Arquivos para: Abril 2009

29/04/2009

AHMADINEJAD NO BRASIL? QUEM CONCORDA COM ISSO?

Sério: alguém apoia isso? Mahmoud Ahmadinejad, o presidente do Irã, alega que não houve Holocausto na Segunda Guerra e, além disso, defende a singela ideia de remover Israel da face da Terra. Em seu país, mulheres são espancadas ou mortas pelos mais torpes motivos, homossexuais são presos e também mortos pelo governo pelo "crime" de ser o que são, entre outras atrocidades.

Lula o convidou ao Brasil.

Não se trata aqui de respeitar ou não a religião dos outros. Todos temos o direito a professar qualquer que seja a fé, mas os defensores da Declaração Universal dos Direitos Humanos não discordarão de mim quanto à supremacia de algumas garantias, não é mesmo? Não há nada que justifique espancamentos, apedrejamentos, mutilações de clitóris e outros absurdos.

E, agora, somos obrigados a receber esse déspota? Não, não acho que sejamos. Nossa juventude politizada, bem como a blogosfera engajadíssima, fez e faz todo tipo de abaixo-assinado preocupado com a política internacional. Um bom exemplo é o negócio de "Fora, Bush". Ok, maravilha.

E agora?

As críticas ao ex-presidente dos EUA eram quase todas mais do que procedentes, mas todas são café minúsculo perto do que há contra Ahmadinejad. Nos Estados Unidos, há imprensa, é possível ser gay, mulheres não são apedrejadas e, acreditem, até mesmo a extinta Base de Guantánamo seria um paraíso perto dos presídios iranianos.

Claro que isso causaria um transtorno diplomático, mas Lula tem aí uma grande chance política: condenar abertamente a falta de democracia no Irã. Não se trata apenas de uma possibilidade, mas do DEVER de nosso presidente.

Porque o absurdo a que está submetido o povo iraniano vai além de qualquer ideologia, transcende a bobagem esquerda/direita. São espancamentos, apedrejamentos, prisões arbitrárias, ameaça de projetos nucleares amalucados, inexistência de liberdade de imprensa...

Lula tem uma chance. Resta saber se a usará com alguma sabedoria, ou fará "média" em nome de um protocolo que não devemos ter com quem desconhece os mínimos preceitos protocolares da vida humana.

Quanto à turma do "Fora, Bush!", deles não espero nada. E até não duvido de eventuais faixas do tipo "Seja bem-vindo, Ahmadinejad!", ou, na falta disso, comentários em blogs, relativizando a situação do Irã, pondo a "culpa" na cultura etc. etc. etc.

Como se as mulheres de lá gostassem de levar pedradas, como se os gays amassem ser espancados e mortos. Como se os jornalistas iranianos estivessem mesmo dispostos a não escrever nada além do que mandam os governantes e líderes religiosos. Como se o povo estivesse disposto a viver nesse inferno.

Mas é sempre assim. Os grandes defensores das ditaduras, que além de tudo falam acerca da "felicidade" dos que vivem sob tal regime, estão sempre em outros países, bem longe das "benesses" do governo autoritário que defendem, falando em nome de um povo subjugado (e sem procuração deste).

Fora, Ahmadinejad!

Revisão: Hellen Guareschi

transubstanciado por gravata às 29.04.09 - 14:39:59 | 47 comentários

28/04/2009

PAC EM TERRAS INDÍGENAS: RAPOSA SERRA DO SOL NOS OUTROS É REFRESCO

Todos acompanhamos - suponho - a discussão acerca do conflito entre arrozeiros e silvícolas da Reserva Raposa Serra do Sol. Em julgamento, pelo STF, os índios ganharam; o julgamento foi ideologizado, de modo que índios passaram a ser a "esquerda" e arrozeiros a "direita" (não me perguntem como se chega a esse tipo de consenso, sério, pois não sei explicar).

Mas, vejam vocês, a Folha publica hoje notícia sobre o PAC (a sigla marqueteira atribuída pelo Planalto às execuções orçamentárias de infraestrutura da União). A reportagem é a Agência Folha de Indaiatuba, sintam o drama:

"Bispo afirma que 48 obras do PAC afetam áreas indígenas - O bispo de Xingu (PA) e presidente do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), dom Erwin Krautler, 69, disse que 48 obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do governo federal, afetam diretamente terras indígenas. Segundo o bispo, cuja declaração foi feita durante a 47ª Assembleia Geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), o PAC é "autoritário e arrogante", pois as populações atingidas não são ouvidas sobre as obras em tempo hábil. Além de falar sobre o tema em entrevista, d. Erwin divulgou um texto intitulado "A igreja e os povos indígenas", no qual diz que os principais impactos são sociais e ambientais. "São projetos de transformação de leitos de rios em hidrovias, de construção de usinas hidrelétricas, de utilização de terras indígenas para passagens de gasodutos, minerodutos e linhas de alta tensão", diz o texto do bispo, que anda escoltado por policiais em Xingu por estar ameaçado de morte. Entre as obras com verbas do PAC citadas pelo bispo estão a hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, a hidrelétrica de Estreito, no Tocantins e no Maranhão, e a transposição do rio São Francisco, na região Nordeste. Em outro levantamento divulgado pelo bispo, ele diz que, incluindo obras do PAC e outras financiadas por iniciativa privada e Estados, 450 projetos afetam terras indígenas. A reportagem procurou a Casa Civil, por meio da assessoria de imprensa, para que comentasse as declarações do religioso sobre as obras do PAC. Até o fechamento desta edição, isso não havia ocorrido. (MAURÍCIO SIMIONATO E JOSÉ EDUARDO RONDON)" (grifos nossos)

E agora? Quando se trata do "PAC", aí pode? Ou, vá lá, inverte-se a polaridade ideológica, e os índios passam a ser os capitalistas/direitistas? Tudo bem que ainda estamos na fase de projetos, já que a sigla-marqueteira não sai nunca do papel, mas uma ou outra coisinha acaba sendo construída, nem que seja pra fazer aquelas cerimônias de "inauguração de placa".

Triste, né? De que lado ficará o pessoal se e quando o STF julgar um caso desses? Quando é arroz, o índio tem razão, ok. E quando é gasoduto, mineroduto, linha de alta tensão...? Aí o índio é um porco capitalista a serviço do imperialismo ianque e contra a revolução bolivariana?

Essa eu quero ver...

transubstanciado por gravata às 28.04.09 - 14:21:13 | 10 comentários

27/04/2009

FALAR DE CUBA É "APELAR"? ENTÃO EU APELO! E VOCÊS?

Certa vez, fui advertido quanto a Cuba. Era proibido citar a ilha em qualquer que fosse o papo. Estranhei, olhei para os lados: será que estaríamos sob o regime de lá? Não, nada disso. Essa era uma nova regra, baseada em outra referente ao nazismo. Falar de Cuba é proibido, simples assim, pois seria "ridículo", tal e coisa.

Ideia de quem usa país para tentar vender livro.

Estranho. Muito estranho. Porque falamos de Israel (mal e bem), dos EUA (mal e bem) e assim por diante. Falamos do nosso próprio país aos borbotões, mas quando o assunto é Cuba, surge uma nova regra. A parte cômica disso tudo é que até no blog em que somos proibidos de falar da ilha há um sem-número de links para o livro. Nem assim ele vende.

A tese obviamente não prospera, e nem digo isso pelo fato de falhar miseravelmente quanto à divulgação. Seu fiasco é elementar: falamos de Cuba tanto quanto falamos de outros países, conceitos e assim por diante. Falamos para xingar tanto quanto seus defensores citam as partes boas para elogiar. Se hoje há essa bobagem de "Citou Cuba? Apelou!", é porque durante décadas houve um correspondente enaltecedor das citações castristas.

Uma outra babaquice sem tamanho é essa conversa mole dos que "já visitaram Cuba" e tentam impor alguma autoridade por conta disso. Os discípulos de São Tomé na categoria "viagem e turismo" são comentaristas políticos relativamente desprovidos de um bom senso de ridículo.

Ou alguém aqui se omite a falar de Israel e Palestina, pois nunca pôs os pés na Terra Santa? Alguém deixa de dar pitacos sobre a Guerra no Iraque porque não esteve entre Tigre e Eufrates? Ou deixa de lado as questões envolvendo Bush, Obama e afins pelo fato de que jamais pisou em Washington? Pois é...

