Categoria: Cotidiano

01.11.09

Livre Interpretação - Synecdoche New York

12:18:39, Categorias: Cinema, Comportamento, Cotidiano, Egotrip, Non sense  

"Tudo é uma questão de interpretação. Não existe jeito certo ou errado. Faça como você entendeu."

Ouvi essa frase em uma aula de dança moderna que fui assistir já faz mais de ano, lá em Floripa. E não serve mais ou menos pra tudo na vida?

Tudo é uma questão de interpretação. Interpretação tanto no sentido de entender quanto de atuar. Você está num palco e o diretor está aí dentro, na sua mente. Às vezes está lá fora, nas circunstâncias. Uma direção conjunta, quem sabe? Mas é você quem vai decidir quem é o diretor mais fodão, aquele a quem você mais vai obedecer.

Tudo é uma questão de interpretação. Não existe jeito certo ou errado. Tá bom, às vezes existe, mas não tão exageradamente como você faz parecer quando engessa sua mente, suas iniciativas, suas atitudes.

Tudo é uma questão de interpretação. Faça do jeito que você entendeu. E do jeito que for preciso, quando assim for necessário.
Por que o que é a vida pra gente ter medo dela?
Um cenário, um roteiro, personagens, scripts.
E um dia o diretor vai dizer CORTA!
Mas enquanto isso...

Ainda há muitas falas a serem ditas.
Muitas improvisações a serem feitas.
Muitos roteiros a serem discutidos e transformados.
Enquanto isso é só ACTION!
E "vambora", que há muitas cenas a serem rodadas.

Assita: Synecdoche Nova York

E para provar minha própria teoria, talvez você considere esse filme extremamente pessimista. Mas eu só reforcei a idéia de que é preciso "ir e viver". Não num sentido super otimista, ao estilo dos leitores do O Segredo. "Ir e viver" seja o que for. Viver a tristeza, o luto, a alegria, o desafio, o descanso, a preguiça, o medo, o amor, a frieza, a emoção, o sonho, o desejo, a realidade, o pé no chão... Há tempo para todas as coisas, não? Às vezes não é o tempo que a gente quer, mas há tempo.
Talvez ser lembrado de que "na maior parte do tempo estamos mortos ou ainda nem nascemos" seja muito deprimente para você. E é. Mas da mais fatalista das constatações podem sair as mais libertadoras e felizes certezas.

Permalink 380 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (4)

16.09.09

As pequenas coisas em seus pequenos lugares

23:34:39, Categorias: Comportamento, Cotidiano, Crônicas  

Um amigo se foi.
Não era íntimo, mas era íntimo dos íntimos.
Não era íntimo, mas já havíamos compartilhado das mesmas baladas, o que acaba criando aquela intimidade rápida e louca de pessoas que se unem em uma rodada de dança, música, bebidinhas e muito riso. Aquelas noites que geram piadas internas que duram o ano inteiro. Esteve aqui em casa.

E antes disso... Antes disso ele já era o menino da vídeo-locadora...
O menino da vídeo-locadora com um gosto cinematográfico bem diferente do meu. Eu nunca deixava ele me dar muitas indicações. Mas ele sempre queria dar suas dicas e falava muito, às vezes, contava mais dos filmes do que eu gostaria de saber antes de assisti-los. O menino da vídeo-locadora com cabelos cacheados. O único alto e magro da vídeo-locadora. O menino da vídeo-locadora que cursava psicologia.

Para mim ele era isso, mas era muito mais para muito mais gente. Ele era tanta coisa. E hoje todas essas coisas estão muito mais cheias de significados. Ele era tanta coisa. E se foi.

