Está escrito ali na barra lateral, no meu perfil, que sou capaz de refletir sobre minhas opiniões e mudá-las. Mas há casos em que nem é uma questão de mudar de opinião e sim de concordar com todas as partes envolvidas, mesmo que elas estejam dizendo coisas opostas. Com o #lingerieday foi assim.
Entendo que a coisa não era para ser séria, que era para zoar e acredito que seus idealizadores não estavam de caso pensado querendo oprimir as mulheres. É claro que entendo que foi uma brincadeira e, de certa forma até aderi, retuitando posts do Bella da Semana, mas também é preciso ser muito tapado para não compreender o ponto de vista das mulheres que se posicionaram contra a campanha. Destaque para o texto da Marjorie Rodrigues, muito bem contextualizado e explicativo. Não importa se você mostrou a calcinha, ou não, no #lingerieday, LEIA! Leia sem pular frases, leia com a cabeça aberta, leia e entenda que ninguém está condenando você especificamente por querer usar os poderes sedutores que seu corpo lhe dá. Quando Marjorie, Mary_W e tantas outras feministas falam da redução da mulher a um objeto, elas não estão dizendo que você NÃO PODE mostrar seu corpo ou que você é uma vagabunda sem opinião própria se assim o fizer. Elas estão refletindo sobre algo muito maior, que nos oprime SIM, mesmo que não percebamos.
Reflexão: essa é a palavra. Acha ridículo pessoas que têm blog, que escrevem sobre os mais variados assuntos, entoando a ladainha do "não gostou, ignore, mas não precisa criticar". Como assim, não precisa criticar?! Então, tudo que não gostamos, não devemos criticar, devemos apenas ignorar? Pior ainda é o argumento "não gostou porque é mal comida, criticou porque é mal amada". É tão raso que dá até preguiça de argumentar. Por essa linha de raciocínio uma boa transa deixa qualquer um sem senso crítico, é isso? Será que certas pessoas não perceberam ainda que é importante que existam pessoas que critiquem, que instiguem, que questionem as coisas? Não importa se é política ou se é uma brincadeira de Twitter: É PRECISO HAVER QUESTIONADORES! E eles não são necessariamente mal-amados e mal-comidos e, mesmo que sejam, isso não invalida o que eles dizem.
De tudo isso, minha conclusão é a seguinte: o #lingerieday seria o máximo se houvesse saído de mentes femininas que dissessem, "vamos chutar o balde e nos mostrar de calcinhas e sutiãs porque queremos e gostamos"! Não sendo assim, é apenas mais do mesmo: homens querem ver, mulheres mostram; homens escolhem a brincadeira, mulheres brincam. Algo que acontece desde que o mundo é mundo...
Update: Tem um post bem legal da Aline, que participou do #Lingerieday.
Lady Rasta também escreveu sobre o assunto. Mais sobre a falta de habilidade de se discutir do que sobre a polêmica em si. Vale a pena ler: Blogueiros ou Gangues.
E Gravataí falou, a sério, sobre feminismo: Feminismo, Liberalidade ou Resistência?
O Cardoso também deu a sua opinião aqui, ressaltando a questão sobre os homens que se manifestaram contra.
Update 2: E no fim das contas eu aderi ao #lingerieday no fim da tarde de ontem, com fotos aqui, aqui e aqui. Por que aderi? Porque eu já tinha mesmo algumas fotos que fiz pra catálogo de lingerie, com peças tão bonitinhas... Aproveitei a ocasião. Ah, e porque gosto de ser elogiada também, só que é segredo, não conta pra ninguém. Mas é coisa rara, só acontece comigo mesmo, imagine... Todas as pessoas que escrevem no seu perfil do orkut "elogios não me iludem e críticas não me abalam" estão sendo totalmente sinceras, é claro!
