Dá para acreditar que ainda exista gente que pense assim:
Você não vai passar o ar de mulher que valha alguma coisa mostrando a bunda na internet para qualquer um ver. Esse papo de que hoje tudo é permitido faz com que a mulher seja cada vez mais desvalorizada. Há um lado seu de vagabunda que acha que é escritora (você está longe de escrever algo realmente novo ou inspirador). Se você confiasse tanto no intelecto e se fosse tão boa nas letras, não usaria tanto o visual. E no fundo você sabe disso. Sabe dessa contradição. Por isso as críticas (verdadeiras, pois você é bem sem sal) doem tanto. Não digo que vá se vestir de mendigo, mas se vestir como prostituta também não ajuda nada. Se você quer parecer uma coisa, agir como tal ajuda muito.
Esse foi um comentário (anônimo) em meu outro blog. Veja aqui o post e os comentários.
Bem, o comentário pode ter sido de alguma "indivídua" ciumenta, invejosa e tudo mais, que tenha dito isso apenas para me atacar. Não sei se ela realmente pensa dessa forma. Mas que existe gente que pensa assim, ah isso existe aos montes.
Inclusive existem pessoas que afirmam que para uma mulher se proteger do risco de ser estuprada ela não deve usar roupas sensuais, nem ter um comportamento sexualmente liberal. Qual mulher nunca ouviu, após receber uma "mãozada" na bunda numa balada, aquela afirmação enervante "Ah, mas com essa saia curta, você tava pedindo, né?!".
É para lutar contra esse tipo de pensamento distorcido que vai acontecer amanhã, em São Paulo, a "Marcha das Vadias". O nome é esse mesmo! Como afirma Tica Moreno no site da TPM, "o nome ideal seria 'Marcha das Mulheres Livres', mas não teria tanto impacto na mídia". É verdade, ainda precisamos causar impacto e gritar pelo direito de usarmos a roupa que quisermos e escolhermos os(as) parceiros(as) que quisermos, sem sermos diminuídas, desprezadas ou tratadas como se estivéssemos PEDINDO para sermos estupradas, bolinadas e provocadas no meio da rua.
Lá na matéria da TPM está tudo bem completo, inclusive com depoimentos de algumas blogueiras que admiro muito, mas vou transcrever algumas coisas aqui pra vocês.
-> A Slut Walk começou a se desenrolar em Toronto, no Canadá. Em uma universidade, um policial dava uma palestra sobre segurança no campus universitário e argumentou que as estudantes deveriam evitar se vestir como vagabundas (daí vem o termo sluts) para não se tornarem alvo fácil de estupros.
-> Diante de uma declaração infeliz como esta, as estudantes decidiram protestar. E com razão! Ou será que é normal sofrer uma trágica e forçada agressão ao nosso corpo e mente e ainda assim nos sentirmos culpadas? Não restam dúvidas de que estupro é um medo presente na mente das mulheres e o distúrbio mental vem da parte do agressor. E não das nossas peças de roupas! Sim, vamos continuar nos vestindo do jeito que quisermos. Sempre.
-> É errado a sociedade dizer "cuidado para não ser estuprada" em vez de "não estupre". Somos livres para usarmos o que quisermos e, principalmente, somos livres de qualquer culpa desse ato.
"No Brasil, a gente tem o exemplo recente do Rafinha Bastos que fez uma piada dizendo que cara que estupra mulher feia merece um abraço, tem a frase do Maluf 'estupra, mas não mata', tem o caso da Geisy Arruda que todo mundo julgou como puta por causa de um vestido. Essa questão só parece pequena, mas a verdade é que ela oprime as mulheres todos os dias"
(Marjorie Rodrigues)
"Acho importante ir para a Marcha com roupas que a pessoa goste de usar e cartazes com dizeres: 'Este é meu corpo, meu precioso corpo me pertence'"
(Bianca Cardoso)
"Quando ouvimos falar em estupro, a primeira coisa que perguntamos é 'mas o que ela estava vestindo, onde ela tava ou que horas eram?'. Tudo sempre relacionado à postura da vítima. Então a gente fazendo a Marcha pode muito bem conscientizar algumas pessoas que todo o assunto 'estupro' está muito mal discutido.”
(Lola Aronovich)
Locais e horários:
Slut Walk - Marcha das Vadias em São Paulo
Quando: sábado, 4 de junho, das 14h às 17h
Onde: Praça do Ciclista - Final da Av. Paulista próximo à Rua da Consolação
Slut Walk - Marcha das Vadias em Belo Horizonte
Quando: sábado, 18 de junho, a partir das 13h
Onde: Trajeto: Praça da Rodoviária - Praça da Estação - Praça da Liberdade
Um texto que li hoje no Blogueiras Feministas, sobre o porquê de o feminismo não ser algo ultrapassado, também vem muito a calhar nesse momento. Lá a blogueira Georgia resume o que queremos:
...queremos ser iguais, ter os mesmos direitos, receber os mesmos salários, ser tratadas como gente, poder andar desacompanhadas sem sermos abordadas agressivamente, queremos não apanhar, não ser estupradas, violentadas, agredidas, queremos receber promoções pela nossa competência, queremos que nossa capacidade intelectual seja valorizada, ser donas de nossos próprios corpos, queremos defender nossas idéias sem sermos acusadas de sermos histéricas. É só isso.
Pois é. Simples mesmo, não é? Vai dizer que as mulheres já têm tudo isso? Aham, senta lá Claudia.
Outros textos para pensar sobre o assunto:
Queria e poderia me alongar mais sobre o assunto, mas falta tempo. Preciso preparar meu top e minha mini-saia para a marcha de amanhã! ;)
http://www.interney.net/blogs/htsrv/trackback.php/46652
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Juliana Dacoregio