08/02/2010
CHÁVEZ: FANFARRÃO OU DITADOR? E O QUE VÃO DIZER OS DEFENSORES DA LIBERDADE NA WEB?
Talvez por sua figura patética (de humor involuntário), ou pela decadência histórica do papel que representa, Chávez é quase sempre motivo de chacotas, piadas e chistes os mais diversos. Mas até que ponto ele seria apenas um fanfarrão, desses de comédia caricata? A anedota, que a bem da verdade nunca teve graça, já vem mostrando sua triste verdade.
Vejam caso recente que diz respeito à Internet. Tá nos portais do mundo todo, em português saiu no da BAND:
"Hugo Chávez chama Twitter de instrumento terrorista - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou nesta segunda-feira que a rede social Twitter nada mais é que um instrumento terrorista. O microblog se tornou um canal de luta a favor da liberdade de expressão pelos venezuelanos. Para isso, os usuários da rede no país estão utilizando o termo “Free Venezuela” como forma de se expressar em seus tweets. A resposta do presidente, no entanto, não foi das melhores. Chávez chegou a pedir aos deputados da Assembleia Nacional que preparem uma lei para controlar a internet, com o argumento de que a rede é uma ameaça ao país. A repercussão fez com que o termo e tornasse ainda mais popular." (grifos nossos)
Isso é gravíssimo. Não é um sujeito colocando estátua de Bolívar numa praça qualquer, ou declarando tal dia como feriado nacional. Nada disso. Trata-se de MAIS UM ATO DITATORIAL. São mais liberdades individuais cassadas em nome de uma revolução inexistente, uma guerra fictícia que tem como "vencedor" um projeto de poder ditatorial.
E fica a segunda indagação do título: o que dirão nossos militantes defensores da liberdade na web? Vão condenar Hugo Chávez? Vão pedir que seus amigos da Câmara dos Deputados promovam algum tipo de "Moção de Repúdio"? Vão nada. É o de sempre: primeiro o partido, depois a causa. Não duvidem se ainda por cima defenderem a postura chavista - ou ao menos se mantiverem omissos, como fizeram com o Irã ou Cuba.
São uns bananas. Como Chávez.
transubstanciado por gravata às 08.02.10 - 20:26:07 | 12 comentários
07/02/2010
FHC CHAMA PRA BRIGA
Artigo de FHC publicado no jornal Zero Hora põe fogo no debate político. Não é apenas uma reflexão, mas uma resposta aos ataques do Governo Federal; e uma resposta com outros ataques. Haverá réplica, sem dúvida. Leiam a íntegra:
"SEM MEDO DO PASSADO
por Fernando Henrique Cardoso*O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos e enunciar inverdades. Para ganhar sua guerra imaginária, distorce o ocorrido no governo do antecessor, autoglorifica-se na comparação e sugere que se a oposição ganhar será o caos. Por trás dessas bravatas está o personalismo e o fantasma da intolerância: só eu e os meus somos capazes de tanta glória. Houve quem dissesse “o Estado sou eu”. Lula dirá, o Brasil sou eu! Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita.
Lamento que Lula se deixe contaminar por impulsos tão toscos e perigosos. Ele possui méritos de sobra para defender a candidatura que queira. Deu passos adiante no que fora plantado por seus antecessores. Para que, então, baixar o nível da política à dissimulação e à mentira?
A estratégia do petismo-lulista é simples: desconstruir o inimigo principal, o PSDB e FHC (muita honra para um pobre marquês...). Por que seríamos o inimigo principal? Porque podemos ganhar as eleições. Como desconstruir o inimigo? Negando o que de bom foi feito e apossando-se de tudo que dele herdaram como se deles sempre tivesse sido. Onde está a política mais consciente e benéfica para todos? No ralo.
Na campanha haverá um mote – o governo do PSDB foi “neoliberal” – e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social. Os dados dizem outra coisa. Mas os dados, ora os dados... O que conta é repetir a versão conveniente. Há três semanas Lula disse que recebeu um governo estagnado, sem plano de desenvolvimento. Esqueceu-se da estabilidade da moeda, da lei de responsabilidade fiscal, da recuperação do BNDES, da modernização da Petrobras, que triplicou a produção depois do fim do monopólio e, premida pela competição e beneficiada pela flexibilidade, chegou à descoberta do pré-sal. Esqueceu-se do fortalecimento do Banco do Brasil, capitalizado com mais de R$ 6 bilhões e, junto com a Caixa Econômica, libertados da politicagem e recuperados para a execução de políticas de Estado. Esqueceu-se dos investimentos do programa Avança Brasil, que, com menos alarde e mais eficiência que o PAC, permitiu concluir um número maior de obras essenciais ao país. Esqueceu-se dos ganhos que a privatização do sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro, com a democratização do acesso à internet e aos celulares, do fato de que a Vale privatizada paga mais impostos ao governo do que este jamais recebeu em dividendos quando a empresa era estatal, de que a Embraer, hoje orgulho nacional, só pôde dar o salto que deu depois de privatizada, de que essas empresas continuam em mãos brasileiras, gerando empregos e desenvolvimento no país.
Esqueceu-se de que o país pagou um custo alto por anos de “bravata” do PT e dele próprio. Esqueceu-se de sua responsabilidade e de seu partido pelo temor que tomou conta dos mercados em 2002, quando fomos obrigados a pedir socorro ao FMI – com aval de Lula, diga-se – para que houvesse um colchão de reservas no início do governo seguinte. Esqueceu-se de que foi esse temor que atiçou a inflação e levou seu governo a elevar o superávit primário e os juros às nuvens em 2003, para comprar a confiança dos mercados, mesmo que à custa de tudo que haviam pregado, ele e seu partido, nos anos anteriores.
