24.03.10

12:41:27, Categorias: Livros, Leitura, Rasgação de seda  


Nunca fui uma das ferrenhas críticas de Paulo Coelho, como mostra meu texto Leia sem preconceitos, apesar de já ter resenhado o livro Os 10 Pecados de Paulo Coelho, que detona o mago-escritor até não mais poder.

A verdade é que os livros dele me serviram em alguns momentos da vida, quando eu ainda poderia acreditar em "Lenda Pessoal" e coisas do gênero. O último que li dele foi Veronika Decide Morrer e percebi que o estilo de escrita dele já não me seduz mais. Mas aqui e ali é possível pinçar coisas interessantes em suas obras, mesmo que você seja descrente e nada místico.

Mas sim, na adolescência me encantei com O Alquimista - uma fábula muito bonitinha, que me ensinou algumas coisas sobre a cultura árabe - e Brida (um dos muitos que peguei na biblioteca do colégio) me fez viajar na história da personagem-título; afinal aos treze/quatorze anos ler algo que mescla sexo, bruxaria poder feminino é (uau!) fascinante e faz qualquer menininha ficar se imaginando no lugar da protagonista.

Nas Margens do Rio Piedra eu Sentei e Chorei não me atraiu nem um pouco com aquela história toda de Nossa Senhora, mas o que me incomodou mesmo é que Pilar, a personagem principal, é chatíssima e o cara por quem ela se apaixona é um xarope de jiló!

Onze Minutos é a história de uma prostituta. Tem umas narrativas sobre sado-maso e sexo tântrico que eu gostei. (uiii!)

O Zahir nem lembro do que se trata, mas me marcou por falar das agruras de um escritor com bloqueio criativo, que passa o dia indo à padaria, passeando, sentando no banco da praça, vendo TV, fazendo tudo, menos escrevendo seu livro. Difícil não se identificar. Quem escreve sabe como é.

O Vencedor está só ganhei de presente de minha mãe e li no ano passado. É chato. Mas aprendi algumas coisas sobre os bastidores do Festival de Cannes e as mordomias dedicadas às celebridades. Só isso.

Nossa, acabo de perceber que já li mais Paulo Coelho do que imaginava!

Mas o objetivo desse post é contar que estou lendo O Mago, biografia do escritor mais criticado do Brasil, escrita por Fernando Morais e estou gostando bastante. Falem o que quiser de Paulo Coelho, mas o cara bateu o pé que queria ser escritor e teimou até conseguir. E ele admite que sonhava não só em ser escritor, mas em ser um escritor famoso e lido no mundo inteiro. Queria o pacote completo e não arredou pé enquanto não conseguiu.

Quando já ganhava uma boa grana com direitos autorais das letras que escrevia para Raul Seixas, poderia ter se acomodado e deixado de lado o sonho antigo ou ter bancado a publicação de seus próprios livros só para satisfação pessoal. Poderia ter seguido o caminho de "já como não dá para realizar o sonho completo, vou me resignar com a metade", mas não, ele ralou horrores para tornar real sua idéia fixa.

E outra, ele está com a mesma agente desde o início, que quando começou com ele era apenas uma garota de 21 anos sem experiência no ramo literário; ele foi mutcho loko, mas nunca perdeu de vista seus objetivos e confia tanto na opinião e na intuição de sua esposa que já chegou a jogar originais de um livro de 600 páginas no lixo porque ela disse que aquele livro estava cheio de energias negativas e não traria bons presságios (o ponto aqui não é o misticismo maluco dos dois, mas o valor que ele dá às palavras de sua companheira).
E pra completar, ele não pára no tempo, não faz o ranzinza dizendo que só escreve em máquina de escrever ou à mão e ainda tem blog e twitter.

Ganhou meu respeito e, se tudo que consta de sua biografia for a mais pura verdade, Coelho merece mesmo todo o sucesso que conquistou!
E, sim, eu acho que ler Paulo Coelho é melhor do que não ler nada.

Em outras palavras...
Paulo Coelho, te considero pra caramba!

Permalink 702 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (7)
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Comentário de: Indy · http://adapt-se.blogspot.com/

Se vc diz,então tá falado.

