Parafraseando Tati Lopatiuk, "quando morávamos todos na Pangéia e eu só escrevia em fotolog", de vez em quando surgia um comentador(a) raivoso e amargurado dizendo que eu era exibida, metida, fútil, que só queria saber de aparecer em coluna social e blá, blá, blá. Aqueles recadinhos do coração que toda "fotologueira" costuma receber.
Do jeito que falavam parecia que eu fazia parte da família Castro (a "família real" de Criciúma, que já foi citada em colunas uma porrada de vezes). Que nada! Minhas aparições como colunável foram uma dezena ou duas, no máximo. Não é muito, levando-se em conta que comecei a freqüentar as baladinhas da moda aos 15 anos. Naqueles tempos remotos não havia câmera digital e as festas não eram repletas dos fotógrafos de sites de baladas. Aliás, não existiam nem sites, nem baladas, já que quando íamos sair à noite dizíamos que estávamos indo pra night. Na verdade, havia apenas um fotógrafo. Ele fotografava o povo "na night", pegava o telefone da galera, de vez em quando mandava as fotos pros jornais e ia na casa da gente pra vender as cópias(acredite se quiser).
Como eu era uma garotinha "da night", pseudo-modelete, com amiguinhas debutantes e aluna de colégio particular, é claro que de vez em quando aparecia numas sociais aqui ou ali. Depois virei jornalista, apresentei programa de TV, fiz rádio e no fim das contas, acabei indo parar no outro lado da moeda: de alguém que aparece para alguém que tem o "poder" de fazer com que outros apareçam. E dentro desse rebuliço todo, aparecer acaba se tornando algo natural e até necessário (embora às vezes não necessariamente desejável).
Pois então, essa reminiscência toda é só pra me exibir mais um pouquinho e pra dizer que às vezes santo de casa também faz milagre.
"A virtude não iria tão longe se a vaidade não lhe fizesse companhia."
(François de La Rochefoucauld)
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Juliana Dacoregio