PT, PETROBRAS X ONG DA BAHIA: A DIFERENÇA ENTRE FATO E MÉTODO
16/04/2009
PT, PETROBRAS X ONG DA BAHIA: A DIFERENÇA ENTRE FATO E MÉTODO
Eis que a FSP, hoje, solta reportagem bombástica (por Silvio Navarro e Elvira Lobato): Petrobras usa uma ONG da Bahia para bancar a festa de São João. O caso pode ser visto como "fato isolado". Mas não é. Trata-se de um método e, como tal, merece uma análise diferenciada. Vejamos.
Primeiro, trechos da reportagem:
"Petrobras usa ONG petista para bancar São João na BA - No ano passado, estatal destinou R$ 1,4 milhão para festa em 26 municípios - Dirigida por vice-presidente do PT no Estado, entidade foi declarada de "utilidade pública" e intermedeia os repasses às prefeituras - A Petrobras contratou uma ONG dirigida por Aldenira da Conceição Sena, vice-presidente do PT da Bahia, para gerenciar R$ 1,4 milhão destinado ao financiamento das festas de São João em 26 municípios do interior do Estado em 2008. Conceição Sena, também ligada à CUT, é funcionária do gabinete do líder do PT na Assembleia, Paulo Rangel, por sua vez autor do projeto de lei que concedeu título de "utilidade pública" à Aanor (Associação de Apoio e Assessoria a Organizações Sociais do Nordeste). Entre outros benefícios, esse status permite à ONG abater doações do Imposto de Renda. A Aanor atua como intermediária no repasse do dinheiro às prefeituras. Procurada pela Folha, Conceição Sena afirma que a ONG é responsável por reembolsar as empresas que atuam no São João. "As entidades e as prefeituras contratam o serviço e apresentam nota. O pagamento é ao fornecedor", diz. Ela declarou estar "em processo de afastamento" da ONG. (...) Segundo prefeitos, Rosemberg atuou em campanhas de petistas em 2008, sobretudo em Itapetinga e São Francisco do Conde. Nas duas cidades, o PT venceu. A Petrobras afirma que, "desde julho de 2008, Rosemberg não atua na área responsável por patrocínios e não exerce suas atividades profissionais na Bahia". "Ele criou um diretório do PT em Itapetinga, com gente que era do [ex] PFL de ACM e formou um grupo com muito dinheiro para ganhar a eleição", afirma o ex-prefeito Michel Hagge (PMDB), derrotado ao tentar a reeleição. A Petrobras começou a patrocinar o São João em 2005, quando liberou R$ 1 milhão para 26 municípios da Bahia. Os repasses variaram de R$ 13 mil a R$ 80 mil. Em 2006, 21 cidades baianas receberam ajuda da estatal por intermédio da Aanor. Em 2007, o número saltou para 46, de acordo com ata de Assembleia Geral Extraordinária da Aanor. Três cidades contempladas com R$ 80 mil anuais são Senhor do Bonfim, Cruz das Almas e Amargosa, administradas pelo PT. O prefeito de Amargosa, Valmir Almeida Sampaio, diz se tratar de coincidência..." (grifos nossos)
Do Método
Publiquei aqui, antes de limar os arquivos, uma longa reportagem sobre o caso dos Telecentros da gestão Marta. O esquema envolvia uma ONG, então Oscip, que repassava todo o objeto do contrato para uma Cooperativa (a Lei das OSCIPs permite que tais ONGs sejam contratadas sem Licitação, mas veta a contratação de cooperativas...).
Tal OSCIP contratada, vejam só, retinha 10% do valor total, a título de "Taxa de Administração". Os "cooperados" eram, em sua maioria, contratados diretamente pelos funcionários da Coordenadoria do Governo Eletrônico (um deles, sintam o azar!, é amigo meu de infância).
Resultado: inúmeros processos trabalhistas, enroscos sem fim, mas ainda assim uma metodologia "importada" ao Governo Federal, haja vista que o outrora Coordenador do Governo Eletrônico fora transferido para o ITI, ligado à Casa-Civil (na época com Zé Dirceu de titular).
Adivinhem quem fechou contratos envolvendo tal ONG, tal Cooperativa e o ITI? Sim, acertou quem disse PETROBRAS.
Por isso, digo sem medo: é um método. Não se trata de um fato isolado. Pode ser na Bahia, pode ser em São Paulo, pode ser onde for. Somem os fatos, temos uma metodologia.
ps. - na próxima semana, ou talvez ainda na outra, republico todo o material sobre o Governo Eletrônico e os Telecentros na Gestão Marta.
transubstanciado por gravata às 16.04.09 - 14:34:08 | 12 comentários
Comentários, Pingbacks:
(Gravz: Defendendo "o meu"? Votei e voto em candidatos do PT. Votei no Kassab, que é do DEM. Votei e voto em candidatos do PSDB. E nem por isso deixei ou deixarei de denunciar falcatruas. Esse negócio de nunca poder falar de mutretas petistas é algo que me irrita tanto, mas tanto, a ponto de eu só querer falar de mutretas petistas. E material não falta)
Lembra do Detefon?
