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Arquivos para: Março 2009

31/03/2009

ESTADÃO: OI AJUDA LULINHA, LULA AJUDA OI; AGORA, SURGE JOSÉ DIRCEU...

Antes de tudo, vamos recapitular o que já aconteceu na nossa novela tragicômica "Laços da Paixão - Lulinha/Oi/Lulão", custeada com verbas do BNDES e empréstimo do BB:

- A Oi (então Telemar) faz aporte de CINCO MILHÕES na empresa de fundo de quintal do filho do Presidente da República;

- A mesma Oi recebe aporte do BNDES ANTES MESMO DA LEGALIZAÇÃO DO PROCEDIMENTO para viabilizar a compra da Brasil Telecom;

- O Banco do Brasil libera um empréstimo recorde para viabilizar o negócio da compra (é mesmo o recorde da instituição);

- O Governo faz com que a Anatel MUDE AS REGRAS DA TELEFONIA, modificando o Plano Geral de Outorgas - para fazer com que a fusão se concretize;

- Lula (pai do menino que era sócio da empresa ganhadora dos 5 milhões) PUBLICA UM DECRETO PERMITINDO A FUSÃO!;

- Com isso, e mediante esse esforço (intermediado por conversas de Greenhalgh - trabalhando para Dantas - com Lula, Dilma etc.), sai o negócio.

Pára por aí? Não, não pára por aí! Hoje, o jornal o Estadão (por Renato Cruz) publica reportagem cujo trecho segue abaixo:

"Oi negocia comprar Eletronet, empresa falida do governo - Criada pela Eletrobrás e AES, Eletronet tem hoje sócio que não desembolsou nada por ela - Depois da compra da Brasil Telecom (BrT) no ano passado, a Oi se prepara para entrar em mais um negócio polêmico: a compra da Eletronet, empresa criada numa associação entre a americana AES e a Eletrobrás e que se encontra em processo de falência, que corre na Justiça Estadual do Rio de Janeiro. A Eletronet opera uma rede de fibras ópticas de 16 mil quilômetros, presente em 18 Estados brasileiros. Segundo fontes de mercado, houve há duas semanas uma reunião entre a Oi e os credores da Eletronet, a Furukawa e a Alcatel-Lucent, que forneceram a rede da empresa e micaram com uma dívida que já ultrapassa R$ 600 milhões. Ainda não foram acertados valores, mas, enquanto é negociado o preço, as empresas já trabalham nas minutas dos contratos. Existe uma distância grande entre o valor pedido pelos credores e o oferecido pela Oi. Em 2007, os credores chegaram a negociar a venda da Eletronet com o Serpro, que pagaria cerca de R$ 210 milhões pelas empresas. Recentemente, o governo fez um depósito judicial de R$ 300 milhões, no processo de falência que corre no Rio, para tentar retomar a infraestrutura. Ainda não existe uma proposta firme da Oi sobre a mesa, e está marcada uma reunião para a próxima semana, quando a aquisição pode ser finalizada. A Oi, a Alcatel-Lucent e a Furukawa não quiseram comentar o assunto. Para fechar o negócio, a Oi também negocia com os controladores, que são a Eletrobrás e o empresário Nelson dos Santos, que comprou a participação da AES sem desembolsar praticamente nada, em troca de assumir as dívidas da operadora. Santos foi o responsável por negociar as dívidas da AES, referentes às empresas de energia que comprou no Brasil, com o BNDES. O empresário tem negócios com José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil A Eletrobrás disse que não tinha informações sobre o assunto. Já o empresário preferiu não se pronunciar. Se concretizada, a compra de Eletronet será o terceiro negócio polêmico da Oi em que o governo está envolvido. Em 2005, a operadora investiu R$ 5 milhões na Gamecorp, empresa que tem entre seus sócios Fábio Luis Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No ano passado, o governo promoveu uma mudança na regulamentação das telecomunicações para que a Oi pudesse comprar a BrT..." (grifos nossos)

O que dizer? Vamos aguardar, não é? E, se publico isso amanhã, vocês acham que é coisa do dia da mentira. Entenderam? Um empresário ligado a José Dirceu "compra" a empresa sem desembolsar nada, apenas "assumindo dívidas". Agora, surge uma empresa - beneficiada pelo Governo em bilhões - disposta a "comprar" a empresa, também assumindo as dívidas. E tal empresário - ligado a Dirceu - ganha uma dinheirama.

Enfim, vamos aguardar, vamos aguardar.

* * *

(sei que preciso aprovar comentários, desculpem o atraso quanto a isso...)

transubstanciado por gravata às 31.03.09 - 22:47:14 | 4 comentários

30/03/2009

ESTADÃO: EX-MINISTRO E ATUAL ADVOGADO DA CAMARGO CORREA, THOMAZ BASTOS PEDIU DINHEIRO DA CONSTRUTORA PARA CANDIDATO PETISTA

Deu hoje no Estadão: petista recebeu doação da Camargo Correa. Ao que parece, foi uma doação legal. E é por isso que se pede calma nessa hora. Claro, a doação em tela possui coincidência interessante: o intermediador foi Ministro da Justiça e, hoje, é advogado da empreiteira.

Coisas da vida...

Mas, a rigor, nada de errado. Quando estourou a bomba da Camargo Correa, alguns vieram comemorar - como sempre... - quando viram que a legenda de sua predileção não estava no bololô. Seja pelo histórico recente, seja pela prática das grandes empresas, recomenda-se prudência nesses casos.

Taí. Surgiu a primeira doação e, vejam que coisa, captada por meio de grampo telefônico. Agora, os envolvidos correm para dar explicações. E um deles, vale repetir, era ministro e hoje é advogado da empreiteira. Anedota completa: começo, meio e fim.

Só não vale falar, pela enésima vez, que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Porque já tá dando no saco, né?

transubstanciado por gravata às 30.03.09 - 09:27:10 | 7 comentários

28/03/2009

LEI AZEREDO? NÃO! "LEI TARSO GENRO"!!! - MAIS DITABRANDA LULISTA

Segundo o "Congresso em Foco", o Ministério da Justiça apresentará modificações ao Projeto da "Lei Azeredo". No substitutivo do MJ, tudo fica pior, muito pior. Mas será que os militantes do partido do Governo baterão de frente contra a própria legenda que integram? Quem vem primeiro, a filiação partidária ou a causa pela qual lutam?

Já escrevi aqui sobre a tal Lei Azeredo (que é ainda um PL). Hoje, aliás, ela pode ser chamada de "Lei Azeredo/Mercadante", haja vista a série de substitutivos e modificações apresentadas pelo senador petista. E, ao contrário de muitos que são contra sem ter lido a lei (e os substitutivos), li tudo e sou a favor.

Escrevi sobre o tema no livro coletivo Para Entender a Internet, organizado por Juliano Spyer - leiam por aqui o artigo; ele é pequeno, eu sei, pois havia limitação de caracteres, coisa obviamente não observada por exatamente todos os colegas de obra... :)

Isso foi escrito, claro, ANTES do Ministério da Justiça entrar na brincadeira. A pasta comandada por Tarso Genro, talvez sob inspiração da Polícia Federal ou da Abin, resolveu bagunçar de vez o coreto.

Vejamos, antes de tudo, trechos de artigo publicado no Observatório da Imprensa (por Mário Coelho):

"ESTADO DE VIGILÂNCIA - O Grande Irmão quer cuidar da internet - Se depender da vontade do governo, a lei de crimes da internet será muito mais restritiva do que gostariam os senadores. Na minuta do projeto, o Ministério da Justiça quer que os provedores de acesso mantenham por três anos todos os dados de tráfego de seus usuários. Ou seja: que hora se conectou à internet, em que sites entrou e quanto tempo ficou. O Congresso em Foco teve acesso na quarta-feira (25/3), com exclusividade, a um trecho da minuta elaborada pelo MJ. O texto modifica a redação do artigo 22 do substitutivo ao Projeto de Lei 84/99, elaborado pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). É justamente essa parte da peça em tramitação na Câmara que tem causado polêmica entre internautas e sociedade civil, pois obriga os provedores de acesso a armazenarem os dados de conexão dos usuários. Agora, o MJ, influenciado por setores da Polícia Federal e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), quer radicalizar. Pelo substitutivo do senador tucano, ficariam guardados os hórários de log on (entrada) e log off (saída). Já na minuta do ministério, além de todos os dados de tráfego, os provedores seriam obrigados a registrar o nome completo, filiação e número de registro de pessoa física ou jurídica. Além disso, ele acrescenta a possibilidade de, a partir de requisição do MP ou da polícia, que todos os dados sejam imediatamente preservados. Esse artigo foi construído especialmente para a PF, que já havia se manifestado favoravelmente à ideia. Em novembro do ano passado, durante audiência pública, o delegado federal Carlos Eduardo Sobral, da Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos da instituição, afirmou que era necessário acrescentar essa possibilidade à lei (...) Na quarta-feira (25), os deputados Paulo Teixeira (PT-SP), que tem sido o interlocutor do governo com o Congresso na discussão, o relator Semeghini e o presidente da CCTCI, Eduardo Gomes (PSDB-TO), participaram de uma reunião no MJ. Ao grupo foi apresentado trechos do que deve formar o projeto da pasta. Entre eles, a polêmica proposta de aumentar o controle dos usuários na rede mundial de computadores. A redação estudada pelo MJ também contém, no parágrafo 4º, a previsão de aplicação das obrigações aos provedores de conteúdo. O PL que tramita na Câmara não tem essa determinação. A avaliação de pessoas que participam da discussão é que as redes sociais estão em perigo. (...) O desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) Fernando Botelho se mostrou preocupado com as informações do projeto que se desenha no Ministério da Justiça. "Por mais polêmico que seja o substitutivo do [senador Eduardo] Azeredo, ele é coisa de escola infantil perto da ideia do Ministério", disparou. Outra proposta polêmica, e contraditória, é que os telecentros públicos – como a rede sem fio da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro – estariam fora das novas regras. Por exemplo, ao entrar em uma lan house, quem queira navegar na internet deveria apresentar a carteira de identidade e fazer um cadastro. Já à beira do mar, o usuário estaria livre para usar como bem entender." (grifos nossos)

Notem: REQUISIÇÃO DA POLÍCIA! Não se fala mais em Devido Processo Legal, como estava antes, mas sim em REQUISIÇÃO DA POLÍCIA!!! Não é mais ORDEM JUDICIAL!!! É o puro ESTADO POLICIAL, meus caros... É impossível compactuar com isso. Não é mais vigilantismo, é Big Brother como Orwell nunca ousou sonhar.

E agora? Ainda vão chamar de "Projeto do Senador Azeredo"? Chegando ao Congresso essa proposta do Ministério da Justiça, trata-se inequivocamente da LEI TARSO GENRO, a contribuição definitiva do atual chefão tanto da Abin quanto da PF para o vigilantismo na Internet.

Aguardo, claro a coerência dos que se engajaram na luta por essa causa para que ultrapassem suas paixões partidárias e mudem os "banners de protesto". Que tal um "ABAIXO O PROJETO DO GOVERNO LULA"? Se for pedir muito, ao menos um "ABAIXO O PROJETO DO MINISTRO TARSO GENRO"? Nem assim?

Ditabrandas e Ditabrandas
Lembram quando falei sobre a supremacia do engajamento partidário em detrimento do compromisso com as causas? De novo, parece que ocorre algo assim. Quando a FSP escreveu "ditabranda", os filiados a determinadas legendas e "inimigos" do jornal foram às ruas aproveitando a "deixa".

Ok.

Quando se descobriu o processo contra o CHEFE DA POLÍCIA FEDERAL, no qual é acusado de cometer TORTURA, porém, praticamente nenhum deles acusou o Ministro Tarso Genro de indicar para o posto máximo da PF alguém que estivesse sob tal investigação (e, pior!, alguém que uma vez indicado nomeou um amigo para cuidar de seu processo - depois da nomeação, foi arquivado). A denúncia é da Carta Capital!

Indignação? Protesto? Nada. Silêncio absoluto.

Agora, com o Ministério da Justiça - DÁ-LHE, TARSO GENRO! - transformando o Projeto contra Crimes Digitais em uma peça definitivamente autoritária, os militantes do partido do governo vão bater de frente contra o próprio partido? Ou vão deixar de lado a causa pela qual lutam e porão em primeiro plano a filiação partidária.

Creio que não preciso responder.

Bem vindos ao Irã.

transubstanciado por gravata às 28.03.09 - 10:15:17 | 24 comentários

26/03/2009

LULA FALA DOS "BRANCOS DE OLHOS AZUIS" RESPONSÁVEIS PELA CRISE... MAS QUAIS NEGROS LIDERAM SUA EQUIPE ECONÔMICA?

Não acho que foi populismo. Pra variar, foi pura cagada, mesmo. Aquele negócio de falar sem prestar atenção e, depois, tentar consertar sem saber direito como proceder. Daí, diante da impossibilidade, o escorregão se transforma em frase de efeito - com apoio da claque e da manada.

Foi assim: o presidente diz que a culpa da crise foi dos loiros de olhos azuis. E emendou dizendo que "não conhece nenhum banqueiro negro ou índio" - bom, eu conheço vários que são árabes, judeus, orientais, indianos etc. Nenhum deles são "loiros de olhos azuis".