Cuba, e apenas Cuba, exigiria a presença in loco do comentarista político para as análises "acuradas" – e quase todos eles fazem aqueles passeios mocorongos do tipo "eu-conheci-a-verdadeira-Havana", mais ou menos como os turistas europeus cafonas que pedem para o moço do jipe dar uma volta "com emoção" nas dunas Genipabu.

Aliás, não duvido que alguns estabelecimentos tenham plaquinhas do tipo "bar da verdadeira Havana" ou "puteiro da verdadeira Havana", pois praticamente todo sacripanta que visita a capital cubana volta com essa mesma novidade: "eu fiz um passeio proibido para os turistas comuns". Pfff! Mal sabe que foi mais um feito de idiota.

E quando tudo parece que atingiu um limite de ridículo, eles usam uma amostragem pífia para montar um instituto de sociologia. Os mais à esquerda escrevem em favor do regime; os mais à direita, contra ele. E, claro, há aqueles com mania de superioridade, que preferem se colocar "acima do problema" e tratam da questão com a arrogância clássica de quem prefere não se meter com a humanidade: "todos estão errados, eu não faço parte disso".

Eu falo de Cuba tanto quanto posso, e acho engraçadíssimo quando colocam o nome do país. É divertido. Apelar também faz parte das discussões políticas, e quem defendeu Cuba por trocentos anos que peça arrego e concorde com seu fracasso, ou passe vergonha tentando defender o indefensável.

Qual o problema nisso? Nenhum. As citações recorrentes do regime ditatorial não são um "achado filosófico". Usar esse fato como "mote" para algum tipo de publicação é risível. E fazê-lo para ridicularizar quem cita Cuba é potencializar ainda mais a piada patente que já nasce pronta sobre si próprio.

Afinal, depois de anos e anos e anos defendendo Cuba, agora a esquerda arcaica (ou seus simpatizantes que se colocam "acima do problema") nos proíbem de falar da ilha? Apelar por apelar, isso lembra o menino dono da bola, que a retirava do campo quando seu time começava a perder de lavada.

Coisa de chorão.

Revisão: Hellen Guareschi

transubstanciado por gravata às 27.04.09 - 16:05:51 | 20 comentários

24/04/2009

BARBOSA: APLAUSOS QUANDO BRIGA COM GILMAR, SILÊNCIO QUANDO ACEITA A DENÚNCIA DO MENSALÃO

Ao discutir com Gilmar Mendes, Joaquim Barbosa se transformou em herói dos inimigos daquele com quem bateu boca, no melhor estilo "inimigo do meu inimigo é meu amigo". Nunca tive simpatia alguma pelo Ministro Gilmar, e isso já ficou claro neste blog. Mas, não por isso, devo concordar ou discordar de Barbosa. Porque cada caso é um caso e é preciso levar em conta os fatos, não as pessoas.

E a petistosfera caiu na arapuca sem pensar nisso.

Isso porque Joaquim Barbosa é nada menos que o Ministro do STF encarregado de relatar o processo do Mensalão. Isso mesmo. E, como tal, foi ele que acolheu a denúncia do Procurador Geral da República, acatando a denúncia da "quadrilha".

Naquela ocasião, vejam só, não foi aplaudido pelos blogs ligados ao PT. Não recebeu nenhum tipo de apoio ou coisa do tipo. Nada. Passou batido. Quando se pôs contra um esquema de corrupção avassalador, Joaquim Barbosa foi ignorado por toda a petistosfera e, até hoje, muitos desses blogs consideram o Mensalão uma coisa fictícia, "criada pela imprensa".

Ontem, por exemplo, vi uma cena a um só tempo ridícula, teratológica e absurdamente cínica: um militante conhecido na Internet, subscritor de abaixo-assinado para ANISTIAR Zé Dirceu, elogiava Joaquim Barbosa.

É mole? Ele é um herói quando discute com Gilmar Mendes numa sessão do STF; mas, quando acolhe a denúncia contra os mensaleiros, não merece nem ser mencionado.

Há dois Joaguins Barbosas. Um bom e um ruim. O bom é o que briga com o Gilmar, o ruim é o que aceita denúncia contra a corrupção petista. Um ganha textos em sua homenagem nos blogs do governo. O outro é ignorado a ponto de se pensar que nem deva existir.

Não gosto de Gilmar Mendes nem da corrupção petista. No caso da discussão, achei o episódio no máximo divertido, e ao mesmo tempo um tanto vexatório em razão de ter acontecido numa sessão do tribunal. No caso do Mensalão, achei corajoso, mas aguardo o julgamento pois é assim que se deve proceder no Estado Democrático de Direito.

A petistosfera, porém, separa as coisas de uma forma curiosa. Faz festa e alarde na hora da briga com Gilmar, e finge que Joaquim Barbosa não existe quando ele acolhe a denúncia contra o PT. O de sempre, portanto:

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

transubstanciado por gravata às 24.04.09 - 14:44:35 | 24 comentários

23/04/2009

A INTERESSANTE (E POSITIVA) REAÇÃO DOS ELEITORES DE GABEIRA

Cabe uma reflexão: ninguém passou panos quentes para Gabeira. Ninguém negou, ninguém tergiversou, ninguém o defendeu como um Messias. Muitos blogueiros que fizeram campanha para ele, como Pedro Dória, não aliviaram as coisas para o deputado.

Não votei em Gabeira, sou de São Paulo. Mas fui um entusiasta de sua candidatura. Obviamente me decepcionei com o negócio das passagens. Não acho que seja certo e desculpa alguma me convencerá do contrário. Estou com Pedro Dória, estou com tantos outros. Repito o que disse Pedro, aliás: "Porra, Gabeira!".

E, quanto a isso, surge um fator curioso (ou não tão curioso assim): lembram do Mensalão? Ou, se preferir, escolha o escândalo de sua predileção. Quando algum nome aparece envolvido até o pescoço, com evidências irrecorríveis, ainda assim os partidários o defendem com unhas e dentes.

Mesmo quando não há como defender, usam aqueles "argumentos" risíveis como "todo mundo faz isso" ou "na época do fulano faziam igual".

Não aceito essas desculpas e não "desculpo" Gabeira por isso. Não é a minha forma de fazer política, de aceitar o jogo político e de escolher quem eu gosto. Pode ser que continue ou não apoiando Gabeira, mas sempre pesarei esse fato, não o ignorarei nem vou fazer de conta que nunca existiu.

Gosto de ser assim.

ps. - Pedro Dória fez campanha para Fernando Gabeira, foi um dos primeiros, até foi ameaçado de processo por isso. Quando surgiu o nome do deputado em meio ao escândalo das passagens, não hesitou em escrever o texto (esse aí linkado) condenando a prática, sem fazer de conta que nada aconteceu. Uma reação diferente como a dos que até hoje dizem que o Mensalão foi um fato inventado.

transubstanciado por gravata às 23.04.09 - 13:15:21 | 9 comentários

21/04/2009

DAS "IRRELEVÂNCIAS SELETIVAS"

A defesa oficial do governo agora diz que esse negócio das passagens são "irrelevâncias". É a defesa padronizada; mais ou menos como fizeram no caso dos gastos com cartões corporativos do Planalto (que gerou a feitura do Dossiê contra FHC). Naquela ocasião, chamaram de "escândalo tapioca".

Afinal, só é escandaloso aquilo que recai sobre os inimigos. As safadezas dos amigos são todas perdoadas e merecem apelidos carinhosos. Tanto que, sobre Protógenes, coube uma linha. Sobre Gabeira, um texto imenso. É do jogo - mas um jogo que não aceito jogar.

Falemos, pois, sobre as "Irrelevâncias".

Dizem que isso serve para "encobrir" algumas contratações que o Poder Público - em todas as esferas - realiza a fim de comprar editoras, opiniões etc. E isso se dá pela "inexigibilidade" de licitação na compra e/ou assinatura de periódicos.

Como exemplo, há um post no blog de Luís Nassif (print screen abaixo):

O "argumento" - ainda que com essa terceirização de postagem, na base de "Por Fulano" - leva a crer numa espécie de conspiração. Mas é bobagem. Para se ter uma idéia, o Governo Federal tem como maior beneficiária, dentre as publicações contratadas, a revista Brasileiros. Sabem quem são editores? Ricardo Kotsho e Nirlando Beirão. Nassif não diz nada quanto a isso; inclusive quanto ao fato de que não houve licitação.

