A MARCHA DA MACONHA E A PROIBIÇÃO IDIOTA
03/05/2009
A MARCHA DA MACONHA E A PROIBIÇÃO IDIOTA
Sou a favor da liberação de todas as drogas e minha explicação é simples: não vejo sentido no governo permitir umas e liberar outras. Ou pode ou não pode e, como algumas são liberadas (cigarro e álcool, p.ex.), que se permitam todas. Simples assim.
Defensores da legalização da maconha organizaram, para este domingo, uma marcha em favor da revogação da suposta lei que a proíbe. Digo "suposta" porque não há lei alguma especificando a droga. Há um dispositivo legal tratando de narcóticos que, por sua vez, remete a uma lista do Ministério da Saúde. E nem a "cannabis" é proibida, mas sim o THC (tetrahidrocanabinol).
Mas não adianta entrar na discussão pela liberação ou não das drogas, não é esse o ponto específico. O que discuto aqui é o direito de pleitear uma mudança legislativa. O direito de protestar, o direito a uma manifestação. E isso, creio, é uma prerrogativa de todos.
Por mais que alguns se reportem à famigerada "lei dos tóxicos" da época do regime militar, é óbvio que os artigos restritivos, quanto à manifestação democrática de opinião, não foram recepcionados pela CF de 1988. Não é preciso ser exatamente um gênio para saber que hoje podemos discutir modificações legislativas sem que isso represente aquilo que representava nos anos de chumbo.
Empresários, por exemplo, fazem seminários constantes para mudara a CLT. É um direito e concordo com muito do que dizem. Já vi gente de todos os tipos falando em favor da pena de morte e, embora discorde por vários motivos, não posso ser contra o direito a manifestar a opinião. Enfim, são inúmeros os casos em que pessoas ou grupos de pessoas se reúnem para modificar leis - sejam ou não cláusulas pétreas constitucionais.
Mas, quando se trata de algum tipo de questão moral, a rapaziada mais conservadora sobe nas tamancas e usa argumentos agressivos, em geral ridicularizando ou meramente atacando os que se reúnem sob o pretexto de mudar a lei - como fazem empresários quando querem baixar impostos (o que só é possível por meio de Lei).
Para um carola papa-hóstia, a expressão "Marcha da Maconha" pode parecer agressiva. Assim como, para um sindicalista, pode ser agressivo um "Seminário Pela Extinção da CLT". Tudo é uma questão de tolerância quanto às opiniões contrárias.
Afinal, ao achar que se logra êxito ridicularizando os outros, às vezes o suposto agressor cai, ele próprio, no ridículo que supõe jogar seu adversário.
Essa marcha, mesmo, ganha muito mais publicidade sendo proibida. Os organizadores, inteligentíssimos, marcaram para o dia da final do campeonato; ou seja, passaria sem ninguém perceber. Agora, com a proibição, já tem uma meia dúzia que ficou sabendo. Burrice pura.
transubstanciado por gravata às 03.05.09 - 20:36:26 | 15 comentários
Comentários, Pingbacks:
(Gravz: Não sei o que perdi de Lewis Carroll, mas obviamente sou contra qualquer venda para menores de idade)
hehe.
Porém, mais foda ainda é o escândalo por se manifestar por uma idéia.
Aí quando vejo uns carinhas da frente liberal contra a marcha eu penso:
Eles são liberais no sentido clássico no sentido mondo bizarro?
Isso só seria possível, se houvesse um consenso CONTINENTAL e de preferência GLOBAL sobre o assunto.
As conseqüências de uma decisão unilateral do Brasil no sentido da "Legalização das Drogas" são difíceis de prever mas tendem a ser catastróficas por motivos óbvios.
Acredito que, apesar de já ter ocorrido uma evolução neste sentido, o caminho para quem imagina uma legalização das drogas no futuro, é brigar pela descriminilazação (tem gente que acha descriminação melhor) do uso. Ou seja, você não pode produzir, não pode comercializar, mas pode consumir. Eu sei, é uma contradição, mas não vejo alternativa.
Por outro lado, quero manifestar meu apoio a toda manifestação pacífica. Esse negócio de "apologia à ilegalidade" é entulho autoritário.
Mas, o resto do texto ta blz. Tolerancia zero para as drogas...Cadeia em traficante, sem misericordia.