Além de ser péssima oradora, ter uma dicção sofrível, vocabulário pobre e ainda imitar sua "mãe na fé", a Bispa Sônia Hernandez, no jeitinho de falar (é normal discípulos incorporarem os trejeitos e a impostação de voz de seus pastores), ela acredita que foi Deus que colocou dinheiro nos cofres do Real Madrid, para que Kaká fosse contratado. Detalhe: ela é uma pregadora tão fraquinha, que se não fosse a esposa do super craque do futebol, certamente não estaria falando a centenas de fiéis da Renascer. A Bispa Sônia, por exemplo, tem uma voz irritante, mas sabe se expressar. Mas o texto de Leonardo Cruz, transcrito logo abaixo, expressa de forma ainda melhor o quanto é hipócrita esse discurso de Caroline Celico, esposa de Kaká.
Segundo Caroline, a ida do casal para a capital espanhola teria propósitos missionários, para fundar uma Igreja Renascer na cidade.
No vídeo, a pastora Caroline pratica toda a panóplia do manual do pregador picareta: as piadinhas para descontrair e cativar a audiência, as mãos erguidas, a aparência muito bem cuidada, o tom suave da voz (o “sotaque de crente”) que cresce em paroxismos de fervor quase colérico.
Tento imaginar qual seria a reação de um espanhol que passa dificuldades para sustentar sua família após ter perdido o emprego no rastro da crise econômica. Que ouve uma menina MILIONÁRIA dizer que Deus, apesar da crise, deu 65 milhões de euros para que seu marido trocasse de clube. Que escuta a jovem pastora dizer que foi o jejum do fiéis que contribuiu para o novo contrato de Kaká. Que ouve Caroline dizer que mais importante do que o dinheiro, do que a qualidade de vida e do que a mudança para Madrid é a alegria por abrir uma filial da Renascer, seita cujos “Apóstolos” estão às voltas com problemas nos tribunais.
Será que ela estaria radiante se o Kaká recebesse uma proposta para jogar no Ch'ŏngjin Chandongcha da Coréia do Norte, com salário mensal de 200 dólares? Se for o desafio missionário o que ela considera mais importante, esse seria muito maior em Pyongyang do que em Madrid.
Não deixe de ler o restante do texto de Leonardo Cruz, do blog A Terceira Margem do Sena
As homenagens são para mim, os recadinhos para vocês... 
Na semana passada o Informação Virtual escolheu o Heresia como Blog da Semana. Adorei e fiquei honrada com os elogios.

Além disso, Victor Cid, do Cidoido, disse que vale a pena ficar de olho no meu blog!
E o Heresia Loira tem comunidade no orkut, viu? Quando eu começar a fazer promoções aqui e sortear milhões em prêmios, só poderão participar os membros da comunidade, então entra lá! Se quiser me adicionar também, não se acanhe. Todos são bem vindos!
Criciúma está cada vez mais twitteira. Até já realizamos o NOB3. Leia sobre o encontro aqui e veja as fotos aqui.
O show da melhor banda cover dos Beatles, The Beats, aconteceu em Criciúma no último domingo e o Tudo de Cri cobriu com exclusividade. Confira lá minhas impressões sobre o show, a entrevista com Diego Perez (líder da banda e Lennon cover) e as fotos.
Queria ter a capacidade de não me sentir ofendida com quase nada ou então ser daquelas pessoas que quando se ofendem saem batendo porta, rebatendo o xingamento, chutando o pau da barraca, sentando a pua e quebrando o pau. Mas, não. Eu choro, choro e choro mais um pouco. Dizem que choro demais pra ser levada a sério, que essas lágrimas todas só demonstram o quanto, no fundo, no fundo, eu sou superficial; que se tudo me emociona é porque nada me emociona de fato, “não confie em pessoas que choram no cinema”, já dizia Holden Caulfield. Mas Holden não sabe de nada, vamos combinar! Egoístas, falsos e preocupados apenas com o próprio umbigo todos somos em maior ou menor grau. Então prefiro os egoístas/falsos que se emocionam. Eu choro. Eu choro no cinema, eu choro no teatro, eu choro ouvindo rádio, eu choro vendo clipe, eu choro cantando, eu choro sorrindo, eu choro vendo foto, eu choro quando me esculacham e choro quando me idolatram. Mas não pense você que por chorar tanto e por tantos motivos meu choro é banal. É não. Cada lágrima minha é sincera, é forte, é verdadeira e tem um motivo muito bem definido. Mesmo quando eu choro diante do espelho, prestando atenção em como fica a minha cara chorando. Eu choro de ficar com a boca quadrada, como a Fal. Eu choro porque dói, eu choro porque é lindo, eu choro porque dá saudade.