E nem poderia, pois é mesmo inexigível. A compra e/ou assinatura de periódicos e hebdomadários, ou mesmo revistas mensais, é sempre realizada sem COM inexigibilidade, nos termos da Lei 8.666/93:

"Art. 25. É inexigível a licitação quando houver inviabilidade de competição, em especial:

I - para aquisição de materiais, equipamentos, ou gêneros que só possam ser fornecidos por produtor, empresa ou representante comercial exclusivo, vedada a preferência de marca, devendo a comprovação de exclusividade ser feita através de atestado fornecido pelo órgão de registro do comércio do local em que se realizaria a licitação ou a obra ou o serviço, pelo Sindicato, Federação ou Confederação Patronal, ou, ainda, pelas entidades equivalentes;"

Não foi por outro motivo, inclusive, que Marta Suplicy achou razoável comprar VINTE E CINCO MIL EXEMPLARES DE UMA ÚNICA EDIÇÃO DA REVISTA FÓRUM. Isso mesmo: 25 mil. E quem o fez foi a Secretaria de Educação, muito embora se trate de uma revista de viés político.

A justificativa, como consta do Diário Oficial do Município (vejam abaixo), é exatamente essa que pus acima: Inexigibilidade, nos ternos do Art. 25, inc. I. Mas, sobre isso, Nassif nunca falou nada. Aliás, deu entrevista à publicação, sem questioná-la quanto a tal fato.

Quando falei disso, levei um escracho de Renato Rovai - e olha que não falei por mal, apenas mencionei o vínculo, sem acusar crime algum, até porque crime não há. Foi uma mera citação de fato público e notório. A resposta dele foi bombástica: eu me chamo Fernando Gouveia (???).

Outro exemplo de favorecimento era a benevolência publicitária das gestões petistas com a revista Caros Amigos. Não sei como está hoje, mas nos primeiros anos era uma verdadeira piada. Prefeituras da casa do chapéu, governos estaduais, empresas estatais, enfim, tudo que era órgão público gerido pelo PT e/ou partidos próximos anunciavam na revista.

Licitação? Não, nunca precisou (de novo, tudo dentro da lei - poder discricionário etc.). E é uma pena não ter como consultar esses gastos públicos para se ter uma idéia do quanto foi investido em publicidade nos primeiros anos de tal publicação.

E os "Palestrantes"?
Quanto às contratações para "engordar o caixa", proponho a abertura de outro debate: CONTRATAÇÃO DE PALESTRANTES. Que tal? Porque as revistas e os jornais, de fato, podem ter lá seus dois ou três "concorrentes". Mas e os que são contratados para dar palestras?

Seguramente, há por volta de duzentos em cada área. Mas governos, empresas e bancos públicos contratam um, dois, no máximo três. E pagam uma grana boa. Tudo SEM LICITAR, alegando NOTÓRIA ESPECIALIZAÇÃO.

Então pergunto: QUAL É ESSA ESPECIALIZAÇÃO, MEU DEUS??? Porque, quando o tema é medicina, puxa-se a formação acadêmica. Quando é advocacia, há o mesmo procedimento. E assim vai com engenharia, arquitetura etc.

E quando é economia? No mínimo, além dos estudos, teses e trabalhos, é preciso consultar os êxitos financeiros do palestrante. Será que o fazem, para então constatar a "notória especialização"? Não sei. Mais um pouco e chegamos à teratologia de credor contratar devedor para "palestrar" sobre economia em sua própria sede.

Podemos debater sobre esse tema, o que acham? Ou isso também é uma irrelevância?

Epa! Acho que há links no Portal da Transparência...

transubstanciado por gravata às 21.04.09 - 14:32:26 | 12 comentários

20/04/2009

ANGRA 3: ESTÚPIDA, CARÍSSIMA, SEM NOVA LICITAÇÃO, ANDRADE GUTIERREZ...

Lula é um presidente popular. Muito popular. Somente isso explicaria algo como a iniciativa de retomada do "projeto nuclear" brasileiro. Há um sem-número de motivos para contestar o projeto, mas ainda assim o Planalto o toca adiante. Vejam:

Estupidez
Como todos sabem, não há rios no Brasil. Nem ventos ou exposição ao sol. Desta feita, sem possibilidade de energia hidrelétrica, eólica ou solar, somos obrigados a partir para as usinas termonucleares.

Meio-Ambiente
Será em Angra, paraíso de Mata Atlântica.

Preço
Os concorrentes preteridos, em razão da data em que foi realizado o certame licitatório (1983), alegam que as novas tecnologias economizariam os custos calculados em até 40%. Faz sentido; mas não para o Governo. Os valores foram mantidos e curiosamente reajustados de acordo com o montante originário, tendo como base a tecnologia ANTIGA.

Sem Nova Licitação
Como foi dito, o procedimento licitatório foi realizado em 1983. Qualquer administrador público com um mínimo de responsabilidade faria NOVA licitação. Mas não parece ser o caso do governo federal, pois única e tão-somente retomarão as obras e fim de papo. Parece até piada.

Andrade Gutierrez
Não há indício de corrupção, mas não deixa de ser uma triste coincidência o fato da empreiteira vencedora ser justamente a Andrade Gutierrez, cujo dono é o PRINCIPAL DOADOR das campanhas petistas, e um dos donos da Oi/Telemar - sim a empresa que colocou CINCO MILHÕES na biboca do Lulinha e depois se deu bem na compra da BrT.

Escolha seu motivo para se opor à imbecilidade dessa usina. Ou, sei lá, invente algum para tentar defendê-la.

(Correção: eu havia posto "Camargo Correa", mas é obviamente pior... Quem venceu a licitação em 1983 foi a Andrade Gutierrez, cuja relação com o PT vocês vêem no texto...)

transubstanciado por gravata às 20.04.09 - 17:26:32 | 30 comentários

20/04/2009

PROTÓGENES VIAJA COM DINHEIRO PÚBLICO, NA COTA DE LUCIANA GENRO, DO PSOL

E essa, hein? O Delegado Protógenes Queiroz viajou, às custas de dinheiro público, para fazer parte justamente de um ato "anticorrupção". A mamata foi concedida pelo gabinete de Luciana Genro, do PSOL.

Com isso, Protógenes se transforma numa espécie de Adriane Galisteu do socialismo, uma Stephany Britto do PSOL. E o "ato anticorrupção", vá lá, fica como um "Carnatal" da politicagem oportunista.

No mais, e como sempre, nós pagamos a conta.

transubstanciado por gravata às 20.04.09 - 17:07:38 | 5 comentários

19/04/2009

O CULPADO PELA CRISE...

(peguei daqui)

transubstanciado por gravata às 19.04.09 - 10:05:27 | 8 comentários

19/04/2009

BLOG/TWITTER DO PLANALTO: PAC 2.0?

Anunciaram um futuro blog, a ser feito sabe-se lá quando pelo Palácio do Planalto. É dessas notícias com mais futuro-do-pretérito que qualquer coisa. Também anunciam a confecção de perfil no Twitter e, novamente, empregam tal tempo verbal com condicionais à mancheia.

É hora do velho amigo "epa!".

Isso tudo lembra o PAC; a sigla com ótimas intenções, mas resultados práticos próximos ao zero. E as semelhanças não param por aí. Há um dado no mínimo curioso: O GOVERNO DE SP JÁ TEM PERFIL NO TWITTER HÁ MESES!

Pois é.

Digam o que quiser - e a petistosfera não perderá tempo em imputar a mim títulos como "serrista", "tucano" ou algo do gênero -, mas é fato inequívoco e objetivo que o Governo de SP já tem um perfil no Twitter FUNCIONANDO há tempos. E blog seria algo bacana, desde que haja qualidade (tendo em vista que políticos têm os seus desde 2004/2005). A grande novidade tecnológica e participativa é mesmo o Twitter e, gostem ou não, o pioneiro é mesmo o Governo de SP.

A atividade de tal perfil, aliás, não é partidária nem eleitoreira nem nada com vínculos ou funções "barackobâmicas", como anunciam os jornais ao tratar das pretensões lulistas. Trata-se, sim, de um serviço de utilidade pública.

