A gente sabe que nesse mundo ninguém é unanimidade, mas Mirian Bottan está bem perto de ser uma unanimidade da blogosfera. As meninas se identificam com a garota comum, que quebra a cara de vez em quando, batalha por um lugar ao sol. Os nerds a idolatram, afinal ela é linda, tem um jeitão descolado e ainda se encaixa naquele ditado que fala que os melhores perfumes estão nos menores frascos. Mirian é pequenina: 1,53m. E ela faz piada da baixa estatura, definindo-se como “uma anã hiperativa”!
O blog de Mirian, o Substantivolátil, é bastante acessado, com posts que quase sempre ultrapassam os 50 comentários e seu perfil no Twitter é seguido por mais de cinco mil usuários. Já ganhou prêmio de Web Musa da Pix, posou para um calendário da Playboy e está, agora este mês, estampando as páginas da Revista VIP, num especial sobre belas e populares Twitteiras.
Obviamente Mirian não é só um rostinho bonito, senão ela nem estaria inaugurando a seção de entrevistas aqui do Heresia Loira! A “baixinha invocada” escreve bem pra caramba, de um jeito que dá vontade de ler um post atrás do outro. Você que já conhece a Mirian e o Substantivolátil vai saber mais dela nessa entrevista em que ela fala sobre ensaios sensuais, blogs, namoros e bulimia. E pra quem não conhece, lhes apresento Mirian Bottan!

Em 2007 rolou aquela campanha/brincadeira em alguns blogs para que a Playboy publicasse um ensaio com alguma blogueira. Você fez um post dizendo que preferia não aderir e que se fosse para ser capa de alguma revista que fosse a Rolling Stone. E agora, depois de catálago na Playboy e ensaio na VIP, o que você tem a dizer àqueles que lhe acusarem de estar “traindo o movimento”?
Quando aquilo começou, ninguém imaginava que fosse dar em algo. Eu
fiquei de cara com a galera me mandando email sério, me incentivando a
"entrar na campanha", por isso fiz aquilo, pra dizer que eu achava
tosco aquela parada de mendigar atenção, como uma enxurrada de menina
fez depois das primeiras capas, que surgiram na brincadeira. O que as pessoas não sabem, é que quando o convite surgiu [da Playboy], eu disse não. Demorou um tempo e foi muita conversa até eu aceitar. Aceitei insegura, com base na promessa de não ser nada exagerado e vulgar e ainda fiz puta cu doce com relação às roupas e pose, no dia das fotos. Por isso, a minha foto acabou sendo a mais comportadinha e tal. Pra ter noção de como eu estava nervosa e insegura, eu desabei depois de ver as fotos, chorei mesmo. Pensei até em desistir mesmo depois de voltar pra casa, conversei muito com a minha mãe e com as meninas. Não foi tão simples quanto pareceu. De lá pra cá já se vão quase dois anos e hoje a história é outra. Eu amadureci, minha cabeça mudou muito.
E o lance da Revista Vip, como aconteceu?
O convite da Vip veio através de um contato da produção via Orkut,
depois trocamos email e eu topei na hora. Gosto do estilo da revista e
hoje eu não tenho mais tabu com ensaios sensuais, como já disse, então
foi rápido e sem medo.
E posar nua, pra valer, você aceitaria?
Esse foi um outro ponto do post sobre a Rolling Stones. Quando a
campanha dizia "playboy" o que vinha à cabeça era o nu e isso eu nunca
faria. Rolou até o lance da PIX, mas lá não aparece quase nada. Esse
negócio de nu frontal, de sair na revista o que nem você vê direito
não rola. Ensaio sensual eu aprendi a curtir, me sinto super tranquila, mas nu, não.
Não tem medo de olharem com preconceito para você, achando que é só mais uma “bonita e gostosa”?
Essa é uma das coisas que eu trabalhei muito na minha cabeça, da época da Playboy pra cá: que dá pra ser e usar esses dois lados. Aconteceu naquela época e estou vendo acontecer de novo, uma galera chegando até o blog por causa da foto e ficando, pelos textos. Eu costumava ter medo dessa opinião, mas aprendi a confiar em mim. Então, ou eu tenho que ser burra ou ser feia? Ou, pra ser inteligente, tem que andar de burca? É tão estúpido. Preconceito rola, mas a gente aprende a ignorar e não se deixar afetar.
E por falar em críticas, qual foi a crítica de leitor que mais lhe
incomodou?
Ah, aparecem coisas bem aleatórias, mas geralmente, as críticas são
discordando do meu ponto de vista no texto, o que eu acho normal,
saudável e necessário. Críticas agressivas são sempre anônimas e não
dá pra saber no que diabos se baseiam, então eu não dou muita bola.
