05/11/2009
LULA VENCE LIBÉRIA E ARÁBIA SAUDITA E SE TORNA "ESTADISTA DO ANO"
Deu n'O Globo, em reportagem de hoje: Lula recebe prêmio de "Estadista do Ano" na Inglaterra. Bom né? Aliás, poxa vida, é ótimo. Ah, não sejamos modestos, é magnificamente excelente!
Quando Obama fez aquela brincadeira de "o cara", muitos foram contra, dizendo que não era bem assim. Achei errado porque REALMENTE ele falou - independentemente do significado ou isso e aquilo.
Mas agora, quanto ao prêmio, sejamos honestos. Vale a pena saber que raio de coisa é essa. Vamos por partes (trechos da reportagem):
"O prêmio anual foi concedido pela prestigiosa instituição Chatham House (Instituto Real de Assuntos Internacionais), para a qual o presidente brasileiro é "um dos principais facilitadores da estabilidade e da integração na América Latina". Lula concorreu ao prêmio ao lado do ministro saudita de Relações Exteriores, príncipe Saud Al-Faisal bin Abdulaziz al-Saud, e da presidente da Libéria, Elle Johsnson-Sirleaf." (grifos nossos)
Notem a lista tríplice de "estadistas" e países da qual Lula e o Brasil fazem parte. Além de nós, havia ARÁBIA SAUDITA e LIBÉRIA, duas ditaduras dessas que pegam pessoas no meio da rua, por qualquer motivo torpe, e os matam a pedradas. Só não espero que tenha sido uma votação muito difícil.
Bom, podem dizer que foi um lapso apenas deste ano, não é mesmo? A tal "prestigiosa" instituição teve um surto meio maluco. Vamos a outros vencedores:
"Nos anos anteriores, o prêmio foi concedido ao presidente de Gana, John Kufuor, em 2008, a Sheikha Mozah, uma das três primeiras-damas do Catar, em 2007, e ao ex-presidente moçambicano Joaquim Chissano, em 2006." (grifos nossos)
Percebam, portanto, que a idéia não é premiar "estadistas" ou países proeminentes, mas talvez distribuir medalhinhas utilizando critérios pra lá de heterodoxos. Aliás, Lula está no poder desde 2003, e tomou surra de Gana, Catar e Moçambique nos três últimos anos (obviamente, uma galhofa, pois são três países deploráveis em comparação ao Brasil).
Vamos ao futebol, um clássico das analogias quando se trata do "estadista" ora premiado. Suponhamos um campeonato "mundial" com Palau, Vaticano, Formosa e Argentina. Nossos hermanos ganham e dizem: SOMOS CAMPEÕES DO MUNDO. Isso seria admissível? É mais ou menos por aí.
E, na comparação futebolística, coloquei países talvez melhores no esporte bretão que nossos concorrentes, da lista tríplice, quanto a qualquer critério correspondente à atuação dos Chefes de Estado. Arábia Saudita e Libéria? Países que espancam mulheres por andar na rua sem companhia? Chega a ser vergonhoso participar da cerimônia, sejamos honestos.
Atualização: O PRÊMIO É PATROCINADO POR, ENTRE OUTROS, BANCO DO BRASIL, BNDES E PETROBRAS. Vejam por aqui.
transubstanciado por gravata às 05.11.09 - 22:53:42 | 21 comentários
03/11/2009
MÉTODOS PETISTOSFÉRICOS PARA FUGIR DO DEBATE
Petista gosta de bater boca, mas odeia debater. Porque debate consiste na troca de ideias pelo processo lógico, segundo o qual as coisas precisam, antes de tudo, fazer sentido. E um petista, como sabemos, não costuma deixar os fatos, a lógica e o sentido atrapalharem seu ponto de vista. Basta única e tão somente gritar para fazer com que determinada frase passe a valer como verdade.
Isso todos sabemos.
Mas, às vezes, mesmo munido de megafone, não há meio de continuar discutindo. Veja o caso da indicação do advogado de Sarney para o TRE do Maranhão. A turma que sempre aparece para dar pitacos simplesmente evaporou ou foi fazer outra coisa da vida - mas voltando no post seguinte, como se nada tivesse acontecido. Eles funcionam assim.
A seguir, portanto, enumero algumas táticas e métodos pelos quais a turma da petistosfera pede penico e sai correndo do debate, com o rabicó devidamente alojado no meio das pernas. Vejam:
Neocon/Direita
Não há qualquer viés ideológico nisso, é apenas uma forma de escapar da discussão. Se você não está alinhado ao PT, você é de direita. E, caso esteja, você "faz parte da base aliada e comprometida com as mudanças estruturais". Simples assim (e idiota assim).
Dois exemplos são mais que emblemáticos. O primeiro, sem dúvida, é Collor. Ele, hoje, faz parte do governo e, portanto, é "de esquerda". Aparece nas fotografias e ganha discursos calorosos. Heloísa Helena e todo seu partido (P-SOL), vejam só, são vistos como "lacaios da direita", pois atenderiam aos interesses dos que conspiram contra o projeto blablablá.
