
"Tudo é uma questão de interpretação. Não existe jeito certo ou errado. Faça como você entendeu."
Ouvi essa frase em uma aula de dança moderna que fui assistir já faz mais de ano, lá em Floripa. E não serve mais ou menos pra tudo na vida?
Tudo é uma questão de interpretação. Interpretação tanto no sentido de entender quanto de atuar. Você está num palco e o diretor está aí dentro, na sua mente. Às vezes está lá fora, nas circunstâncias. Uma direção conjunta, quem sabe? Mas é você quem vai decidir quem é o diretor mais fodão, aquele a quem você mais vai obedecer.
Tudo é uma questão de interpretação. Não existe jeito certo ou errado. Tá bom, às vezes existe, mas não tão exageradamente como você faz parecer quando engessa sua mente, suas iniciativas, suas atitudes.
Tudo é uma questão de interpretação. Faça do jeito que você entendeu. E do jeito que for preciso, quando assim for necessário.
Por que o que é a vida pra gente ter medo dela?
Um cenário, um roteiro, personagens, scripts.
E um dia o diretor vai dizer CORTA!
Mas enquanto isso...
Ainda há muitas falas a serem ditas.
Muitas improvisações a serem feitas.
Muitos roteiros a serem discutidos e transformados.
Enquanto isso é só ACTION!
E "vambora", que há muitas cenas a serem rodadas.
Assita: Synecdoche Nova York
E para provar minha própria teoria, talvez você considere esse filme extremamente pessimista. Mas eu só reforcei a idéia de que é preciso "ir e viver". Não num sentido super otimista, ao estilo dos leitores do O Segredo. "Ir e viver" seja o que for. Viver a tristeza, o luto, a alegria, o desafio, o descanso, a preguiça, o medo, o amor, a frieza, a emoção, o sonho, o desejo, a realidade, o pé no chão... Há tempo para todas as coisas, não? Às vezes não é o tempo que a gente quer, mas há tempo.
Talvez ser lembrado de que "na maior parte do tempo estamos mortos ou ainda nem nascemos" seja muito deprimente para você. E é. Mas da mais fatalista das constatações podem sair as mais libertadoras e felizes certezas.

Ontem assisti O Menino do Pijama Listrado. Imaginei que fosse um filme mais ingênuo, meio água-com-açúcar, mas não é. Só que este post não é sobre O Menino do Pijama Listrado... Isso é só uma introdução para dizer que quase sempre após assistir um filme, dou uma olhada no Cinema em Cena porque gosto muito das críticas de lá e aprendo bastante sobre cinema com elas. Então, fui ler a opinião de Pablo Villaça sobre o filme e descobri que ele tem um blog e postou um texto sobre o discurso de um pastor da Igreja Batista que o deixou horrorizado. Quando vejo pessoas indignadas com pregações evangélicas como essa relatada por Pablo, eu me lembro o porquê a igreja me marcou tão negativamente! Porque discuros como esses são absolutamente comuns e recorrentes. E lá dentro todos engolem esse tipo de preconceito e raciocínio torto. Aqueles que não concordam, mas não querem perder a estabilidade de fazer parte de um grupo, calam-se. Mas eu não preciso me calar mais.
Quando me dizem que não tenho direito de falar sobre os "ungidos de deus" ou que só falo sobre essas coisas porque sou amargurada, minha única resposta é: VOU CONTINUAR ESCREVENDO E FALANDO SOBRE OS ABSURDOS DA LÓGICA EVANGÉLICA e não faz a menor diferença você me dizer que não tenho esse direito. Se eu conseguir abrir uma cabeça sequer para o fato de que embaixo do discurso amoroso dos evangélicos há um poço de preconceitos e ódio, já me dou por satisfeita.
Porque não importa o quanto de "Jesus te ama" eles recitem. Por baixo desse "amor" há pensamentos assim:
"Muitos defendem o casamento entre homossexuais. Eles não têm que se casar de forma alguma, não podem. Isso é preconceito? É preconceito, sim, mas que temos que ter mesmo! Esse tipo de casamento vai destruir a instituição do matrimônio. E outra coisa: alguns defendem que casais homossexuais possam adotar crianças órfãs. Não podem, não. É preferível que as crianças cresçam no orfanato do que criadas por um casal de homossexuais". (Pastor Jorge Linhares)
No post de Pablo ele fala também sobre a idéia do pastor de que as enchentes em Santa Catarina no ano passado foram um castigo divino. Ouvir esse tipo de coisa é muito comum em qualquer igreja evangélica, não importa o quão moderna ou acolhedora ela pareça. Os pastores mais inteligentes não falariam isso em cultos normais, abertos ao público, mas em reuniões de lideranças todo tipo de absurdos como esses são debatidos pelos pseudos-especialistas em designios de deus.