Passeata pela paz, ..pela liberação da maconha, etc. Isso é coisa de otarios. Nunca vi empresarios fazendo caminhadas pela flexibilizaçao da CLT, vc já viu?
e acho que o governo não libera porque não sabe ganhar dinheiro em cima, além de outros blablablás de oneração do sistema de saúde. Não tem como cobrar imposto. Qualquer um planta no quintal ou num vaso e faz o próprio cigarro.
O fato de determinadas drogas serem proibidas simplesmetne não justifica a liberação de outras. Isso sim é simples.
Pra mim a explicação é do lado da saúde pública. Quem arca com a sobrecarga que as drogas outrora ilícitas provocariam no sistema de saúde? ´Nós vamos sustentar o vício alheio? Eu tô fora...
Sou contra a liberação de qualquer droga e acho ainda que o álcool e o fumo dveriam ter venda proibida, como já acontece em ditaduras como a Suécia e a Noruega...
Gostaria de saber se no conceito de droga estão incluídas a cocaína, o crack e afins. Cigarros e bebidas tem liberação não somente do seu consumo, mas também da sua produção, com forte tributação. Crack e afins poderiam gozar do mesmo status? Para melhor juízo e ponderação da minha parte, qual o conceito de droga pra vc? Pode se dicriminar tipos entre as várias substâncias sob esse conceito, ou isso é irrelevante?
(Gravz: Não é um conceito "meu", né? Mas 'droga' é a substância com efeito psicotrópico e que cause danos à saúde)
Maconha ainda vai. Lá na faculdade quase todo mundo fuma na cara dura. Ao menos os traficantes e policiais corruptos perderiam uma boa parte do
lucro com o monopólio exclusivo.
Assunto complexo .
Talvez fosse interessante se alguém com conhecimento pudesse expor os resultados da politica de drogas mais liberal implementada na Holanda já ha um bom tempo . Quem sabe esta experiencia seja um bom parametro .
Hoje, socialmente, o cigarro chega a integrar o rol das "drogas", coisa que nem sempre foi assim. Há coisa de trinta anos, Gérson, um ídolo futebolístico à época, participou da publicidade do cigarro Vila Rica, cujo lema "levar vantagem em tudo", dava ao consumidor do produto o falso glamour de inteligência e sucesso. Não se tributava perniciosidade à saúde. Não se tinha o cerco que agora sofre esse produto, que integra a manufatura industrial legal do Brasil de há muito tempo, gerando emprego em vários setores, bem como razoável tributação. Não é tão simples bani-lo de canetada, porque há muitos interesses em jogo, e também do contexto que cada "droga" ocupa. Porém, ainda assim, mais apertos legais pretendem desestimular o consumo do cigarro. Interdição de fumo em determinados espaços, avisos e desestímulos nas próprias embalagens etc. Portanto, a base do argumento não favorece a abertura para outras substâncias, antes, pelo contrário.
Com a devida vênia, Gravata, seu singelo argumento, que é o mesmo de muitos, pratica, inconscientemente, está claro para mim, um argumento falacioso. Pela bandeira dessa lógica, muito mais razão tem todos os medicamentos furtarem-se de prescrição médica, nada de tarjas pretas, pois se são permitidos os MIPs (medicamentos sem prescrição médica), todos deverão sê-lo. É uma questão de coerência. São remédios, não são? Por que discriminar um e outro? Ainda mais que remédios voltam-se para conservar ou restaurar a saúde, e as "drogas", sabidamente não.
(Gravz: A cocaína também não era uma droga proibida e podia ser usada sem qualquer impedimento legal. Um de seus consumidores e também "ídolo mundial", veja só, era Freud. É sua lógica posta contra seu argumento. Divirta-se pra sair dessa)
(Gravz: Todas as suas perguntas não podem ser respondidas de forma objetiva. Você não pode respondê-las sem especular)
Mas há quem defenda liberar todas (com algumas (mais viciantes como o crack) distribuidas pelo governo, com cadastro para tratamento de viciados). Não sei se isso é possível, mas se for não deveria ser de uma vez. Liberem a maconha e vejam os efeitos na sociedade, e só depois, aproveitando o aprendido com as provaveis falhas se deveria (talvez) liberar a próxima.
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