Categoria: A

02.08.09

Preconceito cristão e os ungidos intocáveis

14:20:59, Categorias: A, Cinema, Comportamento, Links, Losing my Religion  

Ontem assisti O Menino do Pijama Listrado. Imaginei que fosse um filme mais ingênuo, meio água-com-açúcar, mas não é. Só que este post não é sobre O Menino do Pijama Listrado... Isso é só uma introdução para dizer que quase sempre após assistir um filme, dou uma olhada no Cinema em Cena porque gosto muito das críticas de lá e aprendo bastante sobre cinema com elas. Então, fui ler a opinião de Pablo Villaça sobre o filme e descobri que ele tem um blog e postou um texto sobre o discurso de um pastor da Igreja Batista que o deixou horrorizado. Quando vejo pessoas indignadas com pregações evangélicas como essa relatada por Pablo, eu me lembro o porquê a igreja me marcou tão negativamente! Porque discuros como esses são absolutamente comuns e recorrentes. E lá dentro todos engolem esse tipo de preconceito e raciocínio torto. Aqueles que não concordam, mas não querem perder a estabilidade de fazer parte de um grupo, calam-se. Mas eu não preciso me calar mais.

Quando me dizem que não tenho direito de falar sobre os "ungidos de deus" ou que só falo sobre essas coisas porque sou amargurada, minha única resposta é: VOU CONTINUAR ESCREVENDO E FALANDO SOBRE OS ABSURDOS DA LÓGICA EVANGÉLICA e não faz a menor diferença você me dizer que não tenho esse direito. Se eu conseguir abrir uma cabeça sequer para o fato de que embaixo do discurso amoroso dos evangélicos há um poço de preconceitos e ódio, já me dou por satisfeita.
Porque não importa o quanto de "Jesus te ama" eles recitem. Por baixo desse "amor" há pensamentos assim:

"Muitos defendem o casamento entre homossexuais. Eles não têm que se casar de forma alguma, não podem. Isso é preconceito? É preconceito, sim, mas que temos que ter mesmo! Esse tipo de casamento vai destruir a instituição do matrimônio. E outra coisa: alguns defendem que casais homossexuais possam adotar crianças órfãs. Não podem, não. É preferível que as crianças cresçam no orfanato do que criadas por um casal de homossexuais". (Pastor Jorge Linhares)

No post de Pablo ele fala também sobre a idéia do pastor de que as enchentes em Santa Catarina no ano passado foram um castigo divino. Ouvir esse tipo de coisa é muito comum em qualquer igreja evangélica, não importa o quão moderna ou acolhedora ela pareça. Os pastores mais inteligentes não falariam isso em cultos normais, abertos ao público, mas em reuniões de lideranças todo tipo de absurdos como esses são debatidos pelos pseudos-especialistas em designios de deus.

Então, aos preocupados com o que pode me acontecer por "tocar nos ungidos do Senhor", fica a dica: eu não tenho medo de fantasmas, só tenho medo da ignorância!

Permalink 497 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (68)

07.05.09

Colunável

00:05:56, Categorias: A, Egotrip  

Parafraseando Tati Lopatiuk, "quando morávamos todos na Pangéia e eu só escrevia em fotolog", de vez em quando surgia um comentador(a) raivoso e amargurado dizendo que eu era exibida, metida, fútil, que só queria saber de aparecer em coluna social e blá, blá, blá. Aqueles recadinhos do coração que toda "fotologueira" costuma receber.

Do jeito que falavam parecia que eu fazia parte da família Castro (a "família real" de Criciúma, que já foi citada em colunas uma porrada de vezes). Que nada! Minhas aparições como colunável foram uma dezena ou duas, no máximo. Não é muito, levando-se em conta que comecei a freqüentar as baladinhas da moda aos 15 anos. Naqueles tempos remotos não havia câmera digital e as festas não eram repletas dos fotógrafos de sites de baladas. Aliás, não existiam nem sites, nem baladas, já que quando íamos sair à noite dizíamos que estávamos indo pra night. Na verdade, havia apenas um fotógrafo. Ele fotografava o povo "na night", pegava o telefone da galera, de vez em quando mandava as fotos pros jornais e ia na casa da gente pra vender as cópias(acredite se quiser).

Como eu era uma garotinha "da night", pseudo-modelete, com amiguinhas debutantes e aluna de colégio particular, é claro que de vez em quando aparecia numas sociais aqui ou ali. Depois virei jornalista, apresentei programa de TV, fiz rádio e no fim das contas, acabei indo parar no outro lado da moeda: de alguém que aparece para alguém que tem o "poder" de fazer com que outros apareçam. E dentro desse rebuliço todo, aparecer acaba se tornando algo natural e até necessário (embora às vezes não necessariamente desejável).

Pois então, essa reminiscência toda é só pra me exibir mais um pouquinho e pra dizer que às vezes santo de casa também faz milagre.

Só nas sociais

"A virtude não iria tão longe se a vaidade não lhe fizesse companhia."
(François de La Rochefoucauld)

Permalink 351 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (8)

02.01.09

Só queremos colo

13:28:55, Categorias: A, Comportamento, Crianças, Losing my Religion  

“quero chorar a teus pés...”
“me abrigarei debaixo de tuas asas...”
“tu és minha fortaleza...”
“em ti me refugio...”

