Categoria: Televisão

31.05.09

Nós podemos pensar por nós mesmos, Professor Tibúrcio!

17:28:39, Categorias: Blogosfera, Links, Televisão  

Marcelo Tas não confia no senso crítico do seu público? Primeiro ele faz aquela novela por causa do seu perfil fake no Twitter. (Para saber os detalhes, leia o post do Cardoso: Jesus não tem cabelo no país dos carecas.) Está tudo bem explicado lá e eu concordo com a opinião do Cardoso sobre o assunto.

Depois em um post sobre o Sarney estar tentando impedir o CQC de entrar no Senado, Tas responde desse jeito a um comentário confrontador de um fã:

Não me faz te pegar nojo, Tas!
Clique na figura para ler na íntegra o comentário e a resposta.

O fato do fã em questão ser meu marido só me faz poder dizer que ele realmente é advogado e só informou isso porque a página de comentários dos blogs do UOL tem um campo a ser preenchido com a profissão. Mas isso nem vem ao caso. O que se passa na cabeça de Marcelo Tas para colocar a profissão de uma pessoa que comenta no blog dele entre aspas? Ele acha que o camarada vai lá comentar e se diz "advogado" só para dar mais respaldo ao fato de estar questionando a postura de Marcelo Tas perante seu fake? Não vi Marcelo Tas respondendo a nenhum outro comentário colocando o trabalho do comentarista entre aspas. Com esse gesto, ele só pode estar dizendo duas coisas: "não acredito que você é um advogado mesmo" ou "você está me contradizendo, então, com certeza, não é um bom advogado"!

E o "ser fã não o redime"? Quem critica Marcelo Tas precisa ser redimido? Marcelo Tas, você acha que a prova de que alguém admira o seu trabalho é ela ficar calada quando discorda de você? Ou a página de comentários do seu blog é só para fãs babões?

Mas o pior é ele afirmar que Alex, com seu comentário, está confundindo quem passa pelo blog. O público dele não pode ler várias opinões e julgar por si mesmo? Não somos mais crianças, Marcelo Tas, e você não é mais o Professor Tibúrcio! Ninguém vai confundir a "cabecinha" de seus leitores, e mesmo que assim seja, você está impedindo que isso aconteça com esclarecimentos pertinentes ou com "bronquinhas" e palavras de ordem do tipo "bloqueiem já o meu fake"?

Pessoas famosas sempre serão alvo de críticas e discordâncias. Deve ser difícil (e chato) administrar isso, mas eu acreditava que uma pessoa famosa E inteligente como Tas, seria mais ponderada e despretensiosa na hora de lidar com críticas. Mas os casos @diogomainardi X @marcelotas, fake do Tas e agora essa resposta do próprio mostraram que, ao menos ultimamente, na hora de responder às críticas e discordâncias, Marcelo Tas está mais para miguxo de fotolog do que "grande comunicador".

Permalink 486 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (13)

18.04.09

Quem acredita em Sônia Hernandez?

13:47:50, Categorias: Comportamento, Televisão, Losing my Religion  

Costumo acordar cedo aos sábados. Além de respirar o ar fresco da manhã e ver a cidade ainda vazia, esse hábito me proporciona a deliciosa oportunidade de tomar café da manhã assistindo aos ícones do mundo gospel brasileiro e catarinense. Um pouquinho de Silas Malafaia, o fodão da Assembléia de Deus; uma pitada do pastor engomadinho Michael Aboud, líder da Embaixada do Reino de Deus (quem diria que um treco tão importante, uma embaixada do reino do Todo-Poderoso fica logo em Balneário Camboriú?! Se EU fosse Deus escolheria, no mínimo, tipo Paris pra instalar minha embaixada!); um tantinho de Gideões aqui; RR Soares ali e pronto: minha manhã trash está completa e qualquer possível desejo de me reconverter já foi por água abaixo.

Assisto mesmo. Assisto e gosto, do mesmo jeito que você assiste Zorra Total, sabe que é uma merda, mas não consegue mudar de canal. Aliás, programas tele-evangelísticos são muito parecidos com esses programas humorísticos popularescos: bordões repetidos à exaustão, reciclagem de velhas fórmulas e estórias bem mastigadinhas pra qualquer um entender.

Pois bem, num desses sábados me surpreendi ao ver que Bispa Sônia Hernandez continua botando aquela carinha de psicopata e aquela voz de "meu nome é Legião, pois somos muitos" na TV para apresentar seu programete "De Bem Com a Vida"! Fiquei surpresa e tal, mas tudo bem. Se o Belo pode continuar fazendo shows, por que nossa amiguinha Sônia não pode continuar brincando de Garota Multi-mídia? Os criminosos também têm o direito de expressar seus dotes (?) artísticos!

Mas, hoje minha surpresa foi ainda maior quando percebi que ela estava fazendo uma super homenagem ao maridão, "Apóstolo" Estevam Hernandez, contando que na prisão ele conheceu o marginal que era o terceiro mais procurado pelo FBI e através das pregações do Apóstolo o cara se converteu! Tipo assim, eles querem mesmo convencer o povo de que a prisão deles foi uma obra arquitetada por Deus para que eles pudessem pregar a Palavra aos presidiários de Miami?! Eu mesma pergunto e eu mesma respondo: sim, eles querem! Querem e convencem. Ao menos os fiéis da Renascer eles convencem, pois suas filiais continuam funcionando de vento em popa.

