Michael Jackson foi o assunto recorrente do Twitter desde o fim da tarde de ontem. Já tem gente reclamando de tantas batidas na mesma tecla a respeito da morte de Michael. Por que tantos comentários, matérias nos jornais, posts nos blogs, tuitadas e especiais na TV? - questionam-se os incomodados. Alguns não gostavam mesmo dele, outros são os "do contra" de plantão. Há também aqueles que nasceram depois de 1990 e não tiveram irmãos mais velhos que os influenciassem musicalmente, portanto para eles Michael era só um freak que fazia sucesso.
É clichezão dizer "tenho um carinho enorme" por fulano e é cafona dizer isso a respeito de uma celebridade. Mas fazer o que, sou obrigada a dizer: eu tenho um carinho enorme por Michael Jackson! Como não ter se, desde criança, me emociono com música e dança e Michael fez parte da minha infância? Nasci em 1980 e tive irmãos sádicos que colocavam o Thriller "na vitrola" para me ver chorar, gritar e sair correndo apavorada! Morria de medo, mas de certa forma achava divertido. Era nosso filme de terror particular. Gostava também de entrar na onda deles fazendo piadinhas sobre as calças curtas do Michael.
E aqueles clipes então? Podem ser um produto pop, feito para vender, mas e daí? Adoro os clipes-historinhas dele. Tanto que outro dia estava pensando que ninguém do meu convívio sabe o quanto gosto de Michael Jackson e não imaginariam que eu adoraria ganhar aquele DVD com vários clipes do cantor (fica a dica!). O cara era um puta de um dançarino e eu fico arrepiada com qualquer dança bem executada! Então não me incomodo que falem sobre isso até à exaustão. Só me incomodo quando desmerecem o artista por causa das burradas que ele fez e do ser humano esquisito que ele se tornou. Michael virou uma coisa bizarra, uma figura constrangedora. É triste, mas não importa. Ele não deixa de ser o moonwalker que habitou os anos de minha infância com seus brilhos, passinhos geniais, gritinhos histéricos e video-clipes empolgantes exibidos pelo Fantástico.
Moonwalker never dies!
"A morte de qualquer homem rebaixa-me, pois estou envolvido com a raça humana, e, portanto, nunca procures saber por quem os sinos dobram; eles dobram por ti."
(John Donne)
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1958-2009
O artista é maior do que o homem

A Unisul convidou Antônio Tabet, autor do Kibe Loco, para ser um dos palestrantes do II Festival Universitário de Comunicação. Obviamente ele foi convidado para falar de blogs, novas mídias e contar sua história de sucesso na internet. Não é a pessoa mais gabaritada para falar sobre o assunto, como sabem muito bem todos os que são ativos na internet, em redes sociais e blogs. Para quem não sabe o porquê da implicância com Tabet, basta explicar o seguinte: muitos blogueiros usam o verbo “kibar” como sinônimo de “plagiar”! Ao que parece, o Kibe Loco publica inúmeras piadas e foto-montagens copiadas de outros blogs, ou mesmo traduzidas de sites gringos, sem dar o devido crédito.
Há pessoas muito mais preparadas para discorrer sobre blogs, sites e novas tecnologias, mas também não se pode culpar a organização do Festival de Comunicação por não ter escolhido os nomes certos. Seria demais esperar que os coordenadores do Festival soubessem o que se passa nos bastidores da blogosfera. Além do mais, Tabet pode não ser o mais gabaritado, mas é o mais popular. Creio que a Unisul queria mesmo atingir o maior número de pessoas possível.
O problema é que em entrevista ao Jornal do Almoço, da RBS TV, Antônio "Kibe Loco" Tabet escorregou na vontade de ser engraçado e demonstrou seu total despreparo como palestrante a acadêmicos de Comunicação. Muito à vontade durante a conversa com o repórter, Tabet afirmou estar com pena dos alunos de Jornalismo porque seus diplomas não valerão mais e eles terão que usá-los para embrulhar peixe! Uma lástima ver o cara que estava sendo anunciado como uma das estrelas do Festival de Comunicação da Unisul ridicularizar o ensino de Jornalismo da instituição que o convidou para contar seu exemplo de sucesso. Um palestrante está lá para ser exemplo, compartilhar experiências e contribuir no aprendizado, mas pelo jeito ele não estava lá por nenhum desses motivos, já que acredita que estudar Jornalismo não serve para porcaria nenhuma!
A questão aqui não é voltar a discutir se a decisão do STF de derrubar a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo foi correta, ou não. A questão é que um profissional de Comunicação Social, que está em uma faculdade de Comunicação Social, falando a acadêmicos de Comunicação Social, deveria entender muito bem que o fato de um diploma de graduação não ser exigido não significa que ele não é importante. O diploma representa o estudo da técnica, o estudo da ética, da linguagem, da sociologia, da psicologia da comunicação. O diploma representa educação e formação, representa aprendizado e, nesse sentido, ele vale muito, sim.