É essa a profundidade do debate ideológico.
Na verdade, trata-se de uma divisão confortável e maliciosa. Não importa se você é pró-aborto, a favor da legalização das drogas, a favor dos direitos de gays, mulheres etc. Nada. Você é "neocon" se for contra o PT, você é "direita" se for contra o PT. Essa discussão nem mesmo passa pelo tamanho do Estado. Tudo gira em torno da afeição a uma única legenda - segundo a visão dos simpatizantes dessa tal legenda, é claro.
E, uma vez carimbado o que eles consideram a SUA ideologia (ainda que de forma falsa e safada), imediatamente resolvem não debater. Eis a fuga. Taí a tática mais usada. Ponto final.
Movimentos Sociais
Não dá para escolher outro exemplo, vamos de MST. Eles aprontaram isso e aquilo? Tanto faz. Houve algum crime? É indiferente. Há abusos? Pouco importa. O MST pode fazer o que for, qualquer que seja a coisa, mas a mínima opinião contrária é o bastante para receber o seguinte comentário: "VOCÊ É CONTRA OS MOVIMENTOS SOCIAIS".
Como se uma ressalva a fato concreto e evidentemente errado de UMA agremiação significasse, automaticamente, alinhamento contrário a TODAS as pessoas que resolvam se reunir em nome de uma causa, qualquer que seja.
Ridículo e covarde, obviamente.
Mas é o que eles fazem. Enquanto o MST recebe repasses federais que precisam ser investigados, a ideia atual é fazer o possível para evitar as investigações sob a alegação de que os interessados nisso estão, na verdade, sabotando toda a luta pela terra e são todos pessoas de má-índole.
Com isso, ao mencionar mínima posição contrária a mísero ato de tal movimento, o petistosférico sai do debate porque você... É CONTRA OS MOVIMENTOS SOCIAIS. E assim muda-se o objeto e a coisa vira uma discussão.
Fontes: Boas ou Más (A Variação Risível)
Assim como um político pode ser ruim ontem e ótimo hoje, reabilitando-se de acordo com as alianças convenientes, uma fonte da mídia também ganha anistia ou vai pra geladeira por critérios parecidos. É tragicômico.
O mais comum: "não leio tal revista, não vejo tal emissora, não aceito tal jornal". Ponto. NÃO ADIANTA MANDAR DOCUMENTOS, LINKS, PROVAS. Nada. Não leem e fim de papo. Está resolvido. Debate encerrado.
Mas basta determinado jornalista, colunista, articulista, cartunista, redator de obituário, enfim, qualquer fulano SAIR desses veículos que AUTOMATICAMENTE ganha a bênção... DESDE QUE COMECE A DEFENDER O PARTIDO DURANTE TODO O TEMPO (e/ou atacar seus opositores).
Mentira minha?
E pode até mesmo ser alguém que elogiava os outrora algozes e detonava os próprios petistas. Não há problema. Há toda uma filosofia cristã de perdão (da parte petistosférica) e arrependimento (da parte dos articulistas). O 'não leio nem a pau', de um dia, engraçadamente se transforma no 'esse aí é dos nossos', meses ou semanas depois.
Meu exemplo de sempre é PHA, que em 1997 e 1998 denunciou o escândalo petista do ABC, quando era âncora na TV Bandeirantes. Ele nunca mais falou nisso. Hoje, é um dos favoritos da petistosfera. Quando começou a bater na ajuda de Lula à fusão das teles, voltou a ser xingado. Depois parou e foi NOVAMENTE REABILITADO.
Convenhamos, é demais.
Mas é isso. Em síntese, estão aí alguns métodos de fuga do debate. Há outros, e se lembrarem, por favor, coloquem na caixa de comentários.
Ah, sim! Vez por outra, aparece um povo por aqui dizendo que eu "mudei". Não lembro - falo sério - de ter escrito qualquer coisa enaltecendo a mutreta ou o mais ridículo fisiologismo. Se todos passaram a aceitar esse tipo de coisa e não fui junto, ora, não digam que EU mudei.
Apenas não acompanhei a manada.
Revisão: Hellen Guareschi
transubstanciado por gravata às 03.11.09 - 16:36:45 | 22 comentários
01/11/2009
LULA X FHC: UMA COMPARAÇÃO HONESTA
A grande obsessão de Lula se chama Fernando Henrique Cardoso. O atual Presidente da República sugere fazer um comparativo entre as duas gestões, a sua e de FHC, para que a "melhor" seja escolhida na pessoa dos sucessores: Serra, Ciro, Dilma ou Aécio. Faz sentido. Mas como estabelecer essa comparação?
Já caí na arapuca da "aritmética falha", qual seja: fazer de conta que o Brasil começou com Fernando Henrique, e Lula o pegou daí. Bobagem. FHC, por óbvio, não pegou a casa redondinha. Ele próprio, como Ministro da Fazenda de Itamar Franco, precisou fazer seus ajustes e, nessa época, a coisa estava relativamente bagunçada.
