16.09.09

23:34:39, Categorias: Comportamento, Cotidiano, Crônicas  


Um amigo se foi.
Não era íntimo, mas era íntimo dos íntimos.
Não era íntimo, mas já havíamos compartilhado das mesmas baladas, o que acaba criando aquela intimidade rápida e louca de pessoas que se unem em uma rodada de dança, música, bebidinhas e muito riso. Aquelas noites que geram piadas internas que duram o ano inteiro. Esteve aqui em casa.

E antes disso... Antes disso ele já era o menino da vídeo-locadora...
O menino da vídeo-locadora com um gosto cinematográfico bem diferente do meu. Eu nunca deixava ele me dar muitas indicações. Mas ele sempre queria dar suas dicas e falava muito, às vezes, contava mais dos filmes do que eu gostaria de saber antes de assisti-los. O menino da vídeo-locadora com cabelos cacheados. O único alto e magro da vídeo-locadora. O menino da vídeo-locadora que cursava psicologia.

Para mim ele era isso, mas era muito mais para muito mais gente. Ele era tanta coisa. E hoje todas essas coisas estão muito mais cheias de significados. Ele era tanta coisa. E se foi.

Daí olho ao meu redor, vejo os que estão por aqui e percebo que às vezes coisas tão pequenas me afastam deles. Vale a pena? Vale a pena a irritação, vale a pena o orgulho, vale a pena olhar para o que deixaram de fazer por mim? Vale a pena desconfiar e acreditar sempre que as pessoas tem as piores intenções possíveis? Não vale. Não vale, porque pessoas são falhas e diferentes. E esse "diferente" não quer dizer melhor ou pior, é apenas diferente. E da mesma forma que é diferente o jeito de comer, de falar, de andar, é diferente também o jeito de amar, de valorizar e de demonstrar. É diferente o que machuca e o que alegra. Mas a amizade está ali, talvez mais forte do que você imagine. E um amigo que se vai, coloca as pequenas coisas e as pequenas diferenças em seus devidos lugares. Lugares minúsculos, lugares de pequenas coisas, pequenos lugares que deveriam receber apenas um breve olhar míope de nossa parte.

Permalink 366 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (14)
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Comentário de: Ricardo Chicuta · http://www.asaventurasdechicuta.blogspot.com

Morte é sempre uma coisa complicada para se opinar.Todo mundo é filho de alguém,pai de alguém,amigo de alguém.Mesmo que você não conheça te choca saber da morte de alguém tão jovem.Enfim...é foda...

PermalinkPermalink 16.09.09 @ 23:50



Comentário de: Tony Lopes · http://www.pessoascomuns.blogspot.com

Incrível como a morte nos coloca em estado de reflexão.
Parabéns, belo texto.

PermalinkPermalink 16.09.09 @ 23:55



Comentário de: Ana Reczek

TEm razão Ju
Uma perda como essa deixa a gente sem saber o que pensar. Tive pesadelos por duas noites com tudo isso...
No fim a gente conclui que tem que viver muito e agora, porque a vida um dia acaba.

PermalinkPermalink 17.09.09 @ 00:22



Comentário de: Bibi · http://bibidivagaemlorota.blogspot.com/

Incrível essa tal coisa chamada vida. Até nos piores momentos ela nos traz algo de bom. No mínimo amadurecimento...

Ainda bem que existe as diferenças, imagina o eterno tédio se fôssemos iguais e lineares...

PermalinkPermalink 17.09.09 @ 09:50



Comentário de: mariana

sinto muito. não me acostumo nunca com histórias de gente
jovem que, simplesmente, se vai, nos deixa. É inverter
a ordem natural das coisas.

E se dói em você - e em nós, que nunca ouvimos falar dele -
imagina o que aquele que o ama deve estar sentido?

E PIOR, e se alguém que o ama tivesse com um rancorzinho
dele, porque ele não ajudava em casa... Ahh obrigada por me
fazer pensar nisso! Obrigada mesmo!

PermalinkPermalink 17.09.09 @ 10:38



Comentário de: T1460 · http://meadiciona.com/t1460

Morte costuma ser triste. Daí o desejo das pessoas em querer vencê-la. O problema é que ninguém conseguiu até agora, e uma hora será a nossa vez de perder... O jeito é aproveitar até lá.

PermalinkPermalink 17.09.09 @ 13:24



Comentário de: Iuri Sônego Cardoso · http://www.ocioneticos.blogspot.com

A Morte...

Sorradeira por trás de um câncer, junto de uma bala calibre 38, de carona no carro que capotou e inesperado como o escorregão idiota na calçada.

