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28/02/2009

PARA NOAM CHOMSKY, SÓ HÁ CAPITALISMO NOS PAÍSES SUBDESENVOLVIDOS

E o intelectual complementa (leiam a entrevista), dando como exemplo a América Latina. Convenhamos, ele passa dos limites. No Brasil, por exemplo, não temos um capitalismo, mas talvez um início de projeto ou uma tentativa de rascunho - sendo relativamente bonzinho com isso aqui.

A ver.

Há apenas uma companhia de telefonia fixa (as demais, graças à revolução digital, conseguem oferecer serviços correlatos, mas não são, a rigor, companhias telefônicas). Também há somente uma única companhia de energia elétrica. E, por fim, uma única companhia de distribuição de gás. São três setores essenciais/indispensáveis em cujos mercados não há competição.

E tem mais: nossa taxa de juros está num patamar que dá novo valor semântico à palavra "absurdo". A carga tributária já bateu todos os recordes mundiais em quadra coberta nas modalidades "extorsão", "esculhambação" e "impossibilidade de livre-iniciativa sem barreiras".

Por fim, há uma estrutura sindicalista extremamente pesada e subsidiada pelo governo; e aí incluo normas trabalhistas anacrônicas e encargos exagerados. Recentemente, inclusive, o Governo Federal deu força às Centrais Sindicais, sem a devida fiscalização de suas contas por parte do Tribunal de Contas da União.

Diante disso - e notem que fui rápido no resumo -, cabe a pergunta: QUE RAIO DE CAPITALISMO É ESSE? Monopólio de serviços essenciais, controle estatal excessivo, estrutura sindical/trabalhista ultrapassada e absurda... Além, é claro, de uma metodologia político/administrativa escorada em práticas de inchaço da máquina e cargos, em vez de corte e/ou otimização de gastos e investimentos.

Não, não vivemos num capitalismo pleno por aqui. Há dinheiro circulando e temos o direito de comprar produtos, bem como há contraprestação financeira pelo trabalho realizado etc. etc. etc. Mas, no sentido clássico do termo, não vivemos num capitalismo, mas talvez em algo mais próximo do feudalismo ou coisa que o valha.

Noam Chomsky soltou essa bobagem sob o pretexto de tripudiar das medidas protecionistas, comemorando o recente tropeço capitalista (que, pelo povo, vem acompanhado de lágrimas, ao contrário das falências socialistas que são comemoradas nas ruas com festas intermináveis - podem notar...).

No Brasil, há uma certa contradição ideológica.

Simpatizantes do governo, socialistas, tendem a comemorar a crise. Mas não podem ir muito longe com os rojões. Afinal, isso seria "torcer contra". De um lado, querem muito dizer "o capitalismo deu errado!", mas se gritarem alto demais, danou-se!, fica provado que Lula mal consegue segurar a única bombinha que lhe caiu no colo. Que dilema!

Enfim, Chomsky possui ótimas teses lingüísticas e é, sim, um bom intelectual (ele vem de um país em que um Emir Sader, por exemplo, não seria levado em consideração). Portanto, não caio na besteira de dizer que é um burro ou coisa assim.

Mas, ao falar que temos por aqui um "capitalismo" de verdade, ao contrário do que há nos países desenvolvidos, na boa, pisa feio na bola. Bastaria conhecer melhor o Brasil, em vez de dar palestrinhas para ganhar aplauso de claque bovina, para não falar uma bobagem desse calibre.

Evamoquevamo!

transubstanciado por gravata às 28.02.09 - 22:55:27 | 24 comentários

28/02/2009

BOLA DENTRO DO GOVERNO: DOMÍNIO PÚBLICO AGORA COM MÚSICAS

Hoje, fui avisado de que o site Domínio Público, do Governo Federal, disponibiliza também músicas em seu arsenal de obras cujo download é gratuito. É, sim, o caso de dar os parabéns. E não tenho o menor problema quanto a isso.

Visite o site por aqui.

E parabéns ao Governo pela bola dentro, poxa!

transubstanciado por gravata às 28.02.09 - 20:47:36 | 5 comentários

25/02/2009

NO MARANHÃO, ANOS ATRÁS

Nessa época, Sarney ainda era ruim e a Roseana era péssima...