Mas, sem delongas, vamos comparar e, nesse sentido, façamos da maneira mais honesta:
- Quem foi melhor para a estabilização econômica do país, em comparação com a gestão anterior?
a) FHC comparado a Collor; ou
b) Lula comparado a FHC?- Qual das gestões foi melhor para a distribuição de renda e para projetos sociais?
a) FHC comparado a Collor; ou
b) Lula comparado a FHC?- Em qual das administrações houve maior fortalecimento das instituições?
a) FHC comparado a Collor; ou
b) Lula comparado a FHC?
Enfim, a coisa é mais ou menos por aí. Lula gostou tanto da política econômica de FHC que colocou um tucano no Banco Central, mantendo-o até hoje (recentemente filiado ao PMDB). O Fome Zero fez água, de modo que foi preciso eliminá-lo e ressuscitar os programas da gestão anterior, aglutinando-os sob o nome "Bolsa Família".
Por fim - não por ironia do destino, mas por fisiologismo pragmático -, ressurge Collor, agora como aliado, em fotografias, abraços e discursos inflamados de apoio, de modo que nem se pode falar em "carta fora do baralho" ou "comparação descabida". O exemplo aí das comparações está mais do que vivo e faz parte da base do governo.
Se for pra comparar, façamos com honestidade. É preciso saber como a casa foi encontrada e como foi devolvida. Estabilizar a herança collorida é uma coisa, recauchutar programas preexistentes depois de falhar miseravelmente num vexatório "Fome Zero", bom, aí é outra coisa.
Mas, no fim das coisas, o povo, povão mesmo, não vai é comparar nada. E, para alegria de uns e tristeza de outros, não há tanta transferência de votos assim, também. Política, no Brasil, é feita de forma pessoal, com carisma e fatores bem pouco atrelados aos fatores técnicos e ideológicos propagados pelos "especialistas".
O texto fica mais como reflexão provocativa. Na prática, a teoria nem chega a ser outra. Ela meramente inexiste.
transubstanciado por gravata às 01.11.09 - 02:38:20 | 46 comentários
30/10/2009
LULA INDICA ADVOGADO DE SARNEY PARA O TRE
Sério, sem maiores delongas, o que dizer desta nota publicada hoje na FSP?
"MARANHÃO: LULA INDICA APADRINHADO DE SARNEY PARA O TRE - O presidente nomeou para o Tribunal Regional Eleitoral o advogado José Carlos Sousa Silva. Além de presidir a Fundação Sarney, ele advoga para o grupo Mirante-que reúne TV, rádios e jornal da família do senador. Sousa negou influência dele na decisão: "Não tem nada disso". A assessoria de Sarney disse que ele não comentaria."
Compete ao Presidente da República indicar integrantes do TRE, dentre os quais, além de juízes, também advogados. Lula escolheu o advogado de José Sarney, que presidia a Fundação Sarney e também advogava para as empresas do Presidente do Senado.
Alguém tem argumentos para defender esse tipo de decisão? POR QUE LULA ESCOLHEU ESSE SUJEITO EM VÉSPERA DE ANO ELEITORAL? A caixa de comentários está livre para quem quiser responder.
transubstanciado por gravata às 30.10.09 - 17:59:01 | 11 comentários
28/10/2009
VEJA E FRANKLIN MARTINS CONDENADOS A INDENIZAR COLLOR
Tanto a revista "Veja" quanto o atual Ministro de Lula foram condenados e, agora, devem indenizar o ex-Predidente da República Fernando Collor de Mello. A notícia mais recente é a da Veja. Mas, pra quem não sabe, Franklin também foi condenado.
Num caso, silêncio nos blogs de sempre. No outro, comemoração. Num caso, comentaristas e blogueiros-satélite sem dizer nada. No outro, rojões e festança.
Sei lá, né? Meio estranho. Até porque, vejam só, as duas ações são praticamente idênticas, o autor é a mesmíssima pessoa e as condenações decorrem de fatos pra lá de similares. Mas, enfim, "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa". Daí eu digo isso e falam que é exagero da minha parte.
Parabéns aos envolvidos.
