Olha a cara do Jesus bem de saco cheio da minha pessoa!
| De Imagens Heresia Loira |
Desde que me desliguei da igreja passei por várias fases: acreditar em Deus à minha maneira; montar um Deus que se encaixasse em minhas convicções; em alguns momentos temer um castigo eterno, mesmo não crendo no inferno como um lugar real. Até que me descobri atéia e, desde então, também vieram várias fases: do espanto de perceber que eu não engolia mais a idéia de um Criador Todo-Poderoso ao ateísmo militante, querendo enfiar Richard Dawnkins goela abaixo de todo mundo. É patético, eu sei, fazer o quê? Quase todo ateu passa pela fase do fanatismo e, podes crer meu irmão, ficam tão chatos quanto qualquer fanático religioso! E depois que a gente percebe como estava sendo mala dá uma vergonha...
Claro que não estou falando dos ateus que divulgam o tema baseado em pesquisas, lêem filósofos e cientistas e não apenas livros de neo-ateus e possuem uma preocupação genuína e admirável em alertar sobre os avanços da razão X fé cega e alienante. Poderia citar o pessoal do Bule Voador e o Daniel, do Index, como exemplos desse ateísmo mais preocupado em discorrer sobre o tema, ao invés de atacar a fé alheia baseados em opiniões pessoais. Não sei como eles são no dia-a-dia, só posso afirmar, de minha parte, que já fui atéia fanática. Quem concorda com minha fase intransigente aqui no blog não vai perceber. Os que conviveram comigo na época podem dar seu "tristemunho".
Bom, mas peguei uma curva no assunto que de fato quero tratar. Na verdade, quero me confessar ao Grande Monstro do Espaguete Voador... Sim, eu pequei "enquanto atéia": PEDI ORAÇÃO! É, véio, a coisa apertou e eu pedi oração. Terei que rasgar minha carteirinha de ateísta e exilar-me para sempre numa Igreja Universal. A verdade é que tive um bom motivo para pedir e nem era por mim. Não que na hora do aperto eu tenha passado a acreditar em Deus. Nada disso. Continuava não crendo em nada sobrenatural - o que deixava a espera por respostas e notícias ainda mais angustiante. Nunca tinha passado por isso.
Não é agradável não crer num Deus quando se está torcendo para que não aconteça um desastre. Mas o que me moveu a pedir oração não foi fé em Deus, e sim fé na fé alheia. Estranho, eu sei. O raciocínio foi mais ou menos o seguinte: eu não creio, mas ela crê e é uma pessoa boa que vai desejar que tudo termine da melhor forma; então vou pedir que ela faça o que pode fazer. E a única coisa que ela podia fazer era orar. Ela também poderia pedir notícias, perguntar como estavam evoluindo as coisas e se alegrar quando tudo ficou bem. E tudo isso ela fez. Mas naquele exato instante, enquanto sofríamos e esperávamos, ela só podia mesmo orar. Depois me contou que meu pedido fez com que rezasse de joelhos, coisa que há muito tempo não fazia.
E agora, não sou mais atéia? Declaro-me agnóstica? Pouco importa. Não tenho a obrigação de orar, ler a Bíblia e cantar músicas gospel, mas também não me é proibido. Não tenho dívidas para com o ateísmo. Sou livre para descrer e, mesmo assim, confiar que não custa nada pedir para que mentalizem, orem, façam macumba, enfim, torçam para que tudo termine bem.
Mais ou menos sobre o mesmo tema, a Mayra, do Congeminemos postou ontem. Sobre como acha uma babaquice as pessoas que se incomodam com um “vai com Deus”:
"Gente que toma como ofensa o "Vai com Deus" dito por outras pessoas. Acorda? Isso é alguém querendo que você esteja bem. Que mal há nisso, mesmo? Se houver algum, por favor, me digam, que a bocó aqui não se incomoda at all com expressões de preocupação ou desejo de bem estar." (Das Tradições)
http://www.interney.net/blogs/htsrv/trackback.php/42283
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Juliana Dacoregio