Os exemplos são inúmeros para desmontar o espantalho petista sobre o suposto “neoliberalismo” peessedebista. Alguns vêm do próprio campo petista. Vejam o que disse o atual presidente do partido, José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobras, citado por Adriano Pires, no Brasil Econômico de 13/1/2010. “Se eu voltar ao parlamento e tiver uma emenda propondo a situação anterior (monopólio), voto contra. Quando foi quebrado o monopólio, a Petrobras produzia 600 mil barris por dia e tinha 6 milhões de barris de reservas. Dez anos depois, produz 1,8 milhão por dia, tem reservas de 13 bilhões. Venceu a realidade, que muitas vezes é bem diferente da idealização que a gente faz dela”.
O outro alvo da distorção petista refere-se à insensibilidade social de quem só se preocuparia com a economia. Os fatos são diferentes: com o Real, a população pobre diminuiu de 35% para 28% do total. A pobreza continuou caindo, com alguma oscilação, até atingir 18% em 2007, fruto do efeito acumulado de políticas sociais e econômicas, entre elas o aumento do salário mínimo. De 1995 a 2002, houve um aumento real de 47,4%; de 2003 a 2009, de 49,5%. O rendimento médio mensal dos trabalhadores, descontada a inflação, não cresceu espetacularmente no período, salvo entre 1993 e 1997, quando saltou de R$ 800 para aproximadamente R$ 1.200. Hoje se encontra abaixo do nível alcançado nos anos iniciais do Plano Real.
Por fim, os programas de transferência direta de renda (hoje Bolsa-Família), vendidos como uma exclusividade deste governo. Na verdade, eles começaram em um município (Campinas) e no Distrito Federal, estenderam-se para Estados (Goiás) e ganharam abrangência nacional em meu governo. O Bolsa-Escola atingiu cerca de 5 milhões de famílias, às quais o governo atual juntou outras 6 milhões, já com o nome de Bolsa-Família, englobando em uma só bolsa os programas anteriores.
É mentira, portanto, dizer que o PSDB “não olhou para o social”. Não apenas olhou como fez e fez muito nessa área: o SUS saiu do papel à realidade; o programa da aids tornou-se referência mundial; viabilizamos os medicamentos genéricos, sem temor às multinacionais; as equipes de Saúde da Família, pouco mais de 300 em 1994, tornaram-se mais de 16 mil em 2002; o programa “Toda Criança na Escola” trouxe para o Ensino Fundamental quase 100% das crianças de sete a 14 anos. Foi também no governo do PSDB que se pôs em prática a política que assiste hoje a mais de 3 milhões de idosos e deficientes (em 1996, eram apenas 300 mil).
Eleições não se ganham com o retrovisor. O eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças. Mas se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer."
Até agora, talvez podendo citar apenas a entrevista de Sérgio Guerra, esse artigo foi o movimento mais concreto da oposição. Não é um apanhado de insultos e, se o debate prosseguir assim, talvez tenhamos uma campanha de alto nível - e sem esquecer Marina Silva, que nesta semana mostrou um bom programa na TV.
transubstanciado por gravata às 07.02.10 - 16:47:28 | 22 comentários
03/02/2010
CIRO NO ESTADÃO: "DIRCEU É GOLPISTA"
Ciro Gomes dá entrevista ao Estadão, na qual chama José Dirceu de golpista. Não é exatamente um xingamento solto gratuitamente, mas embasado em supostos fatos. Vejam:
"O presidente Lula já pediu diretamente para o senhor ser candidato ao governo de São Paulo?
Não trato o Lula como um mito. Trato como líder político. O Lula me fez um apelo para transferir o título para São Paulo. Alegou que isso ajudaria a arrumar o quadro lá. Não sou candidato ao governo de São Paulo e falei isso para o Lula. Mantenho a minha candidatura à Presidência da República.A sua candidatura não tem o apoio de nenhum partido, enquanto o PT e o PMDB têm praticamente fechada uma aliança em torno do nome de Dilma Rousseff.
Não estou de acordo com o resultado da colisão PT-PMDB. A moral dessa aliança é frouxa, é um roçado de escândalos já semeados. Amanhã, pode nos deixar com a brocha na mão.Há um consenso de que sua desistência em disputar a Presidência beneficiaria a candidatura de Dilma Rousseff.
O PSDB e o PT querem que eu retire a minha candidatura. Algum dos dois está errado. A única pessoa que está certa de querer tirar a minha candidatura é o Serra. Significa que o santo Lula nesse assunto está errado.Sua candidatura perdeu fôlego na última pesquisa de intenção de voto.
Nunca tive tanta força como tenho agora. Estamos mais bem situados nos Estados do que o PT. É só dar uma olhada. Agora eu estou no céu. Tenho três governadores aliados, tenho base no Brasil inteiro. Problema de aliança quem tem é o PT. O PSB só tem problemas em Sergipe e no Rio Grande do Norte. O PT está pedindo que eu seja candidato ao governo de São Paulo. Quem está forte mesmo?O ex-ministro José Dirceu tem conversado com os aliados para fechar alianças do PT nos Estados.
Pode escrever aí: Ciro Gomes não concorda com a articulação do Zé Dirceu, do PT. Isso é coisa golpista.Por que golpista?
Não vou explicar isso... Quando Lula foi acusado de tráfico de influência, o Zé Dirceu era presidente do PT e abriu inquérito contra Lula na comissão de ética do partido para apurar as relações dele com o compadre Roberto Teixeira. Ele quis acabar com o Lula lá atrás. O Zé Dirceu estava decidido a destruir o Lula, era um trabalho para liquidar o Lula..."
Guerra à vista.
transubstanciado por gravata às 03.02.10 - 14:27:59 | 14 comentários
31/01/2010
SERGIPE: O PT E A PRIVATIZAÇÃO DA SEGURANÇA PÚBLICA
A essa altura, talvez todos já saibam da tragédia do comerciante assassinado mesmo depois de acionar o serviço "190" da Secretaria de Segurança Pública de Sergipe. Ele falou com uma ATENDENTE DE TELEMARKETING TERCEIRIZADA, e não com um policial.