Mas, isso me fez ter vontade de perguntar a outros evangélicos, de outras denominações, se eles também acreditam que a prisão de Sônia e Estevam foi mesmo um plano de Deus para converter pessoas na cadeia, ou uma armação do Coisa Ruim para difamar o nome deles. Então, queridos cristãos, leitores do Heresia, quero saber a opinião de vocês...

Permalink 463 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (111)

13.01.09

Nós somos os Big Brothers

19:56:06, Categorias: Livros, Televisão, Cultura Pop, Leitura  

De acordo com Alessandro Martins, do blog Livros e Afins, os participantes do Big Brother Brasil chamando uns aos outros de brothers e sisters estão fazendo um uso totalmente errado do termo, já que os verdadeiros Big Brothers somos nós, sentados no sofá assistindo ao programa. Ele está certíssimo.
O termo Big Brother foi “inventado” pelo escritor George Orwell, em sua obra 1984, para designar o governante de uma ditadura super linha-dura que instalava nas casas, ruas, ambientes de trabalho e lazer milhares de teletelas (uma espécie de TV e câmera simultaneamente). Dessa forma os habitantes deste país fictício, criado por Orwell, eram vigiados 24 horas por dia, sem descanso. Exatamente como acontece no programa que começa hoje.

Leia também: BBB e o ódio generalizado

Permalink 132 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (7)

10.12.08

Capitu in the sky with diamonds

21:38:30, Categorias: Artes, Livros, Televisão, Cultura Pop, Leitura  

Uma viagem de ácido sobre Dom Casmurro. É a definição que melhor resume minha opinião sobre a microssérie Capitu, inspirada em Dom Casmurro, de Machado de Assis. Reli o livro no início do ano e só pude ter ainda mais certeza que adoro a história e que acho o máximo a sutileza e ironia do autor.

Fiquei sabendo da microssérie através de uma twittada do Inagaki, que me levou à leitura coletiva. Claro que a partir daí esperei ansiosamente a noite de ontem e até desmarquei um compromisso por causa disso. Não vou dizer que me arrependi de ter cancelado meu compromisso para ver a estréia de Capitu. Não posso dizer isso. Mas também não posso dizer que foi uma experiência tão envolvente quanto a leitura do livro.

É uma alucinação guiada por Bentinho. É fiel ao livro, sim. Mas tudo é rápido demais (em cinco capítulos teria mesmo que ser rápido). São pinceladas de Dom Casmurro. Pinceladas suficientes para fazer com que a narrativa seja compreendida, mas não o suficiente para ser fisgado pelas tramas de Machado de Assis.

Tudo se passa de uma forma teatral, não há cenários (não cenários “normais”), é uma espécie de Dogville Machadiano, numa estética de videoclipe. Tudo é lindo e enche os olhos: cores, formas, figurinos, maquiagem, fotografia. Antigo e contemporâneo se mesclam (a cena inicial se passa no metrô, a tatuagem da atriz que interpreta a Capitu jovem não foi escondida, Beirut faz parte da trilha sonora e talvez outros elementos que me tenham passados despercebidos). A mistura é interessante e não chega a chocar, mas não é o que há de mais brilhante. Brilhante mesmo é a atuação de Michel Melamed que faz o Bentinho já na idade adulta, o Bento Santiago, narrador da história. Uma composição perfeita de um personagem atormentado pelas dúvidas do passado, mergulhado em reminiscências e tédio, nostalgia e resignação. Ele expressa muito bem tanto o êxtase de quem relembra lindas cenas da juventude, quanto a amargura de quem acredita ter sido vítima e algoz de sua amada. Tudo sempre de uma forma lisérgica, lúdica e dramática.

Letícia Persiles é a Capitolina de 14 anos. Uma Capitu linda e que se encaixa direitinho nas descrições de José Dias que dizia que a menina possuía “olhos de cigana oblíqua e dissimulada” e de Bentinho que descrevia os mesmos olhos como “fixos... sombrios... olhos de ressaca”.

Desconfio que quem apenas assistir à microssérie, sem ter lido o livro, vai acreditar nas desconfianças (infundadas ou não) de Bentinho. Se bem que também me pergunto se alguém que nunca leu o livro terá interesse em acompanhar os cinco capítulos da microssérie. Pois é uma produção para inciados. A história pode até vir mastigadinha, mas é muito pouca para fazer com que alguém se apaixone e deseje acompanhá-la. É preciso já ter percorrido página por página do romance de Machado de Assis.

Duas coisas: tive vontade de ver tudo aquilo, exatamente daquele jeito, encenado numa peça, no teatro. Outra: percebi mais uma vez o quanto Machado de Assis é genial.

Leia aqui uma ótima opinião sobre Capitu.

A Raquel Bacha, em seu blog, fez uma observação interessante: que achou a Capitu e o Bentinho adolescentes muito exagerados. Capitu adulta demais e Bentinho bobinho demais. Concordo.

Blog da produção de Capitu

Permalink 594 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (22)





Quem?

Juliana Dacoregio
Jornalista, leitora voraz, escritora, cinéfila.
Observadora, vaidosa, passional, sensível.
Desertora da fé evangélica, mas cheia de fé em si mesma.
Lágrimas abundantes e gargalhadas sinceras.
Leal aos amigos e ligada à família.
Cheia de opiniões e de capacidade de analisá-las e transformá-las.
Hábitos simples e pensamentos complexos. Ou vice-versa.

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