:)

transubstanciado por gravata às 25.02.09 - 08:26:18 | 8 comentários

25/02/2009

DITABRANDA

Na minha opinião, a Folha errou, Não acho que o Regime Militar havido no Brasil tenha sido brando, embora sua violência fosse menor que a de outros países, mesmo alguns da América do Sul como Argentina e Chile. Isso porque não existe tortura branda, não existe assassinato brando, não existe supressão branda da liberdade. Pronto, é isso.

Foi um erro? Na minha opinião, sim. Mas é claro que causa espanto quando vejo os defensores de Cuba - que até hoje defendem a ilha-prisão - bradando contra esse termo. Eles não têm o direito de brigar com o jornal. Mas não têm, mesmo! Porque, havendo um "ditadurômetro", por óbvio o regime castrista figura entre os mais sanguinolentos.

E então vejo Emir Sader, notório entusiasta da DITADURA Cubana liderando um abaixo-assinado na Internet porque a Folha ousou empregar o neologismo "ditabranda". Ridículo. Ele não está só. Quantos amantes da selvageria de Fidel não aproveitaram para vociferar contra o jornal? Não consigo contar.

Fico com Cuba porque foi-se o tempo da União Soviética e da China, mas há uns velhinhos aí que, tempos atrás, aplaudiam Stálin e Mao. E estão lá também assinando sem dó nem piedade o "absurdo" de se usar uma expressão jocosa para representar os anos de chumbo de nosso Regime Militar.

Mas em tempo algum refletem na imbecilidade da defesa de um regime facínora e genocida pelo simples fato de empunhar uma bandeira de determinada cor. Isso é sofrível. Hitler e Mussolini também alegavam defender a "justiça social". Todo genocida alega isso. Todo. Não há exceção.

E todos eles, é claro, contam com entusiastas.

Os verdadeiros democratas não aceitam aqueles que matam pessoas para justificar bons indicadores de saúde, educação ou algo do gênero. Nada justifica a supressão de garantias básicas. Nada.

Exceto para os que apóiam ditaduras. E estes não podem liderar abaixo-assinado para reclamar de uma expressão equivocada. Não podem falar em nome da democracia. Não podem nem levantar a voz para falar em "democracia".

Não é isso que querem.

transubstanciado por gravata às 25.02.09 - 07:58:22 | 56 comentários

23/02/2009

O SOFTWARE LIVRE NUNCA DARÁ CERTO: SAIBA O PORQUÊ

Não, nunca dará. Como hoje e ontem, no máximo usarão aqui e ali. Mas NUNCA haverá supremacia, NUNCA será o padrão de ninguém e isso - vejam só! - não tem tanto a ver com a qualidade (embora ainda sejam em sua maioria bem ruins, chatos e de uso complexo). Vejamos...

Princípios
Software Livre é aquele cujo código-fonte é aberto, para modificações por quem bem entender. Seu antípoda é o chamado "software proprietário", cujo código não permite essa funcionalidade. Tudo visto assim, parece simples: um é "bom", outro é "mau".

Mas não é bem assim. Como toda e qualquer empresa de toda e qualquer categoria do nosso glorioso Planeta Terra, as empresas de software protegem seus direitos. Em alguns casos, como no DIREITO À VIDA, há regras universais que permitem a relativização das proteções empresariais (vejam o caso dos genéricos, da indústria farmacêutica etc.).

De todo modo, músicos (gravadoras/produtoras), escritores (editoras), roteiristas (cinema e TV), e até quem cria receitas para a indústria de alimentícios ou de bebidas e assim por diante. O leque de criadores é praticamente infinito e é fundamental que haja: a) lei protegendo o direito à obra criada, bem como à exploração financeira daquilo que se criou; b) estímulo econômico para que mais gente crie, fomentando o mercado.

Os defensores do SL acreditam que isso torna o mercado estagnado. A história do mundo prova o inverso: a competição acerca de quem elabora o produto mais eficiente, melhorando as características do outro, faz com que todo e qualquer mercado técnico evolua. E ela deve vir sempre associada à livre-concorrência e outros pormenores.