Sabe aquela coisa de "seu blog é uma bosta? Ass.: eu" ? Não dá pra
levar a sério, né! Os leitores também reclamam que eu demoro muito pra postar, mas eu sempre digo que, se o blog vira obrigação, os textos perdem a leveza e a graça, eles entendem. Ano passado falaram muito sobre a publicidade em quase todos os textos e eles estavam certos, eu admiti isso, aquilo ferrou com a qualidade de muitos textos. Por isso não faço mais nada no blog.
Voltando ao ensaio da Vip, o que você achou de Aline Lii e Tessália, que só conseguiram milhares de seguidores por usarem scripts, terem sido convidadas para posar?
Não tenho nada pessoal contra as meninas, mas eu acho que há belas
meninas que entendem a ferramenta de forma mais profunda, trabalham na
área, estudam sobre e tal e colocar light users - que existem aos montes, agora que o Twitter popularizou - foi puta desperdício. Se
você prestar atenção, já tem outras meninas subindo rápido no ranking,
usando scripts, como elas. Logo, todas terão milhares de followers, e
aí? Vai sair todo mundo na revista?
Conta um pouco dos bastidores do ensaio: ficou nervosa, onde foi feito, deu palpite na produção?...
Ah, foi super tranquilo e divertido. Fizemos as fotos num apartamento, na região de Higienópolis, em Sampa. Eu e a Aline fizemos as fotos no mesmo dia, a Tessália fez em curitiba. A equipe era super divertida, a gente dava palpites e ficava bem livre, foi muito gostoso. A única coisa ruim é que estava meio frio no dia. Na hora de fazer as fotos em frente à janela eu quase congelei! Hahaha
E a repercussão em sua cidade, como está?
Ah, o pessoal fica meio "orgulhoso", sabe? Tipo, "nossa, a gente fazia trabalho juntos e agora você tá na revista, tem fãs!", Essa semana me ligaram do jornal da cidade pra falar sobre a história toda, do blog e tal, já dei entrevista pra um programa local, os amigos ficam enchendo o saco, é divertido.
Você parece ser uma pessoa bem família. No Twitter você sempre conta algum “causo” engraçado sobre seu pai e sua mãe, escreve o blog junto com sua irmã, então deve se preocupar com a opinião deles sobre as coisas que você faz. O que eles acharam de você posar para uma revista masculina?
Meu pai ainda não viu, nem perguntou sobre. Assim, eles são meio
conservadores,minha mãe até torceu o nariz, disse que ficou "muito
sensual", mas eles não impedem nada. Ela diz que é a minha vida e ela
espera que eu saiba o limite, a partir do que me ensinou durante a
vida toda. Já minhas tias, adoraram. Mas se fosse com a filha delas,
aposto que seria no mesmo esquema!
Você já trabalhou com fotografia, né? É mais fácil fotografar ou posar?
Acho que posar. Pelo menos no meu caso, porque quando eu fotografava, trabalhava com pessoas que não estavam acostumadas com aquilo, tipo crianças, mocinhas e senhoras comuns, que queriam um book pra guardar uma fase ou uma foto pra festa de 15 anos. Então eu tinha que conduzir, falar as poses todas, criar um clima legal, que deixasse a pessoa à vontade e com a expressão natural. Já eu, sempre fui
aparecida, adoro essa coisa de ser fotografada. Adoro produção, adoro
esse lance de "encenar". Minha mãe vive me dizendo que eu devia ser
atriz, que eu gosto da fantasia hahahaha

Com quem, ou com quais blogs, você aprendeu bastante sobre os mistérios da blogosfera?
Ah, não dá pra falar de uma pessoa, ou um blog específico. Quando eu comecei, tinha muita gente começando e todo mundo foi aprendendo e
discutindo muita coisa ao mesmo tempo, até nos encontros que foram
surgindo, nos NOBs e tal. Mas se eu fosse citar alguém, acho que seria
o Mobilon, porque, como a gente namorava, vivíamos analisando e falando sobre blogs e blogueiros e campanhas etc.
Já passou algum constrangimento por causa de algum post no blog ou no Twitter? Do tipo falar de alguém indiretamente e a pessoa sacar que você tava falando dela?
Isso já aconteceu, mas não rolou constrangimento, não. Não pra mim, ao menos. Se eu falo, é porque é verdade, eu já digeri aquilo e faz parte da minha vida. Não cito nomes, algumas vezes dá pra saber quem é,
outras só a pessoa entende. É que eu sou muito cara-de-pau, mesmo, mas
se eu não quero que a pessoa veja, nem escrevo.
O que faria você deixar de blogar?
Acho que só MUITA falta de tempo. Eu adoro escrever, tenho diários e cadernos de redação desde beeeem nova, então eu só transferi isso pro
blog. É uma coisa que me faz bem, quase uma terapia. Então, se por
algum motivo, eu não pudesse mais escrever no blog, voltaria pros
cadernos.