E o irônico é que quando bebezinha de colo eu não chorava. Sabe o que minha mãe fazia quando eu começava a chorar no berço? Chamava todo mundo pra ver! Ah, se ela soubesse...

Primeiro achei o Murilo um bocó e a Julia uma sem noção parasita. Mas, pera aí... Quem me contou a história toda foi Carla, a mulher de Murilo que é amicíssimo de Julia desde os tempos de colégio. Carla casou aos 18 anos por impulso. Talvez mais para sair de casa do que por vontade de viver com Murilo. Sabe quando a guria encasqueta de provar pra todo mundo que pode se virar sozinha, ser uma ótima dona de casa, que não é filhinha de papai coisa nenhuma, que não precisa viver na barra da saia da mãe? Sabe quando para fazer tudo isso ela decide-se pelo caminho mais arcaico, o casamento? Foi mais ou menos assim com Carla.
Então, como vou confiar numa mulher dessas quando ela faz a caveira da melhor amiga do marido? Ainda mais quando a amiga do marido é uma artista, com todos os encantos e os dramas que essa condição traz. Julia é um pouco parasita, sim, mas, vejam bem, ela cuida da filha de Carla para que Carla possa ir à faculdade! Ela gasta horrores na loja em que Carla trabalha para que Carla possa ter uma polpuda comissão. Mas Carla não perdoa. Só perdoa porque precisa da babá e mesmo assim faz pouco do talento, dos dramas e da profundidade de Julia.
Ora, Julia é uma artista, confusa, volátil, insegura e ególatra como toda artista. (As exceções só confirmam a regra. Quando se trata de artistas as generalizações se aplicam muito bem. Artistas são caricatos por natureza.) Já Carla... Qual o talento de Carla? Vender roupas, estudar, cuidar de marido e de filho. Quer dizer, cuidar do marido, mas falar mal dele o tempo todo. Carla não consegue nem entender uma conversa mais filosófica, Carla acha que cama não é lugar para se discutir religião (cama é lugar para se debater qualquer coisa quando se está apaixonado. Quer momento mais íntimo do que um casal nu filosofando sobre cultura, religiosidade, sonhos e história de vida depois de transar? Desculpe, Carla, mas eu acho lindo e o Murilo pode até ser meio chato, mas não havia motivo para você ficar brava daquele jeito na lua-de-mel!). E Carla se preocupa com o caráter do pai da filha dela por causa de uma conversa sobre suicídio que ele teve lá na adolescência! Murilo era adolescente e metido a intelectualóide, só tinha 15 anos, ora bolas... E no fim das contas ele não incentivou suicídio nenhum (talvez sem querer tenha até ajudado a evitar, se bem que Libeca não ia se matar coisa nenhuma, falassem o que falassem), mas Carla não perdoa.
Porque Carla é a típica esposa arrependida que casou pelos motivos errados. Mas quando ela lhe contar a história toda talvez você discorde de mim. Não sei porque me identifiquei tanto com Carla num primeiro momento se eu, definitivamente, estou muito mais para Julia nessa história.
Quer saber do que estou falando?
Carla, Murilo e Julia são os personagens de Mulher de Um Homem Só, o novo livro do ótimo escritor e blogueiro Alex Castro. Um livro cujo único defeito é não ter mais umas cem páginas contando mais e mais da história desse triângulo amoroso.
Obs.: Alex Castro tem um dos melhores textos argumentativos que já li e as opiniões dele são muito parecidas com as minhas em diversos assuntos. Foi um dos primeiros blogs que comecei a ler com assiduidade e, mesmo ele blogando desde 2002, creio que já li quase todos os posts porque cada vez que entrava no blog dele ficava horas lendo os posts novos e os antigos, não só no LLL, como também no Sobre Sites. Sou fã mesmo!
Aproveitando que em pleno Dia Internacional do Rock`n Roll o Amálgama está completando 1 aninho de vida, vou fazer uma propagandinha básica de meu texto mais recente por lá.
Escrevi sobre Buceta (o livro) lá no Amálgama.
Apesar do nome, não é livro de sacanagem, não, viu?