Esses são só alguns exemplos de versos recorrentes em músicas cristãs. Eles demonstram o desejo que todos nós temos de ter alguém mais forte do que nós para nos proteger e embalar. Somos todos órfãos, no fim das contas. Não importa se somos “trintões” mimados pelos pais ou se fomos criados em um orfanato. Somos todos carentes; bezerros desmamados saudosos dos tempos em que nossas ambições se resumiam a ter um colo quentinho. Com poucos anos de vida já descobrimos que todos morrem, que os pais não estarão por perto para sempre e aí já começa a sensação de desamparo que não pode mais ser aplacada com um simples colo. A partir de então seguimos buscando a mesma certeza de segurança que sentíamos na primeira infância ou mesmo no útero; não sabíamos da morte, nem das misérias humanas, não conhecíamos bondade ou maldade, simplesmente éramos. Éramos plenos. Confiávamos na proteção do adulto que cuidasse de nós. Desde que ele estivesse lá para atender a cada choro, nada mais importava; estávamos seguros.

Mas chega um momento em que nem todo o carinho do mundo aplaca nossa angústia. A partir do momento em que temos consciência de que “não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe” passamos a viver com uma ansiedade que nos acompanha pelo resto da vida. Os pais amorosos, os amigos verdadeiros, o cônjuge fiel, nada disso vai durar para sempre e só nos resta desejar com todas as forças que dure o máximo de tempo possível. Como não viver angustiado com uma expectativa dessas?

Daí que não nos conformamos em não ter ao menos um símbolo de segurança que nunca pereça; um ser que esteja sempre ali, firme e forte, agüentando o tranco quando nós já não agüentamos mais. Pronto: Deus! Deus é nosso útero, nossa chupeta, nosso dedão na boca, nosso colo quentinho, nosso leite materno, nosso beijinho no machucado, nosso pai fortão que dá um jeito em tudo. Todos os símbolos de calor e proteção que já conhecemos um dia são substituídos pela idéia do Deus Todo-Poderoso, Almigth Lord! É bonito e romântico acreditar nisso e cantar versos sobre a proteção suprema que só Ele pode nos dar.

Nosso desejo de nos sentirmos seguros é tão forte que fingimos não perceber que “a presença de Deus em nossas vidas” não nos protege efetivamente de coisa alguma. Continuamos suscetíveis a todos os perigos, doenças, tragédias, erros, micos e mancadas. Continuamos tendo de tomar todas as precauções necessárias: o cinto de segurança, a tranca na porta, a vacina, a água filtrada. Continuamos chorando às vezes sozinhos, sem saber por que; continuamos nos apavorando diante da morte, continuamos levando nossos filhos ao médico ao primeiro sinal de uma dor de garganta. Mas o desejo de ser protegido por algo ou alguém bem mais forte do que nós, o desejo de sentir-se seguro é tão grande, tão avassalador, que seguimos crendo nessa figura Poderosa mesmo sabendo que no fim das contas estamos por nossa própria conta e risco.

Mesmo que tudo de ruim aconteça, continuamos crendo que quando ninguém mais pode nos ajudar, ainda há Um que sempre vai estar presente. Crer em Deus é fruto do desejo de que as coisas sejam tão simples quanto eram na primeira infância. Ele nunca te abandona; Ele nunca te trai; Ele nunca te engana; Ele nunca quer o teu mal.

Mas na verdade, não é Deus que nunca abandona aqueles que crêem Nele, e sim a certeza de crer em algo. A certeza é a grande deusa. É ela que nunca abandona aqueles que crêem. Eles têm tanta certeza de que crêem na coisa certa que dizem não apenas crer que Deus existe, mas saber que Ele existe. Eles sabem. Assim como o bebê sabe que estando no colo da mãe ele está livre de todos os perigos para sempre. Bom para eles.

Permalink 737 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (14)

04.11.08

Uma suruba de filhos?

01:04:59, Categorias: A, Comportamento, Humor, Non sense  

Sabe o que é ter abuso? É aquela mistura de raiva, desprezo, nojo; aquela vontade de rir na cara de algo ou alguém e dizer o quanto aquilo é ridículo. Então, tem certas coisas que nos dão abuso. Se você for uma Poliana-tra-lá-lá-super-feliz você não tem abuso de quase nada, mas se você for a Maria Juliana...

Sei lá! Não sei se sou eu que careço de ver lógica em tudo, não sei se é uma aversão aos lugares comuns do dia-a-dia, mas se tem uma coisa que me dá abuso, pela total falta de sentido, é ver fulaninha dizendo:
- Já tenho uma menina, agora vamos tentar um menino. É que a gente quer um casal, sabe?
Tenho vontade de perguntar:
- Tu queres que teus filhos trepem um com o outro?
Não, porque só pode, né! Um casal? Como assim, um casal? Casal é quem se pega, quem se beija, quem transa, quem tem um relacionamento amoroso-afetivo-sexual.

