Vejam vocês, amigos e amigas. Lá por volta de 2005, eu ainda não blogava. Enquanto os monstros sagrados da blogosfera já arquitetavam planos de dominação mundial, estava eu a curtir minha vida de recém-desconvertida, festando muito e postando no fotolog como se não houvesse amanhã. Mesmo no meio de tanta badalação vidaloka e "eu não me acho, você que me procura" no fotolog, eu encontrava tempo pra trabalhar (radialista, um luxo) e assinar uma coluna sobre cinema em algum site (não lembro qual).
(Um adendo: como éramos inocentes, bobocas e nojentinhos no fotolog, não? Coisa linda de se ver só que ao contrário. Humildade mandava lembranças.)
Após assistir à Star Wars III - A Vingança dos Sith, saí do cinema inspiradíssima e cometi uma resenha crítica cinéfilo-filosófica. Olha que coisa mais fofa (oi?) eu falando sobre "a carga emocional" do filme. A TNT não sabe o que está perdendo ao não me colocar como apresentadora do TNT Movie Club.
Enjoy it:

COM BRILHO E TUDO, MÓ SAGA PURPURINADA
Bem, estamos no mês de maio, do ano 2005 [CRÍTICA ANTIGA, OK? NÃO PERDI A NOÇÃO DO TEMPO TANTO ASSIM. AINDA], vivemos no planeta Terra e vamos falar sobre cinema, é isso? Então, não dá para fugir, temos que falar do lançamento mais badalado e esperado dos últimos tempos: Star Wars – A Vingança dos Sith.

TODOS COMENTA
Star Wars não é apenas um filme de ficção científica. Ele carrega também uma grande carga emocional, já que mostra como ocorreu o processo de transformação do virtuoso Anakin Skywalker no vilão Darth Vader.
Quem conhece a história da saga criada por George Lucas sabe que Darth Vader sempre foi considerado a personificação do mal, talvez o vilão mais assustador e emblemático da história do cinema.

Vader, esse maconheiro!
Normalmente em filmes de ficção científica e nos filmes que fazem sucesso entre o público jovem há uma clara divisão entre o bem e o mal, mocinho e bandido. O mocinho é bondoso desde o berço, já o bandido nasce infestado de más intenções. Essa costuma ser a regra. Mas a saga de Star Wars subverte essa regra de forma sutil, porém decisiva.

"Maniqueísmo? Não trabalhamos." (Lucas, George.)
Quem assistiu aos episódios lançados recentemente, A Ameaça Fantasma e O Ataque dos Clones já pôde perceber que o tão temido vilão Darth Vader um dia foi um menino encantador e um jovem aprendiz Jedi cheio de virtudes. Após o lançamento destes dois episódios ficou no ar a pergunta: como esse garoto de futuro tão promissor se deixou envolver pelo mal e se tornou um líder do lado Negro da Força?
Essa questão ficou na mente de todos os fãs e simpatizantes da série, até algumas semanas atrás [NÃO PRECISO DIZER DE NOVO QUE ESSA CRÍTICA FOI ESCRITA EM 2005, NÉ?], quando foi lançado nos cinemas do mundo inteiro o terceiro episódio na ordem cronológica da história dos seis filmes, Star Wars – A Vingança dos Sith.
No início do filme encontramos ainda o mesmo Anakin Skywalker cheio de princípios nobres, que não concorda em matar um inimigo desarmado e só o faz por receber ordens superiores e não abandona seu mestre Obi Wan Kenobi, em duas situações em que seria até justificável que o fizesse (até porque o próprio Obi Wan pede que Anakin o deixe e vá cumprir a missão na qual estavam empenhados). Mas ao longo do filme vemos como se dá a transformação da virtude em amargura e maldade. O que leva Anakin a se juntar ao lado negro da Força não é nenhum tipo de ambição, mas simplesmente a confusão por não saber se estava seguindo o caminho certo, o sentimento de rejeição e o desejo de salvar sua amada, a rainha Amidala.
Anakin caiu porque não conseguiu seguir a filosofia (claramente budista, diga-se de passagem) do milenar Mestre Yoda, que afirma que ele deve se libertar do desejo de segurar aquilo que ama, libertando-se assim do medo de perder e da dor que a perda causa.
ATENTEM PARA A EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES:

Acho que não fui a única a sair do cinema com pena de Darth Vader [TODOS CHORA] e refletindo sobre como as dúvidas e a confusão podem nos levar a decisões erradas. Darth Vader não é mais a personificação do mal absoluto, mas o exemplo de como podemos nos tornar escravos de nossos medos e escolhas impulsivas.
Darth Vader poderia ser eu, ou você.
E aí, curtiram minha crítica-resenha que teve até momento own tadinho de Vader e análise psico-emocional? Freud se orgulharia.
Que a Força esteja conosco, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém.
http://www.interney.net/blogs/htsrv/trackback.php/48304
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Juliana Dacoregio