E ele vem com uma sobre-capa discreta para você poder ler por aí sem constrangimentos.


Leia também:
Blog de Biajoni, autor de Buceta
Entrevista que fiz com o autor
Compre Buceta: é baratinho, 15 reais!
A gente sabe que nesse mundo ninguém é unanimidade, mas Mirian Bottan está bem perto de ser uma unanimidade da blogosfera. As meninas se identificam com a garota comum, que quebra a cara de vez em quando, batalha por um lugar ao sol. Os nerds a idolatram, afinal ela é linda, tem um jeitão descolado e ainda se encaixa naquele ditado que fala que os melhores perfumes estão nos menores frascos. Mirian é pequenina: 1,53m. E ela faz piada da baixa estatura, definindo-se como “uma anã hiperativa”!
O blog de Mirian, o Substantivolátil, é bastante acessado, com posts que quase sempre ultrapassam os 50 comentários e seu perfil no Twitter é seguido por mais de cinco mil usuários. Já ganhou prêmio de Web Musa da Pix, posou para um calendário da Playboy e está, agora este mês, estampando as páginas da Revista VIP, num especial sobre belas e populares Twitteiras.
Obviamente Mirian não é só um rostinho bonito, senão ela nem estaria inaugurando a seção de entrevistas aqui do Heresia Loira! A “baixinha invocada” escreve bem pra caramba, de um jeito que dá vontade de ler um post atrás do outro. Você que já conhece a Mirian e o Substantivolátil vai saber mais dela nessa entrevista em que ela fala sobre ensaios sensuais, blogs, namoros e bulimia. E pra quem não conhece, lhes apresento Mirian Bottan!

Em 2007 rolou aquela campanha/brincadeira em alguns blogs para que a Playboy publicasse um ensaio com alguma blogueira. Você fez um post dizendo que preferia não aderir e que se fosse para ser capa de alguma revista que fosse a Rolling Stone. E agora, depois de catálago na Playboy e ensaio na VIP, o que você tem a dizer àqueles que lhe acusarem de estar “traindo o movimento”?
Quando aquilo começou, ninguém imaginava que fosse dar em algo. Eu
fiquei de cara com a galera me mandando email sério, me incentivando a
"entrar na campanha", por isso fiz aquilo, pra dizer que eu achava
tosco aquela parada de mendigar atenção, como uma enxurrada de menina
fez depois das primeiras capas, que surgiram na brincadeira. O que as pessoas não sabem, é que quando o convite surgiu [da Playboy], eu disse não. Demorou um tempo e foi muita conversa até eu aceitar. Aceitei insegura, com base na promessa de não ser nada exagerado e vulgar e ainda fiz puta cu doce com relação às roupas e pose, no dia das fotos. Por isso, a minha foto acabou sendo a mais comportadinha e tal. Pra ter noção de como eu estava nervosa e insegura, eu desabei depois de ver as fotos, chorei mesmo. Pensei até em desistir mesmo depois de voltar pra casa, conversei muito com a minha mãe e com as meninas. Não foi tão simples quanto pareceu. De lá pra cá já se vão quase dois anos e hoje a história é outra. Eu amadureci, minha cabeça mudou muito.
E o lance da Revista Vip, como aconteceu?
O convite da Vip veio através de um contato da produção via Orkut,
depois trocamos email e eu topei na hora. Gosto do estilo da revista e
hoje eu não tenho mais tabu com ensaios sensuais, como já disse, então
foi rápido e sem medo.
E posar nua, pra valer, você aceitaria?
Esse foi um outro ponto do post sobre a Rolling Stones. Quando a
campanha dizia "playboy" o que vinha à cabeça era o nu e isso eu nunca
faria. Rolou até o lance da PIX, mas lá não aparece quase nada. Esse
negócio de nu frontal, de sair na revista o que nem você vê direito
não rola. Ensaio sensual eu aprendi a curtir, me sinto super tranquila, mas nu, não.
Não tem medo de olharem com preconceito para você, achando que é só mais uma “bonita e gostosa”?
