
Muito se falou sobre o show da Kesha no Rock in Rio 2011. Basicamente críticas à sua voz, que desafinou diversas vezes e, em muitos momentos do show, mal podia ser ouvida.
Cada um tem o direito de criticar o que quiser. E no caso dela, motivos não faltavam. Quando somos fãs de um cantor queremos ao menos que ele... bem, saiba cantar! Mas penso em todo esse frisson a respeito da Kesha e me vêm a pergunta: ‘peraí, mas Kurt Cobain era afinado?’ Não me levem a mal, fãs do Nirvana, também sou uma grande fã, mas é visível que o vocalista grunge mais famoso dos anos 90 era mais intérprete do que cantor. E cumpria muito bem o seu papel. Claro que não cabe uma comparação entre a novidade que foi o som do Nirvana e a música pop-mais-do-mesmo de Kesha.
Porém, se à primeira vista ela parece só mais um enlatado da música para adolescentes rebeldes, olhando (ouvindo) mais de perto é possível perceber um diferencial. As letras são realmente “vamos quebrar tudo” e isso não é tão comum quando se trata de composições sob medida para ‘vocalistas bonitinhas’.
Ela afirma que suas referências são o rock dos anos 70/80, Alice Cooper (com o qual fez uma parceria, inclusive), Stones, Sex Pistols, Ramones, etc. Mas são referências. Não tem sentido esperar que ela faça algo de tanta qualidade quanto eles fizeram. Afinal, referências e inspirações são bases para construirmos alguma coisa a partir daquilo. Pode ficar melhor, pode ficar pior, mas igual nunca será.
No meu caso, como escritora, minhas referências são Kerouac, Lispector, Ginsberg, Fernando Pessoa, Luis Fernando Veríssimo... Mas nem venham me cobrar que eu seja uma Lispector ou que escreva algo genial e marcante como On the Road. Eles me inspiram, mas tenho a consciência de que estou a anos luz do que eles produziram.
Eu gostei, sim, do show da Kesha. Claro que a voz dela deixou a desejar (não sou surda)! Mas os elementos cênicos do show trouxeram algo novo que não se vê entre os artistas pré-fabricados. O visual sujo, a camiseta larga e meio destruída, o cabelo e a maquiagem que ao longo do show não foram retocadas. Nada de coreografias super elaboradas e roupas evidenciando formas perfeitas. Muito menos aquela sensualidade montada, que não corresponde à vida real. Ali havia sensualidade sim, mas de uma forma crua, selvagem; com suor, gritos e rebeldia de brincadeira. Algo divertido, para não ser levado tão à sério.
Se ela é apenas uma “bonequinha poser metida a rockeira” só o tempo vai dizer. Vamos aguardar enquanto escovamos os dentes with a bottle of Jack. ;)
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Juliana Dacoregio