transubstanciado por gravata às 28.10.09 - 17:49:49 | 8 comentários
22/10/2009
RELIGIOSIDADE: DILMA AFIRMA QUE NÃO HOUVE MENSALÃO (E DEFENDE ZÉ DIRCEU)
Agora, entendo porque é preciso "demonizar" a tal da mídia: ela grava as declarações. Vejam o que Dilma falou e a Folha publica hoje (reportagem de Simone Iglesias, trechos a seguir):
"Dilma nega mensalão e defende Dirceu - "Não houve isso de maneira alguma", diz ministra, que considera seu antecessor na Casa Civil "uma pessoa injustiçada" - Dilma diz que não conhecia Marcos Valério, acusado de ser o operador do esquema do mensalão, e que governo nunca faria tais concessões - A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) negou a existência do mensalão e disse que o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu foi "injustiçado". Ela depôs no CCBB (sede provisória do governo) como testemunha de dois réus do mensalão, os ex-deputados Roberto Jefferson (PT
e José Janene (PP). Revelado em 2005 em entrevista à Folha pelo ex-deputado Roberto Jefferson, o mensalão foi um esquema de pagamento de propina a congressistas em troca de apoio ao governo Lula. As investigações mostraram que o dinheiro utilizado vinha de empréstimos de fachada. Dirceu, Jefferson e Janene estão entre os 39 réus da ação penal do mensalão..." (grifos nossos)
Depois de defender Sarney, fica quase fácil ser advogada de qualquer outro, mas negar a existência do Mensalão é de um ridículo sem tamanho. Não faz sentido para a pré-candidata, é risível e deplorável. Sua queda nas pesquisas foi justamente quando falhas éticas apareceram publicamente. Mais essa, agora? Ok, por partes.
As "Linhas de Defesa"
Depois de anos e anos (sim: ANOS!) em silêncio, pois o vexame era evidente e as provas irrefutáveis, algumas pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores passaram a negar o Mensalão. Mas ao contrário daquelas "provas" bacaninhas dos websites que "negam" a presença do homem na Lua, eles usam argumentos pouco criativos e de certa forma muito modorrentos, tais como:
Foi à Vista
Sim, dizem isso. Para provar que não havia Mensalão, ou seja, que os pagamentos não eram mês a mês, dizem que muitos receberam de uma vez só. Que tal? Isso "desmonta a tese de Roberto Jefferson". Só rindo, mesmo. É como dizer que tal ladrão não roubou um anel de ouro, mas de platina, o que "desmonta a tese da promotoria".
Foi Crime Eleitoral
É uma saída aparentemente mais sensata, segundo a qual os parlamentares não teriam sido comprados para integrar a base governista, mas sim para fazer parte da aliança de 2002 ou 2004. Tentam corroborar a tese dizendo que algumas votações não foram endossadas por alguns dos partidos beneficiados. Tudo parece ir bem, até que se examina o óbvio: PTB, por exemplo, não fez aliança eleitoral com o PT em 2002 (e o Mensalão antecederia 2004). Por fim, nas votações realmente importantes (reforma da previdência, p.ex.), tais partidos estavam e estão juntinhos. São da base, com ministério e tudo. Há momentos de "divergência"? Sim, claro, como a própria traição do Roberto Jefferson (nesse caso, porque a "fonte" havia secado).
Não Foi
Sim, há quem NEGUE a existência de toda a coisa. De fato, se a única prova fosse aquela confissão de R. Jefferson, não se teria muita coisa. Mas há provas documentais de todo tipo, e até petistas que choraram na tribuna da Câmara, eles próprios confessando ter recebido uma dinheirama. Por fim, Delúbio Soares, também entregando a rapadura, cunhou aquela expressão dos "recursos não contabilizados". Até hoje não se tem certeza absoluta da origem da grana. Negar a existência do esquema, portanto, não é apenas algo ridículo, mas uma exibição pública de imbecilidade.
Enfim...
Quem se mete nessa história, justamente NEGANDO e usando uma das desculpinhas esfarrapadas? Dilma Rousseff, que poderia dizer que o caso está na justiça - como de fato está - e seguir adiante em sua pré-campanha. Mas, não, há favores que não podem ser ignorados. Foi lá, negou o Mensalão e defendeu Zé Dirceu.
Não é preciso ser um gênio do marketing para saber que isso lhe causará transtornos nas pesquisas. Por que fez isso? Por que não falou o óbvio, já que seria realmente honesto falar o óbvio? Por que esse medo de Dirceu?
Não se trata de alguém dizendo a verdade sob pena de perder pontos com a opinião pública, mas sim de uma pré-candidata se comprometendo com o ex-chefe e ENSOSSANDO UMA MENTIRA, para AINDA POR CIMA se dar mal eleitoralmente. É inexplicável.
Duvido que um petista intelectualmente honesto não considere esse caso no mínimo inquietante.
transubstanciado por gravata às 22.10.09 - 03:02:31 | 24 comentários
20/10/2009
BANDEIRAS IDEOLÓGICAS NEM SEMPRE SÃO UNIVERSAIS
Quer dizer: para mim, são. Mas não para todos que as defendem. E há vários casos contraditórios, que vão do Direito à Vida à Liberdade de Imprensa, dos Direitos do Usuário da Web à Equiparação de Liberdades Civis entre Héteros e Homossexuais, e assim por diante. Tudo é tão bizarro que o defensor ferrenho de uma bandeira, aqui no Brasil, pode também defender ferrenhamente um governante que tem como hábito a supressão desse mesmo direito.