Mas não adianta discutir dessa forma, pois... Bom, é o Lula. Então vamos ao que interessa.

Quantos negros - mas negros, mesmo - há na equipe econômica do governo brasileiro? Não estou falando de ministérios figurativos, secretarias especiais ou órgãos criados para fazer média. Peças-chave, cargos importantes, canetas decisórias. Quantos? Na chefia de Ministérios, mesmo...?

NENHUM!

Lula poderia salvar-se de sua bravata enumerando seus assessores econômicos negros, todos com posição de destaque. Não seria uma maneira definitiva de calar a boca de todo o mundo?

Duro, mesmo, é apontar um branco - e tucano! - dirigindo o Banco Central; o segundo italiano seguido no Ministério da Fazenda, outro branco (depois de mais um) no BNDES e assim por diante. Fora o colega de partido na Petrobras.

Negro, mesmo, nenhum.

Só espero que nenhum comentarista apareça dizendo que a contratação de brancos está dentro das "especificações técnicas" - como fizeram quando falei do Aerolula, ocasião em que defenderam a compra do Airbus (já que Lula exigia fazer vôos continentais num avião imenso para caber todo mundo).

É essa, enfim, a diferença entre o discurso e a prática. Somos um país de talvez maioria negra, ou mestiça, sei lá. E um presidente que NÃO TOMOU ATÉ HOJE QUALQUER MEDIDA PRÁTICA CONTRA A CRISE (que, em princípio, chamou de "marolinha"). Agora, põe a culpa nos "brancos de olhos azuis", sem ter UM ÚNICO NEGRO EM POSIÇÃO DE LIDERANÇA EM SUA EQUIPE ECONÔMICA.

Muita cara-de-pau.

transubstanciado por gravata às 26.03.09 - 17:33:07 | 44 comentários

26/03/2009

"CASTELO DE AREIA", DASLU... CACETADA!

Ontem foi um dia corrido, hoje não tá moleza... Daí sobra um tempinho e acontece tudo isso? Caramba! Nem sei por onde começar. Mas, vamos lá!

Em primeiro lugar, vale o registro: a PF, ao contrário do que vinha fazendo, agiu de forma mais republicana, sim. Sem aquela coisa de exposição de acusados, julgamentos antecipados e execração pública.

Sim, é um inquérito e, sim, há prisões preventivas ou temporárias (não li nada muito tecnicamente e não sei quais modalidades foram empregadas). O próprio Tarso Genro reconheceu alguns excessos da Satiagraha e, agindo agora dessa forma, demonstra que avançou. Melhor.

No blog Nariz Gelado, vi um levantamento que vai além daquele mais limítrofe da grande imprensa. É importante destacar doações de todo o Grupo Empresarial e não de apenas uma ou outra pessoa jurídica da Camargo Correa.

Outro viés a ser abordado seria a eventual pré-candidatura de Paulo Skaf ao Governo do Estado de São Paulo. Havia uma articulação dele com o tal "bloquinho", atraindo até mesmo o PP - deixando o PT de fora. Nas vésperas da ação, chegaram a espalhar (e até publicar...) coisas apressadas sobre a possibilidade de "apoio" do Partido dos Trabalhadores a Skaf; até comentaristas estranharam e repudiaram, pois o presidente da FIESP sempre seria adversário do PT.

Enfim, é cedo demais para falar em tudo. É preciso ir fundo nas eventuais doações ilegais, sim. E, além disso, nas doações de TODAS as empresas do grupo.

Daslu
Não sabia da doença que acomete a sócia da empresa, Eliana Tranchesi; tanto menos que servirá de subsídio para um pedido de soltura. Creio, porém, que tal argumento servirá de base para demais requerimentos.

Por óbvio, é um caso grave e deveras triste. Mas quantas outras presidiárias, detidas provisória ou definitivamente, não estão em situação correlata? Seja por câncer ou outra enfermidade grave? Será que não teriam também direito a tratamento fora do cárcere? Cabe aí uma reflexão.

transubstanciado por gravata às 26.03.09 - 15:28:41 | 9 comentários

24/03/2009

PT: A VOLTA DE DELÚBIO?

"As denúncias [do mensalão] serão esclarecidas, esquecidas e acabarão virando piada de salão" (Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, 10/2005, durante seu aniversário de 50 anos, sobre o esquema de compra de votos)

O Partido dos Trabalhadores tem uma chance de ouro para tentar diminuir o desgaste pelo qual tem passado nos últimos tempos. E a coisa é bem simples: não aceitar a volta de Delúbio Soares a seus quadros. Se o partido compactuar com o retorno do 'tesoureiro do mensalão', convenhamos, não há palavra cabível para sua defesa quanto ao episódio.

A FSP, em reportagem desta segunda-feira, informa que cerca de dois terços da Diretoria Executiva do PT admite aceitar a volta de Delúbio. É um índice e tanto, haja vista que basta maioria simples para ele ter direito a portar a estrelinha - uma prerrogativa necessária para seus planos de concorrer a deputado federal por Goiás.

Abaixo, trechos da matéria:

"Folha ouve 75 dos 84 petistas que decidirão sobre retorno de ex-tesoureiro à sigla - 73% dos entrevistados não descartam a volta de pivô do mensalão; ele precisa de maioria simples na reunião da cúpula no dia 23 de maio (...) Para retornar, Delúbio tem de receber o voto favorável da maioria simples do diretório, em reunião dia 23 de maio. Hoje, a Executiva petista fará uma primeira discussão do tema. "Há perseguição tucana contra Delúbio. É uma pessoa honestíssima, conheço desde os anos 70", diz João Felício, membro do diretório e da ala Construindo um Novo Brasil (CNB), que era a de Delúbio. Se o ex-tesoureiro tiver o apoio da CNB e pequenas alas satélites, que formam uma espécie de "centrão" petista, a volta estará assegurada. Mas há alguns problemas. Parte do CNB, apesar de simpatizar com Delúbio, tem dúvidas sobre revisitar esse assunto agora, em plena pré-campanha de Dilma Rousseff. A oposição de Lula também deve pesar. O presidente já disse a dirigentes do PT ser contra a anistia antes da decisão do STF. Num cenário otimista, o processo deverá ser julgado até o final de 2010. A tendência é que demore mais. Nas palavras de um auxiliar direto, o presidente avalia que a anistia só traria "problemas" ao governo, ao PT e a Dilma. Uma manobra em estudo pelos amigos de Delúbio é comutar a expulsão para suspensão por quatro anos, retroagindo. Na prática, a volta seria imediata, já que o escândalo, revelado pela Folha, é de 2005. O discurso oficial seria de que não se trata de uma anistia, e sim de uma "progressão de pena". "Delúbio cometeu erros, mas a expulsão é muito dura", afirma o líder do partido na Câmara e pai intelectual da ideia da volta de Delúbio, Cândido Vaccarezza (SP). O ex-tesoureiro tem a seu favor apoios que extrapolam sua tradicional base de sustentação interna no PT. Curiosamente, um exemplo é o de um petista identificado com Dilma, o ex-prefeito de Recife João Paulo Lima e Silva, coordenador de sua campanha no Nordeste. "Eu acho e sempre achei Delúbio um grande companheiro. A vida nos mostra quantos foram injustiçados. Até a decisão final da Justiça, ele pode fazer parte do partido", disse Silva. Em vários setores do petismo, Delúbio é lembrado hoje como uma figura querida, com 25 anos de serviços ao partido, que não teria desviado recursos em benefício próprio nem entregou companheiros - Rumo a 2010 - O ex-tesoureiro conta com o perdão. Não por acaso, diz sua carta ao partido: "Não sou acusado de um único ato que visasse meu beneficio, seja político, financeiro ou pessoal". Planeja se candidatar a deputado federal por Goiás em 2010." (grifos nossos)

Quando estourou o Mensalão, o PT fez uma série de atos simbólicos falando em "refundação" tal e coisa. Não se livrou dos cabeças do esquema, e não refundou coisa alguma, chegando a dizer que tudo era obra da "imprensa" (muitos militantes até hoje negam a existência do esquema!).

Mas daí a readmitir Delúbio, convenhamos, é dar tiros de bazuca no próprio pé. É precipitado dizer que isso vai acontecer, por isso recomenda-se aguardar. Mas, caso aconteça, não há desculpa cabível para defender esse negócio.

É pura e simples cumplicidade.

Mas, se querem saber, há algo que nunca fez o menor sentido: por que Delúbio, mero tesoureiro, foi apenado tão severamente e Genoíno, o então presidente da legenda e signatário dos contratos com Marcos Valério, não sofreu grandes danos e até obteve legenda para concorrer a Deputado Federal?

Estranho, né? Quer dizer, não muito...

Talvez a estratégia de defesa de Delúbio pudesse escolher esse caminho. Perderia junto à militância, pois afetaria os brios da "turma do teatrinho", mas judicialmente é um argumento inatacável.

Afinal: não fica um, meu irmão!

transubstanciado por gravata às 24.03.09 - 22:40:40 | 11 comentários

23/03/2009

DITABRANDA DE LULA? DIRETOR DA PF ACUSADO DE TORTURA

Dentre seus aliados mais próximos, o Presidente da República conta com figuras que integraram o Regime Militar. Nada disso, porém, causou revolta dentre aqueles que se ofenderam com o termo "ditabranda". Agora, a revista CARTA CAPITAL denuncia que o Diretor-Geral da PF supostamente estaria envolvido em caso de TORTURA. É a Ditabranda de Lula? Então, cadê a passeata?

Não vou falar de Cuba, fiquem tranqüilos: não passarão vergonha por isso, desta vez. Agora, passarão por culpa de Lula. Não são poucos os motivos que fazem do Presidente da República alguém envolvido até o pescoço com o que há de pior em termos de autoritarismo - e, de novo, não apelarei para a escumalha internacional (Chávez, Castro etc.). Vejamos:

- Ele freqüentemente se aconselha com Delfim Netto, que é nada menos do que um SIGNATÁRIO do AI-5, não apensa um simpatizante ou cumpridor do Ato. Delfim ASSINOU o documento. Mas, para quem foi à porta da FSP, isso não é mais grave do que usar o termo "ditabranda";

- O governo federal aloja em seus ministérios o PP, partido do Maluf, que veio do PPB, que veio do PDS que, bem sabemos, é a Arena puro-sangue. Que partido é esse? O partido de Medici, Costa e Silva e tantas outras figuras simpáticas. Mas isso é menos pior do que usar o termo "ditabranda";

- Também faz parte do Ministério figuras como Edison Lobão, do clã político de José Sarney (ex-presidente da Arena e do PDS). Sarney, aliás, foi eleito Presidente do Senado com apoio do Governo. Mas, como sabemos, a palavra "ditabranda" é que não pode ser empregada;

- Já em 2002, para se eleger, o PT se aliou ao PL que, todos sabem, não nasceu de geração espontânea, mas sim de ramificações da mesmíssima Arena - vão buscar no tal "DNA político", tão caro aos que vêm aqui encher minha paciência. Mas inaceitável, mesmo, é o termo "ditabranda".

Carta Capital: Diretor da PF Acusado de Tortura
Não é nada tão grave quanto usar a palavra "ditabranda", sem dúvida, mas a revista Carta Capital - que pode ser tudo, menos do "PIG" - publicou a seguinte reportagem (de Leandro Fortes) sobre o Diretor da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa. Trechos logos, mas necessários:

"O policial e a doméstica (...) A Corregedoria-Geral da PF, órgão responsável por investigar os crimes cometidos por policiais federais, arquivou, sem publicidade nem vazamentos, em 29 de janeiro, um processo de tortura supostamente praticada por ninguém menos que o delegado Luiz Fernando Corrêa, diretor-geral da instituição. Corrêa foi acusado de deter ilegalmente e torturar, à base de chutes, pauladas, socos e eletrochoques, a empregada doméstica Ivone da Cruz, em 21 de março de 2001, nas dependências da Superintendência da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Ivone, então com 39 anos, trabalhava na casa de uma mulher identificada apenas como Ocacilda, também conhecida pelo apelido de “Vó Chininha”, avó da mulher do delegado, Rejane Bergonsi. Presente durante um assalto à casa da patroa, Ivone acabou apontada como suspeita de cumplicidade com os criminosos, embora nenhuma prova ou evidência tenha sido levantada contra ela até hoje. Corrêa era, então, chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da PF em terras gaúchas. Embora o combate ao tipo de crime cometido na casa de Vó Chininha, então com 90 anos, seja de competência exclusiva das polícias estaduais, Corrêa achou por bem tomar as dores da família, logo depois de avisado do assalto pela mulher, por telefone, na manhã do dia 20 de março de 2001. Sem autorização ou mandado judicial, o delegado atropelou a autoridade da Polícia Civil do Rio Grande do Sul e colocou uma equipe da DRE no encalço de Ivone da Cruz, na manhã do dia seguinte. A empregada foi encontrada em casa, um barraco no fundo da residência de uma amiga, num bairro de Alvorada, município pobre e violento da Grande Porto Alegre. Estava em companhia dos quatro filhos, todos menores de idade. Os dois policiais, lembra Ivone, chegaram em uma caminhonete de luxo branca, a qual ela iria reconhecer, depois, como uma Blazer. Ambos se identificaram como policiais civis, mas não apresentaram carteiras nem distintivos. Para Ivone, afirmaram estar ali para levá-la à 8ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, onde, na madrugada do dia 20 de março, ela tinha comparecido para falar, como testemunha, do assalto à casa de Vó Chininha. Naquela oportunidade, ela contou ao delegado civil Fernando Rosa Pontes que dormia no chão de uma sala, ao lado do quarto da idosa, quando foi acordada por dois homens armados. Eles roubaram dinheiro e objetos da casa. Depois, foram à cozinha comer e beber, antes de fugirem. (...) A doméstica foi levada a uma sala, nos fundos de um pátio, na Superintendência da PF, em Porto Alegre, onde um relógio na parede marcava meio-dia. Um círculo formado por quatro homens a aguardava. “A primeira coisa que fizeram foi me puxar pelos cabelos e me jogar de cara no chão”, conta. “Eu quis olhar para quem me bateu e levei um tapa forte na cabeça.” Em seguida, diz a empregada, foi algemada e colocada de joelhos. Seguiram-se, então, por aproximadamente seis horas, sessões de pancadas na cabeça, chutes, socos e violentos choques elétricos. “Eles tinham uma maquininha que encostavam nas minhas costas”, lembra Ivone. “A dor era tanta que desmaiei duas vezes”, afirma. Assim mesmo, não confessou crime algum. O relógio da parede marcava 18 horas quando, moída de pancada e apavorada, segundo conta, foi colocada em uma cadeira e a fizeram assinar um termo de declarações que começa pelas linhas seguintes: “Aos 21 (vinte e um) dias do mês de março do ano de 2001, na Sede da Superintendência Regional do Departamento de Polícia Federal, no Estado do Rio Grande do Sul, onde presente se encontrava o Delegado de Polícia Federal Luiz Fernando Corrêa”. O documento tem uma página e meia. Trata-se de um arrazoado de informações isentas de novidades prestadas por Ivone da Cruz, na condição de testemunha, em termos semelhantes aos do depoimento prestado por ela na Polícia Civil. Estranhamente, o termo, além de assinado por Corrêa e pela escrivã Aline Guerra Menchaca, tem também a assinatura de duas testemunhas. Três vizinhas de Vó Chininha, ouvidas como testemunhas pelo delegado Corrêa na Superintendência da PF, uma no mesmo dia, e outra, dois dias depois, não contaram com essa cautela. Uma delas, identificada apenas pelo nome de José Pessoa (RG 1016484378/SSP-RS), segundo Ivone, tinha a aparência de um mendigo. “Pegaram ele na rua, para falar que eu não tinha apanhado”, afirma. A outra testemunha foi o agente federal Gilberto Antônio Fritsch Feijó. Em seguida, Ivone foi deixada em um ponto de ônibus, com o dinheiro da passagem e um aviso: se denunciasse a tortura, os filhos pequenos sofreriam as consequências. Ouvido agora por CartaCapital, Corrêa declarou, em entrevista gravada no gabinete dele, ter interrogado todas as testemunhas no mesmo dia. Trata-se de uma contradição com o conteúdo do processo, e não é a única. A Polícia Federal, embora tenha sido reiteradamente solicitada, negou-se a disponibilizar a sindicância sobre a acusação de tortura contra Corrêa. De acordo com a assessoria de imprensa da corporação, a Corregedoria-Geral não podia “abrir uma exceção”, embora o processo estivesse arquivado. CartaCapital, contudo, teve acesso a todos os documentos graças ao advogado de Ivone da Cruz, Volnei Oliveira, que a atende gratuitamente em Alvorada. (...) Nos autos do Ofício 230/01, de 27 de março de 2001, Corrêa assinou o documento de remessa dos depoimentos ao delegado Fernando Pontes, da 8ª DP, no qual ele trata de produzir uma informação estratégica, haja vista a denúncia de tortura feita por Ivone, na mesma delegacia, uma semana antes. Temia, ainda, a possibilidade de ser processado por invadir a competência da Polícia Civil para atender a uma demanda familiar. Assim escreveu Corrêa: “Conforme contato telefônico mantido, no qual, diante do acúmulo de serviço dessa Delegacia, V.Sa. solicitou que procedêssemos na oitiva (interrogatório) das pessoas envolvidas”. (...) Dois anos depois de passar pelo interrogatório da PF, Ivone ficou completamente cega. Começou a perder a visão, afirma, no dia seguinte às torturas. “Quando ela chegou em casa, estava toda roxa e em pânico”, conta Elisiane da Cruz, 24 anos, filha mais velha de Ivone. Na época, com 17 anos, Elisiane carregou a mãe para dentro de casa e percebeu que ela havia levado uma surra. Além disso, a empregada reclamava de uma dor insuportável na cabeça e de dificuldade de enxergar. Naquele momento, a menina tomou uma atitude rara e corajosa, contrária à vontade a mãe, e decidiu denunciar a tortura. No dia 22 de março, a filha levou a empregada outra vez à 8ª DP. Lá, Ivone da Cruz acusou Corrêa de tê-la torturado para forçar sua confissão. O diretor-geral da PF alega só ter entrado no caso porque, ao tomar conhecimento do assalto, soube, também, da impossibilidade de a Polícia Civil agir porque, naquela madrugada do assalto, tinha outras prioridades. “Existia praticamente um clamor no prédio, porque Vó Chininha era como uma avó para todos os moradores”, afirma. “Então, liguei para o delegado e solicitei fazer as oitivas, com a autorização dele”, conta. Apesar de ser uma atitude estranha deslocar agentes federais para buscar e interrogar uma empregada doméstica já interrogada pela Polícia Civil, a justificativa de Corrêa poderia até ser plausível, não fosse um detalhe. Da 8ª DP, Ivone foi encaminhada ao Departamento Médico Legal (DML) do Rio Grande do Sul. Um laudo, assinado, em 23 de março, pelos médicos Jorge Modjen da Silveira e Jorge Lazlo, constatou diversas escoriações na região lombar da empregada, segundo eles, provocados por “instrumentos contundentes”. O documento do DML forçou a Polícia Civil a abrir um procedimento de investigação interna, apesar de as supostas torturas terem sido realizadas nas dependências da Polícia Federal. Por quase quatro anos, o processo de apuração da denúncia contra Corrêa tramitou lentamente pela burocracia policial do Rio Grande do Sul. Em 4 de fevereiro de 2005, o delegado D’Artagnan Tubino, da Corregedoria-Geral da Polícia Civil, decidiu ouvir, finalmente, o colega Fernando Pontes, da 8ª DP, responsável pela abertura do inquérito relativo ao assalto na casa de Vó Chininha. Pontes, então, desmontou o argumento primordial de defesa do delegado federal. Declarou “nunca ter solicitado” a Corrêa ouvir os envolvidos no crime, muito menos na sede da Superintendência da PF. Disse, apenas, ter uma “vaga lembrança” de ter sido solicitado um encaminhamento qualquer à PF, por razões que ele também disse não se recordar. O relatório final do delegado D’Artagnan Tubino, com novos depoimentos tomados com as testemunhas ouvidas pela PF, foi encaminhado à Justiça Federal do Rio Grande do Sul, em 13 de maio de 2005, quando Corrêa ocupava o cargo de secretário nacional de Segurança Pública, em Brasília. No texto, Tubino explicita a denúncia de tortura. Segundo ele, Ivone “foi algemada, espancada na cabeça e levou choques no estômago e nas costas”. Mas, inexplicavelmente, retirou do documento a parte do depoimento do delegado Fernando Pontes, da 8ª DP, onde ele dizia jamais ter combinado coisa alguma com Corrêa sobre levar os depoentes para a Superintendência da PF. Foi a vez, então, da Corregedoria Interna da PF, no Rio Grande do Sul, começar a investigar a denúncia contra Corrêa, por requisição do Ministério Público Estadual. Em 6 de julho de 2005, a promotora Dirce Soler encaminhou um pedido de investigação à Justiça Federal, tanto por conta da tortura como por causa da intromissão de Corrêa no caso. Ficou particularmente irritada ao saber que Corrêa entrou na história por ser marido da neta da vítima. “Ora, essa revelação, por si só, demonstra a necessidade de que as investigações sejam procedidas no âmbito da Polícia Federal!” – escreveu, assim mesmo, exclamativa, a promotora. No dia 20 de dezembro de 2005, após pouco mais de dois meses de trabalho, o delegado federal encarregado pela investigação, Sandro Caron de Moraes, produziu um relatório minguado, de duas páginas. Nele, faz um resumo acrítico e favorável à tese de Corrêa, de intromissão na investigação para “garantir a integridade das provas”. Por determinação do Ministério Público Federal, Ivone da Cruz foi reinquirida em 17 de agosto de 2006 para fazer o reconhecimento visual dos diversos agentes federais lotados na DRE da Superintendência da PF, quando da denúncia de tortura. Inútil, porque a empregada, àquela altura, estava completamente cega. “Meu Deus, como é que eu, sem enxergar, poderia reconhecer alguém?”, pergunta Ivone, os olhos opacos virados para o teto, ao se lembrar do episódio. Incapaz de reconhecer os agressores, a doméstica passou seis anos à espera de ter a causa reconhecida na Justiça. Em vão. Em 11 de junho de 2007, o procurador da República Ipojucan Corvello Borba requereu o arquivamento do caso, por falta de provas. Borba reconheceu “a gravidade dos fatos”, mas nada pôde fazer com uma investigação feita pela PF, justamente a corporação acusada de patrocinar a tortura. O caso foi enviado ao então corregedor-geral da PF, em Brasília, delegado Ivan Lobato, em setembro de 2007, ainda na gestão do delegado Paulo Lacerda, mas poucos dias antes da posse de Corrêa como diretor-geral. “Ele (Lobato) deveria ter arquivado imediatamente o processo, mas deixou, deliberadamente, o assunto em aberto”, acusa Corrêa. De fato, o arquivamento só ocorreu depois de Lobato deixar o cargo, ao fim do mandato de três anos, inerente à função. Para o lugar dele, o diretor-geral indicou um amigo dileto, o delegado Valdinho Caetano. E o assunto foi encerrado. Caetano tomou posse como corregedor-geral da PF em 5 de dezembro de 2008. Encontrou, segundo ele, 685 sindicâncias a serem analisadas, além de outros 200 procedimentos administrativos, para aplicação ou não de processos disciplinares, como era o caso de Corrêa. Para limpar a pauta, o corregedor organizou um mutirão e, no meio do trabalho, garante ter se surpreendido com a tal sindicância relativa à denúncia de tortura. “Nunca tinha ouvido falar no caso”, afirma Caetano, amigo de longa data de Corrêa, com quem se formou delegado na mesma turma de 1995 da Academia de Polícia de Brasília. Informado por Caetano da sindicância, inusitadamente, segundo o corregedor, encontrada entre a papelada da repartição, Corrêa conta ter avisado, posteriormente, ao ministro da Justiça, Tarso Genro, do arquivamento do processo. A decisão, sem novo pedido de investigação, segundo o corregedor-geral, foi baseada no arquivamento do caso pela Justiça Federal. Procurado por CartaCapital, Genro desmentiu essa versão. De acordo com a assessoria de imprensa do ministro, ele só tomou conhecimento do fato ao ser avisado por CartaCapital. Assim, foi se informar sobre o processo com o diretor-geral na quinta-feira 19. Depois, declarou, via assessoria: “Confio nas decisões do Ministério Público e do Poder Judiciário”. Em um bairro poeirento de Alvorada, onde vive há oito anos, entrevada em um quarto, sob efeito de calmantes, Ivone da Cruz se mantém alheia às contradições das autoridades. Sobrevive com um salário mínimo da aposentadoria do INSS. Segundo ela, depois de ser torturada, nunca mais conseguiu trabalhar, por causa das dores de cabeça, da depressão e, finalmente, da perda de visão. Para tentar uma indenização, o advogado Volnei Oliveira teria de provar a relação entre a perda da visão e a tortura, tese prejudicada pelo arquivamento do processo. “A injustiça é pior do que a cegueira”, reclama Ivone, baixinho, com os punhos fechados sobre os olhos, numa tentativa inútil de esconder as lágrimas e a dor." (grifos nossos)

Para quem não sabe, Corrêa foi quem LULA E TARSO GENRO, dois progressistas, puseram no lugar de Lacerda na PF e é homem de confiança do Ministro da Justiça.

Mas errado, mesmo, é usar o termo "ditabranda".

Alguém fará passeata contra isso? Vão pegar o megafone? Vão até alguma sede da PF? Vão nada! Claro que não vão! Nem mandarão cartinha! Cadê os intelectuais? Não farão nada! Cadê o megafone? Nada, né? Nem vão usar as vítimas como massa de manobra partidária.

Isso porque são uns paus-mandados e têm uma indignação ideológica curiosamente seletiva. O compromisso não é com um ideal ou uma causa: o rabo é preso a um partido, uma legenda. É mesquinharia partidária, e não grandeza ideológica.

E usam os idealistas legítimos como manada.