Antes de tudo, é preciso separar acusações partidárias de ações de gestão. Quando uma garota foi estuprada em cela no Pará, tentaram culpara a governadora Carepa, também do PT. Obviamente, houve erro criminoso de agentes públicos, mas não uma determinação do gabinete da governadora.
Em Sergipe, porém, há ação política do governador Marcelo Déda, do PT, quanto à manutenção do contrato que privatiza um serviço que OBVIAMENTE deveria ser competência exclusiva do Estado. Até o mais neoliberal dos neoliberais, presumo, não entregaria a SEGURANÇA PÚBLICA na mão da iniciativa privada.
Isso é tétrico! "Vou poder estar atendendo, aguarde na linha..." - não tem cabimento! Mas é o que acontece, ainda hoje, na gestão petista de Sergipe, apontada por muitos como "modelo" (é sério).
Pelo que apurei, o Paraná também mantinha contato desse gênero, já sob Requião (PMDB), mas rescindiu o contrato neste ano (foram dois anos de terceirização do "190"). Fez a coisa certa, evidentemente. Dá tempo de Marcelo Déda fazer o mesmo, uma pena que tenha havido uma tragédia para que precisasse disso.
Não podem os petistas, diante disso, acusarem os adversários de "privatistas", não é? Quem passa para a iniciativa privada um serviço de SEGURANÇA PÚBLICA, convenhamos, não pode falar um "a" quando se cogita trazer competição para mercados como telefonia, eletricidade, entre outros.
Torçamos para que o Governador vá estar podendo providenciar a mudança dessa terceirização.
transubstanciado por gravata às 31.01.10 - 14:57:18 | 17 comentários
25/01/2010
PRÉDIOS PÚBLICOS E SIMBOLOS RELIGIOSOS
Os argumentos dos que são favoráveis à manutenção de símbolos religiosos em prédios públicos são compreensíveis, quando vistos pelo lado íntimo. Mas não se trata de uma questão pessoal, privada ou íntima. O caso em questão tem a ver com a ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, que é regida por alguns princípios constitucionais.
Desse modo, alguns dos caminhos usados para defender a adoção de símbolos podem ser facilmente rebatidos, até de forma relativamente simples. Vejamos:
"Não Há Proibição"
Sim, não há. O problema é que a Administração Pública não obedece às regras dos entes privados, para os quais cabem os benefícios do artigo 5º, inc.II, da CF:
"ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei"
Para a Administração Pública, vale o extremo oposto. Trata-se do "Princípio da Legalidade": todo e qualquer ato SÓ PODE SER REALIZADO QUANDO HÁ EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. O fato de não haver "proibição" não permite a exibição de símbolo religioso. Seria preciso previsão legal expressa, nos termos do Art. 37 da Constituição Federal.
"Pessoas Têm Religião"
Sim, algumas realmente têm. O Estado é que não tem religião alguma, e nem precisamos recorrer à laicidade prevista na CF, mas sim ao "Princípio da Impessoalidade", expresso no Art. 37 também da Carta Magna. Dessa forma, por mais que funcionários tenham seus direitos e predileções, isso deve sempre permanecer no limite de suas pessoas, não repercutindo na esfera da Administração Pública.
Tal princípio não vale, por óbvio, apenas para a religião. Flâmulas futebolísticas, por exemplo, não podem ser penduradas em prédios públicos, repartições ou congêneres. Sabem o que também não pode? Cartazes ou bandeiras de partidos políticos. Pois é, não é permitido. E muitos fazem isso. É contra a norma constitucional.
O "Princípio da Impessoalidade" não foi feito para esmagar religiões, mas sim, entre tantas coisas, para manter o Estado longe de qualquer preferência PESSOAL. Imaginem uma sala de julgamento com enorme ESTRELA DO PT ou BANDEIRA DO PSDB. A regra que não permite símbolos religiosos também veda símbolos partidários.
"E o Cristo Redentor?"
Sim, vamos levar a sério a piada. Há um princípio expresso no já repisado Art. 37 da Constituição Federal denominado "Princípio da Eficiência", que não apenas norteia, mas obriga o agente público quanto ao aproveitamento otimizado de recursos materiais e humanos etc. Isso é uma novidade, digamos, trazida por Emenda Constitucional de 1998, mas a parte que nos interessa vem agora: "Princípio da Economicidade".
Pois é. A "economicidade", que não é expressa, complementa a "eficiência" e é tradicionalmente aplicada em licitações, optando-se dessa forma pelas propostas sempre mais vantajosas (menos dispendiosas) para a Administração Pública. Mas, além disso, aplica-se a "economicidade" em TODAS as rotinas de uma gestão.
Desta feita, demolir uma edificação só seria plausível em casos extremos (risco de morte etc.). O Cristo Redentor, como se sabe, é atração turística mundial e, além disso, foi construído muito antes da Constituição Federal de 1988. Por fim, quanto ao tópico, quem derruba marcos turísticos religiosos são... OS PRÓPRIOS RELIGIOSOS. Ou alguém não se lembra das belíssimas estátuas dos budas, no Afeganistão, infelizmente demolidas pelo Talibã?
Enfim...
Não é saudável tratar deste tema como se fosse perseguição a cristãos ou crucifixos, e isso vale para todas as partes, defensores e detratores. A laicidade estatal é ampla e, sem dúvida, serve para todas as religiões.
Por razões óbvias, é mais fácil encontrar crucifixos em repartições públicas que orixás, artefatos celtas ou urnas crematórias para sacrifício animal. Mas, qualquer que fosse o símbolo, ao escolhê-lo, não seria tão equivocado dizer que a administração estaria preterindo as demais religiões (temos aí um probleminha com o "Princípio da Isonomia", não é mesmo?).
Ah, claro! É garantida a todos a liberdade de crença, mas ela não se estende à Administração Pública. O administrador ou funcionário, portanto, não deixa de ter suas crenças, nem é proibido de cultuar o que bem quiser. O que não pode é usar o prédio público para isso – e tal regra vale também para times de futebol, predileções partidárias e assim por diante.