Vejam o caso dos líderes do chamado "AI-5 Digital", alguns filiados ao PT e até já exerceram cargos em administrações petistas, mas não tiveram dúvidas em fulanizar ou partidarizar a coisa, esquecendo-se de que Aloizio Mercadante, PT/SP, foi autor de nada menos que DEZ dos cerca de vinte artigos do PL atualmente em tramitação.
Pois bem: esses líderes não moveram UMA ÚNICA E MISERÁVEL PALHA PARA Ioanni Sanchez, a blogueira cubana PROIBIDA DE DEIXAR SEU PAÍS, e quase sempre também proibida até mesmo de acessar a internet. Alguns, para piorar, apoiam declaradamente o regime (ditadura, ora) castrista.
Mas, no Brasil, "defendem" a liberdade na web.
Faz algum sentido? Creio que não. É impossível relativizar uma bandeira que é definitivamente absoluta. Não se pode ser favorável à liberdade internética no Brasil e contrária à mesma liberdade em outro país. Não há um único ponto de vista que justifique essa imbecilidade, a não ser... Claro. A não ser a mesquinhez de um compromisso partidário.
Podemos falar dos defensores da "mídia livre", que defendem uma maior disseminação de veículos de mídia aqui no Brasil. Uma bandeira e tanto, quase impossível de ser combatida. Pois bem: o presidente do movimento defende Cuba, chegando ao ponto de denominar "ditadoce" a ditadura genocida. Um outro entusiasta é chavista de carteirinha, desses que escrevem livro.
O que fazemos com nossos humoristas se nossos "defensores da mídia livre" são apaixonados pela ditadura cubana e/ou pelo regime chavista? E nem menciono parlamentares e "intelectuais" igualmente "midialivristas" (é esse o nome, creiam) que defendem Stalin e Mao Tsé-Tung. É quase impossível falar disso sem cair na gargalhada, e sei que vocês só acreditam em mim porque conhecem boa parte das peças.
Uma coisa simples: o direito à vida. São terminantemente contra a instauração da pena de morte, no Brasil. Eu também sou. Acham que um homicida, mesmo depois de matar 40 pessoas, não pode ser morto pelo Estado. Concordo. Mas não veem problema quando uma ditadura – desde que "esquerdista" – mata quem tenta fugir do país num bote improvisado. Aí tudo bem, podem aplicar a pena de morte. Essa vida vale menos ou esse crime pesa mais. Escolham.
E para a ditadura ser "esquerdista", vejam bem, não é preciso ser efetivamente "esquerdista". Cuba não é a favor dos gays, do aborto, da ecologia, da liberação das drogas, de nada disso. Nem a China. Nem a antiga União Soviética. Não há nada mais retrógrado e conservador do que tudo que se instaurou até hoje no mundo sob as bandeiras socialistas.
O socialismo, por assim dizer, é um "falso esquerdismo".
Apenas muito recentemente, e depois do episódio vergonhoso dos Campos de Concentração com trabalhos forçados, os gays passaram a ter míseros direitos em Cuba – coisa que em qualquer país democrático todos eles têm há anos. Na China ou na antiga URSS, porém, nem pensem numa coisa dessas.
Por isso, digo que essa conversa de "esquerda x direita", em especial no Brasil, é papo para boi dormir. Por estas bandas, desculpem, isso não existe. Tamanho do Estado? Conversa fiada. Liberdades individuais? Papo de araque. Sério, contem outra. É tudo muito menor, miseravelmente menor.
Serve de exemplo a preocupação com soberania. Quando se fala na mesmíssima Yoani Sanchez, ninguém pode dizer nada, pois é um assunto interno de Cuba. É uma ditadura? Não importa. Mas quando se trata de Honduras, aí sim, podemos nos meter à vontade. E é tudo tão engraçado que, num só tempo, NÃO RECONHECEMOS o novo governo e MANTEMOS A EMBAIXADA NO GOVERNO NÃO RECONHECIDO! Que tal?
Enfim, poucos são os defensores de uma causa que a colocam à frente do interesse partidário ou de seus interesses pessoais mais comezinhos. No Brasil, é possível que um militante do Greenpeace no dia seguinte escreva parágrafos enaltecendo o petróleo do pré-sal em troca de cargo no Governo Lula. Aqui, é possível que um "midialivrista" defenda Cuba e Hugo Chávez. E um combatente do chamado "AI-5 Digital" dê de ombros quanto ao caso Yoanni Sanchez, como se sua bandeira fosse adstrita à territorialidade.
É simples: o partido vem antes da causa.
Revisão: Hellen Guareschi
transubstanciado por gravata às 20.10.09 - 17:28:28 | 17 comentários
19/10/2009
"MÍDIA MÁ", MONSTRO ÚTIL PARA AS TESES PETISTOSFÉRICAS
Sim, há no Brasil poucos veículos de comunicação de grande porte. Assim como há poucas grandes indústrias siderúrgicas ou mesmo grandes mineiradoras. Em alguns casos, há verdadeiros monopólios: telefonia fixa, gás, eletricidade. Privatização de mentirinha.