PermalinkPermalink 24.03.10 @ 15:36



Comentário de: Macaco Sapiens · http://cabecadecaos.blogspot.com

Pois é , não vou esconder , também já li muitos livros dele mas isso foi na época que eu não tinha gosto pela leitura. É nisso que o Paulo Coelho é bom: escrever para quem não gosta de ler. Ele usa uma linguagem simples , constrói uma historia cheia de fantasia (algumas as quais jura que é verdade)e você acaba preso ao livro. Os livros também são pequenos e de fácil entendimento , deixa tudo muito explicito e nada nas entrelinhas. O interessante é que , depois de um tempo , você esquece completamente do livro , pelo menos aconteceu comigo. Não lembro nada do Alquimista , nem de Brida , nem de O Mago ... um trecho ou outro que consigo resgatar na memória. Contudo , depois de ler os livros do Paulo Coelho e passei para os clássicos da literatura e desses eu lembro de quase todos por completo. Acho que a diferença está na "carga" que cada um traz consigo. Paulo Coelho não mudou em nada meus conceitos...agora Os Irmãos Karamazovi e Assim Falou Zaratustra , por exemplo, são impactantes e marcam sua passagem pela vida da pessoa , logo você sempre carrega a lembrança dos mesmos.

PermalinkPermalink 24.03.10 @ 17:52



Comentário de: messias fernandes · http://www.vivaouexista.blogspot.com/

.
.
uma vez eu quase virei bruxo...

mas aí terminei de ler o "diário de um mago" e fui parar em um seminário para ser padre...

mas aí conheci um disco de vinil dos engenheiros do hawaii... e eu tinha uma fita k7 com as melhores do Raul..

então fui salvo!

R: Aleluia! :p

PermalinkPermalink 24.03.10 @ 18:39



Comentário de: André HP · http://www.formigueirocomunista.com/sss

Meus professores todos criticam ele contundentemente. É o escritor mais traduzido, ganhando até do queridíssimo Machado de Asis.

PermalinkPermalink 26.03.10 @ 21:41



Comentário de: Ana Luiza

Paulo Coelho é um problemão para a Academia, só por isso, eu já simpatizo com a figura. Claro, que eu li o PC na adolescência, principalmente, porque meus professores de literatura odiavam-no mais que tudo rsrsrs. Então, eu li o Alquimista, Brida entre outros livros desse autor. Nisso, ele me foi útil, em despertar o interesse pela leitura. Se bem que sempre me lembro de olhar o horizonte, por causa dele. Acho que ele fala disso em "As Valkírias", olhar o horizonte, ouvir sua voz interior. Não tenho nada contra e gosto do incômodo que ele causa nas faculdades de letras. Outro dia ouvi meu professor dizer que o PC é lido na França porque a tradução é boa. Talvez, seja..talvez não. De qualquer forma, o cara incomoda. Mas, ler uma Virgìnia Woolf, um Borges mexe com a gente de uma maneira muito mais profunda. Abraços!

R: Naquele livro que eu resenhei para o Amálgama, fala sobre isso de ele ser lido em outros países porque a tradução é boa. Não sei. A tradução pode ser boa e sanar alguns erros de gramática, concordância ou construção de frases em português, mas o conteúdo continua o mesmo. Mas os literatos sempre vão ter calafrios só de ouvir o nome Paulo Coelho. ;)

PermalinkPermalink 27.03.10 @ 18:27



Comentário de: Adilson Santana · http://jn.sapo.pt/blogs/adilson_santana/default.aspx

Para se ser um anjo, viva antes o teu demónio


Ontem li um artigo jornalístico que fazia referência ao lançamento em breve de um livro descrito como sendo, a auto-biografia de Paulo Coelho, um dos meus escritores de eleição.

O livro não foi escrito pelo próprio, porém, autorizado pelo mesmo, facto esse que não altera em nada a minha estupefacção. Não; ainda não li o livro, até porque nem sequer foi lançado em Portugal, também não sei se o lerei, poderia dizer que não sei se o lerei porque não foi escrito pelo próprio, porém seria apenas uma legítima arrogância minha, mas não, a questão não é essa. Não devo ler, apenas porque sou um anjo, apenas porque vivi meu estado demoníaco, e para chegar a esta conclusão, devo isso mais uma vez ao meu escritor de eleição.

Ao ler algumas das peripécias do passado daquele homem, foram-me surpreendentes as nossas parecenças no caminho trilhado por ambos. Inevitavelmente comecei a reflectir sobre o por quê dos (quês), afinal eu pouco ou nada sabia acerca deste homem, sabia apenas que na minha juventude, ele havia escrito algumas letras conjuntamente com Raul Seixas, um «louco» que soube diabolicamente falar aos jovens suas revoltas, cantar seus medos, e que encantava seu público ávido de algo demoníaco que nos libertasse das teias proféticas.

Eu até ontem sabia isso, no dia de hoje sei um pouquinho mais, e não sei se quero saber mais, talvez queira mesmo esse pouquinho, por que leva-me ao muito, existem perguntas que não vou fazer, apenas a reflexão a que me permito.