É absurdo um comunicador, convidado a dar palestra numa instituição que visa formar jornalistas, afirmar em tom jocoso que está com pena dos alunos de jornalismo! Depois de ouvir a entrevista de Antônio Tabet, eu também estou com pena dos acadêmicos de jornalismo da Unisul. Estou com pena por terem perdido seu tempo com um palestrante que faz sucesso em cima da criatividade alheia e nem ao menos compreende que eles estão lá em busca de conhecimento e técnica. Não apenas em busca de um diploma.
Saiba mais:
Kibando e Andando
Usura não - contra a avareza de links
Créditos da foto: Canal Içara
Terminei a leitura de Alma Sobrevivente, do escritor evangélico Philip Yancey. Fazia tempos que não lia algo declaradamente cristão, mas vindo de alguém que escreveu Decepcionados com Deus, pode-se esperar algo mais pensante do que a média das publicações evangélicas.
Já conhecia Philip Yancey, do Perguntas que Precisam de Respostas, que li no período mais "xiita" de meu cristianismo. O livro é uma coletânea de artigos publicados na revista Christianity Today. Yancey, mesmo declarando sua crença nas bases do cristianismo, tem coragem de fazer perguntas que a maioria dos crentes não se permite fazer. Por exemplo...
Por que tão poucos cristãos demonstram alegria? Uma pessoa alegre seria mais parecida com a Madre Teresa ou com a Madonna?
Como pode uma religião que inclui um texto como Cantares de Salomão entre seus escritos sagrados ser conhecida como inimiga do sexo?
Como podem os evangelistas da televisão promover com tanta animação a teologia da prosperidade em um mundo cheio de injustiça e sofrimento como o nosso?
Na fase em que eu estava - de jogar fora qualquer objeto relacionado à Disney, queimar livros do Paulo Coelho (não pela qualidade literária, o que seria compreensível, mas por tratar de temas relativos a pseudo-bruxaria) e queimar fotos de baladas antigas ("as coisas velhas se passaram" e eu queria livrar-me das lembranças do pecado) - Yancey apareceu para dar uma arejada na minha mente que já estava bem estreita e alienada.
Então, Philip Yancey foi responsável por atiçar a semente questionadora, que sempre existiu em mim, e me fazer perceber que eu estava agindo como um robô. Talvez lá tenha começado o início de minha desconversão ou do meu abrir de olhos.
Dessa vez, com Alma Sobrevivente, ele me fez voltar a ter algum respeito por alguns tipos de evangélicos. No livro, que tem o subtítulo de Sou Cristão, Apesar da Igreja, o autor fala de pessoas que foram exemplos de fé para ele. A boa notícia é que ele não cita só evangélicos. Entre os nomes que fizeram com que ele compreendesse melhor a mensagem de amor do cristianismo estão Gandhi, Dostoievski, Tolstoi e a escritora católica Annie Dillard. Philip Yancey não escolhe seus exemplos de vida por causa de seus currículos de santidade, mas baseado no quanto de amor e compreensão aquelas pessoas transmitiram em suas vidas. Apesar de continuar não crendo na Bíblia ou na salvação da alma, posso afirmar que fiz um pouco as pazes com o cristianismo ao ler Alma Sobrevivente. Foi um livro que me fez lembrar que, independente da cruz de Cristo ou da remissão dos pecados, a mensagem cristã é uma mensagem de amor, humildade, compreensão e paz.
Yancey é um autor que faz com que cristãos radicais não engulam qualquer fórmula pronta vinda dos púlpitos e, ao mesmo tempo, mostra aos decepcionados com o cristianismo que existe vida inteligente no meio evangélico.
Pouca... Mas existe.
(Obs.: Muito obrigada a Pavarini, outro desses exemplos de vida cristã inteligente, por me presentear com um exemplar de Alma Sobrevivente.)
Leia também "Tenho esperança na vida, não na morte."
Minha opinião sobre a polêmica do diploma (e sobre os comentários indignados de alguns jornalistas) está lá no Tudo de Cri. Clique e leia: "Por que advogados precisam de diploma de direito?" Não aguento mais ouvir essa frase!
É só falar em feminismo que já surgem os comentários do tipo "mas homens e mulheres são diferentes". Nada contra, até porque eu mesma consegui, num mesmo post, ser ponderada a respeito de Maria Mariana e reconhecer a importância do feminismo. Mas quando leio sobre as óbvias diferenças entre homens e mulheres como justificativa para dizer que o feminismo é desnecessário não tem como não lembrar do post de Marjorie Rodrigues:
"(...)quando Fulano diz “mas homens e mulheres são diferentes”, parece que o defensor da igualdade de gênero está querendo ir contra uma coisa que é óbvia. Só que o buraco é mais embaixo, claro.