Mesmo com poucos veículos, há competição. A tal "concentração", como alardeiam os que pretendem "democratizar" a mídia, é muito menor hoje do que ontem e, como se sabe, anteontem as coisas eram ainda piores.
Aliás, também sabemos de quais países eles são entusiastas e podemos citar o velho exemplo clássico (aquele do qual somos proibidos de falar): Cuba. Lá, como se sabe, a imprensa é controlada. Ou Venezuela, por exemplo, que tomou de assalto os meios de comunicação. Recentemente, aliás, a Argentina fez algo parecido.
Os "midialivristas" gostam desses países. Sigamos.
É importante, para eles, todos os petistosféricos, bater na imprensa. É importantíssimo "culpar" a mídia. E a coisa chega a pontos tão ridículos e abomináveis que, não duvido, eles próprios passam a acreditar nessas sandices.
Vejamos, p.ex., o caso recente da Folha de São Paulo, divulgando gravações da Polícia Federal. Vale repetir: GRAVAÇÕES DA POLÍCIA FEDERAL e, mais importante, todas elas obtidas com autorização judicial. E assim ficou provado que o filho de José Sarney e um ex-Ministro exercem influência sobre o gabinete de Edson Lobão, titular da pasta das Minas e Energia.
Qual foi a reação petistosférica? Culpa - sim: CULPA! - da Folha de São Paulo. Exatamente isso. O jornal foi CULPADO pelo fato de dar a notícia. Não importa se foi gravado pela PF e se o material foi obtido mediante autorização judicial. Simplesmente a Folha é culpada porque há, no Brasil, "concentração dos meios de comunicação". Ponto final.
Essa imbecilidade resulta de uma campanha mais ou menos psicológica, e coletiva, por meio da qual toda a mídia é má. A premissa é martelada repetidamente, e aceita parte por idiotice coletiva, parte por conveniência partidária.
Se não me engano, começou com o Mensalão. Logo que estourou a bomba, assumida pelos envolvidos, não havia como reagir. Empurram pra cá, empurram pra lá, os defensores a soldo do governo se saem com uma estratégia que passou a ser repetida até hoje: ANALISAR A MÍDIA.
É o seguinte. Antes, quando explodia alguma roubalheira, exigiam apuração e faziam passeatas. Hoje, é o contrário. Quando pegam alguém metendo a mão, PATRULHAM A IMPRENSA. Qualquer nota um pouco mais pesada é vista como: a) golpismo; b) escandalização do "nada"; c) exagero; e assim por diante.
E, nos blogs petistosféricos, não repercutem notícias ruins contra o Governo Federal. A desculpa é digna dos grandes momentos da história da cara de pau da humanidade: "JÁ FALAM MAL DO GOVERNO POR AÍ, ENTÃO NÃO É PRECISO MAIS UM ESPAÇO PARA ISSO". Ê, lasqueira!
Mas, quando é para xingar a oposição, adivinha o que fazem? Recortam e colam... NOTÍCIAS DOS MESMOS JORNAIS E REVISTAS DOS VEÍCULOS DA MÍDIA MÁ! Pois é.
O fato é esse: quando fala mal de tal partido, a imprensa não presta e sugerem, em caráter de urgência, todo tipo de reforma ditatorial para suprimir a liberdade dos meios de comunicação. Mas, quando algum jornalista defende o governo federal e/ou ataca a oposição, surge como "profissional sério" ou "exemplo de lucidez".
É aquilo de sempre.
(sem revisão porque a Hellen está dormindo...)
transubstanciado por gravata às 19.10.09 - 01:35:53 | 34 comentários
11/10/2009
GRAVAÇÕES DA PF/BOI BARRICA: O PLANALTO REFÉM DE SARNEY
A Folha de São Paulo traz a seguinte reportagem de capa, assinada por Hudson Corrêa, Andréa Michael e Andreza Matais, leiam a seguir:
"Família Sarney interfere em agenda do ministro do pré-sal - Grampo mostra que filho e aliado do senador têm ingerência em compromissos de Lobão - Fernando Sarney e Silas Rondeau incluem reuniões na agenda do ministério; Lobão cita amizade e diz que são "apenas solicitações" - O ministro encarregado pelo presidente Lula de administrar o pré-sal, a riqueza que representa o "passaporte para o futuro" do Brasil, é um aliado de José Sarney tão obediente que permite ao presidente do Senado interferir em sua agenda. Conversas interceptadas pela Polícia Federal mostram que o filho mais velho de Sarney e um apadrinhado antigo do clã maranhense têm livre acesso ao ministro Edison Lobão (Minas e Energia) e a seu gabinete. Nesses diálogos, eles ditam compromissos para Lobão ou para seus assessores e secretárias, marcam e cancelam reuniões do ministro sem avisá-lo previamente, orientam Lobão sobre o que dizer a empresários que irá receber, falam de nomeações no governo e discutem contratos que acabariam assinados pelo ministério. As conversas, no entender da PF, configuram "tráfico de influência" -crime de solicitar ou obter vantagem para influir em órgão público-, que prevê de dois a cinco anos de prisão. O relatório do inquérito diz que Fernando, o filho mais velho de Sarney, "coordenou a prática ilícita". Silas Rondeau, o aliado de Sarney que antecedeu Lobão no Ministério de Minas e Energia e de lá saiu em 2007 sob denúncias de corrupção, seria seu subordinado. Obtidas pela PF com autorização da Justiça, as escutas fazem parte da Operação Boi Barrica (rebatizada de Faktor), que investigou negócios da família Sarney e culminou com o indiciamento de Fernando sob a acusação de crime de quadrilha, gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