* * *

Quem passou dica da reportagem foi a leitora Srta T.

transubstanciado por gravata às 23.03.09 - 17:06:40 | 17 comentários

21/03/2009

SEGUNDO PROTÓGENES, LULA RECEBEU PROPINA DE DANIEL DANTAS

O delegado Protógenes Queiroz, sem meias palavras ou qualquer outro joguinho de linguagem, acusou Lula de forma direta: o Presidente, segundo a acusação feita em seu blog, recebeu propina de Daniel Dantas. Leiam o trecho abaixo:

"Infelizmente, não é apenas o judiciário que está no payroll do banqueiro-bandido Daniel Dantas. O próprio presidente da república, o Lula, acaba de colocar los amigos para assumir controle do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) com um decreto no dia 19 de fevereiro de 2009, visando obstruir processos relativos à soberania da nação – aliás, uma jogada não muito distante do Patriot Act do presidente G.W. Bush que custou aos EUA um atraso que o senhor pode mensurar melhor do que ninguém. No caso em questão, 11 entidades autônomas, incluindo as forças armadas brasileiras, formavam um conselho consultivo que coordenava a Sisbin. Esse conselho foi agora substituído por um comitê de seis indivíduos amigos de Lula, todos com um passado ético extremamente questionável." (grifos nossos)

O que dirão, agora, os defensores de Protógenes que também defendem Lula? Taparão os olhos quanto a esse "detalhe"? Usarão, mais uma vez, o 'protogenismo seletivo'?

Que dureza, né?

Não se trata de uma denúncia trazida à baila pelo "PIG" ou por nada do gênero. É o PRÓPRIO DELEGADO em seu PRÓPRIO BLOG falando clara e objetivamente: LULA ESTÁ NA FOLHA DE PAGAMENTO DE DANIEL DANTAS.

Há evidências? Sim, há: saiu a fusão BrTOi. Lulinha levou uma grana antes disso. Houve o Decreto. O BNDES pôs grana no negócio. O BB fez um empréstimo recorde. A Anatel mudou o PGO. Não havia, no entando, uma acusação formal. Agora, há.

Blogueiros lulistas vestiram a camisa de Protógenes por meses a fio. E agora? O que dirão? Que ele "endoidou"? Não, não podem falar isso, seria ridículo e covarde. Honestamente, não sei o que farão. De certo, vão fingir que isso não aconteceu.

Ou adotar aquelas táticas malucas e bocós, como a do sujeito que disse: "ah, isso é antigo, por que só levantaram a lebre agora?" - como se uma acusação desse porte prescrevesse e, pior ainda, dando a entender que ele próprio já soubesse do quanto acusado, mas ficou na miúda pra ninguém descobrir.

Eles são assim. Sempre desonestos.

Nassif: Antes e Depois de Protógenes Acusar Lula
Antes de Protógenes acusar Lula, o atual contratado da TV Brasil dizia o seguinte sobre o Delegado:

"Trivial dos homens da lei - Bem-aventurados os mansos, os fortes sem rompantes, os homens que trazem dentro de si tamanha resistência que não necessitam das demonstrações exibicionistas. Homens como o delegado Paulo Lacerda, com o jeito de tio amigo, mas empurrado pela força das convicções. (...) Deus os proteja e ao procurador com cara de novinho, ao delegado Protógenes Queiroz e aos homens que conseguiram por anos, lutando contra o boicote da própria Polícia, de setores do Judiciário e da imprensa, trazer um pouco de esperança ao país" (texto do dia 09/07/2008; grifos nossos)

E também:

"O fortalecimento das investigações - A análise que fiz sobre a suposta saída do delegado Protógenes aparentemente se confirmou. Um lance magistral de xadrez. O delegado conduziu o inquérito com coragem. A peça final tem vulnerabilidades, nada que comprometa as conclusões, mas algumas interpretações erradas sobre mercado e imprensa. Qualquer analista de boa fé daria um desconto e se concentraria nas provas levantadas. A reação veio na forma de desqualificação do delegado. Seria messiânico, radical, maluco etc. Agora ele sai de cena, e cadê o alvo a ser mirado? Não tem. E sai de cena prestigiado, significando que o grupo que participou das investigações permanece à frente delas..." (texto do dia 16/07/2008; grifos nossos)

(para o caso de acontecer alguma tragédia e saírem do ar, salvei os dois posts e os tenho guardado aqui, ok?)

Agora, depois de acusar Lula, o blogueiro escreve algo um tanto diferente a respeito de Protógenes:

"Repito o que já escrevi aqui. Nada sei sobre ele, a não ser o relato das grandes operações em que se meteu. O que sei é que a campanha encetada contra o delegado conseguiu qualificá-lo como símbolo. (...) Há que se abrir a caixa de Pandora. Mas confesso meu receio com a criação de mitos. A idéia do salvador da pátria pode abrir espaço para toda sorte de consequencias." (texto do dia 20/03/2009; grifos nossos)

Que carão, hein? "Repito o que já escrevi aqui (...) Confesso meu receio com a criação de mitos..." Ah, esse anedotário infinito da blogosfera!

Comento:

transubstanciado por gravata às 21.03.09 - 19:09:08 | 29 comentários

20/03/2009

PETISTOSFERA: PESOS E MEDIDAS NA SATIAGRAHA

Os documentos da Polícia Federal são válidos para condenar adversários do Governo, mas os mesmos documentos são desprezíveis quando se trata de incriminar gente do Planalto. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Isso que presenciamos agora, com a situação periclitante de Dilma Roussef, Silas Rondeau e Valter Cardeal não é novidade na Operação Satiagraha. Logo no começo, aconteceu algo parecidíssimo: os petistosféricos apoiavam as investigações, mas APENAS até o momento em que a coisa bateu na porta do Gabinete da Presidência da República.

Quando a batata começou a assar para os lados do Chefe-de-Gabinete de Lula, resvalando em Dilma Roussef e no próprio Presidente, puxaram o freio de mão e mudaram de assunto. Foi exatamente nessa época que o Planalto afastou Protógenes e mandou Lacerda para Portugal. Confiram as datas.

Também foi nessa época que saiu a fusão BrtOi. E também foi nessa época que Dantas ganhou bilhões com o negócio. Para que tudo desse certo, Lula precisou mandar bala num Decreto Presidencial; não se fez de rogado e colaborou. Também deu aquela força e, antes mesmo do Decreto, o BNDES jogou dinheiro, bem como o BB realizou o MAIOR EMPRÉSTIMO DE SUA HISTÓRIA.

Tudo imediatamente depois de conversas de Greenhalgh, então trabalhando para Dantas, com Dilma e Lula. Os encontros foram intermediados pelo Chefe-de-Gabinete da Presidência da República. Conversas do ex-deputado petista com o aliadíssimo de Lula foram gravadas por Protógenes. O delegado foi afastado após isso.

Ninguém na petistosfera toca no assunto.

Agora, com a apreensão dos documentos, sobrou para Valter Cardeal, amigo de Dilma, e Silas Rondeau. A coisa bate na Operação Navalha e, vejam, também no caso da empreiteira Gautama. Pra quem não se lembra, a Dilma em pessoa passeou na lancha de Zuleido Veras, o dono da construtora. Na ocasião, estava acompanhada de Jacques Wagner, petista que governa a Bahia.

Como não existe desculpa para isso, o jeito é culpar a "fonte". Dizem que é denúncia "da Veja" ou "do Diogo Mainardi".

Mas, não. Não é. Tudo vem da Polícia Federal. Tudo vem do mesmo banco de dados de onde vem aquilo que condena Daniel Dantas. E eu quero que Dantas seja condenado. Eu também quero que todos os culpados sejam condenados. Silas é culpado? Valter é culpado? Dilma é culpado? Que todos sejam também condenados. Não são culpados? Nada de condenação. Mas que haja uma investigação DECENTE e PROFUNDA.

Quem não quer isso? A turma do "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa".

Daí a necessidade de tergiversar, usando argumentos estúpidos como essa bobagem do "protogenismo seletivo": uma mesma fonte é boa e ruim ao mesmo tempo. A parte que ataca adversários é boa, quando ataca aliados é "passível de dúvidas". Chega a ser ridículo, risível e absurdo.

Eles são assim. Não têm a menor preocupação com a verdade, com nada de nada. Tudo justifica as "mudanças" que estão promovendo em nome do bem-estar social. Não digo do povo, mas de uns e outros ali, é inequívoca a benfeitoria financeira.

transubstanciado por gravata às 20.03.09 - 00:29:57 | 16 comentários

19/03/2009

CARTA CAPITAL: COBRANÇA ABUSIVA? GOLPE?

Vejam só que coisa.

E podem chamar o blogueiro de tudo, menos de "membro do PIG"...

Dureza, não?

transubstanciado por gravata às 19.03.09 - 16:41:08 | 2 comentários

19/03/2009

DIOGO MAINARDI: DILMA SE COMPLICA AINDA MAIS

A coisa começou a feder; e feio. Diogo Mainardi, usando ÚNICA E TÃO-SOMENTE O CONTEÚDO DO COMPUTADOR DE PROTÓGENES QUEIROZ, encontrou o suficiente para complicar a vida de Dilma Roussef e dois 'correligionários'. Vejam a íntegra do podcast desta semana:

"Kama Sutra da Satiagraha
Na última semana, analisei trechos do material encontrado no computador de Protógenes Queiroz e encaminhado à CPI dos Grampos. Um documento, em particular, tem de ser mais debatido: o relatório no qual os agentes engajados pela PF comentam, com linguagem rasteira, os boatos sobre os relacionamentos amorosos de Dilma Rousseff. Numa homenagem a Protógenes Queiroz, que sempre manifestou um interesse especial pela cultura indiana, chamei esse relatório de Kama Sutra da Satiagraha.

O Kama Sutra da Satiagraha tem como protagonistas Dilma Rousseff e outros dois nomes: o primeiro, como mencionei em minha coluna, é Valter Cardeal, diretor da Eletrobras. Em 2007, depois de ter sido nomeado presidente da empresa, ele foi grampeado pela PF e denunciado por envolvimento com o esquema de propinas da empreiteira Gautama. O segundo nome eu prefiro manter em respeitoso sigilo porque ele, Silas Rondeau - Epa! -, nunca precisou da ministra para fazer carreira, já que é visceralmente ligado ao grupo de José Sarney. O que importa, em seu caso, é o seguinte: na Operação Navalha, ele também foi acusado pela PF de envolvimento com o esquema de propinas da Gautama.

Na primeira reportagem de VEJA sobre o conteúdo do computador de Protógenes Queiroz foi reproduzida uma passagem escandalosa que, estupidamente, acabou sendo ignorada na cobertura da imprensa. Ela diz: "Para cada tonelada de álcool, é pago US$ 1,5 para o Silas. O Zeca é dono da Dilma. Na estatal, ganham Sarney, Romero Jucá, Renan e Barbalho". Interpretando: Silas só pode ser Silas Rondeau. Quem é que lhe paga um dólar e meio? Alguém já perguntou a Protógenes Queiroz? O que significa aquela frase sobre Zeca, ou Zeca Diabo, ou José Dirceu, ser dono da Dilma? Que estatal é essa que gratifica José Sarney, Romero Jucá, Renan Calheiros e Jader Barbalho? Na CPI dos Grampos, Protógenes Queiroz tem de ser esmagado contra a parede até responder essas perguntas.

Quando VEJA publicou sua reportagem, Protógenes Queiroz alegou que, em seu computador, havia apenas fragmentos da Satiagraha. Mentira. Os trechos envolvendo Dilma Rousseff, Valter Cardeal, Silas Rondeau e todos os outros referem-se claramente ao setor de energia. A suspeita é que a PF tenha um aparato de espionagem que passa dados sigilosos de um inquérito para o outro, sem o menor controle da autoridade judiciária. Dessa maneira, o conteúdo de um grampo realizado para a Operação Navalha pode ser repassado clandestinamente para a Operação Boi Barrica ou para a Operação Satiagraha. Os delegados que fazem parte desse aparato tornam-se proprietários de notícias valiosas, que podem ser usadas contra quem lhes interessa. Por isso as operações da PF fazem tanto barulho, mas raramente resultam em condenações. O que interessa, no caso, é a posse da informação, e não a informação em si. O perigo é um só: que a informação se transforme em matéria-prima para achaques.

À primeira vista, o Kama Sutra da Satiagraha é somente uma bizarrice repugnante. Mas ele pode ajudar a esclarecer como alguns agentes da PF garantiram a impunidade a um bocado de gente associada ao governo. Basta descobrir o que Protógenes Queiroz pretendia obter com aquele "dólar e meio pago para o Silas"."

E agora? Sem as ofensas de praxe e e as tergiversações de costume, qual seria o argumento plausível? Vale lembrar que não se trata de negar os argumentos de Diogo, mas sim refutar Protógenes Queiroz. Nesse caso, Mainardi - acusado pelo blogueiro da TV Lula de "dantismo" - é quem pede a prisão de Dantas e também do bando do Planalto.

O blogueiro que defende o governo sistematicamente, porém, usa um método seletivo na apuração das denúncias. Tudo que é contra Dantas ele concorda; tudo que é contra o Governo ele ignora.

