
Adair Fernandes Griloo, natural de Criciúma, SC, tem 62 anos de idade, dos quais 30 passou pesquisando sobre comportamento humano e transmissão do conhecimento. Formado em Ciências Humanas, com uma breve passagem pela graduação em Matemática, Adair se considera um autodidata, sobretudo nas áreas de antropologia e sociologia. Tendo passado boa parte de sua vida entre os Estados Unidos e a Europa, Adair está de volta a terra natal para lançar seu segundo livro: “Abstração: Trama e Urdição”. Conversei com Adair na Fátima Bookstore onde ocorrerá o lançamento do livro amanhã (06/03), a partir das 10 horas, e transcrevo um aqui um trecho de nossa conversa/entrevista.
O que fez você direcionar seus estudos para a área da fé, comportamento e religião?
Eu já fui católico praticante, fazia leituras na missa, era catequista. Não sei precisar ao certo quando começaram meus questionamentos, mas sei que o processo levou alguns anos. Basicamente as explicações sobre os conceitos de fé não me satisfaziam. A felicidade sempre esteve agregada à espiritualidade e eu acho que a experiência humana é muito maior do que isso. A necessidade de compreender o conceito de vida após a morte também me moveu nesses questionamentos e na busca por respostas a eles.
Você acredita num Ser Superior ou é ateu?
Se sou ateu, ou não, é irrelevante. O importante são os questionamentos que faço no meu livro. Lendo você não vai ter dúvidas quanto a isso. Mas digo que tenho esperança na vida, não na morte. Acreditar em Deus não é uma obrigação humana, antes é uma liberdade humana. Mas isso não lhe torna melhor, nem pior do que os outros.
Qual o objetivo de “Abstração: Tramas e Urdição”?
Expor meus questionamentos e fazer as pessoas se questionarem.
Um religioso que leia seu livro pode ter a fé abalada?
Ele ficará mais curioso. Mas quanto a um abalo na fé, isso depende de cada um. O conhecimento é como um alimento. Você pode se empanturrar com ele quando fica obcecado por uma coisa só.
Seu livro é um incentivo ao ateísmo?
Meu livro sugere o ateísmo, tanto que tem um capítulo dedicado a ele, mas não é um incentivo.
Mesmo não se posicionando como ateu, tanto que ele nem toma muito conhecimento do ateísmo militante de Richard Dawkins, Adair afirma que “a idéia da divindade não é uma idéia saudável para a humanidade”, por causa do aspecto competitivo das religiões proféticas, mas concorda que Deus é muleta confortável para quem crê. Mas, “uma muleta”, faz questão de ressaltar.
Quando dizem a ele a clássica frase: se Deus não existisse a humanidade seria um caos! Ele apenas responde: Mas a humanidade já é um caos!
Para quem quer conhecer mais sobre as grandes questões da vida, ele sugere a leitura das obras e da história de vida de Galileu Galilei, Charles Darwin, Nicolau Copérnico e o filósofo Protágoras, que inclusive possui um capítulo inteiro dedicado a ele em “Abstração: Trama e Urdição”. Além, é claro, de seus livros. Ele também publicou a obra “Cartas a Mr. Tresmil”, em 2006.
Para adquirir "Abstração: Trama e Urdição", visite o site.
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Juliana Dacoregio