Eu fui uma das que ficou tiririca da vida com as declarações de Maria Mariana (ex-confissões de adolescente, atual "confissões de mãe"). Desejei até que ela tivesse uma boa depressão pós-parto só para aprender a não julgar o que não conhece e não falar besteira.
Mas depois que li esse post no Cristalk (Maria Mariana, seus quatro filhos e um mercado) consegui enxergar as coisas por um ângulo um pouquinho diferente. Não que eu passei a achar certo ela dizer que quem passa os nove meses da gravidez comprando roupinhas pro bebê acaba tendo depressão pós-parto, nem é isso que Cris afirma no post. Mas ela faz uma reflexão legal sobre o mercado de trabalho, as relações entre homem e mulher quando têm filhos e sobre como a rotina é desgastante demais para a mulher. Mas, leia lá que vale a pena.
Além disso, Maria Mariana criou um blog para falar do livro e das polêmicas que giraram em torno dele por causa de suas declarações. Em um dos posts, ela fala justamente sobre a história da depressão pós-parto, afirmando claramente que a repórter usou frases isoladas e fora de contexto para promover sensacionalismo. O “shopping” foi um pequeno exemplo dentro de um extenso pensamento! E não fiz nenhuma afirmação a este respeito. Declarei como uma suposição! Não sou médica, nem escrevi livro sobre este assunto! Destacando esta frase, a revista me colocou numa posição muito desrespeitosa para com as pessoas que sofrem deste mal., afirmou Maria Mariana.
E já que estamos falando dos papéis femininos na sociedade, acho que esse texto de Marcia Neder, diretora de redação da Revista Cláudia, vem bem a calhar. Depois que o li passei a perceber como é um retrocesso quando as mulheres rejeitam o título de "feministas".
Feminista, sim, com muito orgulho!
Toda vez que eu vejo uma jovem executiva ambiciosa, competente, pavimentando o seu caminho para o topo tenho aquela sensação de não ter lutado em vão. Mas, se ela torce o nariz, cheia de desprezo ao ser chamada de feminista, como se fosse alguma espécie de xingamento medieval, reação cada vez mais comum, tenho um ataque de indignação! Por que tantas jovens de hoje estão desrespeitando aquelas que lhes abriram as portas? Será que acham que os avanços que temos caíram do céu? Quando escuto então que elas não são "feministas", são "femininas", confesso que me desce verdadeira ira.
Não é feminino - e feminista! - buscar os próprios direitos, ter leis que nos protegem da violência doméstica e põem o agressor na cadeia? Não é feminino - e feminista! - ganhar o próprio dinheiro, ser independente para investir ou gastar? Não é feminino - e feminista! - ser dona do próprio corpo, viver plenamente a sexualidade e decidir quando ser mãe? Não é feminino - e feminista! - ver mulheres deputadas, senadoras, governadoras, até presidentes da República? Não é absolutamente feminino - e feminista! - querer ganhar salário idêntico ao dos homens quando na mesma função, igualdade que ainda não alcançamos no mundo inteiro?
A discriminação não acabou, as batalhas não foram todas vencidas, há muito o que fazer. E são as novas gerações que terão que enfrentá-las. Para isso, vão ter que conhecer e valorizar o trabalho das pioneiras, que pagaram um preço altíssimo pelo que as mulheres jovens de hoje têm como líquido e certo. Vão ter que ter orgulho dessa palavra e de sua carga simbólica, que deveria ser uma medalha no peito de todas nós.
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Juliana Dacoregio