Toda a ciência ocidental - inclusive aquela que permitiu a idéia do Software Livre - é constituída de idéias de superação e competição criativa (que não tem nada a ver com luta fratricida ou algo assim). A suposta colaboração (que é um eufemismo para esconder a idéia de estagnação a longo prazo) simplesmente tranca o conhecimento humano - em vez de supostamente difundi-lo.

O que realmente impulsiona a humanidade a um trabalho dedicado não é APENAS a vocação, mas também a idéia de recompensa; e essa idéia é obviamente material (afinal, a satisfação pessoal já consta do princípio da vocação). Quando se tira boa parte da recompensa, retira-se automaticamente um dos maiores estímulos.

E aí entra um problema grave: a indústria de "software proprietário" CONTINUA ativa. E ela CONTINUA comprando boas idéias de bons desenvolvedores. As opções são: satisfazer a vocação e não ganhar nada ou satisfazer a vocação e ganhar milhões. Adivinha o que a grande maioria dos adolescentes escolhe? Pois é.

Essa conclusão nos leva ao tópico a seguir.

Feminismo Caricato e Software Livre: Um Paralelo
Há um feminismo caricato, minoritário no movimento feminista, que é refutado e rechaçado por boa parte das militantes. Ele consiste num ódio aos homens, mas um ódio tão doentio que praticamente tende a nos eliminar do mundo. Claro, esse grupo é exíguo e não é levado a sério pela esmagadora maioria das feministas.

No Software Livre, porém, o grupo dos que adorariam ACABAR DE UMA VEZ POR TODAS COM O SOFTWARE PROPRIETÁRIO não é uma minoria. Não, eles não são minoritários. E isso decorre muito da conclusão do tópico anterior, pois sabem que a luta é desigual. Porque também sabem que seu modelo é a expressão inequívoca da falência lógica perto do outro.

Qual a solução? Ora, elimina-se o inimigo. Claro que não há a menor possibilidade disso acontecer, mas revela muito do traço "democrático" dos que debatem esse tema. Experimente dizer que você usa Windows - não precisa nem falar que é melhor ou dizer que é para mais alguém usar. Diga apenas que VOCÊ usa, e já receberá xingamentos.

Quando alguém diz que usa Linux, o máximo que recebe é um sorriso do tipo "ok, você é quem sabe". E pronto.

SL: Direita e Esquerda
Uma vez, dando entrevista sobre música "engajada", Caetano Veloso fez uma brincadeira sobre Baden Powell e isso virou uma piada corriqueira, pelo menos no meio musical: - Os acordes de Baden são de direita ou de esquerda?

A idéia é simples, e serve para ridicularizar quem ideologiza tudo. Há coisas que são TÉCNICAS, não se prestam para entrar na dicotomia tosca e burra que assola nosso país idem. O mesmo aconteceu com os transgênicos, que são um tema eminentemente técnico, mas cujo combate coube a sindicatos historicamente filiados "às esquerdas" e o resto, como sabem, é história.

O raciocínio para "esquerdizar" o SL tem a profundidade de um pires, que é a mesma daquela dos sociólogos que em geral se tornam seus paladinos: "o código aberto não fomenta a ganância dos mercados e serve para partilhar o conhecimento, sem fazer prevalecer o capital". Ok. Pausa para o Hino Nacional cantado por Fafá de Belém e todos abraçando árvores.

Agora, vamos falar sério. O software que "move capital" é aquele que recolhe mais tributos (ou seja, abastece o Estado!), gera mais empregos (ou seja, garante maior inclusão e distribui renda diretamente!) e jorra dinheiro no mercado por meio de sua venda e da venda de seus royalties.

Além disso, há o INVESTIMENTO. Por mais que as empresas de softwares comprem muitos aplicativos de uma vez (gastando fortunas em royalties), há casos e casos e casos daquelas que INVESTEM em desenvolvimento - gerando empregos, distribuindo renda, recolhendo tributos... Ser contra isso é ser "de esquerda"? O legal é não ter isso? Ok...

Claro que eles não fazem a explanação completa, e nem é porque são efetivamente tão burros, mas preferem esconder isso em razão do chute no castelinho de areia em que consiste seu raciocínio esquerdopático originário.