Essa é uma das coisas que eu trabalhei muito na minha cabeça, da época da Playboy pra cá: que dá pra ser e usar esses dois lados. Aconteceu naquela época e estou vendo acontecer de novo, uma galera chegando até o blog por causa da foto e ficando, pelos textos. Eu costumava ter medo dessa opinião, mas aprendi a confiar em mim. Então, ou eu tenho que ser burra ou ser feia? Ou, pra ser inteligente, tem que andar de burca? É tão estúpido. Preconceito rola, mas a gente aprende a ignorar e não se deixar afetar.
E por falar em críticas, qual foi a crítica de leitor que mais lhe
incomodou?
Ah, aparecem coisas bem aleatórias, mas geralmente, as críticas são
discordando do meu ponto de vista no texto, o que eu acho normal,
saudável e necessário. Críticas agressivas são sempre anônimas e não
dá pra saber no que diabos se baseiam, então eu não dou muita bola.
Sabe aquela coisa de "seu blog é uma bosta? Ass.: eu" ? Não dá pra
levar a sério, né! Os leitores também reclamam que eu demoro muito pra postar, mas eu sempre digo que, se o blog vira obrigação, os textos perdem a leveza e a graça, eles entendem. Ano passado falaram muito sobre a publicidade em quase todos os textos e eles estavam certos, eu admiti isso, aquilo ferrou com a qualidade de muitos textos. Por isso não faço mais nada no blog.
Voltando ao ensaio da Vip, o que você achou de Aline Lii e Tessália, que só conseguiram milhares de seguidores por usarem scripts, terem sido convidadas para posar?
Não tenho nada pessoal contra as meninas, mas eu acho que há belas
meninas que entendem a ferramenta de forma mais profunda, trabalham na
área, estudam sobre e tal e colocar light users - que existem aos montes, agora que o Twitter popularizou - foi puta desperdício. Se
você prestar atenção, já tem outras meninas subindo rápido no ranking,
usando scripts, como elas. Logo, todas terão milhares de followers, e
aí? Vai sair todo mundo na revista?
Conta um pouco dos bastidores do ensaio: ficou nervosa, onde foi feito, deu palpite na produção?...
Ah, foi super tranquilo e divertido. Fizemos as fotos num apartamento, na região de Higienópolis, em Sampa. Eu e a Aline fizemos as fotos no mesmo dia, a Tessália fez em curitiba. A equipe era super divertida, a gente dava palpites e ficava bem livre, foi muito gostoso. A única coisa ruim é que estava meio frio no dia. Na hora de fazer as fotos em frente à janela eu quase congelei! Hahaha
E a repercussão em sua cidade, como está?
Ah, o pessoal fica meio "orgulhoso", sabe? Tipo, "nossa, a gente fazia trabalho juntos e agora você tá na revista, tem fãs!", Essa semana me ligaram do jornal da cidade pra falar sobre a história toda, do blog e tal, já dei entrevista pra um programa local, os amigos ficam enchendo o saco, é divertido.
Você parece ser uma pessoa bem família. No Twitter você sempre conta algum “causo” engraçado sobre seu pai e sua mãe, escreve o blog junto com sua irmã, então deve se preocupar com a opinião deles sobre as coisas que você faz. O que eles acharam de você posar para uma revista masculina?
Meu pai ainda não viu, nem perguntou sobre. Assim, eles são meio
conservadores,minha mãe até torceu o nariz, disse que ficou "muito
sensual", mas eles não impedem nada. Ela diz que é a minha vida e ela
espera que eu saiba o limite, a partir do que me ensinou durante a
vida toda. Já minhas tias, adoraram. Mas se fosse com a filha delas,
aposto que seria no mesmo esquema!
Você já trabalhou com fotografia, né? É mais fácil fotografar ou posar?
Acho que posar. Pelo menos no meu caso, porque quando eu fotografava, trabalhava com pessoas que não estavam acostumadas com aquilo, tipo crianças, mocinhas e senhoras comuns, que queriam um book pra guardar uma fase ou uma foto pra festa de 15 anos. Então eu tinha que conduzir, falar as poses todas, criar um clima legal, que deixasse a pessoa à vontade e com a expressão natural. Já eu, sempre fui
aparecida, adoro essa coisa de ser fotografada. Adoro produção, adoro
esse lance de "encenar". Minha mãe vive me dizendo que eu devia ser
atriz, que eu gosto da fantasia hahahaha

Com quem, ou com quais blogs, você aprendeu bastante sobre os mistérios da blogosfera?