Apelidos - Nas conversas, Lobão, Rondeau e Fernando se tratam quase sempre por apelidos. O ministro é chamado de "Magro Velho". Rondeau é o "Baixinho". Fernando é chamado de "Bomba", "Bombinha" ou "Madre", e José Sarney é chamado de "Madre Superiora". Questionado pela Folha, Lobão negou que José Sarney, por meio de Fernando e Rondeau, interfira em sua agenda ou tenha influência sobre questões do governo. Eles "podem fazer solicitações", disse. "O [nosso] relacionamento é de amizade." O conteúdo de oito grampos a que a Folha teve acesso, porém, mostra que o ministro "terceirizou" aos colegas a sua agenda de compromissos. Num diálogo de 16 de setembro de 2008, Fernando conversou com o então assessor de imprensa de Lobão -Antônio Carlos Lima, o Pipoca- e contou que marcou um jantar de negócios para o ministro para a semana seguinte: "Depois eu me acerto com ele [Lobão]". Nesse mesmo dia, Fernando falou com Lobão sobre dois compromissos que este teria no ministério e deu instruções. O primeiro foi uma audiência com representantes de emissoras de rádio e de TV, para discutir como revogar o decreto presidencial que programava o início do horário de verão. Lobão resistiu. "Escuta e vê se é possível. Entendeu?", disse Fernando. "Tá bom." O segundo foi uma reunião com Lauro Fiúza, da ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica). "Eu tinha acenado com ele que de repente você ia fazer um contato mais próximo. (...) Vão fazer uma exposição para você sobre os projetos", comunicou Fernando. Em 2008 Fiúza contratou por R$ 10 mil mensais a RV2 Consultoria, de Rondeau, para assessorar a ABEEólica.
Secretária - Noutra conversa, datada de 30 de junho de 2008, Rondeau pediu à secretária de Lobão, Telma, para inserir na agenda do ministro um encontro com o grupo espanhol Gás Natural em 9 de julho. "Como é o nome da empresa?", perguntou Telma. Rondeau explicou que "é parceira da Petrobras na distribuição de gás natural no Rio" (embora tenha sido exonerado da pasta em 2007 e denunciado à Justiça um ano depois, Rondeau continua no Conselho de Administração da Petrobras.) Dois minutos depois de acertar com a secretária de Lobão a audiência, Rondeau ligou para um executivo da Gás Natural e disse que o ministro tinha "bastante interesse em ouvir que vocês estariam dispostos [a investir] em caso do Maranhão como um mercado gasífero". Ainda em 30 de junho de 2008, Rondeau contatou a secretária para agendar outra reunião. "Dia 4 está bom. São dois donos da Engevix que querem tratar o assunto do Peru. Ele [Lobão] sabe o que é", disse. Rondeau ligou a seguir para José Antunes Sobrinho, sócio da Engevix, e ouviu o pedido para que o acompanhasse à reunião com Lobão para tratar da construção de hidrelétricas no Peru com a participação da Eletrobrás, estatal ligada à pasta: "Sua presença é fundamental pelo fato de que os próximos passos já saem na hora com sua cooperação", afirmou Antunes. Na tarde de 4 de julho, Rondeau ligou de novo para Telma e solicitou a ela que alterasse os registros da agenda oficial: "Tira do registro. Tu te lembras das fofocas de agenda, de registro. Você está bem vacinada. Para evitar qualquer ilação, tira meu nome. Se eu puder ir, eu vou, mas tira do agendamento". No sistema interno do Ministério de Minas e Energia não há anotação de reunião de Lobão com a Engevix no dia 4 -apenas de outra, no dia 9. Dois meses depois, a Engevix assinou acordo com a Eletrobrás para estudar a viabilidade de construir seis usinas em território peruano, num negócio estimado em US$ 16 bilhões. Além de interferir na agenda de Lobão, a PF concluiu que Fernando Sarney tratava de nomeações no ministério. É o que indica conversa de 27 de agosto do ano passado com o assessor de imprensa de Lobão. "Tu te lembras hoje de manhã que tu me falaste daqueles cargos que tinha de R$ 800, R$ 900, aquele negócio todo?", pergunta Fernando. "Eu vou pedir para uma amiga minha, que se chama Lina, vou dar o teu telefone pra ela. Eu queria que tu botasse [ela] nesse esquema", pediu o filho do presidente do Senado. "Manda ela ir me visitar lá", disse Pipoca." (grifos nossos)
Sinuca da Braba
Numa hora dessas, só há uma coisa a fazer: demitir Lobão. Mas por que não fazem isso? Simples: o Governo Federal é refém de Sarney, padrinho do Ministro de Minas e Energia. Se o mandam embora, perdem imediatamente o apoio de Sarney e, com isso, o caldo entorna no Senado - imaginem, por exemplo, CPIs da Petrobras e do MST pegando fogo.