Retirar símbolos religiosos de repartições públicas não é "perseguição" nem o início de qualquer processo que culminará nisso ou naquilo. É o puro e simples cumprimento da Constituição Federal. E nem seria preciso redigir qualquer outra norma para dizer isso.
Revisão: Hellen Guareschi
transubstanciado por gravata às 25.01.10 - 22:03:28 | 36 comentários
20/01/2010
PT, DANTAS E MENSALÃO: MAINARDI GANHA AÇÃO JUDICIAL
Em processo motivo por Carlos Jereissati em face de Diogo Mainardi, o colunista da Veja foi absolvido em primeira instância, segundo noticia o Conjur. O motivo foi coluna do dia 14/06/2006, transcrita a seguir:
"A última sobre Dantas - Daniel Dantas já enjoou. Eu sei. Esta é minha última coluna sobre ele. Não quero virar um Mino Carta. Volto ao assunto apenas porque preciso me livrar de todo o material que acumulei nos últimos meses e que agora, com o acordo entre Daniel Dantas e Lula, perdeu a validade. Nada do que eu disser terá efeito prático. Dane-se. O que me interessa é esclarecer alguns pontos que ainda permanecem no ar. Meu primeiro contato com Daniel Dantas e seus homens ocorreu em setembro do ano passado, depois que publiquei duas colunas acusando-o de ter financiado o mensalão. De lá para cá, foram muitos outros encontros, que me permitiram reconstruir suas idas e vindas com o governo. O que Daniel Dantas e seus homens me contaram confidencialmente foi o seguinte:
• Em meados de 2002, Naji Nahas informou a Daniel Dantas que o presidente da Telemar, Carlos Jereissati, tinha assinado um acordo com o PT, em troca de dinheiro para a campanha eleitoral. Pelo acordo, o governo tomaria a Brasil Telecom de Daniel Dantas e a entregaria à Telemar.
• Daniel Dantas reagiu da única maneira que conhece, oferecendo ele também dinheiro para a campanha de Lula. Em 30 de setembro de 2002, depois de tratar com Delúbio Soares e Antonio Palocci, um de seus homens entregou-lhes 2 milhões de dólares, num hotel em São Paulo.
• Quando Lula foi eleito, o presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb, assumiu o comando da trama lulista para tomar a Brasil Telecom. Daniel Dantas me mostrou uma carta de Casseb à diretoria do Citigroup. Na carta, Casseb afirmava que Lula odiava Daniel Dantas e que faria de tudo para tirá-lo da Brasil Telecom.
• Daniel Dantas teve acesso também a um documento que relata o encontro entre a diretoria internacional do Citigroup e Lula. O principal assunto do encontro era a retirada de Daniel Dantas da Brasil Telecom. Lula alega que nunca soube da bandalheira que ocorria à sua volta, mas o fato é que ele interferiu pessoalmente numa disputa comercial, pressionando um banco estrangeiro a favorecer um grupo privado que o financiava em detrimento de outro.
• Daniel Dantas perguntou ao empreiteiro Sérgio Andrade, da Andrade Gutierrez, qual era o papel de Lula no esquema do mensalão. Sérgio Andrade, que é amigo de Lula, respondeu que o presidente não apenas sabia de tudo, como comandava o esquema.
O resto da história já foi contado aqui e em outras matérias de VEJA, do achaque de 50 milhões de dólares praticado por Delúbio Soares à ajuda prestada por Daniel Dantas para acobertar o superfaturamento da empresa do filho de Lula. O único ponto que resta em aberto é a Kroll. Daniel Dantas conta que contratou a empresa para investigar um suposto desvio de dinheiro do presidente da Telecom Italia, Roberto Colaninno, na compra da CRT. Quando o caso de espionagem veio à tona, Daniel Dantas temeu ser preso. Um agente da Kroll foi contratado então para descobrir os dados bancários de Lula e de seus ministros no exterior. A lista que ele apresentou é aquela que está em poder do procurador-geral da República. Daniel Dantas tratou de desmerecer publicamente o trabalho do agente da Kroll, considerando seus achados inverossímeis. Em particular, ele e seus homens são muito menos céticos. Eles acreditam no agente da Kroll. Eu também." (grifos nossos)
A decisão pode ser lida por aqui. E vale ressaltar seguinte trecho:
"Posteriormente, verificou-se que a Oi (antiga Telemar) efetivamente adquiriu a Brasil Telecom, dando mais plausibilidade à informação fornecida e que, mais uma vez deve se destacar, não houve excesso desrespeitoso"
Cabe recurso. Cabe também chorar.
transubstanciado por gravata às 20.01.10 - 04:14:30 | 44 comentários
18/01/2010
HAITI: ZÉ DIRCEU E SEU PAPEL RIDÍCULO
No Brasil, ser "de esquerda" é quase um estado de espírito. Vejam, por exemplo, o caso do Haiti. É possível ter duas ou três opiniões sobre o mesmo tema e, ainda assim, manter tudo no mesmo balaio ideológico. Duvidam? Pois vejam só esta maravilhosa PÉROLA de José Dirceu, elaborada para sua platéia:
"Por que os EUA ocuparam o Haiti? - Nada, seja a segurança nacional, sejam razões geopolíticas, ou ainda de prestígio, justifica a ocupação militar do Haiti pelos Estados Unidos e o controle do seu espaço aéreo. Muito menos tem sentido, a essa altura e em função da tragédia haitiana, conferências de chefes de Estado, como propôs o presidente da França, Nicolas Sarkozy, para discutir a ajuda ao país. Os EUA se aproveitaram do terremoto para ocupar militarmente o país com 10 mil soldados, inclusive estabelecer o controle sobre o aeroporto da Capital, Porto Príncipe. Os aviões com suprimento e ajuda humanitária, e para retirar feridos, só pousam e decolam com autorização dos militares dos EUA. O efetivo militar americano é superior em 50% ao contingente de sete mil homens da Força de Paz da ONU, que mantinha a ordem no país conturbado politicamente antes da tragédia. O Haiti precisa é de apoio. De imediato, necessita urgente, o quanto antes e a mais ampla possível, ajuda humanitária; e a médio prazo, apoio econômico para a sua reconstrução. Fora disso é politicagem da pior espécie, seja americana, européia ou mesmo nossa. Desde a ocupação do Haiti pelas Nações Unidas há seis anos fracassamos na reconstrução do país. Apesar dos esforços do Brasil e do presidente Lula, a comunidade internacional, os EUA e as organizações multilaterais - os famosos doadores - pouco fizeram fora manter a ordem, o que já era muito, reconheçamos, face à situação do Haiti às vésperas do envio das tropas da Força de Paz da ONU." (grifo nosso)
Bonito, né? Mas errado. Escrevi sobre o caso duas vezes nos últimos tempos, bem antes da tragédia, mas não custa repetir algumas coisas (aliás, as forças "mantinham a ordem"? pfff...).
