O mundo exige que você brilhe, ganhe muito dinheiro, viva intensamente. Mas a “vida intensa” que habita os sonhos da maioria das pessoas está relacionada a delírios de grandeza e conquistas que causem inveja. Vivemos à procura de fortes emoções e desejamos o que nos dizem que devemos desejar.
Tudo que nos rodeia é quase sempre uma mensagem para que sejamos os melhores, os mais belos, os mais fortes. Todos querem sentar-se no topo do mundo e experimentar a admiração alheia. Mas o topo do mundo é lugar para poucos e aqueles que estão lá sonham com uma vida idílica e satisfazem-se com simplicidades.
Sempre pensei que fosse papo furado quando as grandes estrelas afirmam que o que mais querem é poder voltar a sua terra natal e formar uma família. Por que então não largam tudo e vão viver escondidas a vida tão sonhada? Porque a grandeza que o mundo idolatra, ao mesmo tempo em que atrai, intoxica. E é difícil abrir mão dela quando se é tudo que milhares de pessoas gostariam de ser.
Vira-se um ícone de si mesmo, a própria imagem se confunde com a imagem alimentada pela mídia, pelos fãs, pelos invejosos. A beleza não pode ser desperdiçada e só é válida quando mostrada ao mundo. Os talentos não podem ser usados para alegria própria e dos que estão ao seu redor. Precisam ser alardeados, numa busca frenética por fama, poder e glória.
E dificilmente reparamos o quanto estamos cercados por essa mentalidade, o quanto desejamos o que não desejamos de fato, mas aquilo que “se deve” desejar.
- O que você quer ser quando crescer?
E a criança responde: - Quero ser famosa.
Ela quer reconhecimento por algo que ela nem sabe o que é. Será que não reparamos o quão doente é esse sistema em que vivemos que faz com que o desejo de uma criança seja a fama? E como ela vai consegui-la? Talvez através de um grande talento e uma combinação de sorte, oportunidades, lugares certos nas horas certas. Mas quantas vão passar a vida nessa busca cega? Quantas vão conseguir os seus 15 minutos de fama com um vídeo “vazado” para a Internet expondo suas intimidades e cenas de sexo? Quanto de verdade há em nossos desejos? Por que precisamos ser sempre os maiores, os melhores, os invejados? A verdade é que não precisamos. E é triste saber que o maior desejo de uma criança (e o nosso?) é a fama por si só.
Sabe, Marlyn Monroe não agüentou o tranco de ser Marlyn Monroe. E Brigitte Bardot só encontrou a felicidade quando sumiu de cena e passou a dedicar-se a seus amados bichinhos. Deve haver alguma resposta aí.
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Juliana Dacoregio