Quanto ao blog, e como já foi dito, vereadores e chefes do executivo tinham e têm os seus desde 2004, 2005. É notícia velha. Lançar algo do gênero, hoje, só convence pela qualidade. Quanto a Lula, talvez o inusitado da coisa seria ver, pela primeira vez, o Presidente escrevendo algo de sua própria lavra (e falo isso aqui sem veia preconceituosa ou discriminatória, mas porque há mesmo uma curiosidade textual quanto a isso, sim).

Porque todos os grandes nomes da política nacional, Dilma incluída, têm alguma experiência em artigos, textos, colunas e quejandos. Menos Lula. Talvez a grande notícia seria mesmo a hipótese de não se usar um 'ghost writer'.

Mas quem aposta nisso?

Enquanto blog, twitter e afins não vão ao ar, porém, mantém-se aquela toada de "PAC 2.0", uma versão digital da "aceleração do crescimento": só anúncio, mas nada de resultado prático. Pra ficar mesmo idêntico ao correspondente físico, falta o Planalto tomar como seu o Twitter de algum governo estadual.

transubstanciado por gravata às 19.04.09 - 04:39:24 | 4 comentários

16/04/2009

PT, PETROBRAS X ONG DA BAHIA: A DIFERENÇA ENTRE FATO E MÉTODO

Eis que a FSP, hoje, solta reportagem bombástica (por Silvio Navarro e Elvira Lobato): Petrobras usa uma ONG da Bahia para bancar a festa de São João. O caso pode ser visto como "fato isolado". Mas não é. Trata-se de um método e, como tal, merece uma análise diferenciada. Vejamos.

Primeiro, trechos da reportagem:

"Petrobras usa ONG petista para bancar São João na BA - No ano passado, estatal destinou R$ 1,4 milhão para festa em 26 municípios - Dirigida por vice-presidente do PT no Estado, entidade foi declarada de "utilidade pública" e intermedeia os repasses às prefeituras - A Petrobras contratou uma ONG dirigida por Aldenira da Conceição Sena, vice-presidente do PT da Bahia, para gerenciar R$ 1,4 milhão destinado ao financiamento das festas de São João em 26 municípios do interior do Estado em 2008. Conceição Sena, também ligada à CUT, é funcionária do gabinete do líder do PT na Assembleia, Paulo Rangel, por sua vez autor do projeto de lei que concedeu título de "utilidade pública" à Aanor (Associação de Apoio e Assessoria a Organizações Sociais do Nordeste). Entre outros benefícios, esse status permite à ONG abater doações do Imposto de Renda. A Aanor atua como intermediária no repasse do dinheiro às prefeituras. Procurada pela Folha, Conceição Sena afirma que a ONG é responsável por reembolsar as empresas que atuam no São João. "As entidades e as prefeituras contratam o serviço e apresentam nota. O pagamento é ao fornecedor", diz. Ela declarou estar "em processo de afastamento" da ONG. (...) Segundo prefeitos, Rosemberg atuou em campanhas de petistas em 2008, sobretudo em Itapetinga e São Francisco do Conde. Nas duas cidades, o PT venceu. A Petrobras afirma que, "desde julho de 2008, Rosemberg não atua na área responsável por patrocínios e não exerce suas atividades profissionais na Bahia". "Ele criou um diretório do PT em Itapetinga, com gente que era do [ex] PFL de ACM e formou um grupo com muito dinheiro para ganhar a eleição", afirma o ex-prefeito Michel Hagge (PMDB), derrotado ao tentar a reeleição. A Petrobras começou a patrocinar o São João em 2005, quando liberou R$ 1 milhão para 26 municípios da Bahia. Os repasses variaram de R$ 13 mil a R$ 80 mil. Em 2006, 21 cidades baianas receberam ajuda da estatal por intermédio da Aanor. Em 2007, o número saltou para 46, de acordo com ata de Assembleia Geral Extraordinária da Aanor. Três cidades contempladas com R$ 80 mil anuais são Senhor do Bonfim, Cruz das Almas e Amargosa, administradas pelo PT. O prefeito de Amargosa, Valmir Almeida Sampaio, diz se tratar de coincidência..." (grifos nossos)

Do Método
Publiquei aqui, antes de limar os arquivos, uma longa reportagem sobre o caso dos Telecentros da gestão Marta. O esquema envolvia uma ONG, então Oscip, que repassava todo o objeto do contrato para uma Cooperativa (a Lei das OSCIPs permite que tais ONGs sejam contratadas sem Licitação, mas veta a contratação de cooperativas...).

Tal OSCIP contratada, vejam só, retinha 10% do valor total, a título de "Taxa de Administração". Os "cooperados" eram, em sua maioria, contratados diretamente pelos funcionários da Coordenadoria do Governo Eletrônico (um deles, sintam o azar!, é amigo meu de infância).

Resultado: inúmeros processos trabalhistas, enroscos sem fim, mas ainda assim uma metodologia "importada" ao Governo Federal, haja vista que o outrora Coordenador do Governo Eletrônico fora transferido para o ITI, ligado à Casa-Civil (na época com Zé Dirceu de titular).

Adivinhem quem fechou contratos envolvendo tal ONG, tal Cooperativa e o ITI? Sim, acertou quem disse PETROBRAS.

Por isso, digo sem medo: é um método. Não se trata de um fato isolado. Pode ser na Bahia, pode ser em São Paulo, pode ser onde for. Somem os fatos, temos uma metodologia.

ps. - na próxima semana, ou talvez ainda na outra, republico todo o material sobre o Governo Eletrônico e os Telecentros na Gestão Marta.

transubstanciado por gravata às 16.04.09 - 14:34:08 | 12 comentários

15/04/2009

ASSIM CAMINHA A... NÃO, NÃO É A HUMANIDADE

Sou favorável às manifestações populares e, claro, acho que o povo tem mais é que se manifestar, mesmo. Algumas dessas iniciativas, por exemplo, são tão criativas e engraçadas que chamam muito mais atenção porque inusitadas do que por sua finalidade (como as do moço do megafone, p.ex.).

Mas às vezes o povo exagera (e, por 'povo', leia-se: sindicatos e afins -, os "afins" de sempre...). A rapaziada passa um tico do limite. A ver.

Fizeram, por exemplo, uma passeata contra a crise, o que equivale, pela lógica, a um grande passeio contra furacões e terremotos. Ou, para manter o fenômeno marítimo de Lula: um "jogging coletivo anti-marolinha".

E isso não é coisa só dazisquerdas. Asdireita ou azoposição também dão dessas, como no caso do acidente da TAM. Aproveitaram um amontoado de cadáveres e foram fazer baguncinha contra o governo. Não deu nem tempo de chegar em Congonhas e já haviam descoberto que de mil culpados, o Governo não estava nem perto da lista. Vexame.

Agora, mais uma: passeata contra, entre outras coisas, O VESTIBULAR. Tá, tá, ok. Mas o que poriam no lugar? Pergunto isso porque já fiz a mesma pergunta para uma respresentante do MSU (Movimento dos Sem Universidade). E até hoje ninguém me respondeu.

Como colocar alunos nas faculdades? Qual método usar?

Dois ou um? Palitinho? Adedanha? Campeonato de tênis de mesa? Duelo de iPods? Alguém aqui consegue imaginar algum tipo de sistema meritocrático (epa!) mais razoável do que o vestibular?

Eu, honestamente, não.

Sim, sei, às vezes a pessoa não está num bom dia. Paciência. Por isso que há a chance de fazer a mesma prova infinitas vezes. No caso da análise curricular, por exemplo, os alunos estariam expostos à desigualdade dos colégios: e sabe quem ganharia a vaga? Os ricos, pois pagariam para tirar boas notas nos colégios de araque.

Cotas para negros? Cotas para pobres? Cotas para portadores de vitiligo? Sabemos que isso cria um ambiente de segregação insuportável. Vejam o caso da moça que, comprovadamente mestiça (mulata) e aceita no sistema de cotas, foi posteriormente EXPULSA porque "nunca sofreu discriminação preconceituosa" (???).

A Lei não fala nada sobre isso, mas uma comissão fascista a expulsou mesmo assim, pois na opinião deles - que, vale repetir, não obedece à Lei -, seria preciso não apenas ser afrodescentende, mas também ter "sofrido".