Ah, não dá pra falar de uma pessoa, ou um blog específico. Quando eu comecei, tinha muita gente começando e todo mundo foi aprendendo e
discutindo muita coisa ao mesmo tempo, até nos encontros que foram
surgindo, nos NOBs e tal. Mas se eu fosse citar alguém, acho que seria
o Mobilon, porque, como a gente namorava, vivíamos analisando e falando sobre blogs e blogueiros e campanhas etc.
Já passou algum constrangimento por causa de algum post no blog ou no Twitter? Do tipo falar de alguém indiretamente e a pessoa sacar que você tava falando dela?
Isso já aconteceu, mas não rolou constrangimento, não. Não pra mim, ao menos. Se eu falo, é porque é verdade, eu já digeri aquilo e faz parte da minha vida. Não cito nomes, algumas vezes dá pra saber quem é,
outras só a pessoa entende. É que eu sou muito cara-de-pau, mesmo, mas
se eu não quero que a pessoa veja, nem escrevo.
O que faria você deixar de blogar?
Acho que só MUITA falta de tempo. Eu adoro escrever, tenho diários e cadernos de redação desde beeeem nova, então eu só transferi isso pro
blog. É uma coisa que me faz bem, quase uma terapia. Então, se por
algum motivo, eu não pudesse mais escrever no blog, voltaria pros
cadernos.
Na Vip você disse que já namorou bastante tempo durante sua vida. Os namorados nunca se incomodavam com o assédio dos seus fãs, (já que muitos deixam comentários super babões nos seus espaços da web)?
Na verdade, tooodo esse tempo de namoro se dividiu em apenas dois
namorados. O último pegou a transição, conheceu a Mirian sem blog e a
Mirian desse mundo da internet. Tivemos problemas por isso sim, mas eu
também era muito ciumenta. Agora eu sou tranquila e nem esquento, quem
me conhece já sabe dessa parada e não tem o direito de se meter nisso.
Qual o comentário que você mais ouve quando encontra pessoalmente com pessoas que só te conheciam virtualmente?
Que a minha voz não combina comigo! Que sou pequena e tenho um vozerão! auhauahuahuahauhau
Nos seus posts do Substantivolátil de vez em quando você fala sobre comida e dieta, mesmo que indiretamente. Você malha, faz dieta ou não faz nada e come tudo que tem vontade?
Esse assunto, pra mim, é um pouquinho mais complicado do que
simplesmente fazer dieta ou comer de tudo. Eu nunca falo sobre isso,
mas é a luta da minha vida. Eu fui bulímica por quase 7 anos. Na
verdade, eu sou, porque é muito complicado se livrar disso de uma vez.
Você melhora, diminui ou quase elimina os episódios, mas é uma coisa
de fases. Em São Paulo, por exemplo, eu tive várias recaídas, quando
me senti muito sozinha. Não tem a ver com a comida e sim com o meu
estado psicológico e/ou emocional. Quando eu estou bem, posso comer
tranquila, sempre faço exercícios, porque me faz bem, eu adoro. Mas
quando estou abalada por alguma coisa, qualquer exagero pode
desencadear uma recaída. É complicado, mas eu aprendi a lidar com
isso, estudo sobre e faço terapia até hoje.
Seus textos são, em geral, bem humorados e você faz piadas até de coisas que dão errado em sua vida. Você é assim mesmo no dia-a-dia ou na hora de escrever baixa o santo da auto-ironia?
Sou sim, eu acho que é uma forma de não deixar com que os tropeços
façam a gente parar de andar. Levanta, xinga Murphy, dá risada com
quem tá rindo de você e continua. Isso surpreende as pessoas e torna
as coisas mais fáceis. Eu sempre fui estressada, acho que desenvolvi
isso pra que as pessoas conseguissem conviver comigo, tô sempre me
zoando e zoando os outros. E rindo, sempre. Ontem mesmo eu estava
tentando lembrar quando foi a última vez que eu chorei. Não lembro.
O que te tira do sério?