Pois é, precisamos encontrar algo similar e exterminar essa praga que tomou conta do país. O que foi que usaram para acabar com a tal saúva? Ou ela mudou de nome?
QUAUQUAUQUAQUAUQUA!!!!!!111
E DE, POIS, TEM GENTE QUE FICÃO FALANDO QUE EU QUE SOU MONGO E ESCREVO ERRADO QUAUQUAUQUAUQUAUQA BURRO!!!!!!!11
(Gravz: Eis que RAUL - o mito - comenta no meu blog. Visitem o blog do Raul e sintam o drama. O "intermedeia" foi da Folha, não meu. E está correto. É a conjugação adequada do verbo "intermediar")
Bem observado Gravata.
Assim como você também me irrito com o pessoal que, ao ler uma denúncia de corrupção envolvendo o PT, ao invés de discutir os fatos ficam pedindo que o blogueiro denuncie outros partidos. Como se uma coisa tivesse a ver com a outra. Os mais cínicos são aqueles que começam o texto mais ou menos assim:
"Não sou petista, mas... (texto pedindo que o blogueiro fale mal de outros partidos)"
ou pior
"Também odeio o PT, mas... (idem ao anterior, mas supondo que você odeie o PT como ele odeia quem critica o PT!)"
Comentar os comentários é uma pratica extinta, ou temporariamente fora de alcance?
Abs
(Gravz: Como você deve ter notado, alguns comentários eu comento. Mas a maioria não consigo mais comentar. Não dá tempo. Sei que antes era melhor etc., mas não consigo mais. Espero que todos entendam)
Assim, eu gostaria de aproveitar a oportunidade para lançar um apelo ecológico, pois o depoimento do DD e as reações que ele produziu mostraram que estamos em vias de perder uma espécie animal (aliás, muito animal) que, tempos atrás, abundava por aí, grasnando ameaçadoramente para todos os lados. Refiro-me aos filoprotogenários, subespécie da família das satiagrahas, conhecidos popularmente como "defensores do doidinho" ou "faniquetes do delega".
Que aconteceu? Que houve? Sumiram de uma hora para a outra. Cheguei até a procurar em um blog onde a maioria pousava para catar sobras de alimento regurgitado (são os hábitos deste grupo), mas não tinha nada.
Que coisa! Ontem: "O nassimento de uma nassão". Hoje: nada. Que estranho! Como diríamos na língua utilizada pelos mestres demitidos do jornalismo: "Isso ocorre porque?".
Gravata,
Em nosso debate sobre a Janaina de domingo passado, o seu leitor Caco deu uma resposta sobre o conceito de "homem cordial" contido em "Raízes do Brasil" de Sergio Buarque de Holanda e disse que eu estava equivocado.
Só hoje pude ler o conteúdo !
Quero dizer ao Caco que sei o que o livro quer dizer sobre a mistura entre público e privado.
O que sr. Caco "esqueceu" por exemplo, é o fato constatado no livro, quando no século XIX um relato de vajantes franceses que vão assistir a uma missa no Rio de Janeiro e constatam horrorizados que os nativos daqui ao invés de assistir de fato a celebração ficavam olhando para o lado, conversando ou reparando nos trajes uns dos outros, o que mostraria entre outros exemplos segundo Sergio B. Holanda,o nosso desapego pelos ritos e a FORMALIDADE. A questão do publico e privado tem tudo a ver com essa caracteristica particular do nosso povo - informalidade - que forma a nossa identidade e contribuiu para o conceito de homem cordial.
Só que o sr. Caco "esqueceu" essa parte do livro, será que não leu ?
Abraçar, sr. Caco, é uma forma carinhosa que nós brasileiros encontramos de mostrar ao mundo que temos desapego pela FORMALIDADE.
É aquela história, de quem é isso?
- É do meu padrinho !
Se é do meu padrinho também é meu! Então é nosso !!!!
Se o sr. Caco já esteve na Europa ou EUA vai perceber que os nativos daquelas paragens não se dignam a abraçar alguém na primeira vez que encontram e muito menos mandam um abraço por telefone..pelo contrário esticam a mão, procurando manter do seu interlocutor uma distância protocolar e nunca, jamais conduzem a conversa de maneira informal, ao contrario de nós que perguntamos pela mãe, pelo pai, a cor da cueca,se a filha já casou ou pedimos ao vizinho uma xicara de açucar, sal ou café porque o que tinha em nossa despensa acabou!
Entendeu a diferença entre abraço e ABRAÇO ? Beijo e BEIJO ? Reporter e Entrevistado ? Amiga e Amigo ?
Um abraço pro Gravata e outro pro Caco.
PS. Gravata vc me acha "fraco" ,mesmo assim mantenho vc em ALTA CONTA!
Um outro abraço e bom feriado!
http://politica.dgabc.com.br/default.asp?pt=secao&pg=detalhe&c=8&id=5739383&titulo=Auditoria+conclui+que+75%+dos+convenios+com+ONGs+sao+irregulares
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