Em 2004, Jean-Bertrand Aristide foi democraticamente eleito presidente do Haiti. Em seguida, foi seqüestrado por fuzileiros navais dos EUA e levado à África Central. Depois disso, o país foi dominado por "forças de paz" da ONU.
Nesse ano, Dirceu era Ministro-Chefe da Casa-Civil e adivinhem quem liderou a ocupação? O EXÉRCITO BRASILEIRO, buscando assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Assim surgiu a bizarra aliança Lula-Bush numa ocupação militar bisonha e ridiculamente apoiada (ou silenciada) pelos nossos esquerdistas aleatórios (daí a idéia de que ser "de esquerda", no Brasil, tem mais a ver com apoiar as ações de um único partido, sejam elas quais forem).
A petistosfera permaneceu calada, embora, quando houve o que houve em Honduras, tenha gritado desbragadamente. Dirceu também ficou caladinho, caladinho. Até o terremoto, inclusive, não abria a boca. Por quê? Simples: ERA O EXÉRCITO BRASILEIRO QUE OCUPAVA O HAITI. E seu compromisso não é com direitos humanos ou povo haitiano, mas com o PT.
Mas por que a revolta? Em princípio, parece que ele faz média com esquerdistas mais radicais e antiamericanos, é verdade. Mas, no fundo, é pura vergonha diante da incapacidade do governo que apóia, que nem mesmo chegou a visitar Angra dos Reis.
Daí esse papo furado de imperialismo ianque. Talvez se houvesse energia elétrica na Venezuela, ou se os cubanos tivessem ao menos papel higiênico, alguma das duas potências bolivarianas mandariam ajuda para o Haiti. Se Lula ou Dilma tivessem sequer visitado Angra, Santa Catarina, São Luiz do Paraitinga ou alguma das regiões afetadas pelas enchentes aqui no Brasil, também não ficaria tão vexatório ver que os EUA fazem mais e melhor, por si e pelos outos.
Falar em OCUPAÇÃO quando quem ocupava era o próprio Exército Brasileiro até anteontem? Com acusações de massacre e tudo mais? Tem que ser MUITO Zé Dirceu pra ter coragem de escrever um negócio desses.
Ah! Leram os comentários?
transubstanciado por gravata às 18.01.10 - 21:55:55 | 19 comentários
14/01/2010
OS APOIADORES DE DELÚBIO E A FORÇA DE SEUS "ARGUMENTOS"
Um conhecido manda, via email, o site do "Companheiro Delúbio", espaço virtual de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT - na mensagem, disse que era um absurdo, tal e coisa. Discordo. Delúbio tem o óbvio direito de expressão e, mais ainda, sua parte ali é bem razoável.
Mas achei curiosa - e em alguns aspectos engraçada e reveladora - a seção destinada aos convidados. Não por parte do ex-tesoureiro, é claro, mas sim quanto ao teor do quanto declarado por seus amigos. Comento a seguir alguns dos apoios:
Ricardo Kotscho
ex-Secretário de Imprensa do Governo Lula"O gesto de grandeza de Delúbio Soares - Na mesma sexta-feira, 8 de maio, em que fui internado no hospital com problemas variados, entre eles insuficiência renal e arritmia cardíaca, em consequência de uma infecção intestinal e uma gripe mal curada (ver nota abaixo), meu amigo Delúbio Soares desistiu de pedir sua reintegração ao PT para não provocar uma divisão no partido que ajudou a criar. (...) Posso imaginar quanto deve ter-lhe doído escrever este discurso, que é, ao mesmo tempo, uma declaração de amor à causa pela qual se entregou, e um libelo em que não pede perdão nem anistia, apenas justiça e o direito de apresentar as suas razões. Mais uma vez, colocou os interesses partidários acima dos seus próprios, na certeza de que o tempo irá reparar os sofrimentos e as injustiças que sofreu nestes últimos anos. Aos 53 anos, continua o mesmo sonhador irreverente, capaz de rir dele mesmo, sem abrir mão dos ideais em que acredita e bota fé. Somos amigos de graça, desses de tomar cerveja juntos, dar risada e falar mal da vida alheia _ a ele nada devo, nem ele a mim. Comigo sempre foi correto. Por isso, faço questão de abrir espaço neste Balaio para reproduzir trechos do discurso de Delúbio. Em palavras simples e sentidas, ele resume um raro gesto de grandeza, exatamente no momento em que antigos valores como lealdade e fidelidade partidária são motivos de chacota e se troca de lado com a facilidade de quem troca de camisa. (KOTSCHO REPRODUZ TRECHOS DO DISCURSO E SOLTA ESSA...) Ao final, deixa uma pergunta no ar, que até agora ninguém se habilitou a responder: 'De que me acusam? Quantos são os políticos brasileiros que realizaram campanhas eleitorais sem que alguma soma, por menor que fosse, não tenha sido contabilizada?'" (grifos nossos)
Qual, exatamente, é a GRANDEZA do ex-tesoureiro do PT? Ele agia por conta própria? Ele fazia o que lhe dava na telha? O próprio Ricardo Kotscho, nesse relato em que risivelmente tenta passar alguma emoção, diz que seu defendido "mais uma vez colocou os interesses partidários acima dos seus próprios". Numa tacada, defende Delúbio e ACUSA o partido, pois são INTERESSES PARTIDÁRIOS - um partido indubitavelmente a mando de alguns caciques até agora impunes.