SL x Software Gratuito
Como alguns já se armaram nos parágrafos anteriores, sugiro guardarem a faquinha de manteiga ideológica. Eu sei que Software Livre não implica necessariamente na gratuidade, mas sim na funcionalidade da abertura do código-fonte. Mas é FATO que a grande maioria dos SLs são gratuitos, sim; e o fato de ter o código aberto permite a alguém modificá-lo sem vendê-lo.

Além disso, o grande dinheiro proveniente dos royalties não entram nessas transações e eles TAMBÉM são tributados (vão para o Estado) e entram na economia de um jeito ou de outro.

O empobrecimento de uma categoria, em suma, sempre repercute negativamente no mercado. Isso é de uma obviedade que chega a ser dolorosa. Os desenvolvedores que poderiam ganhar milhões, mas ganham zero ou vinte reais, não ficam apenas eles próprios mais pobres, mas ferram com todo o mercado. E isso nos leva ao tópico seguinte.

Uma Coisa é Uma Coisa...
Sim, a regra de ouro! Ela TAMBÉM vale para o SL. Como vocês sabem, trabalhei na Secretaria de Comunicação da Gestão Marta e, vejam que coisa!, estava lá quando Richard Stallmann (o "pai" do Software Livre) foi chamado para dar palestras aqui em São Paulo.

Foi reservado hotel para ele mas, juro!, ele quis dormir NO CHÃO DA CASA DE UM CARA. Sem brincadeira. Ele não queria o luxo de um hotel (e não era hotel de luxo!). É esse tipo de vida que ele PREGA E VIVE. Ele realmente é assim.

Agora, e os que defendem as idéias de Stallmann?

Eles dormem nos chãos por aí? E quando eles viajam para o Canadá, Barcelona e afins? Será que pregam a pobreza coletiva dos desenvolvedores de softwares, para que deixem de receber milhões de royalties vivendo apenas da manutenção de PCs? Pois é...

Falar é tão fácil. É realmente uma moleza pintar o Bill Gates como um demônio para um adolescente brilhante, tentando fazer com que ele desista de ganhar milhões para supostamente abalar a Microsoft. Mas, quando se trata dos próprios luxos, aí é outra coisa.

Bill x Steve
E agora o pessoal do SL tem um problema pela frente, e dos graves. Antes, o Darth Vader era Bill Gates, mas agora surge um novo problema no horizonte. Parece que a coisa está ficando feia para o lado de Steve Jobs. Perto deste, Gates é um sujeito até que bonitinho.

Isso porque as plataformas da Apple são de segurança máxima, tanto as de software quanto de hardware! Isso mesmo: NÃO PODE NEM MEXER NO EQUIPAMENTO QUE DÁ UMA TRETA SARRACENA. Jajá, surge o movimento Hardware Livre!

Pra piorar, a loja de aplicativos do iPhone tem feito novos milionários, alguns bem jovens, o que OBVIAMENTE motiva muitos outros a programar e, assim, também ganhar seus milhões (e isso é ótimo!). Imaginem a ira da turma da abnegação financeira...

Pois é, pois é. Aguardem, meu caros. Bill Gates é coisa do passado. A moda agora é Steve Jobs ser verbalmente linchado.

Enfim
Não briguem comigo. Escolham uma ponta de faca e a esmurrem à vontade, mas por favor não briguem comigo. A menos que encontrem alguma falha factual no que eu disse, claro. Em caso contrário, por favor, dispenso brigas.

transubstanciado por gravata às 23.02.09 - 16:34:57 | 36 comentários

20/02/2009

LULA: "BRAVO" COM AS DEMISSÕES DA EMBRAER, MAS COMPROU O AEROLULA NA EUROPA

O Presidente da República está com raiva da Embraer pelo fato da empresa ter demitido mais de quatro mil empregados. Ele se mostra furioso e, embora a empresa seja privada, alega que o governo deveria ter sido informado, ou algo assim.

Isso é balela. Conversa fiada.