Reflitam. Volto jajá com uma análise mais ampla.

ps - Querem uma boa? Maluf sempre usava e, bom, vivemos tempos de malufismo no Planalto, né? O negócio é dizer que são "denúncias eleitoreiras! Sério! Funciona com o povão bovino! Maluf fez isso por décadas! E houve paus-mandados enroscadinhos com a patifaria Bancoop usando o subterfúgio, na base do "estão requentando a história" (como se a verdade de uma mandrakaria prescrevesse em um ou dois anos). Acreditem: é isso ou nada. Beijo na família, na Cecília e nas crianças.

transubstanciado por gravata às 19.03.09 - 15:59:57 | 18 comentários

17/03/2009

NÃO É MENTIRA: MAIS UMA DO BNDES!

Quem acompanha este blog sabe que o BNDES não é flor que se cheire, sobretudo na gestão Luciano Coutinho. Vale lembrar que o banco já jorrava dinheiro na BrTOi antes mesmo do negócio ser legalizado (nem havia a chancela da Anatel, tanto menos o Decreto de Lula).

Agora, a Folha revela que a gloriosa instituição emprestou dinheiro para usinas que mantinham trabalhadores em condições degradantes. Vão dizer: ele não sabia. Bobagem. Sabia, sim. Ao menos, tinha condições de saber. E por quê? Simples:

OS EMPRÉSTIMOS FORAM CONCEDIDOS DEPOIS DAS MULTAS IMPOSTAS PELO MINISTÉRIO DO TRABALHO!!!

O que a bndessosfera terá a dizer sobre isso? Como fica a "responsabilidade sócio-ambiental" e todas as conversas-moles do BNDES acerca do tema? Custaria checar a situação da usina ANTES de emprestar a grana?

Bobagem. Perto de tantas peripécias do banco, que todos os leitores deste blog conhecem E BEM, convenhamos, essa é só mais uma.

O mais engraçado é quando eles falam em "aguardar" julgamento. Justo eles, que fazem acordinho judicial em processo de execução, sem exigir garantia real e com a possibilidade de quitação apenas de parte do montante original executado - verdadeira aberração jurídica sem precedentes!

Uma última pergunta: emprestar dinheiro para usina que mantém trabalhadores em situação degradante é "de esquerda" ou "de direita"? Aguardo reflexão e resposta, mas não vale mudar de assunto ou aparecer com aquelas teorias longas e modorrentas sobre a sexualidade de serafins e querubins, combinado?

Ou então aquela coisa de: "eu gostava tanto deste blog, mas aí você começou a falar isso e aquilo, agora não leio mais". Sei que é doloroso ver a humilhante situação em que se meteu esse governo, mas, por favor, não me culpem por isso. Não posso aplaudir essa patifaria toda.

transubstanciado por gravata às 17.03.09 - 04:32:20 | 17 comentários

15/03/2009

DILMA X CARDEAL: DIOGO MAINARDI ACERTA NA VEIA

Sobre sucessão e o dilmismo, que discutam o sexo dos anjos ou não tão anjos. Aqui, vamos aos fatos objetivos da vida pública. Meu chapa Diogo Mainardi foi ao centro do que realmente interessa e conclui o artigo desta semana de forma brilhante:

"A CPI dos Grampos recebeu outro documento do computador de Protógenes Queiroz. É aquele que escarafuncha a intimidade de Dilma Rousseff. Está armazenado na pasta "Zeca Diabo", o nome dado por ele a José Dirceu. Trata-se de um relatório clandestino, que parece reproduzir um diálogo entre um informante do delegado e alguém com acesso ao ambiente da ministra. Dilma Rousseff é associada a dois nomes. O primeiro nunca dependeu dela para fazer carreira, por isso tenho de calar o bico. O segundo – Valter Cardeal – é mais constrangedor. Em 2003, ele foi nomeado por Dilma Rousseff para a diretoria da Eletrobrás. No mesmo período, tornou-se presidente do conselho da CGTEE e da Eletronorte. Em 2006, ganhou o cargo de presidente da Eletrobrás. Sempre na esteira de Dilma Rousseff. No ano seguinte, foi acusado de envolvimento com o esquema de propinas da Gautama, depois de ser grampeado pela PF. Sim: ele foi grampeado. Sim: pela PF. Protógenes Queiroz tem de responder a duas perguntas na CPI dos Grampos. Primeira: quem é o autor do relatório sobre Dilma Rousseff? Segunda: o que ele pretendia fazer com isso? Namastê." (grifos meus)

É "factóide"? Não! A investigação é do próprio Protógenes. Vocês gostam do Protógenes? Pois bem: ele investigou isso. Agora, todos desenvolverão "Protogenestice Seletiva"? Não faz sentido. Investiguemos a fundo quais critérios levaram Valter Cardeal chegar aonde chegou, que poderes ele exerce e assim por diante. Eu topo e já faço minha parte.

Sobretudo eventual envolvimento com a Gautama. Até porque, quem não se lembra daquele passeio que Dilma Roussef e Jacques Wagner deram na lancha de Zuleido Veras, dono da construtora enroladíssima, pela Baía de Todos os Santos? É tudo coincidência, né? O serviçal de serviços vai dizer que é ficção ou "notícia de esgoto". Mas que esgotinho chique, sô!

Namastê para todos.

* * *

Update: VOCÊ NA CABEÇA TÁ LEGAL? CARDEAL! CARDEAL!

Fiquem com os Trapalhões...

O clipe faz parte de "Os Trapalhões e o Rei do Futebol". Lá também tinha um Cardeal, era o próprio Didi. Nada a ver com a Eletrobrás.

Você na Cabeça tá legal? Cardeal! Cardeal!

Não sabia que o assunto fosse irritar tanto a petistosfera. O de serviços NEM MENCIONA o assunto (coitado, pode dançar feio, né?). E quem vem pra cá comentar, fala mal de mim, xinga o bispo, mas NEM UM NADA SOBRE O ASSUNTO.

Cardeal! Cardeal!

Guardem a música. Já temos uma trilha sonora.

transubstanciado por gravata às 15.03.09 - 01:45:19 | 19 comentários

15/03/2009

CUBA É UMA DITABRANDA!

Isso mesmo! Comparando o regime ditatorial cubano àquele de Hitler, ou mesmo o de Mao Tsé-Tung, concluo que a ilha-genocídio é apenas uma DITABRANDA.

Pronto.

Agora, já podem vir à sede das Corporações Merengue fazer manifestação com megafone, logo depois da cartinha que enviarão para cá - a ser devidamente respondida com ironia etc. e tal. Aguardemos a grita.

Ou será que, de Cuba, podemos falar da brandura?

;)

* * *

Este post veio de uma tirada ótima de um leitor ao comentar essa lengalenga toda. Obviamente, nenhum simpatizante dos massacres cubanos reclama quando se usa termos bonitinhos para designar os genocídios perpetrados por Fidel. Falam que por ali a coisa é "doce" ou alegam - aqui de longe - que não temos informações "suficientes" para julgar.

São os mesmos que não têm informação alguma, mas, curiosamente, têm opiniões formadíssimas sobre Israel, Iraque, EUA, Líbia, Curdos e até sobre a existência ou não de vida em Marte.

Na boa, vão plantar batatas. Ou cana. Em Cuba.

transubstanciado por gravata às 15.03.09 - 01:15:45 | 15 comentários

12/03/2009

A DEFESA DE PROTÓGENES A TODO CUSTO E A "LÓGICA" DE NASSIF

Luís Nassif defende o delegado Protógenes. É natural, é do jogo, é um direito seu. Discordo dessa posição e o faço também dentro do jogo, sem acusações ridículas ou coisa do tipo. Hoje, um texto de seu blog chamou atenção por apresentar um raciocínio pra lá de curioso. Segue trecho:

"O massacre do Protógenes absolveu-o de abusos que possa ter cometido. A demonstração cabal de uma conspiração envolvendo todos os poderes penetrou irreversivelmente no imaginário popular. A idéia justa e defensável dos direitos individuais foi apropriada por um alucinado, Gilmar Mendes, que passou a representar para toda a opinião pública a imagem escarrada do abuso de poder. (...) Poucas vezes vi uma articulação tão despreparada como esta, conduzida por uma figura pública, Gilmar Mendes, que desperta repulsa até no público leigo; por uma imprensa que perdeu totalmente o pulso de seus leitores; por parlamentares barra-pesadas (sic) que a mídia tentou transformar em paladinos da moralidade! Santo amadorismo! Só a miragem de excesso de poder - proporcionada por essa aliança - pode explicar tamanho despreparo e insensibilidade. Graças a esses parlamentares, serão mais 60 dias de exposição do Protógenes, de fortalecimento da sua imagem, de exposição das arbitrariedades dos podres poderes, de desgaste da mídia. E não apenas junto aos leitores militantes, mas do público neutro, aquele que não tem cor partidária." (grifos nossos)

De cada dez palavras, oito são adjetivos e figuras discursivas. Vamos ao centro, pois: segundo Nassif, Protógenes será "absolvido" em razão de sua superexposição (ele chama de "massacre"). E diz, textualmente, "abusos que possa ter cometido". É uma 'confissão', digamos. Ele concorda com a hipótese, com a possibilidade.

Quase se chega à máxima: "Protógenes será absolvido por ser culpado".

Mas, afinal, como o blogueiro sugere que a imprensa lide com esses eventuais abusos? Em silêncio? Um delegado da Polícia Federal comete abusos numa investigação e o que cabe à mídia? Compactuar? Não dizer nada? Nesse caso, o delegado jamais seria punido, não é?

Mas, caso a imprensa fale e, portanto, o delegado infrator seja levado à eventual punição, na "lógica" de Nassif, isso TAMBÉM é errado. A denúncia se transforma em "massacre" e – tcharã! – ela passa a "beneficiar" Protógenes.

De um jeito ou de outro, ele sai ganhando. Convenhamos, isso não é análise, é torcida. Fruto de predileção ideológica, gosto pessoal ou intelecto não muito avantajado.

Outro dado curioso é a mudança do maestro. Não se fala mais em Dantas, coitado. Esse já se foi. Agora, o líder da conspiração é Gilmar Mendes, que conduziria uma articulação.

Mas o pior não é isso. Ao se referir a Mendes – de quem não gosto, e não sou "leigo", pois tenho formação jurídica –, ele diz o seguinte: "passou a representar para toda a opinião pública a imagem escarrada do abuso de poder".

Arrogante? Concordo. Chato? Concordo. Mas representar "para toda a opinião pública a imagem de abuso de poder"? Barra forçadíssima. Exagero do DataNassif. Abuso de poder é a acusação que recai sobre o delegado, que teria conduzido um esquema paralelo de investigação, conforme inquérito da POLÍCIA FEDERAL – que, como sabemos, é subordinada ao Ministério da Justiça (e responde diretamente a Lula).

Qual foi o "abuso de poder" de Mendes? Discordo juridicamente do segundo habeas corpus concedido a Dantas. Mas quem sou eu? TODOS OS MINISTROS INDICADOS POR LULA CONCORDARAM. Todos! Publiquei aqui meu descontentamento jurídico e pessoal. Fui mais um dos tantos atropelados pelo STF.

Quando o TJ/SP julga qualquer caso, por mais besta que seja, cobram do governador paulista algum tipo de manifestação, como se não houvesse separação dos poderes. Mas quando o STF faz algum tipo de lambança em níveis astronômicos, tratam Lula como alguém alheio a tudo – sendo que ele indicou a maioria dos que ali estão.

Mas o pior é mesmo a lógica nassifiana: Protógenes pode até ter errado, mas revelar os erros faz com que seja absolvido.

É demais.

Isso lembra o Mensalão. Eles também erraram e também houve superexposição. José Dirceu foi absolvido? Genoíno? Delúbio? Sivinho? João Paulo Cunha? O "massacre" lhes fez bem? A "opinião pública" condenou a mísia por tê-los exposto?

Acorda, rapaziada! Chega de torcida e vamos aos fatos!

Revisão: Hellen Guareschi

transubstanciado por gravata às 12.03.09 - 23:42:59 | 22 comentários

12/03/2009

DITABRANDA II - A TORTURA NO BRASIL É "MENOS HEDIONDA" QUE EM CUBA?

Defensores de Cuba que protestam contra o termo "Ditabranda" são como espancadores profissionais fazendo protesto contra a violência; são como organizadores de rinhas de galo fazendo protesto contra uso de animais em atividades esportivas

Há um argumento recorrente: falar da "ditabranda", usando Cuba como contraponto, é golpe baixo. Ok. Então vou usar aqui um golpe baixo e falarei da ilha-presídio onde reina a família Castro. Tratem de proteger as canelas.

Notei a fúria com que manifestantes foram à porta da Folha de São Paulo reclamar do uso da expressão "ditabranda".

Minha opinião quanto ao editorial já eu já dei, mas repito sem problema algum: a Folha errou feio. Não existe tortura branda. Não existe supressão "branda" de direitos. Não existe nada de "brando" num regime totalitário. Tal nomenclatura não varia de acordo com o saldo de mortos. Um protesto, qualquer que seja, é legítimo.

Desde que - e, sim, É LÍCITO haver um "desde que" - não seja patrocinado por quem aplauda justamente uma ditadura. É como um grupo de espancadores profissionais fazendo protesto contra a violência. É como organizadores de rinhas de galo fazendo protesto contra uso de animais em atividades esportivas.

