Está escrito ali na barra lateral, no meu perfil, que sou capaz de refletir sobre minhas opiniões e mudá-las. Mas há casos em que nem é uma questão de mudar de opinião e sim de concordar com todas as partes envolvidas, mesmo que elas estejam dizendo coisas opostas. Com o #lingerieday foi assim.
Entendo que a coisa não era para ser séria, que era para zoar e acredito que seus idealizadores não estavam de caso pensado querendo oprimir as mulheres. É claro que entendo que foi uma brincadeira e, de certa forma até aderi, retuitando posts do Bella da Semana, mas também é preciso ser muito tapado para não compreender o ponto de vista das mulheres que se posicionaram contra a campanha. Destaque para o texto da Marjorie Rodrigues, muito bem contextualizado e explicativo. Não importa se você mostrou a calcinha, ou não, no #lingerieday, LEIA! Leia sem pular frases, leia com a cabeça aberta, leia e entenda que ninguém está condenando você especificamente por querer usar os poderes sedutores que seu corpo lhe dá. Quando Marjorie, Mary_W e tantas outras feministas falam da redução da mulher a um objeto, elas não estão dizendo que você NÃO PODE mostrar seu corpo ou que você é uma vagabunda sem opinião própria se assim o fizer. Elas estão refletindo sobre algo muito maior, que nos oprime SIM, mesmo que não percebamos.
Reflexão: essa é a palavra. Acha ridículo pessoas que têm blog, que escrevem sobre os mais variados assuntos, entoando a ladainha do "não gostou, ignore, mas não precisa criticar". Como assim, não precisa criticar?! Então, tudo que não gostamos, não devemos criticar, devemos apenas ignorar? Pior ainda é o argumento "não gostou porque é mal comida, criticou porque é mal amada". É tão raso que dá até preguiça de argumentar. Por essa linha de raciocínio uma boa transa deixa qualquer um sem senso crítico, é isso? Será que certas pessoas não perceberam ainda que é importante que existam pessoas que critiquem, que instiguem, que questionem as coisas? Não importa se é política ou se é uma brincadeira de Twitter: É PRECISO HAVER QUESTIONADORES! E eles não são necessariamente mal-amados e mal-comidos e, mesmo que sejam, isso não invalida o que eles dizem.
De tudo isso, minha conclusão é a seguinte: o #lingerieday seria o máximo se houvesse saído de mentes femininas que dissessem, "vamos chutar o balde e nos mostrar de calcinhas e sutiãs porque queremos e gostamos"! Não sendo assim, é apenas mais do mesmo: homens querem ver, mulheres mostram; homens escolhem a brincadeira, mulheres brincam. Algo que acontece desde que o mundo é mundo...
Update: Tem um post bem legal da Aline, que participou do #Lingerieday.
Lady Rasta também escreveu sobre o assunto. Mais sobre a falta de habilidade de se discutir do que sobre a polêmica em si. Vale a pena ler: Blogueiros ou Gangues.
E Gravataí falou, a sério, sobre feminismo: Feminismo, Liberalidade ou Resistência?
O Cardoso também deu a sua opinião aqui, ressaltando a questão sobre os homens que se manifestaram contra.
Update 2: E no fim das contas eu aderi ao #lingerieday no fim da tarde de ontem, com fotos aqui, aqui e aqui. Por que aderi? Porque eu já tinha mesmo algumas fotos que fiz pra catálogo de lingerie, com peças tão bonitinhas... Aproveitei a ocasião. Ah, e porque gosto de ser elogiada também, só que é segredo, não conta pra ninguém. Mas é coisa rara, só acontece comigo mesmo, imagine... Todas as pessoas que escrevem no seu perfil do orkut "elogios não me iludem e críticas não me abalam" estão sendo totalmente sinceras, é claro!
http://www.interney.net/blogs/htsrv/trackback.php/36724
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Juliana Dacoregio