Já virou clichê dizer 'é clichê, mas é verdade', porém vou ter que usar dessa expressão de qualquer forma: assistindo '127 Horas' fiquei pensando como as coisas tão banais do dia-a-dia podem ganhar uma importância descomunal quando se está numa situação de 'PUTZ FUDEU'!
E o diretor Danny Boyle consegue passar isso muito bem, mesmo contando uma história que poderia ser monótona, (afinal é um cara preso num buraco por 127 horas). Também não poderia ser diferente. Boyle dirigiu Quem quer ser um milionário?, Extermínio e Trainspotting e em todos eles deixou sua marca de filmes 'a la' video-clipe: frenéticos, com cenas fortes e cortes não usuais. Sem medo também de explorar o escatológico, aquilo que consideramos nojento, nos dá o impulso de virar os olhos e revira os estômagos mais sensíveis.
E é assim com 127 Horas. O filme é dinâmico, com imagens lindas dos canyons, é claro, mas também das pequenas coisas, como o interior de uma garrafa d'água, por exemplo. Não faltam também momentos de tensão e de crueza, ao mostrar o método desesperado do protagonista de se livrar daquela situação de horror.
Só que meu propósito aqui não é escrever uma resenha e sim registrar o quanto é bom lembrar que nas horas de privação e quando pinta um problema cabeludo mesmo, a gente enxerga a vida com outros olhos. A família, os amigos, momentos de diversão, tudo se mostra tão simples, tão bonito, tão DESEJÁVEL. E jogos amorosos, decisões egocêntricas, orgulhos bobos se revelam estúpidos e desnecessários. A vida adquire o valor que deveria ter sempre. É sempre bom conseguir captar isso num filme. Não lições de moral rasas, mas a verdade incontestável de que não é à toa que temos um instinto de sobrevivência. Porque nascemos para coisas grandes. E antes ficar preso porque meteu a cara e foi viver do que passar os dias pensando no que poderia ser.

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Juliana Dacoregio