08.03.09

00:46:42, Categorias: Cinema, Comportamento, Cotidiano, Egotrip  

Eu estava gripada... Tossindo, espirrando e cansada. Mas fui. Fui pra São Paulo. Pra quê? Pra passear com a Ana, pro Twitter-lunch, pra conhecer algumas pessoas que só conhecia virtualmente, pra estar só e conhecer mais essa pessoa que me acompanha há 28 anos, mas que ainda me é tão misteriosa às vezes.

E lá estava ela chorando durante a decolagem, de pura ansiedade e nervosismo, talvez até de cansaço e calor. Sabe, bebês choram quando estão cansados... e ela não é muito diferente. Lá estava ela no hotel, sozinha. Pela primeira vez num hotel sozinha. Só se deu conta disso na última hora. Já tinha voado sozinha inúmeras vezes. Mas sempre pra encontrar alguém muito familiar ou pra voltar pra casa. Nunca pra se lançar em uma cidade desconhecida, disposta a conhecer pessoas que nunca tinha visto antes, munida apenas de seus números de telefones. Não que não conhecesse São Paulo. Já tinha estado lá, mas apenas muito bem acompanhada e protegida, para passeios culturais e compras na "25 de março".

E de repente lá estava ela, andando até se cansar, negociando valores com taxistas, emendando um programa no outro, sem ir para o hotel tomar banho e trocar de roupa. (É por isso que as revistas femininas sempre trazem aquelas matérias de moda que ensinam a ir direto do escritório para a happy hour, com a mesma roupa, trocando apenas um acessório.)

E lá estava ela: pegando metrô sozinha, de olhos arregalados, tentando (e provavelmente não conseguindo) não parecer uma turista; andando pela cidade grande, atravessando avenidas movimentadas, derretendo de calor, se guiando por torres e instinto, segurando a bolsa com força, mas com ainda mais força segurando a alma, orgulhosa de si mesma.

Sempre tão cheia de controle: não sai de casa sem saber aonde vai, não fala com quem não conhece, dirige o próprio carro e sempre manda em seu próprio horário. Lá estava ela: saindo sem saber exatamente aonde ia chegar, ligando sem conhecer a voz que iria atender, comendo em lugares que nunca imaginaria comer, cantando num karaokê!

No filme Sim, Senhor, Jim Carrey faz o papel de um cara que se propõe a dizer mais SIM em sua vida. Um cara que nunca aceita nada que possa fugir ao seu controle, mas que começa a dizer sim pra qualquer oportunidade e pedido que se apresente diante dele. Claro que há limites pra tudo. Mas ao dizer sim, sem saber o que vai acontecer, pode-se descobrir situações e lugares maravilhosos, pode-se conhecer pessoas inesquecíveis. É o que acontece a Jim Carrey no filme. Ele começa a dizer SIM a todos os seus antigos desejos: aprender uma nova língua, tocar um instrumento... E tudo que ele aprende de novo, em um momento ou outro, acaba sendo útil. Claro, sempre é! Ele também diz SIM a pedidos inusitados, que acabam levando-o a encontrar a mulher por quem ele se apaixona. Algo parecido, certamente, já aconteceu comigo e com você. Por exemplo: o homem que está ao meu lado há mais de dois anos, o responsável direto por eu ter começado um blog, o cara por quem sou apaixonada... encontrei em uma viagem que decidi fazer sem nem ter muito porquê. Apenas um convite, que eu já havia recebido tantas vezes e tantas vezes dito não. Mas um belo dia eu disse SIM. E lá estava meu destino, minha surpresa, meu amor. Da mesma forma, disse SIM para essa viagem agora e me surpreendi com tudo que vi, ouvi, vivi. Surpreendi-me, principalmente, com o tanto que, olhando para fora, descobri dentro de mim. Tudo por causa de um SIM.

