
Então você toma uma decisão. Sabe que é o melhor que você poderia fazer, ao menos naquele momento. Decisão tomada, ação praticada. E aí você começa a sentir... Tudo que você imaginou que ia sentir só depois de umas boas semanas, você começa a sentir em míseros dois ou três dias. Saudade corrói.
Mas você sabe que está no lugar onde devia estar. Você nem queria estar em outro lugar. Racionalmente você não queria nada diferente. Isso pode ser muito irritante porque não se tem a quem culpar! É preciso um exercício de aceitação zen-budista para lembrar que foi você que escolheu assim e que a escolha foi sensata. Agora é agüentar o tranco: a saudade, a distância, o sim ou o não. Cada um sabe o tranco que tem de agüentar. Ser adulto, ser racional, ser consciente, não pôr a culpa em ninguém. Impossível se rebelar contra o destino quando você não acredita nele. Então, pode até chorar e espernear, mas logo em seguida se levantar e voltar ao mantra: isso é o melhor, isso é o que dá pra fazer, isso vai render bons frutos, é a opção mais sensata e assim por diante, ad infinitum. E no fundo, no fundo, pensa bem... Você nem quer espernear! Você quer é aceitar numa boa. Mas quem disse que aceitação é uma coisa que vem fácil? Não rola. Não naturalmente. O que nos leva de volta... ao mantra!
Ah, mas se existisse um universo paralelo com tudo de bom que você viveu e com tudo que idealiza viver. Era só isso que você queria: um universo paralelo para fugir de vez em quando. Eis-nos aqui. Mas mesmo assim é só um paliativo. O universo paralelo não existe e não vai lhe fazer feliz. Só a realidade lhe faz feliz. E quando ela não dá conta do recado... O negócio é sublimar. Quem disse que todo mundo é obrigado a ser feliz e satisfeito com tudo o tempo todo?

E não é que George Orwell tem um blog?! Estilo diarinho ainda por cima, ele não tá nem aí pras regras da blogosfera!

Às vezes há textos tão bons, tão bem articulados e que tem tanto a ver com o que a gente pensa, que não há mais o que argumentar em cima dos referidos assuntos. Resta-nos apenas recomendar... Leiam!!!
Sobre ateísmo e falsas simetrias, de Idelber Avelar:
"Apesar do caráter laico da República Federativa do Brasil, garantido na nossa constituição, as religiões ainda gozam desses estranhos privilégios: não pagam impostos, por exemplo. A pior parte é que elas podem dar palpite em absolutamente tudo -- desde o currículo escolar até o útero alheio – mas, no momento em que são questionadas, o debate é silenciado com aquele mais cretino dos argumentos, ah, tem que respeitar minha religião.
Entendam o ponto de vista d' O Biscoito Fino e a Massa sobre isso: tem que respeitar religião porra nenhuma. Tem que acabar com essa história de que, todas vezes que apontamos a misoginia, a homofobia, os estupros de crianças, a guerra anticiência, os séculos de lambança obscurantista, sempre aparece alguém para dizer "ah, tem que respeitar minha religião"."
Leia o texto na íntegra AQUI
Sobre feminismo, de Ana Carolina Moreno (a @anarina)
"Um mundo perfeito, segundo o conceito de feminismo, seria então um mundo sem machismo. Mas não com um anti-machismo ou um machismo reverso. E um mundo perfeito, segundo o machismo… Bem, olhe pela janela! Nós vivemos nele e não há qualquer sinal de que ele tem perdido força nas últimas décadas (ou séculos)."
Leia o texto completo AQUI
Sobre cirurgias íntimas, diversidade vaginal e cirurgias plásticas como cura para a baixa auto-estima, de Marjorie Rodrigues (aliás eu poderia indicar outras dezenas de textos da Marjorie para quem quiser entender melhor o feminismo e que ele ainda é uma luta válida e necessária. Aprendo e reflito muito lendo aquele blog):
"Outra coisa que me dá nos nervos é essa retratação da baixa auto-estima como um problema estritamente pessoal, como se não houvesse fatores culturais que influenciassem isso. Ora, se ouvimos o tempo todo que nossos corpos nunca estão bons o suficiente, é óbvio que a auto-estima irá para o brejo, não? Se nos sentimos um lixo, é porque vocês nos dizem o tempo todo que somos um lixo. E que precisamos pagar à indústria que diz que somos um lixo para que ela nos corrija."
Clique AQUI e leia o texto completo

