazil confirmed Ahmadinejad's visit to the country at 6 May, when these concerns would be expressed to him."
(FONTE: http://www.haaretz.com/hasen
/spages/1080193.html)
E aqui temos o relatório de tudo o que aconteceu na tal Conferência (uma pena que completão só em inglês): http://en.wikipedia.org/wiki/Durban_Review_Conference)
Então o Vannuchi sabe que se um país que tem buscado falar pelos "menos favorecidos" da política internacional como o Brasil desentende-se de novo com o Irã, pode ser que os "lobistas sionistas" usem o fato politicamente mais adiante (quiçá buscando apoio para uma "invasão"). E em invasões, o exército israelense já mostrou que não respeita nem prédio da ONU (e não foi só uma vez).
Espero não ser um dos binários! É que nos outros posts eu geralmente concordo com suas opiniões, por isso não posto.
Abs.
(PS: As condolências por Pellegrino são muito bem vindas)