O ELOGIO DE OBAMA A LULA: SIM, FOI UM ELOGIO E TANTO!
13/04/2009
O ELOGIO DE OBAMA A LULA: SIM, FOI UM ELOGIO E TANTO!
Passei batido pelo assunto, porque me pareceu óbvio e incontestável. Recentemente, porém, alguns amigos chamaram atenção ao fato de que houve um debate sobre o tema. Achei estranho, não dei bola, mas a turma voltou ao papo no feriado. Fui conferir e tinham razão.
De fato, houve quem contestasse o elogio - sim, em forma de brincadeira - de Barack Obama a Lula, feito na reunião do G20. Li uma porção de "análises" e, confesso, fiquei envergonhado com algumas. De outras, só pude dar risada.
Entendo a sanha de se fazer oposição a tudo que seja minimamente positivo acerca do Presidente da República, mas rebater o óbvio e inequívoco elogio chega a ser um tanto bobo (pra dizer o mínimo).
Li, por exemplo, análises lingüísticas. O "esse é o cara", no linguajar de Chicago, não seria o mesmo "esse é o cara" da gíria brasileira, de modo que significantes e significados representariam signo lingüístico diverso daquele suposto pelos brazucas (???).
Outros preferiram se ater à parte final, o arremate: descontraído, o Presidente dos EUA solta aquela piada sobre Lula ser "bonitão". Tal chiste - eles dizem - comprova o fato de que tudo não passaria de uma brincadeira e, portanto, anula o elogio como um todo (?????).
E, para além dessas análises discursivas, há argumentos menos fantasiosos. A turma do realismo: "Obama falou besteira" ou "ele não está por dentro da política brasileira" ou ainda "é comum esse tipo de coisa entre políticos" etc.
Na boa? Risível.
Foi um elogio, sim. Foi espontâneo. O mundo inteiro viu. Pra que tapar o sol com a peneira? Não, eu não gosto da política praticada pelo Lula, mas não engrossarei essa grita coletiva contra um fato óbvio e FILMADO PELAS EMISSORAS DE TODO O PLANETA.
Lula foi elogiado. Lula é carismático. Lula é boa-praça. Obama, que também reúne essas qualidades, confraternizou com o colega Chefe de Estado, fez uma brincadeira, arrancou risos - e ainda recebeu gentilezas de Lula, em entrevista coletiva.
Nada disso significa que vivemos no melhor país do mundo, nem que Obama deu seu aval para a política praticada por Lula. Mas é ridículo minimizar o elogio ou dizer que ele não houve.
Houve, sim. Negá-lo é transformar o debate político em picuinha partidária. Tanto que não acreditei quando me disseram que a coisa chegou a esse ponto. Precisei ver pra crer. E vi. Mas prefiro ainda não crer.
Ele é o cara? Não acho. Mas Obama disse que sim.
transubstanciado por gravata às 13.04.09 - 14:14:43 | 15 comentários
Comentários, Pingbacks:
E faz sentido: Do que importa o que aconteceu entre Obama e outros líderes mundiais? Por exemplo, eu considero mais relevante do encontro o constrangedor vácuo que a Cristina tomou de Obama na hora da foto. Eu e os argentinos, e por sinal este foi o destaque por lá.
(Gravz: É preciso tomar cuidado com esses boatos. Não se pode espalhar as coisas sem ter algo concreto nas mãos)
Ótimo texto sobre o esforço ridículo de se tentar desmoralizar o comentário do Obama.
Parabéns.
Ps: Tá com febre, Gravatinha?
é isso que me preocupa, a grande quantidade de blogs infantis sobre política.
De um lado só se fala bem de Lula do outro só metem bronca.
Eu quero o meio termo inteligente. Qual blog? Qual partido é esse? O PPS parecia a saida mas se tornou radical contra Lula.
O ideal seria um partido com a honestidade de Suplicy, a vontade do PSOL e a cultura de gestão do PSDB.
Acho que temos muito para amadurecer, ou não?
Abs
É muito fácil você pregar mudanças e , depois, nomear republicanos, gente da RIAA, entre outros, para ocuparem cargos-chave na administração, como o Lula fez com o Henrique Meireles, por exemplo. Prometer tirar as tropas do Iraque e não dizer quando. (Dá pra prometer 1 milhão de casas populares desde que seja sem prazo)
Eu não tenho mais o link, mas o Obama já usou o refrão "a esperança vencerá o medo" na campanha.
Claro que pra ele, o Lula é o cara.
Viva ao Lula \o/
Quanto à galhofa, também foi divertido ver inimigos eternos do Grande Satã deslumbrados e emocionados com o elogio. Sem contar suas projeções meio psicóticas sobre o FHC (obsessão petista desde que surrou o Lula duas vezes no primeiro turno antes de pendurar as chuteiras): "deve estar se roendo de inveja".
Já ao Obama, o JK americano, que sabe distribuir simpatia como ninguém, fica meu convite: Gostou? Leva procê.
Foi um elogio sim, mas os petistas fizeram de tudo para distorcer de forma megalomaniaca.
É impressão minha, ou Obama diz "This is my man, right here!", ao invés de, como noticiado na imprensa brasileira "This is the man, right here!"? De fato, a primeira expressão faz muito mais sentido no contexto, já que, por aqui, a expressão "my man" quer dizer "meu chapa", "meu amigo".
Abraço!
P.S.: Primeira vez que comento aqui, mas sempre acompanhei teu blog. Fiquei muito contente quando resolveu voltar a escrever.
(Gravz: Sim, ele disse isso mesmo...)
Ah tá..
E o que foi dito?? Grande economista ou administrador?? Claro que não. Um elogio a cultura.... não. Um elogio as tais políticas sociais.... não, também não foi isso.
Colocando de outra forma, você está em uma festa, o anfitrião , na frente de outros convidados diz “Esse é o cara”, foi feito algum elogio? Não, não foi. O anfitrião do exemplo foi apenas simpático e cordial.
A atual falta de motivos para os petistas se vangloriarem faz qualquer coisa virar elogio...
hahahahaha
(Gravz: Alguns links aí eu não conhecia, vou ficar com eles guardados, ok? Espero que entenda...)