Categoria: Leitura

11.11.09

Trivialidade Genial

23:05:34, Categorias: Blogosfera, Links, Livros, Leitura  

Não terei a menor pretensão de separar o artista de sua obra: Fal Azevedo é a autora e a história. Nesse caso, a história se chama “Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite”. Fal é o tipo de pessoa que sofre, conta o que sofre, mas sem querer, nos conforta no seu sofrimento. Não me entenda mal, não é o pensamento “antes ela do que eu” o que nos deixa confortados. É que ao expressar suas dores (ou as dores de sua protagonista) ela o faz de uma forma esperançosa. Mais uma vez é bom esclarecer: Fal não é uma caricatura do pensamento positivo, tampouco escreve auto-ajuda.

Em “Minúsculos Assassinatos” ela apenas narra a trajetória de uma mulher que perdeu muitas coisas ao longo da vida, mas mesmo assim continuou. Não como se fosse fácil. Não cheia de entusiasmo e negação inconsciente das tragédias da existência. Apenas continuou. Um dia após o outro, após o outro, após o outro. “Só hoje vou viver sem surtar”, parafraseando o mantra dos Alcoólatras Anônimos. Um dia uma decisão, outro dia mudar para a praia, alugar uma casa, trabalhar um tanto, conversar muito com os amigos por e-mails, trocar receitas... E como tantos de nós, refugiar-se em uma cozinha aconchegante, preparando comidinhas e comendo, como quem dá e recebe carinho.

E no meio de toda essa rotina trivial estão as memórias dessa mulher (A personagem? A Fal?) cheia de perdas e recomeços.

“Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite” chegou até mim num período difícil, em que eu estava onde não queria estar, percebendo o que eu não queria perceber e envolta em dilemas que na época pareciam insolúveis. Então ali, nos copos de leite, nas receitinhas, na cozinha e nos e-mails do alter-ego de Fal eu mergulhei. Lendo para fugir, me encantei.

Antes de comprar o livro eu já sabia que Fal Azevedo era blogueira. Fiquei sabendo de sua existência na entrevista que ela concedeu ao Amálgama. Visitei o blog, dei umas passeadas pelos posts, mas sem me ater a nada. Só que depois de ler o livro não resisti ao ímpeto de parabenizá-la e tentar um contato mais próximo. E que surpresa boa constatar o quanto ela é acessível, doce e como valoriza cada leitor e agradece cada elogio com alegria e humildade.

Fal é um sorriso em forma de pessoa. Um sorriso como aqueles do tipo sincero que descrevi aqui. E o seu “Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite” é uma obra confessional que recomendo a todos que tem a tal da alma poética e também àqueles que precisam se lembrar que sem ternura e um pouquinho de auto-indulgência a vida não tem graça nenhuma.

PS-A imagem com os gatinhos e o livro é de LadyBugBrasil.

Permalink 492 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (7)

30.04.09

Hábitos de Leitura

00:18:46, Categorias: Livros, Leitura, Memes  

Hábitos de Leitura

Leonardo Pastor, do Vísceras Literárias, publicou seus "hábitos de leitor" já há algum tempo. Fiquei de publicar os meus, mas fui deixando pra depois, já que não tenho muitas regras definidas com relação aos meus momentos de leitura. Mas como meus últimos posts no Amálgama foram sobre literatura: uma resenha sobre o livro Os 10 pecados de Paulo Coelho e a entrevista com Luiz Biajoni, autor de Sexo Anal e Buceta, resolvi falar de livros e leitura por aqui também.

Vamos aos hábitos:

*Sempre escrevo meu nome e a data em que comecei a leitura na primeira página do livro.
*Não gosto de emprestar meus livros. Até empresto para algumas pessoas, mas não é algo que me dê muito prazer.
*Eu sublinho os trechos de que mais gosto. Com caneta ou com lápis, tanto faz. Não me importo de rabiscar meus livros. Claro que nada que impossibilite uma leitura posterior.
*Às vezes faço pequenas observações nos cantos das páginas.
*Não gosto de ler com barulho ou música. Perco a concentração.
*O livro tem que me prender muito para que eu consiga lê-lo em um lugar público, cheio de gente ao meu redor.
*Acho que todos os livros deveriam ter orelhas. Uso a da capa até a primeira metade do livro e a da contra-capa da metade pro final. Conheço gente que não usa as orelhas para não estragá-las. Acho isso muito excêntrico.
*A não ser que ele seja absurdamente grosso, eu o dobro para ler.
*Quando não gosto mesmo de um livro eu paro de ler. Mas sempre fica uma pontinha de culpa.
*Leio mais de um ao mesmo tempo.
*Eu visualizo as cenas descritas enquanto leio, mas não com muita riqueza de detalhes. Meus cenários são bem pobres. Se eu tentar elaborar demais não dá certo.

É isso! Não vou passar o meme pra ninguém, mas quem publicar seus hábitos de leitura também, me avise que posto o link aqui.

