05.03.10

15:13:57, Categorias: Livros, Leitura, Losing my Religion  


Adair Fernandes Griloo, natural de Criciúma, SC, tem 62 anos de idade, dos quais 30 passou pesquisando sobre comportamento humano e transmissão do conhecimento. Formado em Ciências Humanas, com uma breve passagem pela graduação em Matemática, Adair se considera um autodidata, sobretudo nas áreas de antropologia e sociologia. Tendo passado boa parte de sua vida entre os Estados Unidos e a Europa, Adair está de volta a terra natal para lançar seu segundo livro: “Abstração: Trama e Urdição”. Conversei com Adair na Fátima Bookstore onde ocorrerá o lançamento do livro amanhã (06/03), a partir das 10 horas, e transcrevo um aqui um trecho de nossa conversa/entrevista.

O que fez você direcionar seus estudos para a área da fé, comportamento e religião?
Eu já fui católico praticante, fazia leituras na missa, era catequista. Não sei precisar ao certo quando começaram meus questionamentos, mas sei que o processo levou alguns anos. Basicamente as explicações sobre os conceitos de fé não me satisfaziam. A felicidade sempre esteve agregada à espiritualidade e eu acho que a experiência humana é muito maior do que isso. A necessidade de compreender o conceito de vida após a morte também me moveu nesses questionamentos e na busca por respostas a eles.

Você acredita num Ser Superior ou é ateu?
Se sou ateu, ou não, é irrelevante. O importante são os questionamentos que faço no meu livro. Lendo você não vai ter dúvidas quanto a isso. Mas digo que tenho esperança na vida, não na morte. Acreditar em Deus não é uma obrigação humana, antes é uma liberdade humana. Mas isso não lhe torna melhor, nem pior do que os outros.

Qual o objetivo de “Abstração: Tramas e Urdição”?
Expor meus questionamentos e fazer as pessoas se questionarem.

Um religioso que leia seu livro pode ter a fé abalada?
Ele ficará mais curioso. Mas quanto a um abalo na fé, isso depende de cada um. O conhecimento é como um alimento. Você pode se empanturrar com ele quando fica obcecado por uma coisa só.

Seu livro é um incentivo ao ateísmo?
Meu livro sugere o ateísmo, tanto que tem um capítulo dedicado a ele, mas não é um incentivo.

Mesmo não se posicionando como ateu, tanto que ele nem toma muito conhecimento do ateísmo militante de Richard Dawkins, Adair afirma que “a idéia da divindade não é uma idéia saudável para a humanidade”, por causa do aspecto competitivo das religiões proféticas, mas concorda que Deus é muleta confortável para quem crê. Mas, “uma muleta”, faz questão de ressaltar.
Quando dizem a ele a clássica frase: se Deus não existisse a humanidade seria um caos! Ele apenas responde: Mas a humanidade já é um caos!
Para quem quer conhecer mais sobre as grandes questões da vida, ele sugere a leitura das obras e da história de vida de Galileu Galilei, Charles Darwin, Nicolau Copérnico e o filósofo Protágoras, que inclusive possui um capítulo inteiro dedicado a ele em “Abstração: Trama e Urdição”. Além, é claro, de seus livros. Ele também publicou a obra “Cartas a Mr. Tresmil”, em 2006.

Para adquirir "Abstração: Trama e Urdição", visite o site.

Permalink 560 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (6)
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Comentário de: Helen Araujo · http://incumbencia.blogspot.com/

Parece um livro interessante... E o autor não parece ser arrogante, diferente de alguns ateus; já é um bom começo.

PermalinkPermalink 06.03.10 @ 18:42



Comentário de: Gustavo

"Quando dizem a ele uma frase clássica: se Deus não existisse a humanidade seria um caos! Ele apenas responde: Mas a humanidade já é um caos!"....

Talvez esse caos fosse pior sem o "freio" de um Deus vingativo e rigoroso, que assusta a maioria dos crentes;

Talvez fosse melhor se deixassem de existir o virulento fanatismo religioso;

Com certeza seria melhor se as pessoas pudessem absorver a mensagem magna da maioria das religiões: amor fraterno, prática da bondade e do respeito. Apenas isso e nada de "acessório".

Desse modo, o paraíso poderia para sempre ser terrestre...




PermalinkPermalink 08.03.10 @ 14:26



Comentário de: Marcio · http://www.caiofabio.net

Nada que um homem escreva, faça ou prove abala a fé de quem teve realmente uma experiência não com o deus evangélico ou cristão, mas com o Criador de todos os universos. Nem mesmo qualquer criatura desta ou de qualquer outra dimensão. Quem se sente abalado na sua fée, é porque nunca teve fé real,mas apenas uma fé na religião.

PermalinkPermalink 10.03.10 @ 12:51



Comentário de: ronaldo campanaro

Caro Gustavo

" Talvez esse caos fosse pior sem o "freio" de um Deus vingativo e rigoroso, que assusta a maioria dos crentes;"
Você realmente acha que os crentes se movem por medo ?
Realmente não conhece um verdadeiro cristão ou está apenas
falando de um estereótipo de crente .
Os crentes verdadeiros não tem medo de um " Deus
vingativo " embora saibam que a vingança pertence a Ele e que Ele
é justo e abomina o pecado e não toma culpado por inocente .
Os cristãos verdadeiros não são " controlados " pelo
medo , muito pelo contrário , o amor verdadeiro demonstrado
por Deus nos liberta de todo medo .Sabemos que somos perdoados
de nossos pecados e que somos libertos então não precisamos
temer . Somente os ímpios e descrentes é que tem medo ,
porque as sua obras feitas nas trevas são denunciadas e
colocadas na luz por Deus .
Não confunda " temer a Deus " com ter medo , pavor de
Deus . Temer é honrar , venerar , reverenciar a Deus que é ]
fruto da gratidão pela salvação e perdão dos pecados enquanto
que o medo é um reação instintiva fruto da constatação de
culpa e expectativa de punição , juízo .
Realmente o fanatismo religioso é uma praga que assola a
humanidade , é uma tentativa infrutífera de se chegar a
Deus por meios próprios . Graças a Deus que Jesus Cristo
nos liberta até mesmo do fanatismo religioso !!
Um abraço

PermalinkPermalink 23.03.10 @ 12:19



Comentário de: Rodrigo Tavares Lima · http://NIHIL

Existem aqueles que concebem quimeras e dão à luz o engodo, e existem outros, similares que incentivam e preferem a incerteza do "auto-engano", que é muita, à certeza da verdade, que é pouca. Há uma análise verdadeira, e trata-se de uma distinção extremamente necessária; a saber: Más palavras, mesmo sem más ações, em si mesmas já são uma péssima coisa.
Outrossim, deve-se tomar por certo que o prefalado ateísmo nada mais é do que um eloqüente testemunho da existência de Deus.

PermalinkPermalink 03.09.10 @ 15:30



Comentário de: Nilzete Coelho

Muito bem colocado Ronaldo Campanaro.
Que DEUS tenha misericordia desse moço.

PermalinkPermalink 08.02.12 @ 16:07



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Juliana Dacoregio
Jornalista, leitora voraz, escritora, cinéfila.
Observadora, vaidosa, passional, sensível.
Lágrimas abundantes e gargalhadas sinceras.
Leal aos amigos e ligada à família.
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Hábitos simples e pensamentos complexos. Ou vice-versa.

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