Repito: qual foi a GRANDEZA de Delúbio? Ele os denunciou? Ele finalmente deixou de levar a culpa para entregar os verdadeiros mandantes? Ele abriu mão dessa penitência injusta, lida nas entrelinhas de seu defensor?
Não. Totalmente o contrário. A "grandeza", para Kotscho, foi abrir mão de voltar ao partido, o PT, não prejudicando interesses eleitorais imediatos. E NEM SE FALA EM ENTREGAR OS VERDADEIROS CULPADOS - para um militante bitolado, isso jamais passa pela cabeça. Delúbio que continue pagando a conta e fim de papo.
No encerramento, como quem tenta matar a questão com um golpe de mestre, Kotscho pinça de Delúbio a desculpa que definitivamente jogou o PT na vala grande de todos os partidos até então acusados pela legenda que viria para resgatar a ética: "quantos são os políticos brasileiros que realizaram campanhas eleitorais sem que alguma soma, por menor que fosse, não tenha sido contabilizada?".
Mais gente faz, então também fazemos. É isso? Só não ganha como "melhor trecho" porque Kotscho é ótimo na arte da autosuperação. Pelas tantas, no meio do texto, solta uma frase talvez com o objetivo de elogiar Delúbio, mas com efeito inadvertidamente ambíguo e involuntariamente cômico:
"Comigo sempre foi correto."
E com o resto do Brasil?
* * *
Luiz Fernando Emediato
Jornalista, escritor e presidente do CODEFAT"Conheci Delúbio Soares de Castro quando nos tornamos colegas no Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador, o Codefat, do qual ele foi, inclusive, presidente (...) Não tenho procuração para defender Delúbio, nem sou do PT, mas minha opinião é que o PT deve aceitá-lo de volta. Delúbio, na verdade, está sendo acusado por atos que, infelizmente, e isso TODO político sabe, TODO político ou faz ou se omite, para que alguém faça em seu nome. (...) O mais impoluto senador da República, o mais sério deputado, o mais ínclito governador, o mais puro prefeito, o mais honesto vereador sabe de onde vêm os recursos de suas campanhas: das doações legais e dos caixas mais variados. Quem disser que nunca recebeu alguma coisa de fontes não transparentes que atire a primeira pedra – sem ficar com a consciência intranquila. Estão todos fora da lei, esta é a verdade. E só estarão totalmente dentro da lei quando a lei mudar para melhor e existir, neste país, candidatos responsáveis e eleitores de fato – cidadãos conscientes de seus direitos e também de seus deveres. Votar não é só um direito a se exercer irresponsavelmente, de quatro em quatro anos. É um dever de cidadão, na busca incessante do melhor dirigente para sua cidade, seu estado e seu país." (grifos nossos)
Emediato jogou no ventilador. Segundo esse raciocínio, por exemplo, Lula sabe, lula faz ou se omite, pois ao dizer TODO - com caixa alta, quer o quê? -, evidentemente inclui o Presidente da República. E, claro, a oposição. E também amigos, inimigos etc. Uma generalização que pode custar caro ao escritor, jornalista e atual presidente do CODEFAT.
E, de novo: se TODO mundo faz ou sabe, por que diabos Delúbio Soares não entrega a rapaziada? Não se trata de uma delação para a morte, como nos tempos da Ditadura, mas sim de justiça. Ou se fosse o subalterno de um oligarca todos achariam certo ele pagar sozinho? Quando é o subordinado de um "cacique-companheiro" aí sim?
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José Ibrahim
Líder histórico dos trabalhadores de Osasco, liderou a primeira grande greve após o golpe militar de 64. Preso, torturado e banido, ao voltar do exílio no Chile, Panamá, México e França, participou da fundação do PT (juro que tudo isso aparece na descrição do cara)"Não devemos ceder ao coro dos tucanos - Delúbio Soares é um companheiro idealista, correto, absolutamente fiel às lutas do PT e do povo brasileiro. Com ele conviví na fundação do PT e aprendi a admirar sua firmeza ideológica e sua grandeza humana. Trata-se de um dos melhores quadros da esquerda brasileira, tanto pelo valor político quanto pela dignidade pessoal. (...) Sua expulsão foi um ato autoritário dos então dirigentes do PT, cedendo ao coro da oposição tucana, da direita reacionária e da imprensa sensacionalista, não dando amplo direito de defesa aquele que, ao lado de José Dirceu, construiu as condições necessárias para que Lula chegasse à presidência da República. (...) Nos desvãos da política brasileira, tão fértil em situações complexas e mal explicadas, um homem honesto como Delúbio não pode passar por desonesto. Não há quem melhor entenda de caixa 2 ou desvio de recursos em campanhas do que os tucanos, esses hipócritas que martirizaram Delúbio..." (grifos nossos)
Basicamente, a culpa é do PSDB. E da mídia, porque a mídia é má - e precisa ser controlada, como sabemos. Delúbio é honesto (aqueles contratos com sua assinatura e a de Marcos Valério provavelmente devem ser obra de algum falsificador dos bons).
Mas, peraí! Que papo é esse de "ato autoritário dos então dirigentes do PT"? Por que resolveram condenar esse inocente? Um partido constituído de heróis, guerrilheiros, lutadores, grevistas... ATENDENDO A CHILIQUES CAPRICHOSOS DA OPOSIÇÃO? É uma tese estranha, querido Ibrahim. É uma tese de difícil digestão.