Fotos da viagem

Permalink 636 palavras por Ju Dacoregio, No views Comentários (8)
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Comentário de: Rodrigo[NightSpy] · http://www.rodrigocavion.com.br

Aeeee...veio pra minha cidade.!

Apesar dos que muito falam... conhecer o centro de são paulo é uma visão, mas.. se não conheceu os bairros de são paulo, se não conheceu zona leste, sul, norte, oeste nem um pouquinho, ainda não conheceu são paulo. ;-)

PermalinkPermalink 09.03.09 @ 08:50



Comentário de: Alina · http://www.drunkendrunken.blogspot.com

AMEI o post!
Também amei esse filme!
Sou uma pessoa de dizer sim com facilidade.
E todas as boas histórias que tenho pra contar, são frutos de "sins" impensados.
É muito bom passar por coisas inesperadas e enriquecedoras!

Um beijão e obrigada pela visita!
Adorei seu blog!

Beijos!!!

PermalinkPermalink 09.03.09 @ 12:32



Comentário de: jazz · http://poucaspalavras.wordpress.com

cara, juro que ME VI nesse post! acabei de voltar de sampa!! so me lembro do teu primeiro comentario no meu blog: somos almas gemeas! ahahaha

PermalinkPermalink 09.03.09 @ 18:35



Comentário de: Sabrina · http://www.bibidivagaemlorota.blogspot.com

Que lindo texto, bem íntimo! Cantasse num Karaokê???hehehehehe, qual música????

Sim para a vida mon ami!!!!

R.: Eu e a Ana cantamos "Encosta tua cabecinha no meu ombro e chora...". Foi mesmo de chorar a nossa cantoria! :p

PermalinkPermalink 09.03.09 @ 22:50



Comentário de: Raquel · http://raquelelbacha.blogspot.com

Oi Juliana. Também estive em São Paulo recentemente sozinha para fazer uma prova de concurso. Já me acostumei e até gosto dessa sensação de viajar sozinha e aprovietar da forma que você aproveitou.
Valeu a pena dizer "sim", não foi?
Beijos.

PermalinkPermalink 10.03.09 @ 10:25



Comentário de: Ana Reczek · http://anareczek.blogspot.com/

Nossa, tinha perdido esse post!
Olhei o teu blog e li o post anterior, ai voltei e ja tinha o post de cima e acabei nao vendo esse! Se tu nao tivesse me falado ontem nunca saberia!
Que coisa.

Mas que bom que as nossas experiencias doidas te fizeram bem... pra mim sempre fazem. Depois que eu fui a primeira vez rpa sao paulo eu viciei completamente na cidade, e hoje vou a cada oportunidade que aparece.

Alias, eu viajo para qualquer lugar que tenha a chance. Pra mim viajar é entrar com contato com o acaso, com o desconhecido, ter experiências novas, e, como conversamos ontem, de sair da minha zona de conforto.

Recomendo a qualquer ser humano, mas especialmente aos criciumenses, que parecem precisar disso mais do que os outros.

que seja a primeira de muitas aventuras em sp!

PermalinkPermalink 12.03.09 @ 15:09



Comentário de: Silvia · http://www.degaiato.blogspot.com

Ótimo post, Juliana! Me vi nesse post também, quando saí de casa pra morar no Rio...mas é muuuito gratificante, saber que somos capazes de nos virar sozinhas na cidade grande! hahaha

beijoca!

PermalinkPermalink 27.03.09 @ 16:12



Comentário de: RICARDO HENRQUE SANCHES GONZALES · http://pokemon é a minha vida

amo d ++++++++++

PermalinkPermalink 19.06.09 @ 20:49



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Juliana Dacoregio
Jornalista, leitora voraz, escritora, cinéfila.
Observadora, vaidosa, passional, sensível.
Lágrimas abundantes e gargalhadas sinceras.
Leal aos amigos e ligada à família.
Cheia de opiniões e de capacidade de analisá-las e transformá-las.
Hábitos simples e pensamentos complexos. Ou vice-versa.

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