Pra dizer o mínimio, é inaceitável.

Menos, claro, para os que ali estavam e defendem Cuba. Talvez porque, para eles, o direito à vida e à liberdade seja relativo e varie de acordo com a posição geográfica de um país ou a nacionalidade de uma pessoa.

A tortura, no Brasil, seria "mais hedionda" do que em Cuba? O assassinato de dissidentes, por uma ditadura brasileira, seria "mais imperdoável" do que em Cuba?

Centenas de mortos num regime ditatorial brasileiro, mesmo aqui sendo um país continental, formam um quadro mais grave do que centenas de milhares de mortos numa pequena ilha como Cuba, por meio da ação de um regime igualmente ditarorial? As perguntas não têm fim.

Querem outro exemplo? A pena de morte.

Pergunte a um pró-Cuba o que ele acha da pena capital no Brasil. Certamente, afirmará ser contra, inclusive para crimes contra a vida. Mas, curiosamente, apóia o fato de que Fidel tenha matado milhares que cometeram o pecadilho de tentar fugir da ilha ou se pronunciaram contra o regime. Em suma: um criminoso brasileiro permanece vivo mesmo depois de matar cinqüenta pessoas; um cubano merece morrer porque tentou sair do país ou cometeu "crime de opinião".

Essa é a lógica que permeia a cabeça do "pró-Cuba", e muitos deles vão à porta da Folha gritar "Abaixo a Ditabranda". E é exatamente por isso que não os respeito e tenho a plena convicção de que a eles não assiste direito algum em fazer parte desse protesto.

Pior do que uma palavra equivocada, como a "ditabranda", é considerar uma legítima Ditadura - no caso, DITARRIGIDÍSSIMA - como se fosse um regime justo. Isso sim é uma estupidez hedionda. E, contra esses imbecis, não é permitido fazer protesto algum, esse tipo de opinião é teratologicamente considerada válida.

É isso. Simples assim.

* * *

NÃO ME ENCHAM O SACO: FABIO KONDER COMPARATO E A UNIÃO SOVIÉTICA
Alguém garimpou, escavou, foi atrás, contratou um detetive e, enfim, ENCONTROU uma frase de Fabio Konder Comparato dizendo que Cuba, vá lá, não é assim uma coisa tão feia. Ok. Pois encontrei uma TESE (caso tirem do ar, avisem; salvei o PDF) do mesmo professor na qual, em certo trecho, ele LAMENTA o fim da União Soviética. O motivo? Leiam com seus próprios olhinhos:

"O acesso dos Estados Unidos à condição de potência hegemônica mundial, após o esfacelamento da União Soviética, tornou muito difícil a reorganização das relações internacionais num sentido comunitário." (grifo nosso)

Que tal? Sem aquela maravilha da URSS, vejam só!, não há relações internacionais "num sentido comunitário". Que beleza! Então, esqueçam a parte do "ele simpatiza com Cuba". Stálin, ok? Troquem Fidel por Stálin...

E, façavor, não me encham o saco mais com isso. A menos que achem uma frase solta de 2007, vá lá, dizendo "a URSS era feia". Arre!

transubstanciado por gravata às 12.03.09 - 01:18:57 | 40 comentários

10/03/2009

PERAÍ! QUEM AFASTOU PROTÓGENES, MESMO? LULA!

Vamos defender o delegado Protógenes? Ok, vamos defendê-lo. Mas, então, façamos uma defesa honesta e escorada nos fatos. Vocês vêem a fúria da ex-bndessosfera, atual petistosfera e improvisadamente protogenesfera? Pois é puro joguinho de cena. Embaixadinha pra torcida partidária.

Porque o verdadeiro "inimigo" do delegado se chama Lula. E seu subordinado funcional (mas superior hierárquico de Protógenes) é o Ministro Tarso Genro. Vamos à historinha:

1 - As investigações da Operação Satiagraha chegaram ao óbvio, ou seja, pegaram de jeito o Chefe-de-Gabinete de Lula, que abriu portas palacianas ao lobista de Dantas, Greenhalgh;

2 - Uma vez abertas, as portas levaram o ex-deputado do PT à Ministra Dilma e, vejam, também ao Presidente da República. Depois disso, milagrosa e misteriosamente, saiu o negócio que beneficiou Dantas;

3 - Um negócio que também beneficiou os empresários responsáveis pela injeção milionária de capital na empresa de fundo de quintal do FILHO DO PRESIDENTE (em qualquer país com um mínimo de vergonha na cara seria caso para uma medida séria);

4 - Vale ressaltar que o principal doador individual de campanhas petistas também foi beneficiado;

5 - O governo federal concedeu favorecimentos da seguinte forma: mudou o PGO por meio da Anatel; o Presidente desceu a ripa num Decreto mudando as regras da Telefonia; o BNDES jogou capital na empresa MESMO SEM AS LEIS AINDA PERMITIREM; e o Banco do Brasil concedeu um empréstimo que bateu o RECORDE DA INSTITUIÇÃO;

6 - Tudo depois das conversas de Greenhalgh com Dilma e Lula e, depois disso tudo, Dantas passou a chamar o ex-deputado de Deus. O mesmo Dantas que ganhou bilhões com a operação.

E foi depois DISSO TUDO que o governo federal afastou Protógenes Queiroz das investigações, divulgando aquele trechinho de dois minutos, vergonhosamente editado.

Alguém aqui quer discutir quem é o verdadeiro inimigo de Protógenes? Vamos discutir, sim. Mas esses são os fatos. Não há outros. Mídia? Não. Oposição? Nada.

Foi o governo federal, por meio do Ministério da Justiça, que afastou o delegado. Mas os paus-mandados do governo não podem dizer isso, então põem a culpa em todo tipo de "vilão", para agradar os partidários, não desagradar os vários patrões e tentar jogar a culpa em desafetos.

Os fatos? São de somenos importância. A lógica? Pras cucuias. Mas se é para debater, façamos como gente grande. Ou então que preguem para os convertidos babões que não querem mesmo nada com nada e ganhem seus tostõezinhos escrevendo patacoadas partidárias.

A verdade dos fatos é essa. Os "inimigos" de Protógenes são Lula, o governo federal, o PT, o Ministro da Justiça e assim por diante. Eles que têm poderes para afastá-lo e, como vimos, o executaram a contento. E havia motivo de sobra.

O que chamei de "protogenesfera" continua sendo a boa e velha petistosfera, meus amigos. Mas envergonhada pela própria podridão. É isso e apenas isso.

Aquele abraço pra quem fica.

transubstanciado por gravata às 10.03.09 - 00:52:50 | 18 comentários

08/03/2009

DENÚNCIA CONTRA PROTÓGENES: SURGE A PROTOGENESFERA?

As acusações contra o delegado são gravíssimas. Segundo as denúncias, ele teria extrapolado, invadindo a privacidade de petistas, tucanos, pefelistas, enfim, governo e oposição. Mas, curiosamente, uma parcela da blogosfera em geral inclinada a defender o governo, agora o defende, mesmo diante da investigação conduzida pela própria Polícia Federal (órgão do governo). Como explicar isso? Não sei. Mas vamos lá... (é daqueles chatos e longos)

Acusação e Documentos
Na última edição (nº 2103), a revista Veja traz acusações graves contra Protógenes Queiroz. Não se trata de um levantamento ou ilação. Ao contrário: é investigação conduzida pela Polícia Federal, com direito a cópia de documentos. Trechos a seguir (são transcrições longas, mas fundamentais para a uma boa análise):

"O inquérito em andamento tem como uma de suas principais fontes de evidências o conteúdo do computador apreendido por policiais na casa de Protógenes. (...) O conteúdo é estarrecedor e prova que o delegado centralizava o trabalho de uma imensa rede de espionagem que bisbilhotou secretamente desde a vida amorosa da ministra Dilma Rousseff até a antessala do presidente Lula, no Palácio do Planalto – passando pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo governador José Serra, além de senadores e advogados. Nos documentos encontrados na residência do delegado há relatórios que levantam suspeitas graves sobre as atividades de ministros do governo, fotos comprometedoras que foram usadas para intimidar autoridades e gravações ilegais de conversas de jornalistas – tudo produzido e guardado à margem da lei. O material clandestino – 63 fotografias, 932 arquivos de áudio, 26 arquivos de vídeo e 439 documentos em texto – foi apreendido em novembro do ano passado pela Polícia Federal e estava armazenado em um computador portátil e em um pen drive guardado no apartamento do delegado no Rio de Janeiro (...) O resultado final da investigação deve ser anunciado até maio, mas, pelo que já se encontrou nos arquivos pessoais de Protógenes, não resta mais sombra de dúvida sobre a extensão de suas ações ilícitas, cuja ousadia sem limite chegou à antessala do presidente Lula e a seu filho Fábio Luís" (...)

"Protógenes recrutava os espiões com o argumento patriótico de que eles estavam sendo convocados para uma "missão presidencial". A suposta ordem do presidente e o nome de Fábio Luís da Silva surgiram nos depoimentos dos arapongas. Um deles, Lúcio Fábio Godoy, contou aos policiais que ouvira de Protógenes que Lula tinha interesse na investigação porque "seu próprio filho teria sido cooptado por essa organização criminosa". Não se sabe com que autoridade o delegado Protógenes usou o nome do presidente Lula. A suposta "cooptação" do filho do presidente pela organização criminosa se deve a um fato bastante conhecido. Em 2004, a Brasil Telecom, empresa de telefonia então controlada por Dantas, contratou a Gamecorp, produtora de games do filho do presidente. Pelo contrato, Dantas dava 100.000 reais por mês a Fábio Luís. Os depoimentos contidos nos nove volumes do inquérito comprovam de modo irretorquível que os arapongas da Abin participaram massivamente da Satiagraha e, pior, manusearam as conversas telefônicas interceptadas pela PF – o que é expressamente ilegal. O espião Jerônimo Jorge da Silva Araújo, por exemplo, contou ao delegado Amaro Vieira, responsável pelo inquérito que apura o vazamento da Satiagraha, que sua função na equipe consistia em degravar áudios da investigação. Ele trabalhava clandestinamente no quarto de um hotel de São Paulo e tinha acesso ilegal ao sistema Guardião, que organiza as gravações feitas pela PF e registra todos os usuários. Há um detalhe especialmente perturbador no depoimento do araponga. Diz Jerônimo: "Na base do hotel, eu acessava outro tipo de sistema, do qual não me recordo o nome, mas posso afirmar que era um sistema diferente do Guardião e que os áudios que eram acessados pareciam estar gravados no próprio computador que era utilizado para degravação"." (...)

"Os arquivos de Protógenes mostram um especial interesse pelas atividades do ex-ministro José Dirceu. O delegado e seus arapongas apelidaram o petista de "Zeca Diabo" – nome de um matador de aluguel da primeira novela em cores do Brasil, O Bem Amado. Um dos documentos, arquivado sob o nome "Informações Zeca", relata que o ex-ministro-chefe da Casa Civil "embarcou ontem, 17/04, para o Panamá. De lá, segue um roteiro internacional de negócios até 10 de maio". Em outros trechos, os espiões escrevem sobre possíveis negócios do ex-ministro e supostos encontros de Dirceu com deputados envolvidos no escândalo do mensalão. O petista já havia reclamado ao presidente Lula que estava sendo monitorado ilegalmente. Em vão. No ano passado, o escritório dele foi arrombado. Os invasores só levaram um computador e documentos. Até a petista Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil e pré-candidata à Presidência da República, foi alvo dos espiões. Em um documento, eles descrevem em termos grosseiros supostas relações amorosas da ministra, cujo parceiro eles identificam." (...)

"Um desses documentos está arquivado sob a rubrica "Confidencial e Privilegiado", com data de 11 de janeiro de 2005. Ali, apresenta-se o resultado de uma detalhada investigação sobre a relação do atual ministro Roberto Mangabeira Unger com o Opportunity. Mangabeira nunca foi investigado formalmente no decorrer da Operação Satiagraha, e sua proximidade com Daniel Dantas é notória há anos. Quando Lula o convidou para assumir a recém-criada Secretaria de Assuntos Estratégicos, o professor foi obrigado a comprovar que não mantinha mais relações contratuais com a turma de Daniel Dantas. (...) Como o relatório final da Operação Satiagraha demonstrou, o raciocínio bicolor do delegado não comporta meios-termos nem nuances. Se Mangabeira já esteve no bolso de Daniel Dantas, ele fatalmente entrou no governo para servir ao banqueiro. Simples assim. Embora não haja nenhuma evidência de que Mangabeira tenha feito qualquer tipo de gestão favorável ao banqueiro, Protógenes empenhou-se em investigar clandestinamente o professor." (...)

"...Mangabeira foi promovido a "político associado" do grupo Opportunity num organograma secreto, preparado pelos arapongas. O ministro não é o único "político associado". Ele está ao lado do nome dos senadores Heráclito Fortes, do DEM do Piauí, e ACM Júnior, do DEM da Bahia. Heráclito é amigo do empresário Carlos Rodenburg, sócio de Dantas, e atua como defensor do grupo Opportunity no Congresso. A inclusão do nome de ACM Júnior, no entanto, é misteriosa. Não se sabe qual seria a relação dele com Dantas." (...)