Tem aquela corrente - isso é uma hipótese, ok? - segundo a qual "vão os anéis, ficam os dedos" e, nesse caso, Deúbio seria um anel. Mas, repito, é apenas uma hipótese.
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Roberto Casseb
Jornalista e filiado ao PT desde 19 de maio de 1981. Foi Coordenador do Setorial Estadual de Esporte e Lazer do PT em 2003/04."Lealdade a Delúbio Soares - Quando tinha uns doze ou treze anos em 1968 ou 69 eu mais 11 amigos decidimos comprar uma bola de capotão. Ter uma bola de capotão era o sonho dos garotos dessa época. Para isso fizemos uma “vaquinha” e todos ficamos donos da bola. Nossa principal brincadeira era jogar futebol e por falta de lugar adequado muitas vezes brincávamos na rua. Sempre tinha algum vizinho que reclamava. De vez em quando chegava por lá uma “Radiopatrulha” (RP), um fusquinha preto e branco que fazia a ronda pelo bairro. Nesta hora parávamos a partida e saíamos rapidamente do local. Quem estivesse com a bola se mandava primeiro. Precisávamos proteger nosso tesouro. Certo dia estávamos entretidos no meio de uma partida muito disputada e não percebemos a chegada de uma RP. Os policiais desceram do carro e um deles foi ao meu encontro porque a bola estava comigo. Aproximou-se e de forma intimidadora perguntou quem era o dono da bola. Neste momento 7 amigos correram para o meu lado e disseram que todos eram donos da bola. A resposta do policial foi dura: “Se todos são donos da bola, então todos vão para a delegacia”. Tirou a bola de minha mão e a pé fomos até o 6º Distrito Policial que ficava há uma quadra de onde estávamos. Quando chegamos à delegacia em vez dos 12 donos da bola só havia 8. Os outros 4 se mandaram fugindo da responsabilidade. Não houve lealdade por parte deles e os 8 que ficaram assumiram as conseqüências que era dos 12. O caso do nosso Companheiro Delúbio Soares pode ser comparado a essa história. Enquanto jogávamos e nos divertíamos todos eram donos da bola. Aproveitamos das benesses do crescimento do PT. Ganhamos a eleição presidencial, centenas de mandatos, dezenas de prefeituras, governos estaduais. Enfim o PT se tornou um partido poderoso e organizado. (...) Sabíamos que não poderíamos cometer erros, mas foi inevitável. Erramos sim. Todos erramos e jogar a culpa nas costas de 1 ou 2 ou 8 era mais fácil. Nossas principais lideranças na Câmara Federal e na direção do Partido foram atacadas implacavelmente. José Dirceu perdeu o seu mandato, Silvio Pereira saiu do PT e Delúbio Soares além de ficar com a “bola” sozinho foi expulso do Partido num ato para agradar a mídia e diminuir os ataques de nossos adversários. (...) Alguns petistas relutam em devolver esse direito ao Companheiro Delúbio. Julgam-se isentos dos problemas que aconteceram. Preferem construir vários argumentos e culpar uma só pessoa pelos erros. É muita hipocrisia. Na história da bola de capotão, os 8 amigos continuaram unidos e enfrentaram os problemas juntos. A lealdade prevaleceu. Espero que o Diretório Nacional tenha o bom senso e cometa a justiça de devolver ao Companheiro Delúbio Soares o direito de voltar a ser petista oficialmente. Será um ato de justiça partidária e de lealdade com um companheiro que dedicou mais da metade de sua vida na construção do Partido dos Trabalhadores." (grifo nosso)
É meu favorito. Gênio. Primeiro pelo fato de não ter feito nada de útil em 1968, mas já que é legal ser subversivo, o jeito foi contar essa história da bola de capotão. Rebelde, né? Puxavida!
Depois, o raciocínio MEMORÁVEL, na base do "aproveitamos das benesses do crescimento do PT". Honestidade de argumento é isso, poxa. Nada de lenga-lenga de Kotscho. E tem mais: " Alguns petistas relutam em devolver esse direito ao Companheiro Delúbio. Julgam-se isentos dos problemas que aconteceram. Preferem construir vários argumentos e culpar uma só pessoa pelos erros. É muita hipocrisia."
É ele quem está dizendo isso dos outros petistas, viu?
Mas o amigo Casseb dá uma kotschada quando fala que "não poderíamos cometer erros", tanto mais ao assinalar: "foi inevitável". Como assim INEVITÁVEL? Em primeiro lugar, "Caixa 2" não é "erro", mas CRIME - e isso aliviando pro seu lado, meu chapa, porque o processo tramitando no STF é de compra de parlamentares.
Dizer que isso é um "erro" é exagerar no eufemismo. Mas depois falar em INEVITABILIDADE? Não havia outro jeito? Havia ameaça de morte caso não dessem milhões aos parlamentares de outras legendas? Não, não, não. Aí você pisou no tomate.
Mas a história da bola de capotão foi bacana. Subversão mirim nos anos de chumbo. Subversão-moleque. Subversão-arte. Subversão-de-amor-à-camisa.
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Tem também um texto do Suplicy, que é Senador e Suplicy, mas é bem protocolar e apenas pede para que Delúbio volte, numa carta endereçada ao então presidente do PT. Como podem ver, há outros menos engraçados, repetindo essa cantilena.
No fim, ele desistiu. Mas é só visitar o site para ver que foi uma desistência de araque. Ele continua mais petista do que nunca. De corpo, alma e coração. Assumiu sozinho a coisa toda, como se não recebesse ordens de ninguém. Acatou a expulsão e nem pediu para voltar. Foi aplaudido.
Quem herda aos seus não degenera.
transubstanciado por gravata às 14.01.10 - 01:14:05 | 16 comentários
09/01/2010
E O JOBIM?