Enquanto isso, "caminha a humanidade". Mas no sentido mais deplorável do termo. No sentido da passeata sem sentido. No sentido sem rumo. No sentido semovente. Como gado. No sentido desumano.

transubstanciado por gravata às 15.04.09 - 17:49:25 | 15 comentários

14/04/2009

SOY LOCO POR TI AMERICA

Tem da ilha e do paráguas.

Obama, el Desembargador
Já que ninguém em Cuba se mexe pela Democracia, cabe aos amantes da ditadura comemorar uma medida estadunidense: Barack Obama alivia um pouco o embargo (que sempre foi bilateral, mas cuja chiadeira começou quando acabou a mesada vinda da ex-URSS).

Agora, pelo pouco que sei, é possível que americanos enviei alguns gêneros e mesmo dinheiro aos residentes em Cuba. Quero ver deixarem chegar barcos motorizados ou computadores com acesso à Internet via satélite. Aí já é demais para a ditaduríssima, não é mesmo?

Aliás, vagando pela castrosfera, notei a alegria em razão da medida, mas nenhum dos entusiastas do genocídio cubano aproveitou a deixa para cobrar uma mísera abertura do regime. Por que será? Acho que sei.

Lugo, el Fornicador
Fernando, o Lugo, aprontou das suas. Ainda quando bispo, não rezou como mandava a cartilha católica e achou por bem manter romance com uma garota do povoado que deveria apenas catequizar.

Muitas genuflexões depois, ela engravidou do então bispo e agora Presidente do Paraguai, e aparentemente o filho não é falsificado. Homem que só ele, o supremo mandatário disse que assumiria a responsabilidade de tudo, mas em seguida falou que não diria mais nada (aí é fácil, né?).

Vida íntima é vida íntima, mas o problema aí é que a lei paraguaia não vê com bons olhos a fornicação de um maior de idade (sobretudo um senhor já idoso) com menores de 18 anos. E a mocinha, mãe do filho do presidente teria 16 anos quando começou o reco-reco - para efeito jurídico, trata-se de "sedução de menor", mesmo.

Dúvida ideológica: esse comportamento é de esquerda, direita, meramente anarquista ou o quê? Mais uma: se fosse alguma outra figura, alinhada talvez a outras forças ideológicas, a notícia não teria repercutido nos blogs mais babentos? Não veríamos petições online daquelas que estamos carecas de acompanhar? Pois é, pois é...

Mas uma garota de dezesseis anos só merece atenção humanitária de blogueiros que defende meninas indefesas quando seu "violentador" é alguém alinhado com determinada bandeira. A pobre coitada da mocinha paraguaia deu azar: o velho que transou consigo é "dasisquerda". Perdeu a chance de ser defendida pela blogosfera nervosa brasileira. Pobre moça. Entrou no esquema do "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa". Quem diria! Até a sedução de menores, agora, tem viés ideológico.

Enfim
Mais do mesmo.

transubstanciado por gravata às 14.04.09 - 19:56:43 | 13 comentários

13/04/2009

O ELOGIO DE OBAMA A LULA: SIM, FOI UM ELOGIO E TANTO!

Passei batido pelo assunto, porque me pareceu óbvio e incontestável. Recentemente, porém, alguns amigos chamaram atenção ao fato de que houve um debate sobre o tema. Achei estranho, não dei bola, mas a turma voltou ao papo no feriado. Fui conferir e tinham razão.

De fato, houve quem contestasse o elogio - sim, em forma de brincadeira - de Barack Obama a Lula, feito na reunião do G20. Li uma porção de "análises" e, confesso, fiquei envergonhado com algumas. De outras, só pude dar risada.

Entendo a sanha de se fazer oposição a tudo que seja minimamente positivo acerca do Presidente da República, mas rebater o óbvio e inequívoco elogio chega a ser um tanto bobo (pra dizer o mínimo).

Li, por exemplo, análises lingüísticas. O "esse é o cara", no linguajar de Chicago, não seria o mesmo "esse é o cara" da gíria brasileira, de modo que significantes e significados representariam signo lingüístico diverso daquele suposto pelos brazucas (???).

Outros preferiram se ater à parte final, o arremate: descontraído, o Presidente dos EUA solta aquela piada sobre Lula ser "bonitão". Tal chiste - eles dizem - comprova o fato de que tudo não passaria de uma brincadeira e, portanto, anula o elogio como um todo (?????).

E, para além dessas análises discursivas, há argumentos menos fantasiosos. A turma do realismo: "Obama falou besteira" ou "ele não está por dentro da política brasileira" ou ainda "é comum esse tipo de coisa entre políticos" etc.

Na boa? Risível.

Foi um elogio, sim. Foi espontâneo. O mundo inteiro viu. Pra que tapar o sol com a peneira? Não, eu não gosto da política praticada pelo Lula, mas não engrossarei essa grita coletiva contra um fato óbvio e FILMADO PELAS EMISSORAS DE TODO O PLANETA.

Lula foi elogiado. Lula é carismático. Lula é boa-praça. Obama, que também reúne essas qualidades, confraternizou com o colega Chefe de Estado, fez uma brincadeira, arrancou risos - e ainda recebeu gentilezas de Lula, em entrevista coletiva.

Nada disso significa que vivemos no melhor país do mundo, nem que Obama deu seu aval para a política praticada por Lula. Mas é ridículo minimizar o elogio ou dizer que ele não houve.

Houve, sim. Negá-lo é transformar o debate político em picuinha partidária. Tanto que não acreditei quando me disseram que a coisa chegou a esse ponto. Precisei ver pra crer. E vi. Mas prefiro ainda não crer.

Ele é o cara? Não acho. Mas Obama disse que sim.

transubstanciado por gravata às 13.04.09 - 14:14:43 | 15 comentários

10/04/2009

É POSSÍVEL DIVERGIR SEM MENTIR - ou - ALGUMAS LENDAS URBANAS (E SUBURBANAS) SOBRE MINHA PESSOA

No texto anterior (leia abaixo), escrevi sobre a Lei Antifumo. Sou a favor, enquanto a maioria de meus leitores são contrários à medida. O que aconteceu? Brigamos de porrada? Fomos às vias de fato? Acusamo-nos reciprocamente de cada lado defender uma indústria mediante contraprestação financeira?

Não.

Defendemos nossos pontos de vista, demos exemplos, às vezes ironizamos daqui e dali, mas prevaleceu o debate civilizado. É assim que funciona. Acusações? Não. Ataques contra a pessoa de um ou de outro? Jamais.

Conscientemente, toquei num ponto polêmico. Mas não por birra ou para realizar um experimento psicanalítico coletivo. Aquela é mesmo minha opinião sobre o caso. E, assim creio, nos comentários estão os pensamentos legítimos dos comentadores.

Por que esse preâmbulo? Simples: nem sempre é assim. Quando me pus contra o tal "dossiê Veja", e o fiz após constatar uma série de fatos que não batiam e contradições pra lá de evidentes, não o fiz por qualquer razão se não minhas convicções pessoais e meu livre convencimento.

Mas qual foi a "explicação" do outro lado? Fui "cooptado". Simples assim. Passei a ser alguém digno de "desconfiança". Em tempo algum meus argumentos foram rebatidos ou refutados. Nem mesmo postos à baila para uma análise. Nada. O ataque descabido e infundado veio contra minha pessoa. Fui "cooptado". Simples assim.

Com a "Lei Azeredo", mesma coisa. Mais mentiras, agora por parte de Sérgio Amadeu. Ele diz (comentando post do Pedro Dória) que eu "assessoro" um Deputado (???), confundindo alhos com bugalhos, na sanha de fazer passar seu argumento tosco. Abaixo, a íntegra do comentário lá publicado:

"Tenho batido contra o projeto do Azeredo e continuarei batendo. Espero que ele não consiga (com sua nova posição de presidente da Comissão de Relações Internacinais do Senado) barganhar mais espaço na negociação com o MJ. Estranho é o cara da Imprensa Marron que assessora a direita, que já publicou que o PL do Azeredo não era ruim, agora estar indignado. Estranho nada. Será que o deputado que ele assessora irá votar contra o projeto do Azeredo/PF/MJ???? Qual será o parecer dele que é um advogado?" (grifo nosso)

É mole? E faz questão de OMITIR o nome do Tarso Genro. É "PF/MJ". Nada de Tarso! Naaaaada! O Azeredo é fulanizado, mas o Ministro é poupado, já que tem a mesma filiação partidária do comentarista. Eu não tenho filiação partidária alguma, podem colocar o nome do Azeredo! Mas ponham, também, o de Tarso! Que tal?

