
A Unisul convidou Antônio Tabet, autor do Kibe Loco, para ser um dos palestrantes do II Festival Universitário de Comunicação. Obviamente ele foi convidado para falar de blogs, novas mídias e contar sua história de sucesso na internet. Não é a pessoa mais gabaritada para falar sobre o assunto, como sabem muito bem todos os que são ativos na internet, em redes sociais e blogs. Para quem não sabe o porquê da implicância com Tabet, basta explicar o seguinte: muitos blogueiros usam o verbo “kibar” como sinônimo de “plagiar”! Ao que parece, o Kibe Loco publica inúmeras piadas e foto-montagens copiadas de outros blogs, ou mesmo traduzidas de sites gringos, sem dar o devido crédito.
Há pessoas muito mais preparadas para discorrer sobre blogs, sites e novas tecnologias, mas também não se pode culpar a organização do Festival de Comunicação por não ter escolhido os nomes certos. Seria demais esperar que os coordenadores do Festival soubessem o que se passa nos bastidores da blogosfera. Além do mais, Tabet pode não ser o mais gabaritado, mas é o mais popular. Creio que a Unisul queria mesmo atingir o maior número de pessoas possível.
O problema é que em entrevista ao Jornal do Almoço, da RBS TV, Antônio "Kibe Loco" Tabet escorregou na vontade de ser engraçado e demonstrou seu total despreparo como palestrante a acadêmicos de Comunicação. Muito à vontade durante a conversa com o repórter, Tabet afirmou estar com pena dos alunos de Jornalismo porque seus diplomas não valerão mais e eles terão que usá-los para embrulhar peixe! Uma lástima ver o cara que estava sendo anunciado como uma das estrelas do Festival de Comunicação da Unisul ridicularizar o ensino de Jornalismo da instituição que o convidou para contar seu exemplo de sucesso. Um palestrante está lá para ser exemplo, compartilhar experiências e contribuir no aprendizado, mas pelo jeito ele não estava lá por nenhum desses motivos, já que acredita que estudar Jornalismo não serve para porcaria nenhuma!
A questão aqui não é voltar a discutir se a decisão do STF de derrubar a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo foi correta, ou não. A questão é que um profissional de Comunicação Social, que está em uma faculdade de Comunicação Social, falando a acadêmicos de Comunicação Social, deveria entender muito bem que o fato de um diploma de graduação não ser exigido não significa que ele não é importante. O diploma representa o estudo da técnica, o estudo da ética, da linguagem, da sociologia, da psicologia da comunicação. O diploma representa educação e formação, representa aprendizado e, nesse sentido, ele vale muito, sim.
É absurdo um comunicador, convidado a dar palestra numa instituição que visa formar jornalistas, afirmar em tom jocoso que está com pena dos alunos de jornalismo! Depois de ouvir a entrevista de Antônio Tabet, eu também estou com pena dos acadêmicos de jornalismo da Unisul. Estou com pena por terem perdido seu tempo com um palestrante que faz sucesso em cima da criatividade alheia e nem ao menos compreende que eles estão lá em busca de conhecimento e técnica. Não apenas em busca de um diploma.
Saiba mais:
Kibando e Andando
Usura não - contra a avareza de links
Créditos da foto: Canal Içara
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Juliana Dacoregio