FALAR DE CUBA É "APELAR"? ENTÃO EU APELO! E VOCÊS?
27/04/2009
FALAR DE CUBA É "APELAR"? ENTÃO EU APELO! E VOCÊS?
Certa vez, fui advertido quanto a Cuba. Era proibido citar a ilha em qualquer que fosse o papo. Estranhei, olhei para os lados: será que estaríamos sob o regime de lá? Não, nada disso. Essa era uma nova regra, baseada em outra referente ao nazismo. Falar de Cuba é proibido, simples assim, pois seria "ridículo", tal e coisa.
Ideia de quem usa país para tentar vender livro.
Estranho. Muito estranho. Porque falamos de Israel (mal e bem), dos EUA (mal e bem) e assim por diante. Falamos do nosso próprio país aos borbotões, mas quando o assunto é Cuba, surge uma nova regra. A parte cômica disso tudo é que até no blog em que somos proibidos de falar da ilha há um sem-número de links para o livro. Nem assim ele vende.
A tese obviamente não prospera, e nem digo isso pelo fato de falhar miseravelmente quanto à divulgação. Seu fiasco é elementar: falamos de Cuba tanto quanto falamos de outros países, conceitos e assim por diante. Falamos para xingar tanto quanto seus defensores citam as partes boas para elogiar. Se hoje há essa bobagem de "Citou Cuba? Apelou!", é porque durante décadas houve um correspondente enaltecedor das citações castristas.
Uma outra babaquice sem tamanho é essa conversa mole dos que "já visitaram Cuba" e tentam impor alguma autoridade por conta disso. Os discípulos de São Tomé na categoria "viagem e turismo" são comentaristas políticos relativamente desprovidos de um bom senso de ridículo.
Ou alguém aqui se omite a falar de Israel e Palestina, pois nunca pôs os pés na Terra Santa? Alguém deixa de dar pitacos sobre a Guerra no Iraque porque não esteve entre Tigre e Eufrates? Ou deixa de lado as questões envolvendo Bush, Obama e afins pelo fato de que jamais pisou em Washington? Pois é...
Cuba, e apenas Cuba, exigiria a presença in loco do comentarista político para as análises "acuradas" – e quase todos eles fazem aqueles passeios mocorongos do tipo "eu-conheci-a-verdadeira-Havana", mais ou menos como os turistas europeus cafonas que pedem para o moço do jipe dar uma volta "com emoção" nas dunas Genipabu.
Aliás, não duvido que alguns estabelecimentos tenham plaquinhas do tipo "bar da verdadeira Havana" ou "puteiro da verdadeira Havana", pois praticamente todo sacripanta que visita a capital cubana volta com essa mesma novidade: "eu fiz um passeio proibido para os turistas comuns". Pfff! Mal sabe que foi mais um feito de idiota.
E quando tudo parece que atingiu um limite de ridículo, eles usam uma amostragem pífia para montar um instituto de sociologia. Os mais à esquerda escrevem em favor do regime; os mais à direita, contra ele. E, claro, há aqueles com mania de superioridade, que preferem se colocar "acima do problema" e tratam da questão com a arrogância clássica de quem prefere não se meter com a humanidade: "todos estão errados, eu não faço parte disso".
Eu falo de Cuba tanto quanto posso, e acho engraçadíssimo quando colocam o nome do país. É divertido. Apelar também faz parte das discussões políticas, e quem defendeu Cuba por trocentos anos que peça arrego e concorde com seu fracasso, ou passe vergonha tentando defender o indefensável.
Qual o problema nisso? Nenhum. As citações recorrentes do regime ditatorial não são um "achado filosófico". Usar esse fato como "mote" para algum tipo de publicação é risível. E fazê-lo para ridicularizar quem cita Cuba é potencializar ainda mais a piada patente que já nasce pronta sobre si próprio.
Afinal, depois de anos e anos e anos defendendo Cuba, agora a esquerda arcaica (ou seus simpatizantes que se colocam "acima do problema") nos proíbem de falar da ilha? Apelar por apelar, isso lembra o menino dono da bola, que a retirava do campo quando seu time começava a perder de lavada.
Coisa de chorão.
Revisão: Hellen Guareschi
transubstanciado por gravata às 27.04.09 - 16:05:51 | 20 comentários
Comentários, Pingbacks:
auhuahuhauhauhauahuaha
- E então, meninos, Brutus matou César.
