01.11.11

02:26:19, Categorias: Comportamento, Música, Cultura Pop  


Muito se falou sobre o show da Kesha no Rock in Rio 2011. Basicamente críticas à sua voz, que desafinou diversas vezes e, em muitos momentos do show, mal podia ser ouvida.

Cada um tem o direito de criticar o que quiser. E no caso dela, motivos não faltavam. Quando somos fãs de um cantor queremos ao menos que ele... bem, saiba cantar! Mas penso em todo esse frisson a respeito da Kesha e me vêm a pergunta: ‘peraí, mas Kurt Cobain era afinado?’ Não me levem a mal, fãs do Nirvana, também sou uma grande fã, mas é visível que o vocalista grunge mais famoso dos anos 90 era mais intérprete do que cantor. E cumpria muito bem o seu papel. Claro que não cabe uma comparação entre a novidade que foi o som do Nirvana e a música pop-mais-do-mesmo de Kesha.

Porém, se à primeira vista ela parece só mais um enlatado da música para adolescentes rebeldes, olhando (ouvindo) mais de perto é possível perceber um diferencial. As letras são realmente “vamos quebrar tudo” e isso não é tão comum quando se trata de composições sob medida para ‘vocalistas bonitinhas’.

Ela afirma que suas referências são o rock dos anos 70/80, Alice Cooper (com o qual fez uma parceria, inclusive), Stones, Sex Pistols, Ramones, etc. Mas são referências. Não tem sentido esperar que ela faça algo de tanta qualidade quanto eles fizeram. Afinal, referências e inspirações são bases para construirmos alguma coisa a partir daquilo. Pode ficar melhor, pode ficar pior, mas igual nunca será.

No meu caso, como escritora, minhas referências são Kerouac, Lispector, Ginsberg, Fernando Pessoa, Luis Fernando Veríssimo... Mas nem venham me cobrar que eu seja uma Lispector ou que escreva algo genial e marcante como On the Road. Eles me inspiram, mas tenho a consciência de que estou a anos luz do que eles produziram.

Eu gostei, sim, do show da Kesha. Claro que a voz dela deixou a desejar (não sou surda)! Mas os elementos cênicos do show trouxeram algo novo que não se vê entre os artistas pré-fabricados. O visual sujo, a camiseta larga e meio destruída, o cabelo e a maquiagem que ao longo do show não foram retocadas. Nada de coreografias super elaboradas e roupas evidenciando formas perfeitas. Muito menos aquela sensualidade montada, que não corresponde à vida real. Ali havia sensualidade sim, mas de uma forma crua, selvagem; com suor, gritos e rebeldia de brincadeira. Algo divertido, para não ser levado tão à sério.

Se ela é apenas uma “bonequinha poser metida a rockeira” só o tempo vai dizer. Vamos aguardar enquanto escovamos os dentes with a bottle of Jack. ;)

Permalink 472 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (6)
Indique: del.icio.us Gafanhoto Rec6 Ueba Ueba

Trackback:

http://www.interney.net/blogs/htsrv/trackback.php/47927

Posts similares:
SUPER TRUNFO ROCK NACIONAL
DE COMO "CONHECI" CAETANO VELOSO
CLÁSSICO: SUPER TRUNFO DO ROCK NACIONAL

(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)

Atalho pra o formulário

Comentários, Trackbacks:


Comentário de: Renata Virtuozo · http://www.facebook.com/profile.php?id=100001576556638

É, teve muita gente que se surpreendeu com a apresentação da Ke$ha, eu fui uma delas.. Confesso que eu não gostei tanto quanto gosto das músicas dela em si, mas achei a apresentação bem verdadeira ao que ela se diz e vendo por esse lado eu gostei, então fiquei no meio termo. rs Beijo :*

PermalinkPermalink 01.11.11 @ 03:18



Comentário de: Bruno Nigro · http://www.twitter.com/bnigro

Na verdade, por mais que os gênios do pop da atualidade tentem me convencer do oposto, essa Kesha, assim como 98% da sua geração são coisinhas fabricadas, com pouco talento. A não ser pra repetir o que fazem nos ensaios.

E que perdoem aqueles que conseguem ser fãs disso. Mas, pra mim, Kesha é a mais medíocre de todas essas estrelinhas dos anos 10.

PermalinkPermalink 04.11.11 @ 14:24



Comentário de: Breno Aguiar · http://www.lumis.com.br

Eu gosto dela também, justamente por não tentar entrar na mesma linha das outras cantoras de pop, que são sexy mas de forma fabricada, que dançam muito mas de forma artificial.
Prefiro as pessoas com feeling.

PermalinkPermalink 16.11.11 @ 18:13



Comentário de: Antonio Scagliarini Neto

Eu gosti do seu texto e da Kesha :)

PermalinkPermalink 18.11.11 @ 11:27



Comentário de: Joana · http://upnoticias.com/

Eu aprecio a Kesha por sua originalidade. Ela não é fabricada pela mídia nem se porta como tal.

PermalinkPermalink 24.11.11 @ 19:28



Comentário de: Mariana Gomes · http://www.aluguelcadeirasderodas.com.br

Ela é muito talentosa, pena que deixou uma imagem ruim no RiR...

PermalinkPermalink 01.12.11 @ 12:05



Deixe seu comentário:

Seu endereço de email não será exibido nesse site.
Sua URL será exibida.

Post anterior: Drama, amor e textos novosPróximo post: Novamente estou aqui









Quem?

Juliana Dacoregio
Jornalista, leitora voraz, escritora, cinéfila.
Observadora, vaidosa, passional, sensível.
Lágrimas abundantes e gargalhadas sinceras.
Leal aos amigos e ligada à família.
Cheia de opiniões e de capacidade de analisá-las e transformá-las.
Hábitos simples e pensamentos complexos. Ou vice-versa.

Redes Sociais
Heresia Loira no Orkut
Resenhas sobre cinema e literatura no Amálgama


Assine o Feed

Assina meu feedzinho aí, tio. Só pra ajudar!
O que é RSS?

Assine por email:

Heresia Loira








Jô Chama Eu

 Lost in Chick Lit

Image and video hosting by TinyPic


Eu no Digestivo Cultural:

b2evolution