Lula não está nem aí para a Embraer e tanto menos para seus empregados. Quando encomendou o Aerolula, a empresa contratada foi a Airbus, que é européia. Se estivesse preocupado com os trabalhadores de São José dos Campos, convenhamos, teria encomendado lá seu aviãozinho de estimação.

E agora, petistosfera? Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, como sempre? Vão fingir que não é nada disso, né?

ps - Comprar o Aerolula na Europa é "de esquerda" ou "de direita"? Situem-me ideologicamente quanto a essa aquisição, por favor...

ps2 - As demissões da Embraer estão obviamente relacionadas à crise internacional, que derrubou as encomendas. O Governo Federal nada fez para conter seus efeitos e deu no que deu. Não adianta agora ficar "bravinho" se, enquanto havia tempo, a medida prática era comprar avião da Europa

transubstanciado por gravata às 20.02.09 - 17:17:19 | 37 comentários

19/02/2009

DILMA ERA A ÚLTIMA DA FILA, APENAS ISSO

Todos – exatamente TODOS! – os defensores de Dilma Roussef na petistosfera e imprensa a soldo do partido não falavam uma linha sobre a dita cuja até 2004. De uns anos para cá, porém, ela se tornou a solução para todos os males, uma referência em administração pública. O sagrado remédio para toda e qualquer mazela.

Acho que todos sabemos como isso aconteceu, mas não custa recapitular. Ontem, ela estava em mais um evento de campanha, agora com seu amigo de fé e irmão camarada Paulinho da Força (sim, aquele...). Como se chegou a isso? Vamos lá...

José Dirceu
Ele seria o "candidato natural", e até segurou relativamente bem o tranco Waldomiro Diniz. Mas daí veio o Mensalão e a casa caiu de vez. Não teve jeito. Voltou à Câmara e foi cassado. Hoje, como se nada tivesse acontecido, mantém um blog no qual pretende analisar os rumos do Brasil, e para o qual colaboram outros grandes baluartes da petistosfera. Como aqui é o país da piada pronta, a cada novo texto, um humorista perde um posto de trabalho. Em tempo: para seu lugar, na Casa-Civil, foi Dilma.

Genoíno
Outra "vítima" do Mensalão, Presidente do PT na ocasião e subscritor, portanto, dos contratos com Marcos Valério. Assim como Lula alegou "não saber" de nada, Genoíno também usou a prerrogativa filosófica do "tudo que sei é que nada sei", ou algo assim. Nota dez no quesito humildade, mas falha grave na categoria "ética e adereços". Sem chances para qualquer cargo majoritário. E olha que nem falei em dólar na cueca...

Marta Suplicy
Sim, seria a "vez das mulheres", mas ela era a VICE-PRESIDENTE DO PT na época do Mensalão – embora muitos petistas façam de conta que ela não tenha nada a ver com o escândalo e o cargo seja apenas alegórico, algo como "mocinha da Xerox". Além disso, depois de duas saraivadas eleitorais vexatórias, claro que ela é carta fora do baralho. E, respondendo à pergunta que fizera a Kassab: agora está solteira, mas com filhos.

Pallocci
Escapou da "mãe de todos os escândalos", mas não da "casa da Mãe Joana". Pego com a boca em locais bem menos íntegros do que a botija, Antonio, demasiado Antonio usou a máquina estatal como se cá fosse Cuba e quebrou o sigilo do caseiro Francenildo para "provar" que ele fora subornado. Não provou o que queria e, claro, o crime foi cometido. Será julgado neste ano ou no próximo, pelo STF. Com a queda de Dirceu, teria tudo para ser o sucessor. Agora, se tudo correr bem, pode ser subsíndico de algum prédio (a depender do quórum da assembléia).

João Paulo Cunha
Grande liderança no Estado de São Paulo, também tinha tudo para lançar-se em 2006, mas... mas... mas... É, pois é. Mensalão, de novo. Sacou uma grana no Banco Rural, falou que era para pagar conta da TV a cabo ou algo do gênero, depois contou alguma história igualmente triste, e no fim das contas confessou. Papelão. E sem chances, claro.