A Maira cantando! Não, sério, eu odeio ser acusada de algo que não
fiz, que duvidem de mim quando estou dizendo a verdade. E de pessoas
esnobes, que te olham de cima, sem nem ter conversado com você. Eu
prefiro não definir uma opinião sobre uma pessoa até que a conheça.
O que te faz decidir se segue ou não alguém no Twitter?
Eu sigo pessoas que eu conheço pessoalmente ou convivo bastante
"virtualmente", e pessoas que chamam a minha atenção de alguma forma,
que eu considere inteligentes e tal. Sabe, quem acrescente algo ou me
faça rir. Eu vivo seguindo e "des-seguindo" pessoas. Se um amigo meu
tá numa fase muito chata, só falando besteira, eu paro de seguir,
depois volto.
Uma ou duas dicas para quem quer divulgar mais o blog?
Ah, Ju, eu acho que é participar, né. Comentar em outros blogs,
aparecer nos eventos e conhecer o pessoal, essas coisas. Eu nunca fui
de fazer parcerias, sou intrometida e gosto de conhecer as pessoas,
conversar, agitar todo mundo pro bar. Fui fazendo contatos assim.
E pra terminar, já que a entrevista é pro Heresia Loira, você acredita em Deus? Qual a sua relação com a religião?
Fui criada dentro da igreja católica, fui coroinha, fiz catequese e
crisma, ia pra igreja aos domingos. Mas me enchi da hipocrisia e do
repeteco, sou muito pé no chão, gosto de ler, estudar as coisas, gosto
de fatos e a igreja só te dá meias-verdades, mascara tudo. Mas gosto
de acreditar que existe um poder maior que a gente, tenha o nome que
tiver.
E a loirice, nunca mais?
Eu sou "loira-acinzentada", sabe? Aquele loiro que todo mundo fala que não é loiro? Eu acho cor-de-bosta, por isso pintava o cabelo de cores escuras, mas cansei de estragar o coitado. Agora tá voltando ao
natural, vai clarear um pouco, vamos ver como fica!

Você joga o lixo acumulado na cara do outro, mas na verdade o que você queria era jogar sua própria cara no lixo. A alma berra, esperneia, atira-se da escada como as mocinhas de novela mexicana, enquanto a boca comenta o Big Brother de ontem à noite. E no meio de tudo isso, sim, literalmente no meio - bem no meio de seu corpo para ser mais preciso - seu estômago é o que mais sofre.
Chazinho não melhora indigestão psicossomática?

Pode parecer inacreditável, mas mesmo com tantas campanhas de conscientização da importância do uso da camisinha, ainda é muito comum que as mulheres tenham vergonha de pedir ao parceiro para usar e os homens ainda acreditem que aquela menina tão linda, cheirosa e gostosa não possa ter algum tipo de doença. Esses pensamentos auto-destruidores ainda passeiam nas mentes mais instruídas. "Ah, não tem problema, só dessa vez, com certeza ela não tem nada, não vai acontecer comigo" são péssimas formas de se proteger. Afinal, todos os que hoje estão contaminados pelo vírus HIV por causa de uma transa sem preservativo pensaram exatamente isso. Então, que me desculpem os aficcionados por "O Segredo", a AIDS está aí para provar que pensamento positivo não salva ninguém.
O mais absurdo é que a informação tem crescido, mas o número de casos de AIDS cresce junto. É só você ter uma conversa franca com alguns de seus amigos e amigas que você vai perceber que ainda são poucas as pessoas que têm como hábito usar camisinha em TODAS as suas relações sexuais.
Portanto, esse post é só para lembrar que continua sendo necessário o uso da camisinha, mesmo que a doença já esteja mais controlada e que a AIDS já não pareça ser o monstro que era há alguns anos. Ainda é uma doença incurável, que prejudica muito a vida de uma pessoa, que coloca vários obstáculos no caminho de quem quer viver plenamente.
Use camisinha. Divulgue a campanha do Ministério da Saúde. Faça o teste de Aids. Informe-se mais. Entre na comunidade da campanha no orkut. Faça a sua parte: lembre ao mundo e a você mesmo que a AIDS ainda não é uma batalha vencida!
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Juliana Dacoregio