Na Vip você disse que já namorou bastante tempo durante sua vida. Os namorados nunca se incomodavam com o assédio dos seus fãs, (já que muitos deixam comentários super babões nos seus espaços da web)?
Na verdade, tooodo esse tempo de namoro se dividiu em apenas dois
namorados. O último pegou a transição, conheceu a Mirian sem blog e a
Mirian desse mundo da internet. Tivemos problemas por isso sim, mas eu
também era muito ciumenta. Agora eu sou tranquila e nem esquento, quem
me conhece já sabe dessa parada e não tem o direito de se meter nisso.
Qual o comentário que você mais ouve quando encontra pessoalmente com pessoas que só te conheciam virtualmente?
Que a minha voz não combina comigo! Que sou pequena e tenho um vozerão! auhauahuahuahauhau
Nos seus posts do Substantivolátil de vez em quando você fala sobre comida e dieta, mesmo que indiretamente. Você malha, faz dieta ou não faz nada e come tudo que tem vontade?
Esse assunto, pra mim, é um pouquinho mais complicado do que
simplesmente fazer dieta ou comer de tudo. Eu nunca falo sobre isso,
mas é a luta da minha vida. Eu fui bulímica por quase 7 anos. Na
verdade, eu sou, porque é muito complicado se livrar disso de uma vez.
Você melhora, diminui ou quase elimina os episódios, mas é uma coisa
de fases. Em São Paulo, por exemplo, eu tive várias recaídas, quando
me senti muito sozinha. Não tem a ver com a comida e sim com o meu
estado psicológico e/ou emocional. Quando eu estou bem, posso comer
tranquila, sempre faço exercícios, porque me faz bem, eu adoro. Mas
quando estou abalada por alguma coisa, qualquer exagero pode
desencadear uma recaída. É complicado, mas eu aprendi a lidar com
isso, estudo sobre e faço terapia até hoje.
Seus textos são, em geral, bem humorados e você faz piadas até de coisas que dão errado em sua vida. Você é assim mesmo no dia-a-dia ou na hora de escrever baixa o santo da auto-ironia?
Sou sim, eu acho que é uma forma de não deixar com que os tropeços
façam a gente parar de andar. Levanta, xinga Murphy, dá risada com
quem tá rindo de você e continua. Isso surpreende as pessoas e torna
as coisas mais fáceis. Eu sempre fui estressada, acho que desenvolvi
isso pra que as pessoas conseguissem conviver comigo, tô sempre me
zoando e zoando os outros. E rindo, sempre. Ontem mesmo eu estava
tentando lembrar quando foi a última vez que eu chorei. Não lembro.
O que te tira do sério?
A Maira cantando! Não, sério, eu odeio ser acusada de algo que não
fiz, que duvidem de mim quando estou dizendo a verdade. E de pessoas
esnobes, que te olham de cima, sem nem ter conversado com você. Eu
prefiro não definir uma opinião sobre uma pessoa até que a conheça.
O que te faz decidir se segue ou não alguém no Twitter?
Eu sigo pessoas que eu conheço pessoalmente ou convivo bastante
"virtualmente", e pessoas que chamam a minha atenção de alguma forma,
que eu considere inteligentes e tal. Sabe, quem acrescente algo ou me
faça rir. Eu vivo seguindo e "des-seguindo" pessoas. Se um amigo meu
tá numa fase muito chata, só falando besteira, eu paro de seguir,
depois volto.
Uma ou duas dicas para quem quer divulgar mais o blog?
Ah, Ju, eu acho que é participar, né. Comentar em outros blogs,
aparecer nos eventos e conhecer o pessoal, essas coisas. Eu nunca fui
de fazer parcerias, sou intrometida e gosto de conhecer as pessoas,
conversar, agitar todo mundo pro bar. Fui fazendo contatos assim.
E pra terminar, já que a entrevista é pro Heresia Loira, você acredita em Deus? Qual a sua relação com a religião?
Fui criada dentro da igreja católica, fui coroinha, fiz catequese e
crisma, ia pra igreja aos domingos. Mas me enchi da hipocrisia e do
repeteco, sou muito pé no chão, gosto de ler, estudar as coisas, gosto
de fatos e a igreja só te dá meias-verdades, mascara tudo. Mas gosto
de acreditar que existe um poder maior que a gente, tenha o nome que
tiver.
E a loirice, nunca mais?
Eu sou "loira-acinzentada", sabe? Aquele loiro que todo mundo fala que não é loiro? Eu acho cor-de-bosta, por isso pintava o cabelo de cores escuras, mas cansei de estragar o coitado. Agora tá voltando ao
natural, vai clarear um pouco, vamos ver como fica!
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Juliana Dacoregio