Berzoini
Só digo uma coisa, e quem quiser que saia por aí perguntando a blogueiros petistosféricos: Bancoop. Cooperativa dos Bancários, meus amigos. Procurem no Google. Enrascada da braba! Tem primeira dama de país continental da América do Sul que começa com "Bras" e termina com "il" que tem apartamento financiado pela cooperativa. E há milhares de cooperados no aguardo. Enfim, corram ao Google para saber mais do atual presidente do PT e a cooperativa que ele ajudou a fundar.

Tarso Genro
Esse é engraçado. Tem cara de bravo, fez fama de "sério", mas tem uma trajetória parecida com a de Genoíno. Basta constatar a lambança do Caso Dantas, os afastamentos, a sucessão de mancadas na Polícia Federal, isso sem mencionar o Caso Battisti. Mas, dirão, Dilma já estava emplacada. Então, voltemos mais um pouco. Tarso não tem condições de ser presidente por um fato simples: para ele, o PT é maior que o Brasil. Explico: em 2005, ocupava o Ministério da Educação e RENUNCIOU para assumir a presidência do partido por conta da queda de Genoínio (Mensalão). Quando alguém renuncia aos compromissos com a República para arrumar a lambança partidária, convenhamos, essa pessoa não merece presidir um país. Ah, ok, ele consertou o PT? Não, nada. TODOS OS MENSALEIROS CONTINUARAM NO PARTIDO. Todos. Ele só fez a mesma carinha de bravo, franziu a testa e fez biquinho. Voltou rapidamente ao governo para fazer bagunça no Ministério da Justiça.

Aloízio Mercadante
Foi candidato ao Governo de SP, perdeu para José Serra, mas não foi uma derrota qualquer. Mercadante perdeu a eleição e o bom nome foi no pacote. Lula, que poderia levar no primeiro turno, sentou no quibe por conta dos aloprados, todos eles ligados à empreitada do dossiê. Adivinha quem estava nessa? Pois é... Lá se vai todo e qualquer sonho do querido Senador. Aliás, é importante mencionar que ele sempre foi considerado um economista de vulto dentro do partido mas, uma vez no poder, o PT o ignorou solenemente. Tratou de colocar um tucano (Meirelles) no cargo efetivamenten decisório e coube a Mercadante o papel de... sei lá, não coube nada.

Dilma
Ela não foi escolhida por seus méritos, mas sobrou por conta dos deméritos alheios. Daí esse marketing exacerbado, a transformação da Casa-Civil em pasta técnica e de infra-estrutura (quando é um cargo de nomeações e articulações políticas!), a falácia do PAC etc. etc. etc. Procurem uma única linha dos petistosféricos sobre ela, uma ÚNICA, antes de 2004; qualquer coisa que a gabaritasse como grande administradora ou coisa do gênero. Se muito – e duvido – algum elogio pontual e olhe lá. Mas podemos buscar suas realizações quando era do PDT (sim, sim, ela não é "petista"), na gestão de Alceu Collares (o secretariado de Collares foi montado dentro de critérios bem republicanos; a Secretária de Educação, p.ex., era sua própria esposa...). Depois disso, Dilma foi pro PT, na gestão de Olívio Dutra, para fazer parte de seu secretariado. Naquela época, vale lembrar, o partido montou a sede gaúcha com grana do jogo do bicho. Mas, voltando ao presente, o que aconteceu é o seguinte: ela sobrou. Desde então, tornou-se papagaio de pirata do Lula e inaugura placas pelo Brasil e viaja mundo afora. Além, é claro, de participar de eventos com pessoas de ilibadíssima reputação, como Paulinho da Força, seu chapa.

Ela era a última da fila. Todos os demais caíram de podres.

Revisão: Hellen Guareschi

transubstanciado por gravata às 19.02.09 - 17:33:43 | 25 comentários

18/02/2009

PAULO HENRIQUE AMARELÃO

Confesso que não me assustei quando li no Comunique-se, hoje, a seguinte notícia: "PHA se retrata e Justiça arquiva queixa-crime movida contra ele". Quem acompanha o "trabalho" do dito cujo sabe que cedo ou tarde isso aconteceria.

Mas o que houve? Simples: mexeu com a pessoa errada. Porque políticos raramente movem ações judiciais, sob o risco de ganharem a pecha de antidemocráticos. Mas PHA falou bobagem de um jurista; no caso, Alberto Zacharias Toron.