Então, aos preocupados com o que pode me acontecer por "tocar nos ungidos do Senhor", fica a dica: eu não tenho medo de fantasmas, só tenho medo da ignorância!
"Belo texto", "seu texto está tão lindo quanto o filme", "só de ler o que você escreveu já me deliciei", "impossível ler e não sentir vontade de ir correndo assistir o filme" e mais alguns adjetivos como maravilhoso, pungente, tocante foram os comentários a respeito da minha crítica sobre O Fabuloso Destino de Amélie Poulain.
É gostoso ler palavras assim dirigidas a algo que escrevi com carinho, pois é um filme que me deixou mesmo encantada. O prazer maior não está no elogio em si, mas sim em ver alguém dizer que algo que escrevi lhe fez bem, que foi agradável de ler. É bom demais saber que um texto que nos emocionou na hora de escrever, emocionou outras pessoas na hora de lerem.
Então aí está um trechinho do texto...
Relutei em terminar de assistir a O fabuloso destino de Amélie Poulain (França, 2001, dir. Jean-Pierre Jeunet). Estava no rol dos filmes que iniciei e parei antes da metade. Era um daqueles dias em que não se quer pensar; dia impaciente, insensível. Não era dia de Amélie Poulain. O dia de Amélie chegou num amanhecer de angústia. Desconforto e um choro engasgado que não saía e nem sabia por que estava ali. A cama parecia de pedra. Só me restou levantar e fazer um chá, como uma tentativa de apaziguar meus humores. “Preciso de um filme que jogue esse choro pra fora”, pensei. (...)
Quer ler todo o texto? Vai no Amálgama.
E, novidades:
Pra quem gosta de escrever, tem isso como paixão, hobby, profissão, estilo de vida, obsessão: criei um blog para postar apenas o que eu leio sobre a arte de escrever, hábitos de escritores e coisas desse tipo.
Acessa lá:
Anseio Criativo - escritores filosofando sobre sua arte
Eu estava gripada... Tossindo, espirrando e cansada. Mas fui. Fui pra São Paulo. Pra quê? Pra passear com a Ana, pro Twitter-lunch, pra conhecer algumas pessoas que só conhecia virtualmente, pra estar só e conhecer mais essa pessoa que me acompanha há 28 anos, mas que ainda me é tão misteriosa às vezes.
E lá estava ela chorando durante a decolagem, de pura ansiedade e nervosismo, talvez até de cansaço e calor. Sabe, bebês choram quando estão cansados... e ela não é muito diferente. Lá estava ela no hotel, sozinha. Pela primeira vez num hotel sozinha. Só se deu conta disso na última hora. Já tinha voado sozinha inúmeras vezes. Mas sempre pra encontrar alguém muito familiar ou pra voltar pra casa. Nunca pra se lançar em uma cidade desconhecida, disposta a conhecer pessoas que nunca tinha visto antes, munida apenas de seus números de telefones. Não que não conhecesse São Paulo. Já tinha estado lá, mas apenas muito bem acompanhada e protegida, para passeios culturais e compras na "25 de março".
E de repente lá estava ela, andando até se cansar, negociando valores com taxistas, emendando um programa no outro, sem ir para o hotel tomar banho e trocar de roupa. (É por isso que as revistas femininas sempre trazem aquelas matérias de moda que ensinam a ir direto do escritório para a happy hour, com a mesma roupa, trocando apenas um acessório.)
E lá estava ela: pegando metrô sozinha, de olhos arregalados, tentando (e provavelmente não conseguindo) não parecer uma turista; andando pela cidade grande, atravessando avenidas movimentadas, derretendo de calor, se guiando por torres e instinto, segurando a bolsa com força, mas com ainda mais força segurando a alma, orgulhosa de si mesma.
Sempre tão cheia de controle: não sai de casa sem saber aonde vai, não fala com quem não conhece, dirige o próprio carro e sempre manda em seu próprio horário. Lá estava ela: saindo sem saber exatamente aonde ia chegar, ligando sem conhecer a voz que iria atender, comendo em lugares que nunca imaginaria comer, cantando num karaokê!
No filme Sim, Senhor, Jim Carrey faz o papel de um cara que se propõe a dizer mais SIM em sua vida. Um cara que nunca aceita nada que possa fugir ao seu controle, mas que começa a dizer sim pra qualquer oportunidade e pedido que se apresente diante dele. Claro que há limites pra tudo. Mas ao dizer sim, sem saber o que vai acontecer, pode-se descobrir situações e lugares maravilhosos, pode-se conhecer pessoas inesquecíveis. É o que acontece a Jim Carrey no filme. Ele começa a dizer SIM a todos os seus antigos desejos: aprender uma nova língua, tocar um instrumento... E tudo que ele aprende de novo, em um momento ou outro, acaba sendo útil. Claro, sempre é! Ele também diz SIM a pedidos inusitados, que acabam levando-o a encontrar a mulher por quem ele se apaixona. Algo parecido, certamente, já aconteceu comigo e com você. Por exemplo: o homem que está ao meu lado há mais de dois anos, o responsável direto por eu ter começado um blog, o cara por quem sou apaixonada... encontrei em uma viagem que decidi fazer sem nem ter muito porquê. Apenas um convite, que eu já havia recebido tantas vezes e tantas vezes dito não. Mas um belo dia eu disse SIM. E lá estava meu destino, minha surpresa, meu amor. Da mesma forma, disse SIM para essa viagem agora e me surpreendi com tudo que vi, ouvi, vivi. Surpreendi-me, principalmente, com o tanto que, olhando para fora, descobri dentro de mim. Tudo por causa de um SIM.