O autor da frase não está apenas apontando as diferenças entre homens e mulheres. Dado que, oi, elas não são visíveis? Não são tão óbvias? Por que é preciso apontá-las? Ora, vamos pôr os pingos no is: se o que se está discutindo é a diferença de poder entre homens e mulheres na sociedade, se o que se está discutindo é discriminação, então a frase perde toda essa carga ingênua e passa a ser determinista.
Este “diferente” não significa apenas diferença. Trata-se de uma naturalização, uma biologização da discriminação. Só que dita de forma mais aceitável. É a hipocrisia mais clichê: o cara não vai falar que o sistema reprodutor das mulheres as torna inferiores — se ele disser isso com todas as letras, todo mundo vai dizer que ele é um escroto, pois trata-se de um discurso escancaradamente machista. E, no Brasil, a gente tem bastante medo de escancarar o preconceito. Discriminamos de forma efetiva, sabemos que estamos discriminando… Maaaas, se alguém perguntar, a gente nega até a morte. Adotamos um discurso cor-de-rosa.
Então, para não ser escancaradamente escrota, o que a pessoa faz? Troca o “inferiores” pelo “diferentes”. Voilà. Mas o significado da frase é a mesma. Está nas entrelinhas. Uma coisa é dizer que “homens e mulheres são diferentes” quando se está discutindo biologia somente. Outra coisa é usar a frase quando se discute a configuração de poder na sociedade."
Leia o texto na íntegra.
Mais bem explicado impossível. Não estamos discutindo biologia, nem propondo a masculinização das mulheres. Se não fosse o feminismo talvez eu nem estivesse expondo minhas opiniões aqui nesse blog.
Eu fui uma das que ficou tiririca da vida com as declarações de Maria Mariana (ex-confissões de adolescente, atual "confissões de mãe"). Desejei até que ela tivesse uma boa depressão pós-parto só para aprender a não julgar o que não conhece e não falar besteira.
Mas depois que li esse post no Cristalk (Maria Mariana, seus quatro filhos e um mercado) consegui enxergar as coisas por um ângulo um pouquinho diferente. Não que eu passei a achar certo ela dizer que quem passa os nove meses da gravidez comprando roupinhas pro bebê acaba tendo depressão pós-parto, nem é isso que Cris afirma no post. Mas ela faz uma reflexão legal sobre o mercado de trabalho, as relações entre homem e mulher quando têm filhos e sobre como a rotina é desgastante demais para a mulher. Mas, leia lá que vale a pena.
Além disso, Maria Mariana criou um blog para falar do livro e das polêmicas que giraram em torno dele por causa de suas declarações. Em um dos posts, ela fala justamente sobre a história da depressão pós-parto, afirmando claramente que a repórter usou frases isoladas e fora de contexto para promover sensacionalismo. O “shopping” foi um pequeno exemplo dentro de um extenso pensamento! E não fiz nenhuma afirmação a este respeito. Declarei como uma suposição! Não sou médica, nem escrevi livro sobre este assunto! Destacando esta frase, a revista me colocou numa posição muito desrespeitosa para com as pessoas que sofrem deste mal., afirmou Maria Mariana.
E já que estamos falando dos papéis femininos na sociedade, acho que esse texto de Marcia Neder, diretora de redação da Revista Cláudia, vem bem a calhar. Depois que o li passei a perceber como é um retrocesso quando as mulheres rejeitam o título de "feministas".
Feminista, sim, com muito orgulho!
Toda vez que eu vejo uma jovem executiva ambiciosa, competente, pavimentando o seu caminho para o topo tenho aquela sensação de não ter lutado em vão. Mas, se ela torce o nariz, cheia de desprezo ao ser chamada de feminista, como se fosse alguma espécie de xingamento medieval, reação cada vez mais comum, tenho um ataque de indignação! Por que tantas jovens de hoje estão desrespeitando aquelas que lhes abriram as portas? Será que acham que os avanços que temos caíram do céu? Quando escuto então que elas não são "feministas", são "femininas", confesso que me desce verdadeira ira.
Não é feminino - e feminista! - buscar os próprios direitos, ter leis que nos protegem da violência doméstica e põem o agressor na cadeia? Não é feminino - e feminista! - ganhar o próprio dinheiro, ser independente para investir ou gastar? Não é feminino - e feminista! - ser dona do próprio corpo, viver plenamente a sexualidade e decidir quando ser mãe? Não é feminino - e feminista! - ver mulheres deputadas, senadoras, governadoras, até presidentes da República? Não é absolutamente feminino - e feminista! - querer ganhar salário idêntico ao dos homens quando na mesma função, igualdade que ainda não alcançamos no mundo inteiro?
A discriminação não acabou, as batalhas não foram todas vencidas, há muito o que fazer. E são as novas gerações que terão que enfrentá-las. Para isso, vão ter que conhecer e valorizar o trabalho das pioneiras, que pagaram um preço altíssimo pelo que as mulheres jovens de hoje têm como líquido e certo. Vão ter que ter orgulho dessa palavra e de sua carga simbólica, que deveria ser uma medalha no peito de todas nós.
Juliana Dacoregio