Não terei a menor pretensão de separar o artista de sua obra: Fal Azevedo é a autora e a história. Nesse caso, a história se chama “Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite”. Fal é o tipo de pessoa que sofre, conta o que sofre, mas sem querer, nos conforta no seu sofrimento. Não me entenda mal, não é o pensamento “antes ela do que eu” o que nos deixa confortados. É que ao expressar suas dores (ou as dores de sua protagonista) ela o faz de uma forma esperançosa. Mais uma vez é bom esclarecer: Fal não é uma caricatura do pensamento positivo, tampouco escreve auto-ajuda.
Em “Minúsculos Assassinatos” ela apenas narra a trajetória de uma mulher que perdeu muitas coisas ao longo da vida, mas mesmo assim continuou. Não como se fosse fácil. Não cheia de entusiasmo e negação inconsciente das tragédias da existência. Apenas continuou. Um dia após o outro, após o outro, após o outro. “Só hoje vou viver sem surtar”, parafraseando o mantra dos Alcoólatras Anônimos. Um dia uma decisão, outro dia mudar para a praia, alugar uma casa, trabalhar um tanto, conversar muito com os amigos por e-mails, trocar receitas... E como tantos de nós, refugiar-se em uma cozinha aconchegante, preparando comidinhas e comendo, como quem dá e recebe carinho.
E no meio de toda essa rotina trivial estão as memórias dessa mulher (A personagem? A Fal?) cheia de perdas e recomeços.
“Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite” chegou até mim num período difícil, em que eu estava onde não queria estar, percebendo o que eu não queria perceber e envolta em dilemas que na época pareciam insolúveis. Então ali, nos copos de leite, nas receitinhas, na cozinha e nos e-mails do alter-ego de Fal eu mergulhei. Lendo para fugir, me encantei.
Antes de comprar o livro eu já sabia que Fal Azevedo era blogueira. Fiquei sabendo de sua existência na entrevista que ela concedeu ao Amálgama. Visitei o blog, dei umas passeadas pelos posts, mas sem me ater a nada. Só que depois de ler o livro não resisti ao ímpeto de parabenizá-la e tentar um contato mais próximo. E que surpresa boa constatar o quanto ela é acessível, doce e como valoriza cada leitor e agradece cada elogio com alegria e humildade.
Fal é um sorriso em forma de pessoa. Um sorriso como aqueles do tipo sincero que descrevi aqui. E o seu “Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite” é uma obra confessional que recomendo a todos que tem a tal da alma poética e também àqueles que precisam se lembrar que sem ternura e um pouquinho de auto-indulgência a vida não tem graça nenhuma.
PS-A imagem com os gatinhos e o livro é de LadyBugBrasil.

"A enquete publicada no site do Senado que pergunta "Você é favorável à aprovação do projeto de lei (PLC 122/2006) que torna crime o preconceito contra homossexuais?" fez um tal de "Internautas Cristãs" criar uma campanha para que o "NÃO" vença. Pelo andar do resultado, até aqui, eles estão conseguindo. O "NÃO" está vencendo com 61% contra 39% do "SIM". O texto dos evangélicos que pede para que seus seguidores votem no "NÃO" diz que caso a lei antidiscriminação seja aprovada, "estaremos institucionalizando em nosso país o sistema de castas e todos aqueles que não forem homossexuais serão considerados cidadãos de segunda classe". O texto termina dizendo que "Os movimentos gayzistas querem calar a Palavra de Deus. Não permita!".
Enquanto isso, a comunidade gay parece não reagir a esse temerário conservadorismo. Se você quer reagir, clique AQUI e vote."
Texto de Mix Brasil

"Tudo é uma questão de interpretação. Não existe jeito certo ou errado. Faça como você entendeu."
Ouvi essa frase em uma aula de dança moderna que fui assistir já faz mais de ano, lá em Floripa. E não serve mais ou menos pra tudo na vida?
Tudo é uma questão de interpretação. Interpretação tanto no sentido de entender quanto de atuar. Você está num palco e o diretor está aí dentro, na sua mente. Às vezes está lá fora, nas circunstâncias. Uma direção conjunta, quem sabe? Mas é você quem vai decidir quem é o diretor mais fodão, aquele a quem você mais vai obedecer.
Tudo é uma questão de interpretação. Não existe jeito certo ou errado. Tá bom, às vezes existe, mas não tão exageradamente como você faz parecer quando engessa sua mente, suas iniciativas, suas atitudes.
Tudo é uma questão de interpretação. Faça do jeito que você entendeu. E do jeito que for preciso, quando assim for necessário.
Por que o que é a vida pra gente ter medo dela?
Um cenário, um roteiro, personagens, scripts.
E um dia o diretor vai dizer CORTA!
Mas enquanto isso...
Ainda há muitas falas a serem ditas.
Muitas improvisações a serem feitas.
Muitos roteiros a serem discutidos e transformados.
Enquanto isso é só ACTION!
E "vambora", que há muitas cenas a serem rodadas.
Assita: Synecdoche Nova York
E para provar minha própria teoria, talvez você considere esse filme extremamente pessimista. Mas eu só reforcei a idéia de que é preciso "ir e viver". Não num sentido super otimista, ao estilo dos leitores do O Segredo. "Ir e viver" seja o que for. Viver a tristeza, o luto, a alegria, o desafio, o descanso, a preguiça, o medo, o amor, a frieza, a emoção, o sonho, o desejo, a realidade, o pé no chão... Há tempo para todas as coisas, não? Às vezes não é o tempo que a gente quer, mas há tempo.
Talvez ser lembrado de que "na maior parte do tempo estamos mortos ou ainda nem nascemos" seja muito deprimente para você. E é. Mas da mais fatalista das constatações podem sair as mais libertadoras e felizes certezas.
Juliana Dacoregio