Quanto ao Projeto, meu "parecer" é simples: passei a defendê-lo depois das alterações do Senador Mercadante e, confesso, não tenho a menor simpatia pelo dito cujo, sobretudo depois do Caso dos Aloprados.

Mas com a Minuta do MJ transformando o Projeto em "Lei Tarso Genro", não dá mais para defendê-lo. A Ordem Judicial, no Devido Processo Legal, deu vez à "ordem policial" (???) - entre outras bizarrices, como a exigência de RG e a exposição das vísceras do usuário da Internet.

Não, não sou mais favorável. Deixou de haver a mera exigência de registro de dados básicos para se transformar numa bizarrice que ultrapassa qualquer exagero digno das fantasias de George Orwell.

E, repito: não assessoro nenhum deputado ("a direita"????). Nem senador. Nem nada do poder público. Saí dessa há vários meses e agora estou na iniciativa privada. Não entendo de onde saiu essa mentira, mas a mitomania explica muita coisa.

Também nunca me envolvi com escândalos em ONGs, nem nunca subscrevi abaixo-assinado pedindo anistia para José Dirceu, nem me retirei de governo algum quando o "Zé" foi exonerado, nem defendo a inclusão digital fazendo parte da diretoria de evento de multinacional monopolista de telefonia.

Enfim
Era isso que tinha para dizer, meus caros. Há o debate civilizado, centrado nas idéias e nos fatos, e há aquele voltado a atacar pessoas, sem preocupação com a verdade ou "detalhes" desse tipo.

Por essas e outras, sinto-me orgulhoso de ter comentaristas como vocês e, talvez curiosamente, é em textos de divergência e debates calorosos que esse orgulho se evidencia.

Boa páscoa.

transubstanciado por gravata às 10.04.09 - 14:32:00 | 20 comentários

09/04/2009

LEI ANTIFUMO: RESTRIÇÃO OU GARANTIA DE DIREITOS?

Os fumantes têm direitos, os não-fumantes também. A lei sancionada pelo Governo de SP, aparentemente, restringe um 'direito' dos que fumam. Na verdade, porém, permite ao não-fumante o exercício do seu direito que, sim, está acima daquele outro.

Explico.

Não há, antes de tudo, categorias de pessoas. O fumante não é uma pessoa "pior". Mas o ATO DE FUMAR é, sim, uma atividade prejudicial. Desta feita, não se restringe a PESSOA, mas O ATO. Quem sofre a sanção é a pessoa? Sim, mas não em razão de si própria, mas sim por conta do ATO. Esse é o centro.

A discussão filosófica se circunscreve às liberdades individuais, como se isso precedesse o totalitarismo. Bobagem. As sociedades liberais mais avançadas convivem com as mais severas leis antitabagistas exatamente porque elas CONSAGRAM garantias aos indivíduos.

Nos EUA, por exemplo – e especificamente em NY –, paga-se uma taxa por fumar MESMO DENTRO DE CASA. É isso. O sujeito fuma na própria casa e ainda por cima paga uma taxa, pois com isso ele prejudica a saúde dos vizinhos e, pombas!, ele não tem esse direito.

Sim, não tem.

Bem como cidadão algum tem o direito de prejudicar a saúde de outra pessoa fumando num ambiente fechado. Simples assim. Essa mesma pessoa, porém, pode ficar o tempo que for no mesmíssimo estabelecimento. DESDE QUE NÃO FUME. O que se pune, portanto, é o ATO – e não o indivíduo.

"Ah, mas é vício..." – então perguntemos aos liberais brasileiros, defensores do Império das Leis, o que acham dessa mesma desculpa quando aplicada à cocaína ou à maconha. Afinal, há leis por aí vetando o uso de tais substâncias, assim como o dispositivo atual proíbe o uso do cigarro em ambientes fechados.

Em suma: cumpra-se.

Não há qualquer justificativa plausível em favor de quem tenha um vício que prejudique a saúde alheia. Sou contra o exagero novaiorquino de se aplicar multa a quem fume dentro de casa. Quer contaminar seus familiares ou apenas si próprio, ótimo.

Mas num ambiente fechado? É demais. Não faz o menor sentido. É um "direito" que não subsiste sob qualquer ponto de vista lógico. Com o perdão da escatologia, é como ter o "direito" da flatulência em ambientes fechados – e falamos aqui de uma necessidade fisiológica, algo hierarquicamente superior ao vício.

Não, não há esse "direito". Antes do ATO de fumar, vem o DIREITO A NÃO RESPIRAR O AR CONTAMINADO. É essa a discussão, e não uma escala de valores entre as pessoas.

Sim, donos de bares dirão que haverá uma queda, que tudo é eleitoreiro, talvez a oposição faça discursos nesse sentido (mesmo com o ponderado e inteligente apoio de Lula). Mas fato é que não existe nem nunca existiu o "direito de prejudicar a saúde alheia".

E, se for para discutir, tiremos as pessoas do centro do debate, situando em tal contexto os atos. Daí, sim, falaremos de garantias e direitos individuais.

Revisão: Hellen Guareschi

transubstanciado por gravata às 09.04.09 - 19:32:47 | 48 comentários

07/04/2009

JORNALISTAS GRAMPEADOS: TOGNOLLI DIVULGA E ANALISA O RELATÓRIO DE PROTÓGENES SOBRE OS JORNALISTAS VIGIADOS PELA PF

Antes de tudo, é muito fácil selecionar este ou aquele trecho. Não sou jornalista, tanto menos presto serviço. Desse modo, aqui está o link para que todos leiam na íntegra. Leiam, releiam, e repitam o procedimento tantas vezes quanto for necessário.

Tognolli fez um quadrinho com o nome dos jornalistas citados no relatório. Houve quem dissesse ser uma "tática", depreciando seu trabalho. Não, não é. De fato, MINO CARTA REALMENTE FOI CITADO (para se ter uma ideia dos critérios de Protógenes...). Primeiro, vejam o quadro:

Agora, passemos à excelente reportagem de Claudio Julio Tognolli, abaixo, praticamente na íntegra:

"Quem são os jornalistas perseguidos por Protógenes - Pelo menos 25 jornalistas de renome, que atuam em grandes veículos de comunicação, foram acusados pelo delegado federal Protógenes Queiroz de fazer parte de um esquema conspiratório a favor do banqueiro Daniel Dantas, do Banco Opportunity, investigado pela Polícia Federal por supostos crimes financeiros, na chamada Operação Satiagraha. Os nomes de jornalistas constam de dois arquivos, dentre as centenas de documentos digitais confiscados pela Corregedoria da PF nos computadores de Queiroz, e são publicados pela revista Consultor Jurídico. No relatório, o delegado parte da premissa de que o banqueiro Daniel Dantas armou um esquema para corromper jornais, revistas e jornalistas em geral para que todos trabalhassem a favor de seus objetivos escusos. A partir dessa suposição, toda ação que envolva o investigado que Protógenes transformou em inimigo pessoal, passa a ser suspeita. Nessa linha de raciocínio, jornalistas que por dever de ofício tenham de produzir notícias sobre Daniel Dantas ou sobre o Banco Opportunity, viram cúmplices do banqueiro. Com pretensões intelectuais, o delegado se atreve a montar um case para demonstrar a malignidade da imprensa e da liberdade de expressão. Para tanto, toma como exemplo a cobertura que a revista Veja fez do presidente do Senado Renan Calheiros. Só nessa diversão aparecem os nomes de cinco jornalistas. São eles Policarpo Junior, Otávio Cabral, André Petry, Alexandre Oltramari e Diego Escosteguy. O relatório ressalva, para alívio geral, que os citados nessa parte do documento, não necessariamente estão ligados ao esquema de imprensa do banqueiro, já que se trata de um estudo teórico. Alexandre Oltramari é citado de novo na parte do relatório dedicada a descrever a imaginada cadeia de contra-informação armada por Daniel Dantas e a grande imprensa brasileira e estrangeira. Aí aparece ao lado de seu colega, o colunista Diogo Mainardi, do presidente da Rede Bandeirantes Johnny Saad, do apresentador de televisão Roberto d’Ávila, do consultor político Ney Figueiredo e da empresa de assessoria de imprensa contratada pelo Opportunity, a Abre de Página. Este Consultor Jurídico também mereceu a atenção do delegado Protógenes, em razão de entrevista feita pelo jornalista Márcio Chaer com Luciane Araújo, uma brasileira que trabalhou para a Telecom Italia como tradutora. Cabia a ela traduzir para o italiano, documentos e textos em português sobre a disputa pelo controle da Brasil Telecom entre a Telecom Italia e o Opportunity. Com acesso à alta cúpula da Telecom Italia, Luciane Araújo acabou tomando conhecimento de fatos na briga nada civilizada travada entre os dois grupos. Nomes citados no relatório de Protógenes Queiroz - Jeferson Heróico. Segundo ela algumas pessoas foram pagas por concorrentes de Dantas para tirá-lo do negócio das teles. Um exemplo dos parâmetros de investigação do delegado e sua turma forma um capítulo no relatório com o sugestivo título de “A Turma do Cebolinha”. Foi com esse nome que o delegado Protógenes Queiroz batizou o arquivo em que descreve a bisbilhotagem que agentes da Abin, sob seu comando, fizeram, em Brasília, contra a arquiteta Manuela Cantanhêde Rampazzo. Manuela Rampazzo é filha da colunista da Folha de S. Paulo, Eliane Cantanhêde, com o também jornalista Gilney Rampazzo, ex-editor da TV Globo em Brasília. Manuela virou vítima da operação simplesmente por ter ido à casa do jornalista Fernando Cesar Mesquita, assessor do senador José Sarney, para submeter-lhe um projeto de arquitetura. Fernando César Mesquita não era investigado na Satiagraha e não havia determinação judicial para que fosse monitorado. Manuela Cantanhêde, muito menos. (...) Dentre os nomes dos jornalistas acusados no delírio conspiratório constam profissionais que simplesmente são pautados para cobrir as pendengas que envolvem a partilha do bolo das teles no Brasil. A análise desses arquivos de Protógenes revela a prática daquilo a que os filósofos chamam de teleologia -- ou raciocínio baseado em causas finais. Bastava algum profissional abordar o tema Daniel Dantas para que fosse catalogado como “parte do esquema”. Um dos primeiros nomes citados em seu relatório é o da repórter especial Elvira Lobato, da Folha de S. Paulo, uma profissional com mais de 30 anos de experiência, ganhadora do Prêmio Esso de Jornalismo 2008, a mais importante láurea da área de comunicação do país. Elvira é qualificada pelo delegado como liberticida. “É possível concluir que Elvira Lobato estaria trabalhando para apontar Naji Nahas como agente a serviço da Telecom Italia no Brasil. Notícias desta natureza interessam a Daniel Dantas, pois o colocam na condição de vítima de um esquema para prejudicar seus negócios. Muito provavelmente, Lobato seja uma das jornalistas de confiança de Dantas para implantar, na mídia, tais reportagens”. Assim como Elvira, surgem nas acusações conspiratórias outros tantos nomes de profissionais de prestígio reconhecido e reputação inatacável como Marcelo Tognozzi, Vera Brandimarte, Leonardo Attuch, Gustavo Krieger, Janaína Leite e Diogo Mainardi . “Em cada reportagem, a intenção desta análise era conhecer o viés empregado para manipular os leitores, ora de forma explícita, ora sutil, com o fim de formar uma consciência coletiva. Ressalta-se que o público alvo das matérias era composto por pessoas esclarecidas, que buscam informação em meios considerados idôneos”, escreveu Protógenes, por exemplo, sobre a semanal Veja. Em sua própria avaliação, Protógenes acreditava-se o rompedor de um tabu. “Finalmente, convém dizer que a proposta inicial da análise – identificar a manipulação da mídia por grupos econômicos – foi alcançada. Pelas limitações do trabalho e em face da magnitude do tema, muitos elementos, naturalmente, não constam em seu conteúdo, mesmo porque nunca houve a pretensão de abarcar toda a problemática envolvida nesta questão. A proposta era a de oferecer uma modesta contribuição para o esclarecimento deste tema, tão pouco debatido em nossa sociedade, principalmente em razão do caráter “sagrado” da liberdade de imprensa”, escreveu. Um dos piores trechos das linhas obradas por Protógenes e sua equipe é um relatório datado de 28 de abril de 2008. Nele, um perito da PF, Walter Guerra Silva, acusa categoricamente dois jornalistas da Folha de S. Paulo, Andréa Michael e Hudson Correa, de trabalharem para Daniel Dantas. Foi esse relato que levou Protógenes a pedir a prisão de Michael, pelo fato de ela ter noticiado, em primeira mão, a existência da Operação Satiagraha. “Em 17/03/08, às 14:50:52hs, Guilherme Martins fala com Daniel Dantas que Andrea Michael da Folha de S. Paulo, esta atrás dele para fazer uma matéria por encomenda. A Folha está querendo saber da desenvoltura de Daniel e quem o está ajudando, e o que ele irá fazer com o dinheiro que irá receber. Daniel brinca e diz que vai usar o dinheiro para comprar ações da Telemar”, relata o perito. “Portanto os investigados se beneficiaram da informação privilegiada antes da publicação realizada no jornal Folha de São Paulo”, conclui o perito do delegado Queiroz." (grifos nossos)

* * *

E, agora, trechos do relatório:

Sobre Mino Carta

Notem que Janaína Leite é citada pelo "pecado" de escrever sobre as Teles. Ela era ESCALADA para isso e, enquanto o fazia, Luís Nassif era do CONSELHO EDITORIAL DA FOLHA DE SÃO PAULO. Cabe a Nassif, por exemplo, indicar uma única carta, e-mail ou memorando enviado à direção do jornal dizendo que ela não fazia um bom trabalho.

A acusação contra Mino, porém, não é a de escrever matérias sobre o tema. Uma interceptação telefônica mostra diálogo alegando que ele estaria "no bolso" de dois empresários. É verdade? É mentira? Não se sabe. Dou o benefício da dúvida ao jornalista, que se viu metido nessa situação embaraçosa e teve seu nome divulgado.

* * *

Sobre Nassif x Mainardi

O relatório de Protógenes revela a origem da "briga" Nassif x Mainardi. Não, ela não nasceu de nenhuma disputa pelo controle do cosmos. É uma rusga, mesmo, uma rixa. Tudo começa quando Nassif publica uma coluna falando da quebra do 'off', referindo-se a Mainardi, que ferrou com a vida de um mensaleiro. Mainardi revida, e Protógenes mostra justamente esse "revide" em seu relatório.

É o tal 'release' republicado por Nassif, contendo os mesmos erros de português do original, enviado por um empresário. Alguns vão dizer "ah, mas é rival do Dantas". Sim, é. E o que Mainardi falou de Dantas? Que patrocinou o Mensalão e assim por diante.

Até porque continua valendo o concurso: encontre UMA ÚNICA COLUNA DE DIOGO MAINARDI ELOGIANDO DANIEL DANTAS E GANHE UMA MARIOLA DESTE BLOG. Não precisa ser duas, basta apenas uma. Só uma. E encontre uma coluna ou post em alguns blogs criticando pesado Dilma Roussef ou Lula, depois de janeiro deste ano, e ganhe CINCO mariolas deste blog.

Se não gostarem de mariola, troco por paçoquinha.

* * *

Enfim
O relato de Tognolli é lúcido e reflete exatamente a bobagem de Protógenes. O que ele fez foi pura e simples perseguição. Quem escrevia um "A" sobre Dantas, qualquer que fosse a notícia, ganhava um 'selinho'. Alguns, por razões mais pessoais do que objetivas ou republicanas, preferem se deter nos desafetos e dizer que a parte em que são citados é a "válida" do relatório.

Risível.

A acusação mais grave paira, curiosa e ridiculamente, sobre Mino Carta. Depois disso, tudo o mais gira em torno da fusão Oi + BrT. Quem são, dentre os citados, os maiores críticos dessa fusão? Diogo Mainardi e Janaína Leite. Isso está em todos os arquivos.