As coisas andam corridas por aqui, mas o que vocês acham do Jobim? O Plano de Direitos Humanos, por exemplo, será "revisado" por ele, na condição de Ministro da Defesa. Tal procedimento se dará em reunião com o Presidente da República. ok. Além disso, embora a FAB tenha escolhido, de forma técnica, os caças da Suécia, parece que o ministro poderá optar pelos aviões franceses - que, por sinal, foram rejeitados pela Índia (a preço exíguo, diga-se).
Lembrete a quem pretende xingá-lo, mas isentando o chefe: o cargo de Ministro é de livre indicação do Presidente da República, podendo tal mandatário afastá-lo a qualquer momento.
transubstanciado por gravata às 09.01.10 - 14:13:04 | 20 comentários
07/01/2010
PAULO HENRIQUE AMORIM E O PT: UM POUCO SOBRE O CRIADOR DA SIGLA "PIG"
Hoje, quando se pretende atacar um veículo de comunicação, sempre que este questiona o Governo Federal, usa-se a sigla "PIG" (Partido da Imprensa Golpista). Ela foi cunhada por Paulo Henrique Amorim e a idéia de "golpismo" consiste na crítica do PT e de seu governo. Falou mal? É golpe. Simples assim.
Mas Paulo Henrique Amorim, ou PHA, diz que é jornalista desde os tempos em que os bichos falavam (é o que está em seu site). Não sei se em 1997 eles ainda diziam alguma coisa, mas convém lembrar a série de reportagens que ele próprio divulgava na Rede Bandeirantes, na condição de âncora e editor do principal programa jornalístico da emissora.
Trechos abaixo (estão nas sinopses da Radiobras):
"Denúncia de corrupção em partido político não é novidade. Novidade é o partido. Trata-se do Partido dos Trabalhadores. Paulo de Tarso Venceslau ajudou a sequestrar o embaixador americano e a fundar o PT. Foi também secretário de finanças de duas prefeituras do partido. Ele garante que uma empresa contratada sem concorrência por prefeitos petistas, desviava verbas públicas para os cofres do partido. Ele quer provar que a cúpula do PT sabia das fraudes e não tomou providências.
Paulo de Tarso Venceslau, autor da denúncia contra o PT, tem 53 anos e uma biografia movimentada. Na década de 60 ele pertencia ao grupo guerrilheiro Aliança Libertadora Nacional. Participou de sequestro do embaixador americano, Charles Albrick, em 1969. Ironia ou não, ajudou a tirar da cadeia José Dirceu, seu amigo e companheiro na época. José Dirceu, hoje presidente do PT, disse que Venceslau não tem nenhum documento que comprove a corrupção, mesmo assim haverá investigação." (grifos nossos)
Em 1998, VÉSPERA DAS ELEIÇÕES DAQUELE ANO, tudo se repetiu. E quem fala a respeito é Alberto Dines que, na ocasião, DEFENDEU LULA. Vejam que coisa engraçada:
"Paco, o linchador - Em seu site Conversa Afiada, Paulo Henrique Amorim publicou na noite de sexta-feira (3/11) a seguinte manchete: "Internautas criticam artigo de Alberto Dines". Clica-se e aparece a foto deste observador e um pequeno texto: "A favor da mídia. Internautas criticam artigo em que Alberto Dines, do Observatório da Imprensa, se manifesta a favor da mídia". Os curiosos então clicam para saber o que Paulo Henrique Amorim, porventura, tem a dizer sobre o assunto e descobrem que Paulo Henrique Amorim, como sempre, nada tem a dizer: escafedeu-se. Mas como precisa fazer jus ao cachê de linchador, remete para os comentários dos internautas furiosos com este observador. Convém registrar que o afiadíssimo site é completamente cego em matéria de interatividade e democracia: não recebe comentários dos leitores. Paulo Henrique Amorim – Paco, para os íntimos – é o protótipo do linchador. Paradigma do empastelador. Agente provocador de quebra-quebras. Tem longa experiência nesta matéria. Paco agora anda camuflado de militante petista. O disfarce vai durar pouco. Em setembro de 1998, véspera da segunda disputa Lula-FHC, ele comandou na TV Bandeirantes uma viciosa cruzada contra Lula com os mais torpes argumentos. Pretendia denunciar a operação financeira que permitira ao então líder sindical a compra de um apartamento em São Bernardo do Campo. Não foi um ataque político, foi um golpe baixo. Não foi um surto pontual, foi uma cruzada contínua, demorada, persistente. Em todas as edições do principal telejornal da Band, durante longos minutos, com todos os recursos de edição, depoimentos, documentos e aquela vozinha histérica, nasalada, tentando levantar os ânimos para derrotar Lula logo no primeiro turno. Paco, o linchador, era o âncora do telejornal e conseguiu ser ouvido por alguns veículos. IstoÉ, como sempre, viu na denúncia uma chance de ganhar alguns trocados e foi na onda. O Observatório da Imprensa protestou. Naquela fase, alguns artigos opinativos eram assinados coletivamente, "Os Observadores". A responsabilidade era obviamente do editor-responsável. Alguns leitores protestaram contra o Observatório. É sempre assim. Quando um delirante grita "Mata!", logo aparecem outros para berrar "Esfola!". Esta é a insana dinâmica das execuções sumárias e do paredón." (grifos nossos)
Hoje, o Presidente é Lula, do PT, e a oposição é o PSDB. Paulo Henrique Amorim, desde 2003, nunca mais tocou no assunto que tanto repisou em 1997 e 1998 - e continua sem solução satisfatória. "PIG", né? Ok, então...
E, já em 2006, nota-se que algumas figuras blogosféricas, hoje carimbadas, comentaram o texto de Alberto Dines, absolvendo a conduta do então "regenerado" jornalista, ex-perseguidor de Lula em véspera de eleição. Os termos "da defesa" são engraçadíssimos.
Depois, dizem que exagerei quanto à reação da blogosfera política dita "independente" na história fictícia de Karloff.