"A única "vigilância" que Protógenes cita no documento teria acontecido no restaurante Original Shundi, em Brasília. Na noite anterior à elaboração do documento, o delegado diz que jantava no restaurante quando o advogado Nélio Machado, que trabalha para Dantas, se sentou numa mesa próxima, acompanhado de um grupo de "pessoas não identificadas". Narra o relatório: "(Os advogados) passaram a se comportar em (sic) atitudes suspeitas, o que por dever de ofício obrigou o DPF Queiroz a sacar o celular e fazer o registro fotográfico das pessoas que ali se encontravam" – o que, de fato, Protógenes fez. As fotos estavam no computador do delegado e mostram o advogado e seus amigos... jantando. Muito suspeito. Durante meses, o delegado Protógenes espalhou que o advogado Nélio Machado estava acompanhado de assessores do ministro Gilmar Mendes, em uma clara insinuação de que haveria uma relação promíscua entre o presidente do STF e a defesa do banqueiro. Ele dizia que tinha fotos que provavam o encontro. Nunca as mostrou. Agora a razão disso ficou clara. Quando a Polícia Federal identificou as pessoas que são vistas nas imagens, o blefe de Protógenes apareceu em toda a sua pomposa falsidade. Foi mais uma tentativa criminosa do delegado de atingir o presidente do STF, portanto, chefe de um dos poderes independentes da República." (...)

"O material apreendido pela PF está dividido em duas partes. Uma delas é formada por relatórios policiais, gravações telefônicas e ambientais, vídeos, planilhas e transcrições de conversas interceptadas. São peças do inquérito, comandado por Protógenes, que investigou Daniel Dantas, obtidas pelo delegado com base em diligências autorizadas pela Justiça. É estranho que Protógenes tenha aberto um baú em casa para guardar documentos sigilosos que deveriam integrar apenas o inquérito oficial. A segunda parte do material, porém, é bem mais que isso. Ela reúne gravações telefônicas de conversas entre membros da comunidade de inteligência e dirigentes da Abin, fotografias, imagens de pessoas que não eram investigadas na operação e informes de arapongas sobre a vida íntima e profissional de autoridades e ex-autoridades. A polícia ainda não conseguiu abrir alguns documentos apreendidos com a equipe do delegado e que estão protegidos por senhas de acesso, com codinomes como "Tucano", "FHC" e "Serra". Os arquivos de Protógenes Queiroz continham até um manual detalhado sobre como operar um equipamento clandestino de interceptação de telefonemas e mensagens de celular. Interceptações autorizadas pela Justiça são feitas pelas companhias telefônicas e seu conteúdo é armazenado em computadores da Polícia Federal." (grifos nossos)

Por partes.

Veja x Polícia Federal
A denúncia saiu na Veja e envolve Protógenes. A "protogenesfera", que nasceu hoje - e explico o quanto difere da petistosfera -, se apressa em contestar a reportagem e defender o delegado. Mas é um equívoco daqueles, porque vai contra fatos e documentos.

Não se trata de um artigo de opinião ou uma coluna ou coisa que o valha. São documentos colhidos em investigação DA POLÍCIA FEDERAL. E tal instituição, vale lembrar, está subordinada ao Ministério da Justiça do governo Lula. Não faz sentido culpar a Veja por uma investigação conduzida pelo Poder Executivo Federal.

Luís Nassif, em seu blog, diz o seguinte (texto do dia 07/03):

"Veja e o submundo (...) Aí sai essa matéria com o tal relatório da Polícia Federal sobre supostas escutas de Protógenes em cima de Lula, Dilma e ministros. Protógenes negou peremptoriamente ao Paulo Henrique que o material fosse verdadeiro. Se falso, houve armação de um dos dois ou de ambos: o corregedor da Polícia Federal e os setoristas de submundo da Veja. Se verdadeiro, Protógenes se enrola, mas o vazamento comprova o conluio do corregedor com o órgão mais diretamente comprometido com Daniel Dantas. O delegado geral Luiz Fernando que conte a outro essa história de profissionalização da PF. (...) O que é de estarrecer (para usar um adjetivo caro aos seus diretores) não é nem a falta de escrúpulos. É o completo amadorismo dessas armações feitas em plena luz do dia, com o país inteiro assistindo. Nem uma pessoa de vida monástica como Dantas poderia acreditar que seria tão fácil envolver uma revista no seu próprio suicídio editorial." (grifos nossos)

Atentem para isso: "se verdadeiro, Protógenes se enrola...". E, em seguida, o blogueiro logo fala contra o vazamento, que comprovaria "conluio" da Polícia Federal com... A VEJA!!! Mas, ué!, a Veja não seria do PIG? Agora está de "conluio" com o MINISTÉRIO DA JUSTIÇA? Então desistiu de dar um golpe no Lula e vai golpear o pobre do Protógenes?

De todo modo, Nassif já sentencia: "armações em plena luz do dia". Emite um juízo de valor com características definitivas. Não sei se alguém tem condições de avaliar a veracidade desse material. A PF o está analisando, colhendo depoimentos etc. Protógenes "negou peremptoriamente". O que temos é o que foi publicado; por sua vez, repassado pela Polícia Federal. O blogueiro, porém, se apressa e diz que se trata de armação. Parece um tanto prematuro. Como é possível ter tanta certeza?

E encerra o comentário falando em "suicídio editorial" etc. Risível. A reportagem é quase que totalmente composta por transcrições dos relatórios da PF. O próprio Nassif, antes da divulgação oficial, publicou também um relatório da Polícia Federal - e, diga-se, aquele relatório foi REFEITO (e a versão refeita nunca foi publicada no blog; e deveria, pois os principais trechos ali divulgados foram REMOVIDOS por Protógenes).

Fato é que jornalistas têm mesmo acesso a esses documentos, tanto a Veja quanto Nassif, e isso não comprova "conluio" algum.

Protógenes x Lula, Dilma e Afins
Segundo a Polícia Federal - e não a Veja, vale repetir -, Protógenes investigou Lula, Dilma e o escambau. Tudo à margem da legalidade. Seria presumível uma reação negativa e condenatória por parte dos defensores do partido.

Mas qual o quê! Na sanha de atacar a revista e/ou endossar a todo custo o trabalho do delegado eles vão contra fatos, fotos, documentos e atropelam a lógica: que se dane a invasão - comprovada! - da vida íntima da ministra! Protógenes "negou peremptoriamente", então... é mentira! E a culpa é da revista que - olha o nível do argumento... - única e tão-somente reproduz o quanto investigado pela própria PF subordinada ao MJ.

É bizarro e surreal.

Seguindo a toada dissonante de dois ou três paus mandados visivelmente perturbados diante dessa sinuca, os microcéfalos semoventes partem para a maluquice extremada: defendem Protógenes e atacam a revista. Ok. Só que esse ataque, numa análise de mais de três neurônios, é um ataque AO GOVERNO, a um órgão governamental independente. E aí a vaca vai pro brejo.

Então, ok. Fiquemos com Protógenes? Maravilha. Dilma está errada. Zé Dirceu está errado. Lula e Lulinha estão errados. Gilberto Carvalho está errado. Mangabeira Unger está errado. E assim por diante. Todo o governo federal, praticamente, está errado. Mas o delegado está certíssimo.

Trocando em miúdos, é essa a essência da defesa cega.

Gilmar Mendes: A Fraude do "Flagrante"
Durante algum tempo, havia a ameaça de soltar uma foto comprometedora de assessores de Gilmar Mendes jantando ou confraternizando com um dos advogados de Daniel Dantas. A mensagem vinha cifrada ou mesmo expressa em alguns blogs e demais veículos.

A Polícia Federal mostrou trecho do relatório que indicaria tal evidência. E, também, mostrou a tal "prova". Bobagem. O advogado está mesmo jantando, mas as pessoas que estão na mesa ao lado são ilustres desconhecidas. Era fraude. Blefe. Sobre isso, ninguém fala mais nada.

Não gosto do Gilmar Mendes, e em geral discordo da maioria de suas declarações. Mas foi um tapa na cara dos que o ameaçaram velada ou diretamente em razão dessa suposta "bomba".

E a Satiagraha?
O mais importante disso tudo, a meu ver, é impedir que contamine o CENTRO da operação, qual seja, o negócio que culminou na Supertele. Um breve resumo:

- O Governo não ajudaria na operação, e isso foi declarado por, entre outros, a própria Ministra Dilma;

- Dentre os interessados estavam: Grupo Oi/Telemar (que injetou milhões na empresa do Lulinha e cujo sócio é o maior doador para campanhas do PT); e Daniel Dantas, que ganharia um bilhão no negócio;

- Daniel Dantas contrata Greenhalgh, "petista histórico", e ele passa a se reunir com membros do Governo;

- Greenhalgh primeiro liga para o Chefe-de-Gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, depois consegue se reunir com Dilma Roussef e até mesmo com Lula;

- Milagrosamente após esses encontros - vejam só! - a fusão sai. E não sai "de qualquer jeito", mas sim com: grana do BNDES, um crédito RECORDE do Banco do Brasil, mudança do PGO por parte da Anatel e PUBLICAÇÃO DE DECRETO PRESIDENCIAL;

- Depois disso tudo, há gravação da Polícia Federal de uma ligação telefônica de Dantas, na qual ele se refere a Greenhalgh como nada menos do que Deus:

"Dantas: "Pois é [...]. Eu tava dizendo para o Humberto que eu ia ligar, para dizer "graças a Deus", deixa eu ligar para Deus [numa referência a Greenhalgh]";

- Não se fala mais nisso."

O resto, como dizem, é história. Mas a fusão está aí.

Por Fim: Documentos
Abaixo, alguns dos documentos, em fac-símile, oriundos da investigação da Polícia Federal e publicados na Veja:

É isso aí... Qualquer coisa, favor reclamar com o bispo. Apenas sugiro evitar o de Olinda.

transubstanciado por gravata às 08.03.09 - 19:48:39 | 22 comentários

07/03/2009

AINDA OS LUTADORES CUBANOS QUE FUGIRAM DA DITARRIGIDÍSSIMA

Acabo de receber um comentário fazendo referência aos lutadores cubanos, aqueles que fugiram da delegação, depois foram devolvidos para Cuba e, tempos depois, fugiram novamente.

Há várias versões sobre o caso. E o mais incrível é que todas elas são do lutador. Primeiro, ele fugiu (isso na época do Pan). Depois, quis voltar (foi o que o governo brasileiro disse). Depois, fugiu novamente (foi o que efetivamente fez). Depois, disse que falou com o Lula. Depois, o próprio governo brasileiro negou que tivesse falado com o Presidente da República.

Nem defensores ou detratores do PT ou esquerda e direita sabem o que fazer com essa história. Ou com essas histórias. São muitas, várias, infinitas, umas não batem com as outras, outras não batem com as umas. E assim por diante.

Petistas e paus-mandados do governo, inclusive a blogosfera remunerada pelo Planalto, aproveitam para ir à forra diante de declarações recentes do lutador mitômano. A última do Pinóquio do boxe foi ter dito que realmente pediu para voltar a Cuba, livrando a cara do governo brasileiro - e isso veio acompanhado de alguns pedidos de desculpas por parte de quem acusou o Ministro da Justiça.

De minha parte, não peço desculpas: o Ministro é um panaca.

A tal declaração do boxeador, dizendo o que disse, vem no mesmo pacote do "eu falei com o Lula". E ele NÃO FALOU com o Lula. Um dos que figuram na folha de pagamento extra-oficial do governo alegou que é "natural" um desportista confundir autoridades. É mesmo? CONFUNDIR UM PRESIDENTE DA REPÚBLICA? Haja!

O que temos é o seguinte: como qualquer cubano, eles não viam a hora de fugir dali. Tentaram uma vez, foram pegos e, sabendo que poderiam morrer, acabaram tendo que voltar. Quando conseguiram, fugiram novamente. E agora não voltam mais.

Porém, contudo e todavia: eles têm família por ali e não duvido que devam sofrer ameaças. Desta feita, estão pisando em ovos e livrando a cara de todas as autoridades e governos amigos da ditadura. Ou melhor, da ditarrígida. Quer dizer: DITARRIGIDÍSSIMA.

Porque, se dizem que foram pegos pelo governo brasileiro e mandados para Cuba, simplesmente confessam um crime para TRIBUNAL DE HAIA. Já imaginaram? É claro que sai baratíssimo contar essa história. Tão barato que, na pressa, o assustado boxeador é mais realista do que o rei e diz que falou com o Lula. Ou fez de propósito, ou é uma cascata cifrada para deixar clara a anedota.

Não sei se um dia saberemos a verdade. Talvez quando acabar o regime ditatorial ou ao menos quando todos os familiares dos dois lutadores estiverem livres dos perigos do regime. Antes disso, não duvido que surjam mais umas dez versões.

Quanto ao mais, prevalecem as velhas máximas:

- Para gostar de Cuba, é preciso viver bem longe dali;

- Todo amante de uma ditadura a justifica enumerando supostos bons indicadores (defensores de Hitler viviam falando da queda do analfabetismo, sistema de saúde etc.);

- Mesmo o mais empedernido "direitista" (brasileiro) condena Pinochet, e às vezes até um moderado "esquerdista" (brasileiro) defende Fidel. A "cor da bandeira" se sobrepõe ao direito à vida.