Daí olho ao meu redor, vejo os que estão por aqui e percebo que às vezes coisas tão pequenas me afastam deles. Vale a pena? Vale a pena a irritação, vale a pena o orgulho, vale a pena olhar para o que deixaram de fazer por mim? Vale a pena desconfiar e acreditar sempre que as pessoas tem as piores intenções possíveis? Não vale. Não vale, porque pessoas são falhas e diferentes. E esse "diferente" não quer dizer melhor ou pior, é apenas diferente. E da mesma forma que é diferente o jeito de comer, de falar, de andar, é diferente também o jeito de amar, de valorizar e de demonstrar. É diferente o que machuca e o que alegra. Mas a amizade está ali, talvez mais forte do que você imagine. E um amigo que se vai, coloca as pequenas coisas e as pequenas diferenças em seus devidos lugares. Lugares minúsculos, lugares de pequenas coisas, pequenos lugares que deveriam receber apenas um breve olhar míope de nossa parte.

Permalink 366 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (14)

08.03.09

Com habilidade pra dizer mais SIM do que NÃO

00:46:42, Categorias: Cinema, Comportamento, Cotidiano, Egotrip  

Eu estava gripada... Tossindo, espirrando e cansada. Mas fui. Fui pra São Paulo. Pra quê? Pra passear com a Ana, pro Twitter-lunch, pra conhecer algumas pessoas que só conhecia virtualmente, pra estar só e conhecer mais essa pessoa que me acompanha há 28 anos, mas que ainda me é tão misteriosa às vezes.

E lá estava ela chorando durante a decolagem, de pura ansiedade e nervosismo, talvez até de cansaço e calor. Sabe, bebês choram quando estão cansados... e ela não é muito diferente. Lá estava ela no hotel, sozinha. Pela primeira vez num hotel sozinha. Só se deu conta disso na última hora. Já tinha voado sozinha inúmeras vezes. Mas sempre pra encontrar alguém muito familiar ou pra voltar pra casa. Nunca pra se lançar em uma cidade desconhecida, disposta a conhecer pessoas que nunca tinha visto antes, munida apenas de seus números de telefones. Não que não conhecesse São Paulo. Já tinha estado lá, mas apenas muito bem acompanhada e protegida, para passeios culturais e compras na "25 de março".

E de repente lá estava ela, andando até se cansar, negociando valores com taxistas, emendando um programa no outro, sem ir para o hotel tomar banho e trocar de roupa. (É por isso que as revistas femininas sempre trazem aquelas matérias de moda que ensinam a ir direto do escritório para a happy hour, com a mesma roupa, trocando apenas um acessório.)

E lá estava ela: pegando metrô sozinha, de olhos arregalados, tentando (e provavelmente não conseguindo) não parecer uma turista; andando pela cidade grande, atravessando avenidas movimentadas, derretendo de calor, se guiando por torres e instinto, segurando a bolsa com força, mas com ainda mais força segurando a alma, orgulhosa de si mesma.

Sempre tão cheia de controle: não sai de casa sem saber aonde vai, não fala com quem não conhece, dirige o próprio carro e sempre manda em seu próprio horário. Lá estava ela: saindo sem saber exatamente aonde ia chegar, ligando sem conhecer a voz que iria atender, comendo em lugares que nunca imaginaria comer, cantando num karaokê!

No filme Sim, Senhor, Jim Carrey faz o papel de um cara que se propõe a dizer mais SIM em sua vida. Um cara que nunca aceita nada que possa fugir ao seu controle, mas que começa a dizer sim pra qualquer oportunidade e pedido que se apresente diante dele. Claro que há limites pra tudo. Mas ao dizer sim, sem saber o que vai acontecer, pode-se descobrir situações e lugares maravilhosos, pode-se conhecer pessoas inesquecíveis. É o que acontece a Jim Carrey no filme. Ele começa a dizer SIM a todos os seus antigos desejos: aprender uma nova língua, tocar um instrumento... E tudo que ele aprende de novo, em um momento ou outro, acaba sendo útil. Claro, sempre é! Ele também diz SIM a pedidos inusitados, que acabam levando-o a encontrar a mulher por quem ele se apaixona. Algo parecido, certamente, já aconteceu comigo e com você. Por exemplo: o homem que está ao meu lado há mais de dois anos, o responsável direto por eu ter começado um blog, o cara por quem sou apaixonada... encontrei em uma viagem que decidi fazer sem nem ter muito porquê. Apenas um convite, que eu já havia recebido tantas vezes e tantas vezes dito não. Mas um belo dia eu disse SIM. E lá estava meu destino, minha surpresa, meu amor. Da mesma forma, disse SIM para essa viagem agora e me surpreendi com tudo que vi, ouvi, vivi. Surpreendi-me, principalmente, com o tanto que, olhando para fora, descobri dentro de mim. Tudo por causa de um SIM.