Ahaa... Quem disse que uma herege não pode ser profeta? Deu Coringa, com honras e louvores! Eu e o boyfriend depois de assistirmos Batman – O Cavaleiro das Trevas saímos apaixonados pela atuação de Heath Ledger e, bem antes, de ele ser indicado a qualquer premiação já decretamos: ah, vai dar Oscar póstumo, de certeza! Inclusive escrevi a respeito no post O panteão dos vilões inesquecíveis ganhou mais um membro e fiquei perturbando o Vinny com essa história.
Mas esse post não é somente sobre isso. É sobre os filmes que assisti recentemente e que não me deram material suficiente para escrever uma longa resenha. Mas não quero deixar de registrar o quanto me fizeram rir, chorar e pensar.
Grande Dave:
Uma comédia nada pretensiosa, divertida e que deveria ser anunciado como filme para toda a família. Dá pra assistir com as crianças numa boa. É um grande elogio ao ser humano e sua capacidade de amar.
Angel – A:
Ando apaixonada por filmes franceses, a começar pelo idioma mesmo, que adoro! Este pode parecer um cult, já que é filmado em preto e branco, cheio de diálogos inteligentes e tiradas sutilmente irônicas e engraçadas. Uma mulher forte, com uma beleza diferente, até um pouco agressiva, salva do suicídio um cara perdido, cheio de dívidas e amedrontado diante da vida. Os dois juntos seguem uma trajetória bizarra, em que ele descobre sua força interior e ela acaba por admitir suas fraquezas. Se você o assistir esperando uma obra de arte ou algo super "cabeça" vai se decepcionar. No fundo é uma comédia romântica. Diferente das de Hollywood, claro. Mas não passa de uma comédia romântica, que pode te deixar decepcionado ou reflexivo depois do The End, ou melhor, La Fin.
REC:
Tenso do início ao fim. Atores ótimos, que nos fazem imaginar que estamos mesmo assistindo a gravação de uma reportagem que acaba caindo de gaiato numa história apavorante.
A maldição dos mortos vivos:
Não sou muito adepta de filmes de terror, muito menos de zumbis. Mas após ler este post que explica que A Maldição dos Mortos-Vivos não é um filme de zumbi convencional, daqueles em que os zumbis saem por aí comendo cérebros dos pobres mortais, eu sucumbi aos pedidos de meu namorado que insistia em rever e queria que eu fizesse companhia. É ótimo! Acaba se perdendo um pouco no final, enrolando desnecessariamente a história e utilizando uns efeitos especiais desnecessários, mas vale a pena.
Rebobine, por favor:
Sou obrigada a citar o Vinny, novamente, que definiu o filme em uma frase: "É uma homenagem ao cinema e à amizade." Adoro Jack Black e Mos Def e eles estão perfeitos neste filme. É uma delícia de assistir! Como bem lembrou Vicky Salles, com o texto Como ser original não sendo original, não é uma comédia convencional, de rachar de rir, mas para quem gosta de fugir um pouco do convencional é um prato cheio!
A Grande Virada:
O que me atraiu foi a frase na capa, "Você já se sentiu diferente?". É um filme inglês, com a maioria dos atores desconhecidos, que conta a história de um rapaz que não se encaixava no colégio ou na sociedade. Mas ele não se envergonhava disso e essa já é uma das diferenças do filme. Nada daquele diferentão que vive sofrendo, se drogando ou se vestindo de um jeito diferente. Ele tirava proveito de sua diferença, se metia em confusões e dava vazão a sua criatividade. Até que de repente resolve mergulhar no mundo corporativo e tentar ser um cara "normal". O filme acaba sendo uma crítica tanto a ânsia que muitos têm de querer se destacar pela esquisitisse, quanto aos que vão vivendo apenas para ganhar dinheiro e esquecendo de tudo que os torna únicos. Humor britânico da melhor espécie! Ah, Claire Danes faz uma ponta, mas uma pontinha de nada mesmo, no filme. Fiquei até esperando que a personagem dela reaparecesse, mas não. Foi praticamente uma figuração.
Juliana Dacoregio