Um dia perdido nas vielas da vida encontrei um livro que se chamava Manual do guerreiro da luz, autor Paulo Coelho, no imediato não fiz a ligação entre o autor do livro e o autor das músicas da minha geração, estava demasiado imbuído no meu egocentrismo para perder tempo em saber quem havia escrito tais palavras que me faziam tanto sentido. Que me importava o autor? Importava-me o conteúdo, e este sim, me fazia todo sentido naquele momento de busca.

O tempo passou e fui me tornando num leitor mais assíduo aos escritos do autor, chegou Verónica decide morrer, «devorei» o livro, impus aos amigos a leitura de Paulo Coelho, ele era brilhante, sabia escrever, sabia contar uma história, mais que tudo isso, sabia transmitir segurança, acreditação na vida decrépita de tantos de nós…

O homem sabia muito dos sentimentos humanos, e eu atolado na minha avidez de consumo d’almas sanas, continuava meu périplo nas escritas do Paulo, sem nunca ter parado para pensar quem era ele, cheguei a saber que era o tal que a tempos passados havia participado na composição de algumas letras do Raul, mas e daí?! Escreveu, escreveu e pronto. O Raul já morreu, as músicas eu ainda tenho guardadas cuidadosamente nos meus discos de vinil, e o Paulo sabe escrever coisas que eu gosto de ler. Que me importa quem é o Paulo!? Sei que ele é alguém que sabe coisas e isso basta-me para satisfazer a minha avidez.

Ontem descobri um pouquinho do Paulo, segundo o resumo da reportagem fiquei sabendo que ele na adolescência~, fora internado num hospital psiquiátrico, manipulava informação, inventava reportagens, chegou mesmo a falsificar a assinatura do pai, fazia apologia da droga e do álcool, dizia-se apoiante do partido comunista, e talvez um dos seus maiores "pecados", sofria de desamor, não pelos outros, mas por ele mesmo, depressivo e incrédulo andou em busca de si mesmo por caminhos envoltos em revolta…

Ontem eu acordei para o Paulo, tamanhas eram as parecenças no nosso percurso de busca.

Não, não sei se vou ler o livro que começam a apresentar aos potenciais compradores como sendo a auto-biografia autorizada do escritor Paulo Coelho.

Eu já descobri que para sermos anjos, devemos antes vivermos o demónio de nós, permitimo-nos a inveja, á cobiça, á traição etc.

Por vezes ficamos atolados no medo, parece que nunca mais sairemos daquele terreno lamacento, porém a experiência nos mostra que ao ficarmos temporariamente presos, isso nos permite olharmos em volta, e assim forçados, analisamos intensamente o modo como fomos ali parar e a forma de como vamos dali sair, analisamos a vida ao nosso redor, questionamos mesmo, se queremos efectivamente sair daquele terreno de lamas que nos prende e que nos ensina os mistérios da grande travessia da vida.

Tornar-me-ei um anjo, quando o demónio de mim trouxer a experiência das conquistas, a amargura das batalhas inglórias, os tiros furtivos aos caçadores mais incautos que eu. Lamberei as minhas próprias feridas, como um animal que viu-se forçado a lutar por algo em que ele não concordava, apenas acreditava que pudesse ter um mundo diferente, por isso sofreu numa guerra que o deixou repleto de cicatrizes, mas sabe que cada uma delas contam histórias de ganhos e perdas, umas doem mais que outras ao serem remexidas, então lambe-as, acalentando seu próprio corpo que insiste em seguir a busca depois de mais uma enorme frustração, após a perda do belo.

Hoje redescobri em mim, partes do Paulo, não, não renego o Paulo, antes pelo contrário, sublimarei os outros tantos Paulo(s) que todos os dias se cruzam comigo nas ruas por onde ando, nos becos onde alguns tentam se afugentarem dos seus próprios demónios, antes de, também eles, se reverem como já sendo os anjos de nós; continuarei meu percurso de interacção, associando-o a integração de todos nós, anjos denominados demónios.


Adilson Santana

Vila Nova de Gaia, 12-04-009

R: Adilson, se você já gosta dos livros de Paulo Coelho, leia a biografia. Creio que não vai se arrepender. :)


PermalinkPermalink 28.03.10 @ 13:51



Comentário de: luiz · http://www.luizvcc.wordpress.com

cara amiguinha, li um livro de Paul Rabbit e te em verdade te digo te digo: esse cara é o maior mala. quem acha que esse
negócio de bruxo é só marketing, tá muito enganado...
em suma, a vida darling é muito curta para ler bons
livros...evite-os. Leia apenas os melhores.

PermalinkPermalink 26.05.10 @ 11:59



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