
Um amigo se foi.
Não era íntimo, mas era íntimo dos íntimos.
Não era íntimo, mas já havíamos compartilhado das mesmas baladas, o que acaba criando aquela intimidade rápida e louca de pessoas que se unem em uma rodada de dança, música, bebidinhas e muito riso. Aquelas noites que geram piadas internas que duram o ano inteiro. Esteve aqui em casa.
E antes disso... Antes disso ele já era o menino da vídeo-locadora...
O menino da vídeo-locadora com um gosto cinematográfico bem diferente do meu. Eu nunca deixava ele me dar muitas indicações. Mas ele sempre queria dar suas dicas e falava muito, às vezes, contava mais dos filmes do que eu gostaria de saber antes de assisti-los. O menino da vídeo-locadora com cabelos cacheados. O único alto e magro da vídeo-locadora. O menino da vídeo-locadora que cursava psicologia.
Para mim ele era isso, mas era muito mais para muito mais gente. Ele era tanta coisa. E hoje todas essas coisas estão muito mais cheias de significados. Ele era tanta coisa. E se foi.
Daí olho ao meu redor, vejo os que estão por aqui e percebo que às vezes coisas tão pequenas me afastam deles. Vale a pena? Vale a pena a irritação, vale a pena o orgulho, vale a pena olhar para o que deixaram de fazer por mim? Vale a pena desconfiar e acreditar sempre que as pessoas tem as piores intenções possíveis? Não vale. Não vale, porque pessoas são falhas e diferentes. E esse "diferente" não quer dizer melhor ou pior, é apenas diferente. E da mesma forma que é diferente o jeito de comer, de falar, de andar, é diferente também o jeito de amar, de valorizar e de demonstrar. É diferente o que machuca e o que alegra. Mas a amizade está ali, talvez mais forte do que você imagine. E um amigo que se vai, coloca as pequenas coisas e as pequenas diferenças em seus devidos lugares. Lugares minúsculos, lugares de pequenas coisas, pequenos lugares que deveriam receber apenas um breve olhar míope de nossa parte.
Agora tenho um selinho, vocês viram? Quem quiser fazer uma propaganda pro Heresia Loira e ainda deixar o seu blog mais bonito com o selinho feito pelo De França, meu amigo de twitter, é só copiar o código em HTML e colar na barra lateral do seu blog.
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Usamos dezenas de objetos ao longo do dia e nem paramos para pensar como e onde eles são feitos, quem os fabrica, por que foram inventados. Você já parou para pensar que em algum lugar, neste exato instante, há alguém fabricando embalagens de shampoo, prendedores de roupa, cabides, pilhas, espirais para cadernos? (Sim, essas coisinhas não "se fazem" sozinhas. Existe até gente que é rica só por conta de fábricas de espirais para cadernos, veja só!) Objetos que nos são úteis, mas raramente olhamos para eles e pensamos que existe gente que ganha a vida produzindo aquele objeto, ou parte dele, e que há uma história por trás de todas essas coisas prosaicas que participam da nossa vida. Se raramente paramos para pensar nisso, tanto mais raro seria irmos à busca da história que um determinado objeto possa contar.
Somos desbravadores do dia-a-dia, e normalmente não gostamos de pessoas obcecadas por qualquer coisa, mas temos que agradecer aos milhares de cabeças-duras obcecados que tornaram nossa vida muito mais fácil hoje!
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Juliana Dacoregio