Por outra, há o inconveniente de depositar nas mãos dessa sumidade ministerial a expectativa mais importante da atual gestão (seja do ponto de vista eleitoral ou mesmo administrativo): o Pré-Sal.
Uma coisa é ser "notório afilhado político do clã Sarney"; outra, bem diferente, é quando a Polícia Federal, com autorização da justiça, obtém gravações com esse tipo de conteúdo. Compensa ao manter tal Ministro, justamente quando ele ocupa um cargo dos mais importantes, estrategicamente, na estrutura de poder do governo?
O pré-sal não é apenas um oba-oba ou bônus eleitoral, mas uma descoberta que precisa de um sem-número de ações governamentais, investimentos etc. De certa forma, foi "bom" que tal bomba tenha explodido agora pois, ao menos, pode-se colocar alguém com alguma qualificação para cuidar disso. (convenhamos: Lobão não tem nenhuma) - e Lula tem a desculpa de dizer que foi por causa do escândalo.
Mas aí vem a questão: e Sarney?
Teoricamente, tudo conspiraria pela demissão do atual ministro. Mas, infelizmente, ele não vai sair. Porque o governo é refém de Sarney. E digam o que quiser, mas quero ver alguém trazer qualquer argumento em favor de Lobão quanto às qualificações para lidar com o Pré-Sal.
Ah, sim! Digam que a "culpa" é da Folha de São Paulo, por publicar gravações obtidas (legalmente) pela Polícia Federal - como se o jornal tivesse inventado esses diálogos.
transubstanciado por gravata às 11.10.09 - 22:11:09 | 16 comentários
10/10/2009
NOBEL DA PAZ X OLIMPÍADA: INFLUÊNCIA, LEGADO ETC.
Barack Obama acaba de ser premiado com o Nobel da Paz, numa das circunstâncias talvez mais bizarras de toda a história da honraria. Senão vejamos: não tem um ano de mandato, nada fez de concreto pela paz e, ora bolas, os próprios fundamentos do prêmio são em função de expectativas e "esforços". Algo como "valeu a intenção".
Há poucos dias, por sua vez, Lula foi parabenizado pela vitória do Rio de Janeiro como cidade-sede da Olimpíada de 2016 - personalizando uma conquista que, a rigor, seria mérito da cidade. Coincidentemente, a "Chicago de Obama" não venceu a disputa.
Claro, claro, houve os que disseram: "Lula é mais popular que Obama" ou coisas do tipo. A pressa na puxação de saco é tão grande que atropela dados, história e tudo mais. A racionalidade vai pras cucuias e, muitas vezes (como de fato aconteceu), os fatos aparecem para humilhar os autores do encômio.
Eis aí o Prêmio Nobel da Paz.
Durante quase oito anos na Presidência da República, projetado como tal liderança mundial da forma como escreveram os "escribas de Lula", era para pelo menos ganhar uns cinco prêmios da academia sueca, mais dez Oscars, quatro Leões de Cannes e, vá lá, alguns Ursos de Berlim. Tudo porque emplacou a Olimpíada de 2016, um evento cujos beneficiários diretos, todos sabemos, são antes e acima de tudo grandes empreiteiros, empresários, políticos etc.
Voltemos a Obama. Por que cargas d'água ele ganhou o Nobel da Paz sem ter feito rigorosamente nada para isso? Por pura e simples influência política, coisa que se consegue quando se tem a EFETIVA condição de líder global. Para tanto, não é sinal positivo fazer papel de bobo com a Venezuela, Bolívia e até mesmo Paraguai - ou ter a própria Embaixada de Honduras transformada em "quintal de churrascadas" do Hugo Chávez.
No fim das contas, e com os pés no chão, a Olimpíada serve para atender a interesses empresariais e o Prêmio Nobel resulta de influência e lobby políticos. Nem Lula nem Obama, falando honestamente, mereceram todos os aplausos que ganharam.
Mas, analisando sob a ótica do reconhecimento como liderança mundial, qual dos dois "êxitos" entra para a história de vida de um Chefe de Estado? Essa é a grande diferença.
E há quem tenha tratado Lula como um novo Messias depois da escolha de uma sede olímpica, mas agora tripudie de Obama por conta do Prêmio Nobel. E o engraçado é que essas mesmas pessoas quase soltaram rojão quando Arafat (!!!) ganhou o mesmíssimo prêmio da paz concedido pela academia sueca.
Uma coisa é uma coisa blablabla.