Fotos da viagem

Permalink 636 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (8)

24.12.08

É consumismo, é obrigação, é capitalismo, mas é ótimo.

05:24:05, Categorias: Comportamento, Cotidiano  

A visão das pessoas andando pelo centro da cidade, à noite, com chuva de verão despencando, me fez lembrar o que eu já sabia: o Natal é uma época linda e necessária, sim. Claro, eu também quase derreti ontem à tarde. Também só desejei chegar em casa e não ver mais ninguém carregando sacola, não ver mais vitrine, não ser obrigada a esbarrar nas pessoas no supermercado. Eu também praguejei contra o consumismo, a ilusão do Natal, o “capitalismo selvagem” que nos dá hora e data certa para presentearmos aqueles que amamos (e que não amamos tanto assim).

Mas e daí? Vivemos mergulhados nesse “sistema”, o consumismo rege a vida de todo cidadão comum e programamos nossas vidas de acordo com datas comemorativas, celebrações e rituais de passagem. Querem que compremos desvairadamente, nos dão a "oportunidade" de nos endividarmos, mas no fim das contas, paira uma mensagem de amor e esperança no ar. Cafona, mas real. Contraditório, mas verdadeiro. A maioria das pessoas desperta um lado esquecido no Natal, um desejo de viver em paz, de estar perto de quem se ama, de tentar esquecer as rusgas do presente e do passado. Todo mundo se sente na obrigação de dar presente, mas também de olhar para o que há de melhor no outro.

Para muitas pessoas é a única oportunidade de estar com a família, de preparar uma comida gostosa, de estar bonito para os outros e dizer “eu te amo” sem parecer piegas. É uma trégua nas desavenças familiares e entre amigos, é a desculpa perfeita para passar algumas horas juntos.

Acaba sendo uma obrigação, sim, mas dentre tantas obrigações que a vida nos impõe, essa não é das mais doces? É uma imposição do comércio, da igreja e da vida em sociedade nos reunirmos no Natal, mas às vezes precisamos de uma convenção e de uma obrigação para fazermos exatamente aquilo que gostaríamos de fazer.

Permalink 340 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (12)

23.12.08

Prefiro a Voz do Brasil.

06:11:28, Categorias: Cotidiano, Música  

Quem disse que os ouvintes de FM querem escutar os radialistas e locutores falando um carrilhão de bobagens ao meio-dia e às 6 da tarde? Logo nos momentos mais estressantes do dia, em que se está correndo pra chegar em casa, pra almoçar, pra descansar, eles nos obrigam a ouvir piadinhas sem graça e aquelas conversas infantilizadas e afetadas. Se não tenho um CD disponível desligo o rádio na hora. Prefiro Calypso, Latino, qualquer coisa. Qualquer estação, qualquer música, qualquer noticiário é melhor do que aquela falaçada sem sentido, burra e de mal gosto. Deixem uma seleção rodando e vão bater papo no bar!

Permalink 114 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (5)

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Quem?

Juliana Dacoregio
Jornalista, leitora voraz, escritora, cinéfila.
Observadora, vaidosa, passional, sensível.
Desertora da fé evangélica, mas cheia de fé em si mesma.
Lágrimas abundantes e gargalhadas sinceras.
Leal aos amigos e ligada à família.
Cheia de opiniões e de capacidade de analisá-las e transformá-las.
Hábitos simples e pensamentos complexos. Ou vice-versa.

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