Categoria: Artes

10.12.08

Capitu in the sky with diamonds

21:38:30, Categorias: Artes, Livros, Televisão, Cultura Pop, Leitura  

Uma viagem de ácido sobre Dom Casmurro. É a definição que melhor resume minha opinião sobre a microssérie Capitu, inspirada em Dom Casmurro, de Machado de Assis. Reli o livro no início do ano e só pude ter ainda mais certeza que adoro a história e que acho o máximo a sutileza e ironia do autor.

Fiquei sabendo da microssérie através de uma twittada do Inagaki, que me levou à leitura coletiva. Claro que a partir daí esperei ansiosamente a noite de ontem e até desmarquei um compromisso por causa disso. Não vou dizer que me arrependi de ter cancelado meu compromisso para ver a estréia de Capitu. Não posso dizer isso. Mas também não posso dizer que foi uma experiência tão envolvente quanto a leitura do livro.

É uma alucinação guiada por Bentinho. É fiel ao livro, sim. Mas tudo é rápido demais (em cinco capítulos teria mesmo que ser rápido). São pinceladas de Dom Casmurro. Pinceladas suficientes para fazer com que a narrativa seja compreendida, mas não o suficiente para ser fisgado pelas tramas de Machado de Assis.

Tudo se passa de uma forma teatral, não há cenários (não cenários “normais”), é uma espécie de Dogville Machadiano, numa estética de videoclipe. Tudo é lindo e enche os olhos: cores, formas, figurinos, maquiagem, fotografia. Antigo e contemporâneo se mesclam (a cena inicial se passa no metrô, a tatuagem da atriz que interpreta a Capitu jovem não foi escondida, Beirut faz parte da trilha sonora e talvez outros elementos que me tenham passados despercebidos). A mistura é interessante e não chega a chocar, mas não é o que há de mais brilhante. Brilhante mesmo é a atuação de Michel Melamed que faz o Bentinho já na idade adulta, o Bento Santiago, narrador da história. Uma composição perfeita de um personagem atormentado pelas dúvidas do passado, mergulhado em reminiscências e tédio, nostalgia e resignação. Ele expressa muito bem tanto o êxtase de quem relembra lindas cenas da juventude, quanto a amargura de quem acredita ter sido vítima e algoz de sua amada. Tudo sempre de uma forma lisérgica, lúdica e dramática.

Letícia Persiles é a Capitolina de 14 anos. Uma Capitu linda e que se encaixa direitinho nas descrições de José Dias que dizia que a menina possuía “olhos de cigana oblíqua e dissimulada” e de Bentinho que descrevia os mesmos olhos como “fixos... sombrios... olhos de ressaca”.

Desconfio que quem apenas assistir à microssérie, sem ter lido o livro, vai acreditar nas desconfianças (infundadas ou não) de Bentinho. Se bem que também me pergunto se alguém que nunca leu o livro terá interesse em acompanhar os cinco capítulos da microssérie. Pois é uma produção para inciados. A história pode até vir mastigadinha, mas é muito pouca para fazer com que alguém se apaixone e deseje acompanhá-la. É preciso já ter percorrido página por página do romance de Machado de Assis.

Duas coisas: tive vontade de ver tudo aquilo, exatamente daquele jeito, encenado numa peça, no teatro. Outra: percebi mais uma vez o quanto Machado de Assis é genial.

Leia aqui uma ótima opinião sobre Capitu.

A Raquel Bacha, em seu blog, fez uma observação interessante: que achou a Capitu e o Bentinho adolescentes muito exagerados. Capitu adulta demais e Bentinho bobinho demais. Concordo.

Blog da produção de Capitu

Permalink 594 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (22)

12.11.08

Curso de Fotografia em Criciúma City

17:27:49, Categorias: Artes, Fotografia, Publicidade  

A filósofa Susan Sontag afirmou que “tudo existe para terminar numa foto”. Ao falar sobre a obsessão que temos em fotografar tudo que acontece ao nosso redor ela diz que a humanidade está presa à caverna de Platão, se contentando e se regozijando com meras imagens da verdade. Não discordo dela. Somos mesmo obcecados em registrar momentos. Isso beira o exagero quando em um show, por exemplo, passamos o tempo todo filmando e acabamos assistindo-o apenas através do visor da máquina. Mas como resistir ao ato de registrar momentos lindos, sublimes, engraçados ou, até mesmo, tristes ou tediosos?

A máquina fotográfica digital nos dá a chance de brincarmos com poses, tirarmos auto-retratos, fotografar objetos ou cenas banais do nosso dia-a-dia. Se não ficar bom, é só apagar tudo e começar de novo. Mas é tão bom quando uma foto que a gente tirou fica tão legal que dá vontade de mandar revelar e pendurar na parede, né? Eu adoro. E fica bem mais fácil disso acontecer se você tem um pouquinho de conhecimento sobre fotografia, ângulos, luzes e cores. Dá até pra brincar de profissional e fazer fotos como essas.

Durante a faculdade, na disciplina de fotografia, consegui aprender algumas coisas. Confesso que gostava mais de revelar as fotos na sala escura do que de clicá-las, mas de algumas dicas eu não esqueci. E como adoro dar uma de fotógrafa da família e dos amigos, clicando-os em poses inusitadas e espontâneas, quero aprender mais. Por isso, domingo à tarde, dia 16, vou estar no Plano B participando do curso que a antenadíssima fotógrafa Ana Reczek vai ministrar.

Quem mora em Criciúma e região e está a fim de aprender a usar melhor sua máquina digital, pode ligar pra Ana ou adicioná-la no msn e se inscrever. Tenho certeza que o curso vai bombar, já que Ana está sempre viajando para feiras e cursos de aperfeiçoamento. Então, a gente se vê e se fotografa lá no Plano B (e já aproveita pra tomar um cafezinho depois)!

Mais informações:
Blog da Ana
Telefone: 9621-0283
Msn: anareczek@hotmail.com

Permalink 369 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (2)





Quem?

Juliana Dacoregio
Jornalista, leitora voraz, escritora, cinéfila.
Observadora, vaidosa, passional, sensível.
Desertora da fé evangélica, mas cheia de fé em si mesma.
Lágrimas abundantes e gargalhadas sinceras.
Leal aos amigos e ligada à família.
Cheia de opiniões e de capacidade de analisá-las e transformá-las.
Hábitos simples e pensamentos complexos. Ou vice-versa.

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