Levou na orelha, claro. E o nabo seria tão grande, mas tão grande, que antes mesmo de ser condenado, "o leão virou gatinho", miando nas seguintes palavras:

"Acredito que a minha interpretação da frase atribuída ao advogado Alberto Zacharias Toron ficou prejudicada ao tomar conhecimento de uma declaração posterior sua, na qual seu raciocínio se revelou mais completo. Retratando-me, nas mesmas modestas páginas de meu portal ‘Conversa Afiada’, declaro que cometi um equívoco ao atribuir ao referido advogado a afirmação segundo a qual ‘bom era quando algema só se colocava em pobre, preto e p...’. O mesmo ocorreu quando, em outra oportunidade, ao comentar um julgado do Supremo Tribunal Federal, afirmei em nota que ‘prevaleceu a Jurisprudência Toron: algema é para ‘preto, pobre e p...’ (...) Ainda retratando-me, declaro que cometi outro equívoco ao afirmar que o advogado Alberto Zacharias Toron ‘organiza homenagens ao Supremo Presidente Gilmar Mendes’. Na verdade isto nunca ocorreu"

Pois é, rapaziada... Esse é PHA. Aquele que fala pelos cotovelos, mas, na hora de provar na justiça suas alegações, escreve esse tipo de retratação, praticamente IMPLORANDO para não ser condenado, AJOELHANDO na frente de todos, dizendo que não disse o que disse ou que não quis dizer o que disse. Patético...

Ainda assim, há quem o considere "fonte", ou algo assim. Ridículo. É o fim da ladeira, isso sim.

ps - a nota do Comunique-se, infelizmente, só pode ser acessada por assinante.

transubstanciado por gravata às 18.02.09 - 21:11:27 | 19 comentários

17/02/2009

NOTAS GERAIS

Chávez
Quando Hugo Chávez foi derrotado nas urnas, a petistosfera bradou o caráter democrático do líder venezuelano: ele sabia perder. Era, enfim, uma virtude do sujeito. Depois, vejam só!, convocaram novo referendo e mais uma vez fizeram a tal pergunta (talvez com outras palavras, nem sei). E agora, sim, Chávez pode se reeleger até sabe-se lá quando.

Não, ele não respeita instituições. Caso perca uma eleição, logo faz um referendo para tentar reverter. E, se perder, faz outro. É assim que funciona. Daí vem um pau-mandado do PT e diz "é melhor do que determinada manobra legislativa". Não, não é. Os legisladores são eleitos dentro do sistema de democracia representativa. O QI de camundongo do sujeito, que fala para outros roedores da claque, não presta para analisar isso.

Chávez, ao contrário, muda as regras de um país como Sílvio Santos mudava as regras da "Casa dos Artistas". E, quando calha de perder, não há problema: segue convocando novas eleições até ganhar. Uma hora vai, e assim por diante. É piada.

Battisti
O que dizer? Tarso Genro, CONTRARIANDO A DECISÕES DO MINISTÉRIO, fez o 'canetazzo' achou por bem soltar um criminoso com quem tem afinidades ideológicas. Dali em diante, alegou que não tinha mais o que fazer e não se pronunciou mais. Sobrou para o STF que, caso queira seguir a legislação do Brasil, e não de Botsuana ou de Guiné-Bissau, mandará o dito cujo para a Itália. A menos que Lula interceda, criando assim um incidente e tanto.

A parte chata disso tudo é o apoio partidário que dão à barbeiragem do Ministro. Ridículo. Mino Carta, coitado, foi PERSEGUIDO por ter usado a lógica para atacar a canetada. Acabou largando blog e tudo mais, tamanho o patrulhamento. Não é fácil! Não são todos que têm vocação para ser "de serviços".

Dilma em Campanha
Não é errado Dilma estar em campanha, desde que use seus horários de folga para tanto - ainda que faça plástica e tudo mais. Tudo isso é válido e faz parte do jogo democrático. Erradíssimo é fazer parte de tudo que é caravana do Governo Federal, incluindo viagem para o Vaticano e, agora, para os EUA. Passa a virar piada.