Daí entra a última questão. No relatório preliminar, divulgado ilegalmente em alguns blogs e que nem mesmo foi aproveitado pela Polícia Federal, Janaína surge numa conversa apurando informações para uma matéria. Essa conversa saiu editada em um blog de baixa reputação.

Qual a parte editada? Aquela em que ela apura sobre empréstimos junto ao BNDES. Isso foi cortado. Deixaram a saudação e a despedida. Era como se a conversa não tivesse assunto algum.

Isso não é jornalismo, é apenas serviço.

Revisão: Hellen Guareschi

transubstanciado por gravata às 07.04.09 - 14:48:31 | 33 comentários

06/04/2009

UM POUCO SOBRE O PATRULHAMENTO NA BLOGOSFERA

Alguém já viu algum petista mandando carta para a revista Caros Amigos e exigindo que investigue também o PT? Sim, porque a revista bate no PSDB e em quem faz oposição ao governo, guardando as críticas ao Planalto para o plano do delírio (algo como "não são assim tão bolcheviques").

Já viram alguma carta ou cobrança no sentido de que precisam bater de forma equânime? Pois é. Nem eu.

Há registro de manifestações em prol da igualdade quanto à Agência Carta Maior ou "Blog do Emir", para ficar em dois grandes veículos de extrema independência, para que 'batam' tanto no governo quanto o fazem na oposição? Confesso não ter visto nem acompanhado algo do gênero.

O mesmo se dá com a petistosfera. Os comentários são sempre como verdadeiros aplausos, urros e gritos de guerra. Não há um único militante que pondera: "opa, mas falta bater um pouco no Lula" ou "epa, vamos xingar um pouco a Dilma também, né?". Não, nada disso. Nunca.

Nos outros blogs, porém, surgem como patrulheiros sem qualquer vergonha ou pudor. E não importa a gravidade de uma denúncia que paira contra o governo federal, tanto menos o fato de que o PT seja titular do executivo nacional há praticamente dois mandatos.

É preciso falar da oposição e do tempo em que ela estava no poder – como se quando FHC fosse presidente os veículos fossem cobrados a criticar as gestões de Itamar, Collor, Sarney Figueiredo etc. a cada análise negativa acerca da administração tucana. Não, nunca o fizeram.

Mas, com o PT no poder, é preciso que o façam. Mesmo governando com talvez 70% da base que estava na outra gestão.

E os petistas detêm o 'monopólio da esquerda'. É como se a ideologia fosse pura matemática. Se você apoia o partido, você é automaticamente esquerdista. Em caso contrário, você não apenas não o é, mas é também um oposicionista das causas libertárias, operárias, progressistas, laborais e ainda por cima é maligno, sacripanta, desgraçado e um tremendo filho da puta.

O partido governa aliado à mais fisiológica 'direita', emprega o mais nojento e escroto esquema de financiamento de campanha e utiliza as práticas mais arcaicas de clientelismo e assistencialismo. Muito disso, a própria legenda detonou infinitamente quando outros o fizeram. Mas criticar, agora, é agir contra a democracia, o progressismo, a liberdade etc.

E não me canso de trazer à baila aquela característica tão cabocla dos nossos progressistas repletos de gingado: primeiro o partido, depois as causas. Vejam, por exemplo, a tal "Lei Azeredo", que hoje já se chama "Lei Tarso Genro".

No início, a petistosfera era absolutamente contrária. Agora que o Ministério da Justiça PIOROU E DETONOU a lei, o que acontece? São... A FAVOR. Isso mesmo. A manada passou a defender os dispositivos modificados!

Os semoventes não estão nem aí, não querem saber de “causa” alguma. O compromisso é com a legenda, não com bandeira ou ideologia. Alguns, de tão delirantes (e ao mesmo tempo sem poder "defender" a lei), inventaram a seguinte lenda: Azeredo teria “influenciado” a PF, que por sua vez “influenciou” o MJ, que “influenciou” a base governista (???).

É mole?

Enfim: ao xingar o governo, é preciso xingar também a oposição. Ao xingar a oposição, tudo bem, não precisa xingar mais nada. Sorria, você está sendo patrulhado.

Revisão: Hellen Guareschi

transubstanciado por gravata às 06.04.09 - 14:16:38 | 23 comentários

05/04/2009

MAINARDI DENUNCIA A "OPERAÇÃO ROYALTIES" E PEDE A CPI DA PETROBRAS

Nem há muito o que falar. Leiam a coluna desta semana do Diogo. Se alguém tiver algum argumento objetivo contrário aos da coluna, que os traga. Em caso negativo, não venham com conversa-mole. Vejam só:

"A Operação Royalties - por Diogo Mainardi

Victor Martins está sendo investigado pela Polícia Federal. Num relatório interno, sigiloso, ele é tratado como suspeito de comandar um esquema de desvio de 1,3 bilhão de reais da Petrobras.

Quem é Victor Martins? Já tratei dele alguns anos atrás. Talvez alguém ainda se lembre. Ele é diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP). É também irmão do ministro da Propaganda de Lula, Franklin Martins
.

Vamos lá. Ponto por ponto. Em meados de 2007, a PF prendeu treze pessoas na Operação Águas Profundas. Elas eram acusadas de fraudar e superfaturar contratos com a Petrobras. Durante as investigações, os agentes da polícia fazendária do Rio de Janeiro descobriram outro esquema fraudulento, envolvendo empresas de consultoria, prefeituras e a ANP. Segundo a denúncia, tratava-se de um esquema de desvio de dinheiro de royalties do petróleo. A PF abriu uma nova investigação, batizada de Operação Royalties.

Nos primeiros meses de 2008, o delegado responsável pela Operação Royalties preparou um relatório sobre o resultado de suas investigações. O que tenho na minha frente, no computador, é justamente isto: a cópia integral desse relatório.

De acordo com os dados recolhidos pelos agentes da PF, Victor Martins, apesar de ser diretor da ANP, continuaria a se ocupar dos interesses da Análise Consultoria e Desenvolvimento, empresa da qual ele seria sócio com sua mulher, Josenia Bourguignon Seabra. Victor Martins se valeria de seu cargo para direcionar os pareceres da ANP sobre a concessão de royalties do petróleo, favorecendo as prefeituras que aceitassem contratar os préstimos de sua empresa de consultoria. Num episódio descrito pela PF – e reproduzo o trecho mais escandaloso do relatório –, Victor Martins "estaria ajeitando uma cobrança de royalties da Petrobras, no valor de R$ 1 300 000 000,00 (um bilhão e trezentos milhões de reais), através da Análise Consultoria, e teria uma comissão de R$ 260 000 000,00 (duzentos e sessenta milhões de reais), a título de honorários".

O relatório da PF, com todos os detalhes sobre o esquema e o nome dos supostos cúmplices de Victor Martins na ANP, foi apresentado a Luiz Fernando Corrêa, diretor-geral da PF. O que aconteceu depois disso? Primeiro: a Operação Royalties, que estava a um passo de ser deflagrada, com as primeiras prisões, foi posta de molho. Segundo: o delegado que dirigia as investigações foi transferido. Terceiro: o chefe da polícia fazendária do Rio de Janeiro foi trocado. Quarto: o superintendente da PF carioca, Valdinho Jacinto Caetano, foi promovido ao cargo de corregedor-geral, em Brasília.

É bom lembrar: Victor Martins só está sendo investigado pela PF. Ninguém o acusou judicialmente. Ninguém o condenou. Mas os parlamentares do PSDB e do DEM passaram a semana fazendo de conta que instituiriam uma CPI da Petrobras. O motivo: segundo eles, a PF abafaria as denúncias contra petistas e membros do governo, como na Operação Castelo de Areia. Se é assim, a Operação Royalties parece confirmar essa tese. CPI da Petrobras. Já." (grifos nossos)

E agora? O negócio é dar migué, né?

transubstanciado por gravata às 05.04.09 - 18:14:00 | 21 comentários

01/04/2009

GUERRA "SANTA": IGREJA UNIVERSAL X FOLHA DE SÃO PAULO

Recebi, via AdNews, o vídeo abaixo:

É, meus amigos... A FSP falou da IURD, a Record fala da Folha. Só não vale confundir essa Guerra "santa" com livre-concorrência. Ou vale?

transubstanciado por gravata às 01.04.09 - 17:17:15 | 17 comentários