- Como é que cê sabe, fessôra? A senhora estava lá?
Em qual blog é proibido falar de Cuba?
Morro e não vejo tudo.
Fernando, sabe como os demais países caribenhos de fala hispana pedem uma Cuba-libre (drink)? "Dame una mentirita"= Me dá uma mentirinha.
Os adeptos acham que todo mundo é alienado. Coitados.
Olhe para os semelhantes paises da região. Cuba está infinitamente a frente de seus "vizinhos" Haiti, Jamaica, Rep. Dominicana e etc.
Realmente, se compararmos Cuba a qualquer EUA, Espanha, Inglaterra, ou até mesmo Brasil da vida a ilha vai parecer uma merda.
mas deixou de ter o mesmo destino incrivelmente miseravel típico da sua região.
mal ou bem acho q se vive com mais dignidade la q no haiti.
no mais, ate q a parte do passeio "restrito" para turistas ordinarios foi bem engraçada. acho q todo mundo q volta de la realmente tem uma historia ridicula dessas pra contar se achando O cara integrado ao local.
a história contada pela ramiza não é de fato veridica.
os outros paises do Caribe chamam majoritariamente de Cuba Libre mesmo. São os próprios cubanos criticos do sistema que chamam de "Mentirita".
Nada é muito certo na história, mas dizem que o apelido surgiu como critica ao regime castrista por cuba nao ser realmente livre, dai "mentirita"
a historia sobre a origem do nome "Cuba Libre" é um pouco nebulosa, mas dizem que é pelo fato da bebida ser feita, tradicionalmente, com Bacardi e Coca-Cola, a primeira original de Cuba e a segunda dos EUA. Devido ao embargo, a coca-cola nao eh facilmente encontrada na Ilha, por isso os apreciadores da bebida estariam pedindo uma "Cuba Livre", sem embargo, para q pudessem ter acesso irrestrito ao drink.
Falar mal ou bem, pode falar de qualquer coisa, só nao pode é exigir que concorde com vc. E esse negocio de ser esquerda ao contrario já encheu o saco.
Como você diz, é um sistema que faliu, fracassou, não serve pra nada, não é modelo pra ninguém. Essa história de "novo homem" gerado pela revolução, é uma balela sem tamanho.
O livre-mercado seria realmente a melhor alternativa pra galera de lá.
bjo
(Gravz: Não. Porque não é um blog de "perrengue", no sentido de debate, mas sim de bafafá pra vender livro. Não entro nessa. E, repetindo, a caixa de comentários está abertíssima, como sempre. Ademais, não fui linkado na base do "esta é uma opinião e blablabla". Foi na sacanagem, na ironia. Digamos que minha "ironia" é não dar o link pra venda do libreto.)
Ou alguém de bom coração coloca o link...
Valeu!
Gravatinha, se você pensa que falar de Cuba é um tabú assim como privatizações e buraco do metrô para os tucanos, está um pouco enganado.
E, falando de desenvolvimento humano, como bem disse o comentário do Paulo, Cuba só perde para a vizinha Cuba americana de Puerto Rico. A Jamaica, por exemplo, se não fosse Bob Marley, seria muito pouco conhecida.
(Gravz: Eu tomo posições partidárias e ideológicas [racismo, sexismo etc]. Mas não acho que ainda exista o Muro de Berlim, como defendem os 'socialistas' brasileiros, que impõem uma 'esquerda' retrógrada e risível. Simples assim, Ruben)
Ademais, viu que o gilete press continua com tudo nas redações brasileiras?
http://www.comunique-se.com.br/index.asp?p=Conteudo/NewsShow.asp&p2=idnot%3D51895%26Editoria%3D8%26Op2%3D1%26Op3%3D0%26pid%3D591219225%26fnt%3Dfntnl
(Gravz: Não consegui ler, tiago. Exige uma espécie de login, algo do tipo. O que é isso?)
porque quando se fala no representante do posto máximo de cuba ele é chamado de ditador e quando se refere a china ele é chamado de presidente?
abraço.
(Gravz: Tem razão, bem observado. É ditador também. Obrigado)
Ô criatura chata, meu deus! Além de tudo, o blog é pesadíssimo, feio.
