É só falar em feminismo que já surgem os comentários do tipo "mas homens e mulheres são diferentes". Nada contra, até porque eu mesma consegui, num mesmo post, ser ponderada a respeito de Maria Mariana e reconhecer a importância do feminismo. Mas quando leio sobre as óbvias diferenças entre homens e mulheres como justificativa para dizer que o feminismo é desnecessário não tem como não lembrar do post de Marjorie Rodrigues:
"(...)quando Fulano diz “mas homens e mulheres são diferentes”, parece que o defensor da igualdade de gênero está querendo ir contra uma coisa que é óbvia. Só que o buraco é mais embaixo, claro.
O autor da frase não está apenas apontando as diferenças entre homens e mulheres. Dado que, oi, elas não são visíveis? Não são tão óbvias? Por que é preciso apontá-las? Ora, vamos pôr os pingos no is: se o que se está discutindo é a diferença de poder entre homens e mulheres na sociedade, se o que se está discutindo é discriminação, então a frase perde toda essa carga ingênua e passa a ser determinista.
Este “diferente” não significa apenas diferença. Trata-se de uma naturalização, uma biologização da discriminação. Só que dita de forma mais aceitável. É a hipocrisia mais clichê: o cara não vai falar que o sistema reprodutor das mulheres as torna inferiores — se ele disser isso com todas as letras, todo mundo vai dizer que ele é um escroto, pois trata-se de um discurso escancaradamente machista. E, no Brasil, a gente tem bastante medo de escancarar o preconceito. Discriminamos de forma efetiva, sabemos que estamos discriminando… Maaaas, se alguém perguntar, a gente nega até a morte. Adotamos um discurso cor-de-rosa.
Então, para não ser escancaradamente escrota, o que a pessoa faz? Troca o “inferiores” pelo “diferentes”. Voilà. Mas o significado da frase é a mesma. Está nas entrelinhas. Uma coisa é dizer que “homens e mulheres são diferentes” quando se está discutindo biologia somente. Outra coisa é usar a frase quando se discute a configuração de poder na sociedade."
Leia o texto na íntegra.
Mais bem explicado impossível. Não estamos discutindo biologia, nem propondo a masculinização das mulheres. Se não fosse o feminismo talvez eu nem estivesse expondo minhas opiniões aqui nesse blog.
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Juliana Dacoregio