Nada de novo.

transubstanciado por gravata às 07.03.09 - 17:31:05 | 25 comentários

06/03/2009

USADOS E CHUTADOS PELO GOVERNO LULA

Vão dizer que é perseguição, como sempre, mas é exatamente o inverso disso: o descontentamento com o Governo Lula, da parte de quem analisa política e não de quem recebe assistencialismo, vem de algo mais profundo. E isso passa, obviamente, por uma análise da forma pela qual usam e jogam fora alguns quadros políticos. Vejam.

Marina Silva
Seu afastamento foi um dos episódios mais ridículos de todo o governo. O presidente transformou/retirou uma série de poderes da ministra do Meio Ambiente, justamente sobre a Amazônia, repassando-os a Mangabeira Unger, cuja pasta até hoje ninguém sabe ao certo pra que serve.

E a bizarrice não para por aí: Unger foi quem disse ser este o governo mais corrupto da história do país e, ele próprio, era até pouco tempo advogado de Daniel Dantas. O mesmo Daniel Dantas beneficiado por Lula com um bilhão após todo o esforço empreendido pelo governo com a fusão BrtOi.

O contexto do afastamento de Marina Silva é esse. Uma servidora leal e ética num governo em que este último pormenor é raro e precioso foi jogada às traças para beneficiar um detrator da própria administração e advogado de Daniel Dantas.

Cristovam Buarque
Demitido POR TELEFONE, após anos e anos e anos de extrema lealdade e prestação de serviços ao governo, além de uma administração bem competente do Distrito Federal. Uma forma covarde e mesquinha de se livrar de um ministro.

Uma grande humilhação para quem nunca tinha feito coisa alguma contra o partido, contra o governo ou coisa que o valha. Humilhação desnecessária, derivada única e exclusivamente do autoritarismo de um governo que, até então, não tinha seus podres revelados e cujas mutretas ainda percorriam nas sombras.

Depois, Cristovam foi para o PDT e chegou a ser considerado um "traidor" (???). Vejam que lógica torta: ele é humilhado, demitido POR TELEFONE e vai para um partido de viés progressista, defender as mesmas ideias de sempre. Não tem jeito: é um "traidor".

O engraçado é que Dilma, a "ungida", SEMPRE FOI DO MESMÍSSIMO PDT, até que se mudou para o PT a fim de manter seu carguinho no governo do RS (isso em 99). Tenho amigos petistas da minha idade (tenho 32 anos!) filiados há mais tempo que ela.

Enfim, Cristovam foi chutado porque não servia mais aos interesses políticos do governo. É assim que funcionava e assim que ainda funciona.

Miro Teixeira
Apoiou Lula logo no primeiro turno de 2002, numa manifestação de lealdade impressionante. Tornou-se ministro das Telecomunicações, na primeira formação do ministério, mas saiu em 2004 com a primeira reforma.

E , por "reforma", devemos entender a acomodação da primeira leva de peemedebistas apoiadores. No lugar de Miro entrou Hélio Costa, que dispensa apresentações. Como prêmio de consolação, Teixeira voltou à câmara na condição de líder do governo, mas não aceitou o "título" justamente por discordar dessa reforma de araque.

Tamanha sua grandeza, nunca foi dado a arroubos de Heloísa Helena ou demais juvenis da política. Sua oposição ao sistema de conchavos se deu sempre de forma civilizada, mas isso não diminui o fato principal desta análise: foi chutado do governo em nome de uma composição ridícula e, em seu lugar, entrou alguém de competência risível e qualidade política visivelmente inferior.

Ciro Gomes
Não sou muito fã de Ciro Gomes, mas é impossível não concordar que foi talvez o ministro mais leal a Lula. Talvez por sonhar em ser indicado para sucedê-lo. Pode ser. Mas isso não muda a virtude de sua lealdade.

Quando o Mensalão explodiu, o Ciro que até então permanecia calado e longe dos microfones, poupando o governo de embaraços e crises institucionais, tomou as rédeas e o defendeu exaustivamente – coisa que muito petista não fez.

O que acontece hoje? Foi esquecido, chutado, largado e deixado pra lá. Vice da Dilma? Nada. Ciro não é nada para o PT. Nada. Foi usado enquanto servia para alguma coisa, agora é um Zé Ninguém na Câmara dos Deputados. Foi feito de trouxa pelo governo.

Enquanto Ciro fazia parte do governo, era enaltecido por milhões de petistas, praticamente a maioria (podem vasculhar os escritos da plêiade de paus mandados). Depois que saiu, virou vilão. Aconteceu com Erundina, também, cuja honra foi milagrosamente resgatada quando voltou ao PT, mas foi perdida quando se aliou a Quércia em 2004 e concorreu com Marta, mas NOVAMENTE resgatada em 2008 (tudo isso é verdade, por risível que pareça – e seja).

Enfim
O governo usa e joga fora. Se amanhã a Dilma se meter num escândalo daqueles escalafobéticos (sei lá, um dossiê inabafável ou uma intervenção na Varig com gravação... uma dessas papagaiadas já havidas, mas para as quais ninguém deu bola), podem apostar, não terão dó nem piedade.

Porque é o que sempre acontece.

O objetivo central é proteger o Messias. Como ainda falta tempo para acabar o mandato, é melhor manter seu poder de indicação e apoio do que salvar a pele da "quase-indicada". Isso vale até, provavelmente, maio ou junho do ano que vem. Daí, sim, ela ganha imunidade.

Quanto ao mais, fiquei nesses quatro exemplos por pura e simples preguiça e, também, porque numa passagem rápida de memória considerei os mais emblemáticos. Mas fiquem à vontade para citar mais casos, sem problema algum.

Evamoquevamo!

Revisão: Hellen Guareschi

transubstanciado por gravata às 06.03.09 - 15:33:50 | 13 comentários

04/03/2009

VITÓRIA DO PT E DO GOVERNO: COLLOR É ELEITO PRESIDENTE DA COMISSÃO DE INFRAESTRUTURA DO SENADO

Sim, vitória do PT. E não é preciso ir longe para explicar isso. Vamos aos fatos: Fernando Collor de Mello, ex-Presidente, foi eleito Presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado, pela qual passarão todos - TODOS - os projetos do tal PAC (o que, pelo andar da carruagem até agora, não é muita coisa - mas, em termos de marketing, é ao menos simbólico).

Agora, vamos à história: o PT e o Governo atuaram em favor de Renan Calheiros quando houve a tentativa de sua cassação. Uns dirão que faz parte do jogo político ou da governabilidade etc. Sinal dos tempos. Mas, enfim, esse mesmo Renan, vejam vocês, garantiu a Collor a presidência dessa Comissão - desde que seu PTB votasse em Sarney para a Presidência do Senado.

E a piada não pára por aí: o PT tinha candidato próprio, apoiado pelo PSDB (!!!), sendo que o Governo apoiava Sarney, do PMDB (!!!!!). Com isso - vejam que roteiro maluco! - o PTB conseguiu tal cargo para Collor. Eis o roteiro desse teatro absurdo.

Ao não eleger um petista para a Presidência do Senado, apoiado pelo PSDB, o PT Governista (sim, há o 'não tão estritamente governista' - vide Suplicy) PERDEU uma eleição na Casa e Collor levou. Justamente contra Ideli Salvatti, que é para coroar a ironia da coisa.

No interior, há uma expressão para isso: não se cria jacaré debaixo da cama. O PMDB é tão confiável quanto o PT. Ambos buscam o poder e os dois estão na mesma mesa jogando pelos próprios interesses.

Dessa vez, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, mesmo. Uma coisa é o Governo apoiar Sarney; outra coisa é esse apoio garantir a Presidência da Comissão de Infraestrutura para Ideli. Nem pensar. Imagine o potencial de barganha com um Collor ali...

É o jogo. Criaram o jacaré debaixo da cama.

E ainda há petista contando com o apoio garantido do PMDB para 2010... Logo mais publico um texto sobre a incrível máquina de triturar quadros políticos chamada Governo Lula. Era para ter publicado hoje mais cedo, mas essa notícia furou o prazo.

Evamoquevamo!

ps - e nem venham dizer "ah, é perseguição" ou "ah, está sempre contra o governo", porque são fatos, ok? brigar contra eles é até feio...

transubstanciado por gravata às 04.03.09 - 23:36:46 | 9 comentários

03/03/2009

SARNEY, TCU E UMA REPÚBLICA MARANHENSE

Todo mundo sabe que José Sir Ney não está em via de receber o Prêmio Nobel de "Figura Republicana do Planeta". As denúncias contra o Diretor-Geral do Senado, portanto, não foram investigadas. O Presidente da Casa, Sir Ney, tratou de encaminhar uma papelada para o TCU.

Alguém aqui sabe o que é o TCU? Certeza.

Vamos lá... Apesar do nome Tribunal, ele vale tanto quanto o STJD (Superior Tribunal da Justiça Desportiva). Um e outro são departamentos ligados a uma entidade. No caso do tribunalzinho esportivo, o valor judicial é zero e seu preenchimento é atribuição dos cartolas. Ponto final.

E o TCU? É o mesmo que o Serviço de Reprografia (Xerox, para os mais chegados), ou qualquer outro setor do Senado. A diferença é que consome alguns milhões de reais por ano, os titulares com direito a voto têm cargo vitalício e são chamados de Ministros.

Isso porque não passa de um departamento do Congresso e sua autonomia beira o ridículo; o Presidente da República nomeia um terço dos Ministros, o resto é nomeado pelo próprio Congresso.

Sir Ney não deveria era fazer nada. Afinal, vivemos num Estado Democrático de Direito e o Ministério Público, por meio da Procuradoria da República, certamente abrirá uma investigação: cabe ao Presidente do Senado única e tão-somente não atrapalhar.

Mas o dono do famigerado bigode acaju acastanhado, torrado e escurecido não se segura e ATRAPALHA. Trata de enviar dados e documentos do funcionário para o TCU, usando as seguintes palavras para qualificar o órgão ligado ao Congresso:

"o maior órgão mais insuspeito de todos para examinar o assunto"

Essa, claro, é da lavra do autor de "Marimbondos de Fogo", "Brejal dos Guajás" e outras obras que garantiram imortalidade, fardão da ABL e chazinho na mansão no RJ. Ele também é autor de Roseana Sarney.

Mas o impressionante disso tudo foi não ter afastado o funcionário envolvido (ok, não demitir é compreensível, há que se aguardar o julgamento). Nessa papagaiada, o dito-cujo CONTINUA COMO DIRETOR-GERAL DO SENADO.

Sua função, apenas para deixar tudo mais claro, é a de cuidar do orçamento da Casa. E ele é acusado de "esconder" (comprando no nome do próprio irmão) um imóvel cujo valor é estimado em R$ 5 milhões. E ele JÁ CONFESSOU.

Sir Ney estaria protegendo o funcionário? Aparentemente, sim. Por que razão? Ele poderia explicar. O Presidente do Senado é padrinho político do Ministro Edison Lobão, de Minas e Energia, que dá continuidade no Governo Lula ao trabalho iniciado por Dilma (perfis parecidos, talvez?). Sarney é, também, aliado de Renan Calheiros e do próprio Lula.

É o caso de repetir: por que cargas d'água não afasta esse funcionário ao menos enquanto ocorre a investigação?

Epa! Eis um trecho interessante da reportagem da Folha que relata alguma coisa sobre Agaciel, o funcionário que não pôde comprar a casa no próprio nome por ter bens indisponíveis. Sabem o porquê da indisponibilidade? Leiam:

"A indisponibilidade dos bens de Agaciel foi decretada pela Justiça na esteira do escândalo da gráfica, em 1994. Naquele ano, o então senador Humberto Lucena (PMDB-PB) teve sua candidatura à reeleição cassada pela Justiça Eleitoral por uso ilegal da gráfica para impressão de material de campanha. Também enfrentaram representação na Justiça Eleitoral, acusados da mesma prática, os políticos pelo então PFL maranhense Roseana Sarney (deputada e candidata vencedora a governadora) e os postulantes ao Senado Alexandre Costa e o hoje ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Eles tiveram cadernos escolares com propaganda eleitoral impressos na gráfica encomendados por Costa, candidato à reeleição. Suas candidaturas, contudo, não foram cassadas." (grifos nossos)

Sim, Lobão é o Ministro de Lula, e hoje é titular do cargo "técnico" que antes era da atual Ministra da Casa-Civil (por sinal, uma função política atualmente considerada técnica para ver se cola a imagem de "gestora"...). Mas Lobão no Ministério de Minas e Energia é a prova DEFINITIVA de que a esperança venceu o medo de fazer marketing.

E, de novo: Sir Ney, aliado do governo e nomeador de Ministros, protege Agaciel?

transubstanciado por gravata às 03.03.09 - 01:39:47 | 4 comentários

01/03/2009

GRANDES PIADAS PRONTAS DA POLÍTICA INTERNACIONAL

Agora, é recomendação médica:

¿Por qué no te callas?

Seria um médico golpista?

transubstanciado por gravata às 01.03.09 - 17:09:46 | 5 comentários



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