Os que ficam lamentam-se pelos que vão. Mas essa é a lei da vida. Vai-se o último sinal de vitalidade e o que resta são lembranças (as vezes boas, as vezes ruins).

Aproveite cada minuto com os vivos. Nunca saberemos quando chegará a hora deles (e a nossa também).

Contudo, apesar desse momento requerer respeito e reflexão, não requer tristeza. Mesmo que se acredite que a consciência deixe de existir junto com a vitalidade do corpo, essa é a lei da vida e nada se pode fazer a não ser aceitá-la e olhar para para frente.

Isto pode soar como conformismo, mas ai vem minha pergunta: Adianta de alguma coisa não se conformar, neste caso?

Abraços
ps: Gostei do blog, Juliana. Muito bom os seus textos. Parabéns!

PermalinkPermalink 17.09.09 @ 13:31



Comentário de: Eduamar

Gostei das "piadas internas que duram o ano inteiro". Belo achado.

PermalinkPermalink 17.09.09 @ 14:49



Comentário de: Rogério Silva · http://rogsilva.wordpress.com

A foto das crianças ilustrou bem seu texto.

Li num livro uma vez que quando a gente olha pra morte é que a gente aprende a viver.

Quando a gente era criança é que a maioria de nós viveu melhor. Tudo é simples, ninguém faz a menor questão de ter sucesso ou ser dono da razão.

Quem dera pelo menos de vez em quando a gente pudesse viver como crianças na praia, só contemplando o mar, sem se preocupar.

PermalinkPermalink 17.09.09 @ 17:41



Comentário de: Indy · http://adapt-se.blogspot.com/

Morrer sempre se torna à certeza sobre coisa nenhuma, batalhamos por toda a nossa vida e, perdemos a guerra.O que torna a vida digna é o simples fato de vivê-la.Lembro-me do meu avô explicando porque não estaria sempre comigo, porque ele um dia morreria, e era tudo tão sem sentido pra mim, eu pensava que não, não deveríamos morrer.O tempo passou e eu aprendi tantas coisas, mudei tanto de opinião, mas em relação à morte ainda penso o mesmo que há quatorze anos atrás, penso que, não deveríamos morrer.E agente se apega a tantas coisas pra ter certeza que sempre vamos existir em algum lugar, que nessa vontade de ser eterno acabamos, por não viver como deveríamos.

Quando essa idéia de morte passa pela minha cabeça, eu digo:
Não morrerei nunca, jamais, não morrerei nem que me matem.

É claro que isso não passa de uma idéia boba, chega ser ridícula a forma como eu me recuso a morrer.Mas ignorar a morte é o único meio de viver, e funciona, até que ela (a morte) venha se fazer presente, venha se mostrar tão maldosa e impaciente, e dói tanto a sensação de impotência perante essa situação, que choramos muito, mas não é só pela pessoa, choramos por nós, por sabermos que um dia chegará a nossa vez.

PermalinkPermalink 17.09.09 @ 19:14



Comentário de: Tati Longo

Estava precisando ler algo assim hoje. Me fez mudar tudo o que estava sentindo em dez segundos. Obrigada.

PermalinkPermalink 17.09.09 @ 23:53



Comentário de: Helen Araújo · http://incumbencia.blogspot.com

Sinto muito pelo seu amigo. Não havia comentado antes por não saber o que dizer. Sempre ficamos sem palavras nestas horas, mas lendo tua reflexão, vi que vc já sabe o que deve fazer daki em diante, e isso serviu não só para vc, mas tbm para muitos outros que leram o texto.
Bju

PermalinkPermalink 18.09.09 @ 03:27




Ai, amiga! é triste né, eu estava leno e lembrando de muitas pessoas que a gente convive e acha que é "superficialmente" mas nessas horas é que percebemos o quanto significavam...

Eu geralmente não solicito indicações, mesmo pq eu sou bem chata e não costumo gostar do que todo mundo gosta.

Beijos :**

PermalinkPermalink 21.09.09 @ 12:12



Comentário de: Flower

Nossa que liindoo! Gostei de você, há muita sinceridade nos seus textos. Não importando no que você acredita. Gostei de você, gostei, gostei muito.

Parabéns e seja muuuuitooo feliz ♥

PermalinkPermalink 02.10.09 @ 13:32



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Juliana Dacoregio
Jornalista, leitora voraz, escritora, cinéfila.
Observadora, vaidosa, passional, sensível.
Lágrimas abundantes e gargalhadas sinceras.
Leal aos amigos e ligada à família.
Cheia de opiniões e de capacidade de analisá-las e transformá-las.
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