E mais abusado ainda são aquelas que falam “casalzinho”: - Você tem filhos?
- Sim, tenho um casalzinho!
Ai, que nojinho, que abusinho que eu tenho de quem fala “um casalzinho”! Se eu não fosse uma pequena burguesa, eu diria que essa expressão é muito pequeno-burguesa. E quase todo mundo fala. Claro que qualquer um diria que minha indignação não tem nada a ver. Que eles só falam “casal” no sentido de dupla, de par, para dizer que é um menino e uma menina. Mas se a palavra “casal” é usada apenas no sentido de “dupla”, por que dois filhos homens também não são “um casal de filhos”? Ou por que a mamãe orgulhosa não diz que tem “um casal de meninas”?

Já que quem tem um menino e uma menina tem um casal, quem tem três filhos tem um “ménage-à-trois de filhos”?
Quatro filhos, ou mais, seriam “uma suruba de filhos”.
- Oi Margarete, quanto tempo! E aí, já é mamãe ?
- Sim, tenho um casal: o Pedro e a Isabela. E você?
- Ah, eu tenho uma surubinha: três meninas e um menino!
Mas no caso de você ter dois meninos e duas meninas você pode encher a boca e dizer que tem um “swing” de filhos!
Aí sim, o papo de “casalzinho” teria um pouco mais de lógica.

Update 1: à tarde recebi a seguinte mensagem do Vinny...
"Tô aqui no cardiologista e a secretária dele tá grávida. Vai ter uma menina. Advinha pra quê? Pra fazer um casalzinho!!!!"
Update 2: Já assistiu Trovão Tropical? Então vai lá no Amálgama e me diga se você concorda ou não comigo. Se ainda não assistiu, vai lá do mesmo jeito e fique a fim de assistir! :D
Trovão Tropical, no Amálgama

Permalink 475 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (18)

29.10.08

Em homenagem ao Dia Nacional do Livro: leia. Sem preconeitos. Leia.

14:33:27, Categorias: A, Livros, Leitura  

Já que hoje é Dia Nacional do Livro resgatei um de meus textos que já foi publicado em minha coluna da Rádio Criciúma e no impresso Jornal da Manhã.

Não li e não gostei

Há quem acredite que para demonstrar cultura literária é necessário criticar livros de Paulo Coelho e obras de auto-ajuda. Eu discordo. Não porque goste das histórias místicas do mago (mas também não desgosto) ou porque seja uma consumidora de livros que prometem mudar a vida daqueles que os lêem. Acredito sim que a leitura muda a vida das pessoas, mas quando o objetivo do livro é só passar uma lição qualquer, raramente ele cumpre o que promete.

Mas fico com o pé atrás quando fazem cara de deboche para Paulo Coelho. O problema não é criticar. Mas criticar sem nunca ter lido, o que é muito comum de acontecer em rodas de pessoas que se supõem intelectuais. Nunca leram e mesmo assim têm coragem de afirmar:
- Não gosto de Paulo Coelho!
- Mas qual livro dele você já leu?
- Nenhum.
E supra-sumo do pedantismo: fazem um ar de enfado quando descobrem um leitor de Paulo Coelho entre seus amigos ou colegas.

Não que seja preciso experimentar de tudo nessa vida. Como qualquer pessoa sensata diria: para saber que drogas não prestam, não é preciso experimentá-las. Mas em matéria de leitura a regra é exatamente o contrário. É preciso sim, experimentar de tudo um pouco! É preciso experimentar um autor ou uma obra, para só então, dar o seu parecer. Principalmente se o crítico em questão for um leitor assíduo ou supostamente intelectual. “Não li e não gostei” não cabe no vocabulário dos bons leitores.

Saber filtrar é a chave. Mas sem preconceitos. Preconceito é uma atitude tão criticada por qualquer pessoa com um mínimo de inteligência, não é? Pessoas não devem ser vítimas de preconceitos? Livros também não deveriam.

Até porque quem já tem o hábito da leitura não vai ser contaminado e “emburrecer” por causa de um Paulo Coelho, Roberto Shinyashiki ou coisa que o valha. Já quem não costuma ler, vai ser beneficiado com qualquer tipo de leitura. Porque gostar de ler só se aprende lendo. Seja gibi ou Dostoievski; auto-ajuda ou Nietzsche; Luís Fernando Veríssimo ou Shakespeare; Danielle Steel ou Clarice Lispector...

O próprio Luís Fernando Veríssimo afirma, em uma de suas crônicas hilárias, que na hora do desespero, sem livro algum em um quarto de hotel barato, vale até pedir a revista Tricô e Crochê da recepcionista.

Permalink 455 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (19)

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Quem?

Juliana Dacoregio
Jornalista, leitora voraz, escritora, cinéfila.
Observadora, vaidosa, passional, sensível.
Desertora da fé evangélica, mas cheia de fé em si mesma.
Lágrimas abundantes e gargalhadas sinceras.
Leal aos amigos e ligada à família.
Cheia de opiniões e de capacidade de analisá-las e transformá-las.
Hábitos simples e pensamentos complexos. Ou vice-versa.

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