Outra bobagem é transformar a Casa-Civil, pasta óbvia e eminentemente política num Ministério "técnico", só para tentar gabaritá-la para a presidência. Uma manobrinha que funciona com o povão, mas não deixa de ser um golpe de marketing.

E é isso aí.

transubstanciado por gravata às 17.02.09 - 23:44:47 | 13 comentários

17/02/2009

BLOG POLÍTICO-PETISTOSFÉRICO, ASSESSORIA DE IMPRENSA DO GOVERNO FEDERAL OU ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO?

Estou espantado, confesso. Claro que toda prestação financeira presume uma contraprestação laboral - e vice-versa. Mas não imaginava algo tão escancaradamente ridículo. Li agora os comentos petistosféricos blogais a respeito da entrevista do Jarbas Vasconcellos e fiquei abismado. É uma defesa do governo federal! Daquelas que parlamentares fazem na tribuna, eivada de vícios de legenda.

É lícito? Sim, mas para um filiado, para alguém que está visceralmente comprometido, não para quem pretende fazer algo próximo do que se espera de um jornalista ou do que se veio a chamar de jornalismo. Não se trata mais de "fim de carreira", como acontece nos comentários de bastidores da imprensa.

O fato é de mudança de rumo. Ali, pratica-se a mais inequívoca assessoria de imprensa do governo federal, às vezes cometendo os mesmos erros das asssessorias em geral: o "realismo maior que o do rei" (uma defesa tão exagerada que supera os limites da verossimilhança). Nesses casos, o blog mais parece uma Advocacia Geral da União.

Vergonha alheia (afinal, alguém precisa tê-la).

transubstanciado por gravata às 17.02.09 - 14:39:03 | 14 comentários

17/02/2009

GOVERNO, IMPRENSA E PETISTOSFERA: CASO SUÍÇA

O governo brasileiro aparentemente falhou de forma miserável. A imprensa brasileira, no geral, aparentemente falhou de forma miserável. Daí, temos que ambos mereçam ser execrados, certo? Não, não é por aí. E explico.

A imprensa não cumpre protocolos de Estado e publica aquilo que é divulgado pelos veículos internacionais; basicamente, repercutiu no Brasil o que saiu nos jornais europeus.

Mas o governo brasileiro, em especial na gloriosa pessoa de Celso Amorim, antecipou-se aos fatos e CONDENOU O GOVERNO SUÍÇO. Agora, e cada vez mais, os fatos apontam para o contrário daquilo que se desenhava no início.

O que houve? Ainda não se sabe ao certo. Há jornalistas reclamando do fato de que a Suíça guarda dinheiro sujo em seus bancos, e inclusive do fato de que tenha-se mantido neutra (numa espécie de concordância tácita) diante dos atos nazistas. O jogo está nesse nível.

Os blogs vinculados aos organismos bancários federais, bem como às redes públicas de radiodifusão, obviamente atacam os veículos de comunicação. Publicam em letras garrafais a barriga, mas - por obediência aos patrões - não dão uma linha sobre a bola fora do "chanceler".

Manda quem pode, obedece quem tem rabo preso.

É isso aí. Estamos de volta.

ps - durante minha ausência, talvez por causa da Reforma Ortográfica, o termo bndessosfera foi oficial e definitivamente substituído/englobado pelo glorioso petistosfera. E, convenhamos, alguém aqui ficou surpreso? Aposto que Marco Fedeli e Pablo, pra citar dois, levantaram placas de "Eu Já Sabia"... O Ângelo, então, deve ter bocejado.

transubstanciado por gravata às 17.02.09 - 03:01:01 | 19 comentários

08/02/2009

VOCÊS NÃO SABEM DA ÚLTIMA...

Pois é. Voltamos.

Quem quiser comemorar, comemore. Quem preferir lamentar, lamente. Mas voltaremos, mesmo. Consegui equacionar tudo com os novos trabalhos, não estou mais envolvido com nada da esfera pública etc. etc. etc.

Falta acertar uma coisa ou outra. Mas, sim, voltamos.

Evamoquevamo!

transubstanciado por gravata às 08.02.09 - 22:08:20 | 49 comentários



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