Outros leitores, outros hábitos:

Victor Almeida, do Vivendo pela Graça

Daniel Grubba, do Soli Deo Gloria

Ricardo, do Aventuras de Chicuta e Rebelo

Ah! Recebi um selo da Rachel Bacha, do blog Vivir para Contarla. Obrigada querida! No blog ela fala sobre vários assuntos, mas o mais recorrente é sua vida de concurseira. Quem está nessa função de prestar concursos públicos, estudar o dia todo, viajar para fazer provas, vai se identificar bastante.

Permalink 431 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (16)

31.01.09

Dá um nojinho... Mas é bom!

15:07:49, Categorias: Livros, Sexo, Leitura  

Depois desse e desse post provavelmente minha mãe não lê mais meu blog com medo do que possa encontrar. Então, vou dizer: adorei Sexo Anal!

Pensei em vários twitts enquanto estava lendo Sexo Anal – Uma novela Marrom, de Luiz Biajoni:
• Estou adorando Sexo Anal.
• Não consigo largar Sexo Anal.
• Sexo Anal é viciante.

Claro que todos eles seriam acompanhados do link que leva ao livro. Mesmo assim não tive coragem de postá-los. Mas seria um pecado deixar de falar de um livro tão divertido e envolvente por pudores de menina de família referentes à simples palavras. Tudo bem que as palavras sexo e anal não são palavras tão simples assim, que possam ser ditas impunemente em qualquer hora e lugar. Estando juntas então: sacrilégio!

E é assim que o romance escrito por Biajoni se desenvolve: lançando palavras que não se lêem em qualquer publicação e descrevendo atos e situações que poucos se atreveriam a descrever. Situações pouco descritas, mas não de todo incomuns a qualquer mortal.

Por isso, que o romance se torna cativante: é tão “sujo”, mas tão “gente como a gente” nos sentimentos, dúvidas e idiossincrasias dos personagens! O que não é nada lugar-comum é a trama criada pelo autor. Há suspense, violência, traições, paixão e escatologia. A parte da escatologia não me atrai nem um pouco. É desconfortável ler sobre a prisão de ventre alheia. Mas é um tema que não se encontra ali gratuitamente. Faz parte da história. Poderia ser suprimido, claro. O livro ficaria mais confortável de ser lido. Mas a literatura (assim como outras coisas na vida) pode ser prazerosa sem ser confortável. Afinal, um dos fatores que faz de Sexo Anal um livro difícil de largar é a mistura de trama policial com situações extremamente prosaicas da rotina de qualquer um. É um livro bom, pequeno (de bolso mesmo), com uma narrativa ágil e uma história que desperta curiosidade. Daqueles livros que fazem você se envolver com os personagens, a ponto de deixar saudades quando chega ao final. Poderia até ter uma seqüência.

(Ai, ai... Não consigo parar de pensar em coisas engraçadinhas, porém constrangedoras para minha imagem, enquanto escrevo esse texto... Tá bom, lá vai: Sexo Anal deixa um gostinho de quero mais!)

Permalink 403 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (17)

15.01.09

Desvirginando

15:47:26, Categorias: Blogosfera, Contos, Livros, Sexo, Leitura  

Saiu minha primeira resenha literária escrita para o Amálgama, onde até então eu escrevia apenas sobre cinema.
O Amálgama é um blog de cultura e atualidades produzido coletivamente por jornalistas, psicólogos, professores, escritores e amantes da cultura em geral.
E, coincidentemente, sendo minha primeira resenha literária, é logo sobre um livro de contos erótios chamado "A Virgem que não conhecia Picasso", de Rodrigo Rosp.

Passe no Amálgama, leia e sinta-se à vontade para comentar.

Permalink 80 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (5)

13.01.09

Nós somos os Big Brothers

19:56:06, Categorias: Livros, Televisão, Cultura Pop, Leitura  

De acordo com Alessandro Martins, do blog Livros e Afins, os participantes do Big Brother Brasil chamando uns aos outros de brothers e sisters estão fazendo um uso totalmente errado do termo, já que os verdadeiros Big Brothers somos nós, sentados no sofá assistindo ao programa. Ele está certíssimo.
O termo Big Brother foi “inventado” pelo escritor George Orwell, em sua obra 1984, para designar o governante de uma ditadura super linha-dura que instalava nas casas, ruas, ambientes de trabalho e lazer milhares de teletelas (uma espécie de TV e câmera simultaneamente). Dessa forma os habitantes deste país fictício, criado por Orwell, eram vigiados 24 horas por dia, sem descanso. Exatamente como acontece no programa que começa hoje.

Leia também: BBB e o ódio generalizado

Permalink 132 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (7)

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Quem?

Juliana Dacoregio
Jornalista, leitora voraz, escritora, cinéfila.
Observadora, vaidosa, passional, sensível.
Desertora da fé evangélica, mas cheia de fé em si mesma.
Lágrimas abundantes e gargalhadas sinceras.
Leal aos amigos e ligada à família.
Cheia de opiniões e de capacidade de analisá-las e transformá-las.
Hábitos simples e pensamentos complexos. Ou vice-versa.

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